Minha amada imortal
Narração
"Pensamentos"
Dedicada a quem ler n.n
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Capítulo 2: Uma nova chance
No dia seguinte não fui à Faculdade. Não que estivesse com medo de encarar os alunos ou você, mas sim porque Ino me obrigou a tomar um calmante, o que me fez dormir feito uma pedra a manhã toda. Quando acordei já não dava mais tempo de ir para as aulas, pois haviam terminado há meia hora. Vi do lado da minha cama minha irmã dormindo de mau jeito na poltrona. A mudança fora radical. Quem diria que um rosto limpo e cabelos bem cortados na altura dos ombros dariam um ar normal para Amaya? Levantei-me daquela cama extremamente alta e com dificuldade consegui me livrar do amontoado de travesseiros de pluma. Pisei no piso frio o que foi um alívio para meu corpo quente, culpa do terrível pesadelo que tive à noite. Fui em direção ao banheiro. Todos os acessórios eram da cor rosa: toalha, banheira, armário, escova de dente... Até a embalagem do creme dental era rosa! Naquela hora me veio à mente que a toalha verde emprestada à minha irmã na noite anterior era do Sai, assim como o moletom.
Debrucei-me sob a pia e lavei meu rosto com a água fria. Meu cabelo ficou parcialmente molhado e minha camiseta preta com o colarinho encharcado. Fitei minha imagem no espelho por um momento. Parecia história de filme americano. A essa altura toda Tóquio estava sabendo do ocorrido, imaginei. Já podia ver a manchete dos jornais: "Estudante drogado ataca colega de classe". O pior de tudo é que a tal colega de classe era você, minha paixão desde que eu descobri que não sou inatingível e que o amor não é o que queremos sentir, mas sim, o que sentimos sem querer. Saber que tinha te perdido não foi o mal pior, pior foi descobrir que outra igual não existia... Queria tanto poder falar com você... Talvez me explicar, não sabia ao certo, mas eu queria te ver, queria que você sorrisse para mim como sempre sorriu... Mas isso já era pedir demais. Ouvi a porta de o quarto abrir e por um momento fiquei com receio de que fosse alguma das amigas de Ino, tínhamos o costume de fazer cópias das chaves do nosso quarto e sair por aí distribuindo pra quem quisesse. Mas percebi que era Ino simplesmente pela maneira delicada de dizer:
- Sasuke! Onde é que você se meteu estrupício?!
- Estou aqui, Ino – respondi saindo do banheiro
- Nossa... Se você queria tomar banho, não precisava ser na pia do banheiro né? – mencionou incrédula
- Aposto que nem sentiram minha falta nas aulas – sugeri me sentando na cadeira da escrivaninha
- Engano seu – respondeu jogando a bolsa tira-colo no chão – Estavam prontos na porta da Faculdade pra lincharem certo Uchiha
- Ah que maravilha... – resmunguei colocando a mão frente meus olhos
- E... Hinata pediu transferência de turma
Na hora eu não acreditei. Virei meus olhos para Ino, tentando enxergar algum sinal de que o que ela falava era mentira, mas infelizmente ela falava a verdade. Eu já esperava algo do tipo, mas a idéia não entrava na minha cabeça. Claro que você não pediria transferência de Faculdade, seu pai vive viajando e, mesmo sendo difícil de acreditar, ele a ama, te dá tudo o que precisa e se orgulha da filha que tem, falando bem dela a todos. Imagino que foi por isso que não abandonou Tóquio, você nunca iria colocar seu pai numa situação tão constrangedora quanto. Também acredito que um dos motivos que levou você a fazer isso foi porque nós dois sentávamos do lado um do outro. O que antes foi um ponto a meu favor, agora estava contra mim. Levantei-me da cadeira e fui até a janela, precisava de ar. Enquanto eu balançava a cabeça negativamente, Ino tentou ser gentil dizendo que Itachi não aparecera na Faculdade. Tentei sorrir, mas não pude. Amaya acordou e confusa indagou quantas horas havia dormido. Tentando disfarçar a situação em que me encontrava, entreguei para Ino meu cartão de créditos e pedi que ela acompanhasse minha irmã para comprar algumas roupas e tudo que fosse necessário. Não diria que ela relutou a minha atitude, Ino sempre idolatrou Shoppings. Logo que as duas saíram, fui até minha pasta e tirei de lá um álbum. Era o álbum do colégio que sempre carregava comigo. Lá tinha as fotos desde o jardim de infância e em todas as fotos, você estava lá. Meu Deus, o que eu tinha feito?! Me deixei cair sentado no chão enquanto olhava a última foto: o quarto e penúltimo ano da Faculdade de Psicologia. Fechei o álbum e me arrisquei a sair do quarto, indo até a biblioteca buscar os trabalhos e tarefas que sempre tinham. A bibliotecária ficou assustada quando meu viu, pois boatos de que eu tinha me matado correram todo o local. Mostrei para ela minha carteira de autorização e isso fez com que ela automaticamente despertasse para a realidade e me entregasse os livros. Saí de lá e tentei ignorar o olhar assustado dos alunos sobre mim. Naruto que vinha abraçado com a namorada assim que me viu, trocou o sorriso pela feição mais séria que poderia ter feito. Ficou parado me olhando e, quando passei por ele, fez questão de esbarrar em mim com brutalidade, fazendo meus livros caírem no chão. Respirei fundo enquanto ele dizia:
- Tome cuidado por onde anda idiota – e eu devolvi o elogio dizendo
- Digo o mesmo - nessa hora senti uma mão me agarrando pelo colarinho. Era a primeira vez que Naruto demonstrava um sentimento negativo: ódio.
- Quer que eu amasse sua cara de novo? – perguntou cerrando o punho
- Pra mim te meter um processo impedindo que conclua o quinto ano, babaca?
- Vai me processar por esbarrar em você no corredor? – perguntou rindo – Isso não é motivo
- Se você me bater, será um bom motivo.
Ele me soltou enfim me dando as costas e puxando Sakura consigo pelo corredor. Até hoje eu acho que a namorada dele pintava o cabelo com papel crepom. Me abaixei para pegar os livros enquanto alguns ex-amigos passavam por mim batendo com suas mochilas e cadernos na minha cabeça. Paciente eu me levantei e, quando ia andar novamente, o time de Futebol americano se colocou a minha frente me encarando. Kiba, o sub capitão andou até mim com o típico uniforme ridículo laranja e branco listrado e, me entregando a bola do time, disse:
- Você foi expulso do time – sorriu vitorioso – Pelo menos agora eu sou o capitão – e saiu rindo com os amigos. Rindo? Ele estava rindo? Daquela situação? Um momento... Ele riu porque, com essa catástrofe virou o capitão do time de futebol? Com tamanha raiva, eu mesmo joguei meus livros no chão, me virei com rapidez e lancei a bola que bateu certinho na cabeça daquele cachorro risonho.
- Que foi capitão? Não conseguiu pegar a bola? – perguntei quando ele se virou para me fitar com ódio
- Ah Uchiha... Eu só não quebro a sua cara por que...
- ... eu quebraria a sua antes, senhor Inuzuka – disse Tsunade aparecendo do nada entre os alunos – Que tumulto é esse? Vocês, bando de desocupados, agora para seus dormitórios e salas de aula! E você senhor Inuzuka, se continuar provocando mais alguém, qualquer um que seja, será o próximo a receber a expulsão, entendido?
- Mas...
- Entendido?!
Ele se levantou do chão e, acompanhado dos colegas e líderes de torcida – que eu ainda não entendo porque se estendem até a faculdade – foi para o campo treinar. Tsunade virou-se para me fitar agora que estávamos sozinhos no corredor
- Sasuke, por que desceu até aqui? – perguntou aflita
- Fui pegar alguns livros – apontei para o chão. Ela balançou a cabeça e fez um sinal para que eu voltasse de onde tinha saído. Foi o que fiz.
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Dois meses depois e parecia que agora os alunos me aceitavam. Não confunda quando eu falar que eles me "aceitavam". O que eu quis dizer é que ninguém tentava me matar mais, e não foi necessário que eu fugisse de alguma rebelião. Itachi trancou mais uma vez sua vaga na faculdade e foi tirar umas "férias" pela Europa. Sua carteira, do lado da minha, permanecia vazia e meu coração também. Na verdade, ele estava cheio de arrependimento, mas é só maneira de dizer. Minhas notas no primeiro bimestre caíram como uma avalanche e eu estava me vendo obrigado a repetir o último ano... Mas quem é que conseguia se concentrar na interpretação das emoções humanas quando se está tentando interpretar suas próprias emoções? Dada a hora do almoço, sem sentir fome – ou pelo menos fingindo isso – resolvi dar uma volta pelo bosque de lá. Eu nunca havia ido para aquele lado, aliás, eu não sei por que ter um bosque se os alunos nem se importavam. Melhor para mim, ficaria sozinho sem nenhum idiota me irritando ou jogando bolinho de frutas cristalizadas na minha cabeça. Depois de cinco minutos andando em linha reta, me deparei com uma árvore incrivelmente enorme no meio de uma vasta área sem árvores. Debaixo dela, tinha uma pessoa que eu descobri ser você. Era a primeira vez que te via depois de dois meses suspirando e com o coração à deriva. Você segurava algo em suas mãos que de onde eu estava não dava para ver com clareza o que era, mas você estava chorando. Ótimo, alguma coisa tinha a ver comigo. Me aproximei de você devagar e, quando você se deu conta eu estava há meio metro de distância. Desesperada e com os olhos inchados, você apanhou seus três livros e o fichário e saiu correndo, deixando o objeto que segurava instantes antes caído no chão.
Eu não tentei te seguir. Meu corpo não reagia. Só pude vê-la se afastar em meio a lágrimas, segurando com mau jeito os livros. Me encostei na árvore e deslizei até encontrar o chão, sentando em cima de alguma coisa. Levantei e peguei o que era sentando novamente no chão. Fiquei analisando tal objeto. Parecia uma caneta. Certo, certo, não parecia uma caneta, mas chegava perto. Tá bom, não chegava nem perto de ser uma caneta, mas lembrava... Até que algo me fez ver definitivamente que aquilo NÃO era uma caneta:
- "Teste de gravidez: positivo?!"
Deixei meu queixo cair naquela hora. Era por isso que você estava chorando e, era por isso que Ino me dizia que você não tinha passado bem tempos atrás... Agora, o que eu tinha feito gerou frutos indesejados. O que quis dizer com isso, por favor, não entenda errado, sempre quis ter filhos, mas naquelas circunstâncias e ainda mais sendo da forma que foi... Nessa hora, despertei para a realidade. Peguei tal objeto e pensei em ir correndo até você, mas meu relógio de pulso apitou avisando-me de que era hora de ir ao trabalho. Depois de ser expulso do time de futebol e, prevendo que Itachi faria alguma coisa contra mim e meu dinheiro, resolvi arranjar um emprego: motoboy. Falaria com você no dia seguinte, sem falta.
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Cheguei do trabalho e estacionei a moto na garagem do apartamento. Não era luxuoso quanto o antigo e o meu apartamento, não era o único no andar, mas ainda poderia se considerar de classe alta. Duas suítes, um banheiro, uma sala de estar grande – a qual colocamos uma mesa na metade da mesma, para parecer de jantar – uma cozinha, uma varanda que servia de lavanderia e uma sacada que ficava na porta/janela da sala. Amaya também tinha conseguido emprego, ajudava na recuperação de narcóticos num hospital público de recuperação. Só conseguiu o emprego porque foi uma das melhores estagiárias de Londres, o que arrecadou pontos positivos em seu currículo.
Entrei em casa às dez horas, Amaya lia com atenção alguns papéis que informavam o perfil de cada indivíduo do hospital. Achei que ela não tinha me visto, pois os olhos estavam pregados nos papéis:
- Seu jantar está no forno. Fiz lasanha de queijo – disse ainda sem tirar os olhos dos papéis
- Não estou com fome – disse me jogando no sofá – Como foi o trabalho hoje?
- Bem. Estão se acostumando rápido comigo – disse sorrindo
- Amaya, por que não conclui sua faculdade de enfermagem aqui em Tóquio? É só pedirmos transferência, chega em uma semana – ela suspirou e depois disse
- Não. – fiquei quieto. Na hora eu não entedia o motivo, mas futuramente, saberia o porque. Passado alguns minutos, longe em minhas idéias, Amaya entendeu de imediato que alguma coisa estava errada. Virou-se para mim e chamou-me várias vezes e só respondi na décima quinta chamada – Sasuke!
- O quê?
- Tô te chamando faz tempo! O que aconteceu?
- Nada...
- Então por que eu achei isso na sua mochila? – perguntou me mostrando o teste de gravidez, o que me fez levantar do sofá na hora
- Mexeu nas minhas coisas? – perguntei irritado enquanto apanhava o objeto de sua mão
- Fui guardar sua mochila e isso aí caiu – defendeu-se – E eu sei que homens engravidam, não são engravidados – disse me olhando séria
- Tá bom, eu falo! – me dei por vencido – Hoje eu vi Hinata no bosque da faculdade, cheguei perto e ela estava chorando, quando me viu saiu correndo, mas o que eu podia fazer?! – disse num fôlego só
- Ela deixou isso pra trás né? – sugeriu me olhando carinhosamente. Amaya sempre sabia me confortar em situações assim
- Eu queria tanto falar com ela... Estava pensando em fazer isso amanhã, mas ela não deixaria que me aproximasse...
- Vai falar com ela agora ué – disse simplesmente
- Agora? – assustei com a sugestão
- Claro! Por que fazer amanhã o que se pode fazer nesse instante? – disse enquanto me empurrava para a porta de entrada
- Tem certeza? – estava confuso
- Absoluta! Vai lá – enfim me achava no corredor
- Mas e se Ino chegar? Ela me mata se descobrir que eu fui ver Hinata!
- Eu te acoberto – disse sorrindo, prestes a fechar a porta
- Mesmo?
- Pode contar comigo porco-espinho! – e depois disso fechou a porta, como para evitar que eu mudasse de idéia
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Estava andando no quarteirão dos conjuntos dos estudantes, quando uma BMW preta parou do meu lado. O vidro abaixou e eu vi justamente quem eu adoraria evitar naquelas circunstâncias:
- Olá Neji
- O que faz aqui? – perguntou com a feição sombria
- Dando uma volta e você? – ironizei como sempre
- Fui ver Hinata-sama, sou advogado dela
- Vou ser processado? – sugeri calmo, mas estava com os nervos à flor da pele
- Hinata-sama não quer – ponto positivo pra mim! Quase apontei meu dedo na cara daquele Hyuuga metido e soltei a gargalhada que ele merecia, mas me contive – E você não deve ir vê-la
- Quem disse que eu vou fazer isso? – mudei de assunto
- Você está no quarteirão do conjunto de dormitórios onde ela fica isso já é uma alta e sonora resposta – disse me encarando
- Eu faço o que quiser você não manda em mim – ele suspirou
- É melhor que se afaste dela, para o bem de todos... – disse sincero, olhando em meus olhos, depois partiu.
Dei às costas para o veículo e andei em direção de casa. Não se engane, não voltei pra casa. Esperei o carro do seu primo dobrar a esquina e voltei a seguir meu destino anterior: o seu dormitório – que aliás, eu não fazia idéia de onde ficava.
Pulei a grade de proteção e entrei. Aquilo era muito maior do que me lembrava. Logo no primeiro prédio do conjunto, encontrei a lista dos quartos com os nomes dos moradores. Seu nome ficava no quarto e último andar e você era a única que morava naquele andar. Ponto positivo? É, talvez fosse... Difícil seria passar pelo amontoado de estudantes que ficavam na entrada. Nunca fiquei tão feliz em ver Tsunade como naquele dia. Ela berrou para que eles entrassem e isso me deu mais um ponto vantajoso. Esperei dar meia-noite, porque daí eu teria certeza de que ninguém mais se encontrava acordado. Acontece que eu acabei dormindo e só fui acordar às duas da manhã. Isso me ensinou a nunca mais passar a madrugada em claro deitado atrás de uma árvore.
A porta de entrada estava fechada. Isso não era nada bom... Toquei a campainha de um deles, nem lembro qual foi, mas como a pessoa devia estar muito sonolenta, não perguntou quem se tratava, apenas abriu a porta e eu pude entrar. Não usei o elevador porque não tinha necessidade. Subi os quatro lances de escadas e, enquanto andava pelos corredores a procura da continuação das mesmas, ouvia gritos agudos de meninas numa noite de pijama, sons absurdos de um encontro de namorados às escuras e até mesmo o bater de dedos num teclado de computador. Cheguei então ao quarto andar. No fim do corredor, do lado esquerdo, a porta do seu quarto com um tapete de "boas-vindas" e uma placa artesanal escrito "não perturbe". Era colorida, não para ser grosseira, mas para brincar com quem lesse. Me aproximei meio inseguro. Virei para trás, certificando de que ninguém estava ali. Virei meus olhos para sua porta e, com grande pesar, bati nela três vezes. Segurei a respiração, tentando ouvir um ruído qualquer. Passos calmos e lentos se dirigiram para a porta e uma voz suave e doce, a sua voz suave e doce, perguntou:
- Quem é? – eu não consegui responder, tamanho meu pavor – Quem é? – você perguntava agora confusa e mais uma vez, não consegui responder.
A chave da porta virou duas vezes e você abriu uma brecha com os olhos apertados pelo sono. Quando me viu, seus olhos antes entreabertos se abriram assustados e você tentou fechar a porta. Aquilo foi em vão, eu tinha posto meu pé para bloquear o vão que estava aberto:
- Hinata preciso falar com você – disse tentando demonstrar calma
- Não temos nada para falar – você disse forçando a porta para dentro
- Por favor Hinata,me perdoe!
- Eu sei que Itachi te drogou, não guardo rancor, agora, por favor, me deixe só! – você respondeu chorando
Eu parei um momento de pensar e fiquei te vendo ali, na minha frente, chorando. Se não guardava rancor, qual o problema então? Abaixei minha cabeça para me deparar com uma das minhas mãos fechadas segurando o teste de gravidez que você tinha perdido naquela hora. Respirei fundo e estendi o objeto falando para você:
- Acho que é seu – você abriu os olhos assustada e, mesmo querendo conversar com você, tirei meu pé que bloqueava a passagem da porta para que você enfim pudesse fechá-la. Antes de dar as costas para você, sussurrei para que apenas nós dois pudéssemos ouvir – Eu te amo... – e andei em direção à saída, apenas ouvindo o ruído da porta se fechando.
Quando já me encontrava no primeiro degrau da escada, ouvi um barulho de chave virando duas vezes. Parei e fiquei ouvindo. A maçaneta virou destrancando a mesma. Virei meus olhos para trás, sua porta ainda não estava aberta. Inclinei-me para o lado e, depois de alguns instantes vi a porta ser escancarada e você, chorando, vinha correndo até mim. Estava de camisola, uma camisola que ia até os joelhos do tom azul. Seus pés descalços batiam contra o piso frio e suas mãos limpavam lágrimas que insistiam em cair. Quando estava há dois metros de distância, abri meus braços para que você pudesse cair entre eles e chorasse agora aliviada, com alguém ao seu lado, lhe dando apoio. Senti suas lágrimas quentes molharem minha camiseta enquanto você apertava com força o tecido. Abracei-a com força, para evitar que você pudesse fugir de mim. Cochichei então no seu ouvido suplicante:
- Me perdoe...
- Você não foi culpado... – me respondeu aos soluços
- Mas eu feri seus sentimentos, acabei ferindo os meus próprios...
Depois de alguns minutos, seu coração começou a bater normalmente, ainda soluçava, mas as lágrimas cessaram. Suas pérolas voltaram-se para mim e você, confusa, perguntou:
- Desde quando? – perguntou se referindo aos meus sentimentos
- Desde sempre... Só não sabia como lhe contar... – respondi tirando alguns fios molhados de seu rosto – Não queria destruir sua vida...
- Não o fez! – você retrucou com os olhos calmos
- Um filho não estava em seus planos, eu sei...
- Não, você não sabe... – você me sorriu – Esse era um dos meus planos... Mas não quero você ao meu lado pelo sentimento de culpa – começou a se explicar
- Sinto-me culpado, é verdade, mas, por favor, me deixe pelo menos uma vez na vida fazer o que eu quero fazer o certo: me deixe ficar com você! – pedi demonstrando aflição
Não sei como, mas você viu sinceridade em meus olhos. Justamente meus olhos que às vezes se confundiam com grades de cadeia e você conseguiu ver o que ninguém viria nem se quisesse. Me abraçou, enchendo meu rosto de beijos e depois me abraçou forte. Ficamos assim um bom tempo. Você sorriu e eu consegui esse fato histórico. Até hoje agradeço a você ,agradeço a Deus por conseguir essa chance. Uma nova chance...
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Awe povo! \o/
Mais um capítulo pronto n.n
Espero que agrade a quem ler O_O
Agradecimentos:
Kinha Oliver (triler) e Dedessa-chan (capítulo 1)
Beijos!
