Capítulo três
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O ultra-som
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Eu adoraria poder acabar nossa história aqui com um simples e rápido "felizes para sempre", mas infelizmente não foi assim. Os alunos não aceitaram nossa situação. Achei por um momento que iriam apoiar-nos. Estava completamente enganado! Eles não me deixaram em paz! Falaram que tudo aquilo era um jogo meu para você não me processar ou entregar a história para algum jornal – o que era até educado comparado com o que me disseram depois. As ameaças retornaram e as brincadeiras de mal gosto aumentaram ainda mais. Mas que bando de fofoqueiros! Não querem que eu seja feliz, não querem que eu me deprima... Até hoje, ainda acho que eles queriam que me suicidasse, é a única explicação lógica que encontro para aqueles acontecimentos.
Amaya, por outro lado, achou ótima a minha decisão e estava contando com sua aprovação de ir morar conosco. Eu ri com sua proposta, não queria ir rápido demais, afinal, acabamos de ficarmos juntos, isso seria muito forçado. Ela, estudante de medicina e voluntária num Hospital para narcóticos, sabia disso, mas não podia deixar seu lado menina de lado. E quando soube que seria tia, então? Só faltava sair às quatro da madrugada para começar o enxoval do bebê. Lembro-me com carinho dela, de outra forma não. Sei que o ditado fala que "a primeira aparência é a que vale", mas Amaya tinha seus motivos para agir daquela forma hostil comigo. Motivos os quais demorei para saber.
Passados mais dois meses, os olhares assassinos continuaram, mas as ameaças cessaram mais uma vez. Estava começando a me acostumar com isso. Você tinha voltado para nossa sala, sentando-se ao meu lado, o que fizeram minhas notas decolar como um foguete. Sua barriga de agora quatro meses, estava um pouco mais saliente e já era possível dizer que você era uma gestante – e cá entre nós, a gestante mais linda que eu já no mundo. Apenas a terceira aula das quartas-feiras não tínhamos juntos, mas não era problema: sempre nos encontrávamos no refeitório ou no bosque. Muitas vezes no bosque, já que estava vazio, pois, no refeitório... É melhor nem recordarmos certo? Acontece que naquele dia, eu estava realmente faminto. Não tinha jantado, nem tomado café da manhã. Precisava mesmo colocar algo descente no estômago e lá fui eu, sozinho, já que o professor ainda não tinha dispensado você e a outra turma. Sentei-me na última mesa, vazia por sinal. Pelo menos consegui chegar até a mesma com metade do almoço já que os "quase-psicólogos" fizeram a gentileza de esbarrarem em mim com brusquidão, aproveitando que nem você, Tsunade ou Ino - que virara meu escudo agora – estavam por perto. Depois de alguns minutos tentando comer, alguém se sentou na minha frente. Para minha alegria era você. Me sorria docemente:
- Pensei que te encontraria no bosque – você disse
- A fome falou mais alto hoje – limpei a boca com um guardanapo – mais alto que esses aí – disse me referindo aos estudantes
- Logo passa... – você riu baixinho
- Você disse a mesma coisa há dois meses – brinquei
Sorrindo divertidamente, você começou a folhar alguns livros e cadernos, à procura de algo. Curioso e intrigado estiquei meu pescoço para tentar ver alguma coisa. Depois de alguns segundos, você tirou um envelope de dentro do fichário. Com as mãos trêmulas - de vergonha, não medo – você me entregou tal documento. A última vez que tinha visto um daqueles, foi no dia em que meu mundo definitivamente caiu. Abri cautelosamente, temendo alguma desgraça e você notando, riu. Dentro tinha o nome de algum hospital e um horário de consulta marcado. Olhei para você confuso, quando, entendo o gesto, docemente explicou-me do que se tratava:
- Eu marquei o ultra-som para hoje. Esse aí é o nome do hospital e a hora marcada. Se quiser vir...
Não pude deixar que um sorriso enorme me estampasse a face. Senti o meu maxilar trincar, de tanto que sorria. Se eu quisesse ir? Que tipo de frase fora aquela? É claro que iria! Jamais perderia isso na minha vida! Depois de conseguir conter meu sorriso, respondi afirmativamente à você que ia.
xxxxx
Três horas. A consulta era às três e meia. Cheguei cedo porque não queria me atrasar. Você já tinha feito alguns ultra-sons antes, mas eu nunca tinha ido a nenhum deles. Malditas provas de fim bimestral... Fechei meus olhos e comecei a visualizar o futuro: eu, você, uma casinha branca, uma criança correndo no jardim com um cachorro peludo... Não gostei muito da "casinha branca", então mudei pra algo do tipo, apartamento/cobertura de luxo. Cachorro peludo? Não, me lembrava aquele desgraçado do Inuzuka. Nada de cachorros, talvez um gato. Nunca pássaros porque eles piavam e eu odeio bichos que fazem ruídos e sons sem parar durante o dia todo. Gatos são silenciosos, então fiquei com a hipótese do gato. Mas e se a criança fosse asmática? Ou não gostasse de gatos? E se preferisse um cachorro peludo e babão que tapasse a entrada do apartamento? Mas aí teríamos que sair de lá, pois não aceitam bichos de grande porte em apartamentos. Teríamos então que ir para uma casa térrea e...
- Sasuke? – uma fina mão pousou no meu ombro, me tirando daquele surto de "futuro"
- Hinata... – pronunciei vendo você sorrir
- Você veio... Esperou muito? Estava dormindo quando cheguei...
- Dormindo? – conferi em meu relógio. Realmente, os trinta minutos que faltavam esperar passaram num piscar de olhos.
Entramos juntos na sala da médica que nos recebeu alegremente. Hinata me apresentou à doutora e ela me cumprimentou cordialmente. Numa mesa estavam fotos. Uma dela e do marido e outra de duas crianças, supostamente seus filhos. Passei a pensar que adoraria um dia ter a foto de meus familiares na mesa do meu escritório... Hinata foi colocar o avental enquanto eu esperava na outra sala. Depois de cinco minutos, a sessão começou. Foi incrível o som do coração do nosso filho batendo e batia rápido! Fiquei emocionado e bobo ao mesmo tempo. Aquilo ali era um pedacinho de vida meu e seu... A médica perguntou se queríamos saber o sexo da criança e a resposta não pode ser outra. Depois de alguns segundos olhando e analisando ela nos disse:
- É um menino
xxxxx
- Um menino?! – gritou Amaya, não podendo esconder a felicidade
Eu queria mesmo que ficassem felizes com a notícia, afinal, quando uma pessoa está feliz, as outras ao seu redor desejam que a felicidade aumente e ficam ainda mais felizes que nós, não é verdade? Não quando se é um Uchiha. Dez horas da noite e a campainha toca. Olhando pelo olho mágico, pude ver do outro lado da porta meu pai e minha mãe. Demorei um pouco para abrir a porta, vê-los juntos depois de tantos anos era até um milagre...
- Pai? Mãe? – eles se assustaram quando abri a porta. Minha mãe entrou sem fazer cerimônia e meu pai, olhando com desdém o local, fez o mesmo – Por que não entram? – ironizei sem gostar do ato de ambos
- Sasuke, eu coloquei meio mundo atrás de você pra te encontrar, agora, não perderei mais um minuto sequer com você: não receberá mais a mesada e seu nome foi tirado da herança – meu pai disse assim, simplesmente, sem se importar com nada nem ninguém. Amaya estava perplexa, observando a tudo enquanto nossa mãe tinha invadido seu quarto jogando todas as suas roupas de mau jeito numa mala
- Era só isso pai? – perguntei simplesmente. De certa forma, já sabia que o dinheiro não seria mais meu, assim como o prestígio que tinha. Senti, desde que comecei a trabalhar, que o dinheiro dos Uchiha evaporava de minhas mãos e, quer saber? Nem me importei
- Você não é meu filho – disse com firmeza e nojo – Nunca mais se dirija a mim dessa maneira – e me dando as costas, ele saiu do apartamento
Minha mãe saiu do quarto de minha irmã com a sua mala. Eu estava normal, já esperava aquilo. Amaya estava atordoada, até perceber o que nossa mãe trazia:
- O quê é isso? – perguntou assustada
- Você volta comigo, não ficará mais em Tóquio – ela dizia levando a mala para a porta do elevador já fechado
- E quem disse que eu quero ir?
- Não tem que querer – ela me olhou assustada – Vamos filha, lá em Londres tem uma clínica especializada, tudo vai se resolver – disse puxando Amaya para a saída. Quis nterferir, mas ela já o tinha feito
- Sei que não tenho cura mãe, mas achei aqui com meu irmão uma razão para viver – ela foi sincera e pela primeira vez, a vi chorar com felicidade – Se existe um lugar ao qual quero morrer, será aqui, com meu irmão
- Filha... – ok,ok, o que estava mesmo acontecendo? Quem é que vai morrer aqui do meu lado? Me assustei com aquelas palavras, mas de que adiantaria interferir? Não sabia do ocorrido, pelo menos, não ainda – Por quê?
- Porque só agora, sei valorizar o que tenho de mais precioso – e dita estas palavras, ela abraçou Amaya e partiu para a saída. O que me doeu naquela hora, foi ser apenas um branco... E mais uma vez, eu errei. Minha mãe me abraçou e pediu desculpas a mim por tudo. Foi-se embora e depois daquele dia, não a vimos mais. Tem pessoas que precisam de um tempo à sós, e essa, com certeza era ela.
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Awe,awe,awe! \õ/
Postei depois de séculos e séculos n.n" Desculpa a demora gente, sei que o capítulo não saiu lá grande coisa, mas eu me esforcei viu? TOT
Agradecendo à
Tia Kate-chan(mana querida não acredito que você leu!)e FranHyuuga (você também? Oh Deus! - desmaia -)
Hehe' n.n'
Próximos capítulos:
"- Amaya! Rápido venha nos ajudar aqui! Ele está fora de si!
- Calma, calma... Você vai ficar bem... – disse ela ao rapaz..."
Só pra saberem n.n'
Beijos gente, valeu!!!
