Capítulo quatro

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O novo paciente

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Eu sei que estou retratando aqui nossa história de vida, mas Amaya faz parte dela e seu namorado também. Claro que não foi na hora que os dois ficaram juntos... Só nós sabemos como foi difícil para ambos. Minha irmã contou-me essa história, não sei se contarei da maneira que ocorreu afinal, não estava lá na hora do ocorrido... Se bem me lembro, a história começa assim...

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Mais um dia de trabalho... Eu gosto muito do que faço. Sabe aquela sensação maravilhosa de quando você ganha um presente ou quando presenteia alguém? É essa sensação que tenho quando ajudo os outros. Sei, parece clichê esse tipo de frase, mas realmente, se eu pudesse passar minha vida toda ajudando as outras pessoas eu o faria.

Como sempre cheguei ao hospital tranquilamente e com um sorriso no rosto. Nada melhor do que se acalmar alguém do que um sorriso... Mas tudo tem o seu porém. O sorriso tem que fluir naturalmente, não pode ser forçado. Acredite, os pacientes sabem a diferença, portanto, se não sabe sorrir, não o faça ou as coisas podem complicar. Uma delas é de o interno negar-se a tomar remédios e isso é realmente desastroso!

Estava indo ao vestiário pôr a roupa do trabalho quando...

- Amaya! Rápido venha nos ajudar aqui! Ele está fora de si! – chamou-me um enfermeiro

Pela aparência e pelo rosto desconhecido, logo vi que era novo em nosso meio. Dois dos nossos enfermeiros seguravam-no e ele se debatia querendo soltar-se. Gritava raivoso e acredito que se pudesse, mataria qualquer um ali. Peguei a seringa com o calmante e me aproximei rapidamente. Se ele continuasse se mexendo daquela maneira a agulha quebraria em sua pele. Definitivamente, ele precisava se acalmar.

Delicadamente disse a ele para se acalmar, antes que eu aplicasse o calmante em mim mesma. Achei que não tivesse me ouvido devido aos gritos neuróticos que eu custei a me acostumar, mas como sempre, ele ouviu. Eles sempre ouvem. Apliquei o medicamento e aos poucos ele serenou até dormir:

- Levem-no para o quarto – foi meu "decreto" final

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Enquanto minha irmã passava por tudo isso no Hospital, você, Hinata, se encontrava ainda mais nervosa. Suas mãos suavam frio, seus lábios tremiam e o ar parecia que lhe faltava. Preocupado, claro que perguntei o que tinha, se precisava ir ao médico e todas as outras coisas que perguntamos a alguma grávida, principalmente se ela for você. Mas, como sempre, nada me disse, sorriu forçadamente e tentou convencer-me de que estava bem, o que eu não acreditei, logicamente.

Não nos encontramos na faculdade e seu celular de uma hora para outra ficou fora da área de cobertura. Sinceramente, sumiços assim me deixam neuróticos! Deixei mais ou menos vinte mensagens no seu celular e nenhum deles foi atendido ou retornado. Já estava pensando o pior quando finalmente, na trigésima quinta tentativa de uma ligação você me atendeu:

- Hinata! Como você está? Por que desapareceu assim? Você está bem? E o bebê? – na hora nem notei se estava ou não sendo exagerado. Não é típico ver um Uchiha no estado em que estava e creio que ninguém na minha família se portou assim algum dia.

- Eu estou bem sim, não aconteceu nada conosco – você disse-me tranquila. Aposto que se pudesse tê-la visto, estaria dando um de seus sorrisos forçados que raramente você usa, a não ser em ocasiões como essa

- Por que sumiu desse jeito? Não quis me avisar... – comecei a serenar um pouco, passando a mão nos cabelos

- Agora não posso me explicar, mas logo vai entender... – e depois disso, você desligou o telefone me deixando ainda mais confuso

Restou-me ir ver minha irmã no Hospital. Ah sim, dia cheio de surpresas... Primeiro você some, segundo, greve de professores na Faculdade e terceiro e pior de todos eles: fui despedido. Dá para entender mais ou menos agora, o que eu fui fazer no trabalho de Amaya?

- Pois não? – perguntou a recepcionista

- Uchiha Amaya – ela olhou para mim

- Seu nome?

- Uchiha Sasuke

- Certo... – ela pôs-se mais perto do microfone – Uchiha Amaya, Uchiha Sasuke lhe aguarda na recepção – a voz dela ecoou por todo o local nos alto-falantes. Depois de alguns minutos, ela apareceu no local, recebendo-me com um sorriso confuso

- Sasuke, que faz aqui?

Vamos fazer um resumo de toda essa lorota? Você sabe que eu odeio ficar repetindo conversas que já tive por mais de uma vez... Não é grosseria, mas se eu já sei, pra quê ouvir tudo de novo? Ela lamentou por mim e mais ainda por não poder me arranjar nada no local. Minha irmã ganhava pouco salário que mal dava para seus gastos. Se não fosse a mesada de nossa mãe não estaríamos vivendo naquele apartamento. Minha faculdade, graças aos céus, estava paga até o fim do ano letivo. O problema é que agora, sem dinheiro de minha parte, as despesas mensais iriam pesar muito. E você não podia trabalhar e eu nem deixaria tal ato! Foi num desses pensamentos que me descobri uma pessoa zelosa e um pai coruja.

Embora estivéssemos juntos, cá entre nós, amor não enche barriga, tirando o útero, mas isso aí já é outra história...

E agora? Era a primeira vez em toda minha vida em que me encontrava numa situação difícil. Sem dinheiro, sem emprego, sem ter como sustentar uma família e um filho a caminho. Realmente, sentia-me a beira do precipício.

De repente, para minha vida ganhar mais emoção, um tumulto entre médicos e enfermeiros. Um deles disse algo do tipo: "O paciente do 306 está tendo um ataque novamente". Antes que pudesse perguntar quem era o tal, Amaya passou zunindo por mim, seguindo por um corredor. Resolvi segui-la, não estava fazendo nada mesmo...

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- Rápido, a seringa! – disse Amaya estendendo a mão para um dos enfermeiros

- Não temos nenhuma a disposição

- O quê?! – gritou alarmada. Aquilo não era uma situação que se podia ocorrer principalmente em um Hospital para Narcóticos

Restou à ela usar a psicologia. A visão que tive superou muitos traumas da minha vida. Gaara era jovem mas portava-se como um animal preso. Gritava, se arranhava e se feria, debatia-se contra os móveis causando ainda mais ferimentos. Agrediu um dos enfermeiros e eu fiquei realmente muito atônito com a cena. Ainda mais quando vi minha irmã, aquela coisa miúda se aproximando dele sem demonstrar medo ou qualquer sentimento que lhe pusesse a correr dali de perto. Ela se aproximou dele que ainda gritava e ficou fitando-o esperando que ele se acalmasse. OI que parecia impossível aconteceu. Ainda com a respiração acelerada e o olhar assassino, ele parou. O peito movia-se aceleradamente para cima e para baixo, parecia que a qualquer momento ele ia atacá-la. Temi por isso. Ela levantou as mãos e pousou-as gentilmente na face do ruivo que levava ao alto da testa uma tatuagem.

Sabe o que aconteceu? Ele começou a chorar. Exatamente, começou a chorar! Aquilo me surpreendeu mais ainda. Como uma pessoa como aquela poderia chorar? O rapaz deixou-se cair no chão e minha irmã logo pousou-sua cabeça sob um de seus braços, dizendo em seu ouvido:

- Calma, calma... Você vai ficar bem... – e depois disso, ele tranqüilizou como se fosse um cordeiro adormecendo em seguida

Saindo do quarto dele, minha irmã limpou as lágrimas e disse-me sorrindo que seu expediente, havia terminado.

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Dirigindo o carro até o apartamento, minha cabeça explodia em mil perguntas sobre você e o que fazia. Agora, queria saber mesmo com quem estava, se é que estava acompanhada. O que estaria acontecendo? Por que todo aquele mistério? Afinal das contas, eu receberia ou não uma resposta?!

Chegamos enfim ao "lar-doce-lar". Amaya foi colocar a carne para descongelar enquanto eu escolhia o feijão. Santa humilhação, um Uchiha escolhendo feijão... Se bem que enfrentar meu pai como naquele dia e não saber onde estava minha protegida Hinata, eram muito piores do que separar grãos que servem para cozinhar de grãos que devem ir para o lixo... Claro que, não importo-me hoje mais com o fato de meu pai nunca ter conhecido a família que formei, recusando-se a me chamar de filho, mas naqueles dias que transcorreram depois de sua visita nada amigável, senti-me como um grão a ser jogado fora... Completamente inútil.

O telefone toca. Preciso dizer que fui eu o desesperado a correr até o aparelho para poder assim ouvir suas voz que tão desesperadamente queria ouvir? É claro que preciso, não fui eu a falar com você e sim minha irmã que á estava com o sem fio na mão:

- Alô? Oi Hinata! Onde se meteu sua sumida? – perguntava enquanto pegava a bacia de feijões de minha mão – Ah sim... Claro... Não se preocupa estamos bem sim. Te esperamos para o jantar hein? – e ela desligou. Apenas lancei-lhe um olhar assassino – Que é? – perguntou confusa

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O relógio fazia aquele irritante ruidinho semelhante a um barulho de um aparelho que mostra as horas decentemente. Não fazia o tic-tac por completo, apenas o tic, pois o tac não existia mais. Além de não funcionar, eu não sabia se ele mostrava o horário certo ou estava apenas pregando uma peça na minha mente. Não queria, não podia ser nove horas! Encarava o relógio querendo que ele mudasse aqueles dois ponteiros de lugar:

- Amaya – gritei da sala ainda fitando o relógio – que horas são?!

- Olha no relógio – ela respondeu

- Esse tá errado – retornei

- Nove e dois – respondeu depois de alguns segundos

Isso não era bom. O relógio da sala estava adiantado UM minuto, ou seja, era mais tarde do que eu tinha imaginado. Não, não estava sendo paranóico! Mas, pense em mim e veja minha situação: você, grávida, andando por aí sabe se lá quem era a criatura e, já no horário de novela você não estava em um lugar que eu pudesse vigiá-la. Nem um telefonema significativo! Acha pouco o motivo de querer chamar a polícia?

De repente, a campainha. Graças a Deus, ele havia ouvido minhas preces! Corri até a porta e a mesma estava trancada. Onde diabos Amaya colocara a chave? Gritei para que esperasse que não me demorava, mas não ouvi resposta. Vasculhei todas as almofadas, puxei o tapete para, depois de ter jogado suas gavetas no chão, encontrar a chave me cima da mesa de entrada. Abri a porta mais do que depressa e... Não era bem aquela pessoa que eu esperava encontrar:

- Pois não? – perguntei com uma das sobrancelhas erguidas.

Desculpe pelo que direi agora, mas ao ver o tom do cabelo, os inigualáveis olhos dos Hyuuga e a aparência séria e fria, não gostei nem um pouco dele. Parecia-me réplica perfeita do Neji e, acredite isso não foi um elogio.

Corri os olhos pelo corredor e você não estava lá. Depois dessa pessoa me encarar por algum tempo e eu, sem dar a mínina para ele, abriu os lábios e perguntou severamente:

- Você é Uchiha Sasuke? – fitou-me ainda mais sério

- Sim. E você, quem é? – e como resposta, vi um punho vindo em direção de meus olhos. Logo depois de sentir uma aguda dor e ver-me no chão, eu vi de relance a porta do elevador abrir-se e uma assustada Hinata sair de lá nervosa, chamando meu nome...

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Sinceramente, não consigo mais escrever capítulos que prestem como antes _ _'

Só isso? Você deve estar se perguntando. É gente, só isso =T

Mesmo assim, espero que gostem e continuem acompanhando n.n

Opa! Vi uma coisa que me animou! Mais uma leitora? *.*

Uhuu! \õ/ - sai pulando que nem uma louca desvairada –

Seja bem vinda! ^-^

E, agradeço também de coração, a FranHyuuga e Kate-chan que continuam aqui, lendo essa minha FIC que andou me desanimando muito ultimamente...

Ah, sorry Fran, usei sua frase e coloquei-a na FIC, achei que se encaixava perfeitamente e resolvi colocar #O.O#

Todos os direitos reservados 8D

Então, é isso gente, espero realmente que curtam e, ao invés de jogarem flores como vocês vivem fazendo, ta na hora de alguns paus e pedras né? Preciso saber como estou me saindo para melhorar para vocês! :)

Beijos a todas!!!

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Próximo capítulo: Hyuuga Hiashi