Capítulo cinco
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Hyuuga Hiashi
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Estávamos todos na sala. A pessoa que me agrediu, ao seu lado me encarando como se a qualquer instante fosse mostrar as garras e perfurar o meu pescoço. Eu, numa poltrona com uma das mãos sobre o olho esquerdo que, eu sentia, estava começando a inchar. Amaya surgiu saindo da cozinha, colocando um bife sobre meu olho. Aquilo foi a coisa mais nojenta, estranha e sem sentido que já fizeram para me ajudar. Até hoje, quando me lembro, sinto o cheiro do vinagre e do alho.
Enquanto um encarava o outro, quem teve a iniciativa de começar a conversa fora você, mesmo porque, se eu ou seu pai começássemos, não seria de forma educada:
- E-esse é meu pai... Hyuuga Hiashi – você disse fitando o chão
- Prazer em conhecê-lo – foi o que o "poderoso chefão" disse sarcasticamente
- Não posso dizer o mesmo – retornei ainda sentindo a dor aguda cada vez mais forte no meu olho
- Posso saber por que bateu no meu irmão? – indagou minha irmã levemente irritada. Você teve sorte Hinata: nunca chegou a ver Amaya realmente irritada.
- A resposta é meio óbvia – respondeu seco.
Ótimo! Tinham fofocado para o patriarca Hyuuga que a filha dele foi... Ah... Não gosto de mencionar aquela palavra então... Não preciso mencioná-la, acho que deu para perceber o sentido. Eu sei não se deve esconder nada de tão grave dos pais, - embora você fosse maior de idade - e isso inclui certos problemas... Tinha certeza que o responsável por isso tudo fora Neji. Não sabe você como desejei que aquele carro importado dele explodisse com ele dentro! Uma coisa que eu não sabia, era como você e meu sogro foram se encontrar... A dúvida foi tirada quando você me contou algumas horas mais tarde, o ocorrido...
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Desde que recebeu aquele telefonema, Hinata não conseguia se manter calma. Seu pai sabia de tudo e agora vinha para Tókio com a intenção de vê-la. Temeu com sua reação. E se ele a julgasse mal? E se quisesse processar Sasuke? E, a pior de todas as hipóteses: se quisesse que ela tirasse a criança?
Antes de chegar ao destino, deu várias voltas a pé e, sentindo-se mal, ficou sentada por um bom tempo, tomando coragem para levantar do banco da pequena praça ao qual estava.
Foi com as mãos suando e sentindo os joelhos tremerem que ela pegou o táxi e foi até o aeroporto, na área de desembarque. Coração apertado, respiração acelerada. Quem visse acharia que Hinata estava á ponto de ter um ataque cardíaco. E ela realmente estava.
Passados eternos trinta minutos para a chegada do avião, o horário de desembarque apareceu no telão. Os olhos cristalinos desceram as letras e os horários até acharem o que tanto queria evitar: Miami - 9:30/ Portão 3. Olhou para o portão indicado vendo as pessoas que passavam. A cada desconhecido, um suspiro aliviado e um aperto a mais no coração. De repente, surge um rosto conhecido e indiferente, procurando com os olhos preocupados algo ou alguém. Hinata sabia que era um alguém. Era ela o alguém. Ficou estática ali, observando o pai. O mesmo terno formal, cabelos presos... Para ela, continuava o mesmo homem sério de sempre. Culpava-se por um lado de temer a presença do pai ali, pois, ele sempre lhe dava tudo e, quando arranjava tempo, compensava de todas as formas possíveis. "Poder não é tudo" - era o que ele sempre dizia as filha – "o que importa é a família". Importaria agora?
Foi então que Hiashi viu a figura da filha parada ali, o olhando com todo o temor do mundo em seus orbes perolados. Sentiu-se um monstro por causar tal sentimento na filha. Ela, ainda parada, não soube o que falar assim que viu seu pai vindo em sua direção e abraçando-a em seguida, assim como faziam quando um viajava para longe. Realmente, há tempos não se viam... Hinata chorou. Hiashi apenas não chorou, pois achou que não seria um exemplo certo ao dar a filha: o de fraqueza. Não que chorar fosse um sinal de fraqueza, mas para um homem de poder como ele, era.
- Não está zangado? – perguntou em meio a soluços ela
- Não... Claro que não... – disse ele fazendo a Hyuuga ficar um pouco mais calma. Estariam as coisas tomando certo rumo agora?
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- Peço desculpa por ter descido ao seu nível e... – nessa hora eu vi você segurando o braço do seu pai, alertando-o para ser, talvez, um pouco mais delicado, coisa que eu duvido que ele consiga. – No que você trabalha rapaz?
- No que eu trabalho? – ótimo qual a resposta? "Olha, senhor Hyuuga, eu era motoboy, mas sabe hoje algo extremamente bizarro aconteceu: fui despedido, acredita?". Minha nossa, o que eu poderia inventar numa situação como aquela?! Sentia-me num labirinto sem saída, e, seu pai, era o Minotauro.
- Sim, no que trabalha? Hinata não pode trabalhar nessa situação! – o que ele sugeriu com aquilo? Que eu forçaria você a trabalhar? Ah, espera um pouco! Eu posso ser tudo o que ele queira, mas nunca, jamais faria nada que a prejudicasse
- Ele é motoboy, pai – você disse o que acabou piorando a resposta que eu teria de dar ao sogrão. Não te culpo... Culpo é o mexicano desgraçado que me despediu!
- Garoto de entregas? – ele repetiu de uma forma politicamente correta para si mesmo. Deve ter ficado surpreso vendo que eu, um Uchiha, trabalhava entregando fast food. Trabalhava que eu digo, foi pretérito passado, afinal, estava DESEMPREGADO. – Suponho que o ritmo costuma ser bem... Corrido – ironizou sem mudar a feição.
- Costumava ser bem corrido – se é pra dizer, que eu diga de uma vez oras! – Perdi o emprego.
Por favor, relembre a cena: você com os olhos arregalados, demonstrando surpresa, ao seu lado Hyuuga Hiashi que comprimia os lábios deixando evidente que começava a se irritar – "começava" é bondade de minha parte, ele já estava irritado – eu sentado à frente de vocês com um pedaço de carne no meu olho e com o molho da mesma escorrendo minha face. Pensava se a situação poderia piorar... E podia:
- Você está desempregado?! – começou Hiashi literalmente berrando – E como pensa em sustentar minha filha e meu neto se não tem emprego?!! – ai meu ouvido... Será que os vizinhos ouviram? – Você tem alguma coisa nessa sua cabeça?!
- Tenho – disse mantendo a calma – não se preocupe, já fui à procura de outro.
- Posso saber o que você fez para perder um simples emprego como aquele seu incompetente?! – vi seu pai levantar-se do sofá e pude até visualizar a futura cena: eu morreria. Mas, antes de morrer, era melhor me explicar:
- Eu tinha ido acompanhar Hinata no consultório médico... Não avisei meu chefe. – boa a explicação não? Por isso eu digo e repito: maldito mexicano.
Para minha surpresa e, creio eu, para de todos ali na sala, ele se acalmou e um sentimento de culpa refletiu em seus olhos perolados. Sentimento de culpa? Nos olhos perolados de Hyuuga Hiashi? Juro que nunca em minha vida algo me surpreendeu tanto. Sentimento, culpa, olhos de Hyuuga Hiashi... Essas palavras numa mesma frase foram assustadoramente impressionantes. Seu pai então tornou a sentar e, desviando seus olhos dos meus, disse:
- Isso é verdade?
- Sim pai... Sasuke foi comigo ontem no hospital... – depois disso ele fitou o chão e, com certa dificuldade disse
- Sendo assim... Me desculpe – Ah, depois dessa, ganhei meu dia! – O que posso fazer para reparar meu erro?
- Pode começar pagando o jantar – interveio Amaya – Porque, o que a gente ia comer, eu tive que usar no meu irmão – ela se referia ao bife. Estava muito mais preocupada com o que ia colocar no prato do que com seu pai.
E não é que ele pagou mesmo o jantar?
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- Começamos com o pé esquerdo rapaz – admitiu Hiashi. Pé esquerdo? Ora, tudo que é esquerdo foi começado no nosso primeiro encontro! – É que ainda não consegui me conformar com isso...
- Ainda mato o desgraçado que fez minha caveira para você – murmurei mas fui ouvido
- Não à necessidade... – tentou sorrir, mas só esboçou uma careta – E além do mais, não é por aquilo que não me conformo... É em ver minha filha crescendo...
Você sorriu, mas eu apenas consegui ironizar sarcasticamente um pensamento que não agradaria em nada a você e muito menos seu pai. Não, eu não vou contar o que pensei. Finja que eu esqueci certo?
Continuamos palestrando – era assim que seu pai dizia o que pra mim era "conversar" – por mais duas horas. A noite já beirava madrugada quando ele resolveu ir embora. Antes, ele tinha algo a me dizer, ou melhor, propor, o que me deixou completamente sem reação...
- Você ainda está procurando um emprego, rapaz? – balancei a cabeça confirmando – E, sem querer parecer indelicado, por que não pede um emprego ao seu pai?
- "Pô... Valeu pela parte que me toca" – pensei tentando esconder o desgosto que tinha ao me lembrar dele. Depois de alguns segundos que para mim pareceram séculos, respondi – Nós nos desentendemos...
- Entendo... – murmurou fitando alguma coisa no chão, até que olhou nos meus olhos (o que me deu medo), e sugeriu – Quer então, Sasuke, um emprego na minha empresa?
Você abriu os olhos impressionada e tapou o sorriso que surgia em seus lábios com uma de suas mãos. Já Amaya, que voltava da cozinha trazendo uma bandeja, tropeçou e quase deixou tudo ir ao chão. Agora Hyuuga Hiashi me olhava sem expressar nenhum sentimento, como se nós não tivéssemos nos conhecido naquelas circunstâncias e ele não tivesse me acertado um murro no olho que, por sinal, ainda doía.
- Vai ficar me olhando com essa cara ou vai me responder? - brincou. Mas, não sei porque, eu senti uma pitada de sarcasmo...
- Você quer que eu trabalhe na sua empresa? "De advogados se não me engano?" – pensei um tanto aflito a última frase
- Não vai ser um emprego definitivo, é só até você terminar a faculdade e poder se sustentar. Vamos dizer que é uma espécie de estágio. Você ajudará um de meus funcionários no que for preciso e será bem remunerado por isso. Talvez metade do que ganha um empregado meu.
Se eu não tivesse meu orgulho, naquela hora eu teria ajoelhado aos pés do seu pai, agradecendo por ter me salvo da dívida da TV no fim do mês. E também, é claro, por assim, poder te dar um futuro melhor, com mais estabilidade financeira, porque eu estaria sustentando uma família e todas as obrigações... Naquela mesma hora, a imagem de uma casa com um suposto cachorro veio a minha mente, enquanto eu apertava a mão de seu pai dizendo:
- Ok. Eu aceito o emprego.
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No dia seguinte bem cedo eu, aproveitando que era sábado, me aprontei e fui ao encontro do meu futuro chefe e futuro sogro. Coloquei meu terno cinza escuro que, sabe Deus que raios eu ainda o deixava no meu armário, e tomei um táxi. Não foi necessário dar endereço algum. Impossível as pessoas não conhecerem o imenso prédio - só perdendo para o Word Trade Center - espelhado inteirinho com um vidro negro, tendo no topo uma imensa esfera azul Royal, com um "H" bem no centro na cor prata.
O motorista parou e eu, depois de contar algumas notas e moedas entreguei a ele a quantia que devia pela corrida. Depois, olhei para a porta de vidro automática, toda trabalhada, onde o mesmo "H" se destacava. Senti um arrepio percorrer minha espinha quando cheguei em frente à porta e ela se abriu, mostrando para mim a grandiosidade e elegância do local. Nem parecia uma empresa de advocacia. Cheguei a recepção e perguntei onde ficava a presidência, mas parecia que ele me esperava no 65º andar. Apressei-me para apanhar o elevador. Entrei e não me senti nem um pouco confortável. Vários homens entraram junto comigo e eu fiquei constrangido ao ver que todos eram exatamente iguais com seus ternos, gravatas, cabelos penteados com gel, óculos e pastas de couro preto. Quase todos falavam ao celular e a maioria nem se olhava ou perguntava como o colega de trabalho estava naquela manhã. Quando faltava dois andares para chegar aonde seu pai estava, assim como entraram, saíram todos com gestos e movimentos idênticos, como se fossem robôs.
Chegando ao andar que me fora destinado, sai mais calmo e avistei Hiashi sentado num espaçoso sofá de couro bege, em frente a alguém que tinha suas mesmas características. Na mesma hora senti que meu corpo parara. Ele estava com Neji ou era impressão minha?
- Veja tio, ele chegou – não, não era impressão. Mas que droga! Será que quando eu acho que as coisas caminham para o melhor, logo recuam? Forcei um sorriso que aposto que não saiu, tamanho meu desgosto por ver seu primo ali. Ele veio caminhando até mim com um sorriso sarcástico que no momento me era muito, mas MUITO confuso. Não tinha motivo para me sorrir. Ou tinha? Naquela hora a única coisa que pensei em minha defesa foi: "Desculpe Neji, mas eu não como da sua fruta"
- Que bom que já chegou Sasuke – pronunciou Hiashi – Assim teremos tempo de conhecer onde você trabalhará.
Novamente nós seguimos para o elevador, parando somente no penúltimo andar. O último pertencia única e exclusivamente ao presidente. Ele me mostrou várias salas e as pessoas que naquele andar trabalhavam. Cada andar era responsável por um caso: desvio de verbas, calúnia, difamação, atentado violento ao pudor, negligência, homicídio doloso, homicídio culposo, homicídio duplamente qualificado dentre outros mais leves, assim como pequenos furtos, agressão física, ou algum irresponsável que se recusava a pagar pensão aos filhos.
A área em que estávamos cuidava dos assuntos referentes á abusos, o que me deixou constrangido. Mas, parecia que essa não fora a intenção de seu pai. Os advogados lá presentes faziam rodízio. Toda vez que um caso novo aparecia, a pessoa que já tinha participado de um caso sobre roubo, por exemplo, em que ela devia defender, agora seria destinada a acusar. Depois, poderia ir para outro setor cuidar de outros casos. "Mas sempre um que lhe era destinada, pois os funcionários estavam ali para serem mandados", foi o que me disse Neji.
Chegamos a uma sala muito bem organizada, uma mesa grande, alguns papéis sobre a mesa, um laptop que acabara de sair no mercado e que nem eu sonhava em ter, fora prateleiras com livros jurídicos e um armário apenas de processos públicos para serem avaliados ou já executados. Muitos deles com uma etiqueta verde, que me informaram, significava causa ganha e alguns poucos com etiqueta vermelha: causa perdida. As de etiqueta laranja significava que a causa foi ganha pela metade e as sem cor nenhuma, queria dizer que era uma causa suspensa.
- Gostou da sala Sasuke? – perguntou-me Hiashi
- É bem grande – disse com os olhos ainda analisando o lugar
- É minha – disse Neji, com um tom de provocação
- Parabéns – disse sarcástico, ainda analisando a sala
- Sasuke – Hiashi me chamou e meus olhos se voltaram com atenção a ele – sua mesa é aquela ali – apontou-me o móvel
Só agora eu tinha percebido que no canto da sala tinha uma mesa de tamanho médio, do mesmo modelo que a de Neji com um abajur, uma cadeira estofada e um armário ainda sem nenhum documento. Ao lado, um pequeno cesto de lixo. Fiquei feliz em ver o meu local de trabalho, muito me agradou. Até que seu pai continuou:
- Gostou? – meneei a cabeça concordando, abobado em ver que finalmente eu tinha encontrado um emprego descente – Que bom – sorriu e depois completou - Você será auxiliar do Neji.
Agora eu tinha entendido o porquê daquele sorriso falso que o "sobrinho querido" do seu pai tinha me dado. Antes de saber que seria seu assistente, tudo estava muito bom. Bom demais pra ser verdade. Eu sabia, no fundo sabia ou pelo menos desconfiava de que a presença daquele bloco de mármore não significava coisa boa. Mas, não querendo contrariar ou zangar seu pai, aceitei sorrindo forçadamente, o que deixou-o satisfeito. Depois, ele me pediu que o seguisse para preencher um documento e assim o fiz. Enquanto fechava a porta Neji sussurrou algo que eu entendi muito bem: "Boa sorte, empregadinho". Sem poder reagir, descontei minha raiva na maçaneta da porta, o que fez minha mão ficar dolorida. Naquela hora, tive certeza: se um Deus existia, ele estava se divertindo ás minhas custas.
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*música de aleluia ao fundo* Eu postei! \8D/
Milagre! Milagre! Arranjei tempo para tal fenômeno da natureza! *olhos lacrimejantes*
Povos ou povas do meu coração (como se mais de duas pessoas lessem essa FIC -.-"), sinto pela demora e temo frustrar as expectativas de vocês com esse capítulo que, ora vejam, saiu maior que os últimos postados =D
Então, o Neji apareceu para tormento de Sasuke n.n
E, sinceramente, a minha parte preferida foi a do murro no olho do Sasuke \o/
Foi tão legal *O*
Agradecimentos:
Gesy
Beijinho e até o próximo capítulo :*
Próximo capítulo:
Hyuuga Neji
