Capítulo seis
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Eu, meu chefe e o caso Keno
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Sabe, até que meu primeiro dia não foi um dos mais difíceis do mundo... Nem um dos melhores. Já na manhã do meu primeiro dia na empresa eu tive que arquivar vinte documentos, salvá-los em um CD, remarcar cinco reuniões e buscar sete cafezinhos. Certo, não sei se ele fez isso porque realmente precisava ou se foi apenas para me irritar. Os documentos eu entendo, as reuniões, vá lá, agora SETE CAFÉZINHOS? Tenho certeza de que ele não precisava de tantos. Mas quem sou eu para exigir se estou aqui por bondade (lê-se: pena) do meu sogro? Por enquanto, resta aturar calado as indiretas e os risos mais falsos que aquele cabelo impecavelmente liso dele. Ah, por favor, nem o cabelo do Sai que É liso é daquele jeito!
Voltemos ao que interessa: meu primeiro dia na empresa. Lá pelas três horas a secretária surgiu na sala informando que um tal de Keno Fuuma estava esperando na recepção. Neji pediu para que ele subisse enquanto eu tentava sair de baixo de tantos papéis e disquetes. O homem entrou e meu "chefe" chamou-o pelo sobrenome. Indicou-lhe uma cadeira e enquanto este se sentava Neji me mandava buscar o oitavo cafezinho do dia.
A essa altura eu já pensava que me contrataram para servir cafés. Entrei na sala e reparei que o homem suava. Não foi minha intenção, mas sou psicólogo, é normal pessoas da nossa área ter olho clínico.
- Então, o que você trouxe para me mostrar? – perguntou o advogado ao cliente, que tremendo, entregou-lhe um notebook prateado
- Aí dentro está tudo o que eu fiz nos últimos sete meses. Se o senhor mandar um especialista pesquisar até mesmo os arquivos excluídos, verá que nesse computador só tem coisas referentes ao meu trabalho. – depois completou hesitante – Não terá nenhuma ação ou transferência de dinheiro
Naquela hora eu me lembrei que de manhã tinha lido a respeito desse homem. Ele foi acusado de ter desviado setenta por cento das ações da empresa para seu nome, numa conta no exterior. Apesar de cinco pessoas confirmarem ter sido ele e que sabiam até mesmo o nome do banco, nada foi encontrado no exterior. A conta que eles disseram não existia. Mesmo assim a empresa entrou com um processo. Parecia causa ganha para Neji, já que, além de não terem provas e, as que aparentemente tinham haviam desaparecido, seu cliente poderia acusar os colegas de trabalho de cometerem calúnia e difamação, podendo além de tirar um bom dinheiro de seus bolsos, aumentar o prestígio do Hyuuga's. Era perfeito, mas para mim uma verdadeira furada.
Ele gaguejava ao alegar ser inocente, além de suar frio, se contradizer em certas partes... Sem dúvida ele tinha algo a esconder. Depois de Neji dar uma boa olhada no computador – o que me deu tempo de arrumar todas as pastas – fomos para a pré-reunião. Lá, cada um dos cinco funcionários alegou que Keno sempre fora ambicioso e vinha transferido de outra empresa por ter sido pego roubando o cofre. Ele negou.
Aquilo tudo estava muito chato. Uma aula sobre psicopatas e como eles agem seria muito mais interessante do que saber a data na qual Fuuma teria feito o desvio de dinheiro. Advocacia não foi feita para mim. Duas horas depois, a pré-reunião foi dada como encerrada e nós (para falar a verdade, eu), nos preparamos para voltar à empresa. Neji pegou o elevador na frente e nem esperou que eu apanhasse o amontoado de papéis que caíram no chão a caminho do corredor. Faltavam apenas alguns passos para alcançá-lo quando a porta se fechou e ele me deu um aceno de mão, seguido de um riso divertido. Será que elevadores dão problemas com freqüência?
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- Acha que ele é inocente? – perguntei dentro do carro, depois de levar dez minutos para achá-lo no estacionamento
- Não importa o que eu acho ou deixo de achar. Fui contratado para defender e é o que vou fazer – respondeu com um tanto de ignorância na voz.
- Mas você pode desistir do caso – confirmei
- Por que faria isso? – indagou curioso
- Porque acho que esse Sr. Keno é culpado – ele riu
- E o que entende você de advocacia?
- Nada, só estou dando minha opinião... – ele me cortou. Avise seu primo, Hinata, no próximo almoço de domingo que eu odeio ser interrompido.
- Pois saiba caro funcionário que quando um advogado é contratado para defender uma pessoa, é exatamente isso que ele faz: defende. Não cabe a eu julgá-lo, estou sendo pago para livrar a cara dele da cadeia e não em me perguntar se devo ou não confiar na pessoa que está pagando meu serviço
- Mas se ele for culpado e descobrirem a situação não piora para você?
- Claro que sim. Perderei a causa. Mas isso não vai acontecer comigo, pois faço meu trabalho bem feito
- Não prefere perguntar ao seu cliente se ele tem alguma parcela de culpa? – forcei ainda mais o assunto. Será que ele não tinha entendido que eu queria uma resposta dele mesmo e não de um livro de auto-ajuda?
- Não, porque eu conheço o meu lugar. – ele tinha acabado de parar o carro devido ao sinal vermelho – E você, conhece o seu?
Neji me olhou com tanta reprovação que eu quase pude ver dentro daqueles olhos foscos um mini-Neji comemorando vitória sobre mim. Num acesso de fúria, fiz a primeira coisa que me passou pela cabeça e que conseqüentemente resultaria na minha demição:
- Vá à merda – e saí do carro.
O carro dele não fez meia-volta para me alcançar, simplesmente continuou o caminho da empresa. Só em imaginar que ao chegar em casa eu viria seu pai sentado no sofá desbotado me esperando para fazer mil e uma perguntas sobre: "como eu pude ter feito aquilo sendo que preciso tanto de um emprego?", me dava uma dor de cabeça... Precisava me tranqüilizar. Mas aonde eu iria? E o que faria para me distrair? Nas ruas em que andava só se viam homens vestidos de terno com seus celulares presos á orelha com todo o cuidado para não desalinhar os cabelos perfeitamente divididos com gel. Eles me lembravam advogados. Advogados me lembravam Neji. Neji me lembrava demição. Demição me lembrava seu pai com uma metralhadora na mão pronto para me fuzilar.
Foi aí que eu encontrei o que precisava: uma livraria. Claro, a encontrei meia-hora depois de ter entrado no shopping recém-inaugurado. Não posso dizer que havia muitas pessoas naquela loja, comparada com a multidão nas filas de cinema e nas lojas de marcas, mas alguns estudantes de medicina, letras e advocacia – lembrando que minha dor de cabeça voltou ao ver o tipo de livro que o rapaz comprava. Resolvi então me dar por vencido e comprar alguns exemplares baratos sobre Direito, a fim de entender alguma coisa e poder argumentar com sabedoria disfarçada com Neji, depois de ligar para ele e sutilmente implorar meu emprego de volta. Porém, minhas reais intenções foram desviadas por um assunto muito presente nos últimos dois meses: maternidade.
Vários casais com suas mulheres de barrigas salientes estavam sentados numa roda conversando, cada um com uma boneca de plástico. Falando em plástico, vi uma coisa parecida com aquilo, revestida com algodão e uma espécie de fita adesiva nas duas pontas.
- O que é isso? – perguntei à mulher que parecia liderar tudo aquilo
- É uma fralda – disse segurando o riso
- Ah... – foi o que pronunciei para disfarçar meu constrangimento. Ok, aquilo era uma fralda e servia para "colocar na criança, já que pela idade e tamanho, ela não conseguia controlar os horários para se livrar dos dejetos". Não era algo muito animador para se colocar num livro de pais de primeira viagem... Talvez esse palavreado fosse mais bem entendido pelo seu primo que trabalha muito com a linguagem culta. Como não tinha nada mais a fazer senão esperar, juntei-me ao grupo e resolvi colocar em prática tudo que não sabia para ser pai.
- Agora, cada um de vocês irá colocar a fraldinha na boneca. Pensem que é o bebê de vocês, portanto todo o cuidado é necessário.
Aquilo era ridículo, e eu estava mais do que nervoso, simplesmente horrorizado! E olha que eu estava colocando a fralda numa boneca. Como seria colocar a fralda no meu filho? O tempo – sim, tinha tempo para a "tarefa" – tinha acabado e a instrutora passou de casal em casal para ver se estavam indo bem
- É a primeira vez que eu coloco fralda em algo, então eu não sei se ficou bom... – disse a primeira frase que me surgiu a mente. Estava envergonhado – fato.
- Nota-se - ela riu baixo – a fralda está do avesso
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Cheguei em casa oito horas. Fazia uma hora que o curso tinha acabado e eu fiquei enrolando durante uma hora na escolha dos melhores livros sobre paternidade. Que lindo... Ao invés de comprar livros sobre psicologia que é minha área, eu comprei livros que ensinam qual a temperatura ideal que o leite deve estar – nem quente demais, nem frio demais – para dar à criança. Pelo menos (pensei para meu consolo) estou fazendo algo útil para o futuro. "Menos trabalhando!", era o que minha consciência gritava com uma voz esganiçada. Não adianta, eu teria que ligar para Neji pedindo meu emprego que, eu tinha certeza, à uma hora dessas devia estar encaixotado junto com minhas outras coisas. Ao abrir a porta vi você dormindo no sofá segurando em uma das mãos uma meia de lã amarela. Eu odeio a cor amarela, mas achei aquilo tão... Encantador que me esqueci desse detalhe. Depois de jogar um cobertor em cima de sua pessoa, fui para a cozinha. Sentei-me na mesa e, quando estava terminando o capítulo quatro vi o bilhete que Amaya tinha deixado na porta da geladeira: "Volto Logo – Amaya"
Volta logo sim... Volta logo que o sol nascer, isso sim. Amaya parecia viver no plantão médico. Isso porque nem era médica. O que realmente me irritou foi o meu celular ter tocado bem nas últimas palavras do capítulo quatro. Fui atender e, adivinha quem era!
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Neji Pov's
Não posso deixar de confirmar meu verdadeiro desconforto em ter sido tão bombardeado de perguntas por Sasuke. Ele era apenas meu assistente, não deveria indagar nada sobre meu trabalho, apenas arquivar meus documentos, carregar meus processos e buscar meu café. Mas ele tinha que bancar o formando em psicologia? Uma coisa que eu aprendi com tio Hiashi, é que quando você é contratado como advogado é como advogado que irá agir, não como conselheiro ou algo do gênero.
Porém, minha curiosidade em relação a inocência de Fuuma falou mais alto e recordei que ele era muito esquisito e preocupado para alguém que alega estar de consciência limpa. Chamei então um técnico em computação e ele vasculhou todo o programa. De noite, já beirando a madrugada, vi que nada tinha de errado com o Sr. Keno, exceto por uma coisa: todos os arquivos, documentos e mensagens recebidas eram destinadas a Aburame Shino.
- Desgraçado... – murmurei. Mas, antes de ligar para Sasuke, tive que ligar para Fuuma dizendo que, por motivos óbvios, deixaria o caso. Ele não ficou satisfeito pelo tom de voz que usou ao me xingar, mas nem me dei ao trabalho de ouvi-lo. Desligando o telefone, logo estava discando o número da residência de minha prima. O que fiz naquela madrugada, nunca mais repeti em minha vida.
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- Alô? – disse. Cara, aquele livro realmente estava interessante!
- Uchiha? – era a voz de Neji. Pensei: lá vem bomba! – Desisti do caso Keno
- O quê? – quase engasguei com minha saliva – E por que? – tentei disfarçar o espanto
- Sei que está espantado – em vão. – Descobri que ele era culpado – Ah, tá explicado. Eu sabia que estava certo! Vai! Toma Hyuuga metido! – Então, te vejo aqui na Empresa segunda?
- Claro – disse vitorioso. Não precisei me humilhar pelo emprego e ainda ele me deu razão! Definitivamente, eu tenho muita sorte – Então, até segunda. Agora, se não se importa, eu vou voltar a dormir
- Isso seria ótimo – disse ele sem ânimo algum. Não me arrependo de ter mentido. Ele deve ter ficado com peso na consciência. E isso me alegra tanto...
Ah, sobre o caso Keno? Três dias depois virou manchete de jornal: a conta que ele tinha no exterior tinha sido transferida para Osaka. Cara esperto, só foi descoberto depois que Aburame Shino deu queixa de roubo. Mentira tem perna curta, não?
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Aê povo, postei quase uma semana depois do combinado x.X'
Se tudo ocorrer bem, amanhã eu posto em Não Quero te Perder, que eu ainda não me conformo de ter posto tal nome na Fic '-'
Espero que curtam o capítulo, perdoem-me erros de português e falta de concordâncias verbais ^^"
Prometo melhorar pra frente
Beijos para todos!
Agradeço:
Marcy Bloger; Gesy; Arishima Nina (filhota *O*); Ang3ty x3 (ai meu coração, leitoras internacionais? Sejam muito bem-vindas! Obrigada pelo apoio!)
Obrigada a todos!
Até o/
