Oiii! Penúltimo cap. da estória do casal fofura! Cap. Tenso!
Obrigada, Jesstew, A Sara, Cheiva, Laila, Christye, Barbara, Patti, Ana Carol, Cristina e Neri, escudeiras lindas sempre me incentivando com
comentários fofos, engraçados e pidões, vcs são maravilhosas.
Tentei afastar a ideia inquietante, mas ela estabeleceu-se em minha barriga como comida da semana passada. Precisávamos conversar, mas cada vez que eu abria a minha boca, não saía nada. Eu não sabia o que dizer ou como começar essa conversa.
""―Desculpe- me, você ainda planeja ser um mulherengo?"" Isso não daria certo. Mesmo que ele tivesse dito que eu merecia mais do que simplesmente ficar, eu não perguntei o que seriamos daqui por diante e ele também não ofereceu ser nada a mais.
Nós realmente precisávamos conversar.
Abrindo meus olhos, inclinei a cabeça para trás. Edward me olhava com um leve sorriso no rosto. Ele parecia tão relaxado. Mais do que eu já o vi antes, e agora seria o momento perfeito para dizer alguma coisa.
— Eu preciso tomar banho — foi o que saiu da minha boca.
O olhar de Edward caiu para minha barriga.
— Sim, sinto muito por isso. Eu fiz uma bagunça em você.
Isso não era o que eu queria dizer. Minhas bochechas queimaram, especialmente quando seu sorriso se espalhou.
— Está tudo bem. Quero dizer, o sexo pode ser bagunçado, às vezes essas coisas acontecem... E eu realmente preciso parar de falar.
Edward riu profundamente e então beijou a ponta do meu nariz.
— Eu já te disse como você é adorável?
Adorável? Eu estava buscando sexy ou quente. Eu encolhi os ombros.
— Você é fodidamente adorável. — Abaixando ainda mais a cabeça, ele me beijou. Foi rápido e suave, no entanto enrolou meus dedos dos pés. — Eu acho que nós dois precisamos de um chuveiro. Vai estar frio, apesar de tudo.
Lembrando da água gelada que saia do chuveiro depois que o gerador parou de funcionar, eu estremeci.
— Caramba.
— Eu acho que depende do quanto você quer tomar banho. Eu considerei isso e decidi que ainda sim eu precisava de um chuveiro. Suspirando, me mexi e sentei. Agarrando o cobertor o segurei em meu peito nu. As chamas estavam baixas na lareira, quase no fim. Eu escutei por um momento e percebi que não ouvia mais o vento. Meu olhar foi para a fenda fina nas cortinas e eu não sabia se deveria estar feliz ou triste com o fato da nevasca ter acabado.
Os lábios de Edward escovaram meu ombro nu e eu virei minha cabeça em direção a ele. Seu cabelo caía sobre a testa, uma bagunça completa. Meu coração caiu quando ele me deu aquele sorriso toro.
— Banho?
— Sim — eu disse.
— Juntos?
Calor agrupou em minha parte inferior do estômago.
— Sim?
Esse sorriso de menino ficou perverso.
— Talvez a gente nem vá perceber que a água está fria.
Um minuto depois, percebemos que a água estava gelada. Nenhuma quantidade de nudez sexy de Edward poderia mudar esse fato.
— Puta merda — disse ele, molhando a cabeça sob o córrego da água. — Puta merda bolas.
Eu ri enquanto mancava na frente dele, braços em volta de mim mesma. Ele estava levando o peso do dilúvio gelado e eu estava apenas pegando o jato a cada poucos segundos por ele. Pequenos choques cobriam cada centímetro quadrado da minha carne, e tão louco quanto era, eu estava congelando, mas eu também estava oh tão quente.
Edward se ensaboou e sabão viajou por aquele estômago impecável, seguindo os sedutores músculos e desaparecendo entre suas pernas. Eu não conseguia parar de olhar. Foi embaraçoso. Foi emocionante. Ele virou-se, em algum momento, e eu estava olhando para a tatuagem em sua espinha. Que língua era? Então, ele me encarou novamente.
— Ok — ele respirou, sacudindo a cabeça. — Você está pronta para isso?
Eu arrastei meus olhos para cima e balancei a cabeça. — Não realmente.
— Eu vou tentar torná-lo o mais rápido e indolor possível. — Ele passou os braços em volta de mim e puxou-me contra a frente de seu corpo. Sua pele estava quente em algumas áreas, fria em outras, e eu sabia que ele podia sentir o quão duro os meus mamilos estavam contra seu peito. Eu não tinha certeza se tinha a ver com o frio ou Edward.
Mais com Edward.
— Prepare-se — ele murmurou, virando-se lentamente.
Eu pulei quando a água atingiu minhas costas, quase subindo em cima dele. Mantendo um braço em volta de mim, ele agarrou o sabonete. Meus dentes batiam enquanto ele me ajudava a lavar. Eu não podia ficar parada, e todo o movimento não foi perdido em Edward. Eu podia senti-lo contra minha espessa barriga. Seu peito subia e caía muito rápido e, apesar de minha pele parecer um cubo de gelo, o calor fervia em minhas veias. Quando sua mão deslizou entre as minhas coxas, eu mordi meu lábio. Ele realmente tomou seu tempo lá.
Foi o banho mais frio e mais quente que eu já tive.
Depois, ele me envolveu em uma toalha macia e me sentei na frente do fogo morrendo. Ele se trocou rapidamente e entrou na garagem, trazendo mais lenha. Logo que tinha o fogo crepitando novamente, ele se virou para mim. A tensão vazou para ele após o banho. Ele não disse quanto, e, quando olhou para mim, seus olhos estavam tão escuros como cacos de obsidiana.
Eu me contorci desconfortável.
— Eu vou até ao centro para ver se eles sabem algo sobre as estradas principais. — Ele se agachou na minha frente, seu cabelo úmido enrolando em torno de suas orelhas. — Eu não devo demorar. Ok?
Eu balancei a cabeça, já começando a ficar de pé.
— Eu posso ir com você. Apenas deixe-me...
— Você deve ficar aqui. — Ele colocou as mãos sobre os meus ombros, me empurrando suavemente para baixo. — E manter-se aquecida. Não está nevando mais, mas está muito abaixo de zero lá fora. Eu estarei de volta antes de você perceber que eu saí.
Eu senti que ele já tinha ido embora.
Apesar disso, eu não disse nada à medida que o observava se arrumar. Ele não me beijou antes de sair e mesmo que eu estivesse sentada em frente à lareira, eu me sentia inexplicavelmente fria. Edward parou na porta que dava para o porão, deslizando o celular no bolso da jaqueta.
— Não saia de casa enquanto eu estiver fora. Ok? Eu sei que nada aconteceu desde o gerador, mas não quero arriscar.
— Tudo bem. — Eu virei para ele querendo dizer alguma coisa — qualquer coisa. — Mas a minha capacidade de formar palavras coerentes desapareceu completamente. Ele se virou e parou mais uma vez. Olhando para trás, me encarando, ele abriu a boca, mas depois deu um pequeno aceno de cabeça e saiu de casa. Não sei quanto tempo fiquei ali olhando para onde ele estava, dizendo a mim mesma para não exagerar, mas eu era praticamente a rainha do exagero. No curto período entre o momento que ele saiu e eu ouvi o disparo do snowmobile do lado de fora, eu já queria me bater várias vezes por não ter falado nada com ele. Percebi então que eu não estava tão certa como pensava. Eu tinha vinte e um anos de idade e eu não poderia ter uma conversa séria, de coração para coração com Edward e falar a verdade. Se fosse esse o caso, então eu provavelmente não deveria estar fazendo sexo com ele.
Eu precisava crescer.
Dizendo a mim mesma que essa seria a primeira coisa que eu faria quando ele chegasse, eu levantei e corri para cima para pegar roupas limpas. Depois que me troquei, puxei minhas botas por cima do meu jeans e sentei-me no sofá, batendo os dedos nos meus joelhos. Ok. Talvez a primeira coisa que eu faria quando ele voltasse seria não saltar sobre ele questionando o tipo de relacionamento que tínhamos. Eu o deixaria dizer sobre as estradas em primeiro lugar e depois iríamos conversar. Incapaz de me sentar, eu saí em busca do meu telefone celular que ainda estava na tigela de arroz na cozinha. Retirei-o, limpei o arroz e coloquei a coisa de volta junto com grandes esperanças. Ele ligou, mas só aparecia na tela ondas verdes e azuis.
— Merda — eu gemi, lutando contra a vontade de atirá-lo do outro lado da cozinha como uma bola de futebol.
Olhei para o relógio de parede e vi que meia hora já havia se passado desde que ele saiu e eu já estava ficando louca. Eu queria sair dessa casa, sem ele aqui eu estava desenvolvendo um louco caso de febre da cabana.
Parando na árvore de natal eu me encolhi no meu suéter e olhei para fora da grande janela. Eu me sentia... Diferente. Era estranho que apenas alguns dias se passaram desde que chegamos em
Snowshoe, pois parecia uma eternidade. Um pequeno sorriso cresceu em meus lábios e eu fechei meus olhos enquanto me lembrava de dizer a Edward que eu o queria. Eu fiz um pequeno meneio de constrangimento residual e depois ri, porque sério, eu nunca na minha vida havia pensado que teria a coragem de me expor desse jeito e até aquele momento eu realmente não percebi quão assustada eu estava. Isso não tinha nada a ver com o sexo — a maneira diferente que eu sentia. Bem, eu doía de uma forma totalmente agradável e em áreas que eu não pensava que poderia doer, mas era mais do que isso. Eu nunca realmente fui atrás de tudo aquilo que eu queria. Sempre fui muito cautelosa e devido à forma como as coisas terminaram com Nate, eu estava com muito mais medo ainda de deixar rolar — de não estar no controle e fazer coisas que poderiam potencialmente terminar em um mundo de dor.
De certa forma, era como um cobertor de segurança infantil que eu tinha ao meu redor. Dizer a Edward que eu o queria era como largar esse cobertor. Agora eu só precisava seguir adiante e dizer tudo a ele.
Eu precisava dizer a Edward que eu o amava.
Meu coração pulou uma batida apenas de pensar em fazer isso. Eu ficaria com medo. Seria doloroso e estranho, e eu preferia me chutar a fazer isso, mas eu o faria.
Depois de uma hora pensando em tudo isso, eu não conseguia esperar mais. Sem realmente ponderar sobre isso, eu peguei meu casaco, luvas e chapéu e fui até a garagem.
Arrastar para fora o outro snowmobile fortemente embalado na neve foi uma enorme dor na bunda. Uma vez que estava sem energia, demorou alguns momentos para puxar a porta da garagem para baixo com a mão, e eu não fechei totalmente, deixando uma lacuna de alguns centímetros de altura, para que eu pudesse abri-la quando voltasse. Subi no snowmobile vermelho e branco e soltei um suspiro feliz quando ligou sem problemas. A temperatura estava realmente abaixo de zero e então eu corri enquanto deslizava o capacete.
Eu não era uma profissional na condução de um snowmobile, mas não havia tanta neve, e ele deslizava suavemente, levantando uma poeira fina. Mesmo com as luvas, meus dedos pareciam palitos de peixe congelado pelo tempo que eu deslizei até parar em frente ao hotel.
Pessoas ficavam na frente de seus negócios ao longo da rua, pás nas mãos, começando o enorme processo de escavar. Em algumas áreas, a neve espalhava cobrindo carros e apenas fatias finas de metal apareciam. Era incrível e louco ver o que a Mãe Natureza era capaz de fazer quando ela estava chateada ou aborrecida.
Muitos snowmobiles estavam estacionados pela passarela, e eu não podia dizer qual pertencia a Edward. Todos pareciam iguais para mim. Enquanto ia até o caminho, eu podia ouvir máquinas ao longe, provavelmente limpa-neves.
O hotel estava completamente agradável e quentinho, alimentado com as luzes e TVs. Era como o paraíso enquanto eu tirava meu capacete e olhava em volta. Eles, obviamente, não perderam nenhuma energia aqui. Bastardos sortudos.
Mas, honestamente, eu não podia estar tão chateada com a coisa da energia. Carinho com Edward, adicionado a comer alimentos de baixa qualidade e banhos congelantes.
Havia uma sala de jogos e sala de estar ao lado, cheiro de café e bacon exalava por todo lugar. Caramba! Aposto que era ali que Edward estava, não que eu pudesse culpá-lo. Eu faria coisas ruins por alguns ovos mexidos agora mesmo.
Várias pessoas estavam aglomeradas em torno dos jogos e sofás, algumas delas falavam sobre o tempo que ficaram sem energia ou quando planejavam sair. Eu percorri a multidão, mas não vi Edward. No entanto, reconheci o barman da primeira noite aqui.
Ele se virou e sorriu quando me viu.
— Ei, é bom ver que você sobreviveu à tempestade do século.
Segurando o capacete no meu quadril, me aproximei dele.
— Sim, nós sobrevivemos sem energia.
— Isso é o que eu ouvi. — Ele tomou um gole de seu café e meu paladar começou a babar. — Seu amigo me disse que uma árvore cortou as linhas de energia.
Minhas sobrancelhas se levantaram.
— Edward?
Ele acenou com a cabeça.
— Sim, ele esteve aqui não muito tempo atrás. Ele estava me dizendo que pensou que alguém estivesse mexendo com a casa durante a tempestade – algo sobre um tiro em uma janela e cortar os fios do gerador?
— Sim, eu estava esperando que... — eu parei, repetindo suas palavras na minha cabeça. — Espere. Você disse que Edward estava aqui?
Coçando o queixo, ele acenou com a cabeça novamente.
— Sim, ele estava perguntando sobre as estradas também. Ele parecia ansioso para sair da cidade. Não que eu possa culpá-lo. A neve é divertida quando você pode sair e fazer coisas nela, mas quando ela despeja em você assim, nem tanto.
— Oh. — Mudei o capacete. — Eu devo ter apenas perdido ele, então. — Assim que eu disse isso, porém, eu sabia que não fazia sentido. Havia apenas um caminho para chegar da casa para o salão e eu teria visto. Medo transformou o sangue em minhas veias em lama. E se ele desviou de algum lugar e se machucou? — Quando ele saiu? — eu perguntei.
Suas sobrancelhas se uniram em concentração.
— Ah, talvez cerca de meia hora atrás?
Meu coração parou. Eu jurava que ele havia perdido um batimento.
— Sim, isso soa certo. Ele e Victória saíram cerca das 09:30.
— O quê? — Eu não poderia tê-lo ouvido direito. De jeito nenhum. Meus ouvidos estavam um pouco fodidos e bagunçaram as palavras. Não tinha como ele falar da Sexy Victória, a ruiva escultural, granada explosiva que Edward conhecia desde muuuito atrás. — Ele saiu com Victória?
— Sim. — O barman sorriu, e eu não gostei desse sorriso. Ele era um sorriso conspiratório. — Parecia muito feliz de vê-la também, mas eles sempre saem quando ele vem aqui.
Olhei para ele. Edward vinha muito aqui durante a temporada, às vezes sozinho e outras vezes com Emmett e outros. Eu só fazia a viagem de Natal, por isso não precisei pensar muito para concluir que o barman estava familiarizado com Edward.
Familiarizado com Edward e Victória juntos, aparentemente.
O barman balançou a cabeça, sorrindo.
— Eu acho que eles foram para a casa dela. Ela está sem energia elétrica também, mas eu duvido que ele esteja verificando isso.
Sim, eu duvidava disso também, porque – oh Deus – porque Edward não sabe de nada quando se tratava de eletricidade. Ele estava com Victória.
Ele estava transando com Victória.
Eu dei um passo para trás, a boca aberta, mas não sabia o que dizer. Meu estômago se agitou enquanto uma dor profunda explodia no meu peito. Eu ia ficar vomitar.
— Hey — o barman disse, colocando a mão no meu ombro enquanto eu curvava. — Você está bem?
— Sim. — Minha voz soou esganiçada e distante. — Eu estou bem.
Mas eu não estava. Eu estava longe de estar bem. Essa dor no peito estava rastejando em minhas veias e até minha garganta. Meus olhos ardiam e meu corpo estava dormente.
— Oh, merda. — O barman soltou meu ombro e se encolheu como se ele tivesse apenas me dito que eu tinha uma doença incurável. — Oh, merda, merda, merda. Você está com Edward, não é? Tipo com ele? — Ele não me deu a chance de responder. — Olha, eu estou só falando demais. Tenho certeza que ele só foi até lá para conferir a coisa da energia e nada mais.
Eu realmente não ouvi mais nada. Meu coração estava batendo nos meus ouvidos. O chão parecia ter saído de debaixo dos meus pés, e mesmo que eu estivesse em pé, ainda assim parecia que eu estava caindo. Parte de mim queria chutar o mensageiro. Saltar sobre ele e bater os punhos em seu estômago e fazê-lo tomar de volta o que ele disse, mas não era culpa dele. Eu precisava continuar me dizendo isso.
— Eu não estou com ele — eu soltei.
Ele franziu a testa.
— O quê?
— Eu não estou com ele — eu repeti, e isso machucou. Doeu fisicamente, como se alguém tivesse enfiado uma faca enferrujada no meu peito e a torcido. Mas essa era a verdade. Eu não estava com Edward. Eu tive relações sexuais com ele, mas eu não estava com ele. Não havia rótulos entre nós e nem promessas. Ele disse que eu merecia mais do que apenas uma noite, mas era isso que eu era. Eu não era nada mais do que uma ficada. E isso — isso era típico de Edward, ficar passando de uma garota para outra. Não seria nem mesmo a primeira vez que ele estivera com duas garotas em um dia... Ou de uma só vez. Ele esteve tão quieto após o banho, tenso. Será que decidiu que já tinha tido o suficiente? Eu o conhecia melhor do que ninguém no planeta. Sexo não significava nada para ele. Por que eu acharia que seria diferente comigo? Só porque ele me fodeu cara a cara e se esqueceu de usar camisinha? Puta merda, eu realmente pensei que isso queria dizer alguma coisa?
Eu pensei. Deus, eu realmente pensei que queria dizer mais.
— Docinho — disse o barman. — Estou realmente arrependido.
Sem dizer uma palavra, eu me virei e saí do hotel. Fui até a porta, mas parei e voltei atrás.
— Posso usar o telefone? — Eu não reconheci minha própria voz quando coloquei meu capacete em cima do balcão.
A senhora atrás do balcão concordou e trouxe o aparelho para mim. Eu quase liguei para Rose, mas eu não conseguia falar com ela. Ela saberia no momento em que ouvisse a minha voz. Ele tocou duas vezes antes de ser atendido.
— Mãe?
Houve uma pausa cheia de estática.
— Isabella? É você?
A menos que houvesse outra criança que eu não tinha conhecimento de...
— Sim, sou eu.
— Oh, graças a Deus. Eu estive preocupada com esta tempestade toda e você não respondeu o telefone. A mãe de Edward disse que você fez algo para ele e que os dois estavam bem e eu sabia que você ficaria bem com ele, mas...
Eu estremeci com o som de seu nome e quase perdi logo em seguida.
— Mãe como estão às estradas de volta para casa?
— As estradas principais estão bastante limpas. Seu pai disse que as estradas estão boas.
— Tudo bem. — Eu fechei meus olhos contra a queimadura. — Você... Você acha que podem vir me buscar?
— Sim. Claro, mas o que dizer de Edward? Ele vai ficar lá em cima? Ou tem alguma coisa errada com seu carro?
Minha mãe, a rainha das perguntas que eu não podia sequer começar a responder.
— O carro está bom. Eu só... Eu só quero voltar para casa. Por favor.
Houve outra pausa e eu jurei ter ouvido minha mãe respirar fundo.
— Você está bem, querida?
— Sim — eu resmunguei, forçando os olhos abertos. A senhora atrás da mesa olhava para mim como se eu fosse uma doente mental perturbada. — Eu acho que eu peguei alguma coisa.
Mamãe disse algo sobre estar doente para o Natal, e, em seguida, desligou o telefone em busca de meu pai. Eu me senti terrível por pedir a eles para dirigir por mais de uma hora para vir me buscar, mas eu não poderia estar na casa com Edward depois disso. Eu acho que não poderia estar perto dele novamente.
Agradecendo a senhora, eu entreguei o telefone e me dirigi para o snowmobile. Eu não me lembro da viagem de volta para a casa. Só que quando saí do carro, eu percebi que havia deixado o meu capacete no hotel. Eu nem senti o vento chicoteando do voo até aqui, estava entorpecida enquanto tropeçava através da neve.
Eu vi os rastros em primeiro lugar. Não rastros de snowmobile, mas dois conjuntos separados de barras que estavam ao redor da lateral da casa, como os esquis faziam ou arrastar os pés pela neve.
Meu estômago virou.
Edward voltou enquanto eu estava no salão? E se ele tivesse trazido Victória com ele?
Olhei para as marcas na neve. Não. De jeito nenhum ele ousaria. A não ser que ele simplesmente não se importava. Oh Deus, eu não podia nem pensar nisso. Eu apertei a mão coberta de luva contra a frente de minha jaqueta. Se ele estava lá com Victória, eu ia chutá-lo no lixo.
A parte de trás da minha garganta ardia quando uma dor aguda cortou em meu peito. Piscando para conter as lágrimas, eu me virei para a porta da garagem. Não estava totalmente fechada, e a diferença era muito maior do que eu havia deixado.
Eu considerei por um momento voltar para o salão e esperar lá até que meus pais chegassem aqui. Mas como eu era uma completa idiota, eu não disse aos meus pais que estaria no salão. Eles viriam aqui primeiro e, além disso, eu precisava arrumar minhas coisas. E eu faria isso. Eu não ia correr. Já era ruim suficiente eu ter chamado meus pais. Então, eu definitivamente, poderia fazer isso.
Forçando um pé na frente do outro, eu rapidamente limpei a lágrima que escorria pela minha bochecha.
Eu choraria depois.
Eu estava prestes a chorar.
Quando cheguei à porta da garagem, eu me perguntei por que Edward estacionou lá fora. Essa parte não fazia qualquer sentido, mas eu realmente não dava a mínima neste momento. A dor em meu peito ficou pior. Levantando a porta, respirei fundo e o ar ficou preso na minha garganta.
Pisquei lentamente, pensando que eu havia tropeçado em um episódio de Law and Order.
Dois homens estavam ajoelhados na parte traseira do SUV de Edward, pelo pneu traseiro. Máscaras de esqui pretas cobriam seus rostos. Um com o olhar perverso segurava uma faca, arrastando-a sobre o pneu preto e grosso, e o outro segurava um taco de beisebol. Ambos olhavam para mim. Eles começaram a levantar.
Oh merda.
Tudo parecia se mover em câmera lenta e parte de mim não podia acreditar no que via. Meu cérebro se recusava a digerir o que estava acontecendo, mas meu coração e corpo estavam em uma espécie de transe. Até que meu instinto entrou em ação e minha pulsação ganhou ritmo.
O homem levantou o taco de beisebol.
— Merda.
Recuando, eu abri minha boca para gritar, mas meu pé bateu na borda da neve e eu caí. Minhas costas e pernas bateram no cimento duro tirando todo meu ar. Um dos rapazes riu e eu não tinha certeza se deveria estar chateada ou apavorada com isso.
Aquele com o taco de beisebol pairou sobre mim, a cabeça inclinada para o lado.
— Merda — disse ele de novo, voltando-se para o outro cara. — Precisamos...
Eu soltei um grito ensurdecedor, enquanto me mexia para trás, através da neve. Torcendo na cintura, me empurrei para cima. Eu precisava chegar ao snowmobile, voltar para...
Um braço rodeou minha cintura, me arrancando claramente do chão. Uma mão tampou minha boca, sufocando outro grito. Meu coração disparou contra minhas costelas. Eu comecei a lutar, chutar minhas pernas.
— Bem, bem, o que temos aqui?
A voz soava familiar, mas eu estava muito apavorada para dar muita atenção, principalmente quando o cara com o taco de beisebol apareceu na frente de nós. Isso significava que o cara empunhando a faca era quem me segurava. Terror cavou com as garras afiadas.
— Ei, cara, o que você está fazendo? — o Cara do Taco exigiu.
O Cara da Faca continuou andando para trás, ao lado do SUV, completamente implacável pela minha luta pela vida. — O quê? Nós só vamos ter um pouco de diversão. Nada sério.
Meu coração bateu contra minhas costelas. Isso não poderia estar acontecendo. Horror me bateu e eu virei à cabeça, tentando tirar a mão dele. Cada vídeo de segurança que a polícia do campus tinha nos obrigado a assistir avisava para não deixar alguém colocar você em um carro ou fora de vista. E nós já estávamos bastante longe da vista, considerando onde estávamos. Isso não era bom. Oh Deus, isso não era nada bom.
— Isso não fazia parte do plano — o Cara do Taco disse derrubando o taco no chão. Ele soou firme enquanto segurava as mãos para cima. Um tipo diferente de pânico pontuava sua voz. — Você disse que nós iríamos apenas ferrar com os pneus. Eu não estou...
— Cale a boca! — o Cara da Faca puxou minha cabeça contra seu peito e agulhas de dor atiraram no meu pescoço. — Não seja um covarde. Nós não vamos fazer nada sério.
Implorei ao Cara do Taco com meus olhos. Ele não parecia querer ser parte disso, o que quer que isso fosse. Ele era minha única esperança.
— Sério? — Ele fez um gesto com as mãos para nós, mas se recusou a encontrar o meu olhar. — Que porra você acha que é essa? O que você pretende fazer com ela? Isto é fodido.
— Cara, vamos lá. — O Cara da Faca se moveu. — Basta abrir a porra da porta, seu covarde. Nós vamos apenas assustá-la. Isso é tudo.
Meu coração gaguejou e meus olhos estavam arregalados, enchendo de lágrimas. Isso não está acontecendo. Essas palavras se repetiam. Eu não poderia processar como minha manhã tinha começado de uma maneira, tão cheia de esperança e de amor, e foi a Merdaville em um nanossegundo.
O Cara do Taco amaldiçoou sob sua respiração enquanto ele se movia em torno de minhas agitadas pernas e abriu a porta para o porão. Meu estômago caiu. Quando vi o porão, eu gelei por um segundo. A corrida do medo era paralisante. Ele afundou-se profundamente, ameaçando me afogar.
A paisagem familiar das mesas de sinuca cobertas, a mesa de hóquei aéreo, e a imagem de Edward como um menino pequeno com o seu pai me vieram à mente.
Virando bruscamente minha cabeça, eu tirei sua mão longe o suficiente para que eu fosse capaz de morder seus dedos. Apertando
os dentes em sua pele, eu pressionei para baixo até que senti sua pele estourar e um gosto metálico explodiu na minha boca.
O Cara da Faca gritou e puxou sua mão. Seu aperto na minha cintura soltou o suficiente para que eu conseguisse me libertar. Ele bloqueou a única saída daqui, e enquanto todos os filmes de horror no mundo repetiam na minha cabeça, eu não tinha outra escolha a não ser correr para dentro da casa.
Eu corri o mais rápido que pude. As solas das minhas botas estavam úmidas e lisas do lado de fora enquanto elas deslizavam sobre o piso de madeira. Entrei na escada a uma velocidade vertiginosa quando um peso me atingiu nas costas, me jogando nas escadas. Segurei-me antes que batesse de cara nos degraus.
— Sua putinha — ele grunhiu, agarrando meu cabelo enquanto seus joelhos pressionaram em meus quadris. Ele puxou minha cabeça para trás e uma onda de dor aguda rolou pela minha espinha quando ele me puxou para cima. Virando eu o chutei, pegando-o na canela.
Eu não vi o golpe até que ele pousou. Dor explodiu em meu rosto, quente e ardendo. Chorando, eu agarrei a mão no meu cabelo.
— O que você está fazendo? — o outro cara gritou. — Puta merda, você está louco?
O Cara da Faca ignorou, me arrastando pelas escadas. Meu couro cabeludo estava pegando fogo quando nós chegamos à sala e meu olhar pousou na cama que Edward e eu construímos. Estava bagunçada do que nós fizemos de manhã e vendo isso logo agora fez com que náuseas subissem em meu intestino.
Isso não está acontecendo.
— Eu fodidamente odeio cadelas arrogantes como você — o Cara da Faca disse me empurrando para frente.
Eu tropecei e perdi o equilíbrio, caindo de joelhos perto da mesa de café. Desespero e pânico nublaram meus sentidos.
— Por que? — Estremeci quando meu lábio puxou. — Por que você está fazendo isso?
— Por quê? — ele imitou minha voz. — Vocês merdinhas vêm aqui a cada ano e acham que possuem este lugar, agindo como se fossem melhores do que nós. Vocês não são. Vocês não são nada.
Eu pisquei contra as lágrimas enchendo meus olhos. Um cabo de familiaridade tocou dentro de mim.
Ele me arrastou passando a mesa do café, na direção dos cobertores.
— E aquele filho da puta do Edward? Ele acha que é a merda, né? Pensando que ele pode mandar em mim.
Isso me bateu, então, e por um segundo eu não podia mover-me enquanto ligava os fatos. Eu sabia quem estava por trás da máscara. Eu quase disse, mas apertei minha mandíbula fechada. Se ele achava que eu não sabia que ele era James, então eu provavelmente tinha uma melhor chance de sair disso. Ao menos, eu esperava que tivesse, e eu me agarrei nisso.
— Vamos lá, cara. Isso é o suficiente — o Cara do Taco disse de algum lugar atrás de nós. — Ela está com medo, ok? Precisamos sair daqui. Você fodeu com suas coisas o suficiente. Isto foi muito longe.
— Muito longe? — James sussurrou no meu ouvido, e eu estremeci em repulsa. — Como foi muito longe, quando Edward fodeu minha namorada? Ou o fato que ele está com ela agora?
Puta merda – ele quis dizer Victória? Edward mencionou que teve algo entre James e Victória, mas Edward disse que nada aconteceu entre os dois. De repente eu entendi a animosidade entre eles no bar.
Ele mentiu para mim, realmente, mentiu para mim. E agora Edward estava com ela e eu estava com James. Que inversão de papéis.
Edward tinha dormido com a namorada de James, uma vez.
A faca enferrujada que foi plantada no meu coração quando eu ouvi onde Edward estava, torceu mais profundo, e depois quebrou. Eu estava nesta situação por causa de Edward e sua incapacidade de manter seu pau em suas calças. Pura e simples. A dor emocional me cortando era tão potente como o meu lábio e músculos doendo, e os hematomas na parte interna levariam um inferno de muito mais tempo para desaparecer do que esses, sem dúvida, apagados da minha pele. A dor foi a um nível totalmente novo, cortando na medida em que eu sabia que não havia nenhuma possibilidade de reparação nisto.
Ou seja, se eu realmente saísse viva daqui.
Eu me esforcei para conseguir controlar a minha respiração para pensar na dor avassaladora da alma e no pânico.
— Sinto muito — eu murmurei. Meu lábio inferior estava dormente, fazendo-me tropeçar em minhas palavras. — Eu sinto muito que ele dormiu com sua namorada. Eu sinto...
— Você está se desculpando? — James riu asperamente quando me empurrou para frente. — Esse desgraçado deve se arrepender.
Ok. Obviamente, simpatizar com o psicopata não estava funcionando. Lutando para ficar de joelhos, eu me virei, apontando para a porta para o foyer. Eu poderia sair pela porta da frente, e depois? Correr como o inferno.
Eu fiz isso através da metade da sala antes que ele me segurasse pela minha jaqueta. Em uma tentativa desesperada de fuga, abaixei o zíper e deslizei para fora dela. Eu quase cheguei à porta quando ele me abordou por trás. Eu bati no chão duro. Meu grito foi perdido nos gritos do Cara do Taco. James se aproximando me virou de costas e o terror amplificou, explodindo através de mim. Girei para ele, meus dedos tocando levemente sua mandíbula. Ele pegou minhas mãos, facilmente fixando-as ao lado da minha cabeça.
— Deus, para uma anã, você é uma porra de mal-humorada, não é? — James riu, e através das fendas da máscara de esqui, seus olhos tinham um brilho assustador neles. — Você e Edward são apenas amigos, né? Amigos-de-foda pelo que parece. Sim, eu vi vocês dois na frente da janela. Eu teria saído mais cedo do bar com você, se eu soubesse que você era apenas mais uma das putas de Edward.
Apenas mais uma das putas de Edward.
A raiva me inundou, uma queimadura de fogo que deslizava pelas minhas veias como veneno. Eu empurrei meus quadris, tentando afastá-lo.
— Saia de mim!
— Hey! — O Cara do Taco gritou, sua voz um tom mais alto. — Isto está indo longe demais! Eu não me inscrevi para esta merda!
Fodendo com a casa é uma coisa, mas isso? Inferno que não. Eu não sou parte disso.
— Seja como for — James rosnou. — Sai fora, então.
Respirando pesadamente, meus olhos se encontraram com os de James. Quão longe ele levaria isso? Obviamente, o que estava acontecendo não era uma parte de qualquer plano. O Cara do Taco estava demasiado assustado para que esse fosse o caso. Eles deviam estar observando. Viram Edward sair, e depois eu. Eles provavelmente não esperavam eu aparecer no meio do vandalismo deles no carro de Edward. Mas agora? Meu cérebro não poderia acompanhar esse tipo de coisa. Isso não podia estar acontecendo comigo.
A porta fechou-se em algum lugar da casa, e minha última esperança esmoreceu. O Cara do Taco foi embora. Eu estava sozinha com James e vingança brilhava em seu olhar.
Ed
Andando sobre a neve, amaldiçoei minha respiração, pois muito tempo havia se passado desde que eu deixei o hotel. Bella provavelmente pensava que o Pé Grande ou alguma coisa me comeu. Eu não tinha intenção de demorar tanto. A boa notícia foi que eu soube que as estradas da cidade e as principais estavam limpas o suficiente para o tráfego lento.
Cara, minha cabeça ainda estava girando com o que aconteceu quando Victória entrou no hotel. Isso solidificou dois antigos ditados — o passado sempre volta para mordê-lo na bunda e nenhuma má ação fica impune.
Jesus. H. Cristo.
Tudo o que eu queria fazer era pegar Bella e ir o mais longe daqui possível. Aproximando para parar ao lado do outro snowmobile, eu franzi a testa. Que diabos isso estava fazendo? Bella foi a algum lugar e voltou?
Um pouco irritado eu desliguei o motor. Porra, ela me escutaria alguma vez? A última coisa que eu queria era ela correndo sozinha, especialmente depois do que soube por Victória.
A porra do James – fudido caipira rústico babaca – estivera por trás da merda acontecendo na casa. Aparentemente, ele pegou um par das janelas dela também. Esse moleque ainda não conseguia superar o fato de que Victória seguiu em frente. Você poderia pensar pela forma como James agiu durante o ano seguinte que Victória tinha a vagina de ouro ou algo assim. Merda.
Levou toda a minha força de vontade para não encontrar o local onde James vivia e acabar com a merda da vida dele. Sua obsessão em foder com Victória poderia ter ferido Bella – ou pior.
Teria sido sua culpa, sussurrou uma voz insidiosa.
Porra. Isso era verdade.
Tirando meu capacete, eu saí do snowmobile justo quando alguém saiu correndo de debaixo da porta da garagem semicerrada.
Primeiro pensamento: Que porra é essa?
Segundo pensamento: O fodido usava uma máscara de esqui e estava saindo da minha casa, onde Bella estava? Oh não, filho da mãe.
Jogando o capacete no chão, eu peguei o filho da puta pela cintura, enquanto ele tentava contornar a casa. Joguei-o na neve, plantando meu joelho no estômago do cara.
— Quem diabos é você? — exigi, segurando o cara pelos ombros. — Responda!
O homem levantou as mãos.
— Eu não tenho nada a ver com isto. Eu juro. Ele disse que só queria foder com a casa e seu carro. Isso foi...
Agarrando as bordas da máscara de esqui, eu puxei-a sobre a cabeça do filho da puta. Era um dos comparsas de James. Ele estava no bar algumas noites atrás. Sem pensar duas vezes, eu bati meu punho na cara do sujeito.
— Onde ele está?
O cara parecia estar prestes a mijar-se enquanto empurrava o queixo em direção à garagem. Seus lábios tremiam sangrentos.
— Sinto muito. Ele não deveria ir tão longe, mas James, cara, ele te odeia por essa merda com Victória. Ele está lá dentro, cara.
Eu fiquei imóvel por um segundo. Era como se o mundo acabasse de cair em cima de mim, porra. O medo explodiu no fundo da minha garganta e era como se eu tivesse engolido um bocado de sangue.
Saltando fora do idiota, cortei pela neve e deslizei pelo cimento. Eu bati na lateral do meu SUV e recuperei. Minha cabeça desligada
enquanto eu voava através da porta aberta, meus olhos varrendo o espaço por Bella.
Passos soaram em cima e um grito ecoou, parando o meu coração. Merda, isso soou como Bella. Oh, meu Deus, isso soou como ela. Minhas mãos já estavam formando punhos e pura raiva ferveu meu sangue, transformando em gelo quando o som da porra de um tiro vindo de cima. Oh, Deus – Bella. Se ela se machucou, porra, eu jurei a Deus que eu mataria o bastardo. Nada me pararia.
Correndo ao redor da mesa de sinuca, eu fiz um caminho mais curto para a escada enquanto pés batiam sobre o andar de cima e desciam as escadas. Um segundo depois, outro filho da puta em uma máscara de esqui correu para fora da escada escura, uma pequena parada quando ele me viu. Eu sabia que era James. Era o seu tipo físico. Metade do seu rosto aparecia através do rasgado na metade inferior da máscara de esqui. Meu olhar caiu para suas mãos. Havia sangue sobre elas.
Eu perdi o controle, porra.
Lançando-me pela sala, eu bati em James e o joguei no chão. O canalha girou sobre mim, mas esquivou-se do golpe. Agarrando a gola do seu suéter, o levantei com uma mão. Meu braço virou para trás e atirou para frente, se conectando com sua mandíbula. Uma, duas, três vezes. Ele não conseguia acertar um soco. Porra, não. Os golpes desfocaram em sangue, dividindo pele e crises de dor maçante. Não era o suficiente. Eu queria batê-lo até a sepultura, mas quando a cabeça de James caiu para trás, deixei-o no chão e me forcei a ficar de pé.
Minhas mãos tremiam, as juntas estavam machucadas e cruas.
Tomar a próxima respiração foi difícil, mas não tanto como foi recuar de James. A única coisa que me fez fazer isso foi o fato de que eu precisava chegar até Bella. Tiro — oh, Deus. Se ela estivesse ferida ou... Eu nunca me perdoaria. Eu não devia ter deixado ela sozinha aqui. A culpa era minha.
Enquanto pisava sobre James, ele rolou para o lado, gemendo. Eu resisti à vontade de chutá-lo na cabeça. Correndo as escadas, meu coração estava jogando-se contra as minhas costelas.
— Bella! — Eu pensei ter gritado, mas engasguei-me com o nome dela, engasguei-me com a possibilidade do que poderia ter acontecido com ela.
Correndo através da porta entreaberta, eu derrapei até parar quando a vi.
Ela estava sentada na borda da mesa de café, olhando para o fogo morrendo, seus braços em volta da sua cintura. O cabelo escuro caía para frente, protegendo seu rosto. A espingarda do meu padrasto estava sobre os joelhos.
— Isabella?
Eu andei, abrindo as minhas mãos. Parando em frente a ela, ajoelhei-me e senti meu coração se quebrar, despedaçar. O colarinho em volta de seu pescoço estava rasgado, a pele ao longo de seu queixo vermelha e manchada. Seu lábio inferior estava dividido em um vermelho furioso. Fúria bateu em mim com nauseante força. Eu queria voltar lá para baixo e bater em James até uma agradável pequena lesão na cabeça.
— Bella, baby, olhe para mim. — Estendi a mão para ela, querendo puxá-la em meus braços, precisando fazer isso.
— Não. — Ela se afastou e ficou de pé, segurando a arma e retrocedendo rapidamente. — Não me toque.
Bella
Em pé ao lado da árvore de Natal, eu observava o veículo do estado na estrada, seu limpa-neve raspando a neve e empurrando-a para o lado. Sirenes soaram ao longe. Edward deve ter chamado à polícia. Isso foi inteligente, realmente inteligente. Sinceramente, ainda não havia pensado nisso. Era como se meu cérebro não estivesse funcionando direito.
Meu queixo e lábio doíam, mas eu me sentia separada disso. Terror e adrenalina residual enviaram um tremor através de mim. Eu não estava realmente ferida. A não ser por aquele golpe que James acertou, eu estava bem na maior parte. Pela aparência das juntas de Edward, eu aposto que James estava pior do que eu. E a parede da sala tinha recebido a bala.
James queria me assustar, e ele conseguiu. Eu honestamente não sei o que teria acontecido se eu não tivesse sido capaz de me afastar e pegar a arma que Edward apoiara contra a parede. E se James fosse para ela? Agora, eu não poderia realmente considerar tudo o que poderia ter acontecido. Se eu tivesse aprendido alguma coisa no meu curso de psicologia, era que os seres humanos eram capazes de fazer qualquer
coisa e James... Sim, algo estava definitivamente errado com ele. A arma tremeu tanto em minhas mãos quando me virei e apontei-a para James. Eu vi a hesitação em seus olhos – ela tem a coragem de puxar o gatilho? Será que está mesmo carregada?
Eu me perguntei na hora também.
Meus joelhos tremiam tanto que eu estava surpresa que estava de pé e que não havia caído sobre a árvore de Natal. Eu estava chocada e paralisada.
— Bella?
Ao som da voz de Edward, meus olhos arderam. Eu não me virei.
— A polícia está quase aqui. Eles vão querer saber o que aconteceu. — Outro trecho de silêncio e quando ele falou mais uma vez, parecia estar mais perto. — Você está bem?
— Sim — eu murmurei, desejando que ele fosse embora. Eu não estava pronta para lidar com ele ainda. Eu não achava que alguma vez estaria pronta. Meu peito doía pior do que qualquer outra parte do meu corpo.
Houve uma pausa.
— Ele... Ele te machucou? Quero dizer, mais do que o que eu posso ver?
Eu balancei minha cabeça, engolindo forte. As sirenes estavam mais próximas. Eu temia falar com a polícia.
— Bella, você vai... Você vai olhar para mim?
Eu não queria, mas me forcei a olhar para ele. Ele estava pálido, com os olhos arregalados e escuros como lascas de obsidiana. Eu me
preparei, porque olhar para ele doeria de uma forma profunda e implacável.
— O que você quer Edward?
Parecia que ele estava prestes a dar um passo adiante, mas parou.
— O que... O que está acontecendo? Por que você não me deixa te tocar? — Sua cabeça inclinava para o lado e um pedaço de cabelo cobre caía na testa. — E eu realmente quero apenas te abraçar agora. Você não tem ideia de como eu estava com medo quando percebi que ele estava aqui. Eu nunca...
— Pare – pare aí mesmo. — Eu levantei a mão, percebendo que eu ainda tinha a arma na outra. Baixei-a ao chão, o nó na garganta do tamanho de uma bola de golfe. Tudo levado às pressas para a superfície em velocidade vertiginosa. Este, portanto, não era o momento para isso, mas eu não conseguia parar. — Você acha que eu não sei onde você estava?
Ele arqueou as sobrancelhas quando deu um passo para trás.
— Bella, eu...
— Eu fui para o hotel procurar por você. Sim, eu sei que eu deveria ficar aqui e talvez essa merda não tivesse acontecido da maneira que aconteceu. Mas eu fui lá e você não estava. — A parte de trás da minha garganta queimava. — Você estava com Victória, e pelo que ouvi, ela parecia realmente feliz ao ver você e você, por sua vez, não pensou duas vezes em ir para casa dela. Nem mesmo depois de termos... — Minha voz sumiu e eu balancei a cabeça, piscando para conter as lágrimas. — Você mentiu para mim.
Edward abriu a boca, mas eu o interrompi, em um rolo.
— Você me disse que Victória e você não eram assim, mas esse não era obviamente o caso, não é? Tudo isso – a coisa com a janela e o gerador, e James? Isso foi por causa de você e ela. James veio aqui porque você dormiu com a namorada dele!
Ele se encolheu, e meu estômago caiu. Eu odiava que eu realmente sentia muito por isso.
— Oh, Deus — disse ele. — Bella, baby, eu sinto...
— Não diga isso! — Minha voz falhou. Uma lágrima escapou e eu a limpei com raiva. — Você nunca mentiu para mim antes. Nunca! Mas você mentiu sobre ela, e ele veio aqui por causa de sua incapacidade de manter seu pênis em suas calças durante cinco segundos! — Isso foi um golpe baixo. Eu sabia disso. Eu também sabia que o que James fez realmente não era culpa de Edward, mas eu estava machucada. Eu estava destruída, e eu o queria machucado tanto quanto eu. — Diga-me isso. Você usou um preservativo com ela antes? Você transou com ela cara a cara? Ou toda a história de fazê- lo por trás é apenas mais uma mentira? Deus, você deve pensar que eu sou a garota mais estúpida, porque eu acreditei nisso.
Edward olhou como se eu tivesse chutado ele no lixo.
— O quê? Não. Não acho isso, e isso não foi uma mentira, Bella. Eu...
— Isso não importa. — Eu soltei uma respiração afiada e doeu, uma vez que minha garganta estava machucada. — Eu sou um monte de coisas, mas eu não sou tão estúpida.
Antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, a voz de um estranho ecoou do andar de baixo – um policial – e eu avancei, meu corpo todo tremendo.
— Você estava certo, Edward. — Lágrimas entupiram minha garganta. — Eu mereço mais do que isso.
Ed
Eu preferia ser jogado no lixo a estar de pé diante de Bella, vê-la com tanta dor, e saber que eu era a causa disso. Algo foi minha culpa. Inferno, muito disso era, e eu ficaria feliz em caminhar através de um poço de cascavéis para ter de volta essas coisas.
James veio aqui por causa do que aconteceu entre Victória e eu a mais de um ano atrás. O psicótico filho da puta jogou seus problemas comigo em Bella, e porra se isso não me abatia. Eu gostaria de ter dito não a Victória quando ela me pediu para ajudá-la a tampar suas janelas. Eu deveria estar aqui para proteger Bella, não brincando com janelas quebradas e evitando inúmeras insinuações de Victória. Sim, Victória teria topado uma rapidinha. Essa garota sempre toparia qualquer coisa, a qualquer hora, mas isso não aconteceu. Inferno, não.
Mas acontecera antes?
Sim, aconteceu.
Eu procurava desesperadamente me lembrar o que eu disse a Bella. Se eu menti sobre Victória, ou se eu omiti algo? De qualquer forma, eu não disse toda a verdade. O dano estava feito. Era tarde demais. Eu vi nos olhos de Bella, ouvi em sua voz.
Bella se virou ao som de passos se aproximando. O policial estava gritando. Eu quase não ouvia. O mundo que caíra em cima de mim lá fora ainda estava desmoronando. Ela estava calma, mas seus ombros tremiam, e eu sabia que se ela me encarasse agora, lágrimas
escorreriam em seu rosto. Eu não queria nada mais do que ir para ela. Eu me dirigi a ela, porque eu não podia suportar vê-la assim. Não importa que merda fodida eu fiz no meu passado, eu não poderia suportar isso. Deveria haver uma maneira de deixar isso melhor.
Eu dei um passo.
Abordado por trás, meus braços foram puxados para trás e eu estava algemado em menos de um segundo. Provavelmente tinha a ver com o fato de ter um homem meio morto no térreo e a polícia não fazia ideia de quem fez o que aqui. Com meu rosto no chão, amaldiçoei sob a minha respiração.
— Espere! — a voz chocada de Bella entrou em erupção, e eu forcei meu queixo para cima. Confusão derramava em seu rosto pálido. — Não é ele que precisa ser algemado. Ele é...
— Basta ficar para trás, minha senhora, até que tenhamos a situação sobre controle. — O policial me levantou, e os músculos dos meus braços e costas protestaram, me fazendo gemer.
Os olhos marejados de Bella se arregalaram em pânico.
— Você está machucando ele! Oh, Deus, por favor, pare. Foi ele quem chamou vocês.
Isto realmente não parecia bom, mas de certa maneira acolheu a dor e entorpeceu a queimação no meu intestino. Outro oficial apareceu no hall de entrada e fez Bella saltar. Os efeitos de prata da árvore de natal se agitaram e uma lâmpada caiu no chão quebrando. O segundo policial avistou a arma que Bella deixou no chão e correu afastando-a de Bella com sua bota.
O primeiro oficial berrava ordens e a história saiu em uma corrida de palavas
– Bella voltando para casa encontrara dois caras mexendo nos pneus do meu SUV, o cara correndo e James dizendo a ela que queria assustá-la. Ela deixou de fora a parte sobre Victória e como seu lábio acabara dividido, mas as respostas vierem quando os policiais tiraram as algemas de mim e os paramédicos entraram na casa.
Aparentemente iam levar James para o hospital. Ele estava muito ruim.
Eu tentei manter um olho sobre Bella, enquanto um paramédico a verificava e eu dizia aos policiais sobre James. Mas, no momento em que ela fez uma careta para o cara mexendo em seu lábio, eu não aguentei e me dirigi para ela.
— Ela está bem, filho. — O policial apertou a mão no meu ombro. — Ela está sendo cuidada. A melhor coisa que você pode fazer por ela é me dar todas as informações que puder. Comece desde o início.
Eu estava a segundos de dizer ao oficial para se foder, mas o meu olhar encontrou com o de Bella. Um momento que durou uma eternidade, e depois seus cílios abaixaram. Lágrimas se agarravam a eles como cristais – lágrimas que eu sabia que não eram do lábio golpeado.
Eu me odiei naquele momento, mais do que antes.
— Filho?
Esfregando a palma da mão sobre minha boca, me virei e foquei- me no oficial. Comecei a contar a história desde o início, quando sai de casa de manhã dirigindo o snowmobile. Muitos policiais entravam a saíam da casa a todo o momento e eu perdi Bella de vista por algum tempo. Eu sabia que ela me odiava agora, o que era merecido, mas fiquei ansioso por não saber onde ela estava e principalmente se ela estava bem.
Ela reapareceu com o paramédico com um saco de gelo pressionado em sua mandíbula, mas um oficial a bloqueou do meu ponto de vista, tomando seu depoimento.
Essa... Inferno, essa foi a pior parte de tudo isto, ouvi-la dizer ao oficial o que aconteceu. E quando a voz dela vacilou, foi como um soco no peito. Bella era tão incrivelmente forte e corajosa, mas ela nunca deveria ter tido que enfrentar algo parecido com isso.
Eu nunca pensei que eu seria aquele a colocá-la em perigo. Durante anos, eu fui o único sempre olhando por ela – mantendo-a longe de problemas. Eu só não achava que justamente eu seria a causa de qualquer um agora.
Não sabia dizer quanto tempo se passou enquanto éramos interrogados. Eu ouvi que James seria levado para a prisão depois de fazer uma parada no hospital. Ele também tinha dito sobre seu amigo e o oficial assegurou que os dois seriam acusador de arrombamento, invasão, vandalismo e assalto e que poderiam até mesmo chegar à tentativa de homicídio com a coisa do chumbo grosso através da janela. Seria bom se o desgraçado estúpido acabasse passando a maior parte de sua vida atrás das grades.
Os policiais ainda estavam por perto de modo que era impossível falar com Bella. Eu não achei que poderia me explicar de alguma forma que tornasse as coisas melhores, mas eu precisava pedir desculpas por toda essa confusão, afim de que ela saiba que eu nunca quis que ela se machucasse de alguma forma.
Avistei-a na cozinha, andando lado a lado com o jovem policial. Ele tinha uma mão no ombro dela e ela estava sem o saco de gelo. Eu pensei que ela não deveria ter se livrado do gelo tão rapidamente.
— Isabella!
Assustado com o som da voz de seu pai, eu virei em direção à sala de estar. O que ele estava fazendo aqui? Um segundo depois, um urso de um homem entrou pela porta. O pai de Bella me fazia cagar de medo quando era criança. Sr. Swan era o tipo de homem que comprava na seção de Grande-e-Alto e poderia dar um olhar a alguém que fazia a maioria dos caras quererem correr para as colinas. Ele chegou lentamente, arrancando as luvas de lã no caminho, quando viu sua filha. Um olhar de horror atravessou seu rosto, e, em seguida, seu rosto ficou vermelho de raiva.
Seu olhar moveu-se de sua filha para mim, e eu queria me arrastar para a porra de um buraco. Eu era uma grande decepção da porra. Eu deixei sua filha ser machucada. Eu não poderia ser mais fodido do que isso.
Um segundo depois, uma figura pequena contornou o Sr. Swan. A mãe de Bella parecia uma criança ao lado de seu marido. A altura de Bella era toda de sua mãe, assim como rosto delicado em forma de coração. No entanto, os surpreendentes olhos eram de seu pai.
— Baby — a Sra. Swan gritou, quase derrubando um oficial em sua pressa para chegar à sua filha. — Oh, meu Deus, o que aconteceu? Olhe para você. O que aconteceu?
Bella deixou o policial e encontrou sua mãe na metade do caminho, jogando os braços em volta dela.
— Edward.
O som do meu nome foi como soltar aço na minha espinha. Virei-me para o seu pai e, nesse curto período de tempo, Isabella e sua mãe foram embora.
Sr. Swan deu um passo adiante, e ele era um dos poucos homens neste mundo que me faziam me sentir pequeno.
— O que diabos aconteceu com a minha filha?
Beijos e Até
