Um beijo inesperado

Novamente o silêncio tinha-se apoderado da sala ante as palavras de Severus, nunca antes o tinham escutado falar nesse tom, com tanta preocupação por outra pessoa, tinha algo em sua voz, algo parecido a um carinho que a todos comoveu. Molly se enjugava as lágrimas pela ternura que lhe inspirava o casal de professores. Severus percorreu lhes com a mirada observando como a cada um lhe via com simpatia pela primeira vez desde que os conhecesse, e não estava seguro de que isso lhe agradasse. Albus estava mais que feliz, não podia dissimula-lo. No único em quem não se atrevia a pôr os olhos era em quem mais interessado estava de conhecer sua reação, sentia que acabava de cometer um grave erro, mas era verdadeiro, não queria arrastar a ninguém a esse mundo tão terrível, e menos a Abbatelli, quem apesar de que às vezes lhe exasperava, e essa noite mais vezes que nunca, agora que estava a ponto de ver em perigo compreendeu que começava a lhe ter algo de afeto.

- Severus… -sussurrou Ângelo entrelaçando seus dedos com os do professor. -… obrigado por preocupar-te por mim, tem sido algo formoso, mas não tens porque o fazer.

- Não pode te imaginar o que é trazer a marca, Abbatelli. –disse apertando com mais força sua mão enlaçada com o Veela. –Não vai contigo, não a merece.

- Você também não, mas quero lutar a seu lado… esse é o lugar que quero.

- Isto é… muito romântico. –comentou Harry finalmente, ainda que sua voz não soava tão zombadora como pretendia e luzia quase avariada. –Não me imaginei que as reuniões da Ordem fossem assim, agora entendo a restrição para menores… que segue agora? a proposta de casamento?... ou Ângelo nos dará classes sobre suas habilidades em manipulação sexual?

- Harry Potter! –bramou Dumbledore enfadando-se sinceramente. –Não faça que me arrependa de ter considerado que era o suficientemente maduro para entrar a este círculo. Deveria estar contente de que um de nós terá ajuda quando mais o precisa… ou é que não te preocupa o futuro de Severus?

- Acho que não faz falta sua resposta, todos a sabemos. –respondeu Snape adiantando-se. –Sinto que isto lhe aborreça, Potter, mas ninguém lhe obrigou a vir.

- Volta a desculpar-te, Harry, não entendo o que sucede contigo. –pediu Dumbledore suspirando cansado.

- De acordo… sinto muito, outra vez. –disse apertando os dentes.

- Parece-me que será melhor que continuemos com a reunião em outro dia. –propôs Albus. –Esta noite não parece que nos possamos pôr de acordo… Quero ver em meu escritório agora, Harry, sem demora.

Harry notou como todos lhe olhavam intrigados, alguns inclusive com reprovação e se sentiu estranho, pela primeira vez pareciam apoiar a Snape por sobre dele. Viu como Molly quis se acercar ao consolar, quiçá era a única que não o julgava tão duramente, mas ao ver como Ângelo se pendurava do braço de Severus para sair, se apressou a despedir da mulher e foi depois deles.

- Puseste-me em ridículo! –escutou que Severus lhe reclamava a Ângelo baixinho ao dar volta em uma esquina. –Por andar usando esses dotes suas de Veela até Potter se debochou de mim!

- Harry não se debochava, só estava…

- Não me importo como estava! Odeio saber que pôde aproveitar a oportunidade para me deixar como um idiota!... Eu não estou apaixonado de ti, e por sua culpa agora todos pensam que sim!

- E seria tão mau isso? –perguntou doído.

- Abbatelli… saca de sua cabeça agora mesmo me entendeu?

- Já não posso, porque também se meteu fundo em meu coração, Severus… te quero!

Harry teve uma estranha sensação ao escutar a declaração de amor para Severus, este não dizia nada e o Gryffindor continha a respiração esperando sua resposta. Ângelo pensou que quiçá seria boa ideia o ajudar a reagir e se lhe acercou sujeitando dos braços.

- Eu não sinto o mesmo por ti. –disse Severus tentando não ser tão brusco ao o recusar, apesar de tudo, lhe doeu ver a expressão triste de Ângelo ao o escutar.

- Se tão só desse-me uma oportunidade.

- Não. –negou Severus com firmeza enquanto tirava-lhe suas mãos para libertar-se. –Que te fique bem claro, não seremos mais que amigos. E será melhor que controle seus instintos Veela, não me agradam essas ceninhas em público.

- Não usarei mais meu efeito contigo, não se preocupes, mas… gostaria que de em um dia pudesses me corresponder. Sei que me aprecia, o que disse saiu de seu coração e não de nenhum tipo de magia, Severus, e me sinto contente de saber que sente algo por mim, ainda que esteja empenhado no negar.

Harry viu a Severus bufar antes de ir-se rapidamente para as masmorras, e não se moveu de seu lugar até não ver que Ângelo não seguia o mesmo caminho e se marchava a sua habitação, então pôde continuar e dirigir para o despacho de Dumbledore, onde o Diretor seguramente lhe esperava com outra forte reprimenda e castigos até que se graduasse. Não se equivocou, durante mais de uma hora Albus Dumbledore lhe falou como nunca antes o tinha feito, sua voz era fria, desiludida e muito ameaçante. Teve que lhe prometer que voltaria a se desculpar e que jamais abriria a boca em uma reunião da Ordem a não ser que se lhe fizesse uma pergunta direta. Harry assentia a tudo, sabia que não lhe convinha o contrariar e depois de saber que ficava suspenso de passeios a Hogsmeade pôde ao fim se retirar.

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À manhã seguinte, foi diretamente para as masmorras. Toda a noite tinha estado pensando e precisava aclarar algumas coisas com seu professor de poções. Tocou à porta e esperou a que lhe abrissem.

- Que faz aqui, Potter? –perguntou Snape ao vê-lo no quício de sua porta. –Não lhe parece demasiado descarado de sua parte após o de ontem.

- Ficamos em que me ensinaria o que sabe. –respondeu entrando ao despacho sem importar-lhe não ter sido convidado. –Ou é que já se arrependeu?... Talvez não queira que seu namorado perca um duelo comigo.

- Abbatelli não é meu namorado. –respondeu com inusitada acalma. –O que sucedeu na reunião foi por… Bom, eu não tenho porque lhe explicar nada.

- Não, claro que não. –disse com igual tranquilidade. –Vai dar-me as classes?

- Ainda não me paga a quota.

- Precisamente a isso venho. Não posso comprar um Penseira, Dumbledore me proibiu as visitas a Hogsmeade e duvido muito que queira me emprestar o seu, de modo que, como poderia lhe pagar agora?

- Tem sorte, tenho conseguido um. –respondeu com um brilhante sorriso.

- Quando quer desfrutar algo se esforça pelo conseguir, verdade?

- Sim, pode ser. Venha comigo.

Snape dirigiu-se a uma habitação contigua, bem mais pequena que o despacho, parecia um armário. Mal cabiam os dois e Harry pôde perceber acima do cheiro das poções dispostas nos prateleiras, o aroma que emanava de Snape. Os joelhos tremeram-lhe e preferiu sair rápido. Snape não lhe deu importância e regressou ao despacho com uma vasilha de pedra muito parecida à de Dumbledore e lhe fez uma senha para que colocasse aí o pensamento que lhe pedia. Harry obedeceu e levando-se a varinha à têmpora, sacou um fio de prata que colocou sobre a superfície do Penseira.

- Bem, isso é tudo… regresse pela noite, Potter, então podemos começar com a primeira lição.

- Devia imaginar-me que com você se pagava sempre por adiantado verdade?

- Qual o motivo esse comentário?

- Pois a isso, e a que espero que seu namorado não lhe esteja pagando também para que lhe ajude a seguir me vencendo… após tudo, não podia esperar outra coisa de um espião de dois bandos.

- Menos cinquenta pontos para Gryffindor. –grunhiu Snape enquanto apertava com força os punhos para não terminar golpeando a um aluno.

Harry empalideceu, não pela perda de pontos, senão porque ao o fazer, Snape lhe recordou quem era. Harry estava muito surpreendido de si mesmo, de ter falado nesse tom a um professor, A Severus Snape! Com quem jamais tinha podido se levar bem, mas nunca tinha chegado a esses extremos. Abriu a boca para desculpar-se, mas o homem já tinha saído pela outra porta o deixando aí só, com sua imagem chocando na parede do penseira… talvez Snape já não quereria o ajudar e não poderia o culpar por isso.

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Severus dava voltas em sua habitação, recordando furioso a cada palavra dita por Harry, desde a reunião até o ocorrido fazia uns minutos em seu despacho.

"Menino impertinente, mas não tem ideia de com quem se meteu!... Deveria negar-me a dar-lhe suas estúpidas aulas, a ver como lhe faz para superar seu trauma depois da derrota com Abbatelli!... E tudo é culpa desse tonto Veela, se não tivesse saído com suas ocorrências na reunião da Ordem, nada disto teria sucedido!".

Severus respirou fundo e regressou a seu despacho, tinha que ver o pensamento de Harry, mas não pelas razões que o Gryffindor cria. Severus só pretendia poder o estudar e saber com exatidão quais foram seus erros e a maneira em que podia o ajudar aos superar. Não podia evitar gestos de dor ao o ver estrelar-se contra a parede, e quase olhar com ódio a Abbatelli quando notou que o sangue começou a se derramar, mas o que mais lhe surpreendeu foi o ver cair tão facilmente no Imperius. Podia recordar que Lupin lhe tinha comentado que Harry conseguia vencer essa maldição graças a suas classes com o falso Olho Louco Moody… então porque não tinha conseguido se resistir com o Veela? E a conclusão à que chegou lhe fez sair do Penseira e se deixar cair em um dos cadeirões com uma indecifrável expressão em seu rosto.

"Gosta" –murmurou debilmente-. "Gosta Abbatelli… agora entendo de tudo. Por isso se sentiu tão humilhado, por isso crê o odiar, por isso essas ceninhas de ontem à noite… tudo era por ele"

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Harry não podia fazer outra coisa mais que olhar seu relógio, as horas jamais se lhe fizeram tão longas e não podia nem concentrar em seus deveres, o único que queria era que chegasse o momento de baixar às masmorras e comprovar se não tinha cometido o pior erro de sua vida. Quando por fim se dirigia para os andares inferiores e baixava a última escada, seu coração retumbava violentamente, mas toda boa intenção de se desculpar e se portar bem se dissipou quando viu que Ângelo saía do despacho do professor Snape e se despedia dele com um beijo na bochecha. Já não pareciam desagradados, ao invés, Snape lhe tinha sorrido. Permaneceu escondido nas sombras até que viu ao Veela desaparecer pelo corredor e então se animou a chamar à porta. A voz de seu professor fez-lhe passar e ao fazê-lo viu-o repassar as figuras que se moviam por sobre o Penseira, ele rebotando contra a parede uma e outra vez.

- Divertiram-se muito debochando-se de mim?

- De que está falando?

- Abbatelli… ia saindo daqui. Viram a cena juntinhos, abraçadinhos talvez?

- Talvez está ébrio, Potter?... pense sua resposta, porque se diz-me que não e está dizendo esses disparates totalmente consciente já pode se ir despedindo de minhas lições e não falo somente destas classes extras, senão também de Poções, de modo que perderia toda oportunidade de graduar-se. Mas se tem bebido… a expulsão será neste mesmo momento, sem sequer a intervenção de Dumbledore ou de conselho escolar algum.

- Professor, eu…

- Saia de meu despacho agora mesmo. –ordenou em um assustador sussurro. –Não quero voltar a ver sua cara por aqui nunca mais.

- Não, faz favor… eu sinto muito, não sei que me passa, não quis o ofender.

- Que saia, tenho dito!

Harry não pôde se mover nem ainda que quisesse, seu corpo não lhe obedecia e contra sua própria surpresa se pôs a chorar aí, em frente a Snape, decididamente acabava de enlouquecer… só sendo demente choraria em frente a ele. Severus pareceu pensar o mesmo quando viu sua cara inundada de lágrimas, aquilo o sacava de balanço, esperava uma reação altaneira e insolente, que lhe gritasse que se fosse ao inferno, qualquer coisa menos essas lágrimas.

- Potter…

- Não sei que me está passando. –confessou tremendo agoniado. –As palavras saem de minha boca sem pensá-las, não posso as reter… o lamento, para valer, professor.

- Deixe de chorar… não gosto. –ordenou nervoso. –Não é para tanto… é mostra de debilidade, não o faça.

- Entendo que queira me expulsar, agora não poderia mais que o aceitar e reconhecer que tem toda a razão. –gemeu entre soluços sem tomar em conta as palavras do professor. –Vim hoje com toda a intenção de me desculpar pelo de ontem à noite e o desta manhã… mas sigo dizendo tolices, sigo atuando como um estúpido. Agora sim mereço a expulsão, mas não me odeie, faz favor, não tenho querido o ofender, lhe juro.

- Não o odeio, Potter, eu… não o odeio.

Harry assentiu timidamente. Antes de marchar-se atreveu-se a olhar de novo aos olhos de seu Professor e este notou a sinceridade de sua arrependimento. Severus teve uma estranha sensação em sua garganta ao vê-lo tão triste, todo rastro de desgosto tinha desaparecido e somente podia sentir seu coração agoniado com o mesmo pesar que Harry.

- Obrigado. Agora irei recolher minhas coisas para me ir.

- Espere.

Severus caminhou para o garoto, por um breve instante permaneceram de pé, olhando aos olhos sem dizer nada. Um toque cálido chegou até as bochechas de Harry e ele soube que não era só o rubor que já se agolpeava em seu rosto. Severus limpava suas lágrimas com um nó de seus dedos. Harry viu-o impactado, nunca se imaginou que seu professor de poções pudesse atuar tão gentil… tão suave. Seus soluços acalmaram-se como por encanto e lhe foi impossível conter uma exalação de surpresa quando o Professor lhe abraçou. Teve que se sujeitar suavemente do peito do Pocionista, temendo que em qualquer momento se desmaiaria.

Era a segunda vez que sentia esse abraço e agora voltava a comprovar que a sensação não lhe tinha imaginado… era algo em extremo doce, soube que já não queria se separar nunca dele. E esse aroma, era muito melhor que qualquer encanto Veela. Não soube em que momento sentiu que seu rosto era levantado com macieza antes de sentir uns lábios roçar suavemente aos seus. O coração lhe revolteava como nunca em sua vida, instintivamente rodeou a Snape pelo pescoço para prolongar mais a caricia e com algo de timidez se aventurou a afundar seus dedos entre os longos cabelos de Severus, lhe acariciando a nuca com tanta ternura que o professor se estremeceu.

Harry foi entreabrindo seus lábios e pôde sentir a língua de seu Professor acariciando timidamente a ponta da sua. Depois seus dentes mordiscando delicadamente o lábio inferior por uns segundos antes de sentir uma terna sucção que pouco a pouco se fez tão intensa que parecia querer lhe arrancar até o último fôlego, e a sensação não era nada desagradável. Atreveu-se a jogar igual, responder na mesma forma apaixonada, apoderando-se sem dar-se conta da vontade do homem que lhe beijava.

Harry gemia extasiado, era a primeira vez que um homem o beijava… e que homem! Soube que esse era o beijo pelo que tinha esperado toda sua vida, e Severus era o homem que podia acordar nele tantos sentimentos ao mesmo tempo.

Ao terminar o beijo, não deixaram de se abraçar, Harry apoiou sua cabeça no peito de Severus, escutando que seu coração batia tanto como a primeira vez que lhe abraçou. Fechou os olhos desfrutando desse som, sorrindo, sentindo-se mais feliz do que tinha sido jamais.

"Wow, este sim foi um beijo!" –pensou Harry maravilhado. - "E daí bem se sente estar assim… gosto muito, Dele gosto!… Quererá beijar-me outra vez?... sim, faz favor, que me volte a beijar!"

Por sua vez, Severus aspirava delicadamente o aroma que emanava do pescoço de Harry, entrelaçava suas mãos lhe rodeando pela cintura, sentindo o calor de seu abraço, seu nariz se afundando entre o rebelde cabelo do rapaz e também se sentia extremamente feliz.

"Por Merlin!" –era o pensamento de Severus. - "Está-lo fazendo, Severus, ao fim faze-lo, e sente-o, sente como te está correspondendo!... Ele também te está abraçando, ele também te beijou... seus lábios são mais extraordinários do que jamais me imaginei… Aceitará que o beije de novo?"…. Faz favor, que goste de meus beijos!"

Ao mesmo tempo separaram-se o suficiente para voltar a olhar aos olhos antes de fechá-los e unir-se em outro amoroso beijo. Assim estiveram por espaço de vários minutos, se explorando, se conhecendo, saboreando-se, descobrindo sensações que não imaginavam que pudessem sentir com o outro. Finalmente Severus foi quem deu por terminada a caricia, de uma maneira tão suave como o começasse, sorrindo ante o gemido de protesto do rapaz quem buscava ansioso voltar a ter esse contato físico.

- Não. –negou colocando sua testa sobre a de Harry, sem deixar de abraçá-lo. Sua voz estava mais rouca que nunca pelo prazer que sentia ao o ter junto a ele. –Isso não pode ser… é um aluno, Harry.

- Gosto como se ouve de meu nome em teus lábios… diga de novo.

- Não, já não… deve te ir. –repetiu acariciando a bochecha de Harry com a sua.

- Solta-me e vou-me. –lhe resmungou sorridente afiançando-se mais ao abraço e suspirando ao sentir que Severus fazia o mesmo. –Vê que não pode?... eu também não posso.

Severus ao voltar a abraçá-lo, fazer tão forte que parecia querer o introduzir dentro de sua pele, mas isso não incomodou a Harry, ao invés, sorria se sentindo muito feliz, agora podia descansar de tantos dias de confusões, começava a se dar conta do que queria e a quem queria em realidade. Nunca em sua vida se tinha sentido tão em paz com o mundo e consigo mesmo, o peso que se tinha alojado em seu estômago tinha desaparecido sem deixar impressão para dar passo às clássicas borboletas das que sempre lhe tinham falado e agora lhes dava as boas-vindas com seu sorriso. Estremecia-se sentir a respiração de Snape sobre a pele de seu pescoço, e ansioso, buscou um novo beijo.

Snape comprazeu-lhe, lhe beijou de maneira por demais intensa, no entanto, seus pensamentos já não eram tão serenos como os de Harry. "É seu aluno, Severus… não está bem, não deveria beija-lo ainda que te tenha estado morrendo pelo fazer durante… desde quando queria o fazer, Severus? acho que nem conta deste-te quando terminaste apaixonado deste menino malcriado… Agora não posso me deter, é tão doce, é justo o que queria!... Ainda não posso achar que não me tenha recusado, que esteja desfrutando este beijo tanto como eu… Será possível que Harry sinta o mesmo… que também me ame?... Não, é tão jovem ainda, não acho que saiba nada do amor… Mas não gosta Abbatelli!". Esse último pensamento invadiu lhe de alegria, tudo lhe parecia perfeito, lhe acordava novas ilusões, mas não devia se esquecer de quem eram.

- Harry… já não. –pediu fazendo um enorme sacrifício de abandonar esses lábios.

- Porque não? –protestou acariciando lhe as bochechas carinhoso. –Gosto!

- Eu também gosto, mas é de meu aluno… é uma loucura!

- Tentemo-lo, faz favor… Severus.

Ante a sozinha menção de seu nome em boca de Harry, Severus já não pôde mais, toda sua fortaleza e resistência física e emocional se veio ao chão, e sustentando pelos ares voltou a beija-lo, o fazendo girar, rindo divertidos e felizes de se sentir juntos por fim.

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- Parece-me que vai por bem caminho, Ângelo. –comentou Albus contente. –O que passou na sala de juntas foi único. Severus não é dos que expressam seus sentimentos, mais bem é um tipo reservado e muito sério. Se mostrou sua angústia e interesse por ti adiante de todos, é porque não lhe é indiferente.

- Eu sei, Professor.

- Chama-me "Albus" –pediu sorridente. –Somos amigos e se cedo será companheiro de um dos melhores que tenho e a quem considero como um filho, com muita maior razão.

- De acordo, Albus. –aceitou feliz. –Para valer espero que Severus se decida cedo a me dar uma oportunidade, sei que gosta, mas há coisas que o retêm.

- Verdadeiro, mas não se renda. Severus é um homem que gosta de seguir as regras, seguramente pensa que uma relação entre professores não seria bem vista, mas entre você e eu conseguiremos o convencer de que se equivoca.

- Posso fazer-te uma pergunta, Albus?

- Claro, diga.

- Porque está tão interessado em que tenha algo entre Severus e eu?

- Pois, porque são um para o outro, disso não me cabe a menor dúvida. Tenho a certeza de que meu amigo precisa de alguém como você para poder ser feliz, alguém que o ame e que possa o proteger também, tanto como ele poderia o fazer contigo.

- Protegê-lo de que?... Severus é um homem perfeitamente capaz de cuidar-se de si mesmo. A que é ao que lhe temes, Albus?

- Acho que será melhor que te diga tudo, Ângelo, é a melhor forma de saber até onde está decidido a atuar para proteger a Severus.

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- Harry… não temos praticado nada. –disse Severus dificultosamente entre os beijos que Harry se negava a deixar de lhe dar, mas não fazia nada por se soltar, gostava demasiado se sentir aplastado sobre do cadeirão, quase sem que o deixasse nem respirar.

- Gosto mais praticar disto. –respondeu sem deixar de beija-lo apesar de que os lábios de ambos se mostravam inchados já. –Seus beijos são aditivos, Severus, nunca me imaginei que soubesses beijar tão delicioso.

- Harry, se continua vou ter um pequeno probleminha com certa parte de meu corpo que começa a pensar por si sozinha. –disse-lhe levantando um pouco seu quadril para que o garoto notasse sua crescente excitação. –Anda, não me ponha em situações comprometedoras.

- Gosta tanto como para disso? –perguntou com um emocionado brilho em seus olhos ao sentir a dureza baixo a calça de Severus.

- Gosto para de muitas coisas… recorda quando tropeçaste e ficou sentado sobre mim? –perguntou e ante o assentimento de seu aluno continuou. –Tive que te gritar, eu sinto, mas é que estava a ponto de que sentisses algo que crescia por ti… ou quando tropeçaste e te abracei, acho que meu coração não tinha batido tão rápido… e quando te vi chorar pelo que te disse, me odiei, e no único que pensei era em que queria que jamais voltasse a derramar uma lágrima em sua vida… coisas parecidas consegue que me passem… eu a ti não?

Harry deixou de sorrir e corado até as orelhas retirou-se até ficar sentado do outro lado do cadeirão, onde baixou a mirada para assentir. Aquela tímida resposta enlouqueceu ainda mais ao professor, e febrilmente se lançou a um novo beijo, sendo agora ele quem encurralava ao rapaz contra o cadeirão.

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- Severus planejava… entregar-se a quem-você-sabe? –perguntou Ângelo com uma palidez quase cadavérica em seu rosto depois de ter escutado ao Diretor.

- Ainda não estou muito seguro de que tenha abandonado seus planos, Ângelo, por isso preciso tua ajuda… Não me parece justo que Severus se sacrifique até esse ponto por todos nós, e sei que se se apaixona então já não poderá o fazer.

- Mas se quem-tu-sabes lhe pede… não poderá se negar como o fazer?

- Por isso gostei de tua posição de novo espião. Será arriscado para ti, Ângelo, mas poderás os separar.

- Como? –perguntou agoniado. –Diga-me como o faço, Albus e te prometo que não duvidarei em fazer o que seja pelo salvar!

- Se soubesse a resposta te daria, confio em que saberás como atuar quando chegue o momento… pelo cedo, tenho a esperança de que algo suceda para que Severus mude de opinião, mas tem que ser o suficientemente forte para o fazer desistir do que ele considera seu dever.

Ângelo assentiu, mas agora estava mais que nunca decidido a seduzir a Severus, já não só ao conquistar, não podia esperar, era demasiado arriscado para ele e não ia permitir que ninguém lhe tocasse, muito menos Voldemort.

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Harry gemia profundamente, era delirante sentir os lábios de Severus em seu pescoço, sua língua acariciando lhe com macieza. Apertou as pálpebras ante o prazer que sentiu pela profunda sucção em sua pele, mistura de paixão com macieza, doloroso, mas excitante, acariciador como agressivo, era tudo junto, era o paraíso. Recordou quantas vezes chamou-o morcego, imaginando-lhe um vampiro monstruoso, neste momento lhe daria gosto a cada gota de seu sangue. Podia sentir como seu entreperna já estava bem mais acorda que a de Severus e colava seu corpo ao dele em busca a mais contato, lhe fazendo saber que tinha via livre para fazer dele todo quanto se imaginasse.

No entanto, quando Severus lhe sentiu introduzir suas mãos baixo sua camisa para lhe acariciar o peito, voltou a se separar, esta vez decidido a pôr ordem a seus pensamentos. Tentando recuperar o ritmo habitual de sua respiração pôs-se de pé, caminhando de um lado a outro baixo a mirada expectante de um frustrado Harry.

- Achei que queria. –disse Harry pondo-se de pé para acercar lhe.

- Quero… mas não assim. –respondeu girando-se a olhá-lo para abraçá-lo suavemente. –É demasiado jovem ainda, e sou seu professor, são coisas que não devo esquecer.

- E então?

- Vamos demasiado rápido… dêmo-nos tempo, Harry, de acordo?

- Quanto?

- Não o sei… por agora regressa a sua habitação. Começaremos com teu treinamento amanhã pela noite, mas advirto-te que serei rude.

- Sim, como você queira estará bem.

Severus sorriu ante essas palavras, por um segundo sua excitação voltou a incrementar-se ao imaginar-se possuindo a Harry e ele gritando de prazer, mas não era bem como queria as coisas… estava apaixonado, não era um capricho, não era nada confuso, e seu amor por Harry lhe fazia querer lhe dar tudo, mas no momento adequado, no momento em que pudesse o fazer feliz, agora isso não era possível.

Harry sentiu algo doloroso no coração quando Severus lhe conduziu à saída e com um rápido beijo nos lábios o deixou no corredor antes de regressar a refugiar em seu despacho. Uma pergunta ficou nos lábios de Harry e não teve mais remédio que lançar ao ar ainda que ninguém lhe respondesse… que somos Severus? Que somos agora?

Por sua vez, Severus dirigiu-se para sua garrafa de whisky de fogo e servindo-se um copo cheio, bebeu-o sem respirar.

"Que demônios fez, Severus? Como é possível que não pudesse se controlar?... Não pode ter nada entre você e Harry! Agora deve se concentrar no treinar e o que acaba de fazer pôde o jogar tudo a perder! Não deve o sacar de concentração, é demasiado jovem e inexperiente, esquecerá seus deveres se encontra prazer em outras coisas, e que finalmente estaria pondo em risco… Se algo lhe passa, Severus, será tua culpa, só sua!"

Severus deixou-se cair no cadeirão onde minutos antes conhecesse a glória, mas agora estava arrependido de sua debilidade, de não ter podido acalmar seus sentimentos como o tinha estado fazendo até esse momento, se odiou por sentir que todo seu plano de vida se vinha abaixo e com isso, muitas esperanças para Harry. Estava convencido que sua atitude anterior sempre lhe motivaria a se fortalecer, agora lhe via débil, abrumado, ansioso pelo comprazer… isso não estava bem, Harry não devia ser assim, ele devia ser invencível, devia desenvolver suas habilidades em toda sua plenitude, e Severus se cria a pessoa quem devia o ajudar ao conseguir, não a sabota-lo.

Ao chegar a sua cama, Harry não podia dormir, passava da alegria de recordar os beijos de Severus, à tristeza daquela inesperada despedida… que tinha passado?... como estavam agora?... porque a frialdade do final com esse beijo tão ligeiro que mal sim atingiu ao sentir?... porque deixou-o só no corredor quando achou que já não poderiam se separar, não após se ter encontrado?... que passava, que estava passando?

Estava mais confundido do que jamais se tinha sentido em sua vida, queria voltar a baixar e o falar com Severus, queria que o ajudasse ao entender, mas sobretudo, queria voltar a beija-lo e agora não se intimidar e lhe dizer o que tinha descoberto que sentia por ele… algo mais que um gosto por seus beijos, algo mais que uma atração física que era inegável. Mas não o fez, teve mais medo que de pensar em se ir encontrar com Voldemort, e permaneceu em sua cama, tremendo, assustado pelo que acabava de se confessar a si mesmo, temeroso pelo que seria de sua vida se não era correspondido.

Justo nesses momentos, Severus deixava de lado sua copa, passeava de um lado a outro, afundando seus dedos em seus cabelos, recordando a sensação das caricias de Harry. Foi para a porta, ia abri-la mas não se decidiu, recargando-se nela se inclinou para apoiar sobre seus joelhos, notavelmente cansado de tanta mistura de emoções.

"Amanhã lhe direi o que sinto… -se propôs respirando nervoso-… lhe direi que quero estar com ele, lhe aclarar o motivo pelo qual não podemos estar juntos ainda…não até que nos desfaçamos do Lord"

"Merlin, em que bagunça me meti! –exclamou recordando sua situação com Voldemort. –Devo mantê-lo afastado… Harry não me perdoaria".

Nota tradutor:

Mas e então o que acontecerá agora?

Vejo vocês nos próximos capítulos!

Ate breve