Severus mentiroso
Harry tinha-se encerrado em uma sala abandonada do sétimo andar, agachado contra a parede, sentado no solo com as pernas encolhidas, escondendo nas sombras a dor que escorregava por suas bochechas em forma de lágrimas. Não sabia que lhe lastimava mais, se os beijos de Severus que ainda sentia em seus lábios, ou o beijo que lhe visse lhe dando a Ângelo. Sentia-se confundido e almejava uma resposta que justificasse o sucedido, mas não a encontrava. A sala tinha uma só janela e desde aí viu como o sol saía no horizonte para dar começo a um novo dia, e para ele, esse novo amanhecer lhe significava muita tristeza, nesse dia teria a resposta e muito temia que não seria a que tivesse gostado obter.
Todas essas horas sonhou se imaginando a Severus buscando pelo castelo, desejoso de encontrar e lhe dizer que o amava, que o que tinha visto era um erro, uma joguinho de sua imaginação e estava disposto a lhe crer. Rogava por escutar seus passos acercando-se, mas só teve silêncio até que pela janela chegou à longínqua algaravia de alguns de seus colegas que jogavam ruidosamente nos pátios… Quanto lhes invejou, queria ser assim, não deprimir-se por alguém que o tinha beijado para depois se esquecer dele!
Pôs-se em pé sentindo como seus músculos batidos lhe doíam com o mais mínimo movimento. Nem sequer foi à Torre a banhar-se ou mudar-se de roupa, também não baixou ao café da manha nem a preparar para suas classes, silenciosamente tomou o caminho mais deserto às masmorras, decidido a não se ir sem obter uma explicação.
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Severus, permanecia impassível olhando o céu enquanto sentia a mão de Ângelo roçar carinhosamente suas bochechas, este estava lhe olhando sem ocultar seu amor e sua felicidade por ter pertencido ao homem que amava. Seu encanto se desbordava sem controle, alguns pardais e canários cantavam sobre as árvores próximas. Severus sorriu mordaz ante o efeito que causava o estado de ânimo de seu agora casal.
- Amo-te! – disse Ângelo abraçando-se a ele, afundando seu rosto no peito do outro professor.
- Abbatelli, não é para tanto.
- Para mim tem sido a noite mais grandiosa de minha vida.
- Ainda que as rochas e a grama fria fizessem todo muito incômodo?
- Não foi incômodo… Foi formoso, e sou o homem mais ditoso do mundo!
- Pode espantar já a esses pássaros ruidosos?
- Não, Sou feliz, imensamente feliz e quero que neste dia, todos o sejam, quero que sintam minha felicidade como sua!
- Vamos, temos que regressar ao colégio… há classes que nos esperam.
- Não poderíamos nos tomar em uns dias?... Como lua de mel? –propôs beijando-lhe suavemente nos lábios.
- Não acho que a Albus lhe faça muita graça ficar sem dois professores sem prévio aviso. Anda, levanta-te, que temos que lhe ir dizer a Albus que seu professor de Poções segue vivo.
- E que o de Defesa anda voando pelos céus da felicidade.
Severus sorriu a meias antes de pôr-se de pé e ajudar a Ângelo a fazer o mesmo, enquanto vestiam-se, Snape aproveitou que não o via para olhar para o castelo e ensombrecer seu rosto… "Harry" pensou, e um finco de metal ardente se afundou em seu coração. Agradecia que Ângelo tivesse expandido sua alegria aos arredores, mas a ele não lhe fazia o suficiente efeito, nunca ia poder ser feliz se em pouco tempo teria que se enfrentar a quem amava e dar por terminada qualquer esperança.
Enquanto de dirigiam ao castelo, Snape olhava assombrado como a emanação de felicidade de Ângelo se refletia nos alunos com os que se cruzavam no caminho, tudo parecia um conto de fadas, com meninos rindo felizes, pássaros cantando por todos lados, até o calamar gigante chapinando ruidosamente na orla… Poderia suportar isso Severus Snape pelo resto de sua vida?... sentiu náuseas, de repente sentia náuseas até dele mesmo.
Ao chegar ao despacho, Dumbledore não pôde evitar sorrir, tanto pelo efeito do Veela como por sua alegria de ver vivo a Severus e chegar sujeitado da mão de seu novo companheiro. Convidou-lhes a passar e fez servir três taças do melhor vinho para celebrar.
- Por sua felicidade. –brindou Albus emocionado.
- Obrigado, pela de todos. –respondeu Ângelo sorrindo radiante. –Neste dia tem sido memorável, enviarei as boas novas a minha família na Itália, seguro quererão conhecer-te, Severus, de modo que espero que nas próximas férias viajemos a casa.
- Já veremos. –disse Severus sorrindo não muito entusiasta, deixando sua taça sem provar sobre a mesinha. –Agora quero lhes pedir algo, não divulguemos a ninguém mais as condições em que nos unimos Abbatelli e eu, é melhor que ninguém o saiba, de acordo?
- Parece-me bem. –respondeu Albus em seguida. –Vocês estão em todo seu direito de dizer só o que considerem prudente.
- Estou de acordo contigo, Severus. Também não é questão de acordar fofocas nas pessoas… é melhor que nos vejam como um casal de apaixonados que finalmente decidiram estar juntos.
- Bem… agora tenho que ir a minhas habitações, devo me preparar antes da primeira classe.
- De acordo… E quando quer que me mude contigo, Severus?
Severus girou-se a olhar a Ângelo como se fosse o mesmo Voldemort, não tinha pensado nisso, teria que viver com ele… e a ideia lhe assustava. Que diria Harry?... Não, não, não, Harry era coisa do passado, vivesse ou não com Abbatelli! Sua palidez acentuada fez que o sorriso de Ângelo se transformasse a uma que tentava dissimular sua tristeza pela reação de seu companheiro.
- Era uma broma, Severus. –disse escondendo sua mirada depois da taça fingindo beber um pouco mais. –Não é necessário que vivamos juntos, podes continuar com teu intimidem e eu com a minha.
- Sei-o, mas… podes mudar-te quando melhor te pareça. Te verei depois.
Abbatelli assentiu recuperando seu belo sorriso, lhe ilusionava tanto poder viver com Severus, esse seria o primeiro grande passo para o conquistar e se sentia muito feliz por isso, tanto que não quis lhe dar importância ao fato de que seu recente companheiro se marchasse sem sequer lhe dar um beijo de despedida.
- Vê-se-lhe triste. –comentou Albus quando a porta se fechou depois de seu amigo. –Não te sente mau por isso?
- Farei tudo o que esteja de minha parte para que isso mude, Albus… Daria minha vida por Severus! De modo que estou disposto a esforçar-me dia com dia para que chegue a me amar, vou conseguir que seja feliz, Te juro!
- Eu sei que o fará… Meu pobre Severus sempre tem estado tão só, confio em que sua companhia lhe ajudará a superar o modo em que teve que se unir a ti.
Ângelo assentiu, sentia-se muito ilusionado de agora ser parte da vida do homem que amava. A Severus se lhe apertou o coração quando viu a Harry parado junto à entrada de sua habitação, não soube desde quando estaria aí e agora tinha tanto medo de não ser capaz de renunciar a ele… mas devia o fazer, sua vida estava de por meio. Fazendo gala de seus magistrais dotes para disfarçar seus sentimentos, acercou-se a sua porta, quase ignorando sua presença e se adentrou depois de pronunciar a contrassenha. Harry não esperou a ser convidado e entrou depois dele antes de que a pintura que resguardava a entrada se fechasse.
- Suponho que sabe que temos algo de que falar, Severus, verdade? –começou Harry com nervosismo, tentando encontrar no homem algo que indicasse que era o mesmo que o tinha beijado.
- Como de que, senhor Potter? –perguntou ordenando alguns papéis de sua mesa.
- Agora volto a ser Potter, Severus?
- Harry… -disse-lhe deixando tudo a um lado para o olhar quase com aborrecimento. -… pensas me fazer uma cena de ciúmes?
- Não, já não… mas quero saber porque o beijou.
- Não é óbvio?... gosto.
- E eu?
- Também gosto, por de isso te beijei… qual é a coisa que se te complica?
- Severus, é que eu achei que…
- Bem, te resumirei desta forma. –disse sentando sobre o fio de sua mesa como se estivesse dando uma mais de suas lições. –É um garoto atraente, portanto, é fácil que goste a de qualquer, e eu tinha vontade de beijar-te… já o fiz, e assunto terminado.
- Por isso o beijou a ele também? –perguntou franzindo o cenho.
- Bom, isso é um pouco mais complicado. Vejamos se entende-me. Ângelo é um Veela, é um homem íntegro, é uma pessoa inteligente, madura, formosa ademais… acho que é algo mais que simplesmente um gosto.
- Está com ele?
- A partir de ontem à noite… sim, estou com ele.
Severus pôs-se de pé dando por terminada a conversa, rodeou a mesa para tomar seus apontes, mas então sentiu um golpe em sua cabeça que o fez se levar as mãos a ela com dor. No solo descansava um frasco de poções feito em pedaços ao cair com seu conteúdo espalhado a seu ao redor. Dirigiu a mirada para Harry e este estava tentando atingir um frasco mais que ao o conseguir o lançou contra o professor com todas suas forças, Severus agora sim conseguiu esquiva-lo.
- Que demônios faz?!
- Querendo matar-te! –gritou Harry com ódio.
- E porque não usa sua magia? –lhe retou esquivando outro frasco. –É um mago, assim não deve brigar!
- A magia agora não me daria a satisfação de te romper a cabeça em pedaços!
- Há muitos feitiços que…! -interrompeu-se quando um pesado morteiro de porcelana passou roçando-lhe o nariz. -… Harry!
- É um maldito mentiroso, Severus, me fez achar que sentia algo por mim e se foi com esse puta Veela à menor provocação!
- Não lhe chames assim! –exigiu pasmado.
- Chamo-lhe como me dá a vontade, é um porco como você! –voltou a gritar lançando lhe um recipiente de vidro que se estrelou na parede depois de Severus quando este se agachou para o evitar.
- Lamento que te esteja portando como menino caprichoso, eu jamais te prometi nada!
- É um maldito! –vociferou e agora correu para ele para lhe lançar em cima a golpes. –Odeio-te, Severus Snape, odeio-te!
- Acalma-te, Harry, guarda suas energias para os combates! –respondeu-lhe tentando sujeitar das mãos, mas Harry lançava lhe agora de patadas, grunhindo feroz, ansiando lhe golpear com o que fosse.
- Quero matar-te, Severus, não te imagina quanto me tem lastimado, imbecil!
- Harry…
- Nunca te vou perdoar, por Deus que jamais te perdoarei o que me acaba de fazer! Você e esse Veela rastreiro do demônio se vão lembrar de mim!
Severus abraçou a Harry para poder controlá-lo, o garoto estava realmente fora de controle, e doía-lhe vê-lo contendo lágrimas e sobretudo, suas palavras confirmando lhe o dano que lhe fazia, ele também não podia se perdoar. Pouco a pouco Harry foi-se acalmando, afogando seus soluços na túnica do professor, mas finalmente, empurrou-lhe para libertar-se e com a mesma raiva, baixou-se o pescoço da camisa mostrando-lhe o hematoma de seu pescoço.
- Por isso me marcou, Severus?... Para debochar-te de mim?
- Deixei-me levar pelo momento… não tem importância, Harry.
- A ele também o marcou como seu?
- As coisas são diferentes… Abbatelli e eu somos companheiros, não preciso o marcar.
- Pois aqui tens uma marca para que não se esqueça de mim!
O punho de Harry se estrelou sobre o olho direito de Severus fazendo-o cair ao solo impactado pela dor. E ainda que Harry também sentia os dedos a ponto de soprar, não emitiu nenhuma queixa e saiu daí açoitando a porta, decidido a que nunca mais ia voltar a entregar seu coração a ninguém. Ao ficar só, Severus se foi sentando recargado sobre sua mesa, se sentia mareado, não pelo golpe recebido, mas sim ante a perspectiva de ter ferido a quem amava e ter que seguir com sua vida sem a esperança de jamais obter seu perdão. Tivesse preferido morrer antes de fazê-lo, mas Harry ainda o precisava para se enfrentar a Voldemort. Não teve forças para se levantar, ficou aí, pensando quanto tempo ia poder seguir lhe mentindo… tinha tantos desejos de chorar, mas o único que lhe saiu foi um apagado riso irônico com seu destino.
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Ao dia seguinte, quando Severus saiu de sua habitação para dirigir para seu salão de classe, se deteve impactado ante o que descobriu, todos os alunos que se encontrava lhe olhavam assustados. Tinha uma inumerável quantidade de envelopes vermelhos flutuando nos corredores. Os alunos olhavam-nos confundidos, evitando a toda costa tocar algum dessas cartas, o fato de que notasse a garotos de primeiro e segundo ano com cinzas na cara lhe dava uma ideia do que sucederia se chegava a tomar algum.
Não quis lhe dar importância e continuou seu caminho para seu sala, então o escutou, um grande estalido e uma voz estridente e desconhecida gritando "Severus mentiroso".
Rapidamente girou sobre si mesmo, viu a um garoto de Slytherin com cinzas no cabelo, amaldiçoando pelo baixo por não ter conseguido esquivar ao vociferador. Todos olhavam dissimuladamente a seu professor de Poções, temerosos de sua reação ante aquela peculiar broma… Outro aluno e novamente o grito "Severus mentiroso" fez que Severus olhasse para o lado contrário. Sobre-los pareciam multiplicar-se, outros chegavam a lhe lhes unir, já era quase impossível não os ativar e em pouco tempo o grito se escutava na cada rincão de Hogwarts.
Não tinha que ser adivinho para saber quem era o autor disso, quis tirar um usando sua magia e ao instante apareceram mais três. Teve que fazer um esforço por não sorrir, não era gracioso, mas lhe era impossível não orgulhar do entusiasmo posto no pôr em ridículo. Ele mesmo se surpreendeu de que em lugar de se enojar se sentisse ainda mais apaixonado. Decidiu ignorar os vociferadores, e foi direto a seu salão, perguntando-se que significaria o pó cinza, mas antes de entrar viu a Harry apoiado em uma parede próxima, lhe sorrindo zombadoramente. Não lhe fez caso e entrou a sala, aí viu que os sobres pareciam o seguir a todas partes, agora ademais notou todos seus frascos de ingredientes revoltos e sem etiquetas, seus apontes desordenados. Era a classe de terceiro e todos os meninos tremiam, alguns choravam ante o que temiam que faria seu professor mais temido, seguramente os culparia e faria que os expulsassem do colégio.
- Podem ir-se… a classe suspende-se até novo aviso.
Ninguém ficou nem um segundo mais do necessário, saíram correndo assustados, agradecendo ao céu sua sorte. Ao ficar só, Severus se dirigiu para as prateleiras, lhe ia custar muito tempo reordenar os ingredientes e isso era algo que só confiaria a si mesmo para não causar nenhum acidente entre os torpes alunos.
- Está enojado? –perguntou uma voz a suas costas e ao voltar-se viu a Harry entrar e fechar a porta depois dele, evidentemente desfrutando do que via.
- Por essa infantilidade?... não. –respondeu encolhendo-se de ombros.
- Antes tivesses-me castigado o resto do ano… Porque agora não?
- Porque nem isso vale a pena. Pode seguir com suas bromitas tontas, não penso perder meu tempo me molestando contigo por isto, lá você se prefere desperdiçar sua vida em vinganças infantis em lugar de te pôr a trabalhar para a batalha que tens pendente.
- Como se te preocupasse! –exclamou irônico.
- Em certa forma sim, se não vence ao Senhor Escuro todos pagaremos as consequências.
- Imaginava-me que era o único que podia te interessar, mas agora pode contar com um refúgio na Itália, não?... o povo Veela te receberia com os braços abertos.
- Em isso tens razão, inclusive temos feito planos de ir as próximas férias para conhecer a minha nova família.
- Nova família? –repetiu rindo-se com debocha. –Quem tivesse achado que Severus Snape terminasse jogando à casita com a "cosinha bela"!
- Não se deboche de Abbatelli, Harry, pode dizer o que queira de mim, mas a ele o deixa tranquilo.
- Abbatelli?... Porque segue chamando por seu sobrenome a esse petulante?
- Chamo-o como não se importas.
- A mim acaba de chamar por meu nome. –disse-lhe acercando-se sugestivamente.
- Gosto mais que teu sobrenome. –responde girando-se para continuar acomodando seus frascos e ocultar a perturbação que lhe causava sua cercania.
- Debocha-te de mim?
- Olha a teu ao redor, Harry… quem tenta se debochar de quem?
- Mereces-te, pelo que me fez.
- Bem, faz todo o que queira até que se desafogue, me avisa quando madure e decida tomar as coisas como um homem.
- Para valer não significo nada para ti?... quisesse crer-te, mas…
- Foram só beijos, Harry! –exclamou como se não lhe desse importância ao sucedido, o que aumentou a ira do garoto.
- Odeio-te, odeio-te muito, muito, muito!
- É um menino ainda. –afirmou sorrindo quase enternecido. –Anda, faz-se tarde para suas classes.
Harry ia sair, mas antes de fazê-lo, voltou a girar para o professor.
- Gostaria que lhe dissesse a Dumbledore o que fez?... Isso te parece o suficientemente adulto?... É meu Professor, e não acho que lhe agrade o saber… pode ser que você e esse fanfarro Veela tenham que se marchar daqui.
- Se faz-te sentir melhor… faça. Ou melhor ainda… –agrega exalando fundo. -… agora mesmo lhe irei dizer o para responsabilizar de meu erro.
- Não! -negou Harry colocando na porta. –Apesar de tudo, não quero que te vá… se te fosse, já não poderia te fazer a vida impossível.
Severus assentiu com ligeireza, fingindo não lhe dar importância a suas palavras, quando todo ele era uma mistura de sentimentos. Alegria de escutar que a voz de Harry ainda mostrava interesse por ele, tristeza como a mesma que sentia o rapaz por não estar juntos, conformidade de aceitar o que Harry estivesse planejando para desquitar-se.
Harry girou indignado pela aparente indiferença que Severus lhe mostrava, mas ainda não se rendia, saiu decidido a que não lhe ia ser tão fácil a seu Professor se esquecer dele. À hora do almoço, desfrutava de ver como todos cochichavam sobre os vociferadores, tentando adivinhar quem era o responsável, sua primeira opção, o professor de Defesa foi descartado de imediato pois os viam conversar como se nada ocorresse, de modo que as apostas corriam. Ademais, estava o fato do olho machucado do professor Snape, isso fazia bem mais interessante saber quem era o responsável pelas agressões contra o homem.
- Quem poderá ser? –perguntou Ron emocionado. –É que deveu ter passado algo forte para que alguém se atreva a enfrentar ao morcego, não te parece, Harry?
- Pode ser. –respondeu fingindo indiferença.
- É que lhe chamar mentiroso não é qualquer coisa! E soube o que passou na classe de terceiro? Lhe revolveram todos os ingredientes, fizeram um destroço do salão!... E olha seu olho, por Merlin, que é o mais emocionante de lembrança que tenha passado em Hogwarts!
- Ainda mais que todo o que temos passado para sobreviver?
- Não me mal interprete, Harry, mas é que isto é genial… e sabe que me surpreende mais?... que o morcego não tenha expulsado a meio colégio, o olha, nem sequer luze enojado e deveria se estar revolvendo em sua própria bílis.
- Será porque anda feliz de lua de mel? –questionou afundando seu garfo em seu filete.
- Segue zeloso por isso?
- Que já te disse que esse Veela não gosto! –exclamou furioso com seu amigo, felizmente os demais seguiam concentrados em suas conjecturas para pôr-lhes atenção. –Nem sequer posso entender como alguma vez chegou sequer a me fazer pensar que era atraente… É horrível! Olha seu cabelo, é demasiado longo para um homem, ademais tem voz de trombeta e seu riso, parecem garças agonizando, e…
- Sente bem, Harry?
- Sim, estou bem porque a pergunta?
- Parece-me que te obsedaste demasiado com ele, agora pensa que é horrível só porque preferiu ao morcego.
- Sabe que, Ron?... me aborrece, melhor vou-me.
- Que susceptível anda, Harry, em fim, não se te esqueça que em uma hora temos prática de Quidditch.
Harry bufou, não tinha vontade de jogar, ainda que quiçá lhe fizesse bem voar um pouco, isso sempre conseguia relaxa-lo, e devia admitir que o precisava, sobretudo após ver que Severus sorria tenuemente enquanto falava com Ângelo.
- Porque não me quer dizer quem te golpeou? –perguntou Ângelo carinhoso.
- Já te disse que não me golpeou ninguém, me tropecei quando cheguei ao despacho e me colei com a esquina da mesa.
- E os vociferadores? Tens alguma ideia de quem possa ser?... A quem tens mentido ultimamente, Severus?
- Só ao Lord, e duvido muito que se adentre em Hogwarts só para infantilidades como esta.
- Definitivamente não me dirá nada verdade?
- É que não há nada que dizer. Já te parece a essa bola de estudantes com demasiado tempo livre que fazem de uma tonta broma algo digno de tomar em conta.
- De acordo, elegerei crer-te, mas algo me diz que sabe muito bem do que se trata tudo isto.
- Se segue com essas coisas, Abbatelli, não vamos durar muito tempo juntos.
- Severus!
- Era uma broma, tonto. –respondeu sorrindo-lhe. –Anda, vamos, te ajudarei a empacar para que possas te mudar comigo.
Ângelo pôs-se em pé emocionado pela iniciativa de Severus, ele já tinha começado a empacar, mas agora que o via disposto ao receber tinha verdadeira pressa por já não passar nem uma só noite separado dele.
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Harry decidiu dar por concluída a prática de quidditch ao anoitecer pese a que seus amigos lhe propunham um feitiço para se alumiar como se fosse de dia, ele não se deixou convencer e se dirigiu aos vestiários a duchar-se, já o tinha pensado bem e tomou uma decisão. Fugindo de Ron para que não se desse conta a onde ia, Harry se escapuliu e baixou às masmorras, sorrindo divertido de ver que alguns sobres ainda flutuavam pelos corredores, e o pó de cinza reluzia na escuridão formando a frase que ninguém esqueceria "Severus mentiroso". Já desapareceriam ao dia seguinte, o feitiço que usasse só tinha duração de vinte e quatro horas, de modo que tomou nota de encontrar outro modo de desquitar-se de Severus.
A cara do professor quando o viu ao abrir a porta foi digna de se admirar, e Harry entrou como se se encontrasse em sua própria habitação. Estavam no despacho pessoal, mas a porta que comunicava com o quarto de Severus estava aberta e a luz acendida, Harry pôde ver algo de bagagem, um baú e alguns objetos pessoais em desordem.
- Pensa viajar a algum lado? –perguntou intrigado.
- Isso não é de seu interesse… Que faz aqui?
- Temos posposto demasiado meu treinamento, quero saber quando vamos começar. –disse-lhe sem apartar a mirada da porta para a habitação.
- Ainda quer seguir com isso? –questionou-lhe francamente surpreendido.
- Bom, não é que me morra por estar contigo, mas já paguei por adiantado e me deve umas classes, Severus.
- Acho que primeiro deve deixar de chamar por meu nome, sigo sendo seu professor e se começamos estas classes com muita maior razão.
- São classes extraordinárias… eu pago, eu digo as condições, e se quero te chamar Severus, isso é o que farei. –respondeu sorrindo-lhe desafiadoramente, e ainda que agora lhe olhava direto aos olhos, pelo rabo não deixava de estar ao pendente da habitação. –Tem ficado claro, ou segue com dúvidas ao respeito?
- Só uma… devo o chamar "Senhor" ou "Amo"? –perguntou irônico.
- Usa meu nome, da outra forma diga a quem lambe as botas.
- Bem, "Harry", agora não posso te dar sua classe, te verei manhã às nove.
- Perfeito, aqui estarei.
- Não, aqui não… será no salão de classes.
Severus sujeitou a Harry do ombro para conduzir à saída, por um segundo ambos se olharam aos olhos, se estremecendo ante esse inocente contato, mas em seguida, um ruído procedente do quarto fez que Harry mudasse completamente sua expressão. De um tapa fez a Severus a um lado e deu uns passos para a habitação, mas deteve-se de improviso antes de voltar a girar-se e olhar ao professor com intensa fúria.
Antes de que armasse um escândalo, e Severus lhe cria muito capaz de fazer, sujeitou a Harry do braço para sacar para o corredor.
- Mudou-se contigo! –bufou Harry contrariado.
- Faz favor, Harry… deixa-me explicar-te, as coisas não são como parecem.
- Está contigo ou não?
- Sim, mas… Por Merlin! Porque passam-me estas coisas a mim? –exclamou alarmado ao ver que estava perdendo o controle da situação.
- Não o ama verdade? –perguntou Harry e Severus olhou-lhe aos olhos sem saber que responder, estava farto de lhe mentir, mas também não se atrevia a dizer a verdade.
- Harry, perdoa-me…
- Não o ama! –exclamou Harry sem necessidade de uma confirmação, bastou-lhe ver aos olhos negros para sabê-lo. –Porque está com ele, então?
- Não posso te explicar ainda… tenho que averiguar algumas coisas antes.
- Mas não o ama! –repetiu abraçando-o feliz.
- Creio… que a resposta já a sabe, eu… não posso a dizer.
Já sem poder se conter, Severus lhe correspondeu ao abraço.
Nota tradutor:
Mais um capitulo pronto para vocês... espero que gostem!
Vejo vocês no próximo capitulo
Ate breve
Fui…
