A primeira classe
Severus manteve fechados os olhos por uns segundos, aspirando embriagado a fragrância que emanava do pescoço do rapaz, estranhava tanto esse calor. Harry correspondeu-lhe profundamente emocionado, ainda que isso não lhe tirava da cabeça que Ângelo estava ocupando já as habitações de Severus.
- Diga-me o que está passando. –pediu fechando os olhos para desfrutar mais do abraço.
- Harry… vá a suas habitações, te verei manhã.
- Porque sempre me ocultam tudo? –lhe recriminou doído. - Porque não confia em que posso entender o que passa?
- Em algum dia… só me dá tempo para confirmar algumas dúvidas, Harry… faz favor.
- Não lhe disse que me beijou?
- Não se te ocorra lhe dizer, Harry, não sabe o que está em jogo.
- Está te ameaçando com algo?
- Harry, Abbatelli não é uma má pessoa, não me tem ameaçado… -respondeu se soltando do abraço ao recordar a advertência Veela que quase tinha sacado de sua mente. -… agora deixa de fazer perguntas e amanhã nos vemos para suas classes.
- Então não lhe confessou o que passou entre nós? –perguntou sorrindo triunfante. - Essa é uma boa informação, obrigado, Severus.
- Harry, escuta e grava-te bem… -disse sujeitando do rosto para o fazer olhar aos olhos e notasse a seriedade com a que falava. -… Não lhe diga, não sabemos como poderia reagir. O único do que estou seguro é que lhe iria dizer a Albus, e ele tem chegado ao querer muito, não te vai permitir que lhe lastime.
- E você também não me permitiria? –lhe recriminou voltando a endurecer sua mirada.
Severus respirou fundo antes de dar-lhe outro abraço que não durou muito para moléstia de Harry, pois um ruído no interior fez que Severus se despedisse rapidamente o deixando sozinho no corredor. Harry conteve o desejo de tocar e pô-lo em evidência em frente ao pretencioso Veela… marchou-se decidido a que não voltariam ao deixar plantado em um corredor, e se Severus não lhe dizia o que estava passando, ele se encarregaria de averiguá-lo.
À manhã seguinte tinha classe de poções, tinha esperado ansioso esse momento, já tinha em mente o que faria a seguir. Severus não se sentiu tranquilo de entrar ao aula e ver todo em perfeita ordem, já os sobres tinham desaparecido e tinha conseguido acomodar a maioria dos ingredientes, mas depois do sucedido a noite anterior, estava seguro de que encontraria todo revolto novamente, no entanto não foi assim, e isso lhe angustiava mais ainda. Olhou a Harry, o garoto sorriu-lhe como se fosse um anjinho, mas ele sabia muito bem desse tipo de sorrisos que ocultavam um demônio. Revisou perfeitamente sua cadeira antes de sentar-se e duvidou muito em sujeitar a pluma que descansava dentro do tinteiro, tudo lhe parecia extremamente suspeito.
Começou a classe escrevendo as instruções no quatro, e então escutou uma risadinha que podia identificar em qualquer lado.
- Menos vinte pontos para Gryffindor. –disse sem girar-se, ocultando um calafrio que lhe percorreu as costas. - Ponha atenção à classe, Senhor Potter ou terá que se sair.
- Posso sair de uma vez se quer.
Severus deu a meia volta rapidamente, surpreendido de que Harry se tivesse atrevido a falar nesse tom em frente ao resto dos alunos, lhe olhou furioso, mas o garoto continuava sorrindo inocentemente.
- Não se moleste, professor, só queria saber se queria que me fosse ou não… acho que me mal-entendeu, e se é assim, lhe peço desculpas.
- Saia agora mesmo, em minha classe não vou tolerar suas insolências!
- Mas… mas hoje faríamos a poção desvanecedora. –protestou Harry como se em realidade lamentasse seu expulsão. - Virá nos exames e não quero reprovar.
- Isso devia o pensar antes!... Saia de minha classe ou saio-me eu e nenhum de vocês saberá como a fazer jamais!
Todos olharam a Harry alarmados, nenhum tinha a intenção de reprovar Poções e até seus colegas de classe lhe observavam suplicantes para que saísse. Depois de um momento que se permitiu de suspenso, Harry tomou suas coisas e saiu da sala fingindo um profundo pesar. No entanto, quando se encontrou no corredor, saiu correndo rumo a outro dos corredores, sabia que a essa hora nenhum grupo tinha classe de Defesa e era sua grande oportunidade.
Ao encontrar no corredor da sala dos professores, Harry deteve-se um momento, respirou fundo e concentrou-se o suficiente, não teve que fazer muito esforço, só recordou o que tinha sentido ao ver a Severus beijar a Ângelo para que seus olhos brilhassem de lágrimas, e então provocou um ruído com uma armadura para em seguida se ir a sentar nas escadas mais próximas, afundando sua cara em seus joelhos. Satisfeito, escutou como alguém saía da sala de professores, sabia bem quem era e intensificou seus soluços. Ângelo foi para ele sentando a seu lado.
- Harry, está bem? –perguntou preocupado de vê-lo chorar. – você fez esse ruído?
- Perdão, é que tropecei com a armadura. –desculpou-se compungido.
- Vamos ao salão de juntos, aí podemos falar.
- Não, será melhor que me vá a minha habitação. –disse pondo-se de pé com toda intenção de mostrar de frente seus olhos chorosos.
- Posso saber porque chora? –perguntou levantando-se e sujeitando dos ombros para olhá-lo de frente.
- O professor Snape jogou-me de sua classe, sem nenhum motivo.
- Harry, não acho que Severus te jogasse sem motivo… que foi o que passou?
- Nada, para valer!... Disse-te que me odiava e é verdadeiro, é um homem cruel e perverso! Sinto-me tão mau, Ângelo!... Posso saber que lhe viu?
- Harry, isso é pessoal. –respondeu sem questionar-lhe o modo tão direto de falar-lhe.
- É que é tão raro que estejam juntos. Você é um Veela, Ângelo, pode ter a quem queira, e o Professor Snape sempre tem sido tão frio e altaneiro… como conseguiu que começassem uma relação? É que usou sua peculiaridade Veela para o conseguir?
- Não, claro que não! –negou rotundamente. - Ele e eu estamos juntos porque nos queremos.
Harry entornou os olhos, Ângelo sabia mentir muito bem, isso era algo que devia tomar em conta e não esquecer. Ansiando fazer-lhe ver que não eram verdadeiras suas palavras, mas consciente de que não podia ir contra a petição de Severus de não falar sobre o sucedido entre eles, dissimuladamente Harry deixou cair sua túnica a um lado e descobriu a parte do pescoço onde tinha os vestígios do hematoma que lhe deixasse Snape.
- Que é isto? –perguntou-lhe Ângelo surpreendido. - Harry, tem companheiro?
- Não. O tonto que me fez está agora com alguém mais.
- Ah sim?... pois sim deve ser muito tonto, quem é?
- Seu nome não importa, é um mentiroso!
Harry acentuo bem a palavra e estudou a reação de Ângelo, mas este somente lhe sorriu e voltou ao abraçar de maneira consoladora. Harry grunhiu para si, estava consciente de seus absurdos arrebates, mas sua mente parecia estar fechada ao raciocínio e nada lhe sairia bem, tinha que pensar em outra coisa, agora lhe urgia se marchar, não suportava a presença do Veela, odiava o ver se comportar tão compreensivo, de modo que se despediu friamente e se marchou deixando ao professor com a plena segurança de que esse garoto andava buscando afanosamente chamar a atenção de alguém, mas agora ele estava demasiado feliz para lhe ocorrer nada.
Ao sair de seu salão de classes para dirigir-se ao comedor, Severus gemeu ao sentir que algo o golpeava no peito, se inclinou para ver o que tinha caído a seus pés. Mal atingiu a suspirar resignado quando da pelota verde que jazia no chão foi emergindo uma enredadeira que lhe foi abraçando desde os pés até o tórax o deixando colado ao chão e sem poder mover nem um músculo. Todos a seu ao redor lhe olhavam assustados, alguns correram temendo que em qualquer momento lançaria maldições sem lhe importar a quem caíssem. Uns mais ousados atreveram-se a oferecer sua ajuda ao notar que o Professor tinha ficado imóvel, ninguém pôde fazer nada para retirar os laços verdes, nem com feitiços nem com remédios muggles que alguns propuseram, de modo que não lhe ficou mais remédio que ficasse quieto e se pôr a contar até o infinito enquanto iam em busca do professor de encantamentos. Ao longe olhou a Harry observando tudo com um sorriso pleno em seu rosto, ninguém lhe punha atenção e isso lhe dava oportunidade de mostrar quanto desfrutava do espetáculo.
Lamentavelmente Flitwick também não conseguiu grande coisa, quando muito conseguiu propor colocar uma cadeira para que o professor de poções não se cansasse. E como a Professora Sprout não se encontrava no castelo, tiveram que chamar a Dumbledore, e junto com ele foi Ângelo, quem acabava de se inteirar do que passava e olhou preocupado como seu companheiro continuava preso.
- Quem fez isto, Severus? –perguntou Ângelo revisando a pelota aderida ao solo e a enredadeira ao corpo do Pocionista.
- Não sei, nem me importo, o único que quero é sair daqui.
- Para valer não quer saber quem é o responsável? –questionou Dumbledore intrigado, essa não era uma atitude normal em seu amigo. - Talvez já o sabe?
- Porque não se deixam de perguntas tontas e fazem algo útil?
- É magia avançada. –comentou Ângelo. - Não pode ser qualquer pessoa, mas… Severus, você…
- Deixa de falar e liberta-me, Abbatelli, sei que você e Albus podem o fazer.
- Sim, mas… porque não…
- Abbatelli, podemos conversar em outro momento?
- Sim, está bem… agora mesmo te sacamos disto, Severus.
Com ajuda de Dumbledore, Ângelo realizou alguns conjuros que conseguiram cortar a enredadeira a nível dos tornozelos do professor e com isso libertar da semente, a enredadeira que o rodeava caiu sozinha sem vida sobre o andar. Desde a lonjura, Harry se ergueu franzindo o cenho ao ver que Ângelo sustentava a Severus em braços, pese a ser menos alto que ele, e o afastava dos restos. Dumbledore encarregou-se então de fazê-los desaparecer junto com os sapatos do professor que não puderam salvar.
- Já pode me baixar, Abbatelli. –pediu Severus retorcendo-se de tal modo que conseguiu que seu companheiro o deixasse no chão, não estava disposto a permitir mais miradas divertidas por parte de seus alunos e com uma só das suas conseguiu que todos pusessem pés em polvorosa e os deixassem sozinhos no corredor, só Harry permanecia ao longe, escondido depois das sombras.
- Agora me pode dizer porque não te libertaste você mesmo? –perguntou Abbatelli quando inclusive Dumbledore se teve marchado e ambos caminhavam para as masmorras. - Sei que conhece o feitiço, Severus, de modo que te tivesse sido relativamente fácil sair dessa.
- Bem que sabe arruinar todo não?... e eu que pensava te dar uma recompensa por ser meu herói. –respondeu sorrindo-lhe carinhoso.
- Ah sim?... E como que recompensa me ia dar?
- Esta.
Severus beijou a Ângelo e levantando-o em braços continuou seu caminho sem romper o beijo, com isso conseguiu passar junto a Harry sem que Abbatelli o notasse, de outro modo, seguro saberia de imediato quem era o responsável pela broma, e portanto, começaria a atar cabos e… não, era melhor que Ângelo nunca soubesse suas bagunças com Harry. Ademais, ainda que fosse por meio desses jogos, satisfazia-lhe saber que estava avançando muito no poder de sua magia.
O Gryffindor ficou sentado só no chão. "Sei que não o quer, esse beijo foi tão falso que não sei como Abbatelli não se dá conta, mas… me quer a mim? –perguntou-se pressionado. - Nunca me tem dito, eu sinto que sim, não se comporta comigo como antes, mas… e se me estou fazendo ilusões em vão? Como averiguo o que sente? Como? –suspirando, Harry olhou pelo corredor por onde tinham desaparecido os professores. - Ai, Severus, porque não posso simplesmente te deixar ir?... porque preciso sentir-me unido a ti, ainda que seja por meio destas tontas bromas?"
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Ao termo de suas classes, Severus não podia se concentrar em qualificar os exames de seus alunos. Não deixava de pensar no reclamo Veela, se resistia a achar que não tivesse uma solução ao respeito, se não tivesse sido porque Albus lhe confirmou que era verdade, jamais teria tomado em sério as palavras de Abbatelli. Olhou de relance como Ângelo lia um livro em um dos cadeirões e se armando de valor, se foi sentar a seu lado.
- Preciso que me explique bem o do reclamo, Abbatelli. –pediu tentando ser sereno.
- Que quer saber? Parece-me que te tenho dito tudo.
- Se o reclamo consumou-se, agora não corro perigo de morte verdadeiro?
- Assim é.
- Mas se por alguma remota casualidade alguém chegasse a pôr seus olhos em mim… que passaria?
- Sinceramente… não o sei. –confessou fazendo a um lado sua leitura. - Severus, há muito pouca informação, já te disse, mas o que sei é isso, me engana agora e o traidor morre.
- Mas o traidor seria eu… não o outro.
- Não, não é bem como funciona em minha cultura. Supõe-se que é para nos proteger, não para nos destruir. Se você morre, eu não poderia o suportar, de modo que sua vida já não corre riscos… mas se alguém mais te deseja não poderá conseguir nada.
- Até que ponto começa a funcionar o reclamo?
- Severus… se pretende averiguar se pode estar com outro sem uma culminação sexual mais te vale que seja com alguém que não te interesse demasiado. –respondeu franzindo o cenho. - Não posso te assegurar se um simples roce de mão ou uma noite completa apaixonada, não o sei… averígua-lo por ti mesmo.
Ângelo parou-se e marchou-se à habitação contendo as lágrimas pelas perguntas de Severus. Não podia achar que se atrevesse a lhe as fazer. Snape também não cria-o, mas precisava sabê-las, e ainda tinha muitas dúvidas mais, mas teria que esperar para voltar a encontrar a ocasião para despejaras. Pelo menos já sabia que com se tocar não passava nada, se levou a mão para o olho, sorrindo ao se sentir ainda dolorido.
"Tenho que encontrar um modo –pensou olhando a porta por onde tinha saído seu companheiro. - Lamento-o, Abbatelli, não quero te fazer dano, mas tenho nenhuma intenção de me ficar para sempre contigo. Agora em quem devo pensar em é Harry e em mim, em que eu preciso a oportunidade que me arrebatou com seu reclamo… e por seu bem, espero que não me esteja ocultando nada, ainda que pelo meu, desejou com a alma que esse reclamo não seja tão literal como me tem proposto".
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Essa noite, Harry chegou pontual a sua reunião com Severus, mas nem saudou-o quando entrou ao aula, simplesmente lhe olhou com arrogância dantes de se ir a sentar em um das classes.
- Acerca-te, Harry. –pediu-lhe Severus, estava sentado em sua mesa observando a cena do duelo no Penseira. Relutantemente, Harry obedeceu-lhe e colocou-se de má vontade depois de o professor. - Quero que olhe bem o que sucedeu no duelo.
- Sei-me de cor. –refutou enojado. - Não se me esquece que foi a grande humilhação de minha vida até que chegou você a ela... Vai dizer-me o que passa entre você e o Veela destemido ou não?
- Suponho que não a viu bem. –disse-lhe com serenidade sem fazer caso de seu comentário. - Observa, olha quando Abbatelli te envia o Repulso… nota algo?
- Não… que deveria notar? –perguntou impaciente.
- Estava furioso. Abbatelli picou-te o orgulho com seu comentário e isso te desconcentrou, não deve o permitir jamais, Harry. Um adversário sempre tentará ganhar de todas as formas possíveis, e entre elas se inclui a desconcentração. A melhor arma de todo comensal é influir no ânimo da outra pessoa, baixar a autoestima e fomentar o medo, dessa forma se ganham muitas brigas.
- Abbatelli não é um comensal… ou sim?
- Não, mas é muito hábil e inteligente, tem muita experiência em duelo. Em sua natal Itália foi duelista e dava classes do mesmo, além de que…
- Não podemos mudar de tema e deixar de lado o maravilhoso que é teu amorzinho?
- Bem, continuemos. –aceitou contendo um sorriso. - Observa quando está na parede, não olha a Abbatelli, te fixava mais no que diziam seus colegas, e inclusive Granger chegou a desconcentrar-te ainda mais. Outra situação à que poderia te enfrentar é a ter a teus amigos ou seres queridos lutando ou sendo torturados cerca de ti, mas se perde, Harry, então não terá nenhuma oportunidade para eles.
- Pretende dizer-me que devo ignorar tudo o que ocorra a meu ao redor?
- Exato, só deve estar você e seu adversário.
- E se alguém mais me ataca e não me dou conta por não olhar?
- Há que ter os sentidos sempre alertas, Harry, isso é algo diferente.
- Confunde-me.
- Irá compreendendo-o com a prática… que te parece se começamos?
- Bem… Severus, posso te fazer uma pergunta?
- Claro, diga.
- Escutei que podia libertar da planta… porque não o fez?
- E privar-te da diversão?... não, não era para tanto.
- Porque tem-me paciência?... Porque já não me grita como antes?... Porque está-te portando tão amável comigo depois de tudo o que te faço?
- Porque sei que o precisa, precisa se vingar de mim e se isso te ajuda ao superar, pois aguento tudo o que queira me fazer… é fácil, tenho tido prática por muitos anos de ensino.
Harry sorriu tenuemente, mas aquele sorriso a Severus doeu-lhe como nenhuma, era demasiado triste, demasiado desesperançadora como para pertencer a alguém tão jovial e radiante como Harry, se sentia culpado por ter sido quem mudasse tanto a expressão do garoto. Severus tentou não deixar ver o que sentia e caminhou para o centro do salão onde com sua varinha acomodou as mesas em um rincão para assim conseguir ter o maior espaço livre.
- Coloca-te em frente a mim, Harry. –pediu-lhe friamente e o garoto obedeceu, ainda que não se lhe viam também não muitos ânimos por aquela classe que devia ser importante para ele. - Suponho que Abbatelli te ensinará o saúdo, regras e coisas inservíveis como essas, comigo aprenderá todo o contrário.
- Agrada-me a ideia, suponho que se não triunfo como herói poderei me fazer um caminho como comensal verdade?
- Isso não o diga nem em broma, Harry.
- Talvez se consegue me converter em alguém como você minha vida seja melhor. –comentou amargamente. - Assim poderei andar beijando garotos para depois os deixar como idiotas.
- Caramba, põe atenção, que estamos em classe! –exclamou desesperado. - Se até parece que jamais te tinham beijado!
Pela expressão que fez Harry desviando a mirada para ocultar suas olhinhos cheios de água, Severus compreendeu que acabava de dizer uma tolice… lhe doeu na alma saber que sem querer tinha descoberto algo que jamais se imaginou. Harry era um garoto formoso, doce, valente… como é possível que nenhum outro de seus colegas o notasse e não tivesse sido beijado? Severus sentiu o profundo desejo de correr a abraçá-lo, mas recordou o sucedido a última vez que se deixou comover por suas lágrimas e agora não podia lhe permitir, as consequências não eram coisa de meninos. De modo que, fazendo nota de toda sua inteireza, sorriu com um pouco de cinismo.
- Me lisonja, Harry, mas encontrará melhores beijadores que eu. Só fui o primeiro, não tem importância.
- Sei-o… já até é asqueroso o recordar. –respondeu voltando-se a olhá-lo com ódio. - Espero que ninguém se inteire jamais ou não quererão beijar-me pensando que terei o sabor do asqueroso morcego gorduroso verdade?
- Põe-te em guarda. –ordenou em um sussurro que tentou ocultar sua dor por suas palavras.
- Não se supunha que me ensinaria as deslealdades de um assassino?... Não acho que eles se ponham em guarda… ou o fez alguma vez, Severus? Antes de assassinar a alguém lhe disseste "Te põe em guarda"?
- Harry!
- Crucio! –gritou Harry com todas suas forças apontando a seu professor.
- Expelliarmus!
Severus conseguiu desviar a maldição de Harry, e com seu raio escarlata conseguiu desarmar ao rapaz, quem saiu expelido contra a parede pela força que foi impactado. As costas de Harry chocou violentamente no muro deslizando-se lentamente para o andar onde ficou tendido aparentemente sem sentido. Severus fez a tentativa de correr para ele mas se deteve quando escutou algo parecido a um soluço, e permaneceu em seu lugar até que viu a Harry se incorporar lentamente até ficar sentado junto à parede mas sem levantar a mirada… outra vez chorava e seu coração se partia em pedaços ao o ver.
- Porque faz-me isto, Severus? –reclamou-lhe suavemente com a voz avariada.
- Lamento, não quis ser tão rude, Harry.
- Me machucou.
- Tentarei moderar-me um pouco mais… agora, se te sente melhor, te põe de pé e continuemos.
- Não me sinto melhor… Me dói muito! Dói aqui!
Harry levou-se uma mão ao peito ao mesmo tempo que levantava a cara umedecida por suas lágrimas. Severus comprovou o que temia, não tinha estado referindo ao ataque físico, lhe doía recordar o sucedido entre eles. Não soube que fazer, seguir mentindo até que cresse realmente que não sentia nada por ele? Falar com a verdade e dizer-lhe que morria por beija-lo e já não o deixar ir jamais de seus braços?... Nunca em sua vida lhe tinha importado tanto uma pessoa como agora se importava Harry, tinha que escolher a eleição melhor para ele. Mas Harry era tão jovem, ainda podia o esquecer e tinham sido só beijos, isso era algo que se repetia com frequência, a ilusão que tinha acordado no garoto quiçá morreria cedo, quando encontrasse a alguém mais, mas… porque se lhe via tão triste? porque parecia sofrer tanto como ele?
- Sabe que tudo o que faço e digo não é em sério… verdade? –perguntou Harry soluçando. - Sabe que só pretendo lastimar-te como me tens lastimado você… que a cada uma de minhas palavras não saem de meu coração.
- Sei-o.
- E Porque não te acerca? –lhe recriminou Harry dolorosamente. - Odeia-me pelo que te disse?
- Não, e se isso é o que pretende com suas chantagens emocionais, não poderá o conseguir, Harry. É melhor que te esqueça de mim… eu não tenho tempo que perder em tolices.
- Sim… já me dou conta disso. –respondeu irônico. - Bem, não me importo, posso seguir adiante com minha vida, Severus, não te preciso para nada, e vou deixar de te amar ainda que seja o último que faça em minha vida Te prometo!
- Amar-me? –repetiu deixando cair sua varinha ao solo ante a surpresa.
Harry empalideceu ao dar-se conta que tinha falado sem se fixar, quis dizer algo, o negar terminantemente, mas as palavras se negavam a sair de sua boca... ademais que não era já demasiado evidente? Pôs-se de pé sem deixar de olhar os olhos negros que o tinham ensinado a sonhar, podia ver neles algo que não atingia a decifrar, talvez medo, ou alegria… não, isso último não podia ser, mas não podia deixar de olhar, era algo mais poderoso que qualquer feitiço.
- Creio… acho que a classe de hoje tem terminado, Harry. –disse Severus finalmente enquanto inclinava-se a recolher sua varinha. - Nos veremos manhã.
Mas ao levantar-se, Harry não se tinha marchado, ao invés, agora o tinha bem mais perto, lhe olhando direto aos olhos, repetindo nessas órbitas esmeraldas o que acabava de lhe dizer. Severus quis retroceder, mas Harry adiantou-se e pendurando de seu pescoço lhe beijou. O coração de Severus deu um viro, não pôde evitar lhe corresponder, era incitante voltar a saborear esses beijos com os que sonhava a cada noite, lhe atraiu lhe rodeando pela cintura, colando seu corpo aos juvenis contornos do Gryffindor quem gemia extasiado dentro de sua boca, lhe sujeitando de seus negros cabelos quase com desespero, Severus sentia os dedos do rapaz voltar a lhe acariciar a cabeça, a nuca, suas orelhas. Mas quando se separaram em busca de um pouco de oxigeno para continuar, Harry lhe suspirou ao ouvido um suave "Te amo" que o fez cair inesperadamente na realidade. Severus retirou-lhe de um forte empurrão, não podia esquecer do motivo pelo qual não podiam estar juntos. Harry olhou-lhe com reproche por um momento antes de deixar-se cair o chão com as mãos na garganta.
- Harry!... Que te passa, Harry? –perguntou Severus inclinando-se para ele com o pânico refletido em seus olhos.
- Não… não posso respirar, Severus. –respondeu dificultosamente enquanto tentava puxar ar-. Que… que é isto?... aju… dá-me.
- Tranquilo, Harry, vai passar muito cedo, pequeno… não se assuste.
- Abraça-me, por… favor!
Severus não sabia se devia o fazer ou não, talvez isso pioraria a situação, mas o terror nos olhos de Harry, sua desesperada súplica desenhada neles pôde mais. Lhe estreitou contra seu peito escutando como o garoto se ia debilitando, seus esforços por conseguir ar lhe faziam emitir um som assustador que lhe paralisava o coração. Notou que o tom de sua pele mudava a pálida, morada e depois azulada demasiado rápido. Não podia ficar aí vendo como morria por sua culpa, o levantou em braços correndo para a enfermaria, e durante o trajeto pôde sentir como o garoto caía na inconsciência, como se finalmente a advertência Veela tivesse sido cumprida e cobrasse sua primeira vítima.
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Nota tradutor:
Como disse anteriormente que eu odeio esse puto do Abbatelli... nem merece o meu apoio
Enfim mais um capitulo pronto para vocês, espero que gostem e comentem
Ate breve
Fui…
