Táctica nova
Felizmente para Severus, Ângelo não lhe fez nenhuma pergunta quando regressou a seu lado e pouco depois descansava arroupado pelo mesmo Severus, nenhum dos dois iria a dar suas classes nesse dia, de modo que o Pocionista permaneceu ao lado de seu companheiro o olhando dormir depois de lhe dar uma poção para que repusesse suas forças, ainda entristecido olhando como se assomava a marca por embaixo da manga de seu pijama.
Ângelo não acordou em todo o dia, e ao entardecer, Severus afastou sua vista dos deveres que revisava e suspirando pensou em Harry, lamentando que as coisas não funcionassem para eles… recordou o momento em que o viu se ir quase desmoronando-se em seus braços, o terror lhe invadiu o crendo agonizando por sua culpa. Aproveitou que Ângelo não acordaria até a manhã seguinte para ir à biblioteca como tinha estado fazendo na cada momento livre, buscou em todos os livros sobre Veelas, inclusive aqueles da seção proibida, tentando encontrar uma resposta ao fato de que Harry ainda vivesse, e ao amanhecer creu a encontrar em um velho manuscrito. "Não se pode enganar à morte, e muito menos ao orgulho do Veela, é sua magia que nunca morre e não seu coração mortal a que resguarda sua honra, quando perceba a traição, a maldição se culminará"
Severus suspirou… "Talvez não teve tempo, um beijo não foi suficiente, e a magia de Abbatelli seguramente estava concentrada em seu pressentimento, a cada vez que o teve deixa tudo por me seguir, se concentra demasiado para me localizar, sua magia desviou seu objetivo quando me sentiu em perigo e isso fez que a ameaça abortasse… não encontro outra explicação, de todos modos sei que o que vi nos olhos de Harry foi a sombra da morte… e não penso voltar ao arriscar".
Fechou o livro pensando que tivesse sido tão feliz se o tempo se tivesse detido quando beijou a Harry pela primeira vez, aquele foi o momento mais formoso de sua vida, quiçá o único, e o guardaria em seu coração por sempre, substituindo à esperança que jamais renasceria.
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Mais tarde, Severus sorriu quando descobriu que a porta da sala estava selada e dava toques elétricos se alguém tentava se acercar. Quase tinha temido que essas travessuras desaparecessem, mas não, aí estava ele, lhe sorrindo dissimuladamente, recargado sobre a parede e observando pendente o que faria… não soube como se controlou para não ir e lhe comer a beijos, luzia tão belo com seu sorriso de menino divertido
Severus correspondeu-lhe com uma quase imperceptível inclinação de cabeça e desenhando uma pequena floritura com sua varinha desfez o feitiço facilmente ante a mirada carrancuda do garoto quem creu demoraria bem mais em anular seu selo mágico. Harry olhou sua varinha com frustração, como se a culpasse de não ter dado a potência necessária para se divertir um pouco mais, e resignado teve que se afastar para seu aborrecida classe de História da Magia enquanto via com ciúmes como os alunos de quarto ano entravam a sua classe de Poções. Severus aproveitou que lhe dava as costas a seus alunos para sorrir, sentia um grande alívio, não tinha nenhuma dúvida de que aquela pequena broma era a forma de Harry para dizer um "eu sinto" que jamais sairia de seus lábios… "Desejo com todo o coração que também seja o primeiro passo para que supere seu rancor".
Ao chegar a tarde, Harry caminhava com as mãos nos bolsos para o comedor. Ron e Hermione tinham desaparecido misteriosamente ainda que já se suspeitava que agora estavam muito ansiosos de passar tempo, juntos e sozinhos. Grunhiu e tentou voltar sobre seus passos quando descobriu a Ângelo caminhar em sentido contrário ao seu em um corredor deserto, no entanto, o professor lhe chamou e não teve mais remédio que se deter ao esperar.
- Podemos falar, Harry, faz favor?
- Para que?... ademais, tenho pressa e muita fome.
- Convido-te a comer minhas habitações.
- "Tuas" habitações? –questionou alçando uma sobrancelha mordazmente.
- Sim, a minhas habitações, Harry. Anda, veem… estaremos sozinhos.
Harry sentiu algo estranho ao momento que o Veela lhe sujeitou da mão para levar para as escadas que conduziam às masmorras. Sua mente parecia nublar-se de repente e recordou a noite que o conheceu, como se sentiu invadido por essa estranha sensação, tão prazerosa como inquietante. Não pôde protestar e se deixou guiar como um atomata. Harry cedo viu-se dentro da habitação de Severus, recordou seus conselhos em duelos, sobre o Imperius, isso que sentia não era uma maldição, mas sim muito parecida, devia se resistir e se esforçou por se libertar até que por fim conseguiu retirar a mão e perceber como voltava a ser dono de si mesmo e de suas ações.
- Porque está usando sua magia comigo? –lhe recriminou molesto. - Lhe direi a Dumbledore, estou seguro de que não gostará de sabê-lo.
- Lamento-o, Harry, mas é que precisava que viesse e sabia que se negaria de outra forma.
- Não volte ao fazer!
- Não o farei, o prometo… Sabe? Dá-me gosto ver que esteja melhorando, tens conseguido te libertar você mesmo.
- Melhor diga-me que é o que quer para poder me ir daqui.
- Só queria me desculpar contigo pelo que disse no despacho de Dumbledore, para valer não o sentia realmente, mas é que me encontrava susceptível pelo sucedido… devi ser mais maduro e não responder a suas agressões.
- Bem, está desculpado.
- E você?... Não pensa me pedir desculpas?
- Após o que acaba de fazer?
- Sim… tens razão, quiçá não a mereça.
Harry não pôde evitar se sentir mau por lhe escutar a voz tão triste em sua última frase, realmente parecia arrependido de ter usado seu encanto com toda intenção de submeter. Olhou-lhe tão doce e amável, esquivando-lhe a mirada com pena… um nodo fez-lhe na garganta, se essa imagem aparecia sempre ante os olhos de Severus era provável que muito cedo terminaria o amando. Harry levantou uma mão para retirar-lhe um pouco de seu cabelo que caía sobre seu rosto e ao o fazer, uma imagem brotou em sua mente. Estava na enfermaria, e Ângelo estava com ele… se beijavam! Ângelo e ele se estavam beijando como se não tivesse uma manhã!... Harry levantou-se como impulsionado por um ressorte, sua respiração era agitada, assinalava ao Veela sem poder emitir nenhum som de sua boca, agora recordava algo mais de sua estadia na enfermaria e lhe resultava francamente impactante.
- Você… você… -titubeava nervoso.
- Que sucede, Harry?
- Me beijou, você foi à enfermaria e me beijou, Ângelo!
Harry tivesse querido que o negasse, mas Ângelo se concretou a lhe sorrir apenado o qual conseguia que confirmasse o que já sabia. Uma náusea invadiu a Harry, esse Veela era pior do que imaginava… era um traidor com Severus! agora se arrependia de ter sentido pena por ele... "Espera", disse-se a si mesmo, isso podia ser uma boa notícia se sabia a manejar.
- Porque me beijou? –perguntou-lhe regressando a sentar a seu lado.
- Não sei… acho que foi algo que me nasceu fazer ao te ver doente. –respondeu com as orelhas enrijecidas. - Achei que não o recordaria, me parece que é melhor que não volte ao mencionar… sim?
- Porque não?... se fez é porque gosta, Ângelo.
- Parece-me que o mal interpreta… Eu estou com Severus agora, Harry.
- Se o quisesse a ele não me teria beijado.
- Foram as circunstâncias… não pense que tenho interesse em ti.
- Para valer não o tens?
Harry inclinou-se sobre Ângelo para beija-lo e ainda que o Veela retrocedeu, foi encurralado no sofá em que se encontravam e não pôde evitar o beijo, mas não durou muito, de um empurrão se libertou de Harry para se pôr de pé e afastar do garoto, interpondo o sofá entre eles. Só que não contava com a persistência dos Potter, e o garoto voltou a lhe acercar com toda intenção de abraçar.
- Gosta, Ângelo! –exclamou Harry sujeitando-o de ambas mãos.
- Harry, faz favor, não faça isto. –pediu Ângelo respirando nervoso. - Não está bem.
- Sempre gostei e o sabe, desde que nos conhecemos no corredor recorda?... não pude dissimular quanto me senti atraído por ti e sei que o notaste.
- Sim, mas… têm passado muitas coisas desde então e eu achei que você…
- Sinto-me morrer de ciúmes quando te vejo com Snape, Ângelo, porque eu quisesse estar em seu lugar!... Para valer gosta mais dele que eu?
- Harry, é um garoto lindo, mas se quisesse ter em minha cama asseguro-te que não estaria com Severus.
- Sim, admite que gosta! –exclamou ignorando o resto da frase.
- Sim, gosto, mas é a Severus a quem…
- Se esta com ele por carinho ou porque acha que é melhor uma relação com outro professor que com um aluno, eu te demonstrarei quão equivocado está, Ângelo.
- Que não! –protesto se soltando outra vez. – Eu gosto de Severus.
- Mas também eu... e vou lutar por ti.
Harry sujeitou a Ângelo do rosto e deu-lhe um beijo que o Veela não pôde esquivar, mas que em nenhum momento correspondeu. Harry saiu da habitação levando um grande sorriso na cara enquanto o Veela morria-se de angústia ante o que acabava de passar… que pretendia Harry com tudo isso?
Sem poder evitá-lo, Harry quase saltava de alegria enquanto ia a sua seguinte classe, já se tinha esquecido de comer, agora era feliz de saber que tinha a Ângelo em suas mãos e não duvidaria em utilizar a informação que tinha para poder fazer a um lado… ansiava que chegasse a noite e poder estar com Severus, agora tinha algo urgente que lhe dizer!
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Harry não podia controlar a emoção que sentia, esperava impaciente na porta da sala a que Severus aparecesse e quando o viu caminhar para ele, o coração lhe repiqueto com força, quis fazer os nervos a um lado pensando que nada podia sair mau. Severus saudou lhe com um singelo sorriso antes de que ambos entrassem ao salão. Sacou a Penseira e novamente pô-lo a trabalhar sentando-se com ele em sua mesa. Nesta ocasião, Harry não esperou a ser chamado, se lhe acercou se colocando depois de Severus, pondo suas mãos sobre seus ombros e se inclinando para supostamente olhar melhor.
- Espero não te pôr nervoso. –disse-lhe sussurrando-lhe ao ouvido.
- Não, mas sim me incomoda… pesas.
- Vão três vezes que me diz algo referente a meu físico… para valer te pareço gordo? –perguntou-lhe incorporando-se de repente com ar ofendido. - Por isso preferiste ao Veela? Ele é mais delgado que eu?
- Parece uma quimera, Harry… não está gordo, e inclusive é mais delgado que Abbatelli, pesas menos que ele e…
- Oh, cala-te! –pediu-lhe agitando as mãos como espantando imagens em frente a ele, o que causou um sorriso em Severus. - Não quero nem me perguntar como sabe quanto pesa esse fantoche.
- Bom, seguimos então com a classe? –questiona-lhe deixando de rir ainda que seus olhos ainda brilhavam divertidos. - Olha, aqui é onde usou o Imperius contigo.
- É um mau nascido! –grunhiu Harry voltando a recargar-se sobre os ombros de Severus, aproveitando para inocentemente deixar cair seu fôlego cerca da orelha do Professor.
Severus fingiu não se dar conta, mas Harry não conteve um sorriso ao notar a pele arrepiada de seu professor.
- Sei que não deveu usar essa maldição, Harry, mas não deve falar assim de um de seus professores.
- Já sei porque gosta beijar a Ângelo. –disse de repente. - É como o mel açucarada Verdade?... que raro, achei que não gostava de doce, Severus.
Severus olhou-lhe sem entender, quis fazer um esforço por compreender as incoerências de Harry, mas finalmente deu-se por vencido e ainda que temia perguntar, respirou fundo para armar-se de valor e não ter que se ir a dormir com a dúvida.
- Qual é a relação entre o que estamos falando e isso?
- Deixa-me pensar… será porque quando beija Ângelo te deixa um sabor a mel com açúcar nos lábios?
- Você como sabe isso? –perguntou confundido, agora que o dizia, sim, essa era uma provável sensação que tinha depois de beija-lo.
- Pois porque tenho a sabedoria que me dá a experiência.
- De que fala?
- De que seu amorzinho não é tão inocente como aparenta… ele me beijou.
- Mente. –respondeu sorrindo divertido. - Ai, Harry, já não sabe nem que inventar.
- Não estou mentindo, Severus!... recorda que o mentiroso é você. –espetou também lhe sorrindo, convencido de que agora as tinha de ganhar. - Posso provar-te que não te minto, Ângelo me beijou no dia que me levaste à enfermaria, se aproveitou de meu estado e de que você se tinha ido nos deixando sozinhos para beija-me.
- Não, Harry… o deve ter imaginado.
- Que não!... E tenho que te dizer que hoje a meio dia, usou seu encanto Veela para tentar me seduzir.
- Agora delira. –assegurou pondo-se de pé passeando de um lado a outro com nervosismo. - É mentira, tudo é mentira… Ângelo não pode fazer isso.
- Pois fez. –assegurou triunfante. - Levou-me a sua habitação contra minha vontade, foi aí quando recordei o beijo, porque te asseguro que algo me fez para que se apagasse de minha memória… lhe reclamei e ele não o negou.
- É que não pode ser, Harry, está confundido.
- Mas que néscio é, Severus! –exclamou irritado. - Ângelo está-te enganando, me beijou e aceitou que gosta!.. é mais, eu voltei a beija-lo para…
- Que você que?! –bramou furioso sujeitando dos ombros. - O beijou?!
- Si… Mas só para confirmar que gostava e…!
- Não quero que volte ao tocar! Entendeste-me, Harry?!... Não te penso permitir nem uma só vez mais!
Harry assentiu assustado pela mirada histérica de Severus… definitivamente tinha-se equivocado, as coisas sim saíram mau. Tinha tido uma importante informação em suas mãos e por seu proceder infantil não tinha sabido a aproveitar... E desesperado por isso, saiu apressadamente da sala, já sem saber que mais fazer para que Severus abrisse os olhos, mas parecia que estava enceguecido pelo Veela.
Mas contrário ao que Harry cria, Severus nesse momento ansiava ir a sua habitação e jogar a patadas ao atrevido Veela por ter ousado a tocar a Harry. Descargou toda sua fúria contra o que tinha enfrente, e até seus amados frascos de ingredientes terminaram no chão enquanto via a imagem de Ângelo na cada um deles.
Eram cerca das três da madrugada quando Severus já se sentiu o suficientemente acalmado para regressar a sua habitação e fingir que não sabia nada, mas devia averiguar se Harry não lhe tinha mentido em algo. Se adentrou na cama e em seguida sentiu como Ângelo o abraçava beijando-lhe o ombro apaixonado.
- Está cansado? –perguntou-lhe retesando contra o corpo de Severus.
- Um pouco… já é tarde.
- Está bem, durmamos.
Severus sentiu-se mau por recusá-lo, mas não se sentia desejoso de nada, lhe preocupava a possibilidade de que Harry lhe tivesse mentido, se já tivesse chegado a esses extremos para difamar a Ângelo não saberia que ia fazer com ele. Não queria lastima-lo mais, mas também não podia lhe permitir que inventasse infâmias contra quem se supunha era seu companheiro. Ao cabo de uns minutos soube que não poderia dormir sem despejar as dúvidas que tinha, e com macieza sujeitou o rosto de Ângelo, sabia que ainda não se dormia, apesar de que tinham pouco tempo vivendo juntos cria conhecer já quando sua respiração indicava um sonho real.
- Passa algo, Severus?
- Não, nada importante, só quero saber algo, Abbatelli.
- Que coisa?
- Disse que segundo o trato Veela, se eu te engano com outro, esse outro pode morrer, verdade?
- Sim, morreria quase em seguida.
- E se você me enganasse?... Também a outra pessoa morreria?
- Não… eu fui quem te reclamou como companheiro. Não é um Veela, então não pode me reclamar da mesma maneira… sei que é injusto, mas assim é o trato.
- Entendo.
- Teme que te engane, Severus? –perguntou algo alarmado. - Porque se é assim, te asseguro que não é verdadeiro… eu jamais te enganaria com ninguém, não há nenhum homem nem mulher nem Veela nem nada em todo mundo que me faça pensar em pôr meus olhos nele… só te amo a t único e o mais importante em minha vida.
- Sim… sei-o, e creio-te.
Severus sorriu beijando-o carinhoso. Cria em seu companheiro, mas agora não sabia que pensar, não se atreveu a lhe perguntar diretamente sobre as insinuações de Harry para não o ofender e também para não pôr em evidência ao garoto. Agora sabia que Harry sim podia ter recebido um beijo de Ângelo sem morrer e seu carinho lhe exigia lhe crer a ele, mas não podia se esquecer que ainda estava despachado e podia ter mal interpretado a situação, no entanto, isso era tão improvável… o qual queria dizer que um dos dois lhe estava mentindo e seu coração se resistia a aceitar o que as evidências mostravam.
Por sua vez, Ângelo ocultou sua turvação pelos questionamentos de Severus, e afundou-se em seus próprios pensamentos… "Porque faz-me essas perguntas?... Duvidará de mim?... Talvez Harry lhe terá dito que o beijei?... Não, não creio, Harry, contra tudo o que eu cria, sim se sente atraído por mim, me sinto confundido, todo o que pensava estava mau… Que vou fazer com Harry? Será que me está enganando? Mas isso não pode ser, senti sua atração por mim, ainda que, tenho de admitir que isso não garante nada, a maioria se sente assim, até Severus às vezes… Vou ter que me manter longe dele. Não quero que Severus se inteire jamais do beijo que lhe dei a Harry nem de porque o fiz, isso poderia me fazer o perder e não quero… Não quero perder a Severus!".
Ângelo não pôde conciliar o sonho essa noite, tratava de encontrar um modo de fazer calar a Harry, mas sem se meter em problemas. A hora de pôr-se em pé chegou sem que conseguisse lhe encontrar um benefício à noite, sem dormir e sem solução a sua situação. Só esperava que Harry não se atrevesse a dizer nada, após tudo, ainda era seu professor e por hierarquias sabia que o garoto as levava de perder, não podiam lhe crer mais a um jovem que sempre parecia enojado com o mundo… não, devia confiar em que ninguém tomaria em sério a Harry Potter.
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Uma manhã, Harry estava recostado sobre a cama, libertando em silêncio as penas de sua coberta, suspirando ocasionalmente quando sua mente pronunciava um nome em segredo, tão concentrado que mal sentiu quando Ron e Hermione se sentaram em frente a ele lhe observando com curiosidade em seu paciente labor.
- Algo te preocupa, Harry? –questionou-lhe Hermione.
- Não. –respondeu sem interromper-se.
- Tem estado muito raro ultimamente, colega. –terciou Ron. - Será melhor que te apresse ou chegaremos tarde a classes.
- Acho que hoje não irei a classes… tenho muito que fazer.
- Tecer um suéter, por exemplo? –debochou-se Ron ao ver a pequena montanha que Harry tinha formado de suas penas.
- Pode ser… quer um?
- Harry, não pode te ficar deitado somente porque se te cola a vontade. –lhe amoestou Hermione interrompendo lhe. - Ou é que quer que Snape te castigue por faltar a sua classe?
- Hoje é quinta-feira?! –perguntou levantando de um salto para correr ao banho. - Porque demônios não me recordaram desde o princípio?!... Achei que era quarta-feira!
Harry não se deteve a olhar os rostos assombrados de seus amigos, quem nunca na vida o creram capaz de reagir desse modo ante a sozinha ideia de ir a Poções. Harry estava histérico para então, tinha só quinze minutos para banhar-se, se arranjar, baixar a tomar o café da manha… café disse?... não, ele seguia a dieta, melhor esquecer do café da manhã, assim tinha mais tempo para luzir fresco e radiante ante seu professor. Vá, se tão só pensar nele o fazia suspirar com o coração alborotado de alegria.
Seus amigos não o tinham esperado, mas isso não se importou, ia correndo pelos corredores enquanto se voltava a banhar em sua loção favorita, aquela que levava no dia em que Severus lhe tinha beijado, e ao dar volta em uma esquina tropeçou com alguém caindo ao chão… tal como se lhe tinha feito costume. Esteve a ponto de expressar uma arqueada de náuseas ao ver que tinha caído justo em cima de Ângelo, mas ao recordar o sucedido na habitação de Severus, mudou rapidamente sua estratégia e lhe sorrindo, se acomodou sobre ele como se se dispusesse a passar no dia descansando sobre o Veela.
- Olá. –saudou lhe da forma mais sedutora que se lhe ocorreu.
- Harry?... Pode deixar que me levante? Tenho que ir dar classes.
- Não há pressa… é cedo ainda. –diz-lhe apoiando seus braços sobre o andar aos lados da cabeça de Ângelo para dessa forma manter seu rosto bem perto do seu e insinuar-se de maneira por demais provocativa. - Recorda que quando nos conhecemos também chocamos?... deve ter estado predestinado para nós.
- Não o creio. –responde rindo com incredulidade. - Mais bem indica que é um pouco atravancado e deve deixar de correr nos corredores.
- Disseram-te que seus olhos, vistos assim de perto, parece que têm um universo em seu interior, tão cheio de estrelas que dançam se parar?
- Acho que faz-te falta açúcar… não tomou café da manha?
- Não, não tenho fome sempre pensando em ti.
- Harry, esquece-te disso, faz favor. –pede-lhe fazendo a um lado, e para sua surpresa, Harry já não se opôs. - Não quero problemas, de modo que mais te vale que te aparte de mim e de Severus, não te convém dizer nem uma palavra. Aconselho-te não encaprichaste comigo… não vai suceder nada entre nós tem ficado claro?
Harry assentiu deixando-lhe marchar. Suspirou cansado.
"Que faz, tonto? -questionou-se recargando-se na parede. - Isto não está funcionando... melhor esquece-te do Veela. É em Severus onde pode encontrar a resposta ao que está sucedendo"
Em seu desespero, Harry não tinha nenhuma dúvida de que podia chegar a provar que Ângelo não amava tanto a Severus como aparentava. Olhou para a porta de seu salão de classes, fazia tempo deviam ter começado, Snape se molestaria muito por chegar tarde. Rapidamente limpou-se e alisou a túnica, rumiando por não ter podido chegar tão impecável como queria, tanto trabalho lhe tinha custado domar seu cabelo e agora luzia como sempre.
- De modo que honra-nos com sua presença, Potter. –disse-lhe Snape assim que entrou.
- Lamento-o, professor… posso passar?
- Não. Sabe que não admito alunos atrasados, de modo que saia de minha classe.
- Faz favor! –suplicou Harry ante o assombro de todos seus colegas, quem intempestivamente deixaram de escrever as instruções para observar aquilo tão inaudito. - Não quero me perder outra de suas classes, Professor Snape, posso me ficar castigado depois se você o dispõe, e..
- Potter!... Não penso tolerar que se deboche de mim!
- Não é deboche… Faz favor, me deixe me ficar, lhe prometo que não farei nada mau!... Posso inclusive ajudá-lo a classificar seus ingredientes após classe, parece-me que ainda não tem terminado. –sugeriu de uma forma tão inocente que só Snape compreendeu realmente suas ocultas intenções.
- Interessa-me manter o número completo de alunos em minha classe, Potter, de modo que não é necessário que se ofereça a ajudar no que é um inepto… Vá a seu lugar e se ponha a trabalhar, a ver se aprende algo.
- Sim, obrigado, Professor.
Harry obedeceu e intencionalmente ocupou o lugar mais afastado, agora estava mais que feliz de ter chegado tarde, outra vez estava sem colega, e ainda que não tinha nem ideia de como preparar a poção desse dia, nada podia lhe baixar o entusiasmo. Sobretudo quando ao estar agregando umas raízes de mandrágora, enquanto sussurrava pelo baixo, sentiu uma eletrizante presença lhe acercar para lhe falar.
- Anda muito feliz hoje. –comentou Snape com voz tão baixa que mal sim moveu os lábios. - Que é o que tramas?
- Nada, te prometi me portar bem e isso faço.
- A poção não a está fazendo nada bem, Harry… ainda não deveria agregar essas raízes, agora te aconselho que coloque um pouco de pó de megera para equilibrar a textura e…
- Talvez me está ajudando? –perguntou girando-se para ficar em frente a frente e sorrir-lhe, aproveitando que ele lhe dava as costas ao resto da classe. - Marcarei neste dia em meu calendário, Severus, assim não esquecerei a ocasião em que me deram vontades de beijar-te adiante de todo mundo.
- Regressa a seu trabalho. –ordena-lhe com nervosismo.
- Cheira muito bem sabe? –disse-lhe sujeitando do braço para impedir-lhe marchar-se como tentou fazer Severus. - Desde que deste-me a lavar teu túnica dei-me conta que gosto muito como cheira... Quando está tão perto se pode perceber tão bem!
- Harry…
- Sente o que provoca em mim… mas isso já o sabe Verdade?... Disseste-me que eu provocava o mesmo em ti.
Harry acercou lhe o suficiente para que ambos corpos se roçaram e ao comprovar o que o garoto lhe dizia, Severus retrocedeu com nervosismo, isso causou que empurrasse a um garoto de Gryffindor que pretendia se acercar a uma estante próximo por outro dos ingredientes. A consequência foi que ao frasco aberto que levava o aluno caísse sobre a poção de Harry. Ao ver isso, Severus se lançou sobre o rapaz cobrindo com seu corpo enquanto alertava aos demais de uma explosão iminente. Desatou-se um verdadeiro caos, alguns saíram correndo, outros imitaram a seu professor e se atiraram ao solo, em matéria de segundos tudo eram gritos, explosões, sibilos de vapores, ruídos de cadeiras ao cair, toda uma desordem.
Mas Harry não se dava conta de nada, tinha o corpo de Severus sobre ele, lhe cobrindo por inteiro com o voo de sua túnica, praticamente o garoto tinha desaparecido do mundo, não podia ouvir o escândalo, só a batida de seu coração e o de Severus. Não via nada, mas podia cheirar aquele aroma que desde um início o tinha hipnotizado, e sentia a pele do pescoço de Severus tão cerca de seu rosto… era cientificamente impossível ficar estático. Primeiro com um pouco de timidez sacou sua língua e acariciou o pedaço de pele que tinha a sua disposição, todo seu ser tremeu ante o sabor e o gemido que escutou da garganta de Snape. Em seguida, qual vil vampiro, lhe sugou com força conseguindo um grito de prazer enquanto ambos se arqueavam em busca a mais contato, percebendo seus ereções palpitando febrilmente uma contra a outra.
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Nota tradutor:
Hummmmmmmmmmmmmm
Mais um capitulo para vocês lerem
Espero que gostem
Vejo vocês nos próximos capítulos
Ate breve
fui
