Desilusão
Era uma sensação de paz absoluta, ter conhecido a felicidade de sentir-se amado por quem tinha-se chegado a idolatrar, acordar em seus braços depois de ter feito o amor freneticamente. Harry sorria em seu mundo de sonho e fascinação, nada podia ser melhor, sentia as mãos de Severus o rodeando por sua cintura de maneira possesiva e amorosa… e de repente, uma luz que o fez abrir as pálpebras com terror, uma voz que já não queria voltar a ouvir jamais pronunciando um feitiço.
- Obliviate!
Harry girou-se rapidamente sentindo o coração deter-se abruptamente. Ângelo estava aí com eles, apontando ainda a um inconsciente Severus. Um calafrio percorreu o corpo de Harry ao compreender o que acabava de suceder, era demasiado horrível para o crer, mas era verdadeiro.
- Que lhe fizeste, imbecil?! –gritou saltando sobre um furioso Ângelo. - É um maldito, idiota, vou matar-te!
- Obliviate! –gritou Ângelo apontando agora ao rapaz enquanto retrocedia.
Harry não levava sua varinha, nem ideia em onde tinha ficado depois de ter perdido sua roupa, mas graças a sua agilidade conseguiu esquivar o feitiço.
- Odeio-te, Harry Potter! –gritou Ângelo com lágrimas nos olhos. - Mas serei eu quem não te permita te sair com a sua!... Crucio!
Harry não conseguiu escapar e se retorceu no solo gemendo de dor ante a poderosa maldição do abandonado Veela. Lutava por não gritar ainda que temia que não ia poder se conter por muito tempo… a dor era insuportável.
- Vai sofrer como nunca por ter se atrevido a pôr suas mãos sobre ele! Juro-te!
- Não o toque! –ordenou-lhe ao momento de ver-se libertado da maldição, pois Ângelo deixou-lhe para ir por Severus.
- É meu, posso fazer com ele o que queira e agora mesmo me levarei daqui! Ele nunca saberá o que passou entre vocês e tudo voltará a ser como antes!
- Severus ama-me!
- É um estúpido ingênuo, isso não é verdadeiro, somente quis se deitar contigo, mas nada mais! Posso perdoar-lhe, após tudo, é pior que uma mulherzinha se oferecendo a todo momento!
Ao ver que Ângelo estava a ponto de se marchar com Severus e ele não via sua varinha por nenhum lado, Harry sentiu que a coragem e a raiva se diminuíam ante o medo que o embargo por Severus.
- Ângelo, não faça isto, faz favor! –suplicou desesperado. - Severus não te quer!
- Isso te disse? –respondeu sorrindo-lhe irônico. - Pois mentiu-te, claro que me quer, como supõe você que pude os encontrar?... Não tem sido o único para o que tem criado esta habitação, Harry.
- Mentiroso, não te creio nada!
- Não me interessa… me vou e o levo comigo.
Harry lançou-se para ele quando viu que o sustentava em braços, mas Ângelo fez um esforço para lhe enviar outro Obliviate, novamente Harry o esquivou, não ia permitir que lhe fizessem esquecer dessa noite.
- Combina-te com sua maldita memória! –gritou-lhe Ângelo furioso. - Será o único que tenha dele, se conforma, maldito promiscuo!
- Não deixarei que te leve!
- Se não quer que morra vai ter que te ficar calado!
Harry tomou aquilo como uma aterradora ameaça e o medo lhe paralisou. Viu como Ângelo cobriu o corpo de Severus com uma coberta para lhe levar. Tentou segui-lo, mas o Veela continuou enviando-lhe todo tipo de feitiços, alguns conseguiu esquiva-los, amaldiçoava não saber onde estava sua varinha, dessa forma poderia se defender, buscou afanosamente a seu redor, isso o distraiu e um dos raios lhe colou direto no tórax. Ângelo aproveitou que Harry ficava sem sentido para sair correndo o mais que lhe permitia o peso do corpo de Severus, se resistia a levita-lo, o apertava contra seu peito sentindo um pânico enorme por não conseguir o salvar.
O mais a pressa que pôde, Ângelo conduziu a Severus para seu despacho, aí o colocou suavemente sobre um cadeirão. Foi para as estantes e com algo de nervosismo selecionou um frasco que continha um espesso líquido ambarino que posteriormente deu a Severus para que bebesse. Apesar de que lhe custou trabalho pela inconsciência do homem, não se deteve até que não teve ficado nada da solução. Respirou fundo esperando que isso desse resultado e o mantivesse vivo enquanto realizava o contraveneno que Severus requeria.
Ângelo sacou o frasquinho que tinha tomado da sala precisa, o levou para uma mesa de trabalho onde se dispôs ao revisar, mal tinham ficado umas quantas gotas e tinha que as aproveitar ao máximo para reconhecer a cada um de seus ingredientes.
Levou-lhe um par de horas fazê-lo, mas por fim teve a fórmula do veneno que Severus tinha ingerido, lhe olhou sorridente, esperando poder reverter o processo no menor tempo possível, não podia perder nem um segundo, a bebida ambarina não funcionaria para sempre.
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Quando Harry abriu os olhos olhou a seu ao redor tentando recordar onde estava, a lareira seguia acendida, mas não tinha ideia de quanto tempo tinha passado desde que…
- Severus! –exclamou angustiado ao recordar que Ângelo lhe tinha levado inconsciente. - Tenho que ir com ele!
Rapidamente pôs-se em pé, buscou sua roupa para vestir-se e grunhiu ao descobrir sua varinha baixo um dos almofadões, onde tinha estado enquanto a precisava?... Tinha sido tão lento, por sua culpa Severus podia estar em perigo e isso não lhe perdoaria nunca!
Correu a todo o que lhe permitiam suas pernas, não se importava com o dor de seus músculos ante a vigorosa atividade da noite, sua prioridade era encontrar a Severus. Em seu caminho encontrou-se com alguns alunos que lhe olhavam intrigados, alguns com surpresa, mas não se deteve a averiguar o sucedido, baixou para as masmorras, usou sua varinha para adentrar-se na habitação de Severus… estava vazia, seu estômago se fez nodo.
Agora corria para o despacho, talvez pudesse o achar aí, ainda não amanhecia… estava confundido, que não tinha sucedido já quando Ângelo entrasse à sala dos requerimentos? Pensava isso sem deixar de correr, voltou a usar a varinha para abrir o despacho… nada outra vez. A sala de Poções também estava vazia, só lhe ficava um lugar ao qual ir e correu rumo à direção do Colégio, Dumbledore seguramente lhe ajudaria a encontrar a Severus. Ainda não chegava nem ao corredor onde se encontrava a gárgula quando sentiu que alguém o sujeitava do braço para atrair para um abraço que não esperava.
- Harry, alegra-me tanto que esteja bem! –exclamou Dumbledore abraçando-lhe com alívio. - Faz horas que te buscávamos por todo o castelo, temíamos que tivesses feito alguma barbaridade.
- O professor Snape? –perguntou arquejando cansado. - Onde está?
- Severus?... ele e Ângelo se marcharam faz um par de horas, Harry.
- Que?... A onde?
- A Itália. Ambos continuavam muito lastimados pelo confronto com Tom e seus comensais, de modo que me pareceu boa ideia que fossem descansar longe.
- Não!... Ângelo, não, faz favor!
Harry saiu correndo novamente deixando o Diretor perplexo ante a súplica que acabava de escutar, era algo que tinha escapado de sua sagacidade… de modo que Harry sentia algo por Ângelo?... lamentava-o tanto por ele, um amor impossível para um garoto que merecia a felicidade.
Harry saiu aos terrenos de Hogwarts, em seu alocada correria arrolou a vários de seus colegas, incluindo a Hermione e Ron que mal sim tiveram tempo para sorrir o ver são e salvo. Ele os ignorou por completo e não parou até chegar à grade de metal com os porcos alados a franqueando. Aí caiu de joelhos chorando desesperado, Ângelo tinha-o conseguido, levou-se a Severus com ele sem lhe importar nada… queria pensar que seria por pouco tempo, que Severus regressaria, falariam e tudo se solucionaria para bem, mas agora era muito doloroso saber que estava longe e não tinha ideia de quando voltaria ao ver.
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Nos dias que passaram Harry os viveu na enfermaria, sempre calado e ausente do mundo. Recusava-se a falar até com o terapeuta que o diretor tinha levado especialmente para ele, não queria que lhe falassem de Voldemort, sua dor já não era por ele, e não se sentia com força de confessar o que tinha sucedido, sua prioridade era esperar o regresso de Severus. Dumbledore pensava que sua visível tristeza se devia à lonjura de Ângelo aunado a sua comoção pela destruição de Tom. Os demais simplesmente pensavam que estava esgotado e precisava repouso. Não regressou a classes e permaneceu na enfermaria o tempo que faltava para sair de férias natalinas. Esse pensamento lhe entristeceu mais, não as desfrutaria em companhia de Severus e chorava em silêncio sempre que se encontrava só.
Olhava melancólico a cada amanhecer que se filtrava pela janela… "Me prometeu que veríamos juntos os amanheceres, Severus… se lembrará de mim?... quanto terá afetado o obliviate de Abbatelli?... Nego-me a pensar que possas te ter esquecido de nossa noite juntos, não quero!"
Aquela incerteza pressionava-o a cada dia mais, talvez Severus nem se lembrava do que sentia por ele… provavelmente Ângelo já lhe tinha lavado o cérebro todo esse tempo. Estava aprendendo a odiá-lo mais do que tinha detestado a Voldemort… mas já se encarregaria de lhe dar seu merecido.
Durante as férias Harry foi levado à Toca para que as passasse com os Weasley, ele tinha protestado debilmente, preferia a enfermaria, pensando que estando em Hogwarts poderia se inteirar de quando Severus regressasse, ainda se aferrava à esperança de que isso sucedesse cedo. Ninguém pareceu o escutar, se sentia mau de ver as atenções de toda essa família para com ele quando o único que queria era ver a outra pessoa muito diferente a eles. Fez um esforço por sorrir um pouco, mas a cada vez custava-lhe mais trabalho consegui-lo, até que em um dia Hermione e Ron se lhe acercaram à cama onde descansava em silêncio.
- Não quer vir a jogar um partido de quidditch conosco? –propôs Ron. - Assim pode relaxar-te um pouco, colega.
- Sinto-me cansado… será outro dia, obrigado de todos os modos. –respondeu com um tênue sorriso.
- Sempre está cansado, Harry. –comentou Hermione com preocupação. - Talvez deveríamos dizer ao Diretor para que envie a Pomfrey, ou levar a um médico, não acho que seja normal sua condição.
- Não quero ver médicos… estou bem, só cansado.
- Dá-me a impressão de que algo te preocupa, colega. –confessou Ron. - Não será talvez pelo professor Abbatelli?
- Que tem que ver o professor Abbatelli? –questionou Hermione sem entender.
- Nada. –apressou-se a responder Ron ao dar-se conta de seu indiscreto comentário. - Foi algo que disse sem pensar.
- Seus pensamentos nunca têm lógica, Ronald, deveria poder os organizar melhor… Que pode relacionar a Harry com o professor Abbatelli? –questionou com altivez.
Harry incorporou-se de um salto para olhar pela janela, uma ideia tinha chegado de improviso ao escutar a discussão de seus amigos… ainda tinha seus pensamentos, dessa forma conseguiria que Severus recordasse, a esperança ressurgia com a força de um avassalador rio que devorava qualquer tristeza.
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O resto das férias Harry luzia feliz, era tão estranho a mudança, mas ninguém protestava, ao invés, sorriam ao o ver rir por qualquer tolice, de ver aceitar radiante ir de compras para os presentes de Natal, de dançar emocionado com todos durante a celebração de Noite Boa… Harry parecia outro e este era o que todos desejavam ver sempre.
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Era ano novo, os jovens Weasley jogavam guerrilhas com Hermione e Harry, suspenderam a atividade quando Molly saiu a lhes avisar que Dumbledore acabava de chegar. Ante a menção do Diretor, Harry acentuou seu sorriso, sacudiu-se a neve enquanto corria ao interior, algo lhe dizia que nesse dia por fim teria notícias de Severus.
- Professor Dumbledore! –saudou lhe Harry sem reprimir-se de ir abraçá-lo feliz.
- Dá-me gosto ver-te tão contente, Harry. –assegurou o idoso correspondendo ao abraço. - Espero não ser ave de mau agouro com o que te tenho que dizer.
- Que? –perguntou ensombrecendo seu rosto. - Que tem passado?
- Nada mau, mas temos que regressar a Grimauld Place agora mesmo.
- Porque?... Têm voltado o Professor Snape e Ângelo?
- Não, mas… como sabes que se trata deles?
- Sucedeu algo mau? –questionou sem responder-lhe.
- Não, só estão fazendo algumas investigações no Londres Muggle, parece que alguns dos comensais que escaparam andam fazendo das suas, mas nada de que se preocupar, serão presa fácil para Severus.
- Eu sei. –disse sorrindo orgulhoso do homem que amava.
- Agora vamos, eles se reunirão conosco lá para nos dar a informação que precisamos. Talvez tenha que ir a Hogwarts baixo seu custodia, não queremos nos arriscar a que tentem te fazer nada.
Harry já não escutava nada, só se repetia mentalmente que nesse dia voltaria a ver a Severus, não quis se ir sem subir por suas coisas, era importante as levar consigo, sobretudo o penseira que tinha comprado sem lhe importar se gastar grande parte da herança de seus pais. Despediram-se dos Weasley que não entendiam porque não podiam acompanhar a Harry, mas acataram a decisão do diretor sem protestar, só Ron não dissimulava seu desgosto, ele queria averiguar se suas suposições sobre Harry e Ângelo eram acertadas, ainda que quase não tinha nenhuma dúvida de estar no correto.
Ao chegar a Grimauld Place a casa estava em silêncio, de modo que Harry subiu a sua habitação, deu-se um banho e mudou-se de roupa, usou uma calça escuro e uma camisa bege com vistas fazendo jogo com a calça. Ocupou o tempo todo necessário para amoldar bem seu cabelo e não luzisse tão desastroso, se felicitou pelo ter deixado crescer um pouco, isso facilitava o trabalho apesar de que ainda luzia algo desordenado, sua aparência era bem mais casual e atraente. Estava tão nervoso e emocionado por ver a Severus, não o fazia desde princípios de Novembro, que mal podia achar que já tinham passado tantas semanas.
Quando escutou uns ruídos procedentes do térreo, o coração lhe deu um viro quase doloroso, sujeitou seu Penseira e baixou correndo. Antes de entrar à cozinha foi ao estudo onde deixou a vasilha sobre a mesa. Ao sair pareceu-lhe escutar risos, sua pele arrepiou-se ao identificar a voz de Severus, e ao entrar toda sua alegria se esfumou dando passo ao monstro dos ciúmes.
Ângelo mantinha a Severus encurralado contra uma cadeira, sentado sobre ele, rindo divertido por algo que não lhe interessava saber. Dumbledore não lhes punha demasiada atenção estudando uns documentos que seus amigos lhe tinham levado. Severus foi o primeiro que viu a Harry parado na porta, seus olhos se alumiaram regressando a esperança para o garoto.
- Potter!... –exclamou pondo-se de pé e libertando-se de Ângelo dessa forma, sem fixar-se que tinha estado quase a ponto de atirar ao solo ante seu ato efusivo. -… de modo que já passa bem, é bom o saber.
Harry não pôde responder, ao o ver erguido foi incapaz de fechar a boca. Severus ia vestido como muggle, com uma calça ajustado a seu corpo, um suéter verde de pescoço alto que convidava ao abraçar e complementando o vestuário, uma fina jaqueta de pele negra que o fazia luzir esplendorosamente sexy. Seu cabelo atado com uma fita negra em sua nuca, alguns cabelos algo despenteados, seguramente pelo brinco de Ângelo, mas que lhe davam um ar tão sensual que Harry sentiu que seu entreperna revivia depois de semanas de longa espera.
- Está bem, Potter? –perguntou Severus olhando-lhe preocupado, ainda que sem mostrá-lo a ninguém mais que a ele. - Ficou-se mudo.
- Será que Harry também nota o formoso que luzes assim? –interveio Ângelo beijando a seu companheiro possessivamente. - Não me quiseste crer, mas deixou muitos corações rompidos no mundo muggle.
- É muito doce vê-los tão apaixonados, mas é importante que fale com você, Professor.
O tom imperativo de Harry que denotava os ciúmes que sentia fizeram que Albus levanta a vista e observasse a cena com interesse, que pretendia Harry querendo falar com Abbatelli?
- Severus não tem nada que falar contigo. –respondeu Ângelo tão rude que chamou a atenção de Albus. Que sucedia aí? Não era com ele com quem Harry queria falar? Porque Ângelo tinha essa voz tão agressiva que nunca lhe tinha escutado?.
- Não me interessa o que diga, Abbatelli! –respondeu Harry com a mesma agressividade.
- Harry! –reclamaram-lhe Severus e Albus ao mesmo tempo, ainda que este último ainda mais confundido desde quando Severus chamava a Harry por seu nome?
- Vamos falar e será agora mesmo e importo-me com um soberano amendoim se teu amorzinho se nega!
Harry caminhou para Severus e sujeitando da mão conduziu-o para a saída. Ângelo quis impedi-lo, mas depois de um segundo girou-se para sentar-se pacificamente em seu lugar. Dumbledore olhava à porta por onde tinham saído Harry com um dócil Severus que ele não reconhecia, e depois a um entristecido Ângelo que mantinha sua mirada sobre a caneca de chá… definitivamente algo estava ocorrendo entre esses três. Seria que Harry queria lhe dar ciúmes a Ângelo? Mas como se lhe ocorria o fazer com Severus quando todos sabiam que se odiavam a morte? E Severus, porque não se resistiu e deixou que Harry lhe levasse quando era óbvio que seu companheiro não estava nada contente com a ideia?... Albus propôs-se aclarar suas dúvidas, mas para isso devia falar primeiro com Severus, parecia que era o mais centrado em toda essa bagunça, ele poderia lhe ajudar a saber o que sucedia.
Harry conduziu a Severus para o estudo e fechou a porta depois deles, seu coração retumbava com violência dentro de seu peito, queria o abraçar e beija-lo até que já não pudessem mais, mas se conteve, primeiro tinha que saber quais tinham sido as afetações do Obliviate.
- Para que me trouxeste aqui? –perguntou Severus com nervosismo. - Harry, isto não está bem, se quer continuar com suas travessuras está bem, mas não adiante de Abbatelli, ele não se merece que lhe tenha gritado dessa forma.
- Abbatelli merece-se que o queime vivo. –murmurou para si mesmo.
- Escutei-te. –lhe reprendia sem poder evitar ser carinhoso. - Escuta, se está enfadado porque marchei-me depois do sucedido com o Senhor Escuro quero dar-te uma explicação, Abbatelli sentia-se mau, pediu-me que o levasse com sua família e não pude me negar, eu sinto.
- Ele te levou lá para te separar de mim.
- Equivocas-te, Abbatelli não tem ideia do que sente, ele…
- Do que sentimos! –aclarou apressadamente. - Eu sei que me ama, Severus, e sou muito feliz do saber!
- Equivocas-te, não quero lastimar-te, mas tenho elegido a meu companheiro, achei que o tinha aceitado.
- Aceitava-o, até que me confirmou de maneira inequívoca que a quem ama é a mim. –protestou sorrindo-lhe triunfante. - Recorda que foi me visitar à enfermaria depois de que acabasse com Tom?
- Sim, recordo porque?
- Ficou essa noite comigo.
- Não, não foi assim. Quis ficar-me, mas depois regressou Abbatelli e tive que me ir com ele porque estava mau.
- Não, isso é o que te fez pensar, Severus. Não pode me negar que não recorda o que passou essa noite.
- Tenho algumas lagoas, é verdadeiro… como sabe isso?
- Porque vi como Abbatelli te lançou um obliviate, quis fazer o mesmo comigo, mas o esquivei e…
- Harry… que tolices está dizendo? –perguntou pacientemente. - Nada disso é verdade, quando acordei ao dia seguinte compreendi que me tinha ficado dormido cuidando de Abbatelli, ele ainda estava muito machucado e tive medo por ele, de modo que nos marchamos a Itália para que estivesse em uns dias com sua família, isso é tudo.
- Não, te faltou a parte mais importante… o que passou antes do obliviate de Abbatelli.
- E segundo você, que foi o que passou?
- Esse é meu presente de Natal para ti. –respondeu sorrindo emocionado enquanto levava-o para o escritório. - Comprei este Penseira durante as férias, há uma lembrança mais que quero te obsequiar e que de seguro te encantará.
- Uma lembrança?
- Sim… vamos.
Severus deixou-se guiar por Harry para adentrar-se dentro do Penseira. Severus olhou aquela habitação sem reconhecê-la, não localizava em onde se encontravam.
- É a sala precisa. –disse Harry ao notar sua mirada confundida. - Aqui trouxeste-me aquela noite e confessaste-me que me amava.
Severus ia protestar, mas nisso, a porta se abriu e entraram eles dois. Viu o rosto surpreendido de Harry ao ver a habitação, viu-se a si mesmo lhe obsequiando a rosa e lhe dizendo "Te amo".
- Isto não pode ser real. –murmurou aturdido. - Eu não pude te ter dito algo assim.
- Isso cries?... Olha o que ocorre a seguir.
Severus observou como beijava a Harry, como o recostava sobre os almofadões e começava ao despir. Pôde ver-se a si mesmo desfrutando dessa pele que tanto desejava, e não pôde mais. Saiu apressadamente do Penseira com Harry depois dele.
- Não ficou a olhar a melhor parte. –disse Harry acercando lhe sedutoramente. - Fez-me o amor, Severus, repetiste-me muitas vezes que me amava, me prometeu que estaríamos juntos para sempre.
- Não… não o creio. –respondeu separando-se tão bruscamente que Harry se inquietou.
- Porque não quer me crer?... Estou-te mostrando!
- Não sei como conseguiu que isto parecesse real… mas não é, eu sei que não é!
- É real, Severus! Ambos vivemos a noite mais formosa de nossa vida, me confessou que me amava desde fazia tempo, que te sentia zeloso por Sirius, que sofreste por mim durante o torneio dos três magos, me disse tantas coisas!
- Não sei como sabe isso, mas…
- Já vê, o reconhece, sabe que não te estou mentindo, que o mentiroso é Ângelo!... Ele chegou enquanto dormíamos, te lançou um obliviate, quis me enviar outro a mim, mas falhou, me atacou com um crucio…
- Isso não é verdade! –gritou enfadado. - Abbatelli não é capaz de fazer isso!
- Sim ele é, estou-te dando a prova, segue olhando e verá do que é capaz de fazer esse Veela farsante!
- Não olharei nada, sei que tudo é um engano de sua parte, Harry!
- Severus!... Que demônios passa contigo? É que talvez essa nova aparência sua te secou o cérebro?... Entende que não te estou mentindo, não há forma de fazer!
- Não sei que pretende com isto, mas o que eu sei é que jamais enganaria a Abbatelli com ninguém, e muito menos contigo!
Severus sentiu que a bochecha lhe ardia com a bofetada que recebeu de Harry com suas palavras, sabia que era um erro, mas se atreveu ao olhar. Os olhos verdes jamais tinham refletido tanta desilusão e ódio, deu um passo para ele, mas Harry retrocedeu, foi ao escritório, e tomando o Penseira entre suas mãos o arrojou ao solo onde se avariou em mil pedaços, os pensamentos ficaram flutuando debilmente… Severus podia se olhar afundando no corpo de Harry… Quanto tivesse gostado que fosse verdadeiro, mas sabia que isso não era possível!... Nessa viagem tinha estado pesquisando, não tinha escapatória do reclamo Veela, e ninguém quis falar de sua maldição, o só a nomear lhes alterava se recusando a seguir falando ante o próprio espanto de seus antigos costumes, falou com quanto Veela conheceu, sabia que nenhum estava inteirado de era uma vítima desse reclamo e portanto não podiam lhe mentir, se assegurou perfeitamente que não tivesse a mínima possibilidade de ser enganado até que finalmente decidiu que a busca tinha concluído… de modo que, suas palavras eram reais, nunca enganaria a Abbatelli com Harry sabendo que isso lhe significava a morte.
- Fora de minha casa! –Ordenou Harry ao mesmo tempo que se agachado para olhar seus pensamentos com repulsão. - Odeio-te, entreguei-te minha vida e meu amor e não quer me crer, vale mais a palavra do sujo trapaceador que a minha, de modo que não quero voltar a te ver!
- Deveria arrepender-te de tentar-me enganar assim... repito-te, jamais o faria!
- Maldito! –gritou revolvendo com suas mãos os restos do Penseira para acabar com tudo. - Eu também não quero o recordar, eu devi deixar que Abbatelli me fizesse me esquecer de ti!... Odeio-te!
- Lamento que todo terminasse assim, Harry… tivesse querido que compreendesse que não era necessário ser inimigos, mas não tolerarei mais coisas como esta.
- Que dê o fora! Já!... Fora de minha vida, fora de minha casa, de meu coração… fora, Severus Snape, fora daqui!
Severus obedeceu e saiu dando um forte estrondo. Harry gritou furioso enquanto com sua varinha desfazia-se do Penseira que tinha comprado com tanta ilusão… tudo se tinha acabado, definitivamente já não queria saber nada de Severus Snape. Depois, quando o primeiro ataque de fúria passou, olhou para a porta e chorou mencionando o nome de quem tinha desaparecido por ela.
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Nota tradutor:
Mais um capitulo pronto para vocês espero que gostem... odeio esse veela maldito!
Vejo vocês nos próximo capítulos
Ate breve
Fui…
