A Farsa
Quando Dumbledore chegou à enfermaria, Harry e Severus estavam separados, cruzados de braços e volteando a cara para o lado contrário mantendo um gesto de absoluta repulsão entre eles. Era tão convincente sua atuação que Dumbledore inclusive caiu na armadilha e não pôde evitar se lamentar de que seus dois queridos consentidos continuassem com problemas. Apesar de saber que se amavam, sua situação parecia infranqueável e lhe doía se saber em parte culpada de todo aquilo.
- Disseram-me que… bom, disse Poppy que… é verdade, Harry? –perguntou acercando-se ao Gryffindor.
- Sim, estou grávido. –informou-lhe com voz quase gélida.
- Poppy, pode deixar-nos sozinhos? –pediu o Diretor a lhe enfermeira quem de imediato obedeceu, mas os rostos de seus protegidos não mudava. - O bebê… de quem é?
- Prefiro não o dizer, pelo menos até que "Ele" se vá. –respondeu Harry assinalando a Severus com ódio. - Não tem direito a estar aqui após que nem me achou que o Veela é um mentiroso.
- O único mentiroso é você, Potter. –assegurou Severus grunhindo enojado. - Olha que me fazer achar que estava perdidamente apaixonado de mim e quem sabe com quantos não te terá revolcado.
- É você um…! –gritou Harry tentando bofeteá-lo.
- Atreve-te e a pagará cara. –ameaçou Severus. - Já não penso me deixar condoer por ti, sua carinha de menino inocente já não te fica e mais te vale que não queira seguir passando como um doce célebre porque já sabemos que isso é o único que não és.
- Não me importo o que você pense! Largue-se de uma vez, este é um assunto que não lhe compete!
- Nisso tem razão, tenho muitas coisas mais importante que fazer. –respondeu Severus dirigindo à saída.
- Espera, Severus. –pediu-lhe Dumbledore e Severus ocultou um sorriso triunfante antes de girar-se a olhar ao diretor.
- Que se te oferece, Albus?
- Estou-me cansando desta situação… não me importo se querem-se matar, mas primeiro dizem-me de quem é o filho de Harry.
- E eu porque teria do saber?
- Não sei… me diz você, que faziam juntos que foi você quem trouxeste a Harry à enfermaria?
- Não estávamos juntos. Encontrei-me com Potter maroteando pelos corredores, como sempre, desobedecendo as regras, pareceu a ponto de se desmaiar de modo que pensei que o melhor era trazer à enfermaria. No caminho notei lhe algo estranho e me dei conta do segredinho que nos estava ocultando a todos… não há nada mais que dizer.
- Harry?
- "Seu" consentido não deve se meter onde não lhe chamam. –respondeu Harry. - Sobretudo quando me recusou, de modo que agora não tem direito a fazer pergunta, eu me acosto com quem me dê a vontade e não tenho porque lhe dizer nada a ele.
- Nem interessa-me, Potter. –assegurou Severus bufando zombador. - Fodendo a meia Hogwarts, pelo menos agora saberei que me vai deixar tranquilo.
- Por isso nem se preocupe, que desde faz semanas que nem me lembro de você.
- Pois que bem!
- Bem!
Dumbledore pôs os olhos em alvo ao vê-los terminar novamente desagradados, mas agora tinha algo mais delicado que tratar, de modo que se acercou à cama de Harry lhe sorrindo compreensivo.
- Entendo que se sinta confundido e alterado, mas deve deixar de te dirigir de modo tão incorreto aos professores, ainda quando estes se comportem como meninos malcriados.
- Albus! –protestou Severus indignado enquanto Harry estalava em gargalhadas.
- Disse-te menino malcriado! –debochou-se sem parar de rir.
- Ja! –exclamou Severus com um real cenho franzido. - Como se você fosse o exemplo que todo menino deve seguir como não!
- Não seja corajudo, Severus, isso é de meninos malcriados!
- Basta, Harry!
Mas Harry não podia deixar de rir, e Severus terminou por suavizar seu rosto e recostar-se a seu lado para o abraçar com grande carinho ante os olhos confundidos do diretor.
- Perdoa-me. –pediu Harry controlando-se para corresponder ao abraço. - Mas não pude o evitar, me impressionou que o professor Dumbledore te chamasse assim quando sempre é a mim a quem julgam de infantil. Não me volto a debochar, te prometo.
- Não te creio, mas está bem, te perdoo.
- Vocês… estão… loucos! –assegurou Albus sentando em uma cadeira em frente a eles. - Pode-se saber que é o que está sucedendo?
- Bem, me deixa te explicar, amigo.
Severus começou seu relato ao Diretor. Em muitas ocasiões a Albus custou-lhe trabalho concentrar-se, pois enquanto escutava ao professor de Poções sua mirada desviava-se aos dedos entrelaçados deste com Harry, ou os mimos inconscientes que o Gryffindor lhe dava a seu companheiro enquanto se mantinha repousando sobre seu peito, e se alegrou muito de se encontrar sentado quando se inteirou da paternidade do filho de Harry. No entanto, ao final seus lábios curvaram-se em um brilhante sorriso, via felizes às duas pessoas pelas que mais carinho tinha chegado a sentir em sua vida, e estavam juntos, o reclamo Veela não era tão infalível como cria, e o melhor… não brigavam.
- Querem fazer passar a Ronald Weasley como o pai de seu filho? –perguntou quando Severus guardou silêncio e esperou sua reação.
- É nossa única alternativa. –respondeu Harry. - Se Abbatelli inteira-se de que estou grávido, é lógico que suporá que é de Severus, por isso é melhor lhe fazer achar que é de alguém mais.
- Escutem, eu pude cair nesse conto de que continuavam se odiando porque não é nada raro, a viveram brigando desde que se conhecem, e sempre pensamos que o reclamo Veela não tinha falhas, mas Ângelo sabe que está indultado, Harry, e ademais, ele os viu essa noite… porque pensa que se crerá o fato de que seu filho é de outra pessoa?
- Não sei, mas pelo menos temos que o tentar. O importante é que ache que Severus o crê e que por isso já não me quer nem ver, com isso será suficiente para o tranquilizar um pouco.
- Está bem, podem contar comigo para lhe ajudar. Ainda me custa achar que Ângelo tenha sido capaz de tantas mentiras, de modo que não me fica mais que confiar em que fazem o correto… Assim que falem com o senhor Weasley e ele aceite, terei que ir tranquilizar a seus pais em seguida, ou Molly cairá desmaiada pela surpresa antes de querer preparar o casamento.
- Disse-te que isso passaria. –assegurou Severus triunfante. - Mas eu me encarregarei de que tudo lhes fique bem claro. Agora será melhor que descanse, Harry, lhe direi a Poppy que…
- Se pensa que me vou ficar aqui, se equivoca, Severus. –advertiu Harry levantando da cama. - Vim porque você insistiu, mas passarei a noite em minha habitação, estou farto da enfermaria.
- Claro que não, jovenzinho; fica para que Pomfrey possa terminar com sua revisão amanhã!
- Já o fez! –grunhiu exasperado. – você mesmo escutou que tudo estava bem, de modo que me regresso a minha caminha, ademais, tenho fome.
- Tem fome? E porque demônios não me tinha dito antes?! –lhe repreendeu molesto. - Chamarei a um elfo para que te traga algo aqui.
- Que não!... Irei à cozinha a ver que lhes posso roubar. Adeus.
- Não seja desobediente e regressa à cama! –ordenou Severus indo depois dele ante a mirada estupefata de Albus quem não se perdia detalhe do espetáculo. - Harry, estou-te falando, regressa agora mesmo!
- Que não! –ouviu-se a voz de Harry já no corredor.
Dumbledore não podia sorrir mais abertamente, quiçá sempre seguiriam brigando, mas agora suas vozes se escutavam tão carregadas de amor que não sabia como era que se lhe tinha passado por alto, temeu estar perdendo faculdades.
Minutos mais tarde, Severus olhava com assombro como os elfos corriam entusiasmados por toda a cozinha quando Harry lhes disse que tinha fome e aceitaria tudo o que se lhe oferecesse. Foi a sentar-se junto a ele, na banca, enquanto começavam a chegar suculentos pratos e sobremesas que faziam brilhar os olhos do Gryffindor.
- Te enfermará se come tanto. –advertiu-lhe Severus.
- Come comigo então, e assim me ajudará.
- O único que quero me comer é a ti.
Harry sorriu quando Severus lhe rodeou por sua cintura para o atrair para ele e beijar-lhe no pescoço, e ainda que desfrutava dessas caricias, a tentação por uns pêssegos cobertos com creme doce foi mais poderosa que nada, e ladeando a cabeça para que Severus continuasse com seu trabalho, ele se dispôs a devorar tudo o que tinha ante seus olhos.
- Não tem medo? –perguntou Severus ao ouvido enquanto acariciava o pequeno volume que representava o ventre de Harry.
- Nop. –negou com a boca cheia de doce.
- Não te creio.
- Vale, de acordo, sim tive-o e muito. –aceitou tomando um pouco de suco de abobora. - Mais bem acho que foi terror, mas parece que todos meus temores se foram de férias desde que captei o significado do que estava passando… a alegria que sinto, Severus, não dá espaço dentro de mim para outra coisa.
- Quisesse poder recordá-lo. –confessou tristemente escondendo seu rosto no pescoço de Harry. - É horrível não recordar o momento que sonhei por tanto tempo, e que ademais, culminou com a criação de uma nova vida, de nosso filho, Harry… Me dá tanta coragem que me tenham roubado essa lembrança!
- Severus, tenho a Penseira, podes vê-lo quantas vezes queira. –disse interrompendo sua comida para olhá-lo de frente carinhoso. - Não quero que se sinta triste por nada, bebê pode se sentir triste também. Melhor sorri, sim… faz favor?
- De acordo. –aceita obedecendo-lhe. - Jamais cri a Abbatelli capaz de nos fazer isso... não sei se possa o perdoar alguma vez.
- Hey, não mencione esse nome em frente a nosso bebê. –exclamou Harry levando-se as mãos a seu ventre como se quisesse lhe tampar os ouvidos a quem levava dentro dele. - Não quero que cresça com más vibras. Nosso bebê vai ser muito feliz sem importar o que tenha que fazer para o conseguir.
- Eu sei, eu também.
- Será formoso, Severus… é que já posso me imaginar! –exclamou emocionado girando-se de tal modo que colocou suas pernas sobre as de Severus para ficar em frente a frente e beija-lo. - Herdará seus olhos, e seus lábios… mas meu caráter, não quero que seja resmungão como você.
- Claro, seguramente você é uma perita em doce. –agregou mordaz enquanto escutava-lhe divertido. - O que espero é que seja tão ou mais inteligente que nós.
- Sobretudo que você, não gostaria que terminasse enganado tão facilmente por de uns olhos bonitos. –lhe recriminou zombadoramente. - Tem caído o mito do inteligente professor Severus Snape.
- Tonto!
Ao final terminaram rindo enquanto desfrutavam dos sobremesas que tanto coqueteavam ao estômago de Harry, este por fim se esquecendo de contar seus calorias, o único que queria era que seu bebê tivesse o que desejava. Ao dia seguinte, Harry tinha levado a Ron e Hermione à sala precisa, teve que lhe encarregar a Dobby um surtido rico de emparedados para que Ron não protestasse por faltar à hora da comida. No entanto, o ruivo esqueceu-se até das bandejas repletas de seus alimentos preferidos enquanto Harry contava-lhes sobre sua gravidez.
- Acho que me desmaiarei. –murmurou Ron com um débil fio de voz.
- Preferiria que não. –respondeu Harry sorrindo-lhe nervoso. - Ou pelo menos, tenta que seja em frente a todo o colégio, assim a atuação seria mais convincente.
- De que atuação fala, Harry? –perguntou uma ainda perplexa Hermione.
- Ron… amigo de toda a vida, com o que tenho compartilhado minhas rãs de chocolate e a quem considero um verdadeiro irmão, há algo que tenho que te pedir.
Ron empalideceu ante a evidente chantagem emocional de seu amigo, mas jamais se imaginou o que escutaria a seguir. Uns dez minutos mais tarde, Hermione e Harry ainda continuavam de joelhos, um à cada lado de Ron, se esforçando pelo fazer voltar em si, e quando o fez, ao ver a Harry em frente a ele retrocedeu espantado pelo solo até topar de costas contra a parede.
- Você se voltou louco! –titubeou aterrorizado. - Não, não, não e não, Harry, isso que me pedes não posso, qualquer coisa menos isso!
- Por favorzinho, Ron! –suplicou acercando-lhe gateando, mas o ruivo olhava a todos lados tentando encontrar uma saída que não tinha, ele mesmo se tinha encurralado em uma esquina. - Não te atreveria a te o pedir se não fosse muito importante, se não nos ajuda é possível que o Veela desapareça com o filho que espera de Severus, queremos nos dar tempo a que nasça e assim saber que fazer… Faz favor!
- Mas Harry…! Que vão dizer minhas admiradoras se me creem gay?
- Você não tem nenhuma admiradora, Ron! –exclamou Hermione finalmente. - Acho que deveria ajudar a Harry, não se está pedindo muito, será só por um tempo verdade?
- Claro. –respondeu Harry com um brilho cobiçoso em seus olhos ante as palavras de sua amiga, mas em seguida voltou a olhar a Rum, primeiro o problema era que ele aceitasse. - Ron, farei o que me peça a mudança deste enorme favor, posso te comprar boletos para ver os partidos dos Chudley Cannons de por vida… te presenteio o que você queira!
- O mapa do maroto. –respondeu Ron malicioso.
- Que?
- Ron, isso é ser traiçoeiro! –grunhiu Hermione.
- Está bem, só me empresta pelo resto do ano escolar.
- Feito! –aceitou Harry oferecendo-lhe a mão em sinal de um pacto. - Então, o fará verdade?
- Bem, mas não diremos que sou gay, senão bissexual… não quero espantar admiradoras. –condicionou provocando que Hermione franzisse o entresseio.
- De acordo… e com respeito a ti, Hermione, amiga minha, a quem vejo como a uma mãe e uma irmã ao mesmo tempo, e cujos conselhos e sabedoria me fizeram sobreviver até o dia de hoje, e por quem também, ao igual que com Ron, seria capaz de dar a vida…
- Acho que toca-te, Hermi. –riu-se Ron vendo como sua amiga empalidecia enquanto tentava discretamente se afastar de Harry.
Hermione quase chorou ao ver que Harry a sujeitava da mão para lhe impedir fugir, mas escutar sua petição foi do mais peculiar, passou do vermelho ao verde passando por diversas tonalidades pálidas e amarelas enquanto Ron comprovava que não deveu se ter debochado de sua amiga, pois também não sairia bem livrado das ocorrências de Harry para com Hermione.
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Ao chegar no sábado, Harry luzia feliz, era o grande dia esperado por ele e Severus, de modo que não se importou com as caras aterrorizadas de seus amigos nem ter que os conduzir quase arrastando para a sala de poções onde Severus lhes esperava para levar a cabo o plano. Ron e Hermione colocaram-se muito juntos, atemorizados pela imponente presença do Professor assim que entraram ao salão, apesar de que era o companheiro de seu amigo, naquele lugar seguia sendo o mesmo tipo odioso que passava a vida lhes restando pontos a sua casa, e nessa ocasião, não os recebeu de uma maneira diferente, mal sim os olhou como se olha a um par de escaravelhos que serviriam para realizar uma poção.
- Bem. –começou Severus tomando um copo de cristal que já tinha preparado sobre sua mesa, tinha um poção estranho que Hermione reconheceu de imediato pelo que não pôde evitar retroceder depois de Ron ao o ver se acercar a ela. - Isto é para você, suponho que Harry já lhe explicou todo o que tem que fazer.
- S-sim. –respondeu nervosa.
- Harry, coloca o que falta para que a Senhorita Granger possa o beber.
Harry assentiu feliz e arrancou-se um par de cabelos para verter sobre a poção de Hermione quem ainda lhe olhava suplicante, esperando que seu amigo se retratara de seu atrevido plano, mas Harry não dava mostra disso, ao invés, luzia realmente emocionado.
- Tranquila, Hermione, vai divertir-te muito.
- Não o creio. –murmurou olhando a Ron.
- Sei que será algo repulsivo, mas se acostumará.
- Repulsivo será para mim. –comentou Ron ante o desgosto de seus amigos que ele não captou pelo nervosismo que lhe dava ver a Snape quase com um sorriso ao os ver tão alterados.
- Bem, basta de tanta perda de tempo. –interrompeu lhes Severus. - Trouxeram os trajes?
- Sim. –respondeu Harry. - Que fazemos agora?
- Primeiro, a senhorita Granger deve beber já a poção e todos podemos nos mudar para estar prontos para a festa.
Severus transformou uma classe para que servisse de biombo a Hermione, enquanto eles três se mudavam e se colocavam suas vestuários. Só Ron se estremeceu ao escutar o gemido de inconformidade de Hermione depois do painel, mas não disse nada e continuou se mudando de roupa. Harry fazia o mesmo, sem dar-se conta que enquanto o fazia, Severus lhe olhava fixamente. O homem tinha ficado anelado observando as pernas nuas do garoto enquanto mudava-se e em lugar do uniforme escolar agora luzia uma calça de veludo negro que se ajustava perfeitamente a seu corpo. Mas enquanto via-lhe tirar-se a camisa obrigou-se a desviar a mirada antes de ter um pequeno contratempo com certa parte ansiosa de seu corpo, no entanto, não podia evitar jogar uma olhadela de vez em quando e em um desses olhares ficou a admirar como Harry se abotoava uma camisa branca de mangas longas e babados que ocultavam seu pequeno ventre ainda por cima um colete do mesmo material que sua calça, sua maneira acalmada e suave de realizar a cada movimento lhe dava um encanto intensamente sensual. O coração de Severus batia desbordante, podia sentir o sangue percorrendo lhe o corpo para ir concentrar-se em seu entreperna… já não lhe era possível deixar do observar.
Quando Harry se sentou para dar nó as longas cadarços que se trançavam à frente de suas botas de pele, sorriu ao ver que Severus se apressava ao ajudar se ajoelhando adiante dele para evitar que se esforçasse demasiado. Ron teve que parar enquanto se ajustava o cincho de camurça que cernia seu cintura ao ver o que seu professor fazia, tivesse dado o que fosse por ter uma câmera nesse momento, o que tinha ante seus olhos não era coisa de todos os dias, e muito menos o sorriso que cruzavam os que tinham sido inimigos até fazia tão pouco tempo. Era realmente estranho ver a maneira coquete em que Harry apartava as mechas do rosto de Severus aproveitando para o acariciar, mas não mais estranho que o homem buscasse seu palma para beija-la se esquecendo por completo que não estavam sozinhos. Ron olhou a todos lados buscando afanosamente uma saída quando as mãos de Severus abandonaram momentaneamente seu trabalho e se deslizavam lentamente para acima pelas coxas de Harry.
Nesse momento saiu Hermione e toda a atenção se centrou nela, ou melhor dito, nele, algo que Ron agradeceu com a alma, não sabia como fazer para lhes recordar sua presença. A garota agora luzia como um clone perfeito de Harry, inclusive com seu pequeno volume no ventre que se for o caso se acentuava em lugar de dissimula-lo como com Harry, devido a uma camisa verde escuro com um cinto como peto e uma calça de algodão cingidos ao corpo. Severus não pôde evitar lhe olhar com um bobo sorriso, pensando que gostava muito ver como Harry luzia de grávido.
- Estou aqui, amor. –lhe repreendeu Harry obrigando-lhe a olhar aos olhos. - Recorda que eu sou o verdadeiro?
- Sim, perdão. –desculpou-se regressando a dar nó as botas de Harry.
- Seguro que isto está bem? –questionou Hermione indecisa. - Porque melhor não beberam a poção polissuco vocês?
- Estou tentado a restar-lhe todos os pontos existentes para Gryffindor, Senhorita Granger. –murmurou Severus. - Harry não pode o beber porque está grávido e isso poria em risco a nosso bebê, e não tem caso que eu o faça se a intenção é distrair a Abbatelli e que Harry e eu tenhamos tempo para nós… já entendeu ou quer que lhe volte a explicar agora com maçãs?
- Não, já entendi. –respondeu Hermione envergonhada.
- Bem, garotos… -interveio Harry. -… você já estão prontos, podem ir à festa e começar o show, confio em que o farão bem.
- Eu confio em que saiamos vivos desta. –murmurou Ron antes de oferecer-lhe seu braço com nervosismo a sua amiga.
Harry viu sair a seus amigos sentindo-se profundamente agradecido por eles, tanto que se prometeu os recompensar em grande pelo grande favor que lhe faziam.
- Pobres, estão muito nervosos. –comentou Harry ao ficar só com Severus.
- São bons brutos. –respondeu indiferente. - Agora nos toca a nós.
- Estou ansioso de saber de que nos disfarçaremos para que não nos reconheçam! –exclamou emocionado. - A propósito, acho que não te disse que te vê muito sexy vestido dessa maneira, Severus.
- Eu me sinto ridículo, mas foi ideia de Albus que se tratasse de disfarce, e como agora nos convém melhor não me queixo. –assegurou olhando em um espelho que tinha colocado junto à parede, levava uma calça de pano vermelho escuro com uma jaqueta negra cobrindo uma camisa de vistosos babados de seda branca. - Juro que terminando a noite queimo esta roupa!
- Nem ocorra-te! –ameaçou Harry fixando seus olhos luxuriosos sobre o marcado traseiro de seu professor. - Imagino-me muitas formas em que possamos voltar às usar, Severus, e te asseguro que gostará.
- Para valer? –perguntou voltando a acercar-se, tomando-lhe da cintura provocativamente.
- Sim, mas agora diga-me como vamos complementar isto para que não nos descubram.
- Toma. –disse sacando de uma gaveta de sua mesa duas pequenas mascaras de veludo e lantejoulas que combinavam com seus vestuários. -Devemos pôr-no-los.
- Ah, sim… -comentou sarcástico Harry enquanto colocava-se a mascara negra. -… seguro todos dirão quando me vejam "Onde está Harry?" e eu me tirarei e surpreenderei a todos gritando "Aqui estou!".
- Não sei de que fala, Potter. –respondeu resmungão.
- Severus, com esta mascara tão pequeno todos saberão quem somos.
- Mas a mascara devemos de levá-lo porque é parte da ilusão.
- Agora sou eu quem não te entende.
- Volta a pôr-te, mas agora olhando ao espelho.
Harry obedeceu a relutantemente, e sem muita fé, colocou-se o disfarce olhando ao espelho, de imediato o reflexo mudou e encontrou-se com um garoto de sua mesma idade e complexão, mas totalmente diferente, seu cabelo era loiro e caía em suaves ondas até por embaixo de seus ombros, seus olhos tinham mudado adotando uma tonalidade azul intensa e seus rasgos faciais eram visivelmente mais delicados, o qual não lhe agradou muito.
- Severus, pareço uma menina!
Severus riu enquanto acercava-se para abraçá-lo e dar-lhe um suave beijo nos lábios.
- Uma menina formosa, se permite-me dizê-lo.
- Não quero ser uma menina! –protestou tirando-se a mascara e regressando a ser o mesmo de sempre.
- Não seja melindroso, fiz estes disfarces com todo meu carinho e estou convencido de que te vês muito bem.
- Não sei… -murmurou voltando a se colocar a mascara para olhar ao garoto loiro em frente ao espelho e voltar a rosnar. -… acho que me pareço aos Malfoy.
- Em sério? –perguntou Severus interessado. - Não me tinha dado conta, mas acho que sim.
- Espero que não esteja cumprindo alguma suja fantasia com isto. –ameaçou molesto. - Pobre de ti se me inteiro que gosta de Draco que horror!
- Draco?... não, mais bem se parece a Lucius quando íamos ao colégio.
- Severus! –gritou colando com o punho no peito.
- Isso doeu! –queixou-se sem poder evitar rir dos ciúmes de Harry.
- A mim me doeu o que disse!... E não quero ser loiro!
- Harry, era uma broma, nenhum dos Malfoy me interessa Palavra de arrogante professor de poções!
- Está bem, confiarei em ti. –murmurou ainda algo molesto. - Mas agora me mostra como te vês com a mascara.
Severus assentiu e colocou-se a mascara vermelho escuro e em seu lugar apareceu um homem de longo cabelo índigo tão macio e brilhante que refletiam linhas em tons azuis mais claros. Seus olhos negros mudaram a uma cor violeta e seu nariz voltou-se ligeiramente mais estilizada. Harry olhava-lhe sem piscar, perplexo pela beleza exótica que se mostrava ante seus olhos e sem perda de tempo se lançou sobre Severus beijando-lhe tão apaixonadamente que o professor teve que se sustentar da mesa a suas costas para não cair. Tirou-se a mascara para ter mais liberdade de movimento e de imediato Harry voltou a colocar-lhe provocando que o homem lhe apartasse com firmeza.
- Não me diga que te excita esta imagem tão ridícula! –exclamou molesto.
- Muito! –exclamou lutando por voltar a colocar-lhe a mascara.
- Não quero!... é um desvergonhado ao dizer-me que gosta mais que de eu.
- Eu não disse isso… mas me encanta te ter dado uma colher de sopa de sua própria medicina, a ver se assim deixa de me olhar tão embobado quando me faço loiro.
- Bem, somos um par de zelosos de nós mesmos, é um fato de que Albus tem razão e nos voltámos loucos.
Harry riu-se e Severus não pôde mais que fazer o mesmo, agora só faltava uma coisa, sair com seus disfarces, desfrutar a velada e esperar a que Ângelo não os descobrisse, o qual soava quase como um milagre, mas estavam demasiado emocionados para se deter ao pensar.
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Nota tradutor:
Mais um capitulo pronto espero que tenha gostado dos disfarces! Esse veela mau-nascido merece mesmo :p
Vejo vocês nos reviews
Ate breve
Fui…
