Naturezas

Como se dizer adeus depois de uma noite onde se voltaram um só?

Que importava ser prudentes quando quiçá o que desejavam era ser descobertos?

Severus e Harry se beijavam no corredor que conduzia para a entrada à Torre Gryffindor, mal sim retrocederam um par de passos para a escuridão quando escutaram que alguém se acercava, mas não se separaram, comiam alvoraçados de seus beijos, gemendo ante a ansiedade de regressar a sala abandonada, a tentação era imensa. Severus foi quem reuniu forças primeiro para separar-se e ao recordar que ainda levava posto seu disfarce da noite anterior compreendeu que era um risco para que fossem descobertos

- Devemos regressar a sala de Poções, Harry. Não pode entrar vestido assim à Torre, se teus colegas te veem saberão que não era o mesmo que estava com Weasley.

- Se, e a seu amorzinho lhe dará um infarto se sabe que foste à festa sem ele.

Severus sorriu, sabia que Harry já não chamava assim a Abbatelli pelo fazer rabiar, agora tinha mais relaxação em sua voz, um modo de não se tomar tão sério o fato de que Ângelo ainda existisse em suas vidas pese a tudo. Tomados da mão empreenderam o caminho para as masmorras, algo que resultou toda uma aventura, riam divertidos olhando sempre dantes de dobrar por algum corredor, correndo a se esconder travessos quando viam a alguém se aproximar, jogando a se espantar o um com o outro. Nenhum quis usar sua varinha simplesmente para passar despercebidos, a emoção era maior desse modo, e quando finalmente estiveram dentro da sala de poções, voltaram a esquecer de suas intenções de se mudar de roupa e simplesmente se desfizeram da que levavam em cima.

Tinha algo que Severus queria recordar, mas ao não conseguir, não podia se despedir sem ter de novo a experiência. Sujeitou a Harry da cintura para colocá-lo sobre a mesa e sem sequer avisar, apoderou-se do membro do garoto com sua boca. Harry se recostou sobre a plana superfície, com suas bochechas acendidas de prazer, seus dedos afundando-se na negra cabeleira de seu amante, acariciando lhe mais que lhe apressando.

Severus sentiu-se feliz quando ao fim pôde sentir um líquido quente deslizar por sua garganta.

- Esta noite… -disse-lhe quando voltou a erguer-se e Harry lhe correspondia masturbando e ele afundava seu rosto no pescoço do rapaz para beija-lo. -… quero que venha esta noite.

- Virei sempre que peça-me.

Severus assentiu, abraçou-se de Harry enquanto o garoto continuava massageando repetidamente até que sua mão recebeu a descarga de Severus e ambos se olharam satisfeitos.

No dia passou muito lentamente para Harry, tinha ficado de estar na sala abandonada à meia-noite e as horas pareciam ter-se detento, o único que lhe ficava por fazer era olhar como os ponteiros dos relógios avançavam muito devagar, buscava afanosamente algum que marcasse mais adiantado o tempo, mas até os relógios pareciam se ter confabulado contra ele, nenhum queria o ajudar. Para Severus não era demasiado diferente. Teve que se combinar com Ângelo em sua habitação enquanto ambos revisavam os deveres dos estudantes a seu cargo. Evitou falar-lhe, não queria que nada enturvara o fato de sentir a Harry ainda dentro dele, de suas caricias lhe percorrendo a pele inteira, não queria voltar a perder outra lembrança. De modo que quando Ângelo terminou seu trabalho e se lhe acercou com toda intenção de abraçar, Severus se levantou de seu assento fingindo ir por uns livros de sua biblioteca pessoal.

Isso não destemeu ao Veela, voltou a lhe acercar para o rodear pela cintura tão firmemente que a Severus já não lhe foi possível escapar, ainda que odiava não poder lhe gritar o que pensava dele.

- É tarde, deixa já esses trabalhos que são para a terça-feira, agora podemos fazer outras coisas.

- É meu dever continuar, não deixarei para nenhum outro momento minha responsabilidade.

- Prometo-te ajudar-te manhã e todos os dias com essas redações. Agora veem comigo, faz favor.

Severus olhou seu relógio, eram as dez da noite. Pensou que o melhor seria lhe seguir a corrente e conseguir que se dormisse, assim poderia se marchar a meia-noite sem que o notasse. Friamente tirou-se bata-a que levava sobre seu pijama e se meteu baixo as mantas. De repente, seus olhos fixaram-se em Ângelo, quem fazia o mesmo do outro lado da cama, olhou seu ventre, era demasiado plano ainda, mas quis pensar que era pelo pijama que não lhe deixava apreciar o volume que já devia ter.

- Passa-te algo, amor? –perguntou Ângelo recostando-se a seu lado. - Noto-te estranho.

- Abbatelli… Porque não se te nota a gravidez? Já deve de ter em alguns meses e não parece que estivesse esperando um filho.

- Acho que faz-te falta ler mais sobre Veelas. –respondeu sorrindo-lhe. - Nós não mudamos nossa estrutura física com a gravidez, Severus, é algo genético, tão absurdo como o encanto Veela, mas como por milênios foi nossa melhor arma de ataque e defesa, não podíamos nos permitir alterar nosso atrativo. Meu bebê está-se gestando dentro de seu próprio microuniverso, chegará a termo sem necessidade de engordar nem coisas pelo estilo.

- Não poderei o sentir nunca? –perguntou desiludido.

- Claro que sim! –exclamou emocionado. - É seu pai, o único que pode o fazer, a ninguém mais se lhe permitiria. Dá-me sua mão, te darei um presente que não esquecerá nunca.

Severus duvidou, mas finalmente estendeu sua mão. Ângelo colocou-a com cuidado sobre seu ventre. Em um princípio não se sentia nada, era só um músculo firme, mas de repente, um calor emanou pela pele de Ângelo percorrendo o braço de Severus até alojar-se em seu coração. O Veela instou-lhe a fechar os olhos e ao obedecer, Severus sorriu, uma imagem apresentou-se ante ele, não era muito nítida, mas podia identificar os contornos, era seu filho lhe apresentando… o som de um eco longínquo se aninhadas em seus ouvidos, não podia ser seu imaginação, era uma vozinha lhe chamando.

- Abbatelli… é meu filho! –murmurou emocionado com um nodo na garganta.

- Bom, em realidade é sua filha. –lhe aclarou beijando-lhe suavemente nos lábios. - E asseguro-te que será formosa.

- Uma menina? –repetiu abrindo os olhos que brilhavam de felicidade. - Terei uma filha?

- Sim, teremos uma filha.

- Desde quando o sabe? –perguntou interessado.

- Desde faz um par de dias. Queria dizer-te ontem à noite após a festa, era meu presente de San Valentin para ti, mas regressaste demasiado tarde da missão de Albus… bom, não importa, estou feliz de que já o saiba e te ver contente por isso.

- Sim, estou muito feliz!... Obrigado, para valer que nunca esquecerei este presente.

Ângelo assentiu contente e abraçou-se de Severus com a alegria que dava ter feito sorrir ao homem que amava. Severus não teve coração para o recusar, nesse momento estava tão feliz que nada lhe parecia importante comparado ao fato de saber o pai dessa menina que irradiava tanta ternura e carinho.

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A capa de sua túnica voava ante a velocidade que levava, Severus corria desesperado pelos corredores, subindo as escadas de dois em dois, às vezes de até três degraus, não se deteve nem a tomar ar, continuava correndo sem lhe importar que o oxigênio não chegasse a seus pulmões e o coração parecesse estar a ponto de lhe sair pela boca.

"Não, não pode me estar passando a mim!... Maldição! Porque tive que me ficar dormido?... que estúpido, que estúpido fui!"

Seus pensamentos não lhe ajudavam, era angustiante recordar ter acordado em braços de Abbatelli quando queria estar em outros. Eram quase as seis da manhã, seguro Harry estaria furioso e não lhe faltaria razão, mas lhe suplicaria perdão assim tivesse que o fazer de joelhos.

Ao entrar a sala o viu, estava sentado apoiado sobre a cabeceira da cama, com suas pernas encolhidas abraçando-se a si mesmo, nessa ocasião não tinha fogo que o esquentasse e o vento soprava ruidosamente como lhe reclamando por seu abandono. Mas quando Harry se voltou ao olhar não tinha nenhum sinal de enojo em sua mirada, ao invés, suas olhos verdes se alumiaram felizes ao mesmo tempo em que sorria.

- Veio! –exclamou saltando da cama para correr a recebê-lo. - Eu sabia que não me falharia, sabia que podia confiar em ti!

- Harry, perdoa-me, sinto tanto! –pediu recebendo em seus braços.

- Não, está bem. –assegurou despreocupado. - Entendo, sei que não sempre se poderá, não há problema, Severus. Mas tem chegado justo a tempo para ver o amanhecer ficará um pouco mais, verdade?

- Sim, veremos juntos como sai o sol.

- Prometo-te que já não gritarei como louco, me portarei bem.

- Gosto que seja de um louco.

- Para valer?... espero não se arrependa depois de suas palavras.

Severus sorriu ante a divertida advertência de Harry, qualquer de suas loucuras eram sua alegria de viver, as receberia feliz. Suavemente conduziu-lhe para a janela, voltando a cobrir com seu corpo para que não tivesse mais frio. Voltaram a ser testemunhas do milagre de um novo dia, nesta ocasião, beijando-se longamente dantes de que Severus decidisse que não se ia ir sem lhe demonstrar quanto lhe queria. Fez-lhe o amor sem importar-lhe a hora, sem tomar em conta pressas nem nada mais. Harry era feliz, a angústia da longa espera ficava no esquecimento ao sentir como Severus voltava a tomar posse de seu corpo e lhe jurava amor eterno enquanto se enterrava fundo dentro dele.

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Essa tarde, ao chegar ao comedor com Abbatelli caminhando pressuroso depois dele. Severus conteve uma expressão de assombro ao descobrir uma rosa vermelha repousando sobre seu prato. Inconscientemente olhou para o lugar de Harry e viu-lhe enviando-lhe dissimuladamente um sorriso enquanto fingia conversar com seu suposto noivo.

- Que significa isto? –perguntou Abbatelli sustentando a rosa, olhando com o cenho franzido.

- É formosa, Abbatelli, obrigado.

Severus tirou-lhe a flor enquanto sorria-lhe. Ângelo não respondeu nada, se sentou em seu lugar olhando desconfiado à cada um dos alunos. Seus olhos detiveram-se em Harry, via-lhe muito feliz, acariciava com doçura a bochecha de um enrijecido Ron, ainda se lhe fazia incrível que Harry tivesse esquecido a Severus, seu coração lhe advertia que devia ter cuidado. Preferiu não aclarar que não era o responsável pela rosa, e ainda que era provável que se tratasse de uma broma, não deixaria de se manter em guarda.

- Não te parece que exagera um pouco? –perguntou Ron baixinho quando Harry lhe cortava sua bisteca em pedacinhos pequenos.

- Não se queixe. –respondeu Harry inclinando-se para falar ao ouvido, conseguindo que a metade do comedor se lhes ficasse olhando com curiosidade. - Só quero que se note quanto te consinto e te quero, Ron.

- Está-me envergonhando. –replicou, fingindo ante seus colegas que se encontrava feliz com o despegue de carinho de seu amigo. - Faz favor, Harry! Não podemos levar um namoro normal, sem necessidade de tanto abraço?

- Isso te parece normal?... se visse-me com Severus.

- Acho que já tenho visto demasiado… agora deixa minha comida em paz e se senta bem. Não sei como Snape te suporta.

Harry sorriu e obedeceu, mas antes deu-se o gosto de dizer-lhe um "eu também te quero muito" que puderam escutar quem se encontravam a seu ao redor. Por sua vez, Ângelo continuava ao pendente deles, e de relance observava como Snape comia sem aparentemente se dar conta de nada.

"Pretenderá dar-lhe ciúmes?" Pensou Ângelo. "Parece que a Severus não se importa… isso o notará esse tonto Gryffindor?... Bem, não importa o que esse menino tonto pretenda, não vai conseguir nada. Que siga com Ron, seja verdade ou seja mentira, mas enquanto se mantenha afastado de Severus tudo estará bem!"

Ângelo não podia saber que Severus, pese a sua aparente indiferença, repetia mentalmente uma frase que afogava seu desejo de enviar uma maldição para a mesa dos Gryffindors... "Odeio aos Weasley, odeio aos Weasley, odeio aos Weasley!"

A meia tarde, enquanto o professor Snape dava uma classe com os alunos de quinto ano, todos se tensaram ao escutar que alguém tocava à porta… quem poderia ser o ousado que se atrevesse a interromper uma classe do professor de poções?

Severus abriu a porta furioso, mas o sangue baixou-lhe aos pés ao encontrar-se com uma coruja que reconheceria onde queira. Hedwig entrou, deu uns giros por todo o salão e finalmente deixou cair um pequeno pacote nas mãos do professor e sair voando antes de que pudesse dizer algo.

- Se algum de vocês se move um centímetro de seu lugar podem ir buscando uma explicação do porque perdem toda possibilidade de se ganhar o troféu das casas! –bramou Severus antes de sair dando um forte estrondo.

Ao ficar só no corredor, rapidamente desenvolvia o presente, tão ansioso como se fosse um menino pequeno. Seus olhos negros destelavam da emoção e teve que calar um riso para que seus alunos não lhe escutassem desde o salão, mas era feliz de ver que as travessuras de Harry regressavam, agora com diferente propósito ainda que com a mesma intenção, lhe fazer passar apuros em frente aos demais.

"Uma chave?... De onde será?" pensou divertido.

- Que tramas, Harry Potter? –perguntou à nada.

- Divertir-me enquanto pesquisas.

Severus se sobressaltou ao ver aparecer a Harry a um lado seu para depois olhá-lo sair correndo, saltando alegremente. Grunhiu por não ter recordado a demoníaca capa invisível, mas não voltaria a lhe suceder, e tomava o repto caro. Voltou a olhar a chave, era antiga, de prata, a ferradura devia pertencer a algo também antigo… não tinha ideia de que era o que podia abrir, mas o averiguaria, estava decidido a isso.

Harry e Severus não puderam voltar a estar a sós até a noite da quarta-feira. Albus enviou a Abbatelli a reunir-se com Remus para planejar novas estratégias sobre a classe de duelo. Ângelo não entendia porquê tinha que ir até Grimauld Place se podiam reunir no colégio, mas nem o diretor nem Remus lhe deram tempo de explicar e este lhe levou através da rede flu, decidido a entretê-lo toda a noite.

- Diga-me de que é a chave. –pedia Severus sussurrando ao ouvido de Harry depois de que este continuava ainda com a respiração agitada depois de um cálido orgasmo. - Ou é que me vai torturar por muito tempo com a curiosidade?

- Tudo o necessário. –respondeu sorrindo-lhe divertido.

- Posso pôr-me em greve se não me diz… nada de sexo até que enlouqueça e então grite seu segretinho.

- Nem atreva-te a tentá-lo, Severus. –advertiu seriamente. - Ademais, acho que está algo fora de forma como espião, te faz falta te treinar, amor.

- Posso torturar a seus amigos para que confessem?

- Não! –negou franzindo o cenho. - Usa sua inteligência, essa da que tanto presumes.

- A presumo porque tenho.

- Bem, quero a ver.

- Pelo cedo te ensinarei outras de minhas habilidades… Gostaria?

- Me encantaria!

Severus subiu-se sobre Harry tentando não colocar seu peso em cima, só gostava que de suas peles se roçaram e sentir esse volume no estômago de seu amante lhe acariciar seu próprio ventre. O beijou enquanto sua mão acariciava o lugar onde seu filho ia se formando… tivesse gostado de perceber como sucedeu com o filho de Ângelo, mas lhe bastava com sentir essa redondez subindo e baixando com a respiração de Harry, era algo bem mais natural dentro do mágico que representava essa gravidez.

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Ao dia seguinte, Harry entrou feliz a sala de poções, e quando Severus pediu as redações que tinha solicitado para esse dia, filtrou um pergaminho dentro dos de seus colegas. Voltou a seu assento esperando ansioso a reação de Severus quando lesse o que vinha escrito.

Severus não tinha pensado revisar as tarefas de imediato, mas lhe foi impossível passar desapercebido o pergaminho de Harry e sua letra acomodada de tal forma que não parecia um trabalho escolar, de modo que depois de pôr a seus alunos a que copiaram os ingredientes previamente escritos sobre o quadro negro, se dispôs ao ler.

"Olá…

Ontem à noite foi maravilhoso dormir contigo… acordar contigo!.

Confesso-te algo?... esta manhã enquanto me duchava, pensei em que jamais o fizemos juntos… gostarias banhar-te de comigo esta noite?

Dá-me sua resposta agora mesmo, um sinal ou uma palavra… o que seja, mas quero que me olhe, faz favor… Te disse que gosto muito de seus olhos? Que gosto de seu sorriso? Disse-te que me faz muito feliz?

Quero que não se te esqueça quanto te amo, quanto sinto falta poder te demonstrar a cada segundo do dia.

Chegou a minha vida e mudou, deu um rumo e um sentido… obrigado.

Queremos-te muito.

Teu filho e eu".

Severus deixou a carta sobre a mesa e volteou a olhar a Harry, este tinha uma cor rosado nas bochechas e lhe sorria tão doce como sempre. Levantou-se dirigindo-se para ele, parecia que ia dizer algo mas a porta se abriu e entrou Abbatelli. Severus escondeu rapidamente o pergaminho dentro de sua túnica.

- Perdão que te interrompa, Severus. –desculpou-se Abbatelli. - Mas como tenho uma hora livre e recordei que te disse que te ajudaria a revisar os trabalhos dos alunos, vim por eles.

- Não é necessário, eu o farei.

- Me encantará poder te ajudar, não tens porque se negar, Severus. –insistiu dirigindo-se a mesa para tomar os pergaminhos e tomá-los sem que o Professor de Poções pudesse se adiantar ao impedir. - Estão todos?

- Não o sei, não tenho tido tempo dos revisar… deixa aí, Abbatelli. –pediu-lhe acercando-se, aproveitando que seus alunos continuavam ensimesmados em seus apontes.

- Falta o de Potter. –comentou Ângelo esquivando a Severus para revisar os nomes das redações. - Harry, não entregou seu trabalho?

Harry não respondeu, lhe olhava quase fulminando-lhe, odiava que fosse tão intrometido e agora todo mundo se inteiraria que não tinha levado a redação, e não se equivocava, os olhos da classe estavam fixos nele. Severus suspirou quase imperceptivelmente e voltou a olhar a Harry de uma maneira como fazia muito não o fazia.

- Posso saber onde está a redação que tinha pendente para esta classe, senhor Potter?

A voz de Severus soou tão fria que o rosto de Harry empalideceu ao instante, nunca esperou uma resposta assim e não soube que responder. Todos os olhavam, Ron e Hermione confundidos pela atitude dura e inflexível do professor.

- Não me vai responder? –questionou Snape caminhando para a classe do garoto que lhe olhava assustado, aquilo não era uma atuação, podia ver que Severus estava realmente molesto e não entendia, seu coração lhe doía muito de repente.

- Eu, é que…

- Saia de minha classe. –ordenou Severus em um sussurro que todos atingiram a ouvir.

- Professor, amanhã lhe trarei a redação… eu prometo. –assegurou Harry com a voz fragilizada.

- Claro que a trará, mas agora se marcha daqui.

- É que…

- Saia, Potter… não quero o repetir.

- Sim. –aceitou debilmente enquanto punha-se de pé e guardava lentamente seus úteis, em espera de que Severus recapacitara.

- Apresse-se que eu não tenho tempo que perder!... Ah, e menos trinta pontos para Gryffindor.

Harry saiu contendo as lágrimas, estava tão doído de que Severus lhe tivesse falado assim quando acabava de ler aquela carta que lhe tinha escrito com todo seu carinho. E o pior de tudo que fosse adiante de Ângelo, quem apesar de que se mostrava sério e quase chateado por ele, Harry podia ver um flash de regozijo em seus pupilas. Rumiando sua má fortuna, o Gryffindor foi a refugiar a um jardim onde chorou escondido depois dos matagais.

Mais tarde, teve que regressar a reunir com seus colegas para a classe de história da Magia. Ocupou seu assento ao final do salão, encolhendo-se de ombros ante as perguntas de seus amigos sobre se encontrava-se bem. Durante toda a classe se manteve com a mirada baixa, se secando ocasionalmente alguma lágrima que ainda se resistia a se manter albergada dentro de seus olhos. Culpando a todos, mas sobretudo a Ângelo e a seus hormônios por não poder deter o pranto que já lhe cansava.

Ron e Hermione observavam-no em silêncio, abrumados pela tristeza de seu amigo.

- Harry. –chamou-lhe Hermione quando soou o timbre e todos se apressaram a sair.

- Não quero falar agora, faz favor.

- É que, o professor Snape nos pediu que te disséssemos que tinhas detenção ao termo de classes.

- Isso disse?... Não será simplesmente que quer falar comigo?

- Não… disse detenção –aclarou Hermione. - E sinto dizer-te que o Professor Abbatelli já não estava presente quando nos disse e continuava se notando molesto.

- Sabe porque comportou-se assim? –perguntou Ron.

- Não… mas para valer, garotos, não quero falar agora. Lhe verei depois… irei a minha detenção então.

Harry apressou-se a ir às masmorras, não queria se forjar demasiadas ilusões, mas mantinha a esperança de que Severus lhe recebesse com um beijo e então compreendesse que todo tinha sido um mal-entendido, talvez uma broma pesada. Mas ao abrir a porta depois de que Snape lhe abrisse, lhe viu regressar depois de sua mesa sem o olhar.

- Tome um assento, Potter e comece sua redação… a revisarei quando a tenha pronta. Pode tomar os livros que goste de minha biblioteca.

Harry não podia o crer, permaneceu uns segundos em seu lugar olhando como o professor se dedicava a revisar alguns dos trabalhos de seus colegas que tinha resgatado de Ângelo e seguia sem lhe prestar atenção. A tristeza se opacou ante a coragem que sentiu ao se ver ignorado.

- Porque demônios está-me tratando assim?

- Potter, faça sua redação… depois falaremos. –disse sem abandonar seu trabalho.

Furioso, Harry arrojou sua mochila ao solo e dirigiu-se para a biblioteca. Esmerando-se sempre por fazer o maior ruído possível, em correr cadeiras arrastando pelo solo para se trepar para as estantes mais altas. Severus não protestou, só se pôs de pé para baixar os livros sem necessidade de que o garoto se arriscasse.

- Não há nada mais acima que seja de seu incumbência, de modo que não precisará cadeiras nem escadas para buscar os demais livros… agora a trabalhar.

Harry não respondeu, deixou cair os livros sobre uma mesinha de maneira por demais ruidosa e depois buscou por todo o lugar algo que pudesse fazer que molestasse a Severus. Sorriu perversamente ao descobrir sobre a mesa um livro de poções encadernado em pele e com gravados de prata, devia ser muito especial para Severus. Discretamente caminhou para o lugar, levava uns livros em seus braços e quando esteve o suficientemente perto, os deixou cair ao solo. Severus rodou os olhos, mas não se moveu de seu lugar. Harry inclinou-se e recolheu um livro, mas ao incorporar-se fingiu perder o equilíbrio e verteu sobre o fino livro a tinta que usava Severus para corrigir as anotações.

- Não! –gritou Severus pondo-se de pé rapidamente para salvar seu tesouro de uma destruição maior. - Que faz, Harry?... Põe-te a trabalhar!

Harry não respondeu e se foi sentar a sua classe, algo satisfeito de que Severus lhe tivesse posto um pouco de atenção e voltasse a chamar por seu nome, mas não lhe era suficiente. Sorriu ao olhar como o professor realizava um feitiço para limpar seu livro e depois sacava um pergaminho pregado de seu interior e o guardava zelosamente dentro de sua túnica. Não quis lhe dar importância e começou sua redação… lhe foi impossível se concentrar, não gostava de estar assim com Severus, era muito triste. Nada do que escrevia fazia sentido, e a informação dos livros não podia a entender, era desesperante saber que não poderia cumprir com a redação sem a ajuda de Hermione.

Sem poder evitá-lo, voltou a chorar em silêncio, ocultando suas lágrimas enquanto fingia concentrar em sua leitura.

- Harry?

Harry se sobressaltou, não tinha visto quando Severus se lhe acercava e agora o tinha ajoelhado em frente a ele lhe olhando com preocupação. Rapidamente tentou ocultar seu pranto ainda que sabia que era impossível.

- Não chore… me parte a alma te ver assim.

- É muito mau comigo. –lhe reprovou gemendo entristecido. - Não te compreendo, Severus, não creio ter feito nada mau, e se o fiz, te peço perdão… nunca foi com má intenção, mas já não me odeie.

- Eu não te odeio, amor! –exclamou abraçando-lhe carinhoso, Harry não o recusou. - Como pensa que posso te odiar se te amo com desespero?

- Então porque falou assim em classe? Porque precisamente em frente a esse demoníaco Veela?... achei que te poria feliz minha carta.

- E pôs-me feliz! –assegurou sacando o pergaminho de sua túnica. - Se converterá em meu maior tesouro… bom, aparte de ti e de meus filhos. Se te amoeste em classe foi porque sigo sendo teu professor e parece que te esqueceu disso, Harry, não deve ignorar seus labores. Abbatelli não teve nada que ver, quiçá só me deu o valor para fazer o que tinha que fazer… atuar como o que sou dentro de um salão de classes. Não deve faltar a sua redação, era importante.

- Mas estava contigo ontem à noite, não tive tempo de fazer nada!

- Pois diga-me que tem trabalho, Harry, mas não me use como pretexto!... O último que quero é que descuide sua preparação, e Poções é importante ainda que não goste.

- É que não lhe entendo nada! –protestou desesperado fazendo os livros a um lado.

- E não tem pensado que me ter como teu companheiro pode te resultar com vantagens positivas em lugar de pretender que desculpe sua irresponsabilidade com cartas de amor?

- Severus…

- Veem. Começaremos a partir de hoje uma tutoria sobre poções. E ponho meu nome de por meio que você, Harry Potter, terminará adorando esta subtil arte.

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Nota tradutor:

Mais um capitulo... e esse foi fofo, apesar de Severus ter "gritado" com Harry!

Vejo vocês nos reviews

Ate breve

Fui…