O Encanto Despregado

Harry não disse a ninguém nada do sucedido na visita de Severus, não queria estragar a festa ainda que em seu coração se refugiava a tristeza maior de sua vida. Foi-lhe incrivelmente difícil sorrir mas conseguiu-o e compartilhou com todos a alegria de seu aniversário. O único momento em que foi realmente feliz foi quando afundou seu dedo no betume de seu bolo para lhe dar uma provadinha a seu bebê conseguindo que Molly o repreendera escandalizada por não saber que um menino tão pequeno não precisava desses sobremesas.

Harry encolheu-se de ombros, era feliz sentindo a linguinha de Axel retirando-lhe o betume ainda que depois terminasse fazendo bicos de repugnância… ele preferia seu leite e não essa coisa tão pastosa e doce.

Mais noite, a maioria tinham-se ido dormir, mas Harry continuava na sala, olhava em silêncio como Ron jogava com Axel quem se resistia a se dormir ainda e exigia que se lhe passeasse pela habitação imitando um pequeno aviãozinho, assim que Ron se detinha de imediato gritava iracundo conseguindo que o ruivo continuasse o jogo.

- Não tem porque o consentir tanto. –disse-lhe Harry. - Amanhã deve ir ao Ministério com seu pai e será melhor que te vá descansar.

- E perder-me de passar tempo com meu afilhado? Claro que não!... Se agora que os tenho em casa quase nem me deixam estar com ele, quando se vá com Snape muito menos.

- Isso não vai passar. –disse-lhe baixando a mirada.

- Porque? –perguntou sem abandonar o jogo.

- Se repudia a Ângelo, perderá seus direitos com Beth… Severus nunca faria isso.

- E se conseguem que Ângelo repudie a Snape?

- Ângelo a Severus? –repetiu intrigado, isso não se lhe tinha ocorrido.

- Suponho que se aplicarão as mesmas medidas não?... seria Abbattelli quem perdesse os direitos sobre a menina.

- Não acho que seja assim. –respondeu desanimado. - As leis Veelas são muito individualistas, tudo é pensando em seu bem-estar, e Severus não é Veela… esse trato tem resultado quase em uma escravatura mau disfarçada.

- Pode ser, mas tentem averiguá-lo.

- De todos os modos o vejo impossível… Ângelo está aferrado ao amor de Severus, nunca lhe repudiaria, primeiro preferiria se morrer que o perder… e nisso posso o entender.

As últimas palavras de Harry estavam tão carregadas de dor que Ron já não se atreveu a dizer nada para evitar o pôr mais triste. De modo que, mudando de tema, acercou ao menino a seu amigo para que com sua companhia pudesse o fazer voltar a sorrir.

\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\\\\\*\*\*\*\*\*\*\\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\

Nos dias passaram, Harry esforçava-se por não estar sempre tão triste, e todos a seu ao redor também punham seu granito de areia no distrair, tinham passado quatro dias e Severus não tinha voltado, mandava cartas e presentes todos os dias, mas não era suficiente, nunca tinha passado tanto tempo sem o ver, Harry lhe estranhava muito e inclusive Axel parecia reclamar a presença de seu outro pai. Às vezes ficavam os dois em silêncio, sentados em uma banca do jardim esperando por um milagre.

Uma manhã, Harry levantou-se muito temporão, e quando baixou a preparar o biberão de Axel entrou a coruja que levava O Profeta, lhe pagou e se dispôs a folhear o jornal enquanto esperava que o leite se esquentasse, isso era algo que gostava de fazer à maneira muggle. De repente, seus olhos se toparam com uma fotografia que lhe obrigou a se sentar sem deixar da olhar. Nela apareciam Ângelo e Severus sentados junto com algumas outras personagens aos que Harry não prestou atenção. Tinham ido a uma reunião do Ministério onde tentavam continuar com as alianças entre as diferentes raças de magos. Harry olhou a mão de Ângelo apertar com orgulho o braço de Severus, mas ele não se via bem, seu rosto estava mais afiado e umas marcadas olheiras rodeavam seus olhos negros, os quais mantinha fixos na porta, como se a desejasse atravessar correndo… não se via feliz nem ainda que sustentasse a Beth em seus braços.

- Não! –gritou Harry arrojando furioso o jornal contra a parede. - Não te permitirei que me tire, Ângelo Abbatelli!... Eu também o amo, também o preciso, também tenho um filho que deve ter a seu lado!... Não me deixarei derrotar por ti!

Harry limpou-se bruscamente as lágrimas que já banhavam suas bochechas, algo tinha que fazer, olhou para acima onde Axel o esperava, por ele não se daria por vencido, não tinha pensado privar a seu filho dos direitos que lhe correspondiam, não queria ter que lhe mentir em algum dia quando lhe perguntasse por seu pai, não queria lhe confessar que tinha deixado o caminho livre a quem só fazia sofrer ao homem que amava, a quem não podia o fazer feliz jamais… simplesmente não ficaria de braços cruzados, era hora de deixar de ser a vítima, era hora de pensar em seu direito a ser feliz.

\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\

Essa mesma noite a expressão de Harry era totalmente diferente, via-lhe mais erguido e maduro, e já sabia o que tinha que fazer. Pediu a Molly que lhe acompanhasse a Hogwarts, primeiro devia falar com Dumbledore a sozinhas e a mulher era a única a quem confiaria o cuidado de seu filho que estava disponível. Molly esperou no despacho do Diretor jogando em um extremo com o bebê e seu chocalho enquanto Harry e Albus faziam-no junto à janela, onde a boa mulher não atingisse aos escutar, mas sem perder de vista ao pequeno Axel.

- Harry, o que pretende é perigoso… não acho que esteja bem que te ajude.

- Eu espero que o faça, Professor, é o único caminho que me fica.

- Tem falado disto com Severus?... também sua opinião conta.

- O farei em seguida… Pode ajudar a Molly a cuidar de Axel?

- Claro, me encantará poder o fazer.

Harry sorriu agradecido e depois de despedir de seu bebê, saiu do despacho. Seu coração retumbava enquanto dirigia-se para as masmorras, se devia enfrentar de uma vez a Ângelo o faria, mas precisava falar de imediato com Severus. No entanto, sorriu emocionado quando ao dar volta ao último corredor se encontrou com seu ex professor caminhando em direção contrária. Ambos se detiveram a uns passos, se olhando em silêncio, como temendo descobrir de repente que todo era uma alucinação.

- Que faz aqui? –perguntou Severus sem mover-se.

- Não me vai saudar primeiro? –inquiriu sorrindo-lhe. - Esperava-me uma melhor bem-vinda, amor.

A voz doce de Harry foi o único que preciso Severus para correr para ele e beija-lo com toda a ansiedade de quase em uma semana sem se ver. Harry correspondeu-lhe da mesma maneira, surpreendido de ver quanto tinha tido saudades esses beijos com os que tinha aprendido a amar.

- Amo-te! –exclamou Severus em um suspiro quando por fim se separaram, afundando seu rosto no pescoço do garoto, feliz do sentir de novo em seus braços. - E Axel?... Como está?

- Formoso e estranhando-te muito! Acabo de deixá-lo com Dumbledore, ele e Molly o estão cuidando.

- Como quisesse que já não nos separássemos nunca!

- Pode ser que seu desejo se faça realidade.

- De que fala?

- Acabo de entrevistar-me com Dumbledore… pedi-lhe que me dê o posto de Professor de Duelo, Remus já não o fará e quero ocupar seu lugar… Me mudarei a Hogwarts, Severus!

Harry não dissimulava sua emoção, mas Severus não sabia que pensar, lhe beijou novamente antes de levar para seu despacho a uns quantos metros de onde estavam.

- Harry… se deu conta que sendo professor de duelo teria que trabalhar lado a lado com Abbatelli?

- Eu sei, e acha-me que morro-me por fazê-lo. –respondeu sorrindo com malícia.

- Que pretende agora?

- Nada mau. O único que quero é que nem seu filho nem eu estejamos longe de ti. –respondeu abraçando-se a Severus. - Estranhamos-te e não queremos viver separados, de modo que, se sou professor de Hogwarts então podemos nos ver todos os dias e não ter que renunciar a… já sabe, passar momentos juntos, os dois sozinhos. –concluiu brincando sedutoramente contra o corpo do Professor.

- Porque tenho a sensação de que esta é outra de suas travessuras, amor?

- Talvez porque é.

Severus gemeu ao sentir que o lóbulo de sua orelha esquerda era acariciado por uma língua cálida e úmida. Um estremecimento percorreu lhe as costas, tinha passado tanto tempo desde a última vez… e desejava-o tanto que já não lhe era possível se deter. Beijou a Harry desenfreado, sugando seus lábios, bebendo seu fôlego quase com violência. O garoto não protestava, para ele também o tempo tinha deixado sua fatura e lhe exigia compensar pelos meses de abstinência. Recordava a última vez, estava em seu sétimo mês de gravidez, foi algo quase frustrante, pelo menos sexualmente porque o amor era algo que não faltava jamais, mas sua capacidade física lhe limitava e não se pôde conseguir nada como se tinham acostumado.

Pressurosos desfizeram-se da roupa, ajudando-se mutuamente, até que finalmente se encontraram nus, de pé no despacho de Severus, este o atraindo com força pela cintura, Harry esfregando ansioso ambas ereções, suas gargantas fusionadas em uma sozinha… uma mesma respiração misturada.

Harry sentiu-se de repente separado do andar, sorriu com o coração labrestado, rodeou a Severus com suas pernas, sem deixar de esfregar-se contra ele. Achou que seria subido ao escritório, mas Severus não pensava ir tão longe, tinham a parede a dois passos e lhe encurralou com seu corpo. O garoto gemeu extasiado enquanto sentia as mãos do professor ir-se deslizando para seus quadris, de modo que se aferrou com mais força sujeitando-se também pelo pescoço para não cair.

No entanto, o professor mantinha-o demasiado colado à parede para que isso sucedesse, foi levando seus dedos para a entrada de Harry e este não calou um grito que o fez curvar as costas ao sentir a intromissão. Os movimentos circulares que impôs a seu quadril lhe deram a entender a Severus que só tinha prazer e animado por isso, distendia suavemente as fibras musculares para o preparar à perfeição.

Harry beijava guloso a pele do pescoço de Severus enquanto sentia os dedos de seu amante adentrar-se nele enquanto seu pene lhe acariciava bem perto, muito, bem perto. Precisava-o já, não podia esperar mais e um mordisco de ansiedade lhe fez ver ao mago maior sua situação.

Severus era ditoso sentindo o membro inchado de Harry fincar em seu estômago, de modo que, sem perder mais tempo, sujeitou a Harry pelas coxas para ajudá-lo a levantá-los quase à altura de seus ombros, alongou sua mão para um estante próximo de onde tomou um frasco com uma substância gelatinosa que servia para solidificar algumas poções, agora teria outro uso, afundou seus dedos nela e lubrificou bem entre os glúteos de Harry, quem ao sentir a umidade, gemeu aferrando-se mais ao outro homem, Severus sorriu ao sentir a impaciência e de um sozinho movimento se estacou dentro do garoto.

Harry conteve a respiração enquanto grossas gotas de suor percorriam lhe o rosto. Seus braços abandonaram a Severus buscando infrutiferamente um apoio na parede, não tinha nada, ainda que nem o precisava, a força de Severus lhe mantinha em seu lugar sem cair ao solo. Podia sentir o pene de seu amante fincado até o mais fundo, Severus levantou-lhe um pouco dantes de soltá-lo. Harry gritou prazenteiramente ao sentir os movimentos bem calculados de Severus que o fazia empalar-se ao redor de seu falo com a força da gravidade e dos braços de seu amante.

Harry abriu os olhos olhando-lhe maravilhado pelo que experimentava, Severus lhe sorria, ele também estava desfrutando muito com aquela acrobática posição.

- Outra vez! –sussurrou Harry extasiado como menino pequeno que era lançado ao ar.

Severus assentiu. Levantou a Harry e ao mesmo tempo em que deixava-o cair, ele investia para acima. Desta vez o jovem moreno abraçou-lhe tão forte que quase o estrangula, mas voltou a suplicar-lhe ao ouvido que já não parasse. Severus comprazeu lhe, usou toda a força para empurrar uma e outra vez a Harry contra a parede. Gostava de ver sua expressão de glória a cada vez que sentia que lhe penetrava tão profundamente que até suas testículos se sentiam apertados na calidez.

Harry decidiu jogar também, abria as pernas divertido de não cair, era muito melhor que voar em vassoura, bem mais prazeroso, e quando se sentia seguro pelas mãos de Severus em sua quadril, ele também se sujeitava para depois se deixar cair e rir… era incrível que pudesse rir justo quando o orgasmo mais intenso de sua vida se encontrava a uns poucos segundos, mas era demasiado feliz.

Severus voltou a levantar-lhe as pernas dantes de dirigir sua mão para a ereção de Harry e masturba-lo velozmente. O garoto mordeu lhe o ombro, já não podia se concentrar em nada mais que nas sensações que Severus lhe presenteava e unindo em um grito de êxtase ambos explodiram ao mesmo tempo.

Ainda convulsionando-se de prazer, se deixaram cair no andar do despacho. Harry com um enorme sorriso no rosto, olhando orgulhoso ao homem de quem tinha-se apaixonado. E passados os primeiros segundos em que conseguiu se repor, se dedicou a beijar o rosto de Severus, carinhoso, agradecido por aquela demonstração… feliz do ter de novo a seu lado, já não queria o deixar ir.

- Uma mais? –propôs emocionado quando viu que a respiração de Severus recuperava o ritmo habitual.

- Harry, amor, não sou tão jovem como você… e me acha que isto não o terá todos os dias. –advertiu divertido por seu entusiasmo.

- Sim, uma mais, eu sei que pode!

- Agradeço sua confiança, mas…

- Faz favor, que gostei muito!... Anda, volta a estrelar-me contra a parede, volta a tomar-me como se não tivesse uma manhã… Sim, Sev?... Volta a adentrar-te em mim, com essa mesma força bruta, como se quisesse me partir em duas! Tem sido maravilhoso, sensacional… espetacular!

Severus estalou em gargalhada pela evidente exageração de Harry, mas sua felicidade era tanta que se concretou ao abraçar fortemente. De repente, a porta abriu-se violentamente e ambos tiveram que se separar de imediato. Severus cobriu a Harry com seu corpo nu ao ver que na ombreira se encontrava Ângelo olhando de uma maneira estranha, uma mistura de dor, ódio, ciúmes e intensa fúria. Sacou sua varinha apontando a Harry acima do ombro de Severus quem para então buscava às apalpadelas sua própria varinha.

- É um pedaço de merda, Harry Potter! –bramou furioso e seus olhos acetinados pareciam ter-se tornado de um vermelho que a Harry lhe recordou a Voldemort, não pôde o evitar, seu estômago se sobrecozia dolorosamente. - Vai pagar muito caro ter-te atrevido a tocá-lo!

- Deixa isso, Abbatelli! –ordenou Severus apontando-lhe também com sua varinha depois da encontrar misturada entre suas roupas. . Não te vou permitir que o lastimes!

- Porque faz-me isto, Severus?! –reclamou-lhe começando a chorar. - Eu te amo, e este maldito malnascido quer te apartar de mim!... Odeio!

Severus soube que Ângelo estava disposto a atacar e antes de permitir que atentasse contra Harry, lançou um feitiço que enviou ao Veela ao outro extremo do corredor pela porta aberta. Ângelo ficou tendido no solo por um par de segundos, impactado de ver que foi Severus quem lhe atacou.

- Severus, ele é a quem deveria ferir, não a mim, temos uma filha, você deveria nos amar se em verdade quisesse nos ter contigo… mas se o prefere a ele, então jamais nos verá de novo!

Abbatelli saiu correndo. Rapidamente Severus vestiu-se enquanto Harry fazia o mesmo com um pouco de menos pressa, temia ter posto a Severus em perigo de perder à menina, não se atrevia nem a falar… por isso, quando Severus esteve pronto e se lhe acercou, impulsivamente retrocedeu um passo com medo.

- Não se preocupe. –disse-lhe Severus enquanto lhe beijava. - Não poderá fazer nada… saberei o convencer. Vá com Axel… te verei depois. Amo-te.

Harry assentiu ante a atropelada pronta de petições de Severus e viu-lhe partir sentindo-se culpado, mas de todos modos respirou fundo, não podia dar marcha atrás… alguém dependia dele para lhe dar o que ele jamais teve e pensava lhe cumprir.

\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\

Severus atingiu a Ângelo antes de que cruzasse a porta de sua habitação. O Veela chorava enfurecido e de um puxão desfez-se da mão que sujeitava seu braço. No entanto não continuou seu caminho, se virou para Severus propinando uma forte bofetada que o homem recebeu sem protestar.

- Sei que não era a forma de fazer. –disse Snape com tristeza. - Mas reconhece que jamais te enganei… você sempre soube que não te amava como gostaria, e quando me inteirei que me tinha enganado, que ocultou o do indulto e tentou me pôr contra Harry sabendo que era a ele a quem eu queria… deixou de me importar ser direito contigo.

- Está-me pagando muito mau, Severus! –interrompeu lhe histérico. - Eu te salvei do Senhor Escuro, se não tivesse sido por mim de todos os modos teria perdido a Potter, ele jamais te tivesse perdoado! Não pode vir e me dizer que não me enganou porque me fez achar que queria o tentar!

- De acordo, culpa-me de todo o que queira, te aceito toda quanta recriminação queira me fazer… mas me permite ir de seu lado… Quero estar com Harry!

Ângelo deu-lhe as costas chorando desesperado, se recargou na parede esperando não ter escutado jamais essas palavras… eram demasiado dolorosas, não as aceitava.

- Abbatelli… -chamou-lhe Severus acercando-se. -… não quero lastimar mais, não podemos ser felizes juntos, deve o reconhecer.

- Eu tenho sido feliz até agora! –assegurou dando a volta para abraçar-se de Severus quem, estupefato, não soube como reagir. - Amo-te, era feliz vendo-te a cada amanhã, era feliz tendo algum beijo seu, era feliz te abraçando, era muito feliz quando me olhava e me dava as boas noites antes de dormir!... Fui muito feliz, e quero segui-lo sendo, não penso te perder, é meu por direito e não renunciarei!

- Eu não… eu não fui feliz. –disse-lhe, intensificando a dor de Ângelo. - Não quero ser mais cruel… deve me deixar ir de seu lado, faz favor.

- Nunca, Severus, Nunca! –assegurou Ângelo separando-se um pouco para sujeitá-lo com força com ambas mãos pelo rosto. - Primeiro mato-te que permitir que Harry te toque, amaldiçoo mil vezes o ter indultado, merecia morrer aquela noite!

- Pois sinto muito por ti, mas não ficarei mais a seu lado, não posso repudiar-te porque sei que perderia a minha filha… no entanto, não pode fazer nada para que fique a viver contigo quando o que mais anseio é estar junto a Harry.

- Não pode me fazer isso, não o vou permitir, ainda não me conhece bem, Severus!

- Se amasse-me…

- Amo-te! –gritou desesperado. - Fiz muito por ti e respeitei sua liberdade até agora, mas já não penso seguir o fazendo nem um segundo mais, Severus, desde este momento volto a te recordar que é meu por Reclamo e não duvidarei em atuar como um Veela para conseguir o que quero! Já me cansei de esperar, me cansei de te respeitar se não me respeita a mim!

Severus olhou-lhe profundamente inquieto, não sabia exatamente a que se referia quando falava de respeito, mas a mirada de Abbatelli era desquiciada, completamente doente. Não teve tempo de pensar em nada mais, tudo se foi nublando a seu ao redor, de repente apareceram em frente a ele uns olhos verdes que lhe pareceram os mais formosos que tivesse visto jamais, eram como duas brilhantes azeitonas que emanavam o mais puro dos amores… se sentiu muito feliz, amava a esses olhos, portanto, também amava a seu dono. Suavemente acercou-se para beijar os lábios rosados que se entreabriam em um franco convite a beija-los.

Sentiu a língua mais suave que jamais sonhou, lhe acariciando a cada resquício de sua boca. Severus sentia-se inundado por uma embriagadora felicidade, por um desejo sobre-humano para ser o dono dos braços que lhe rodeavam suavemente pelo pescoço, daqueles lábios que lhe levavam ao paraíso. Foi empurrando-o suavemente contra a parede, um gemido da garganta amada lhe enlouquecia, pôde sentir seu membro ereto fincar em seu ventre e o seu já estava também muito excitado.

- Amo-te. –disse-lhe uma voz formosa, doce… celestial. Seu coração bateu violentamente ante aquela confissão de amor de um anjo. - Amo-te, Severus!... Diga-me que me ama!... Diz e faz-me o amor aqui, selvagem e apaixonadamente como jamais o fizeste!... Quero ser eu quem te rogue por mais!... Diz, Severus, diga-me que me ama!

Severus abriu os lábios para dizê-lo, mas não saía a voz, se separou, olhou de novo aos olhos de seu amante… algo andava mau, não era o verde que gostava. Levando-se as mãos à cabeça quis resistir-se, podia sentir o influxo em sua mente, mas era demasiado forte… seu coração estava a ponto de soprar de tão rápido que batia.

- Beija-me outra vez!

Incapaz de desobedecer, Severus voltou a unir os lábios àqueles que lhe ordenavam, sua mente voltou a nublar-se, fechou os olhos e as dúvidas iam desaparecendo, não devia duvidar, amava a quem nesses momentos gemia de prazer e lhe enchia de amor. Era um amor intenso, apaixonado, formoso… não podia o perder, morreria se o perdia, se não voltava a ver os olhos de esmeralda.

- Não! –gritou Severus separando-se depois de fazer de toda sua força de vontade. - Não o farei!... Liberta-me agora mesmo!

- Amo-te, Severus! –repetiu a mesma voz sedutor. - Não se vá de meu lado… não me deixe sozinho, meu amor.

- Deixa-me ir… eu não te amo!

Severus caiu de joelhos cobrindo-se a cabeça, tratando de não escutar mais essa voz que lhe custava tanto poder desobedecer, mas a resistência se rompia, cedo já não poderia mais… queria gritar, sair correndo em busca de ajuda, mas não podia se mover. Ângelo ajoelhou-se a seu lado, e com profundo carinho voltou a beija-lo, não estava disposto a se render até não escutar o que queria… uma dolorosa lágrima saiu da comissura do olho esquerdo de Severus quando compreendeu que tinha perdido toda vontade ante o influxo do Veela, se abandonou a seus braços com a alma destroçada.

- Expelliarmus!

Ângelo saiu disparado para a parede contrária libertando a Severus fisicamente, mas não assim do influxo. Olhou de onde tinha provido o raio, quis sorrir ao ver a Harry mais não pôde, respirava suavemente… Harry também o fazia, o ambiente em todo o corredor era estranho.

Ângelo levantou-se imponente, sorriu demoniacamente quando viu a Harry se esforçando também por não se deixar levar por seu encanto despregado ao máximo pela primeira vez. Quiçá não tinha tanto tempo de exposição, mas finalmente o venceria, já nada ia deter a Ângelo de cumprir seus propósitos. Levantou sua varinha apontando-a a Harry para lançar lhe um crucio. Harry já não tinha força de defender até esse momento compreendeu o enorme interesse de Voldemort por ter Veelas em suas filas, Harry não cria poder voltar ao atacar… era um anjo como ia a lastimar a um anjo tão encantadoramente sublime?

Não passou mais que um par de segundos se retorcendo de dor no solo quando apareceu sua salvação. Dumbledore chegava justo a tempo atraído pelo desborde desmesurado do magnetismo Veela. Usou um feitiço para aturdir a Ângelo e dessa forma conseguir que se detivesse. Ângelo conseguiu proteger-se e manteve-se em pé, e dessa forma continuar emanando seu encanto ainda que tinha tido que romper a maldição contra Harry, o que lhe enfurecia a morrer.

- Albus! –lhe recriminou doído. - Porque ataca-me?

- Detém isto agora mesmo, Ângelo! –ordenou, e sua voz cimbro as fortemente cimentadas paredes. -Vai obrigar-me a atuar contra ti!

- Não o sente, Albus? –perguntou erguendo-se majestoso. - É humano, tem que sentir em seu coração.

Dumbledore sabia que tinha que atuar rápido, devia deixar a Ângelo fora de combate, e ainda que lhe doía na alma ter que o fazer, lhe enviou um Cruciatus que o jovem Veela não pôde evitar. A potência da maldição fez-lhe golpear-se fortemente contra a parede para em seguida cair ao solo gemendo de dor, sentindo como seus ossos pareciam se avariar em milhares de pedaços. Seu efeito Veela desapareceu pouco a pouco, Albus sentiu, mas não deteve o feitiço, precisava o deixar completamente aturdido para que não se repusesse de imediato.

Ao ver-se livre do influxo, Severus sacudiu sua cabeça vigorosamente para despejar-se, Harry correu a ajudá-lo a pôr-se em pé.

- Está bem?

Severus assentiu algo confundido ainda, mas isso foi tudo o que Harry precisava para se sentir melhor. Agora que sabia que Severus estava bem, a indignação que tinha sentido ao ver a Ângelo atentando contra o homem que amava se acentuo. Olhou como Ângelo seguia contorcionando-se de dor, e sem o pensar duas vezes, uniu outro crucio ao de Dumbledore, dois poderosos magos lhe atacando fizeram que Ângelo sentisse que a pele se lhe cairia em pedaços. No entanto, justo quando achou que se desmaiaria, Dumbledore suspendeu sua maldição, compreendendo que se continuavam, Ângelo não o suportaria mais e morreria. Mas Harry não parou, o brilho de ódio de seus olhos era mais imenso que nunca.

- Harry, é suficiente. –disse Dumbledore ao ver como Ângelo mal sim podia respirar.

- Nunca, nunca será suficiente! –gritou Harry sem deter-se.

- Tenho dito que basta! –ordenou-lhe baixando-lhe a mão para interromper a maldição.

- NÃO! –negou-se Harry apartando do Diretor. - Crucio!

Ângelo voltou a convulsionar-se no chão, já não tinha força nem para gritar. Severus olhava tudo começando a clarificar mais sua mente, e viu como finalmente, Dumbledore lhe arrebatou a varinha conseguindo que o garoto já não pudesse fazer nada, isso o fez suspirar aliviado, não por Ângelo, mas não queria que Harry voltasse a lamentar outra morte por suas mãos. Mas a indignação de Harry não tinha sido satisfeita e sem medir as consequências se lançou contra o Veela golpeando com o punho fechado na mandíbula.

- É um maldito pervertido, o que fazia é um delito!

Ângelo demorou em reagir, mas ainda que doía-lhe até a alma pelas maldições recebidas, a ira que sentia por Harry era muito maior, e fez força das forças que lhe ficavam para se defender se repondo assombrosamente do feitiço.

- Estou farto de ti! –gritou Ângelo fora de si, quiçá era o ódio intenso que sentia o que o impulsionava a não se desvanecer e respondeu à agressão de Harry com outro golpe, que ante sua debilidade não conseguiu impactar em seu objetivo, perdeu o equilíbrio e esteve a ponto de cair ante a mirada zombadora de Harry. -Te odeio, quero matar-te com minhas próprias mãos!

- Basta! –ordenou Dumbledore separando com uma barreira que invocou.

Harry e Ângelo rosnavam sem deixar de olhar-se embravecidos, com um fervente desejo assassino surgindo de seus olhos claros. Severus olhava-os tentando terminar de aclarar seus pensamentos e quando o conseguiu uma imagem se lhe veio a mente, o efeito do despegue do encanto tinha sido demasiado poderoso, precisava saber que sua filha estivesse bem. Sem dizer nada, saiu correndo rumo a sua habitação, ainda estava confundido pelo que não notou a porta aberta e entrou rapidamente. Viu o berço vazio e mesmo assim buscou entre as cobertas… o coração deteve-lhe ao não encontrar nada. Girou sobre seu próprio eixo esperando ver a sua filha em algum lugar da habitação, mas um bebê de pouco mais de um mês não se ia mover por si sozinha.

Severus saiu disparado de sua habitação, a pouca cor de seu rosto tinha desaparecido por completo. Não se deteve até chegar junto a Abbatelli sujeitando do pescoço da túnica para empoara-lo contra a parede, de maneira muito diferente a como Ângelo o tivesse desejado. Nesse momento não se importou vê-lo tão ferido e lutando por sustentar-se em pé.

- Onde está minha filha?!

- Beth?... em seu berço. –respondeu assustado.

- Não está aí!... Deixaste-a sozinha, imbecil, deixaste sozinha a uma menina de um mês!

- Não lhe ia passar nada e tinha que te ver… queria saber onde estava! –exclamou temeroso e confundido. - Ademais, tem que estar equivocado, minha filha está aí!

- Não está!

Ângelo desfez-se de Severus e como pôde foi à habitação o mais rápido que pôde, pese a cambalear em algumas ocasiões, não se deteve. Descobriu o berço vazio e um horrível pressentimento invadiu lhe, buscou aterrorizado igual que como o tinha feito Severus, mas não tinha nem sinal da menina. Regressou a onde estavam os demais, e chorando se abraçou de Severus.

- Minha filha, Severus! Onde está minha filha?!

\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\\\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\*\

Nota tradutor:

Nossa mas esse malnascido deixou um bebê sozinho no berço pra ir atrás de Severus? Eu nem louco deixaria um bebê sozinho por mais que eu esteja traindo!

Espero que vocês gostem

Vejo vocês nos próximos três capítulos

Bora para os reviews please?

Ate breve

Fui…