Amor Filial

Severus queria separar-se de Ângelo, mas estava tão assustado que nem sequer sabia como se mover, agora não podia pensar em nada mais que em Beth. Harry olhava tudo sem saber que fazer. Albus foi o primeiro em mobilizar-se e regressou a seu despacho. Justo então Harry recordou que aí tinha deixado a Axel e sentindo que a alma se lhe escapava do corpo, correu depois do diretor. Severus compreendeu o que tinha temido e não esperou mais, se desfez de Abbatelli e correu depois de Harry. Cedo tinham ultrapassado ao diretor e ambos chegaram ao despacho de Dumbledore respirando aliviados ao ver que Molly continuava aí, jogando despreocupadamente pelo pequeno Axel.

Harry correu a abraçar a seu filho e Severus fez o mesmo, mas só por um segundo, apesar de que agradecia com todo seu coração que seu filho estivesse bem, não poderia descansar até que não tivesse a Beth em seus braços.

Ao chegar Dumbledore, viram que Ângelo vinha com ele, ainda chorando agoniado pelo desaparecimento de sua filha. Tanto Harry como Severus se esqueceram do sucedido uns minutos dantes, comovidos pela dor que refletia seus olhos acetinados. Viram-lhe ir-se a sentar triste e caladamente em um dos cadeirões.

Albus mandou chamar a todos os fantasmas e habitantes dos quadros, esperava que algum deles soubesse o que tinha passado. Entrevistou a um por um, mas ninguém lhe dava nenhuma pista. Harry apertou a mão de Severus solidário com sua dor obtendo um tênue sorriso como resposta, mas não disseram nada.

Por fim, Sir Cadogan apreciou ante eles brandindo sua espada, orgulhoso de ter notícias que ajudassem aos pobres incautos que tinham sido enganados tão vilmente.

- Um homem loiro? –repetiu Dumbledore ante o que acabava de lhe informar o cavaleiro.

- Assim é, meu Senhor, alto, elegante, e muito, mas muito descortês.

- Malfoy? –perguntou Harry suavemente obtendo um tênue assentimento de Severus.

- Sabe a que horas sucedeu isso?

- Fará três quartos de hora aproximadamente, vi-lhe sair correndo e tropeçar com uma armadura. Segui lhe até a saída indicando-lhe que não podia se ir sem remediar suas estropícios, mas me ignorou o muito valete!

- Muito obrigado por sua informação, Sir Cadogan. –disse Dumbledore à pintura.

- Encantado de poder ajudar-lhes.

Um silêncio sepulcral formou-se assim que voltaram a ficar sozinhos. Só era rompido ocasionalmente pelos soluços amortecidos de Ângelo, quem lentamente bebia uma poção fortificante que lhe desse Dumbledore para poder continuar aí agora que tinha uma razão mais poderosa para não se derrubar.

- Se foi Lucius, minha filha já…

- Não se atreva ao dizer, Abbatelli! –ordenou Snape conseguindo que o Veela guardasse silêncio.

- Lamento tanto! –desculpou-se Ângelo cobrindo-se o rosto arrependido. - Se não a tivesse deixado sozinha, se não tivesse atrasado nossa chegada ao quarto, se não…

Severus deixou seu lugar junto a Harry para acercar-se a Ângelo, este lhe sentiu e se sobrecozia assustado ante o que o outro Professor lhe faria, qualquer coisa era pouco com o que cria merecer. Mas o que nunca esperou foi que Severus se sentasse junto a ele e lhe abraçasse.

- De nada serve se culpar agora –lhe disse com gravidade. - Agora temos que estar unidos para encontrar a Beth… ela vai estar bem, te prometo.

- Sim… tem razão. Amo-te. –disse-lhe recostando-se aliviado contra seu peito.

- Que vamos fazer agora, Albus? –perguntou Severus sem dar-lhe importância às palavras de Abbatelli, agora não queria discutir, primeiro era encontrar a sua filha.

- Avisarei aos da Ordem, precisamos toda a ajuda possível para encontrar a Lucius.

Severus assentiu e enquanto Albus punha-se em contato com os membros da Ordem, Ângelo abraçava-se ainda mais a Snape, olhou acima de seu ombro como uns olhos verdes lhe olhavam increpantes e sorriu triunfador… Severus estava com ele e Harry se morria de ciúmes, não podia dissimula-lo. Isso o desfrutava enormemente, ainda que também tinha que reconhecer que esse mesmo sentimento o estava experimentando em carne própria ao o ver sustentar a seu filho em braços, era tão parecido a Severus, seus olhos negros eram os mesmos, seus lábios também… e depois do que acabava de ver no despacho, já não teve dúvidas de sua origem e mais fúria sentiu em seu interior… não era justo que Harry pudesse ter a seu bebê quando ele sofria tanto por lhe ter falhado a Severus e perdido a Beth.

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Essa noite foi muito longa, Harry não queria se ir até não saber que a menina estava a salvo, e permaneceu em seu lugar observando como se planejava todo um plano militar para o resgate, o mau era que não tinham ideia de onde buscar. Tinham comprovado que a mansão Malfoy estava abandonada e nem sequer na antiga guarida de Voldemort encontraram impressões da presença de comensais.

O desespero começava a fazer mela nos pais de Beth, quem viam as horas passar sem ter nenhuma notícia. O amanhecer estava a ponto de chegar e Severus voltou a acercar-se a Harry.

- Cedo começará em um novo dia.

- Eu sei… lamento o sucedido, Severus e se posso ajudar-te em algo, o que seja, conta comigo.

- Tudo sairá bem, cedo minha Beth estará de novo de regresso. –assegurou como querendo se convencer mais a si mesmo e Harry lhe entendeu. - Está a ponto de amanhecer… quero ver sair o sol contigo hoje, Harry, não sei que me depara neste dia e não me perdoaria ter estado contigo sem aproveitar o momento.

Harry compreendeu o medo de Severus de não ser capaz de ver outro amanhecer se chegava a perder a sua filha, lhe abraçou com força tentando infundir-lhe ânimo enquanto se acercavam à janela e viam junto com seu filho a saída do sol.

Ângelo olhava-lhes ao longe, esteve a ponto de acercar-se a separá-los, mas a severa advertência de Dumbledore quem aproximou-lhe e sujeitando do braço fez-lhe voltar a sentar-se, impediu-lhe. Permaneceu em seu lugar olhando como seu companheiro e Harry se abraçavam junto com seu filho como se fossem uma família, mas isso não era assim, ele era a família de Severus e esse Harry Potter o aprenderia por bem ou por mal!... Aproveitou que Dumbledore se distraiu falando com Kinsgley para lhe dar instruções sobre recavar informação no Ministério, e então caminhou discretamente para o casal de morenos quem, absortos neles mesmos não se deram conta, se escondendo depois de uma pesada cortina, se dispôs aos escutar.

- Harry… -disse-lhe Severus suavemente ao ouvido. -… tenho medo.

- Beth regressará contigo, amor, não a vai perder nunca.

- Também tenho medo de te perder a ti.

- A mim jamais me perderá, não pense nisso agora, sua atenção deve estar completamente em Beth.

- Não quero que me odeie por não poder detestar a Abbatelli como se merece… eu tento, por ti, e me enfureceu muitas vezes o que faz, mas me rendo, ainda que não lhe perdoarei nunca o que te fez, sinto lástima por ele.

- Que bem. –respondeu sorrindo estranhamente. - Eu senti muitas vezes seu ódio e indiferença e pude viver… com sua lástima não poderia. Pelo menos tenho a satisfação de que eu sim posso o odiar e lhe ter lástima ao mesmo tempo, e o fazer também por ti. Eu não deixarei de odiar por tudo o que te fez, pelo que se segue fazendo, por te ter afastado de seu filho… se não pode o odiar por isso, talvez deva se pôr a pensar se realmente não está apaixonado dele.

- Não! –negou apertando a Harry contra seu peito. - Faz favor, Harry, não duvide de mim!

- Uma vez disse que te creria tudo, e o faço. Mas também tenho medo e tenho muito direito ao sentir.

- Diga que quer que faça e o faço! –exclamou umedecendo o pescoço de Harry. - Diz, Harry, e juro-te que o farei, o que seja, farei qualquer coisa por ti!

Harry separou-se de Severus. O homem não se atreveu ao reter e o sentiu se afastar, ficou apoiado no parapeito, sem lhe importar que tivesse mais gente no despacho, ele chorava pressionado. Ninguém lhe olhava diretamente, só pelo ligeiro movimento de seus ombros souberam o que passava, mas o atribuíam à dor do sequestro de sua filha. Ângelo pensou então em acercar-lhe- aproveitando a ausência de Harry, o único que lhe tinha ficado em sua cabeça da conversa que escutou foi a possibilidade de que Severus estava provavelmente já apaixonado dele.

De repente, a mão de Harry regressou a Severus, acariciando lhe suavemente a bochecha. Ângelo teve que abandonar seu propósito e ficou em seu lugar. Ao voltar-se a olhá-lo, Severus viu que Harry já não levava a Axel em seus braços e lhe apertou o mais forte que pôde.

- Não me deixe nunca, Harry! –suplicou desesperado. - Repudiarei a Abbatelli, prometo-te que o farei assim que Beth apareça!

- A perderia, sabe.

- Harry… de todos modos perderei a metade de minha vida e em todo caso, prefiro me ficar contigo e com Axel.

- Obrigado, obrigado, obrigado! –exclamou aferrando-se ainda mais forte a Severus. - Para valer muito obrigado por eleger-me, Severus. –disse Harry feliz. - Este é um momento que não esquecerei nunca, mas ficará somente entre nós, eu somente precisava o escutar, meu amor… Nunca te permitiria que abandonasse a Beth. Vamos encontrar a solução e crê-me, sou muito perseverante.

- Disse-lhe a Abbatelli que não ficaria mais com ele, ainda que não pudesse repudia-lo para não perder a minha filha, não penso ficar a seu lado mais tempo… te quero comigo, Harry, e espero que me aceite assim… faz favor.

- Eu te aceito como seja, Severus. Mas não falemos disso agora, não se pressione, meu céu, já falaremos de como fazer as coisas quando Beth esteja de novo em seus braços.

Ângelo teve que se sustentar, tudo girava a seu ao redor ante o impacto das palavras escutadas, quis se convencer que tinha um erro, seguramente tinha escutado mau, talvez Severus quis dizer que abandonaria a Harry e a Axel… o outro era inconcebível.

Mas recordava as palavras de Severus antes de despregar-lhe seu encanto, tinha-lhe ameaçado com abandoná-lo… Tropeçando acercou-se a um cadeirão próximo para sentar-se, os joelhos tremiam-lhe como nunca na vida.

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Dumbledore notou a estranha palidez no rosto do Veela, algo em sua mirada não gostou, desviou de seus olhos para Harry e Severus quem permaneciam juntos a um lado da janela enquanto Molly continuava cuidando de seu filho. Seguramente deviam de ter cuidado, Ângelo não estava nada bem.

- Vá descansar, qualquer coisa que passe eu te aviso. –disse-lhe Dumbledore sentando a seu lado.

- Não, não quero deixar só a Severus. –respondeu deixando que as lágrimas brotassem de seus olhos tristes. - Tudo é minha culpa, Severus me culpa pelo que passou e tem razão… por isso não me quer, mas tenho que fazer algo para que me perdoe.

- Tranquilo. Severus não te culpa, de modo que agora será melhor que vá a sua habitação, não tem caso que estejas desgastando-te, tens usado muita magia e deves te repor, assim, assim que tenhamos uma notícia de Beth, te avisaremos para que nos possas ajudar cansado como estás não poderás o fazer, Ângelo.

- Mas…

- Obedece-me por esta ocasião, Abbatelli. Eu não me moverei daqui a não ser que seja para te ir buscar… não te farei a um lado porque sei que está tão preocupado como Severus.

- Ajuda-me, Albus, fala com Severus, diga que me perdoe, que não quero o perder! –lhe suplicou abraçando-lhe. - Faz favor, que não me abandone, preciso que me de uma oportunidade de mudar, estou seguro que conseguirei que se apaixone de mim!

- Ângelo… ele quer a alguém mais.

- A Harry, eu sei. –aceitou chateado. – você tem muita influência com ele, lhe pede faz favor que não me tire a Severus, Albus, que não me tire!

- Eu não posso fazer isso… eles têm direito a estar juntos.

- Não… faz favor. –suplicou a cada vez mais débil e desesperado.

- Tem que te ir a descansar, anda… não perca mais tempo. Quando se sinta melhor se sentará a falar com Severus, é necessário que cheguem a um acordo.

Dumbledore deu-lhe outro frasco de poção para fortalecer-se, depois de tomá-la Ângelo assentiu, não queria se ir, mas também não podia ficar aí, se algo tinha claro em sua dolorida mente, era que devia fazer algo para remediar seu grave erro ao descuidar a Beth, seguramente isso era o que tinha a Severus tão molesto com ele, por isso queria mais a Harry, porque ele tinha a seu filho a salvo… não, as coisas não podiam seguir assim, devia conseguir lhe comprovar a Severus que ele podia trazer de regresso a sua filha sã e salva.

Não foi a sua habitação como fez crer a Dumbledore, se dirigiu de imediato à corujal e envio uma mensagem. Ficou aí até que viu desparecer a coruja no céu que já clareava e então se sentou secando suas lágrimas… ninguém tinha querido escutar na reunião da Ordem, talvez pensavam que estava demasiado afetado para pensar, mas agora que estava só podia atuar como melhor lhe parecia para recuperar a sua filha. Era de vida ou morte fazer algo ou caso contrário, Severus jamais lhe perdoaria por seu descuido.

Não demorou muito em aparecer um elfo doméstico que ele não conhecia, mas que já esperava, sem mencionar palavra lhe tendeu a mão e o elfo lhe entregou um fitol. dourado dantes de desaparecer. Ângelo respirou fundo e então dirigiu-se para os limites dos terrenos de Hogwarts. Olhou por uns segundos para o castelo, esperava que ninguém lhe descobrisse, mas ainda que isso passasse não ia dar nem um passo atrás… essa mesma noite, teriam a Beth em casa.

Depois de acionar o translador, Ângelo apareceu em um lugar desconhecido. Era um alcantilado junto ao mar, depois dele se estendia uma verde pradaria que circundava uma cabana de duas plantas que a todas luzes parecia muito luxuosa. A brisa marinha lhe revolvia seu sedoso cabelo, não se deteve a olhar mais tempo a formosa paisagem, se dirigiu para a cabana, mas dantes de que desse mais de uma dezena de passos, saíram a sua ao redor uma pequena horda de comensais. Abbatelli não podia reconhecer por suas capuchas, mas sabia que não podia fazer nada contra mais de vinte assassinos profissionais.

Sem mostrar o temor que sentia, se manteve com a mirada em alto esperando a que eles tomassem a iniciativa. Viu que um se separava do grupo que já o apontava com sua varinha e se deteve quando ficou a uns passos dele.

- Como posso confiar em ti, Abbatelli?... É tão traidor como Severus. –disse-lhe o encapuchado.

- Terá que o fazer, Lucius… Minha filha não devia ter sido jamais seu objetivo para se vingar de Severus, por isso te ofereci este trato… quero a meu bebê de regresso sã e salva e a mudança te ofereço minha habilidade como Veela para seus propósitos.

- Não me interessa essa habilidade. –murmurou depreciativamente sem imaginar o que tivesse podido conseguir com ela. - Quero saber o outro que oferecia… como me traria?

- Isso deixa em minhas mãos, posso trazer em um par de horas, desde que me prometa que me dará a minha filha em seguida e se esquecerá de nós para sempre.

- Como sei que não mente ao dizer que o filho de Potter é de Severus?... sempre disseram que era de um Weasley.

- Mentiram… portanto, esse bebê interessa-te mais, recorda que foi Potter quem assassinou ao Senhor Escuro, sua vingança deve de ser com ele, não com minha filha.

- Bem, tem duas horas a partir de agora, e qualquer sinal de que me traiu, a pequena Veela desaparecerá do mapa para sempre.

- Não falharei… trarei a esse menino a mudança de minha filha.

Lucius fez um sinal a outro dos comensais quem desativou momentaneamente as barreiras para que Ângelo pudesse se marchar. Ao olhar logo o espaço vazio onde estivesse o Veela, uma jactanciosa sorriso se desenhou em seus lábios depois da máscara… "Esse Veela sim que é estúpido" pensou.

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Ângelo apareceu cerca da Toca, o coração retumbava lhe de pressa, não podia perder tempo de modo que se acercou discretamente. Esteve observando por espaço de poucos minutos, não se via muito movimento, seguramente todos andariam pesquisando ainda o paradeiro de Lucius, mas ele esperava que Harry já tivesse regressado junto com seu filho e Molly.

Sorriu triunfante quando viu pela janela da cozinha a cabeça da mulher ruiva e então caminhou para aí. Esperava que as barreiras não funcionassem com ele e respirou aliviado quando se encontrou o suficientemente perto para comprovar que tinha sido assim, seguramente a raiz da derrota do Senhor Escuro tinham minimizado as proteções e ainda não voltavam às reforçar, isso lhe era muito conveniente.

- Harry, querido, eu me faço cargo do biberão… porque não regressa ao colégio? –escutou que Molly lhe dizia ao rapaz. - Suponho que está preocupado pelo professor Snape.

- Sim, mas não quero me separar de Axel… me dá medo depois do que sucedeu com Beth. É seguro que Lucius planeja uma vingança contra nós… talvez seja bom reforçar as defesas, Molly.

- Tem razão, lhe pedirei a Arthur que o faça quando volte, pelo cedo com as que temos será suficiente. Ademais, Axel tem-nos a ti a mim, não pode pedir mais. –assegurou sorrindo para infundir-lhe ânimo ao jovem pai.

- Sim, é verdadeiro.

Harry mal tinha começado a alimentar a seu bebê quando escutaram o som típico da lareira quando alguém quer se comunicar com eles. Harry olhou relutante para o lugar, ansioso de saber quem era, esperançado por ver a Severus.

- Vê você, Harry, eu termino de alimentar a Axel.

Harry duvidou um pouco, mas somente estaria a uns quantos passos terminou acedendo, nem sequer tinha que abandonar a cozinha, pois a lareira estava ao alcance. Olhou como Molly ocupava seu lugar para sustentar o biberão e então seus olhos se alumiaram quando se girou a ver a lareira e se encontrou com o rosto de Severus.

- Alguma notícia?

- Sim… um par delas. –respondeu Severus com profunda seriedade. - Cremos saber qual é o esconderijo de Lucius, agora mesmo nos dirigimos para lá, mas precisava te pedir que estivesse atento… tenho um mau pressentimento.

- Nós estamos bem, Severus. Molly…

Mas Harry não pôde concluir sua frase, um ruído surdo lhe fez voltear e a sensação de que lhe era esvaziado um balde de água gelada lhe percorreu as costas.

- Molly? –chamou-lhe pondo-se de pé ao ver o assento vazio, outro medo invadiu lhe quando notou que seu filho também não estava. - Molly!

Harry sofreu um sobressalto ao ver à mulher tendida no chão, inconsciente, com aspecto de estar morta. Assustado, saiu correndo esquecendo-se da pobre mulher, com o único pensamento de querer saber onde estava seu filho. Viu uma figura correndo para os limites fora das barreiras e pôde reconhecer ao instante.

- Ângelo, pare!... Que está fazendo? –gritou-lhe correndo para ele. - Devolve a meu filho, Ângelo!

Ao ver que o Veela não lhe fazia caso e corria sem se deter, não o duvidou mais, lançou um feitiço aturdidor, mas justo nesse instante Ângelo tinha atingido os terrenos longe da Toca e desaparecia no ar. Harry ficou em seu lugar por uns segundos, olhando o espaço vazio com horror, estava a ponto de desmaiar-se quando uns braços lhe sujeitaram pelos ombros o fazendo girar sobressaltado.

- Que passou, Harry? –perguntou-lhe Severus. - Quando vi que te desaparecia sem dizer nada e não me respondia…

- Ângelo roubou-se a meu bebê! –gritou desesperado. - Quero a meu filho, Severus, me traz, faz favor!

Severus se cambaleou um pouco ante o impacto da notícia, jamais tivesse esperado que Ângelo chegasse a atuar dessa forma. Apertou a Harry com força contra seu peito, sentindo suas lágrimas empapar a túnica que levava. Mas não podiam ficar a lamentar o sucedido. Tomou ao garoto da mão e regressaram à Toca, Harry olhou a Molly sentindo-se culpada por tê-la esquecido e esperou pacientemente a que Severus a revisasse, enquanto orava para não escutar uma má notícia.

- Está mau, Harry. Chamarei a St. Mungo de imediato, combina-te com ela enquanto… eu tenho que me unir para resgatar a Beth, e agora também a Axel. –disse com pesar.

- Não!... –negou-se Harry. - Chama a alguém mais, Severus, mas não posso me ficar aqui, quero ir contigo para trazer a meu filho! Não ficarei!

Severus assentiu e usando um pouco de pós flu comunicou-se ao despacho de Dumbledore, e em poucos segundos chegava Bill para cuidar de sua mãe e levá-la a St. Mungo. Severus sujeitou a Harry da mão e saíram para fora das proteções, ele levava um translador que tinham fabricado para levar para o lugar onde criam se escondia Lucius. Abraçou a Harry e desapareceram para reunir com o resto da Ordem depois de uma cabana enorme de duas plantas.

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- Aqui tens o menino. –disse Ângelo tendendo o corpo que chorava a todo pulmão quando estiveram em frente a Lucius. - Agora regressa a minha filha para poder me ir de aqui.

- Tem feito um bom trabalho, Abbatelli. –respondeu-lhe Lucius fazendo um sinal a um dos comensais para que tomasse ao bebê. - Lamentavelmente acho que ainda não poderá se ir.

- Mas…

Lucius não lhe deixou dizer nada mais, Ângelo se viu de repente preso de outro cruciatus, as poucas forças que tinha conseguido reunir com poções se esgotavam, se deixou cair ao solo, sem resistir à maldição, sabia que isso somente lhe acarretaria ficar totalmente debilitado e precisava se manter consciente, de modo que suportou toda a dor com resignação, valendo do pensamento de salvar a sua filha para Severus, isso lhe ajudaria a tolerar tudo. Ao cabo de uns minutos, e quando começou a sentir um fio de sangue escorregar por sua boca, se sentiu ao fim libertado da dor, mas em seguida foi sujeito por umas sensatas procedentes da varinha do comensal e foi levado para uma habitação contigua ao salão onde se encontravam. O coração de Ângelo acelerou-se ao compreender que tinha sido demasiado confiado, mas também se regozijo ao ver que se filha se encontrava aí, deitada no chão, a uns poucos metros dele. O comensal que o levou deixou também a Axel junto ao bebê antes de se marchar ato sua função de sentinela. Ângelo acercou-se como pôde a sua filha, se inclinando para ela para a acalmar pois chorava de fome e frio.

- Não chore, amor. –pediu-lhe acariciando com seu nariz. - Aqui está papi contigo… e nos iremos cedo, te prometo… Papai vai vir por nós me cries, verdade?

A menina deixou de chorar ao instante, suspirando cansada, mas feliz de escutar uma voz conhecida, e esse pequeno tacto que lhe brindava um profundo bem-estar. Ângelo se aconchegou a seu lado, tentando esquentá-la com seu próprio corpo, apesar de que era verão ainda, naquelas alturas fazia frio que se acentuava com o contato com o solo de mármore. Já não lhe ficava mais que esperar, ainda que sua mente se resistia tentando encontrar uma maneira para sair daí.

Foi só uns poucos minutos depois quando viu sua oportunidade. O comensal voltou a entrar e fechou a porta depois dele. Ângelo sorriu usando algo de seu encanto Veela, não podia o usar tudo, estava demasiado débil e devia saber administrar sua magia, mas foi suficiente com um pouco para conseguir que o encapuchado se lhe ficasse olhando hipnotizado.

- Seguro é muito atraente baixo essa máscara… -disse-lhe sugestivamente. -… Porque não me solta para que possamos passar um bom momento? Asseguro-te que não te vai arrepender… Veem, me solta agora mesmo e comprovará o que poucos magos têm tido… saberá o que pode fazer um Veela para que desfrute como nunca.

O comensal não pôde se resistir à tentação, com sua varinha libertou a Ângelo e este se lançou contra ele para o desarmar. Foi-lhe fácil aproveitando que o homem ainda se encontrava obnubilado por seu influxo. Agora foi ele, quem aproveitando a varinha do comensal lhe deixou atado e amordaçado junto a uma esquina da habitação. Sem perda de tempo tomou a sua filha em braços ignorando completamente o pranto temeroso de um menino que ficava abandonado no chão.

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Ângelo aplicou-se a si mesmo e a sua filha um feitiço desilusionador, abriu a porta e notou que ninguém se girou a olhar, talvez já esperavam que o comensal saísse. Foi deslizando para a porta aberta, arrulhando silenciosamente a seu bebê para que não fizesse nenhum ruído para que os delatasse. Mas o pranto de Axel incomodou a Lucius e enviou a outro dos comensal para que calassem ao infante.

Ângelo soube que seria descoberto de modo que correu para a saída sem lhe importar já fazer ruído. De imediato foi descoberto e comprovado quando o comensal saiu da habitação dando a voz de alarme. Um contra feitiço de Lucius revelou sua localização e já sendo visível, não lhe ficou nada mais que correr para se livrar dos malefícios que lhe eram lançados.

Em sua tentativa de fugir, Ângelo teve que esquivar a outros comensais, e se viu obrigado a se acercar ao perigoso alcantilado. Sujeitou forte a seu bebê, não ia permitir que ninguém a lastimara e lutou contra todos sentindo que a força se lhe esgotava, teve muito medo, os comensais se multiplicavam à cada momento.

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Quando Severus e os demais atravessaram as barreiras e se dirigiram à cabana se encontraram o singular espetáculo. Ângelo lutando como podia contra quase trinta comensais, era um milagre que ainda não tivesse sido lançado ao alcantilado que tinha a suas costas. Sem perda de tempo, os membros da Ordem correram a ajudar-lhe. Severus ia fazer o mesmo, assustado de ver que Ângelo sustentava a sua filha em braços, mas ao ver que Harry corria em direção contrária e se adentrava à cabana não pôde o deixar só, agora tinha que confiar que seus colegas ajudariam a Abbatelli e ele foi depois de Harry.

O salão estava vazio, e seguindo o pranto do bebê, Harry conseguiu dar com ele na outra habitação. Levantou-o com cuidado do chão conseguindo que o pequeno deixasse de chorar.

- Já, meu menino, já temos vindo por ti… te amo, bebê.

Harry beijou a seu filho antes de dedicar-se a revisá-lo assegurando-se de que estivesse bem. Nesse momento chegou Severus a seu lado.

- Está bem?

- Acho que sim.

- Tem que te levar daqui, Harry. –disse-lhe Severus. - Regressa ao caminho onde aparecemos, daí podes te ir a St. Mungo para que o revise um médico.

- E você?

- Tenho que me ficar… Anda, agora o importante é que cuides de Axel.

- Sim… cuida-te, te estarei esperando.

Severus beijou brevemente a Harry antes de levar à saída, aí teriam que se separar. Harry viu como Severus subia correndo colina acima para onde se tinha desatado a batalha, teve muito medo por ele, mas agora era muito importante sacar a seu filho desse lugar.

Nem bem andou uns quantos passos, quando Harry se deteve de improviso ao ver que três comensais apareciam em frente a ele lhe ameaçando com suas varinhas.

- Devolve-nos, Potter! –Ordenou uma voz que Harry não conhecia.

Harry não respondeu, sacou sua varinha disposto a brigar. Um forte Expelliarmus enviou a um deles até vários metros longe. O grito de Harry chamou a atenção de Severus quem voltou-se a olhar. Pôde ver como a cada vez eram mais comensais os que se uniam contra Harry, mas não era o único, também contra ele. Não podia fazer nada pelo ajudar de modo que deveu confiar em que podia com todos. Depois olhou a Ângelo, já somente lhe ficavam dois, pois os demais lhe abandonavam para ir contra o resto da Ordem. No entanto, Ângelo via-se realmente fatigado, seus feitiços eram a cada vez mais débeis, e finalmente o único que pôde fazer foi reunir as forças que lhe ficavam para invocar um escudo e ficar ajoelhado na grama protegendo a sua filha.

Severus confiou em que o escudo resistisse até que alguém se desse conta e lhe ajudasse. Recordou seus próprios conselhos de batalha que lhe desse a Harry e soube porque ele se sentia tão confundido ao respeito… agora ele também não podia se resistir à tentação de olhar a sua esquerda e vigiar a Ângelo e Beth… ou a sua direita e orar para que Harry e Axel não fossem feridos.

Os membros da Ordem viram sua situação, notaram como os comensais tendiam a atacar ao que consideravam traidor e ao assassino de seu Amo. Remus correu a libertar a Ângelo dos dois comensais, conseguindo que com um feitiço ambos caíssem pelo alcantilado justo quando acabavam de romper o escudo… tinha chegado justo a tempo.

Agora parecia que já ninguém atacava a Ângelo, de modo que o deixou para ir ajudar a Severus. Com isso conseguiu chamar a atenção de vários de seus colegas, quem deixaram a seus combatentes para libertar a Severus de uns quantos comensais. Snape jogou uma última mirada a Ângelo, parecia finalmente a salvo, e depois girou a sua direita e o coração encolheu-se-lhe… Harry tinha sido encurralado para uma parede rochosa, já só tinha um comensal com ele, e lhe apontava, o Gryffindor fazia o mesmo mas não disparava, isso alarmou a Severus, queria o ir ajudar mas não podia, eram demasiados os comensais lhe atacando, não lhe davam descanso e começava a se fatigar.

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- Tem medo, Potter? –debochou-se o comensal que Harry reconheceu como o pai de Zabini. - Não acho que te seja difícil enviar esse Avada como o fez com meu Senhor… É tão assassino como nós, não importa a quantos se tenha levado em sua vida, uma vida é uma vida, e isso te converte no que é, Potter.

- Cale-se. –ordenou-lhe trémulo. - N-não é verdadeiro.

-É um assassino!... –gritou desquiciado. -… Como vejo que também é covarde, porque não me suplica como te suplicava Tom, Potter?... Suplica por sua vida!

Harry negou, lutando por não se deixar dominar, mas essa distração lhe custou cara, mal sim conseguiu invocar um escudo para evitar que uma chama chegasse até eles e lhes incendiasse. O rapaz esforçava-se por manter sua proteção, mas era difícil fazê-lo por bem mais tempo, o calor intensificava-se e seu menino chorava, isso lhe incrementava a angústia, não podia o soltar para poder brigar, se o fazia, romperia o escudo e os resultados seriam fatais.

Pensando que a única opção que tinha era aproveitar um segundo para romper o escudo e então voltar a assassinar, Harry soube que não tinha outro caminho, mas ainda duvidava, era demasiado o risco para Axel, não queria nem se imaginar o que passaria se o fogo chegasse ao atingir.

De repente, quando sentiu que tudo estava perdido, um forte vento assolou a colina, a briga se deteve por espaço de segundos ante o pó que se levantou e que mal lhes permitia ver. No entanto, para Harry aquilo foi uma bênção, os lumes se apagaram e rompendo o escudo apontou para o comensal, já não tinha outra opção, teria que assassinar. Mas, dantes de que pudesse completar a maldição, um fulgor verde o deslumbrou. Instintivamente agachou-se cobrindo a seu filho com seu corpo esquecendo-se de todo os demais.

Por um instante creu estar morrido até que sentiu uns cálidos braços lhe rodeando preocupados, lhe reconfortando com seu carinho, então soube que tudo estava e estaria bem. Se aferrou a Severus olhando acima de seu ombro ao comensal caído.

- Está bem? E Axel?

- Os dois estamos bem… obrigado. –disse compreendendo quem tinha sido o autor do Avada que assassinou a Zabinni. - Que foi esse vento?

- Não tenho ideia, mas não podemos nos deter ao meditar… Vamos, há que sacar a Axel daqui.

Harry assentiu, mas assim que incorporaram-se uma suave canção que os fez se deter paralisados pelo assombro. O pó começava a assentar-se e o vento foi acalmando-se enquanto a melodia cessava… a batalha continuou. Mas Severus e Harry continuaram uns segundos sem saber que dizer, simplesmente recordando o reclamo de Harry, fazendo cúmplice ao vento de seu amor, e que agora ia aos ajudar.

Não tiveram tempo de pensar em nada mais, os comensais os descobriram e se apressaram aos atacar. Severus cobriu a Harry com seu corpo, defendendo a sua família dos comensais de quem tinha conseguido escapar segundos antes, usava quanto feitiço e maldição sabia-se, enquanto o Gryffindor fazia o mesmo invocando novamente um escudo e protegendo a seu filho, estava tão aturdido que não podia lutar, simplesmente abraçava a Axel com sua vida. Odiava não poder o ajudar, mas depois do alívio de não ter invocado o Avada, não se cria capaz de voltar a provocar a morte de ninguém. Desengajado, deixou-se cair na erva, abraçando a Axel enquanto Severus permanecia de pé desviando os feitiços.

À distância, Ângelo notou o apresso de Severus, os da Ordem não se tinham dado conta, e ao o ver em perigo soube que tinha que fazer algo por ele. Pensando que já ninguém lhe atacaria, pois desde fazia um tempo tinha tido oportunidade de repor um pouco de força, deixou a Beth ao refúgio de uma rocha e saiu correndo para Severus.

- Abbatelli! Que faz? –gritou-lhe Severus ao descobri-lo. - Cuida a Beth!

Ângelo deteve-se de imediato, compreendeu seu erro e girou sobre si mesmo para regressar sobre seus passos, mas o que viu lhe paralisou a alma. Dois comensais, um deles com mechas loiro platinado sobressaindo baixo sua capucha se tinham acercado à menina. O mais baixo deles a levitava a cada vez mais alto.

- Hey, Lucius!... Que te parece um tiro ao alvo?

Beth foi lançada ao ar com força, cedo começaria sua queda ao mar e seu corpinho se estrelaria na água ou nas presas rochas que bordeavam o alcantilado… mas isso não era diversão para os comensais. Lucius apontou para o corpo com firmeza.

- Avada Kedavra!

Ângelo viu o mortal raio sair da varinha de Lucius, não pôde mais e se desmaiou escutando o grito de terror de Severus.

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Nota tradutor:

Mas esse veela é um tosco!

O que será que acontecerá?

Vejo vocês no penúltimo capitulo?

Vou ganhar reviews?

Ate breve fui…