Epílogo
Harry removeu-se em seu lugar, podia sentir a Severus abraçando-o possessivamente enquanto dormiam. A um lado da cama, o aparelho que servia de alarme avisando que eram requeridos na habitação infantil não deixava de piscar.
- Sev… amor… -chamou-lhe Harry preguiçosamente. - Toca-te ir.
- Não… eu fui a última vez. –protestou o mago maior acercando-o mais contra seu peito.
- Mentira. –sorriu Harry. - Esse fui eu, não o esqueça, disse que estava cansado… agora te toca a ti.
- Mmm… E não poderia a trazer cá com sua grandiosa magia? –debochou-se sem intenção de mover de seu lugar.
- Já te disse que não soube como o fiz. –respondeu divertido. - Mas se quer arriscamo-nos, lança-lhe um Avada e vejo se posso transportar a sua filha para cá.
- Não, melhor não. –negou depois de meditá-lo um par de segundos. - Irei ver que quer essa menina.
Harry acentuou seu sorriso, ainda sem se dignar a abrir os olhos e notou satisfeito como seu esposo se levantava a relutantemente, ele preferiu se acomodar e desfrutar de seu cálido leito enquanto Severus voltava. O resmungão professor de Poções não teve mais remédio que se pôr uma bata e caminhar ainda meio dormido para a habitação contigua. Fechou a porta para não molestar a Harry ao acender a luz, e sorriu ao ver a dois jovenzinhos de onze anos se acercar a uma berço para levantar a sua irmã menor.
- Que fazem despertos?
- Tínhamos que vir a ver a Carolyn. –respondeu Beth sustentando à pequena de cinco meses em seus braços e conseguindo acalmar ao instante. - Vocês são uns pais desnaturalizados que a deixam chorar demasiado.
- Bah, é uma exagerada, Beth. –murmurou Severus sem dar-lhe credibilidade à broma de sua filha. - Anda, regressa à cama que eu me farei cargo de minha menina.
Severus acercou-se com toda intenção de sujeitar a sua pequena de formosos olhos verdes como os de seu Harry, sorriu ao a ver, acariciando seu suave cabelo vermelho, a cada dia a via mais bela, lhe encantava se ir aprendendo a forma de algumas de suas pecas em seu nariz, descobrindo o nascimento de umas novas e a atenuação de outras… tudo em Carolyn era um milagre para ele. No entanto, Beth o esquivou e foi sentar-se em um cadeirão que atuava como cadeira de balanço e que a sua irmã encantava.
- Para que fique dormido como a outra vez? –debochou-se Axel indo sentar-se junto a sua irmã.
- Verdadeiro, meu irmão tem razão. –secundou Beth. - Melhor regressa com o outro frouxo que deveu te ter chantageado com o Avada para que quisesse vir. Nós nos faremos cargo de Carolyn.
- Tão mau conceito têm de nós? –disse, fingindo ofender-se.
- Claro que não, papai. –assegurou sorrindo Beth e sujeitando a seu pai da mão, fazer inclinar-se para dar-lhe um pegajoso beijo que sabia resultaria em uma careta de suposto desagrado, ainda que Severus jamais conseguia ocultar o brilho de seus olhos a cada vez que um de seus filhos lhe beijava. - Mas acho que nós podemos cuidar a nossa irmã, verdade, Axel?
- Assim é. –aceitou o moreninho recostando-se disposto a passar toda a noite velando o sonho do bebê. - Não há ninguém melhor para a acalmar que Beth e eu fico à acompanhar, de modo que regressa à cama, papai.
- Bem… se vocês insistem. –aceitou Severus dando a volta feliz.
- Ah, mas antes tem que me prometer que nos dará um muito bom presente de aniversário.
- Prometo-lhes o que queiram, Axel, mas já me deixem ir dormir.
- Dormir?.. Sim como não! –exclamou Beth com seu belíssimo sorriso. - Sugiro-lhes que insonorizem sua habitação… às vezes são seus ruídos os que acordam a Carolyn.
Severus enrijeceu ante o comentário de sua filha, mas preferiu não responder, não estava preparado para falar dessas coisas com adolescentes, jamais o faria. E não se atreveu a amoestarmos quando os viu rir de sua reação. Girou para marchar-se, mas antes de fechar a porta depois de si, voltou aos olhar e um doce sorriso se desenhou em seus lábios. Sua filha era realmente formosa, nunca tinha visto nada parecido jamais, e seu encanto Veela era indiscutível, sabia que por isso era quem melhor sabia tratar ao bebê e conseguia a dormir com só lhe falar. Depois olhou a Axel, tão doce e gentil, aposto e valente, abraçado a sua irmã à que adorava e protegia de todos, se tratavam como gêmeos ainda que eles sabiam que tinha alguém mais na vida de Beth, mas não falavam disso por petição própria da menina. Respeitaram essa decisão esperando que um dia estivesse preparada para o fazer.
Severus regressou ao lado de Harry, meteu-se baixo as cobertas e voltou a abraçá-lo felizmente apaixonado e contente com sua família.
- Regressaste rápido. –disse-lhe Harry dando-se a volta para trepar-se sobre ele e afundar seu rosto no pescoço de Severus lhe atacando a suaves beijos.
- Sou muito hábil com os bebês.
- Mentiroso… deveu ter-te ajudado Beth.
- E Axel. –reconheceu sorrindo enquanto desfrutava das caricias de seu esposo. - Harry… acha que somos maus pais para Carolyn?
- Não… -negou sugando a pele do pescoço de Severus. -… Acho que somos maus pais para Axel e Beth.
Severus sorriu divertido sabendo que não era assim, a prova eram os magníficos filhos que tinham e que tinham conseguido conformar uma peculiar, mas formosa família.
- E… não me disse com que te subornaram hoje.
- Querem bons presentes para seu aniversário.
- Sabe o que isso significa? –perguntou deslizando sua mão baixo o pijama de Severus.
- Sim… quererão vassouras.
- E não se preocupa por isso?
- Não, porque em um par de meses entrarão a Hogwarts e acho que seu Professor de Poções lhe confiscará.
- Mmm… me encantará ver ao sádico Snape torturando a seus próprios filhos.
- Claro, é meu papel… com seu consentidor professor de Defesa, não posso ser de outra forma.
- Não finja, que sei que te encanta.
- Como a ti te encanta o sádico professor.
- Sim… Muito!
Harry apoderou-se da boca de Severus para saborear seus lábios que tanto gostava. Ao ver que não iam dormir, Severus recordou a sugestão de seus filhos e tomando sua varinha, insonorizo a habitação para depois se lançar sobre Harry, seu desejo por ele se incrementava dia com dia.
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À manhã seguinte, estavam a ponto de sair com rumo ao Beco Diagonal para comprar o necessário para o próximo ano escolar de seus filhos, ambos entrariam a Hogwarts e nenhum dos quatro podia dissimular o emocionados que estavam, bom, os cinco, porque até Carolyn rebotava feliz nos braços de Harry enquanto esperavam a que Beth terminasse de se arranjar.
- Como lhe vamos fazer agora que entre a classes e tenha que viver na habitação da casa que lhe toque? –perguntou Harry. - Terá demasiados garotos perto… não podemos lhe pedir a Albus que a deixe conosco?
- E que se nos arme a guerra? Recorda que quando nossos filhos se unem são de se temer e seguramente Axel criará todo um plano para se sair com a sua… desde faz tempo que planejam como se desfazer de nós, acho que morrem de ansiedade por passar mais tempo com seus amigos.
- Ron também sempre diz que te quer muito. –respondeu sarcástico, ele era feliz de saber que Ron fazia espaço em seu trabalho como Auror para lhe ajudar a organizar torneios escolares de quidditch e xadrez, enquanto Hermione se envolvia mais em clubes de leitura, ter a seus amigos perto sempre lhe fazia muito feliz. - E como lhe faremos para os cuidar?
- Não sei, mas pelo cedo direi a Minerva que pronuncie bem seus sobrenomes quando a chame ao chapéu selecionador… suponho que teria que ser muito tonto o que se arrisque ao tentar sequer, não somente com Beth, com Axel também.
Harry sorriu imaginando-se as cenas, mas não pôde responder nada porque alguém chamou a sua porta. Severus foi a abrir e ao ver ao recém chegado formou-se um tenso silêncio. Harry pôs-se de pé empalidecendo enquanto Axel, quem chegava nesse momento olhava-lhes confundido, sem saber porque até Severus tinha essa expressão no rosto.
- Abbatelli. –murmurou Severus debilmente.
- A última vez que nos vimos me chamava Ângelo. –respondeu sorrindo de uma maneira que a Harry se lhe alboroto de novo o monstro de ciúmes. Ângelo luzia espetacular, mais belo e deslumbrante que nunca, nem sequer se notava o passo dos anos e com sua túnica da cor de seus formosos olhos simplesmente era inultrapassável.
- Abbatelli? –perguntou Axel. - Ele é...
- Olá. –saudou Ângelo entrando sem ter sido convidado e dirigindo ao jovem de olhos negros. – Você deve ser Axel, me sinto muito feliz de te conhecer.
- Que faz aqui? –perguntou Harry colocando em frente a seu filho que começava a ver ao Veela com admiração.
- Quero ver a Beth… posso? –perguntou com amabilidade.
Não teve uma resposta imediata. Harry e Severus trocaram miradas. Foi Severus o primeiro quem entornou os olhos olhando ao Veela inquisitivamente.
- Não se supõe que não pode a ver?
- Tenho um tempo limite. –respondeu sem deixar de sorrir. - Nesses momentos há um Conselho de Veelas unidos em um ritual para dar-me a oportunidade de falar com Beth. Será por esta ocasião somente… é hora de que conheça sua herança Veela.
- Não quero que conheça nada dos Veela. –manifestou Harry.
- Ainda que não queira, ela deve saber o que é, por seu próprio bem.
- Que quer dizer com isso? –questionou-lhe Severus.
- Só isso… vocês não podem lhe dar a informação que precisa. Só preciso uns minutos com ela, prometo que não farei nada mau, mas reconheçam que Beth tem direito a saber.
Novamente Harry e Severus olharam-me compreendendo que talvez era verdadeiro, seria absurdo negar que Beth era toda uma Veela, e justo então apareceu Beth na habitação.
- Já estou pronta! –exclamou sem ter visto ainda ao visitante.
- Beth…
Elizabeth empalideceu ao ver ao Veela, não teve que lhe pensar muito para saber quem era, e instintivamente se sujeitou da mão de Harry com temor.
- Falaram-lhe de mim? –perguntou Ângelo sem apartar a mirada da recém chegada que lhe via como se se tratasse de um fantasma.
- Ela sabe quem é. –respondeu Severus.
- Permite-me acercar-me um pouco, Beth?
Beth olhou a Severus em busca de apoio, mas seu pai olhou-lhe dando-lhe a liberdade de escolher. De modo que buscou a mirada verde esmeralda esperando que ele sim se negasse, mas Harry lhe sorria carinhoso… se aferrou mais a ele negando fervorosamente com a cabeça.
- Beth… veem, vamos falar. –pediu-lhe Severus.
Beth cria saber as pretensões de seu pai e por um segundo se aferrou mais a Harry, mas finalmente não pôde se negar e acompanhou a Severus à outra habitação. Ao ver que Axel continuava olhando sem piscar a Ângelo, Harry lhe ordenou se reunisse com seu outro pai. Pese a sua vontade, o moreninho teve que obedecer, ainda que não decolou a vista do formoso homem que acabava de conhecer.
- Vejo que tem outra filha –perguntou Ângelo ao ver à formosa pequena que Harry abraçava com ciúmes. - É muito linda.
- Sim… obrigado. -respondeu não muito entusiasta.
- Alegro-me… Felicidades, Harry. Vejo que tem sabido os educar bem, é evidente que Beth sente muito afeto por ti.
- Eu a adoro, o amo como se levasse meu sangue e a defenderei com unhas e dentes se é preciso.
- Não tem porque o dizer, sei que assim será. –disse sem fazer caso da ameaça implícita do moreno.
- A que veio, Ângelo? –perguntou sem molestar-se em ocultar seu desgosto.
- Quero ver a minha filha… já o disse, não acho que seja muito pedir falar com ela.
- Sim, sim é!... Não vou permitir que me tire e também não a Severus, me dei conta como o olhava e mais te vale que se aparte dele!
Ângelo sorriu com cinismo sem preocupar-se por negar as palavras de Harry, mas quando foi a sentar em um cadeirão, sua mirada mudou, uma sombra de enorme tristeza lhe escureceu e começou a chorar ante o desconcerto de Harry.
- Que pretende com isto, Ângelo?
- Nada… Talvez tem esquecido que os repudiei? Perdi-os a ambos. Nem sequer devia estar aqui… e já não posso seguir fingindo que tudo está bem. –respondeu com profunda dor. - Precisava ver a Severus uma vez mais, tão só uma vez mais!
- Tem que se afastar dele, já não é seu, nunca o foi!
- Mas amo-o, vou amá-lo eternamente e a cada dia mais e mais!... estava-me afogando sem vê-lo, morria-me por estar tão longe dele!
- Nem sequer veio por Beth. –disse com profunda decepção.
- Sim, também por Beth!... –exclamou com algo de insegurança que confirmou o pressentimento de Harry. -… O amo muitíssimo e tem sido o motivo de minha visita.
- O único que queria era um pretexto para ver a Severus, te advirto que não te permitirei que a lastime.
- Já não me interessa o que pense, sim é um pretexto é muito justificável… Sei que entrará a Hogwarts muito cedo, e agora que a vejo compreendi que fiz bem em vir… É um anjo, Harry, sua beleza não tem igual e tem que a cuidar!
- Não era necessário que viesse para que dissesse isso… tanto Severus como eu sabemos que devemos a cuidar.
- Falou do Encanto e do Reclamo Veela?
- Algumas coisas.
- Tem que lhe dizer tudo, Harry, ela tem que saber todas as consequências de reclamar a alguém!
- Consequências?
- O que te direi é melhor que fique entre nós, Harry, não lhe diga a Severus, não quero que se sinta mau por mim. Apesar de todo sei que chegou a me apreciar e isso lhe agradeço muito. Eu falarei com Beth ao respeito, mas notei que minha menina confia muito em ti e tem que a guiar, mas faz favor, sem que se inteire Severus… ele pensa que ao repudia-lo os dois nos libertámos e isso não é assim.
- De que está falando? –perguntou assustado.
- Eu o libertei a ele… mas eu seguirei sendo sempre seu.
- Ângelo, preciso que me explique isso.
- Desde o momento em que o reclamei me condenei a mim mesmo a não poder amar a ninguém mais, esse é o motivo pelo que já ninguém o formula. Faz séculos parecia uma boa ideia, e quiçá era-o se a quem reclamavas amava-te, entre Veelas era fácil conseguir usando o encanto, por isso não tiveram repercussões em um princípio, até que a alguém se lhe ocorreu fazer com uma pessoa que não o amava, a má sorte fez que a morte lhe chegasse um par de dias depois, não teve tempo de conseguir seu amor… aí começou tudo.
- Que?... Que começou?
- O Poder do Reclamo obteve-se em negociação com alguns outros seres mitológicos, Fadas e Duendes, quem deram-no aos Veela em pagamento por ajudá-los em guerras contra gnomos e gigantes. Mas não se deram conta que tinha muitas cláusulas escondidas… Quando essa pessoa que formulou o Reclamo para quem não o amava e morreu, se soube então quais eram. Tanto o Reclamador como o Reclamado ficaram eternamente vagando entre as vidas, o primeiro amando a cada vez mais, o segundo, sem possibilidades de amar a ninguém.
- Mas porque passou isso?
- O Reclamo, deve de ser entre duas pessoas que se amem para que funcione, para que possam viver sempre juntos sem risco a que ninguém os separe… Se o faz com uma pessoa que não sinta o mesmo, tem que conseguir mudar isso, se não, ambos se condenarão.
- Severus…
- Libertei a Severus justo a tempo. –respondeu compreendendo a inquietude de Harry. - A prova é que está contigo e não morrendo em vida por não poder estar com quem ame sem o risco do fazer perder a vida.
- Mas, isso é pelo indulto ou não?
- Em parte, mas se eu tivesse morrido antes de repudia-lo, o indulto se tivesse anulado, Severus carregaria com a condenação por sempre.
- E você?
- Eu não consegui que Severus se apaixonasse de mim. –disse com os olhos anegados e a voz avariada. - Pode entender o que significa?... não cumpri o trato. Quem faz se escraviza para a eternidade… Meu amor por Severus seguirá crescendo, fomentado pelo reclamo, por minha magia eterna que se encarregará de que não deixe de amar a quem reclamei para mim.
- Mas…
- É minha magia que nunca morre, Harry. –repetiu tentando fazer-lhe ver a gravidade do que dizia. - Eu devia ter conseguido que Severus me amasse, era minha única opção para minha alma de poder se salvar, mas não pude… Não é meu coração mortal, não é tão fácil como morrer e terminar com tudo, é a magia… é essa energia indestrutível que me seguirá na cada vida a que me encadeia a meu próprio reclamo. A cada vida o amarei e a cada vida será maior esse amor… e a cada vida lhe buscarei sem o encontrar. Finalmente lhe repudiei, já nunca será para mim… o amar sem ter jamais seu amor é minha condenação.
- Que fez Ângelo? –perguntou pressionado pela informação que desconhecia.
- Eu só queria que me amasse!... Era demasiado pedir?
- Pôs a Severus em uma situação demasiado grave, não pensou jamais nele!
- Pensei sempre nele, à cada momento, eu o amei com todas minhas forças e queria que me amasse, me tivesse sido fácil se tivesse usado o encanto Veela, mas não quis, achei que com meu carinho podia conseguir que em algum dia se fixasse em mim, que reconhecesse que não é muito melhor que eu e que me amasse!... Se fiz o reclamo jamais foi por maldade, ainda que reconheço que atuei com egoísmo, nunca foi minha intenção lastima-lo!
- Sua obsessão levou-te demasiado longe.
- Não julgue minha obsessão que foi igual que eu. Você também cometeu muitas loucuras e nesse tempo, também não pensava em nada mais que em me ganhar o amor de Severus. A sorte que teve foi que você sim teve seu amor que te ajudou a curar sua obsessão… eu não.
- Eu nunca te tirei, você exerceu um poder sobre ele de maneira totalmente arbitrária.
- Arbitrária?... Não acha que se eu lhe tivesse confessado tudo isso a Severus, ele não estaria agora comigo?... isso sim tivesse sido completamente arbitrário, estou convencido de que jamais me tivesse abandonado e em algum dia quiçá chegasse a me amar. Renunciei a ele sabendo o que me esperava e não me arrependo… por ele, jamais por ti!
- Nem me importo. –respondeu bufando contrariado. - Tens que reconhecer que nunca teve direitos sobre Severus. –aclarou entornando seus olhos com ira. - Pode ser que sim foi obsessivo, não o nego, mas a diferença entre você e eu, Ângelo, radica em que se Severus chegasse a deixar de me amar, eu te iria buscar até o fim do mundo se é preciso para que indultara a quem ele quisesse… é algo que não pode entender.
- Não, não posso. –aceitou desafiante. - E você não entende quanto amo eu a esse homem que está aí! –agregou chorando desesperado enquanto apontava a porta por onde tinha desaparecido Severus com sua filha. - Mas mais vale-te que se cuide do perder, porque se ele te chega a esquecer… não indultarei a ninguém mais, pelo menos não porque você me peça. Não farei nada mais por ti, Harry Potter… ainda que não o reconheça, me deve tudo o que tem.
- Eu não te devo nada, Ângelo. –ratificou rindo divertido. - você jamais fez que Severus me amasse, e me desse esta família. Em todo caso, se alguém deve algo, esse é você, porque nesta vida estaria pagando essa condenação em Azkaban ou até ter sido submetido ao beijo do dementador, o que fez a meu filho não tem perdão. Você cometeu seus próprios erros que te levaram a perder a oportunidade que tivesse tido… talvez até tivesse conseguido que Severus te amasse, mas não soube o amar, por muito que segundo você sacrificasse por ele, não o fez a tempo. Foi demasiado estúpido e eu, simplesmente me alegro disso.
- Não duvido que seja feliz me vendo sofrer como agora, mas sei que sempre me odiou por não ter a oportunidade de reclamar, de saber que não é tão seu como quisesse.
- Severus é tão meu como Ele quer. –respondeu desafiante. - Mas bem, tem ficado claro que esse reclamo segue sendo muito importante para ti, te compadeço, se esse é seu propósito ao vir a me chorar pois o conseguiu, mas nem se te ocorra pensar que me farei a um lado por ti… A cada vez que vejo a meu filho, que recordo o sofrimento de Severus ante a ameaça de perder a Beth, ou à mesma Elizabeth a ponto de morrer por sua culpa, se me esquece que não é bom odiar… Desfruta seu reclamo, Ângelo… eu desfrutarei a Severus.
Uma mirada de ódio cruzou-se entre os dois pares de olhos verdes, tão diferentes apesar de tudo. Finalmente Ângelo suspirou e baixou a guarda, resignado a que não podia fazer nada, Harry era agora o dono do coração de Severus e ainda que quisesse, não poderia lhe tirar. Sentia uma forte dor no peito ante a ansiedade de querer ser ele quem estivesse em seu lugar, de ser a pessoa que podia fazer feliz a Severus, ele queria ser por quem os olhos negros brilhassem como o fizeram quando se cruzaram com os de seu esposo… Odiava a Harry, isso lhe era inevitável, mas também se sentia agradecido de que estivesse conseguindo o que ele não pôde, mas isso, jamais o reconheceria em frente ao garoto, seu orgulho lhe impedia.
- De todos modos não tenho vindo por Severus. –replicou limpando-se altivo as lágrimas, ainda que outras ocupassem seu lugar, sem lhe importar uma expressão de incredulidade do Gryffindor. - Só tenho querido te pôr ao tanto de todo para que cuides bem de Beth.
- Lhe direi tudo, nunca tenho pensado em lhe ocultar nada.
- Isso espero… se Beth chega a formular um reclamo, ante a pouca informação que tem de sua raça por não crescer entre nós, é provável que sofra demasiado… e eu não quero que minha filha passe pelo mesmo que eu. Ela não deve reclamar nunca a ninguém, pode se apaixonar, ter namorados, casais, se casar, o que queira… mas te assegura de que jamais reclame a ninguém!
- Já te disse que o farei. –repetiu ocultando o temor que sentia por tão absurdas tradições.
- Obrigado, trouxe alguns livros que não se podem conseguir facilmente por aqui. –agregou sacando uns livros reduzidos de seu túnica e depois de colocá-los sobre lua mesinha, os ampliou a seu tamanho normal, Harry viu-os mas não os tomou, ainda que se prometeu em silêncio repassar conscienciosamente essa mesma noite. - É sobre costumes Veela, estuda-os junto com Beth, e qualquer coisa que não entenda, pode se comunicar comigo a Florência… sei que posso confiar em ti.
- E eu posso confiar em ti? –perguntou inseguro.
- Se diz por Severus, sim… já não seria capaz de lhe fazer mais dano do que lhe fiz.
- Disse que não poderia amar a ninguém mais.
- E é verdadeiro… não posso, mas isso não significa que o obrigarei a voltar comigo. Pode ficar tranquilo, Harry, sei que ele te ama e já te confessei que comigo não pode estar mais. Não ficarei, só quero falar um pouco com minha filha, a conhecer e assim poder me levar uma lembrança de regresso a Itália e desta vez pode gritar de júbilo porque não voltarei… Me permitiram esta entrevista só para lhe advertir sobre o reclamo, já não poderei a ver mais… –agregou sorrindo irônico. -… é estranho que seja minha própria raça a que me impeça voltar à ver.
Por uns segundos não disseram nada, simplesmente ficaram aí sentados. Ângelo olhando de relance como Harry acariciava a seu bebê revelando todo o amor que sentia por seus filhos.
- Sabe? -perguntou Ângelo passeando sua mirada pela estância onde se encontravam. - Talvez o beijo do dementador não seja tão má ideia.
O Veela riu-se de suas próprias palavras enquanto esquivava a mirada interrogante de Harry, quem esforçava-se por entender-lhe, era nesses casos quando para valer dava a impressão de que Abbatelli só desvariava. Nesse momento abriu-se a porta e Ângelo secou suas últimas lágrimas quando viu entrar a Severus tomando a sua filha da mão, e depois deles um Axel com uma mirada mais segura.
- Beth…. –disse-lhe Severus acercando-a para o Veela. -… apresento-te a Ângelo Abbatelli.
- Olá. –saudou Beth com timidez.
-Olá, Beth. -respondeu Ângelo com um sorriso. - Aceita falar comigo um momento? Eu sou...
- Se vai dizer-me que é meu pai… -lhe interrompeu Beth. -… tenho que te informar que não posso ter mais de dois e esses são Severus e Harry. –agregou apertando firmemente a mão do jovem moreno.
- Entendo… podemos falar?
Beth assentiu, mas não sujeitou a mão que Ângelo lhe oferecia. Harry ofereceu-lhes o terraço para que falassem com toda a intimidem que precisavam, ainda que também se sentia melhor que estivessem dentro das proteções de Hogwarts. Suspirou tranquilo ao ver que Axel lhe tirava a Carolyn para entreter jogando com ela, se esquecendo do influxo Veela, de modo que se dirigiu a Severus para o abraçar.
- Ama-me? –perguntou-lhe retocando mimoso em seu peito. - Diga-me que me ama e me faz o ser mais afortunado no Universo.
- Amo-te… Com toda a alma!... não se molestou porque lhes deixei falar? –perguntou olhando para o terraço.
- Não… acho que está bem. É seu pai, após tudo. –respondeu tristemente resignado.
- Não, se equivoca… Sabes que me disse Beth lá adentro?
- Que?
- Que ainda que sejamos uns pais excessivamente infantis e fraudulentos, nos ama como a ninguém, você mesmo escutou que nos quer só a nós, e é sincera, Harry, para Beth você é seu verdadeiro pai e não pensa renunciar a ti, ela me confiou que todas as noites reza por ti, te agradecendo pela ter salvado da morte… me disse "Harry é minha vida"… e me assegurou que nos defenderia se alguém ousava atentar contra seu par de inúteis pais… -o jovem moreno sorriu contendo lágrimas de alegria. -… também disse que se aceitava falar com Ângelo só seria para o deixar bem claro e que somente lhe verá como amigo.
- Acho que Ângelo não busca algo mais que isso. –disse Harry recordando com tristeza o papel de Elizabeth na vida de seu pai biológico.
- Sim, terá que se conformar com o que ela queira lhe dar. –respondeu sem captar a intenção de seu esposo.
Harry abraçou a Severus com profundo carinho, não sabia se podia confiar em Ângelo, e realmente agora sim ficasse na Itália para jamais voltar, mas como lhe tinha dito ao mesmo Veela, defenderia o seu com unhas e dentes, suas supostas boas intenções sempre terminavam danando a seus seres queridos, e não permitiria que voltasse a passar… nada ia a enturvar a dita de sua família que tanto trabalho lhe tinha custado ter. Soube então, que se alguma vez tivesse que voltar a invocar um Avada, esse já tinha dono.
Finalmente fim…
Nota tradutor:
Finalmente o fim! Espero que tenha gostado da fic!
Ângelo Abbatelli sempre será odiado eternamente por mim, mesmo sendo o ultimo capitulo da fic!
Vejo vocês nos reviews e nas minhas outras traduções ou minhas próprias historias!
Ate breve
Fui…
