Reuniões
Essa noite, Ayrton estava muito feliz quando viu a seus pais o tomar a cada um de uma de suas mãos para o ajudar a atravessar a lareira rumo ao que seria seu novo lar. Não podia deixar de sorrir ao saber que por fim estaria com sua família, com seus pais. E quando notou que a enorme estância na que apareceram não se comparava no absoluto à casa onde vivesse até agora, não pôde conter uma exclamação de assombro.
Olhou a seu ao redor alelado. Os andares de mármore reluzindo mais que o brilhante lago que circundava a cabana onde vivesse, as estátuas de cristal quase tão transparente como as gotas de orvalho que amanheciam nos rosais, a sala de pele escura contrastando com a coberta prateada das mesinhas circundantes eram de um matiz parecido às cores do anoitecer.
Sentiu-se algo intimidado quando ao retroceder esteve a ponto de atirar um lustre. Pôde-a sustentar a tempo, mas correu a refugiar-se depois da túnica de Severus.
Lucius sorriu ao vê-lo, e cócoras em frente a ele, lhe tomou das mãos carinhosamente.
— Não se preocupe por romper nada, todo o que há aqui é seu, e podes fazer todos os destroços que queira.
— Não o malcrie, Lucius. —advertiu Severus, cócoras também. — Escuta, Ayrton, esta é sua casa, mas não pode andar rompendo as coisas nada mais porque sim. Se chega a passar um acidente tão só desculpa-te e tenta ter mais cuidado para que não te vá a lastimar. Entendeste-me?
— Sim, papai. —respondeu obediente. — E quando vou conhecer a meu irmão?
— Em uns minutos. —assegurou Lucius. — Pedi autorização a Dumbledore para que lhe permitisse vir a jantar.
Um plop avisou da presença de um elfo doméstico. Lucius se ergueu olhando-lhe irritado pela interrupção.
— Que é o que quer?
— Senhor… perguntar se já se lhe serve o jantar aos amos, senhor. —respondeu nervoso.
— Já te disse que será à mesma hora de sempre porque não capta nenhuma indicação à primeira? —lhe repreendeu incomodado.
— Olá, sou Ayrton! —interveio o menino correndo a saudar ao pequeno ser cuja raça não tinha visto jamais, mas este retrocedeu espantado olhando quase com terror a mão estendida do menino.
— Ayrton, a um elfo não se lhe saúda. —indicou-lhe Lucius indo por ele para evitar que o tocasse, e depois com uma senha, ordenou que se lhes deixassem sozinhos, o qual se realizou de imediato.
— E porque não? —perguntou Ayrton quando o elfo tinha desaparecido.
— São seres que não valem a pena, tão só estão para servir. Se precisa algo os chame e isso é tudo, e jamais se te ocorra lhe dar alguma prenda ou se molestarão de acordo?
— Sim. —respondeu um pouco temeroso.
Severus observava-lhes em silêncio, deixou de pôr-lhe atenção à conversa quando viu que Lucius sustentava ao menino para se sentar lhe colocando a ele sobre suas pernas. Sorriu tenuemente, era comovedor ver a seu frio amigo ser tão carinhoso com o pequeno, nem sequer com Draco tinha atuado desse modo.
Pensou em Harry, desejou muito estar com ele, e tivesse desejado passar essa noite a seu lado, celebrando que teriam um filho, mas esta era um jantar que não podia cancelar, se tratava do futuro de Ayrton.
As chamas da lareira crisparam de cor verde, todos se giraram em espera de ver aparecer a Draco. Lucius sentia o coração acelerando-se, e ainda que seguramente para seu filho maior seria um grande impacto encontrar a seu pai com um menino em suas pernas, não baixou ao pequeno menino daí, inclusive o sustentou calidamente por uma de suas mãos.
E efetivamente, quando Draco apareceu, sua expressão não pôde ser mais enlouquente. Estava assombrado de encontrar a um menino loiro, com rasgos tão parecidos a ele, que lhe parecia se estar olhando a si mesmo quando tinha essa idade, o único diferente eram seus olhos, cuja cor negra tão intenso contrastavam com a brancura de sua pele.
Olhou a seu padrinho em busca de uma explicação, mas este não teve oportunidade de falar. Lucius pôs-se de pé, e levando a Ayrton da mão, deteve-se até ficar em frente a Draco.
— Draco… ele é Ayrton, teu meio irmão.
O rosto do loiro passou da surpresa à fúria e indignação total. Nenhum dos dois adultos disse nada, já se esperavam essa resposta.
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Harry não podia deixar de sorrir, sentia que o mundo era seu e de Severus, e à cada momento achava que seu amor crescia mais e mais. Ron e Hermione olhavam-lhe intrigados desde a cama do ruivo, não recordavam ter visto a seu amigo tão sonhador.
— Já nos vai dizer onde se meteu esta tarde, Harry? —perguntou Hermione. —Desapareceu do passeio sem avisar-nos e agora tens estado calado.
— Garotos… sei que vocês deveriam ser os primeiros em se inteirar, mas a verdade é que quisesse que esperassem a manhã.
— Mas inteirar-nos de que? —interveio Ron.
— Já lhe disse, esperem a manhã… Só lhe posso adiantar que é uma grande notícia.
— E que pelo visto te põe muito contente. —assegurou Hermione notando a alegria que brotava dos olhos verdes.
— Não pode te imaginar quanto, Hermione!
Harry enlaçou seus dedos sobre seu ventre, pensando na vida que crescia dentro dele. Seus amigos notaram o movimento, mas em nenhum momento ocorreu-se lhes que fosse algo mais que uma forma de se acomodar melhor sobre sua cama.
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Lucius encerrou-se em seu despacho com Draco enquanto Severus levava ao menino a conhecer a mansão, dessa forma o pequeno não escutaria os gritos histéricos do loiro que não deixavam de brotar de sua garganta.
— Não posso achar que tenham sido capazes! —exclamou tremendo de raiva. — Atreveste-te a enganar a minha mãe, e com Severus! É asqueroso, pai, não sê como pode agora trazer a esse menino a minha casa e dizer tão rampante que é seu filho bastardo!
— Se não te respondo como se me ocorre, Draco, é porque entendo que esta notícia te tenha tomado de surpresa, mas Ayrton não é nenhum bastardo, seu nome é Ayrton Lucius Malfoy Snape. Severus e eu o registramos assim que nasceu, mas o fizemos fora da Inglaterra.
— Claro, seguiram vendo-lhe a cara a minha mãe!
— Ela soube tudo.
— Que?
— Confessei-lhe antes de morrer, e perdoou-me… Espero que você também saiba o fazer.
— Não, não sei e não quero te perdoar!... Quero que tire a esse menino de minha casa e não quero o ver nunca!
— Lamento-o, mas isso não será possível. Ayrton tem o mesmo direito que você e se esteve escondido foi por sua segurança, agora não mais, fica aqui e o próximo fim de semana Severus e eu daremos uma conferência para o anunciar publicamente. Não me importo o que diga a gente, mas não quero seguir mantendo a meu filho nas sombras, ele tem que crescer como o que é… Como um Malfoy.
— Pois então eu renuncio a ser um Malfoy! —gritou enfurecido.
— Draco, não diga tolices.
— Não são tolices, te repudio como pai, e ainda que é um sobrenome com menos categoria, prefiro agora ser um Black que levar seu nome!
Draco saiu açoitando a porta. Lucius exalou fundo, preocupava-lhe a atitude de seu filho, mas sabia que não ia poder suportar muito tempo nesse plano, renunciar a ser Malfoy significava nada de benefícios, nem sociais nem econômicos, e duvidava que Draco estivesse consciente ainda disso.
Saiu em busca de Severus e seu filho, e encontrou-os na habitação que seria do pequeno. Este corria feliz pelo enorme quarto que estava inundada de brinquedos, e se entreteria tanto com tudo aquilo tão inovador que mal sim prestou atenção à entrada de seu outro pai. Lucius permaneceu junto ao moreno olhando embelezado a seu menino.
— Está feliz.
— Sim… ainda que temos tentado dar-lhe de tudo, nunca será o mesmo com o que agora vê. Mas diga-me que passou com Draco?
— Imagina.
— Te repudiou e saiu açoitando a porta.
— Sim… e disse que agora seria Draco Black.
Severus riu, não pôde o evitar apesar de saber que não era uma coisa de riso. Lucius tomou-lhe da mão, acariciando-a, mas o moreno se soltou de imediato indo por seu menino.
— Já vamos a jantar? —perguntou quando Severus lhe sustentou em braços.
— Assim é… e já verá as coisas tão ricas que pediu seu pai para ti.
— E Draco? —perguntou olhando a todos lados.
— Teve que se ir, mas poderão falar em outro dia.
— Que tristeza, eu queria que ficasse comigo.
— Esta noite seremos nós três nada mais… de acordo?
Ayrton assentiu e juntos baixaram a jantar. Aí, o menino mostrou-se tão animoso e alegre como sempre, no entanto, quando escutou que Severus não ficaria a dormir com eles, seu rosto se entristeceu, e chorando foi a sentar em suas pernas, sem entender porque seu papai tinha que se ir.
— Fica-te, faz favor. —pediu soluçante.
— Não posso, carinho, meu dever é passar a noite no colégio. —respondeu-lhe abraçando-lhe com a maior ternura possível, partia-lhe a alma vê-lo chorar por ele.
— É que eu achava que já não nos íamos separar.
— Sempre vamos estar juntos, e pode contar conosco, mas você vai viver com papai Lucius, eu virei aos ver todos os dias, só não posso me ficar a dormir.
— Renúncia a esse trabalho… não gosto que tenha que dormir lá.
— Já veremos. Agora tem que te ir para cama, jovenzinho.
— Bom, mas leva-me você e não se vá até que me tenha dormido.
Severus sorriu aceitando o trato, e levando-o em braços conduziu-o de novo a seu quarto. Minutos mais tarde, Lucius olhava-os apoiado no quício da porta. Tinha que recordar que estava proibido sonhar, sobretudo porque ele não era do tipo que vivia suspirando por outras pessoas. Mas todo seu mundo tinha mudado quando soube que o que sentia a cada vez que Severus se aproximava a ele era amor.
Acordou de seus devaneios quando o moreno passou a seu lado se despedindo, pois já o menino dormia profundamente. Estavam tão perto, como ambos eram da mesma altura, podia ver seus lábios e ansiava beija-los… Mas não devia, não enquanto Snape não lhe desse permissão.
Sorriu despedindo-se, e ao ficar só não quis se ir a seu quarto, preferiu dormir essa noite com quem a cada dia lhe permitia ver em sua mirada a calidez de Severus.
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Harry acordou cedo apesar de ser domingo, mas decidiu ficar em sua cama desfrutando das cocegas em seu estômago. Severus tinha-lhe prometido que nesse dia falariam com as pessoas mais alegadas a eles e se sentia nervoso e expectante ao mesmo tempo. Hedwig entrou pela janela e depois de revoltear foi parar em suas pernas, levava consigo uma carta que Harry se apressou a abrir.
"Bons dias, rabisco:
Espero não te ter acordado, mas eu não tenho podido dormir, te confesso. Tenho enviado notas a todas as pessoas que devem estar presentes quando lhes comuniquemos o nosso. Só falta que lhes avises a teus amigos (se é que não tens aberto a boca ainda).
Encontro é em uma hora no despacho de Dumbledore.
Sempre seu
Severus Snape".
Sorriu emocionado, já não pôde ficar quieto, pelo que se levantou a alimentar a seu coruja e depois acordou a Ron, algo que lhe custou bastante trabalho.
— Harry, é domingo! Porque quer matar-me?
— Não seja exagerado, é que preciso que te acorde porque temos que estar no despacho de Dumbledore em uma hora… Ou melhor dito, em trinta minutos, porque já me levei demasiado tempo em conseguir que coordenasse seus neurônios para falar.
— Ao despacho do Diretor?... Mas que fizemos agora?
— Não é nada mau, ao invés. Apressa-te!
Harry puxou a Ron fora da cama, e não se deu por vencido até que o viu entrar a banhar-se, depois se pôs a escolher sua melhor túnica, queria que fosse algo formal, pois uma notícia como a que dariam o mandava.
Uns minutos mais tarde, tinham chegado ao despacho do Diretor, neste se tinha disposto uma mesa redonda ataviada com um mantel branco e copos de vinho tinto. Para então já tinham chegado os Weasley, Remus e Dumbledore. Harry notou cadeiras desocupadas à direita de Dumbledore, deixou um vazio para quando chegasse Severus e ocupou o seguinte, Ron a seu lado e Hermione após este.
— Quem falta? —perguntou Remus notando o lugar junto a Dumbledore.
— Falta quem convocou à reunião. —respondeu o idoso suavemente.
— Não é uma reunião da Ordem, faltam muitos… que sucede? —questionou Arthur.
— Ademais, isto mais parece uma celebração. —notou Remus olhando os copos de vinho.
— Que sabe disto? —sussurrou Ron inclinando a seu amigo.
Harry sorriu sem responder, nesse momento entrou Severus ao despacho, e não pôde evitar sentir seu coração repleto de felicidade. O Professor levava uma túnica escura em meia gala, e seu cabelo recolhido em uma coleta na nuca. Saudou brevemente a todos, e se foi sentar junto a Harry, trocando ambos uma cúmplice olhada que só eles entenderam.
— Posso saber que estamos festejando, meu querido Severus? —perguntou Dumbledore.
— Há uma notícia que vocês devem de conhecer, por isso temos reunido às pessoas mais próximas, as primeiras e únicas que lhes interessará estar inteiradas.
— Pode deixar de dar tantos rodeos e falar, Professor. —pediu Molly ansiosa.
— Não deveria surpreender por sua impaciência, Molly, e se os Weasley têm sido convidados tem sido pelo grande apego que Harry sente por esta família.
Não teve quem não olhasse direto ao Professor de Poções, era a primeira vez que lhe escutavam chamar a Harry por seu nome, e ademais sem usar nenhum tom sarcástico em sua voz. O mais estranho de tudo é que Harry tinha baixado a mirada e suas bochechas estavam muito coloradas.
— Que está passando aqui? —perguntou Arthur com um mau pressentimento.
Severus girou-se para Harry, e tomando da mão, convidou-o a pôr-se de pé para dar o anúncio. Remus quis dizer algo, mas realmente não podia articular palavra, ver a Harry e a quem se supunha que odiava com as mãos enlaçadas era realmente impactante.
— Harry e eu estamos juntos desde faz em uns meses. —disse finalmente Severus—. E temos decidido formalizar desde agora e não nos esperar a que termine o colégio, após tudo, já é maior de idade.
Ninguém se atrevia a dizer nada, a notícia, além de tomar por surpresa lhes parecia uma má ideia.
— Severus… —disse Dumbledore reagindo ao fim. —… ainda é seu Professor, não é correto o dar a conhecer publicamente.
— Nem público nem privado! —assegurou Arthur intempestivamente. — Esta é uma horrível broma! É que ninguém pode desmentir a este homem?
— Este homem, Senhor Weasley, é o homem de quem apaixonei-me. —respondeu Harry afetuoso. — Peço-lhe, por favor, que lhe respeite esta decisão e o respeite a ele também.
— Eu não vou respeitar a um pervertido que seduze a seus alunos quem sabe com que trapaças! —exclamou pondo-se de pé, golpeando a mesa com fúria, Harry se sobressaltou assustado, jamais tinha visto ao pai de seu melhor amigo atuar assim.
— Entendo que esteja enfadado, Arthur. —respondeu Severus, áspero, mas sem ser tão agressivo, tinha que fazer um grande esforço para não levantar sua varinha contra ele, mas por Harry era capaz de se conter e mais. — Mas meus sentimentos por Harry são sinceros e muito sérios, não penso me afastar dele por nenhuma de suas opiniões.
— Dumbledore acaba de dizê-lo, supostamente é seu Professor e não é ético!
— Entendo isso, e aceito qualquer sanção que se me imponha.
Todos olharam a Dumbledore em espera de uma resposta a essa proposta. Harry aproveitou para estudar as reações dos assistentes. Ron e Hermione, quem tinham estado em silêncio junto aos Weasley, não podiam estar mais pálidos, mas nenhum dava sinais de se sentir muito contentes com a ideia. Remus tão só não dizia nada, e lhes observava compassivo, como se não achasse que fossem conseguir um bom resultado. Arthur não dissimulava sua raiva, respirava agitado e se notava que estava se esforçando por não ir aos golpes sobre Snape.
— Escutem… —disse-lhes nervoso. —… isto é uma boa notícia, não deveriam de ter essa cara. Ou é que talvez não me diziam sempre que me devia levar bem com Severus?... Hermione? —olhou a sua amiga, esta lhe olhou também, mas não luzia contente. —Você sempre me disseste que Snape era alguém de confiar e tentava me convencer de não brigar com ele.
— Sim, Harry, mas uma coisa é levar-se bem e outra… pois isso.
— Ron?
— Eu… —Ron não pôde continuar, lhe era impossível dizer o que realmente pensava, mas sua expressão repulsiva foi muito eloquente para Harry.
— Senhora Weasley?
— Harry, carinho… —respondeu Molly depois de tomar ar. —… não duvidamos que o Professor Snape seja uma boa pessoa, mas é demasiado maior para ti, e ademais, é um catedrático, te dá classes, uma relação entre vocês não está dentro das normas. Precisa conhecer mais gente antes de pensar em comprometer-te com ninguém.
— Eu já encontrei ao amor de minha vida, não preciso a ninguém mais. —respondeu lastimosamente pela falta total de apoio.
— Harry, eu sempre te apoiarei no que decida. —interveio Remus. — E Severus merece-me todo meu respeito, mas sim acho que vocês se precipitaram, talvez deveriam de sair juntos, de se ir conhecendo um pouco mais dantes de formalizar tão cedo.
— Estou grávido.
Essas duas palavras arrancaram uma exclamação de surpresa, inclusive no Diretor. Arthur agora sim não pôde se conter, e sem lhe importar derrubar todo o que tinha sobre a mesa, saltou sobre esta em busca do pescoço de Severus. Harry quis interpor-se, mas seu companheiro apartou-lhe justo a tempo de evitar que saísse lastimado, no entanto já não pôde se defender e caiu de costas sobre o chão com o patriarca Weasley sobre ele.
— Maldito degenerado, agora sim te vou sacar os olhos!... É um menino, não deveste meter com um menino!
— Arthur, basta! —ordenou Dumbledore enquanto separava-os usando sua varinha, Harry apressou-se a ajudar a Severus a pôr-se de pé.
— Dumbledore, não pode estar de acordo, tem que evitar que isto prospere!
— Não! —gritou Harry por igual, já estava farto dessa situação, e os olhou a todos com profunda decepção. — Não me importo se ninguém está de acordo, não me importo nada do que digam! Eu amo a Severus e estamos por formar nossa família, o aceitem comigo ou se esquecem também de mim!
— Não pode falar em sério, Harry, não se deixe manipular por este maestro do engano! Dá-te conta que te está pondo em nossa contra!
— Não, Senhor Weasley, ao invés! Ele quis fazer bem as coisas, por isso os mandou chamar, mas não penso permitir que o ofendam!
— Tranquilo, Harry, pode-te fazer dano que se altere. —pediu-lhe Severus abraçando-lhe.
— Severus, vamo-nos… acho que esta discussão é inútil.
Harry tomou a Severus da mão e saíram juntos daí, sem importar-lhes os chamados de Arthur quem inclusive quis segui-los, algo que foi impedido por Remus.
— Mas Remus, sei que se leva melhor com Snape desde faz tempo, mas te dá conta de que esse homem está apreendendo a Harry! O sobeja, manipula-o! —exclamou desesperado.
— Acho que por este caminho não vamos conseguir nada, o melhor é falar tranquilamente com Harry, ou de outra forma sempre se porá à defensiva.
— Mas como o vou falar tranquilamente, Remus?! Harry é como um mais de meus filhos e me dói ver que não sabe o que faz e o maldito degenerado de Snape se está aproveitando de sua ingenuidade!
— Escutem… —interveio Dumbledore. —… falarei eu com Severus à primeira oportunidade. Acho que pelo momento devem manter à margem, Remus tem razão, Arthur, se Harry vê que atacam a Severus, o defenderá com mais força.
— Mas está grávido, Albus! —disse Molly. — Já não importa se Harry o defende ou não, um filho não se pode ignorar e ainda que nos pareça má ideia essa relação, agora não fica mais remédio que a aceitar.
— Mas Molly!
— Escuta, carinho, eu sinto igual que você, me indigna que alguém que supostamente é um homem maduro se tenha enredado com um jovenzinho que mal começa a viver, e para cúmulo o engravida, mas não podemos retroceder o tempo. Agora o Professor Snape é o pai do filho de Harry, não podemos sacar de sua vida.
Arthur não pôde debater esse argumento, se sentou abatido. Não podia esquecer que ainda que amasse a Harry como a qualquer outro de seus filhos, não tinha nenhum poder legal para protestar mais do que já tinha feito. Não tinha outro caminho, pois era impossível obrigar a Harry a fazer algo que não quisesse, o único que os unia era um sentimento, não o sangue.
E agora esse laço de sangue sim existia entre Harry e Severus… seu filho.
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Harry e Severus tinham chegado ao despacho deste último, e quando o moreno maior notou a sombra de tristeza nos olhos de Harry, lhe convidou a se sentar juntos no cadeirão em frente à lareira, aí lhe abraçou e passou vários minutos lhe acariciando seu ventre, sem impressões ainda de estar gestando, se não fosse por essa prazerosa sensação da magia de seu filho, pensaria que estavam se fazendo vãs ilusões.
— Ontem já não pudemos conversar muito, tivesse gostado de que toda a noite contigo falando de nosso bebê, rabisco. —lhe sussurrou carinhosamente ao ouvido.
— Também a mim, mas entendo que não possamos estar juntos o tempo todo.
— E quanto tempo tem?
— Nove semanas… Acho que foi aquela vez que nos citamos no bosque. —disse corando.
— Lembro bem esse momento. —riu. — Esqueceu-se-nos até a incomodidade do solo.
— Contigo sempre se me esquece tudo o que não sejas você.
— Inclusive o que acaba de passar lá acima?
— Me entristece que não estejam de acordo, nem sequer meus melhores amigos me apoiaram… mas não me importo, nada do que possam dizer poderá conseguir que deixe de te querer, nem sequer um poquinho.
— Obrigado, Harry… Às vezes sinto que não mereço que me queira tanto, sobretudo recordando que…
— Severus, nem mencione-lo. —interrompeu-lhe girando-se para olhar aos olhos. — Se ocultaste a existência de Ayrton foi por uma boa causa, completamente justificável.
— Sim, mas quisesse compensar-te por ter ocultado a ti… Já sei! Vamos ao povo, podemos comer juntos e caminhar pelo campo. Anda, não tem caso que fiquemos encerrados aqui.
Harry sorriu emocionado com a ideia, e aceitou a mão que Severus lhe oferecia para se ir a dar uma volta por Hogsmeade.
O que Severus não se imaginava, era que Ayrton nesse momento jogava apático com uma estranha bola que rebotava formando figuras. Sua atenção estava mais posta na lareira e seus olhos opacos sonhavam com ver aparecer a seu pai.
— Porque está triste? —perguntou Lucius sentando-se junto a seu filho.
— Achei que íamos viver juntos, mas papai não vem.
— Está muito ocupado no colégio, Ayrton, isso te explicou ontem.
— Também em domingo?... Ou é que não nos quer?
— Não diga isso. —replicou sustentando-o para acomodar em suas pernas. — Severus adora-te! Não sabe todo o que é capaz de sacrificar por ti, de modo que não duvide jamais de seu carinho de acordo?
— Sim… E se o vamos ver?
— Mas…
— Faz favor, papai! Dêmos-lhe uma surpresa!
— Escuta, sei que é uma boa ideia, mas agora não devemos o fazer. Primeiro há que esperar à reunião que faremos este fim de semana, aí lhe diremos a todo mundo quem é e assim, quando vamos visitar a seu papai, então todos te saudassem felizes de saber que é filho de Severus Snape.
— Pois não entendo todo essa bagunça, mas está bem… será como diz.
Ayrton acomodou-se no colo de seu pai para dormir um pouco, já não tinha desejos de jogar e dormindo se lhe fariam mais rápidas as horas que faltavam para ver a papai de olhos negros. Lucius respirou fundo, pelo cedo tinha-se salvado, mas compreendeu que seria melhor falar com Severus para que juntos aclararam a situação com o menino.
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Harry sentiu que o coração se lhe paralisava quando Severus usou um translador, mas não tinham chegado a nenhum lugar de Hogsmeade, senão ao lobby do Ministério.
— Que fazemos aqui, Severus? —perguntou coibido pelo lugar, jamais tinha gostado muito.
— Há algo que quero que façamos, Harry. Veem comigo.
Depois de registrar na entrada, dirigiram-se para o elevador. Não tinha ninguém mais nele, e Harry notou que o professor apertava o botão onde encontrariam o registro civil. Mal ia perguntar de que se tratava aquilo, quando teve que sustentar da parede, Severus se tinha agachado, e apoiado um joelho no solo, lhe sustentando a mão livre.
— Harry… quer casar-te comigo?
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Nota tradutor:
Nossa nossa eu quero me casar com você Severus!
Bora bora para os reviws? Vejo vocês lá
Então ate o próximo capitulo
Ate breve!
