Capitulo quatro

Baixo a tormenta

Uma bruxa idosa e médio cegatona gritou escandalizada quando o elevador do Ministério se abriu e encontrou a um garoto sobre um homem, em um rincão do solo, e parecia lhe estar comendo a beijos. Severus teve que antepor seu braço para impedir que o sombrilo desse na cabeça do indecente jovenzinho como lhe chamasse a bruxa.

Uns minutos depois, o casal de apaixonados tinham conseguido sair do elevador, e depois de rir por vários minutos, Harry revisava preocupado o braço de Severus.

— Seguro que não te dói?... Quiçá devamos ir a St. Mungo para que te examinem.

— Nem busque pretextos, Potter, que já disseste que se casaria comigo e agora me cumpre. —respondeu atraindo-lhe pela cintura, Harry sorriu feliz e apaixonado.

— Pois nem modo, terei que me sacrificar, Professor.

— Claro, e prometo-te uma vida cheia de beijos e abraços.

— E… de fazer o amor? –perguntou sugestivamente.

— Sem faltar nem uma só noite!

— Amo-te.

— Eu te amo mais… muito, bem mais!

Harry abraçou-se a Severus e pouco depois já se encontravam em frente a um dos representantes do Ministério. Harry notou que sua mão tremia quando lhe tocou assinar sua ata de casal, mas não era medo, era uma imensa emoção a que fazia que seu pulso lhe traísse como não o tinha feito nunca.

E sorriu divertido quando viu que a mão de Severus tremia tanto como a sua, mas o brilho de alegria em seus olhos era algo tão especial que soube que sentia o mesmo que ele.

Conseguiram persuadir ao empregado de que não revelasse a ninguém da união, ainda que Severus estava disposto a aplicar algum Imperius ou o que fosse necessário, mas essa informação não devia sair até o momento que eles quisessem, e ambos já tinham tomado uma decisão. O fim de semana seguinte não somente a existência de Ayrton sairia ao conhecimento público.

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Draco tinha-se escondido de seus amigos e estava refugiado entre os troncos de duas árvores junto a um pequeno alcantilado contiguo ao lago, em uma parte que não era visível desde o castelo. Não tinha ânimo de falar com ninguém, por isso bufou e se deu a meia volta apertando se mais entre as árvores quando sentiu que alguém se sentava apoiando suas costas em um deles.

— É que não se pode estar tranquilamente em nenhum lado?

— Talvez tenho dito algo?

Remus não conteve um sorriso, lhe fazia graça ver a Draco escondido como menino pequeno e berrinchudo. De modo que aproveitou que este não podia ver seu rosto ao estar de costas a ele para refletir que o loiro lhe agradava bastante.

— Tendo tantas árvores no bosque ocorre-se-lhe vir a sentar-se aqui?

Sim, Draco agradava-lhe, apesar disso, de seus maus modos, de sua voz caprichosa, dos grunhidos de inconformidade que lhe pareciam tão sexys. Sabia que não devia pensar dessa maneira sendo seu Professor de Defesa, mas não podia o evitar… e à cada momento compreendia mais a relação de Severus com Harry. Sentia-se um hipócrita por não os ter apoiado completamente, ainda que pelo menos também não lhes atacou.

— Porque ficou-se tão silencioso? —perguntou Draco acercando-se um pouco. — É que não vai dizer a que tem vindo?

— A nada em especial, este lugar gosto, tem muito de boa vista.

— Pois você me ocluie. —protestou tentando pôr-se de pé para sair de seu esconderijo, mas tropeçou devido ao estreito do lugar, Remus sustentou-o a tempo e ao voltar a acomodar em seu lugar, aproveitou para ficar mais perto ainda.

— Tem cuidado, poderia escorregar, e ainda que não é muito alto, te asseguro que te doeria cair desde aqui ao lago.

— A ninguém lhe importaria se mato-me.

Remus sorriu ante a resposta típica de adolescente, e esse sorriso compreensivo irritou mais ao loiro, cujas faíscas de ira em seus olhos, enterneceram mais ao licantropo.

— De que se ri? Está-se debochando de mim?

— Nunca me debocharia de ti… poderia me dizer porque está escondido?

— Eu não me escondo.

— Bem… então diga-me porque te sentaste entre duas árvores a quinhentos metros do castelo e fora da vista de qualquer ser humano.

— E como você não é humano sim pôde dar comigo verdadeiro? —disse com toda intenção de lhe ofender pelo que ele supôs era uma debocha.

— Sou humano. —assegurou sem exaltar-se. — Conheces minha condição de licantropo, mas isso não me faz um monstro.

— Para mim sim.

— Draco, tão só quero ajudar-te. —disse-lhe respirando fundo. — Não me parece característico de ti que esquivas da gente.

— Que não é assim!

Draco pôs-se de pé com a intenção de saltar sobre Remus que se interpunha em seu caminho. Era melhor regressar ao castelo que seguir falando com esse homem. No entanto, assim que quis fazê-lo, o estrondo de um raio caindo bem perto assustou-o, tropeçou, e voltou a cair no colo de um muito comprazido licantropo.

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Harry e Severus corriam divertidos, tinham aparecido nos limites de Hogwarts quando o céu já se tinha escurecido tanto que parecia que a noite se adiantou várias horas. A chuva começou a cair intempestivamente junto com a tormenta cujas rajadas de vento provocavam um estrepitoso ruído com as copas das árvores do bosque proibido.

De repente, Harry escorregou e caiu de joelhos no lodo, pôde interpor as mãos para não se golpear, mas Severus deixou de rir ao instante e se ajoelhou a seu lado sem lhe importar a chuva que caía.

— Está bem?

— Sim, não me passou nada.

Harry olhou a Severus, viu como a umidade colava seus longos cabelos a seu rosto e algumas gotas pareciam pequenos diamantinhos se desprendendo de suas pestanas, seus lábios humedecidos pela chuva, tudo conformava uma imagem excitante.

— Porque vê-me assim? —perguntou Severus sem poder evitar um rubor em suas bochechas. — Temos que nos apressar a chegar ao castelo.

— Para que?... Empapados já estamos.

Severus riu, era verdadeiro, não tinha caso seguir correndo. E Harry via-se formoso baixo a tormenta, com seus verdes olhos reluzindo com a cada relâmpago, pelo que não se resistiu quando o garoto lhe rodeou o pescoço com seus braços para beija-lo. Suavemente se recostaram sobre a erva, sem importar-lhes encher-se de lodo. Ninguém passaria por aí com essa tempestade, e graças à imponente penumbra e os relevos do caminho, ficavam fora da vista de qualquer curioso.

Com seu próprio corpo cobriu o de Harry para que a chuva não colasse diretamente em seu rosto, bebendo de seus lábios as gotas doces que escorregavam por suas bochechas para humedecer suavemente de Harry.

A capa que levava ajudou muito para se proteger. Acariciou o corpo de Harry por sobre as roupas humedecidas que se lhe colavam desenhando seus contornos. Separaram-se e olharam aos olhos enquanto Severus levava sua mão à entreperna de Harry, acariciando-a com profundo desejo, excitando-se ao senti-la protuberante e ansiosa.

— Faz-me o amor, Sev. —pediu Harry apartando os mechas gotejantes de Severus. — Faz-me o amor pela primeira vez como meu esposo.

— Amo-te, Harry… meu esposo Harry.

Harry assentiu, e levantou os quadris para permitir que sua calça fosse separado de seu corpo e usado como manta. Severus continuava cobrindo com sua camada, com sua própria vida, e suavemente, sem deixar de olhar os olhos verdes, foi adentrando-se.

Um suave gemido de dor confundiu-se com o ruído de um raio ao cair que nenhum dos dois atingiu a escutar. Harry realizava movimentos com seu quadril buscando um maior contato. O professor comprazeu-lhe e foi investindo certeiramente na próstata do mais jovem, quem não acalava sua garganta e deixava que qualquer expressão do prazer que sentia, saísse livremente.

Aí não tinha ninguém que lhes escutasse, e juntos, exalaram fundo e profundo quando tiveram seu primeiro orgasmo como companheiros, em completa união com a natureza.

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Draco estava realmente enfadado, odiava ter-se tido que ficar refugiado com Remus. Odiava que fosse ao licantropo quem se lhe ocorreu fazer um feitiço para resguardar-se da chuva. Odiava tê-lo tão perto. Odiava o sorriso que não se apagava do Professor, nem sequer ainda que à cada momento a chuva assola mais. Odiava que não tivesse espaço para se afastar mais. Odiava ver-se obrigado a apoiar em seu peito se é que queria ter espaço para poder mover as pernas.

Mas sobretudo, sobretudo Draco odiava as tormentas.

E odiava esse medo infundado ao ruído elétrico dos raios quando partiam o céu. Às vezes nem conta dava-se quando apertava a calça de Remus no instante em que um raio caía particularmente perto… e para cúmulo, ambos continuavam baixo esses dois frondosos árvores, justo onde jamais deveram se refugiar, mas já era demasiado tarde para mudar de opinião.

— Assustam-te as tormentas? —perguntou Remus passando um braço em cima do loiro para atraí-lo mais a seu peito no momento em que um relâmpago alumiava o céu tenebrosamente.

— Isso é de meninos, não me espantam para nada. —assegurou com firmeza, ainda que a impactante luz azulada e o ensurdecedor ruído foram os que impediram recusar a seu Professor, ao invés, fingiu se acomodar para cobrir seu rosto entre a túnica do mago maior.

— Aqui estamos seguros, não se preocupes.

— Claro, só a um idiota se lhe ocorre que estaremos a salvo nestas árvores. Seguro terminaremos carbonizados junto com eles.

— Não será assim. —riu. — O feitiço que pus ajudará a desviar as descargas elétricas, podem cair em qualquer parte menos aqui.

— Em fim, para o que me importo!... quiçá seria melhor que um raio caísse e se acabasse tudo.

Remus deixou de sorrir pela primeira vez, a tristeza na voz de Draco era algo que poucas vezes tinha percebido. Podia falar com ódio, repulsão, decepcionado ou irritável, mas esse mal-estar não saía frequentemente. Nem sequer pôde divertir-lhe que o jovenzinho lhe abraçasse fortemente no momento em que outro raio caía a poucos metros como advertindo por suas palavras.

— Um garoto como você não deveria desejar essas coisas, tem muito pelo qual viver.

— Nada me importo… Perdi o único que tinha.

— Você tem muitas coisas, mas diga-me que foi o que tens perdido que te tem assim?

Draco não respondeu por uns segundos, meditando em se devia abrir a boca. Mas precisava distrair-se, esses malditos relâmpagos não cessavam. E após tudo, lhe contar a Remus era como contar ao vento, não tinha ninguém que fosse mais insignificante que o castanho.

— Renunciei a minha casa, a minha família, a meu nome… e quando saia de Hogwarts o farei legalmente.

Remus conteve uma expressão de assombro por essas palavras, agora sabia que era um assunto muito sério e como tal, tinha que ser cuidadoso para poder o enfrentar e lhe ajudar.

— Podes dizer-me que foi o que te fez tomar tão drástica decisão?

— O punheteiro pai que me tocou e sua asquerosa relação com meu padrinho. —respondeu apertando os dentes, recordá-los juntos ainda lhe provocava imensa raiva.

— Severus?

Remus mal pôde pronunciar o nome, nunca se tivesse imaginado tal notícia, e o único que podia pensar era no canalha e ruim que podia chegar a ser um ser humano… assim que visse a Snape lhe romperia a cara por enganar a Harry!

— O mesmo. —respondeu Draco sem dar-se conta da inquietude que tinha provocado no licantropo. — Disseram-me ontem, e o pior de tudo é que durante anos esconderam sua relação enganaram a minha mãe quando vivia!... e agora resulta que tiveram um filho um estúpido bastardo que meu pai pretende que aceite como meu irmão!

— Um filho!

— Sim, supostamente esconderam-no para proteger da guerra. Planejam dá-lo a conhecer a todos este fim de semana, mas por nada do mundo me apresentarei a essa farsa, já disse que não serei mais um Malfoy e penso o cumprir assim que me gradue.

Remus não pôde responder nada pelo momento, ainda se sentia aturdido e muito preocupado por se imaginar quanto sofreria Harry quando se inteirasse daquilo. Era tão incrível que Severus se tivesse atrevido a se apresentar como o companheiro de Harry em frente às pessoas queridas de Harry, sendo que em realidade planejava fazer o mesmo publicamente, mas com Malfoy… seria alguma ideia absurda de se vingar de quem tanto odiou por anos?

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A chuva estava cessando, já só podiam se ver alguns relâmpagos entre as montanhas e um ventezinho fresco voando as folhas caídas durante a tormenta. Mas para Severus e Harry o tempo tinha-se detido, eles seguiam recostados sobre a erva fanhosa, se olhando e beijando-se entre sorrisos travessas.

— Cheira delicioso. —sussurrou Severus acariciando o rosto de Harry com o seu.

— A terra molhada?

— Não… é você, tem um cheiro único, especial.

— Também eu gosto de teu aroma. —assegurou olfateando depois da orelha de Severus.

— A que posso cheirar senão a ervas secas e poções?

— Por trás disso, cheiras a amor.

— Rabisco, isso não cheira! —exclamou rindo divertido.

— Pois não o cheirei em nenhum lado, tão só contigo… de modo que, em conclusão, é amor.

— Sabe algo?... ainda me custa achar que seja o mesmo menino malcriado, respondão, soberbo, caprichoso e bom para nada que me fazia enfurecer a cada dia.

— Vá… pois, obrigado.

Severus riu, e ajudando a Harry a pôr-se de pé e recompor-se a roupa, caminharam de regresso ao castelo. Às vezes olhavam-se e voltavam a rir, estavam feitos um desastre, com todas suas roupas e cabelos cheios de lodo, mas não se tomaram a moléstia de assear-se. Ao invés, quando entraram ao lobby e viram as impressões de seus pés no chão, voltaram a rir e como meninos correram para as masmorras, esperando não se encontrar a Filch no caminho.

Ainda bem que também não encontraram a nenhum outro aluno no caminho ou a imagem de ver ao Professor de Poções e a Harry Potter, jogando felizes tivesse resultado algo difícil de explicar. Ainda que para Severus, isso já não importava muito.

Ao chegar às habitações, deram-se um bom banho quente em onde voltaram a se demonstrar o amor que sentiam o um pelo outro. Severus colocou-se uma bata de banho enquanto avivava o fogo da lareira, assim poderiam entrar mais em calor depois do ambiente frio das masmorras.

— Rabisco… —murmurou em suave advertência quando o garoto lhe abraçou pela cintura beijando-lhe a nuca—… é que não pensa se vestir?

— Não tenho roupa limpa aqui, nem a preciso.

— Se resfriará se anda nu.

— De acordo… Prestas-me uma de seus pijamas enquanto peço a Dobby que traga uma mudança de roupa para mim?

— Toma a que mais goste.

Severus sentiu como Harry lhe soltava e ao se girar para o olhar sorriu admirando o corpo nu de seu amante. Foi inevitável não pôr seus olhos no lugar onde se encontrava seu filho ainda que ainda não dava sinais de sua existência. Em silêncio viu-lhe tomar um pijama de seda que se colocou demasiado lentamente para não ser intencional pelo que soltou uma breve risadinha ante as tentativas de Harry pelo seduzir.

— Vêem para cá, rapaz malcriado. —lhe grunhiu rodeando-lhe pela cintura para levar a seu cadeirão favorito sentando-o em seu colo e desfrutando do ambiente cálido da lareira, Harry ria sabendo-se descoberto em suas intenções.

— Só um pouquinho malcriado, mas às vezes me dá resultado.

Depois de acomodar no peito de Severus, Harry suspirou deixando de rir, essa posição lhe fascinava, podia estar assim acomodado toda sua vida, e assim queria morrer, nos braços de quem amava. Mas agora era demasiado feliz para pensar nessas coisas, tinha algo importante de que falar.

— Severus, quando me vai apresentar a Ayrton?

— Mas se já se conhecem.

— Sim, mas quero dizer que me apresente como seu filho e a mim me apresente ante ele como seu esposo.

— Verá, Harry… —disse-lhe depois de tomar ar profundo. —… o que passa é que primeiro tenho que falar com ele sobre Lucius e eu, não acho que saiba bem que seus pais não estão juntos.

— Ah, entendo… e posso saber porque tem essa ideia? —perguntou sem poder evitar sentir-se zeloso.

— Bem, até faz muito pouco eu não cria me apaixonar de ninguém, pelo que não me importei muito quando Lucius me sugeriu dar ao menino uma impressão de que éramos uma família como qualquer outra. Depois apaixonei-me de ti, mas não tinha muitas esperanças, e ademais, o menino tem sido muito pequeno para lhe dizer essas coisas… Agora sei que é tempo de aclarar-lhe a verdade, não sei como, mas lhe direi, e te prometo que será esta mesma semana, antes de apresentar a ele como meu filho e a ti como meu esposo.

— Pois sim que serão dias muito movidos, Severus.

— Sei-o, e também sei que te tenho a ti e que me apoia.

— Sempre.

Severus sorriu agradecido, sentia-se tão aliviado de que Harry já soubesse da existência de Ayrton e lhe aceitasse assim, e esperava que nada mudasse. Harry aproveitou a distração de seu agora esposo e começou a lhe acariciar o peito em suaves círculos, descendo pouco a pouco e adentrando seus dedos entre a abertura da bata até dar com uma tersa velocidade e um membro mais suave ainda.

— É insaciável, pequeno marrullero.

— Tem alguma queixa ao respeito? —ronrono mordiscando a pele do pescoço de Snape.

— Absolutamente nenhuma.

Uns golpes na porta interromperam-nos justo pensavam em ir à cama para continuar desfrutando de seu primeiro dia de casados. Severus grunhiu e muito a seu pesar teve que ir abrir pois à cada momento os golpes eram mais fortes. Estava-se acomodando bata-a desnudada por Harry quando sentiu que ao abrir a porta, algo pontiagudo lastimava sua garganta.

Não pôde menos que se surpreender quando o tímido e recatado licantropo o encurralou contra a parede sem apartar sua varinha.

— É um infame, Snape, achei que podia confiar em ti, mas não o merece!

— Remus! —gritou Harry alarmado, correndo a interpor-se e dessa forma poder separá-los.

— Harry, não tem ideia de com quem te meteste! Deve afastar-te dele imediatamente!

— Mas Remus você disse que me apoiaria!

— Mudei totalmente de opinião quando soube que este degenerado te está enganando!

Severus não dizia nada, mantinha os lábios apertados olhando furioso ao intrometido Professor, talvez poderia lhe dizer algumas quantas coisas, mas desistiu dela, tão só esperou a que o castanho se descuidara para se interpor e sacar a Harry da área de perigo.

— Não tens nenhum direito de vir a minhas habitações a me ameaçar, Lupin. —sibilou temivelmente. — Se tem algum inconveniente em minha relação com Harry, compraze-me informar-te que já é demasiado tarde para solicitar sua opinião… Harry e eu nos casamos hoje mesmo.

Remus baixou sua varinha olhando para Harry, este lhe sorriu com um pouco de timidez mas afirmando as palavras de seu esposo. Uma palidez apoderou-se do rosto de Lupin, e teve que se ir sentar para não mostrar suas pernas trémulas.

— Até onde pensas chegar com teus enganos, Snape? —lhe recriminou preocupado. — Sempre soube que eras um homem estranho, mas com princípios, agora vejo que me equivoquei.

— Remus… porque falas assim de Severus? Ele não tem feito nada mau. Eu aceitei me casar com ele e sou maior de idade, ademais, já sabes que esperamos um bebê, o mais lógico é que tenhamos decidido nos casar.

— Harry, não sabe… não tem ideia.

— De que, Remus?

Remus olhou a Severus buscando dar-lhe uma oportunidade para falar, mas o Pocionista tão só respondeu-lhe com uma furiosa mirada, odiava que se intrometessem em sua vida, quiçá não tinha a consciência tranquila, mas sempre poderia se fazer responsável por seus erros e encarar as consequências. Não precisava que ninguém lhe dissesse.

— Não lhe vais dizer Snape? —insistiu Remus.

— Porque não nos ilustra você, Lupin? —respondeu mordaz. — Anda, tira de ti toda essa podridão que traz e diga a Harry o pouco que sou para ele.

O licantropo duvidou uns segundos, mas decidiu que não era o momento de amedrontar-se pela imponente personalidade de Snape, não tinha ido até aí para ficar calado quando era Harry quem estava sendo enganado. De modo que pôs-se de pé e tomando ao garoto da mão, convidou-lhe a sentar-se para depois fazê-lo ele a seu lado.

— Snape, Harry, tem estado ocultando algo durante uns anos, e não é qualquer coisa, se trata de um tema delicado que não sei bem como começar a te o dizer, mas… bem, ele se tem enredado com Malfoy e têm um filho.

— Como sabe você de Ayrton? —perguntou Harry intrigado e intrigando mais a seu amigo.

— Ayrton?

— É o filho de Severus e Lucius. —aclarou Harry ante a surpresa de Remus.

— Sabia-lo?

— Sim, e sei que o manteve escondido para sua segurança.

Remus olhou a Severus quem para então sorria triunfador, agora mais que nunca lhe alegrava que Harry já estivesse inteirado da existência de Ayrton.

— Harry, e você aceita que seu esposo tenha um amante? —perguntou Remus sem compreender.

— Eles não são amantes, Remus. Eles foram, é verdadeiro, mas Severus agora está comigo. Eu confio nele e sei que me ama tanto como o amo eu.

— É verdadeiro isso, Snape?... Malfoy e você já não têm nada que ver?

— Não tenho nem porque te responder, Lupin, mas o farei. Tal como o disse Harry, ele é o único a quem amo, e o que me une a Lucius se chama Ayrton, nada mais. Agora, é você quem tem que me responder como foi que te inteiraste disto.

— Por Draco. —confessou sabendo que não tinha outra saída. — Ele disse que você e Lucius estão juntos e pensam o dar a conhecer à luz pública nesta semana.

— Isso pensa esse rapaz cabeça louca porque não abriu seus ouvidos a todas as explicações. O que faremos este fim de semana será apresentar a Ayrton como um Malfoy Snape, e te anuncio que aproveitarei igual para falar de meu casamento com Harry, assim evitaremos qualquer fofoca.

— Para valer é assim?

— Sim, Remus. —respondeu Harry sorrindo-lhe amigável. — Escuta, eu te agradeço infinitamente que tentes cuidar de mim, mas isso não é necessário, Severus é sincero comigo e eu estou inteirado de tudo, as coisas estão bem… faz favor, mantém-te de meu lado e não me dê as costas como os demais.

— Harry…

— Tudo está bem, Remus, te prometo.

Remus demorou uns poucos segundos, mas finalmente afirmou, ia apoiar a Harry, pois sabia que o que lhe esperava poderia ser difícil. Olhou a Severus, realmente queria crer nele e em sua sinceridade… mas algo lhe cheirava muito mau em todo esse enredo.

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Nota tradutor:

Mais um capitulo no ar

Bora comentar?!

Vejo vocês nos próximos capítulos

Ate breve!