Capitulo seis: Escândalo

Harry mal podia concentrar em suas aulas de Defesa, e sabia que seguramente Severus se sentiria igual ou pior. Admirava seu profissionalismo ao ficar a dar suas aulas como todos os dias, ainda que pensou que quiçá o fazia para dar mais tempo a Ayrton de se tranquilizar. Nem sequer podia pôr atenção a seus amigos, Ron e Hermione olhavam-lhe com curiosidade, tinham tentado acercar-se, mas Harry já quase nem se aparecia pela Torre, e quiçá assim era melhor pois pelo cedo ainda seguiam sem sentir que sua relação com Snape fosse uma boa ideia.

Quando soou o sino, Harry saiu correndo, era a hora da comida e queria a aproveitar para avançar em seus deveres, a noite anterior não pôde fazer nada. Ron e Hermione viram-lhe sair com essa urgência, mas não fizeram a menor tentativa pelo deter e juntos se foram comer tentando se esquecer de seu melhor amigo.

Por sua vez, Draco também se dispunha a sair, se entreteve a mais devido a que seus úteis faziam questão de se sair de sua mochila sem razão aparente, e quando se conseguiu incorporar viu que era o último, já só ficava Remus quem se encontrava de pé bem perto dele, em espera de que lhe olhasse.

— Oferece algo? —perguntou arqueando uma sobrancelha quando Remus lhe impediu o passo.

— Senta-te, temos que falar.

— Fiz algo mau? —pergunta obedecendo a relutantemente.

— Toda esta semana tem estado muito distraído, Malfoy.

— E quer que lhe recorde o porque?

— Não é necessário, mas ao passo que vais seguramente poderia reprovar a matéria.

— Isso não é verdade! —protestou acirradamente. — Não tenho descuidado meus estudos e lhe asseguro que sairei bem em meus exames.

— Bem, de acordo, mas segundo lembro, disseste que renunciaria a sua família quando terminasses Hogwarts.

— Assim é, e isso que tem que ver com você?

— E já tens pensado em como te sustentará depois?

Draco franziu os lábios, não tinha deixado de pensar nisso, mas odiava ter que reconhecer que não tinha encontrado nenhuma solução ainda.

— Pensa estudar, Draco? —perguntou Remus ante o silêncio.

— Gostaria, mas suponho que terei que me encontrar de um trabalho primeiro.

— Te interessaria o posto de meu assistente?

— Seu assistente?

— Exato. Pode tomá-lo assim que te gradue, mas eu gosto que de meus assistentes tenham o melhor nível acadêmico, e sei que o tem, mas mesmo assim, se aceita, te proponho um curso de treinamento daqui a sua graduação.

— Porque está fazendo isto? —perguntou desconfiado. — Eu jamais lhe agradei, não me estranharia que esse posto lhe oferecesse a Potter, mas porque a mim?

— Equivoca quando diz que não me agrada, e ademais reconheço que é um dos melhores alunos, se te estou oferecendo não é nenhuma dádiva, é tão só o reconhecer que posso encontrar em ti o que estou buscando.

— E daí está buscando?

— Para valer que é desconfiado, Malfoy! —riu divertido. — Tão só busco ajudar-te e ter ademais, o melhor assistente possível. Toma-lo ou deixa-lo?

— Preciso pensá-lo.

— Bem, mas não se demore muito. Falta pouco para que as aulas terminem, e quisesse adiantar em seu treinamento, inclusive poderia te dar um pagamento simbólico neste tempo, desse modo poderia ir poupando algo de dinheiro. E inclusive, quando tenha o posto, pode ocupar uma das habitações do colégio, isso te pouparia ademais ter que pagar algum aluguel.

— Já lhe disse que o pensarei.

Draco pôs-se de pé para marchar-se, mas mal tinha chegado à porta quando a voz de seu Professor lhe chamou, sem dissimular seu contrariedade se girou para saber o que queria agora.

— Draco, com respeito ao que me contaste de teu pai e Severus…

— Não quero falar de isso! —interrompeu-lhe molesto.

— Não o faremos, tão só te recomendo que fale com Lucius, há coisas que mal interpretou.

— Você que pode saber?

— Não é algo que me corresponda te dizer, Draco.

— Muito bem, então também não se intrometa.

Remus sorriu tristemente quando o loiro saiu açoitando a porta. Suspirou decidido a armar-se de paciência, achava que o garoto realmente devia sentir-se sozinho para estar tomando decisões tão drásticas e seguir atuando sempre à defensiva. Propôs-se ajudá-lo, quisesse ou não Draco… e também se propôs não antepor demasiado o que o loiro lhe provocava, não se ia arriscar ao afastar por não saber controlar seus sentimentos.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Assim que terminaram as classes vespertinas, Harry correu para as masmorras, ia coberto com sua capa de invisibilidade ainda que não punha muita atenção de que lhe estivesse cobrindo bem, o único que queria era chegar antes de que Severus se marchasse. Teve sorte e ninguém viu dois pés correndo pelos corredores.

Respirou fundo ao ver a Severus colocando-se sua capa depois de que abrisse a porta de sua habitação.

— Harry, não deve agitar desse modo. —lhe reprendia carinhosamente ao ver que seu esposo arquejava pelo esforço.

— Queria ver-te antes de que te fosse para te desejar sorte.

Severus sorriu, estava beijando-lhe quando os lumes da lareira se avivaram. Ao acercar-se viu a Lucius através do fogo.

— Sucede algo? Trata-se de Ayrton? —perguntou preocupado.

— Está bem, precisamente para isso te chamava. Preciso que venha.

— Já ia para lá.

— Traz a Potter também. —agregou sem dar-se conta que Harry tinha permanecido a um par de metros atrás de Severus. — Ayrton quer falar com ele.

Severus assentiu e apagou a comunicação. Ao voltar-se a olhar a Harry, sorriu ao vê-lo tão pálido como nunca antes, e sorria assustado.

— Parece como se tivesses visto um fantasma.

— Seu filho quer-me ver. —murmurou titubeante.

— Estarei contigo, e não permitirei que te faça nenhum xingamento.

— Me defenderá do ogro de seu filho? —caçoou quando Severus lhe abraçou protetor.

— Te defenderei de dragões, bestas… e de Ayrton.

Harry sentiu-se melhor com a broma de seu esposo e assentiu aceitando ir com ele. Uns minutos mais tarde já se encontravam na sala dos Malfoy esperando a que Lucius e Ayrton baixassem. Harry agradecia que Severus não deixava de apertar sua mão lhe brindando confiança, sobretudo quando sabia que ele deveria se sentir tão ou mais nervoso. Ao pouco momento viram descer a pai e filho tomados da mão. O menino tinha a mirada baixa e luzia triste.

Foi nesse momento que Severus não pôde se conter mais e soltando a Harry foi a abraçar a seu filho, este não o recusou e se deixou envolver apoiando sua cabeça no ombro de seu pai, escondendo seu rosto no pescoço.

— Perdoa-me. —lhe sussurrou debilmente, e Severus sentiu seu coração romper-se ao notar como uma morna umidade lhe eletrizava a pele. Foi a sentar-se em um dos cadeirões e apartando o rosto de seu menino, limpou suas lágrimas com suaves beijos.

— Não chore, e não me peça perdão… Eu entendo que te tenha molestado, Ayrton, e sinto muito não ter podido te comprazer, mas minha vida agora é diferente.

— Papai já me disse. Diz que devo estar feliz de que você seja feliz.

— Igual que eu, só posso me sentir contente quando te vejo sorrir… Anda, sorri para mim e nos esquecemos de todo te parece?

— Sim, papai… Quero-te muito!

Severus sentiu que a alma lhe voltava ao corpo quando voltou a ver o inocente sorriso de Ayrton alumiar seu rosto, lhe abraçou enquanto o menino limpava com seus mãozinhas suas últimas lágrimas. Foi então que viu a Harry a uns passos deles, lhes observando em silêncio ao igual que fazia Lucius.

De um salto baixou-se das pernas de seu pai e caminhou para Harry. Este não se moveu, mas seu coração batia muito forte e sentia as pernas lhe tremer.

— Lamento-o, Harry, não devi te jogar de casa ontem, e sinto muito o que fiz.

— Não, não se preocupe por nada. —assegurou Harry ajoelhando-se para ficar à altura do pequeno. — Escuta, eu gostaria muito que fôssemos amigos, de minha intenção não é afastar a Severus de ti, e eu te prometo que virá a te ver todos os dias.

— Só me promete algo.

— O que queira.

— Que vai ser muito feliz contigo, não o faça chorar porque se sente feio.

— Prometo. —assegurou com a mão no coração.

— Confio em ti… Harry?

— Diga-me.

— Quisesse que me desculpasse, ontem à noite me enojei demasiado e rompi teu autógrafo… o sento.

— Está bem, não há problema, eu posso escrever meu nome onde você queira e quantas vezes queira.

Ayrton assentiu e sorrindo aliviado passou seus pequenos braços rodeando o pescoço de Harry. Este suspirou fechando os olhos ante esse abraço, foi uma sensação que jamais esqueceria, e podia entender porque Severus queria tanto a esse menino. No dia em que ele pudesse receber um abraço assim de seu filho, seguramente choraria de alegria.

Decidiram ficar a jantar essa noite e foi realmente diferente ao ocorrido o jantar prévio. Os risos inundavam o ambiente, sobretudo de Harry e Ayrton quem depois do mau engulo puderam dar-se conta que gostavam de muitas coisas em comum. O menino era feliz escutando falar de Quidditch, da vida no colégio, até de seus doces favoritos.

Severus também intervinha na conversa ainda que com mais solenidade, mas sorria muito, algo que a Harry lhe alegrava a alma.

O único que se mantinha distante era Lucius, seus lábios às vezes emitiam algum sorriso de cortesia, mas a maior parte do tempo permaneceu calado e como simples observador. Não queria demonstrar o que realmente sentia ao ver as mãos unidas de Severus e Harry, o amor nos olhos negros que tinha chegado a desejar que fosse para ele, mas jamais pôde o conseguir. Ocultou baixo uma máscara de indiferença a amargura de ver que ele estava sobrando, que seu filho se divertia com Harry, e que falavam e faziam planos do bebê que vinha em caminho.

A hora da despedida foi difícil, mas Ayrton recebeu um sinal de Lucius para que recordasse que não devia mortificar mais a Severus, de modo que conteve suas vontades de lhe pedir que não se fosse e lhe despediu com um beijo.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Ao chegar o fim de semana, novamente os nervos foram a Harry. Já não sabia se era boa ideia dar a conhecer seu casamento com Severus no mesmo dia em que apresentariam a Ayrton, mas olhava a seu esposo muito entusiasmado, tanto que não podia dissimula-lo apesar de ser um experiente em aparências, de modo que melhor não disse nada.

— Rabisco, despreocupa-te. —aconselhou-lhe abraçando-lhe enternecido pelo tremor nas mãos de seu companheiro ao abotoar-se a camisa. — Nada mau passará.

— Sim, isso quero pensar, mas é que essas coisas de estar em frente a estranhos e dizer algo de minha vida pessoal nunca me deu bons resultados. —confiou estreitando a Severus pela cintura enquanto apoiava seu rosto no cálido peito de seu esposo.

— Agora será diferente, se trata de dar uma boa notícia. Mas me diga, há algo que possa fazer para acalmar esses nervos?

— Não é demasiado tarde para um pó?

— Algo. —disse rindo-se. — Mas te compensarei ao voltar… enquanto se conformaria com um beijo?

— Que seja um graaaaande beijo!

Severus cumpriu-o e Harry conseguiu esquecer-se momentaneamente de enfrentar o que viria quando os lábios de Severus se uniram aos seus, afogando em sua garganta um arquejo prazeroso com a suave opressão que o Pocionista exercia em seu corpo.

Mais tarde, quando chegaram a casa dos Malfoy, Harry se surpreendeu de ver demasiada gente. Aquilo parecia uma grande festa, e isso que Lucius tinha assegurado que só convidaria a alguns conhecidos e gente relacionada com os negócios. Mas também notou a presença de repórteres e isso já não gostou nada.

— Ninguém te molestará. —assegurou-lhe Severus inclinando-se para falar ao ouvido. — Adverti-lhe a Lucius que lhes dissesse que não se te acercassem a não ser que se lhes indicasse.

— De acordo… isso espero.

— Isso sucede quando é uma celebridade, amor. —debochou-se gentilmente.

— Desejo com todas minhas forças, Severus, que esta noite se te rondem a seu redor para que veja que não é nada cômodo. —grunhiu divertido.

— Hey, que são esses maus desejos para seu esposo?

Harry riu, mas já não puderam seguir conversando. Dumbledore acercou-se-lhes, novamente tinha-se auto invitado, só que nesta ocasião ademais levou seu próprio convidado, Remus.

— Já chegou quem te pode roubar câmera, Harry. —jogou Severus quando um fotógrafo de imediato aproveitou a oportunidade para retratar ao grande mago Diretor do prestigiado colégio de magia e feitiçaria.

— Tentarei não me pôr zeloso.

— De que falam? —perguntou Remus preferindo acercar-se a eles depois de sair do redemoinho criado meio a Dumbledore.

— Nada importante, tão só nos relaxamos. —assegurou Harry já mais tranquilo.

— E quando vou conhecer a Ayrton?

— Não terá que esperar muito… Aí vem.

Severus despediu-se de Harry para ir reunir-se junto a Lucius e Ayrton, foi então que a total atenção se dirigiu para eles, todos intrigados pela presença do formoso menino loiro que caminhava da mão do poderoso magnata. Lucius reuniu-os em torno de uma mesa alongada, ocupando o lugar central com Severus a sua esquerda e Ayrton a sua direita.

O menino luzia um pouco intimidado com tantas pessoas a seu redor e escondia-se parcialmente depois da elegante túnica de seu pai, esperando que aquilo terminasse cedo. Tivesse preferido ir-se a jogar com Harry, a quem saudou de longe.

— Bem-vindos todos. —começou Lucius. — Espero que seja de seu agrado a comida e bebida que se dispôs para vocês. —agregou referindo às mesas colocadas às orlas com bandejas e fontes de lanches, além dos garçons que repartiam bebidas. — A intenção de reuni-los é para apresentar-lhes a alguém muito especial… seu nome é Ayrton Lucius Malfoy Snape.

Ante a menção de dois sobrenomes juntos, aunado à presença do Professor de Poções, a avalanche de perguntas e fotografias não se fizeram esperar. Ayrton espantou-se momentaneamente, quis esconder-se baixo a mesa, mas Lucius sustentou-o rodeando com seus braços parando em uma cadeira a seu lado.

— É filho meu e de Severus Snape. —manifestou Lucius com profundo orgulho. — Tem cumprido já os seis anos e tem demonstrado em muitas ocasiões que será um grande mago como seus pais.

Ayrton quis sorrir ao escutar isso, mas se sentia demasiado nervoso para o conseguir, tão só deixou que seu pai se dedicasse a responder quanta pergunta lhe faziam, sobretudo os repórteres, pois os convidados privados só se concretavam a cochichar entre eles.

— Esta reunião também é para se apresentar publicamente como companheiros? —perguntou um dos repórteres se dirigindo especialmente para Severus. — É por isso a presença do Diretor do Colégio onde labora?

— A relação que mantenho com Lucius Malfoy é só como pais de Ayrton. —respondeu com voz grave. — E como sabíamos que deduziriam esse engano, devo aclarar que eu tenho a outra pessoa em minha vida, e nos casamos faz pouco tempo.

A notícia de que o adusto Professor estava casado desatou novas perguntas, sobretudo aquelas relacionadas com a identidade de seu companheiro. Ninguém parecia achar que estivesse unido a outra pessoa tendo a Lucius Malfoy tão à mão.

A inquietude entre os assistentes fez duvidar a Severus de se devia falar mais. Não queria imiscuir a Harry, mas se não o fazia poderiam se suscitar mais mal entendidos, e estava farto deles, e também temeroso de que algum dos assistentes danara sua relação com Harry. O melhor era declará-lo já, e se evitar posteriormente alguma difamação.

Harry notou seu titubeio, era o momento de ajudá-lo, de modo que tomou ar profundamente, e caminhando decidido acercou-se a ele. Ao vê-lo, Severus sentiu-se orgulhoso, não se ia deixar intimidar por ninguém, estava feliz e satisfeito de quem tinha elegido estar a seu lado, de modo que alongou um braço para o receber.

Quando Harry apareceu junto ao Professor, toda a atenção se centrou neles. Harry percorreu lhes um a um com a mirada, não tinha quem não lhe estivesse observando, entre incrédulo ou confundido. Finalmente sorriu acercando seu corpo ao de seu esposo.

— Eu sou. —afirmou Harry. — Sou o esposo de Severus Snape, casamos-nos faz em uma semana.

— Mas não está isso proibido?... talvez não segue sendo você aluno do colégio Hogwarts onde o Professor dá sua cátedra?

— Sigo sendo aluno, por suposto, ainda que não por muito tempo, cedo me graduarei e isso deixará de ser um inconveniente.

— Mas segue sendo uma relação que avaria as regras do colégio ou não?

— Isso não está a discussão neste momento. —afirmou Severus começando a molestar-se.

— Se fizeram-no do conhecimento público então podemos perguntar.

— E para tudo há uma resposta. —escutou-se uma voz a suas costas. Ao voltar-se e ver que se tratava de Dumbledore, quem caminhava para diante com toda a tranquilidade do mundo os deixou momentaneamente calados. — O Conselho Escolar tem sido inteirado do enlace matrimonial de Severus Snape e Harry Potter e não há nenhum inconveniente ao respeito. São condições especiais que a nenhum de vocês concerne

Severus trocou uma mirada com Dumbledore, agradecendo por sua intervenção, pela primeira vez feliz de sua presença nessa casa. A partir desse momento parecia que o Diretor seria o novo centro de perguntas, mas uma pessoa se acercou discretamente até onde estava Ayrton. O menino assustou-se quando se lhe perguntou sua opinião a respeito de que Snape apresentasse a seu esposo em frente a seu outro pai.

Isso foi suficiente para que Lucius reagisse como uma fera. Abraçou a seu filho protegendo-lhe de todos, e seus olhos claros reluziam de raiva ao sentir o tremor e a força com que o menino se aferrava a sua túnica.

— Convoquei a esta reunião precisamente para evitar estas estupidezes. —bramou enfurecido ainda que sem levantar demasiado a voz com a intenção de não armar mais escândalo. — Não permitirei que nenhum de vocês, sem exceção, se acerque novamente a meu filho com suas sujas intenções… Se me conhecem, sabem que falo em sério e a ninguém lhe convém ter a Lucius Malfoy como seu inimigo declarado Me entenderam?

O silêncio fez-se, e com a dura mirada do homem foi suficiente para dar por terminada a sessão de perguntas. Lucius levou a seu filho ao despacho contiguo.

— Vá com eles, Severus. —disse-lhe Harry entendendo que seu esposo também queria consolar a seu menino.

— Estará bem só?

— Fico com Remus e Dumbledore, descuida.

— Voltarei cedo… Amo-te.

Harry sorriu-lhe animando-lhe a atingi-los, enquanto ele se aproximou a Remus. Ainda que os repórteres tinham sido retirados amavelmente pelos guardas de segurança, ainda ficavam os convidados, e o moreno não se sentia cômodo entre eles.

Quando Severus entrou ao despacho se encontrou a Lucius sentado em um cadeirão, balançando ao menino em suas pernas quem já se via bem mais relaxado pelo que sorriu ao ver entrar a seu outro pai.

— Já se foram todos? —perguntou esperançado de voltar à tranquilidade de sua casa.

— Não todos, mas não se preocupes, já não fica ninguém que te possa molestar. —assegurou Severus sentando-se junto a eles, pelo que Ayrton saltou a suas pernas. — De qualquer forma não se preocupe, Ayrton, não tens que sair mais.

— Lamento-o, Severus, mas ainda falta o jantar, irei ordenando que vão todos ao comedor, é necessário que Ayrton esteja presente, há gente que quero que conheça. —interveio Lucius.

— Como para que?

— São pessoas importantes, e têm filhos da idade de Ayrton, cedo os conhecerá e me interessa que eles aprovem sua amizade.

— Para que teria de te interessar?

— Pretendo que meu filho se relacione com as melhores pessoas possíveis, suponho que não te oporás a isso. Ayrton terá que conhecer a esses meninos quando vá a seu colégio, e melhor que o vejam como um Malfoy e não como um estranho.

— E tem que ser justo agora?

— Sim, melhor ocupa de seu esposo e eu de meu filho.

Lucius pôs-se de pé tomando a Ayrton para sair. Severus ficou impávido ante a fria resposta do loiro, cria saber a que se devia, era a primeira vez que apresentava a Harry como seu esposo, era o fazer público… era arrebatar a Lucius qualquer esperança que tivesse.

Doeu-lhe por ele, mas não podia fazer nada. Estava tentando fazer as coisas o melhor possível, ainda que parecia que sempre teria alguém que saísse sacrificado.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Harry viu que Lucius tinha saído do despacho levando a Ayrton e o apresentava orgulhoso com algumas pessoas, geralmente casais que pareciam importantes, mas por mais que olhou para a porta por onde saíssem, jamais viu aparecer a quem mais lhe interessava, pelo que se desculpou com Remus e foi para esse despacho.

Abriu timidamente a porta, ainda não podia se sentir com toda a confiança como para andar por essa casa sem permissão, mas ao ver que Severus estava só e continuava sentado em frente a uma lareira apagada, se foi sentar a seu lado.

— Está bem?

— Sim, só descansava um pouco… neste dia tem resultado esgotador.

— Sim, acho que sim. Quer que nos vamos a casa?

— Em um momento, antes quisesse dar-te algo.

Harry sorriu ladeando a cabeça, Severus nesse momento pareceu tirar-se todo o cansaço e sorria emocionado. Sacou do bolso interior de seu túnica uma caixinha de veludo negro, e ao abri-lo, Harry descobriu que tinha um par de anéis lavrados em ouro. Um nodo formou-se em sua garganta ao saber o que eram.

— Casamo-nos tão rápido que não teve tempo de fazer as coisas como é devido. —disse Severus. — Mas sempre é bom retificar.

Harry queria dizer algo, mas se tinha ficado completamente sem palavras. Severus sacou o mais pequeno dos anéis e Harry pôde ver que tinha uma inscrição em seu interior, eram suas iniciais enlaçadas e a um lado a frase "para sempre".

Depois tocou a Harry fazer o mesmo, e sentiu um profundo sentimento de dita, honra e euforia enchendo-lhe o coração quando cativou o dedo de Severus com o anel que simbolizava sua união.

Se beijaram e por muito tempo esqueceram até a gente que esperava lá afora, o único que queriam era seguir desfrutando de suas caricias, de sua companhia, e seus sonhos ante a proximidade de seu primeiro filho.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Remus decidiu ir-se cedo da reunião, achando que Harry já não corria nenhum risco e estando Dumbledore ainda presente, não considerava necessária sua presença. Surpreendeu-se de que ao chegar a sua habitação, encontrou a Draco sentado no chão em frente a sua porta.

Quando o loiro lhe olhou, se pôs rapidamente de pé tentando que não se desse conta que já levava muito tempo lhe esperando, algo que sabia já era impossível de ocultar.

— Posso ajudar-te em algo, Draco?

— Preciso falar com você… sobre o posto de seu assistente.

Remus assentiu e depois de abrir a porta convidou-lhe a passar. Draco obedeceu, mas tinha conseguido perceber que o licantropo estava ataviado com uma túnica nova de gala, pelo que uma aguda suspeita se lhe fincou no peito. Depois de sentar-se, olhou a seu Professor com receio.

— Posso perguntar onde andava?

— Porque quer saber?

— Não é que me interesse o que faça em seu tempo livre, mas acho que não lhe devem sobrar convites a reuniões importantes… o suficientemente importantes como para que tenha abandonado seu particular "estilo" de vestir.

— Bem, acho que já te imagina onde andava.

Draco franziu os lábios. Era absurdo imaginá-lo, não achava nenhuma relação entre seu pai e Remus Lupin. O único mais próximo entre eles era Severus, mas seu padrinho não era precisamente um grande amigo do licantropo. De modo que melhor guardou silêncio para não dizer tolices.

— Está molesto por algo, Draco?

— Por nada… falemos do trabalho, melhor.

— Bem… então aceita trabalhar comigo?

— Sim, mas tenho de pôr certas condições, Professor.

— Você dirá.

— Em primeiro lugar, preciso flexibilidade de horário, minhas outras matérias também são importantes e não quero descuidá-las.

— Não há problema.

— Em segundo lugar, quando tenha o posto formal de assistente, preciso que me assegure a estância em Hogwarts, isso seria o mais prático para mim.

— Dá-o por feito.

— Em terceiro lugar, preciso recomendações, tanto suas como do senhor Diretor para poder conseguir uma bolsa completa no colégio de medimagia.

— Ah, de modo que quer ser medimago.

— Isso não lhe incumbe, Professor… e essa seria a quarta condição. Não se intrometa em minha vida.

— Tentarei não o fazer. Alguma outra coisa que deva saber?

— Sim, ainda que sua recomendação e a de Dumbledore são muito válidas, parece-me que a do Professor Snape me ajudaria muito também, como Professor de Poções seguramente será algo relevante na carreira que tenho elegido.

— Não tenho nenhuma dúvida que te dará assim que lhe peças.

— Esse é o problema, não quero ter nada que ver com ele. Por isso lhe peço que seja você quem lhe solicite a recomendação.

— Sobre isso… não tens pensado no que te disse de falar com teu pai?

— E você não recorda da quarta condição?

— Bem… então não te surpreendas as notícias que verá amanhã no Profeta.

Draco mordeu-se a língua para não perguntar, mas lhe intrigavam muito as palavras de seu Professor, no entanto, o conseguiu, ainda que se prometendo que leria o jornal a primeira hora.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Nota tradutor:

Mais um capitulo no ar e eu seguindo com o meu protesto!

Bom vejo vocês por ai

Ate breve!