Capitulo nove
Os sentimentos de um Malfoy
Dois dias após ter nascido Anthony, Harry e ele foram cadastrados e regressaram ao castelo. Tinham enfeitiçado sua habitação para ampliá-la e poder acomodar o berço nela. Harry em um princípio sugeriu buscar uma casa, não queria que a umidade das masmorras afetasse ao recém nascido, mas Severus desistiu momentaneamente, não queria os ter longe sendo o bebê tão pequeno. Conseguiu convencer a Harry que se mudar era uma má ideia, pois no castelo podia conseguir rapidamente qualquer ajuda necessária.
Harry não entendia a insistência, mas ao final compartilhou a ideia de Severus, o melhor era permanecer juntos.
Nesse dia era sábado, e ainda que Severus não o mencionava, não deixava de pensar em Ayrton, a cada dia sem o ver lhe entristecia demasiado, mas era incapaz de lhe dizer a Harry que o deixaria só ainda que fosse umas horas para ir com o menino.
Pela tarde, enquanto Harry alimentava a Anthony, o moreno se recosto na cama a seu lado, observando a cena enternecido pela doçura que irradiavam os dois juntos.
— Sev… se quer ir, vá. —disse-lhe o jovem Gryffindor de repente.
— Mas…
— Será só umas horas, e se preciso algo lhe pedirei a Remus. —assegurou olhando-lhe sorridente. — Não quisesse que Ayrton se ponha triste porque não tem ido.
— De acordo, prometo-te que não demorarei.
Harry sorriu e recebeu um agradecido beijo de Severus antes de que este se pusesse de pé para ir direto à lareira, não podia dissimular o feliz que se punha ante a proximidade de ver a Ayrton, tinha tantas vontades de abraçar e desfrutar como este lhe comia a beijos!
Ao ficar só, o sorriso de Harry desapareceu. Seu bebê tinha-se dormido de modo que colocou-o sobre o berço cuidadosamente para não o acordar, então se levou a mão à testa, não esquecia a dor que tinha tido durante as dores de parto. Não tinha voltado a se repetir e esperava que não sucedesse jamais… Orava sempre para que Dumbledore tivesse razão e que se estivesse preocupando inutilmente.
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Em outro lado do castelo, Remus ensinava a Draco a formular seu Patronus, mas nada do que tentava dava resultado, o garoto simplesmente não conseguia formular uma lembrança realmente feliz como para conseguir algo que não fosse uma voluta de fumaça.
— Estou farto disso! —exclamou arrojando furioso sua varinha contra um muro. — Não posso!
— E porque não terá de poder se é um mago com o poder suficiente para o conseguir?
— Pois não posso e já!... Ademais, nem caso tem, serei Medimago, não Auror, não me enfrentarei a dementadores jamais.
— Mas é meu assistente, e ainda que agora s encarregas dos grupos mais pequenos, poderia ser que um dia seja necessário que adestre a grupos mais avançados… gostaria que deles soubessem mais que você?
— Não pique meu orgulho que de qualquer forma não vai conseguir nada. —bufou deixando-se cair sobre um degrau. — Melhor passemos a outra coisa.
— Bem que quer treinar? —perguntou sentando a seu lado.
— Não… não sei.
Draco pôs-se muito nervoso pela cercania do Professor, podia sentir suas pernas demasiado juntas e não creu conveniente se retirar ou pareceria um covarde, no entanto, o coração lhe palpitava forte e o cérebro se lhe ficou momentaneamente em alvo.
— Bem, se não tem desejos de adiantar nada, me parece bem.
— Não está molesto?
— Não, após tudo está de férias, é lógico que queira sair com seus amigos da escola de medimagia.
— Pois, em realidade não… Prefiro me ficar aqui. —sussurrou baixando a mirada, ainda que quase em seguida obrigou-se a voltar a levantá-la, essa não era conduta apropriada de um Malfoy. Esse pensamento fez-lhe sorrir amargamente, oficialmente ainda não tinha podido deixar de levar esse sobrenome, mas moralmente a renúncia era irrevocável.
— Passa-te algo?
— Nada.
— Quer dar um passeio?
Draco não soube que responder por enquanto, mas Remus lhe tomou da mão se pondo de pé. Levou-o com ele sem lhe perguntar, e não é que Draco se opusesse, ao invés, seus lábios se curvavam sem que pudesse fazer nada para o evitar.
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Severus esteve conversando longo momento com Ayrton, ainda que será mais correto dizer que era Ayrton quem conversava com seu pai, pois mal se tomava o tempo necessário para respirar. Em só um par de dias sem se ver já tinha muitas coisas que lhe contar e Severus escutava todas e a cada uma com toda a paciência do mundo, sorrindo tão só por ver que era um menino feliz, apesar de que sua vida não era como a tinha chegado a sonhar.
As horas passaram-se lhe muito rápido, e ao anoitecer, o menino caiu rendido em seu colo, dormindo passivelmente depois de que tinha obtido a promessa de que cedo lhe levariam a conhecer a seu irmão menor. Ter outro irmão fazia-lhe feliz.
Severus sustentou-lhe em braços para subi-lo a seu quarto. Com todo cuidado lhe mudou manualmente para lhe pôr seu pijama. Ayrton estava tão exausto que nem com o movimento acordou. Depois de cobiçá-lo, Severus deu-lhe um beijo na testa. Ao girar-se para ir-se, seu cenho franziu-se ao descobrir a Lucius no quício da porta. Sem abandonar seu gesto contrariado caminhou para o loiro quem olhava-lhe altivo.
— Está muito satisfeito com essa atitude? —perguntou Severus sem dissimular sua moléstia.
— Vamos a minha habitação, não quero que Ayrton nos veja brigar.
Lucius deu meia volta e Severus foi atrás dele. Encerraram-se no quarto do loiro e este foi a sentar em sua cama, com toda a sem vergonha do mundo, sorrindo cinicamente em espera da reprimenda.
— Não quero que volte a te sentir zeloso por Harry porque não tens nenhum direito, Lucius, te advirto!
— Acha que posso evitá-lo? Supõe talvez que com só me proibir me sentir de tal ou qual maneira o farei?... Sei que tem experiência em manejar seus sentimentos, Severus, sei que ninguém pode te igualar para semelhante frialdade, e não sou a exceção, pelo menos não posso o fazer com respeito ao que sinto por ti.
— Disse-te que se esqueça disso, se não quer, se prefere seguir sofrendo em vão, é seu problema, mas recorda os riscos que corre!
— Não me importo! —gritou voltando a pôr-se de pé, quis acercar-se a Severus, mas este se retirou antes de que lhe tocasse.
— Também não se importa Ayrton?!
O reclamo de Severus deu na mosca, Lucius seguia franzindo o cenho, mas acalmou-se enquanto tentava recuperar sua recuperação.
— Você sabe que essa pergunta está a mais.
— Pois não parece. O que parece é que se esquece de qual é seu papel, Lucius, e se é necessário te recordo uma vez mais… Você deve viver para proteger a Ayrton, para cuidar dele e o amar com todas suas forças.
— E cumpri-o.
— Até agora o fizeste, mas me preocupa que seus ciúmes por Harry façam que se te esqueça.
— Não o esquecerei… Como também não esquecerei que Ayrton, ainda que o adoro, não é o único em minha vida.
— Eu amo a Harry.
— E eu te amo a ti!... E odeio que não o valorize, porque qualquer outro daria o que fosse por estar em seu lugar, maldita seja!
— Lamento. —desculpou-se sinceramente. — Mas esse não é meu lugar, o meu é junto a Harry.
— Deixa de nomeá-lo! Sua crueldade é pior que a do Senhor Tenebroso, sabe o que sinto e não deixa de mencionar seu nome à cada momento… Se tão só te esquecesse de sua existência quando estamos sozinhos!
— É impossível, ele é parte de mim.
— E você de mim!... porque esqueceste-te disso? Prometeste que não seria assim, Severus.
— Já não quero prologar mais esta discussão, é difícil também para mim, não ache que desfruto a situação, mas tenho que deixar clara a advertência. Até agora tinha conseguido estar cerca de Harry aceitando o que sinto por ele, mas se começa com pequenas cenas de ciúmes então prefiro que nem te lhe acerques.
Severus girou-se para retirar-se, mas Lucius não queria o deixar ir assim, correu ao atingir e dantes de que o moreno pudesse fazer nada para o impedir, recebeu um beijo tão apaixonado que não pôde mais que abrir os olhos desorbitadamente enquanto uma língua aproveitava sua distração para adentrar-se a sua garganta.
Depois desse primeiro segundo de assombro, a ira invadiu a Severus, conseguiu libertar seus braços que Lucius mantinha apresados junto a seu corpo e lhe apartou violentamente.
— Nunca, nunca jamais volte a fazer algo assim! —ordenou furioso. — Vai terminar por arruiná-lo tudo, por fazer que me arrependa até de te conhecer!
— Desfruta-lo, não pode o negar!
— Não!
— Desfruta-lo! —sublinhou sorrindo mordaz. — E é tão patético de seguir negando!
Severus apertou os dentes furioso pela afirmação de Lucius. Voltou a tentar ir-se, mas novamente o loiro lhe cativou, só que esta vez o fez com doçura, e ainda que Severus tentou se separar, um "te amo" sussurrado a seu ouvido com tal sinceridade lhe deixou imóvel.
— Eu amo a Harry. —respondeu cansado.
— Eu sei… mas isso não impede que te ame, você mesmo provocou este amor... foi sua culpa. Tem sido você, Severus, quem mudou minha vida e me fez te amar como jamais fiz com ninguém, não me peça que te esqueça porque você sabe melhor que ninguém que isso é impossível.
— Eu sei... —suspirou resignado enquanto sentia as mãos de Lucius acariciando-lhe sua longa cabeleira. — … Por favor, Lucius, você sabe que não é qualquer um em minha vida, e não quisesse que chegasse no dia de arrepender de nosso trato.
— Seria capaz? —perguntou sem deixar de abraçá-lo.
— Não… perdoa. —respondeu enquanto tentava libertar-se, ainda que o loiro impediu-lhe com macieza. — Isso não sucederá nunca. Quero-te, Lucius, ainda que duvide-lo… mas sabe que se tivesse podido conter este amor por Harry para ficar a seu lado, o teria feito. Agora é impossível... já devo me ir.
— Vejo-te manhã.
Severus assentiu para em seguida desfazer dos braços de Lucius e sair. Perturbava lhe aquela situação, tão só esperava que realmente o loiro se mantivesse longe de Harry, não queria machuca-lo no mais mínimo, e não seria algo leve se se inteirasse que sua relação com Lucius era mais do que se via a simples vista.
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Harry lia um livro em espera de que seu bebê acordasse para sua seguinte comida. Às vezes abandonava sua leitura para passar minutos olhando-lhe dormir, era um menino muito tranquilo e passava a maior parte do tempo descansando.
Alguém tocou a sua porta nesse momento, sorriu pensando que quiçá era Remus e como lhe fazia falta conversar com alguém, se apressou a abrir, uma careta suave de dor por sua recente cirurgia apareceu em seu rosto, que de imediato esqueceu ante a alegria do que representava essa vadia moléstia. Seu sorriso titubeou um pouco ao abrir a porta, mas continuou em seu lugar. Em frente a ele, Hermione e Ron igual sorriam, com algo de timidez, mas muito sinceros.
— Harry…
A gentil voz de Hermione foi suficiente para que Harry esquecesse nos meses separados e se lançou aos abraçar a ambos ao mesmo tempo. Eles fizeram o mesmo, e depois de uns minutos se reconhecendo como amigos, Harry lhes fez passar para que conhecessem a seu menino.
— Não está o Professor Snape? —perguntou Hermione olhando a seu ao redor, intimidada por ter que entrar a essa habitação.
— Não, foi visitar a Ayrton. —respondeu Harry percebendo de uma tênue expressão de alívio do ruivo. — Ele não é como todos crêem, Ron, te asseguro que é uma boa pessoa.
— Não o duvidamos, Harry, mas ainda não nos sentimos confiados para estar no mesmo lugar que o… digo, que Snape.
— Bem, esqueçamos isso. —assegurou notando o esforço de Ron para não meter a pata. — Venham, conheçam a Anthony.
Os dois jovens aproximaram-se para o berço. Nesse momento o bebê começava a acordar pelo que Harry decidiu o tomar em braços para que seus amigos pudessem o olhar melhor.
— É tão belo, Harry! —exclamou Hermione emocionada. — Me deixaria o sustentar um segundo?
— Claro que sim. —respondeu colocando a seu bebê em braços de sua amiga, quem não ocultava a ternura que lhe inspirava ter a um bebê de Harry em seus braços.
— Que pequeno que é. —sussurrou Ron acariciando timidamente a cabecinha de Anthony.
— Só tem em uns poucos dias, Ronald, por suposto que é pequeno.
— É que nunca deixará de repreender por tudo? —protestou o ruivo franzindo o cenho a sua melhor amiga.
— Não faça tanto ruído ou o vai fazer que chore.
— Não chora. —interveio Harry. — É muito tranquilo.
— Ou frio como o pai. —riu Ron e Harry sorriu, não podia enfadar por esse comentário.
Por espaço de uns minutos estiveram falando de variadas coisas, Harry inteirou-se que os Weasley tinham tido que se mudar a Romênia, pois Charlie teve um acidente com um dragão, felizmente estava fora de perigo, mas requeria de muitos cuidados pelo que Molly não quis que ninguém que não fosse ela lhe proporcionasse.
— Meus pais queriam vir a ver-te. —disse-lhe Ron. — Mas agora lhe é impossível, no entanto, dizem que se é feliz, eles também o são.
— E sou, Ron, pode dizer-lhes que não há no mundo ninguém mais feliz que eu.
— Alegra-me escutar isso. —assegurou Hermione, ainda que notava-se-lhe um pouco triste depois de suas palavras.
— Sucede algo?
— Não queríamos nos ir sem te ver e te dizer quanto te queremos, e que te apoiaremos em todo momento, Harry, ainda que não estejamos muito de acordo com tua eleição, a respeitamos e sempre contarás conosco como amigos.
— Porque parece que se estão despedindo?
O sorriso de Harry apagou-se quando a de seus amigos também o fez. Hermione apertou um pouco mais a Anthony contra seu peito, sussurrando algo de que gostaria de tê-lo visto crescer e jogar.
— Que passa? —insistiu Harry.
— Ofereceram-nos uma bolsa em nossa Academia de Aurores. —disse Ron depois de respirar fundo.
— Pois isso é uma boa notícia não?
— E é, mas inclui um adestramento especial contra seres mágicos.
— E? —questionou Harry sem entender.
— É na Índia. Vamos-nos amanhã, de maneira indefinida.
Harry mordeu-se os lábios, tinha um nodo na garganta… Mal acabava de recuperar as seus melhores amigos e agora eles se iriam para sempre a um lugar tão longínquo. Hermione já estava chorando quedamente, pelo que Ron a abraçou a consolando.
— Não vão voltar?
— Quiçá em algum dia, não sabemos. —titubeou Ronald. — Falaram-nos maravilhas desse ramo de Aurores e estamos muito interessados, Harry… não teria caso regressar se aqui não poderíamos pôr em prática o que tenhamos aprendido.
— Entendo. —murmurou tristemente.
— Talvez em alguma férias pudéssemos vir a te ver. —disse Hermione enjugando-se as lágrimas.
Harry assentiu, mas sabia que isso seria pouco provável. Eles dois sozinhos tão longe e juntos seguramente faria que terminassem finalmente unidos, e em qualquer dia livre quereriam desfrutando entre eles. No entanto, respirou fundo tentando libertar-se desses duros pensamentos e voltou a sorrir-lhes.
— Verdadeiro, isto não tem que se uma despedida definitiva. Somos o trio dourado, não terminaremos em nossos dias separados.
— Prometo-te que não, Harry… E inclusive você pode nos ir a visitar.
— Obrigado, Hermione, seguro que o farei.
Hermione assentiu, igualmente sem muitas esperanças, sobretudo agora que seu bebê era tão pequeno e as viagens assim de longos não se recomendavam muito. Trocou uma mirada com Ron, e este sacou uma pequena caixa dourada do interior de seu casaco.
— Trouxemos-lhe um presente a Anthony.
Harry agradeceu o gesto e abriu a caixinha encontrando-se com um colgante lavrado em ouro que tinha uma pedra vermelha escura no centro.
— Que lindo… parece antigo. —comentou Harry admirando lhe meticulosamente.
— E é. —assegurou Ron. — Falaram-nos dele em uma classe da academia, e não paramos até o encontrar, são muito escassos. É um medalhão do coração.
— E isso que significa?
— É um amuleto, e ainda que pareça incrível, asseguro-te que seu poder é verdadeiro.
— E qual é seu poder?
— Três desejos. Só há que os pedir e se cumprirão de imediato. Claro que só o dono do medalhão pode os formular… Nos permites fazer o ritual para que Anthony seja legendariamente o dono do medalhão?
Harry duvidou uns segundos. Três desejos eram uma arma poderosa, não sabia se devia lhe dar esse privilégio a um menino recém nascido. Sua indecisão foi notada por seus amigos, pelo que Hermione lhe tomou da mão lhe sorrindo.
— Você será seu guardião. De modo que não se cumprirão até que você liberte o poder do medalhão, dessa forma não terá que se preocupar que em uma birra infantil peça que te caia um piano em cima.
Essa broma conseguiu que Harry sorrisse com maior confiança. Aceitou o presente para seu filho, quiçá não faria falta que desejasse nada, após tudo tinha a seus pais para lhe dar o necessário, mas a tranquilidade que proporcionava saber que pudesse ser a solução a algum problema inesperado lhe fez finalmente aceitar.
Hermione voltou a colocar a Anthony em braços de seu pai. Ron pendurou o medalhão no pescoço do bebê, nele luzia demasiado grande ainda. Depois, os dois jovens estudantes para Auror uniram-se das mãos recitando uma longa oração que para Harry não tinha nem pés nem cabeça.
Nesse momento sentiu-se tão ignorante, seus amigos a cada dia aprendiam mais coisas enquanto ele ficava em sua casa sem fazer nada. Finalmente conseguiu sacar-se essas ideias da cabeça, cuidar de seu bebê era o mais maravilhoso e orgulhava-se por isso. Em algum dia voltaria a estudar, de modo que não tinha nada de que se preocupar.
Quando Ron e Hermione terminaram, o medalhão desprendeu um suave flash vermelho que foi se apagando até terminar brilhando como fogo interno dentro da pedra.
— Pronto, isso é tudo. —disse Hermione separando-se de Ron. — Quando queira libertar seu poder, tão só tens que sustentar entre suas mãos e o desejar.
— De acordo. Agradeço-lhes muito todo o que fazem por Anthony.
Os dois jovens sorriram antes de que a castanha voltasse a abraçar de seu amigo, não queria o dizer, mas era hora de se marchar. Harry adivinhou-o e apertou fortemente suas pálpebras, doía-lhe saber que era uma despedida provavelmente definitiva. Ron conteve o pranto também e se abraçou a eles, sem poder achar que estava vendo a seu amigo de tantos anos quiçá por última vez.
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Draco fingiu que não estava sentindo essa rara emoção quando Remus se deteve junto ao par de árvores onde tinha passado a tormenta em uns meses antes. Tão só pôs uma cara de aborrecimento ao olhar de um lado a outro.
— Que fazemos aqui?
— Gosto desse lugar, por isso achei que era boa ideia vir.
— Tivesse sido boa ideia em verão, mas hoje faz demasiado frio. —protestou Draco, e em realidade não mentia, era finais de ano, o alcantilado provocava redemoinhos de ar gelado que se sentiam úmidos e calavam como agulhas de gelo provenientes do lago que agora luzia uma grossa coberta de gelo.
Remus não se deixou intimidar pelo duro caráter do loiro, fez um passe de sua varinha girando folhas secas entre as duas árvores para que formassem um cálido e seco colchão. Convidou ao jovem a sentar a seu lado, e ainda que este fez uma careta de desprezo pelo lugar, não se resistiu.
— É um bonito lugar. —apreciou Remus olhando a paisagem nevado das montanhas ao outro lado do lago que brilhava com os raios dourados do entardecer.
— Bonito para que?
— Para te beijar.
Draco abriu os olhos como pratos, via como Remus se acercou se acomodando melhor e olhava seus lábios entreabertos que agora lhe faziam sentir uma cálida cocegas nos próprios. Sua respiração paralisou-se quando o licantropo aproximou seu rosto e seu fôlego acariciou sua boca.
Não se dava conta que suas mãos que antes apertavam com força as folhas que tinha a seu alcance, agora se posaram no peito de Remus, lhe detendo timidamente para que não avançasse mais. Surpreendia-lhe tanto sentir-se assustado da excitação que tinha, do grande desejo que seguramente lhe faria perder sua vontade.
Remus deteve-se, mas não retrocedeu, lhe olhou aos olhos, desfrutando da formosa cor cinza dessa mirada tão ingênua como astuta. Sentiu-se mais apaixonado que nunca… Um suspiro escapou de sua garganta e atuou muito melhor que qualquer ordem ou força, Draco deixou de deter e deslizou suas mãos para os ombros do castenho, sem deixar de olhar às profundidades douradas, com o temor do que viria.
Continuando sua marcha, Remus conseguiu por fim tocar os outros lábios com os seus. Draco gemeu surpreendendo-se a si mesmo, fechou seus olhos quando sentiu todo seu sangue aglomerando-se em suas bochechas que já lhe ardiam como brasas ardentes. Timidamente abriu seus lábios dando permissão para mais e uma doce língua tocou a ponta da sua.
Foi o último que pôde recordar de seus pensamentos como o homem que cria ser. Agora era alguém diferente, alguém que pôde corresponder com corpo e alma ao beijo de um homem de quem jamais creu se apaixonar.
Draco rodeou com seus braços o pescoço de Remus, convencido de que nesse momento poderia invocar o Patronus mais formoso que tivesse existido.
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Nota tradutor:
Ainnnnnnnnnnnnnnnn Dracoooo! Que foi isso no final desse capitulo meu Deus?!
Vejo vocês nos reviews...
Ate breve
