Capitulo dez

Um Adeus

Quando Severus entrou a sua habitação, se encontrou a Harry recostado em sua cama, com seu bebê em braços arrulhando carinhoso. Pareceu-lhe ver que se limpava dissimuladamente suas bochechas e se apressou a ir a seu lado.

— Chorava? —perguntou agoniado.

— Vieram Ron e Hermione. —respondeu esforçando-se por sorrir ainda que mal pôde o conseguir.

— Entendo, não se preocupe, eles recapacitaram em algum dia e…

— Vieram a despedir-se, vão-se do país.

— Ah… Bom, não sei que te dizer. Suponho que os verá de novo alguma vez.

— Isso espero, mas me sinto triste. Não gosto das despedidas… Não quero voltar a me despedir de ninguém nunca mais.

Severus abraçou-lhe carinhoso, também esperava que seu Harry não tivesse que passar por nenhuma outra tristeza. Em isso notou o medalhão que seu bebê tinha posto.

— E isto? —perguntou tomando-o, mas sem retirar do menino.

— Foi um presente de Ron e Hermione. É… é lindo, verdade?

— Sim. Parece-me ter visto um parecido, mas não recordo onde.

— É antigo, quiçá em algum retrato do castelo. Não é nada importante. Lhe tirarei, é demasiado grande para Anthony.

Severus assentiu enquanto via como Harry se punha de pé, levava ao menino a seu berço lhe tirando o medalhão. Seguiu-o com a mirada até que Harry foi ao guardar em um dos gavetas do armário. Finalmente suspirou e entrou ao banheiro para assear-se antes de ir a jantar.

Harry exalou fundo quando ficou só, preferiu não lhe comentar nada dos três desejos. Conhecia a Severus e sabia que não lhe faria muita graça um objeto como esse em poder de um menino tão pequeno, apesar de ser adepto à magia de todo tipo, seguramente suspeitaria de seus amigos, quereria o revisar e até existia a possibilidade de que lhe tirasse, e ele não queria que seu filho ficasse sem o único presente que puderam lhe dar seus dois melhores amigos.

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Uns minutos mais tarde, Severus e Harry entravam juntos ao comedor. O professor levava em braços a seu bebê, mas deteve-se e intercâmbio uma mirada com seu esposo ao ver a Remus sentado na mesa de Professores, removendo sua comida sem muito entusiasmo.

Acercaram-se a ele, e o castanho nem pareceu o notar. Severus colocou ao bebê em um porta-bebê sobre a mesa, sorrindo ao ver que seu filho nem acordou com o movimento, e Harry ocupou um lugar junto a Remus.

— Passa-te algo?

— Não… que teria de passar? —perguntou suspirando tristemente.

— Bom, é de tendência depressiva, mas como luzes vai para além do habitual. —troçou-se Severus, recebendo uma cotovelada de Harry que lhe obrigou a se guardar seus comentários, o qual não se importava muito nesse caso. E enquanto começava a comer olhando a seu bebê em frente a ele, deixou que Harry se ocupasse de seu amigo.

— Rem, porque está triste?

— Não o estou… ou bom, quiçá um pouco.

— Pode me dizer porque?

Remus tomou ar e depois deixou-o sair lentamente, ia falar quando a porta se abriu e apareceu Draco. O loiro não deu um passo mais ao os ver, ficou em seu lugar como se tivesse visto um fantasma, depois deu meia volta e saiu apressado.

— Há algum problema entre vocês? —perguntou Harry, e agora Severus já se mostrava mais interessado, não era normal que um Malfoy fugisse tão evidentemente.

— Apaixonei-me dele. —confessou Remus abatido. — Mas acho que não estava muito preparado para o saber.

Harry não soube que dizer, Severus muito menos, esse casal jamais se lhe teria cruzado pela cabeça. Remus pôs-se lentamente de pé e saiu do comedor sem muito ânimo.

— Severus pode cuidar de Anthony uns minutos mais?

— Não pretenderá falar com Draco, verdade?

— É um loiro egoísta, pretencioso, desconsiderado e mal-educado, claro que falarei com ele!

— Não te intrometa, Harry, são seus assuntos, e duvido muito que falando desse modo poderia conseguir nada de Draco.

— Descuida, já vou lhe conhecendo um pouco mais, e acho que sei por onde o abordar.

— Ah, não, não te vai meter em mais bagunças. Melhor regressemos a nossa habitação se não pensa jantar.

— Mas Severus!

— É assunto de dois… Lupin e Draco mencionei seu nome talvez?

Harry grunhiu, quiçá Severus tinha razão, mas não podia ver a seu amigo tão triste. Decidiu dar-lhe uma oportunidade de arranjar sozinhos suas diferenças, mas só seria até o jantar de fim de ano, depois interviria.

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Ao dia seguinte, Draco tocou à porta de Remus, pontual para sua sessão de adestramento. Sentia o coração revolteando e muitas borboletas fazendo ruído em seu estômago, mas seu semblante era sério, como se nada tivesse passado entre eles. Ao vê-lo, o castanho não ocultou sua surpresa, tinha estado temendo que o garoto fugisse como o fez no dia anterior.

— Achei que…

— Que não viria?... Sou uma pessoa responsável, ainda que poucos o criam.

— Sim creio-o, mas depois do de ontem.

— Escute, o direi uma vez e não voltaremos ao mencionar… O de ontem não esteve mau, mas não se voltará a repetir de acordo? Então comecemos com a sessão.

Draco dirigiu-se à estenderia para sacar o livro que revisariam essa noite. Remus suspirou resignado, dantes de ir atingi-lo. Não sabia como lhe faria para se reprimir e não voltar a beija-lo, o fato de ter provado o sabor de seus lábios o fazia se sentir como adicto a eles. Tinha uma sensação de perda, de desamparo que sabia que só desapareceria se voltasse a ter ao aposto loiro em seus braços.

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Chegou no dia de celebração de Ano Novo. Harry não queria ir, era um ambiente demasiado ruidoso para ter a Anthony aí, mas Severus se mostrava tenso por isso. Ayrton estaria presente, e tinha estado muito entusiasmado porque lhe permitiriam ficar até meia-noite a receber a chegada do novo ano, e Severus queria estar aí com ele, mas como lhe dizer a Harry?

Harry tinha-lhe proposto que levasse ao menino com eles, que passassem juntos essa noite em sua habitação. Severus não respondeu nada, não podia pedir a um menino tão alegre como Ayrton ficar encerrado e não ir a onde teria risos, bromas e um grande jantar com todos os doces que o garoto quisesse.

Foi a sentar-se junto ao fogo, triste por não poder os comprazer ao mesmo tempo. Harry deu-se conta então de que algo lhe passava, e depois de se assegurar que Anthony dormia, se acomodou nas pernas de seu esposo beijando-lhe o pescoço com toda a paixão de que foi capaz. Severus abraçou-lhe, desfrutava muito desse momento, mas não podia o fazer em plenitude recordando a Ayrton.

— Sev… não tem vontade? —perguntou Harry apartando-se um pouco.

— Não é isso, Harry, me perdoa, é só que estou muito cansado, ademais, faz tão poucos dias que tiveste a Anthony como pode?

— Não sei. —riu divertido. — Provavelmente a recuperação seja mais rápida entre magos, ou quiçá que tenho um esposo muito sensual.

— Poderíamos esperar um pouco mais de tempo?

Harry pôs-se de pé e sentou-se em outro cadeirão olhando a expressão nostálgica de Severus para a lareira.

— Vá.

— Que?

— Vê à festa. —repetiu sorrindo-lhe. — Não me vou molestar, amor, e sei que está ansioso por ver a teu filho. Ademais, você o convidou, é uma descortesia que não esteja com ele, e proibido te sentir mau por nós que estaremos bem.

— Harry… veem comigo.

— Não, Severus, já sabe que o menino poderia se acordar.

— Poderíamos deixar-lhe a algum elfo.

— Não, a verdade é que eu não tenho ânimo para festa. Desculpa-me com Ayrton.

Severus assentiu e depois de dar-lhe um beijo saiu rapidamente para o Grande Salão, seguramente seu filho já estaria aí. E não se equivocou, Ayrton ria sentado nas pernas de Dumbledore desenvolvendo um presente surpresa que o mago lhe desse. Já todos luziam seus gorrinhos de festa, e ainda que a ele isso não lhe agradava no absoluto e tivesse amaldiçoado a quem se lhe ocorresse lhe pôr, assim que Ayrton o viu e correu para ele levando um na mão, soube que tinha sido mau aconselhado pelo diretor.

— Olha, papai, guardei-te o melhor de todos. —exclamou colocando-lhe um chapéu dourado, Severus mal pôde sorrir, mas se esqueceu de todo quando seu filho lhe abraçou feliz do ver.

Dumbledore e Minerva riam pelo baixo, satisfeitos de ter-se saído com a sua e que agora o Pocionista não tivesse outro remédio que aceitar levar um gorrinho como todos eles. Draco também ria, lhe era sumamente divertido ver a seu padrinho tão mudado por um menino.

Em um rincão do salão estava Lucius, sentado quase na penumbra. Ele não levava nenhum enfeite, mas ninguém também não se mostrava interessado em lhe o pôr, inclusive Ayrton se deu conta que seu papai não tivesse aceitado.

Dumbledore começou a festa com um feitiço que fez soar música do gosto de Ayrton e eles dois foram os primeiros que começaram a dançar, seguidos por alguns outros professores. Remus olhava de relance a Draco, e ainda que este ria olhando como Ayrton tentava convencer a Severus de que dançasse com eles, estava seguro que também lhe via mas o dissimulava sem sucesso.

Finalmente animou-se, e acercando-lhe-lhe, foi sentar-se a seu lado. Draco deixou de rir, mas seguia sorrindo, sem olhar a seu lado.

— Quer dançar comigo?

— Ninguém está dançando em casal, pode se unir a eles quando queira.

— Eu quero dançar contigo.

Draco deixou de sorrir então, baixou a mirada. Remus pensou que se negaria e começaria um discurso sobre se manter afastados, mas em mudança, sem voltear ao olhar, assentiu. Aquilo o pôs tão feliz que não pôde se reprimir e tomando da mão o puxou para a improvisada pista de dance.

— Anda, papai dança! —suplicou Ayrton dançando em frente a Severus, quem tinha tomado assento para observá-los.

— Não, carinho, isso não é para mim.

— O baile é para todos!... Ah, já sei!

Ayrton correu para a esquina onde permanecia Lucius isolado dos demais, e sem que o loiro pudesse fazer nada para o evitar, lhe tomou da mão o levando junto a Severus.

— Dancem vocês faz favor! —suplicou Ayrton.

— Não é uma boa ideia. —respondeu Severus sem olhar a Lucius.

— Vai negar-lhe um pequeno gosto a seu filho? —inquiriu Lucius arqueando uma sobrancelha.

— Por favor, papai, nunca os vi dançar!

— Que não, Ayrton! —gritou Severus sem poder evitar exaltar-se.

O menino, quem até esse momento não tinha deixado de dançar, se deteve em seco. Seu riso cessou ao igual que a dança de todos os demais. O grito furioso de Severus tinha sobressaído entre a música, e um par de lágrimas não se fizeram esperar nas bochechas de seu filho, era a primeira vez que seu pai lhe gritava e doía.

Ao dar-se conta disso, Severus se apressou ao abraçar lhe pedindo desculpas, mas o menino seguia soluçando, já não achava a maneira de acalmar, de modo que quando Lucius se lhe aproximou, e mudou o ritmo acelerado da canção por um mais suave e candente, não pôde fazer nada. Permitiu que o loiro os abraçasse e começaram a dançar os três juntos. Pouco a pouco o pranto foi apagando-se e Ayrton se relaxava com o movimento, feliz de sentir-se estreitado entre seus dois seres mais amados.

Não se davam conta que já ninguém dançava, simplesmente os olhavam em silêncio. Draco aproximou-se um pouco mais a Remus, sem notar o estremecimento que causou neste.

— Que acha que diria Potter se visse isto? —sussurrou Draco observando como seu pai abraçava a Severus com grande carinho e mantinha sua testa unida à sua, fechando os olhos para desfrutar do baile, enquanto o moreno se concentrava em abraçar a seu filho, ainda que sem decolar seu corpo do outro homem.

— Não tenho ideia, mas oxalá não se lhe vá a ocorrer se aparecer justo agora.

Draco assentiu e regressaram a sentar-se, parecia-lhes estranho seguir dançando junto a eles. O resto fez o mesmo, só Dumbledore permaneceu de pé, com o cenho franzido por essa cena que não gostava no de absoluto. Muito menos gostou quando viu como Lucius enredava de seus dedos no cabelo de Severus e dissimuladamente acariciava seu pescoço com seu rosto.

Com isso foi suficiente para já não ficar sem fazer nada. Apagou a música e Severus deixou de mover-se. Notou que o menino estava dormindo em seus braços e sorriu.

— Parece-me que terá que levar ao menino a descansar, senhor Malfoy. —comentou Dumbledore acercando-lhe.

Lucius assentiu sem olhar ao idoso, tomou a seu menino em braços tentando não o acordar para em seguida olhar novamente a Severus.

— Vem?

E para o assombro de todos, Severus moveu a cabeça afirmativamente. Voltou-se para Dumbledore assegurando-lhe que não demoraria em voltar e saiu do comedor com as miradas estupefatas dos demais. Por uns segundos ninguém disse nada, mas a situação lhes era tão estranha. Ao final, Dumbledore respirou fundo e sorrindo-lhes, animou-lhes a continuar com a reunião, ainda não tinham jantado e já era tarde.

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Uns poucos minutos mais tarde, Severus abrigava a Ayrton com cuidado de não o acordar. Depois dele, Lucius os observava em silêncio, mas depois de que o moreno se incorporasse o recebeu lhe abraçando pela cintura, apoiando seu queixo em seu ombro. Severus pôs-se rígido sentindo como o loiro respirava em seu pescoço.

— Nunca pensei que essa festa pudesse me dar um momento tão agradável… Gostei de dançar contigo, nunca o tínhamos feito e não o esquecerei.

— Não mal interprete, tudo foi por Ayrton.

— Talvez por isso foi tão especial.

Severus permitiu-se sorrir um pouco sabendo o que significava seu amor por Ayrton para o loiro. "É a hora" sussurrou Lucius de repente. O moreno respirou fundo assentindo.

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O jantar tinha terminado, alguns já se tinham marchado a suas habitações depois de que dessem as doze. Quando Draco se despediu, Remus de imediato se apressou a fazer o mesmo, caminhou a seu lado pelos corredores sem que o loiro protestasse. Suas habitações estavam no mesmo corredor de modo que não precisavam a mais pretextos, mas quando chegaram em frente à porta de Draco, este se girou para se despedir. Remus aproveitou o momento e tomou-lhe das mãos impedindo-lhe atravessar a ombreira.

— Porque, Draco? —perguntou diretamente. — Quando te beijei senti que gostou e que estava sentindo o de mesmo que eu… porque agora voltamos ao mesmo?

— Escute…

— Atua-me, já é hora de que o faça, e sinto que dessa forma seria mais sincero.

— Bem, como seja. Deve de saber que não é boa ideia, que uma relação poderia jogar a perder tudo, eu nunca achei que poderia comprazer das conversas de ninguém, muito menos as suas, e estava seguro que ser seu assistente seria a tortura que teria que pagar para poder resolver minha vida… mas não foi assim. Tem sido algo que realmente desfruto, e não quero que mude.

— Porque teria de mudar?

— Que passaria se não funciona?... eu não creio poder me ficar tão cerca de ti se tudo termina em uma falha.

— E se sim funciona? —perguntou sinceramente. — Interessa-te mais perder a oportunidade de um bom trabalho ao de uma boa relação?

— Lupin… Remus, não sei como te responder.

— Acho que sim sabe, mas não se anima, está em uma etapa de sua vida na que cries o ter perdido tudo, mas não é assim, e ademais, a mim jamais me perderia.

— É que…

— Dá-me uma oportunidade. Asseguro-te que não sou do tipo odioso que faria sua vida impossível se algo saísse mau. Ainda que também não quisesse que começássemos já nos dando por vencidos… Não tenho dúvida do que sinto, jamais o tinha sentido antes, mas sei o que é, e acho que você também.

Draco baixou a mirada sem atrever-se a olhar nesse momento aos olhos. Remus suspirou interpretando-o como uma rejeição, se inclinando lhe deu um suave beijo na bochecha para se despedir. Tinha dado uns quantos passos quando um formoso dragão branco de asas douradas passou voando em círculos a seu ao redor. Girou-se a olhar ao loiro e viu em seu sorriso nervoso, que podia ter uma esperança.

— Conseguiu. —sussurrou admirado pela elegância com que voava o patronus.

— Obrigado por fazer de nosso primeiro beijo algo como esse dragão.

— Draco…

— Escuta, não tenho podido me desfazer do sobrenome Malfoy mas sim de sua fama, ninguém mais me convidou a sair desde que sabem que já não sou um rico herdeiro, de modo que, sendo você minha única alternativa provável e a mais barata de mudar de sobrenome, pois… pois acho que não posso me dar o luxo de escolher.

— Isso quer dizer que…?

— Traduzo?... bem, quero dizer que sim, que aceito fazer a tentativa, pois ademais é sua culpa que meu patronus tenha asas douradas puaj!

Remus regressou correndo para abraçar a Draco sabendo que caçoava, este riu quando se sentiu apertado com força, ninguém dantes lhe tinha demonstrado um carinho tão efusivamente, se esquecendo de regras de protocolo e qualquer outra limitação, desejou com todas suas forças que aquilo funcionasse porque senão, lhe doeria como nunca perder tudo outra vez.

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Harry não tinha podido dormir, dava voltadas em sua cama sem saber que fazer. Parava-se, caminhava de um lado a outro, regressava à cama, se voltava a parar, olhava a seu bebê dormindo impassivelmente. E nada, nada lhe dava resultado, não podia deixar de sentir essa angústia, eram as três da manhã e se lhe fazia tão estranho que Severus não tivesse voltado.

Ao amanhecer não pôde mais, tomou a Anthony em braços e foi para o comedor, não tinha restos já do jantar, de modo que se dirigiu ao escritório de Dumbledore.

— Sento molestá-lo tão cedo, Senhor. —desculpou-se Harry ao vê-lo ainda em pijama depois de tocar a sua porta. — Estou preocupado por Severus, não regressou a nossa habitação.

— Não voltou? —perguntou conseguindo acordar do tudo com essa informação. — Bom, quiçá ficou em seu despacho para não te importunar, Harry.

— Não, já fui aí e não está… pode cuidar uns minutos a Anthony? Asseguro-lhe que não se acordará.

— Mas a onde vai?

Harry não respondeu, mas ao ir para a lareira, Dumbledore pôde escutar claramente seu destino e esperou que sua confiança em Severus continuasse intacta.

Ao chegar à estância dos Malfoy, Harry foi recebido por um elfo doméstico que lhe saudou cortesmente ao o identificar. Perguntou-lhe por Lucius, esperando que quiçá ele lhe pudesse dar um indício de onde encontrar a seu esposo, nem sequer sabia porque, mas provavelmente estava pensando em Ayrton, talvez tinha tido algum problema, se teria sentido mau e estivessem no hospital. Isso o alarmava muito, tanto tempo e o pobre Severus devia ter estado padecendo só todas essas horas.

Por isso não pôde menos que se surpreender quando o elfo lhe comunicou que seu amo dormia. Harry pensou em ir-se, mas mal pôs o primeiro pé na lareira e girou de novo para o interior, subiu correndo a escada, já sabia qual era a habitação de Lucius, o mesmo Ayrton lhe tinha mostrado no primeiro dia que esteve aí.

Não tinha ideia de porque fazia isso, tão só ia pensando na desculpa que teria que lhe dar a Lucius por entrar a seu quarto sem permissão. Mas quando abriu a porta seu mundo se derrubou.

Lucius estava aí, sentado sobre a cama e com a cabeça de Severus em suas pernas. O moreno ainda dormia, mas a coberta que o cobria mal podia tampar a sua desnudez. Por sua vez, Lucius acariciava suavemente a cabeça do moreno, era uma cena que a Harry podia antojar-se muito doce… se não fosse porque um deles era seu esposo e o amor de sua vida.

Sua mirada cruzou-se com a de Lucius por um segundo e depois foi-se correndo.

— Severus, acorda! —reagiu o loiro finalmente, movendo-lhe alarmado.

— Que passa? —perguntou ainda meio adormilado.

— Potter, viu-nos!

Severus empalideceu, incorporou-se rapidamente enquanto Lucius punha-se ao tanto do ocorrido. Como pôde, se vestiu e saiu com rumo à lareira, mas quando tentou a atravessar esta se encontrava fechada, seguramente Harry o tinha feito com a intenção de que não lhe atingisse. Isso não o deteve, saiu apressado da mansão, não podia se desaparecer até atravessar as barreiras, e quando apareceu nas portas de Hogwarts sentiu que já tinha perdido demasiado tempo.

Nunca em sua vida correu tão forte e sem tomar fôlego. Quando chegou a suas habitações, entrou sem nenhuma dificuldade, Harry terminava nesse momento de empacar uma pequena mala. Girou-se para Severus olhando-lhe através de suas lágrimas.

— Vou-me. —lhe sussurrou soluçante, ainda que mais tranquilo do que esperava o professor.

— Harry, deixa-me explicar-te, faz favor.

Harry sorriu tristemente e foi sentar-se à beira da cama.

— Escuto-te. —disse limpando-se a cara com suas mãos, mas o pranto seguia correndo. — Dá-me sua explicação, Severus, porque não quero me ir sentindo que não te dei nenhuma oportunidade.

— Eu te amo, Harry, é o único ao que amo! —exclamou ajoelhando-se em frente a ele. — Por favor, perdoa-me!

— Não quero escutar isso, quero a explicação que diz ter… Me diz.

— Harry…

— Foi um imperius?... te drogou?... tem-te ameaçado com algo?

Severus escondeu seu rosto entre os joelhos de Harry, aterrorizado de sentir que o perdia, que não podia lhe dar nenhuma desculpa para o deter, para se justificar pelo que tinha feito. O professor sentia-se morrer, mas não o demonstrou, fez suavemente a um lado a seu esposo e se acercou ao berço.

— Despede-te de Anthony.

— Harry, te suplico, não me separe dele!

— E você não me peça que fique porque não poderia permanecer a seu lado sabendo que é capaz de me trair.

— É que eu te amo!

— Quem ama não é infiel, Severus! —gritou sem poder conter-se, e seus soluços fizeram-se mais fortes.

— É que não é como pensa!

— Não tem podido te justificar, e já não poderia jamais confiar em ti, não poderia te deixar ir ver a Ayrton sem pensar em que terminará revolcando com Malfoy, não posso nem quero ter essa vida, Severus, por isso me vou!... Eu confiei em ti mais que em nenhuma outra pessoa e me falhaste! Me lastimaste, Severus!

Severus sentiu-se aturdido por essas palavras, era verdadeiro, tinha-lhe ferido e seguramente doía, tanto ou mais como lhe doía agora a ele ver as lágrimas que brotavam dos olhos verdes que tanto amava.

— Despede-te de Anthony ou perderá também essa oportunidade. —disse Harry limpando-se o rosto humedecido.

Severus pôs-se de pé para ir ao berço, tomou a seu filho em braços abraçando-lhe desesperado. Harry olhou-lhes por uns segundos, podia ver suas magias reagindo com a enorme tristeza que estava sentindo o professor, depois preferiu olhar a outro lado.

— Não quisesse ter que te separar dele, Severus… mas eu não tenho porque renunciar a meu filho, e não posso me ficar perto.

— Faz favor, não tome esta decisão tão precipitada!

Harry já não podia seguir com essa situação. Acercou-se para sujeitar a seu filho, e ainda que Severus mostrou-se reticente a dar-lhe, finalmente compreendeu que não tinha o direito de lhe arrebatar o que mais amava, e com o coração em pedaços pôs a Anthony em braços de seu papai. Harry tomou sua mochila pendurando-lhe ao ombro e saiu sem olhar atrás

Harry correu pelos corredores, nesse momento nem lembrava-se de sua recente cirurgia, nada podia lhe doer mais que o coração, se sentia incapaz de conter as lágrimas. No lobby encontrou-se a Dumbledore em espera do resultado desse encontro do que já não esperava muito. Chamou a Harry assim que lhe viu, mas este passou de longe sem se deter, já não podia ficar nem um segundo mais do necessário. Remus e Draco apareceram nesse momento, dirigiam-se ao salão para o café e jamais se esperaram ver a Harry sair chorando… muito menos quando Severus apareceu atrás dele, nas mesmas condições.

Saíram ao pátio onde viram como Harry conseguia atingir os limites do castelo e desaparecia deixando a Severus desesperado. Pouco depois, o moreno também desaparecia em frente a seus olhos. Olharam a Dumbledore em busca de uma explicação, mas este mantinha sua vista à frente, só que jamais tinham visto em seu rosto a expressão tão triste que tinha nesse momento.

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Severus entrou à sala dos Malfoy. Lucius esperava-lhe impaciente, e assim que viu-lhe correu para ele, justo a tempo do deter, pois os joelhos do mago tremeram perdendo sua força. O moreno derrubou-se e ante seu peso, ambos caíram sentados no solo.

— Foi-se… —sussurrou Severus chorando como nunca. —… se levou a Anthony com ele.

— Sev… lamento-o. —desculpou-se abraçando-lhe.

— Como vou poder viver sem meu Harry?... Não quero, Lucius, Não posso!... você sabe quanto tive que sacrificar para poder o ter comigo, e agora o perdi… porque tinha que passar isso?

Lucius queria consolá-lo, mas não achava palavras, se sentia culpado. Tinha acordado desde minutos antes e não quis lhe acordar, se o tivesse feito Severus não estaria sofrendo dessa maneira. Seu egoísmo provocou a maior dor de quem amava.

Não era justa nenhuma das lágrimas de Severus, ele o sabia melhor que ninguém. Sentiu tanta coragem ao saber-se atado e não poder lhe ajudar.

Abraçou-o abrigando em seu peito, afogando nele seus soluços, e sem poder evitar derramar umas lágrimas também.

No alto da escada, os olhos negros de Ayrton olhavam a cena escondido depois do corrimão, não pôde obedecer a seu pai e ficar em sua habitação como previamente lhe tinha ordenado, algo raro estava passando e agora o comprovava. Seus pais estavam sofrendo, nunca lhes tinha visto chorar e isso lhe assustou… tinha muito medo.

Não entendia demasiado, tão só algo estava claro… era culpa de Harry.

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Nota tradutor:

Mas esse Malfoy filadaputa! Como ousou destruir o casamento deles!

Bem

Vejo vocês nos próximos capítulos

Ate breve