Capitulo onze
Laços de sangue
Ayrton desviou a mirada. Não suportava olhar a seu pai aí sentado, naquela cadeira apartada, sem compartilhar o entusiasmo que Lucius tinha aquele dia tão especial. Odiava seus olhos negros tão indiferentes.
— Não gosto! —vociferou quando Ollivanders lhe mostrou uma varinha mais, já tinha todo o balcão feito um desastre, e ainda não conseguia que o garoto, que recém tinha recebido a carta para entrar a Hogwarts tivesse a varinha adequada.
— Mas jovem Malfoy, deve prová-la antes de dizer se não quer a varinha. Recorde que é ela quem elege ao mago.
— Ainda que elegesse-me, não ficarei com uma varinha tão insignificante.
— Mas é de melhore-las que tenho!
— Que não a quero!
— Faça o que ele diz e traga uma mais. —indicou Lucius olhando de relance como Severus mantinha a mirada perdida depois do cristal que dava à rua.
Quando Ollivander foi ao depósito, Lucius fez um sinal a seu filho para que fosse por Severus, o garoto se recusou franzindo o cenho, mas o aristocrata lhe enviou sua mirada que não admitia réplica e Ayrton não teve mais remédio que suspirar resignado.
Ayrton, agora com onze anos de idade, era um garoto alto para sua idade, com um grande porte herdado da linha Malfoy, mas com a mirada arroladora e cativante do moreno, seu modo de caminhar era muito parecido também ao de Severus, e até parecia imitar em seus gestos e atitudes, incluindo seu rosto sério e escasso sorriso.
— Vai ficar-te o tempo todo aí sem dizer nem fazer nada?
— Ayrton! —lhe repreendeu Lucius pelo tom duro empregado por seu filho para seu outro pai.
— Você queria que lhe falasse e não posso fazer de outra maneira. —refutou sorrindo irônico.
— Desculpa-te agora mesmo!
— Que me peça ele que me desculpe… A ver se faz algo mais que estar sentado.
Severus pôs-se de pé lentamente. Ayrton sentiu de imediato a impactante personalidade de seu pai irradiando-se a seu ao redor, mas desde faz muito que isso tinha deixado de impactar lhe, ainda que ainda lhe resultava impossível deixar de admirar a cada um de seus movimentos. Severus tão só colocou-lhe as mãos em seus ombros para abraçá-lo.
— Sinto muito, mas é que hoje não me sinto bem. —disse-lhe carinhoso.
— Nunca te sente bem. —lhe reprovou suavemente. — Não gosto que sempre esteja triste.
— Sinto muito.
— Não se desculpe, não gosto.
— Então entende, para valer que hoje me dói muito a cabeça, mas te prometo que já vou pôr mais atenção. Após tudo, não sempre meu menino tem que eleger seu varinha.
— Me ajudará? —perguntou permitindo-se um sorriso.
Severus assentiu e conduzindo a seu menino para o balcão esperaram a que o Vendedor regressasse com um novo lote. Lucius estava feliz do resultado, ainda não se acostumava a que Severus e Ayrton brigassem constantemente, mas sempre desfrutava de suas reconciliações, as quais se davam muito facilmente.
Uns minutos mais tarde, tinham conseguido encontrar a varinha adequada para Ayrton, e este não podia se sentir mais feliz ao ver que era muito parecida à de Severus, no entanto mal o demonstrou. Mesmo assim, não permitiu que Lucius a guardasse e a levou no interior de sua túnica a sentindo colada a seu peito.
Ia tomado da mão de Severus, não permitia que ninguém mais o fizesse. Isso não ofendia a Lucius, ao invés, era feliz caminhando atrás deles observando quão unidos eram após tudo. De repente, Ayrton deteve-se, sentiu que a mão de seu pai se afrouxava e quando volteou ao olhar, este já se tinha soltado e caminhado para a entrada de um beco.
Tinha um menino aí, sentado no andar abraçado de suas pernas. Chorava assustado e ninguém parecia lhe pôr atenção. Severus ajoelhou-se em frente a ele.
— Passa-te algo? —perguntou suavemente.
O pequeno levantou o rosto, primeiro se sobressaltou, mas era-lhe impossível retroceder pela presença desse estranho. Olhou ao homem loiro atrás dele e o garoto tão loiro também, ambos lhe observando desconfiados. Severus, por sua vez, mal podia falar, os olhos verdes desse menino abriam feridas que sempre sangravam, tinha a dor fincada na garganta, lutando por não abraçar a esse pequeno que devia ter a mesma idade que seu filho e que bem poderia o ser.
— Não encontro a papai. —respondeu finalmente e Severus apertou os lábios, sua voz infantil traspassou-lhe a alma, e tentando não o assustar lhe tomou uma das mãos.
Algo estranho sentiu nesse momento, mas em seguida se recompôs e tentou não demonstrar o forte que corria seu sangue ao sentir os olhos verdes fixos nele, lhe observando igual de uma maneira muito estranha.
— Não se preocupe, te ajudarei ao encontrar.
— Não posso ir com nenhum desconhecido… como se chama?
— Severus.
O menino sorriu ao escutar o nome. Timidamente levou sua mão livre para o rosto do desconhecido que tentava lhe ajudar lhe acariciando um pouco trémulo.
— Olá. Eu sou…
Uns passos apressados e gritos de gente protestando seguramente por ter sido empurrados, interromperam lhes.
— Anthony!
Severus ficou completamente paralisado ao ver aparecer entre a multidão a Harry. Este se deteve também assim que lhe viu. Suas miradas cruzaram-se reconhecendo-se. Harry estava idêntico ao último dia que o visse. Levava uma calça escuro e uma camisa salmão que lhe fazia ver tão doce que Severus teve vontade do abraçar e beija-lo até morrer.
— Papai! —gritou o pequeno separando-se de Severus para correr para ele. Harry rapidamente abraçou-lhe, e sem dar tempo a nada, correu com o menino em braços para o final do beco.
— Harry, espera!
Mas ele não obedeceu, Severus correu atrás dele, mas dantes de que pudesse o atingir, o jovem moreno desapareceu no ar.
— Harry! —gritou Severus desesperado, girando em torno seu sem poder achar que tinha-o tido tão perto e por um segundo de titubeio escapou-se-lhe das mãos.
Lucius e Ayrton olhavam-lhe em silêncio. Finalmente o homem acercou-se com a intenção de acalmá-lo enquanto o adolescente voltava a franzir o cenho.
— Tranquilo, Severus, agora não pode fazer nada.
— Era Harry! —exclamou emocionado quase sem olhar a Lucius. — Era Harry e Anthony, meu bebê!
— Bom, já sabemos que estão na Inglaterra, isso deve te pôr contente.
— Feliz, estou feliz!... Mas preciso encontrá-lo, Lucius, e agora mesmo!
— E daí pensa fazer?
— Não sei, não sei… onde posso o encontrar?... Lupin, seguro que ele sabe!
Severus não se esperou a nada, desapareceu nesse momento. Ao ver aquilo, Ayrton se abraçou a si mesmo olhando para a rua que tinham deixado atrás. Suspirou fundo pensando que o gelado que se dirigiam a tomar já era assunto esquecido. Lucius acercou-se a ele lhe abraçando, convencido de como devia se sentir preferiu não lhe dizer nada e lhe convidou a seguir realizando suas compras para o colégio. O garoto assentiu, mas voltava a seu pouco entusiasmo, e também não quis fazer nenhum comentário daquele encontro.
Severus apareceu em frente à casa onde vivia Remus. Era uma construção italiana de uma só planta, com um amplo jardim atacante no centro de Londres, protegida com magia de miradas muggles baixo a aparência de uma enorme barda de concreto.
Em seu interior, Harry encontrava-se muito alterado, o encontro com Severus que não esperava lhe tinha à beira de um colapso e não podia deixar de chorar. Anthony não bateu o que fazer, se manteve a uma distância prudente abraçando uma das almofadas da sala, se mantendo quieto e em silêncio. Olhou a seu pai, quem com Remus e Draco a ambos lados, tentavam o tranquilizar para se inteirar bem do que tinha passado.
— Não quero que me encontre, não quero o ver! —repetia uma e outra vez depois de informar de seu encontro com seu ainda esposo.
— Harry, relaxa, acho que isso é algo que tens que fazer tarde ou temporão.
— Estava com Malfoy, e Ayrton… estavam os três juntos! —exclamou com profunda dor.
— Mas eles não vivem juntos, Harry. —informou-lhe Remus. — Deveram ir de compras, sua relação baseia-se só no menino.
— Não, não é verdadeiro, ele dizia isso, mas não era verdade!
O ruído do alarme fez que Draco se acercasse à janela para ver quem chamava, todos guardaram silêncio, expectantes de sua resposta.
— É Severus. —informou confirmando o que temiam.
— Não quero o ver, não posso! —negou Harry correndo para seu menino para abraçá-lo. — Temos que sair daqui, me ajuda, Remus!
— Escuta, Harry, a única saída é onde está Severus, não pode levar ao menino pela rede flu, se assustaria… ainda que já está demasiado assustado. —disse-lhe notando como Anthony se aferrava a seu pai tremendo visivelmente.
Harry também o notou e começou a fazer movimentos de consolação, beijando-lhe na cabeça para relaxa-lo, mas ele não podia fazer o mesmo.
— Remus, tira as barreiras um minuto, faz favor. —pediu com a voz mais tranquila e limpando-se as lágrimas. — Desaparecerei com Anthony dantes de que Severus entre.
— Harry…
— Para valer, não me sinto preparado para o ver.
— A onde vais ir?
— Irei a um hotel muggle, aí não poderá me encontrar… depois me porei em contato com vocês, mas faz favor, não lhe digam que me viram.
Remus e Draco trocaram uma mirada e aceitaram a petição de Harry. O loiro encarregou-se de tirar as barreiras. E justo no momento em que Severus conseguia passar a porta, Harry desaparecia na sala.
— Onde está? —perguntou Severus entrando intempestivamente à casa, sem sequer saudar e pôs-se a correr pelas habitações como louco. — Harry… Anthony!
— Severus, eles não estão aqui. —informou-lhe Draco atingindo no momento em que revisava um dos banheiros.
— Vocês são os únicos que tem em Londres, sei que os buscaria a vocês! —assegurou sujeitando a Draco pelos ombros. — Te suplico, diga onde está!
— Não o sabemos.
— Draco, faz favor! —implorou desfeito. — Eles são minha vida, preciso os ver!
— Draco diz-te a verdade, não sabemos onde os encontrar.
Severus olhou-lhes um ao outro até que se convenceu que realmente não sabiam onde achar a Harry, regressou à sala caminhando derrotado. Sentou-se em um cadeirão abraçando uma almofada. Uma formosa sensação apoderou-se dele ao o fazer, era o mesmo formigueo que sentiu ao estar cerca do menino no beco… como não se deu conta então? Era sua magia avisando-lhe a quem tinha enfrente!
Draco e Remus sentiram um nodo no estômago quando o forte mago se dobrou sobre si mesmo, sem deixar de abraçar a almofada, que antes tinha sido estreitado nos bracinhos de seu filho e chorava igual, com profunda tristeza.
— Vou buscá-los. —afirmou soluçando. — Se vocês os veem dantes, lhe digam… lhe digam que eles são minha família, que não renunciarei a eles nem em um dia mais.
— Severus… acha que faça bem isso?
— Lupin, como pode me perguntar se está bem ou não?
— Têm passado cinco anos.
— Acha que não o sei? Têm sido os cinco anos mais tormentosos de minha vida!
Respirou fundo depois de pronunciar essas palavras e com mais força pôs-se de pé para marchar-se sem dizer mais.
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Harry apareceu em um beco de Londres com seu menino em braços, podia senti-lo aferrado a ele com medo, de modo que decidiu sair a caminhar para o tranquilizar. Não tinha ideia da onde ir, ainda sentia muitas vontades de chorar. Quando decidiu regressar a Londres nunca pensou que se encontraria com Severus no primeiro dia, não estava preparado para isso, ainda doíam demasiado as feridas do passado.
Chegou até uma praça com uma formosa fonte no centro. Sentou-se uma banca cerca dela, esperando que o som da água lhes ajudasse. Não se apartou de seu menino, continuou o abraçando até que ele quisesse.
— Severus é mau? —perguntou Anthony separando-se um pouco para ficar sentado no colo de seu pai.
— Não, meu céu, não é mau.
— Porque não quer o ver? Porque fez-te chorar?
— É algo complicado de explicar, mas te prometo que não é uma má pessoa e que te quer muito.
— A mim?... mas se não o conheço.
— Mas quer-te.
— E a ti?
— Anthony… melhor busquemos um hotel onde nos ficar, não quero que nos tome por surpresa a noite.
— Não nos íamos ficar na casa onde fomos?
— Melhor não. Anda, já não faça mais perguntas.
Harry baixou ao menino e começaram a buscar um hotel onde ficar. Nem sequer traziam bagagem, pois todo o tinham deixado no caldeirão furado, Harry desejava mostrar a seu menino como era o Beco Diagonal do que tanto lhe tinha falado, antes de se ir a casa de seus amigos. Agora não tinha o valor de regressar por suas coisas temendo se encontrar de novo a Severus.
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Snape voltou a casa de Malfoy, não teve oportunidade de se despedir de Ayrton e agora que estava mais tranquilo, lhe preocupava seu filho maior. Lucius esperava-lhe na sala.
— Está triste. —disse-lhe assim que viu ao moreno. — Não fez escândalo nem formulou nenhum reproche… acho que isso te dá uma ideia de quão triste está.
Severus assentiu e subiu à habitação de Ayrton. O garoto encontrava-se recostado sobre sua cama e não fez nenhum movimento quando lhe viu entrar.
— Está molesto comigo? —perguntou Severus sentando na cama junto a ele.
— Não, nem me importo o que faça. —assegurou encolhendo-se de ombros. — O que me estranha é que esteja aqui quando já te imaginava sendo feliz com sua família.
— Você é minha família.
— Pois não o parece, o único que é óbvio é que por cinco anos jamais te vi sorrir com sinceridade… e só bastou que aparecessem eles para que até te esquecesse que estava vivendo o melhor dia de minha vida. Muito obrigado por convertê-lo no pior.
— Não digas isso, Anthony é teu irmão.
— Ah, então devo estar saltando de alegria… Desculpa-me, mas dá-me fraqueza.
— Quisesse que me entendesse, Ayrton.
— Eu quisesse que me entendesse você.
Ayrton pôs-se de pé e foi sentar-se em um divã para ler fingindo que já não se lembrava da presença de Severus, mas este se lhe acercou e lhe deu um beijo na cabeça antes de sair.
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Pela noite, Harry decidiu comunicar-se com Remus depois de acomodar em um hotel que encontrou no Londres muggle cerca da estação de King Cross. Assegurou-se que seu filho dormisse para enfeitiçar a lareira de sua habitação e poder falar com seu amigo.
— Harry onde estão? —perguntou Remus ao ver nos lumes.
— Preferiria não te dizer, não é que desconfie de ti, ao invés, mas assim me sentiria mais seguro.
— Entendo-te… Severus sabe que te vimos, não pudemos o enganar.
— Não me estranha, é um zorro astuto o muito ladino.
— Harry, não acha que deveria falar com ele? —perguntou ao notar o rancor na voz de seu amigo. — E não me diga que já não sente nada porque suas lágrimas mostravam o contrário.
— Precisamente por isso não quero lhe falar. Escuta, Remus, preciso que vá ao caldeirão furado e peças minhas coisas, as guarda que eu irei por elas mais tarde.
— Bem, como queira.
Harry agradeceu e cortou a comunicação. Suspirou olhando para onde Anthony dormia profundamente. Acercou-se acariciando-lhe o cabelo, era como tocar o de Severus, tão macio e suave… se mordeu os lábios, já não queria chorar, mas era inevitável tinha tantas vontade de tocar outra vez!
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Draco e Remus olharam-se enquanto serviam o jantar, como não tinham elfo doméstico tinham que o fazer pessoalmente. Isso tinha sido um choque quando Draco soube como seria sua vida ao lado do licantropo, mas ao cabo de cinco anos de relação e três de casamento, ainda não tinha nada de que se queixar.
— Que vamos fazer com ele? —perguntou Draco assinalando para a sala, Severus tinha-se apostado em frente à lareira, não tinha nenhuma dúvida de que Harry tentaria se comunicar com Remus e ele estaria aí para o ver. Dessa forma tinham passado dois dias sem nenhum sucesso.
— O convidaremos a jantar, como sempre, não queremos que se morra de fome. —caçoou o castanho.
— Vontade não me faltam. Potter jamais tem sido santo de minha devoção, mas não acho que se merecesse o que meu Padrinho lhe fez… E te advirto que se te encontro com outro. Eu sim que te deixo sem nada com o que possa voltar ao fazer!
— É bom estar inteirado… terei mais cuidado.
Draco olhou-lhe de tal maneira que o licantropo deixou de rir e voltou a sua tarefa de pôr a mesa submissamente enquanto o loiro agora se dirigia para onde estava seu Padrinho.
— Já está pronto o jantar, Severus.
— Obrigado, mas não estou aqui para comer. —respondeu sem apartar a mirada da lareira.
— Isso parece, mas não te fará dano comer algo.
Severus presenteou-lhe um segundo de sua mirada para fazer-lhe saber que não se pararia daí até falar com Harry. Draco compreendeu o ponto e regressou a seu lugar junto a Remus, tentando baixar a voz para que seu Padrinho não lhe escutasse.
— Que passaria se a Potter se lhe ocorre se aparecer justo hoje a recolher suas coisas?
— Pois pelo menos esses dois já se tirariam de ridiculizes e falariam.
— Não acho que passe, mas é bom saber que segue sendo tão otimista.
Dizendo isto, Draco sorriu esquivando a mirada enquanto se acomodava seu cabelo atrás da orelha. Remus odiou então a presença de Severus, a cada que seu companheiro fazia isso seu lobo interior uivava de desejo.
— Precisas muito do jantar? —perguntou abraçando-lhe possessivo.
— Pois… que me promete em troca?
— Vamos ao quarto, ponhamos um bom feitiço de silêncio, de ser possível dois, e então saberá o que te ofereço.
— Interessante proposta, um pouco perigosa sabendo como te pões… mas está bem.
Draco saiu correndo para a habitação e Remus não esperou nem um segundo para ir atrás dele, deixando o jantar sem provar. Severus mal lhes pôs atenção, ele seguia olhando para a lareira, ainda que lhe saíssem raízes não se ia mover desse lugar até ver a Harry.
Uma hora mais tarde, justo quando se acomodava para esperar mais tempo, notou que os lumes se avivavam. Rapidamente correu a esconder-se atrás do cadeirão, dessa forma assegurava-se que Harry não sairia fugindo assim que lhe visse.
Harry chamou a Remus antes de atrever-se a entrar, ao não obter resposta decidiu atravessar a lareira, não via a ninguém na sala e cria já ter esperado o suficiente para que Severus tivesse desistido. Olhou a todos lados antes de pôr o segundo pé na sala. Foi para a habitação de Remus, mas no caminho, gritou ao sentir como algo saía do nada e lhe apertava com força pela cintura.
De imediato soube quem era, o coração quase saiu-se-lhe do peito quando viu a Severus junto a ele.
— Solta-me! —ordenou enfurecido por ter-se deixado surpreender.
— Harry, amor, temos que falar.
— Claro que não! Tenho dito que me solte! Não tem nenhum direito a me tocar!
— Sou teu esposo por se tem esquecido! —afirmou atraindo lhe mais.
— Foi você quem se esqueceu disso quando te deitaste com Malfoy!
A resistência que Harry tinha para ficar quieto fez que Severus pusesse um pouco mais de força tentando não lastima-lo. Ainda que a culpabilidade não se saía de seu coração, não se permitiria se dar por vencido uma vez mais. Colocou sua mão direita apoiada firmemente pelas costas de Harry enquanto a esquerda tinha-o imóvel pela nuca, acercou lentamente seu rosto ao do jovem que mal podia respirar.
— Não se atreva! —grunhiu Harry quando sentiu o rosto de Severus demasiado perto, já seus lábios a um milímetro de se tocar, as pernas lhe tremeram ante o que se aproximava. — Severus, não o faça, te advirto!
— Amo-te. —lhe sussurrou apaixonado. — Não tenho podido te esquecer nem em um só dia, Harry.
— N-não… não te creio.
— Quer que te demonstre?
— Não!
— Harry, faz favor… não tem passado um segundo sem que pense em ti, preciso teu perdão… você e Anthony são minha família, já não me castigue mais, cinco anos de inferno não podem ser mais cruéis, já não posso, não me aparte mais de vocês!
— Severus…
— Amo-te. —lhe sussurrou a seu ouvido. — Amo-te!
— Foi mau comigo.
— Sei-o, melhor que ninguém, te asseguro. Quero ressarcir o dano… dá-me uma oportunidade.
— Não, Sev… é que…
— Farei o que me peça, o que seja, te prometo!... põe o castigo que queira, mas me dá a oportunidade de recuperar a minha família.
Harry já se sentia pego, tantos anos sonhando a cada noite com voltar a provar um beijo, sentir outros lábios posando sobre os seus tão apaixonados… tinha passado demasiado tempo sem um beijo de amor, e agora estava tão cerca de sentir outra vez. Estava tão ao alcance de sua mão voltar a provar o sabor de quem pertencia seu coração.
À cada momento sentia-se mais débil e Severus foi notando como sua resistência minguava até o ponto de sentir já ansiando que o beijasse.
E fez.
E ainda que Harry quis empurrar-lhe, tudo ficou em débeis tentativas. Ao final terminou correspondendo ao beijo com todo o desejo de sua alma, comprovando que era verdade, Severus seguia lhe amando tanto como ele.
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Nota tradutor:
Vai Harry dá uma oportunidade pro Sev!
Vejo vocês nos próximos capítulos
Ate breve
