Capitulo doze
Que fez que?
Harry gemia ansioso, sentia-se na glória enquanto Severus apertava-lhe tão forte que parecia querer fundir seus corpos, e não só isso, se movia se esfregando contra ele, e ao ter o controle e a força suficiente fazia que o corpo de Harry se moldasse ao seu.
Harry estava excitando-se rapidamente, e não era para menos, cinco anos de pura consolação manual não era demasiado satisfatória. Morria por sentir a Severus novamente apoderando de seu corpo, afundando sua carne até o mais fundo. Levantou uma de suas pernas rodeando o quadril do mago, convidando-lhe a fazer mais que beija-lo, ele já lutava por poder introduzir suas mãos baixo a roupa e tocar a pele com a que tinha conhecido o amor e a paixão.
Severus começou a tirar a camisa, e colocando agora ambas as mãos sobre o traseiro de Harry, lhe empurrou para ele enquanto baixava seus lábios ao pescoço do jovem, sugando guloso a açucarada pele de seu esposo.
— Harry… temos que falar. —disse sem interromper-se.
— Não fale… não agora. —gemeu Harry levando suas mãos de um lado a outro do corpo do mais velho, desesperado por não poder tocar mais de duas partes ao mesmo tempo. — Dá-me… mais.
Harry não queria escutar nada, não queria sentir outra coisa que essa arroladora ansiedade de voltar a ter a seu esposo a seu lado. Não precisou dizer mais, Severus lhe levantou em xeque para depois o fazer recostar sobre o sofá. Então pôde por fim introduzir uma mão dentro da calça de Harry satisfeito de senti-lo endurecido ao máximo.
— Severus… vamos a outro lado. —pediu Harry. — Se chegasse Remus…
— Estão muito ocupados, não sairão de sua habitação.
— Estão em casa! —exclamou alarmado.
Harry pôs-se de pé de imediato depois de libertar-se de Severus, tinha o rosto enrijecido de vergonha de pensar que podiam o ter ouvido, ou pior ainda, o ver.
— Porque não me disseste que estavam aqui?!
— Não perguntou, ademais, eles não sairão, já te disse. —assegurou acercando-se para voltar a beijar-lhe no pescoço.
— Isso não pode o afirmar. —respondeu fechando os olhos, desfrutando da caricia. — Melhor vamos ao castelo segue vivendo aí, verdade?
— Sim, mas… e Anthony?
— Está ao cuidado de Luna.
— Deixaste a nosso filho ao cuidado dessa menina?!
— Já não é uma menina, e tem dois filhos, de modo que sabe cuidar deles.
— Não me convences, melhor vamos por Anthony dantes de ir a Hogwarts… Ademais, nós temos muito de que falar, por muito que me morra por te fazer o amor, acho que nossa relação tem que ficar clara.
Severus tomou a Harry da mão para ir para a lareira, mas este se recusou firmemente. Ao voltar-se a olhá-lo, Severus notou em seu esposo uma faísca de preocupação em seu rosto… algo que não gostou nada.
— Que está passando, Harry?
— Não acho que seja boa ideia que vá comigo a ver a Anthony… Não ainda. —disse-lhe timidamente.
— E posso saber porque não?
— Pois, porque poderia assustar-se, não te conhece e a única vez que te viu as coisas não terminaram muito bem, Severus.
— De acordo, mas não vamos estar assim o tempo todo. Tão só lhe diremos quem sou e já.
— É que, ele não sabe quem é.
— Que quer dizer com isso?
Harry quis sorrir, mas só conseguiu uma triste careta, se foi sentar de novo no sofá, movendo nervosamente suas pernas.
— Não lhe falei de ti. —confessou finalmente.
Severus deixou-se cair para trás, impactado por aquela revelação, de sorte que uma cadeira impediu-lhe ir até o chão, mas não deixava de ver para Harry surpreendido por suas palavras.
— Diga, por favor, que é uma broma.
— Não é, eu não podia lhe dizer nada… não sabia como o fazer. Doía-me, Severus, ainda me dói e simplesmente me era impossível até pronunciar seu nome!
— Mas é meu filho e não o sabe sequer!
— E daí esperava?! —respondeu sem poder evitar soar rancoroso. — Deitaste-te com outro, me enganaste, e sendo que Anthony mal tinha poucos dias de nascido, não te importaste nada para fazer suas asquerosidades com esse imbecil!
— Você pode ter todo o ódio que queira para comigo, pode viver reprochando-me o que seja, Harry, mas não tinhas nenhum direito a me sacar por completo da vida de meu filho!... Levou sem mais, e além de tudo, lhe oculta minha existência!
— Pois sinto muito, mas já não há voltada atrás, não lhe disse e ponto!
Severus voltou a pôr-se de pé caminhando de um lado a outro, afundando seus dedos entre seus cabelos, desesperado pela situação que jamais teria imaginado. Harry olhava-lhe franzindo os lábios, talvez tivesse sido um engano não lhe falar dele a seu filho, mas não se mostraria arrependido nem doído, não era sua culpa que tivessem que se separar.
— Lhe dirá. —afirmou Severus detendo-se para olhá-lo.
— Não.
— Disse que lhe dirá!
— Disse que não!
— Potter!
— Snape!... Não vou provocar nenhum trauma em meu filho por nada nem ninguém, nem sequer… isto é, muito menos por ti que nem o merece!
— Não mistures as coisas, meu filho não tem nada que ver!
— Isso o tivesse pensado antes!... Ou lembraste-te dele enquanto se deitava com Malfoy?! —lhe reprochou pondo-se de pé para enfrentá-lo.
— Basta já, Harry!... De nossos problemas falaremos quando queira e quanto queira, mas com meu filho é diferente, se não lhe diz você, lhe direi eu.
— Se faz, te mato, juro!
— Não seria capaz. —respondeu sorrindo mordaz.
— Quer provar-me?
Severus tomou a Harry pelos ombros, teve tantos desejos nesse momento de dar-lhe uma boa sacudida, lhe exasperava sua mirada redatora, mas jamais poderia, apesar de sua teimosia o amava como a nada no mundo.
— Deixa-me dizer… —suplicou mudando radicalmente de atitude. —… faz favor.
Harry titubeou um segundo, sabia que Severus não seria capaz de chegar ao golpear, mas se surpreendeu do desejar, quiçá assim poderia finalmente odiar com a alma, no entanto, agora voltava a lhe falar tão doce como em seus melhores tempos, e sentiu seu estômago se encolher, lhe doendo tanto a tristeza de sua mirada.
— Não posso, Severus… é demasiado pequeno para lhe dar uma notícia assim.
— E daí dizias-lhe quando perguntava por seu outro pai? —quis saber.
— Mais bem, uma vez perguntou por sua mãe. —respondeu sorrindo nervoso. — Estivemos vivendo com Ron e Hermione na Índia. —agregou quando Severus lhe olhou intrigado. — Eles se casaram e têm um menino, por isso pensa que há um papai e uma mamãe sempre. E não lhe disse nada, é um pequeninho de cinco anos, se conformou com saber que só tinha um papai e que o queria por dois.
— Ai, Harry, que fizeste!
— Não, Severus, que fez você. —voltou a reclamar. — Não tente me culpar a mim porque fiz o único que podia e você não pode reprochar-me nada, não fui eu quem destruiu nosso lar, nem fui eu a quem não se importou com nossos planos de vida… Não fui eu!
Harry separou as mãos de Severus de seus ombros, apertou fortemente os lábios antes de sair usando a porta, não ia permitir que seu esposo soubesse onde o encontrar, e pelo mesmo se assegurou de não levar nenhum feitiço de localização em cima dantes de desaparecer. Severus ficou uns minutos no mesmo lugar, com os punhos apertados de dor e impotência.
Mas não se deixaria vencer!... Pensou levantando a vista com determinação, não se ia render, creu ter perdido a sua família, mas se Harry ainda lhe amava como acabava de demonstrar, não deixaria ir essa nova oportunidade.
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Harry deixou a Anthony em sua cama, o menino tinha-se ficado dormido depois de que sua amiga lhe desse de jantar. Estava muito agradecido com a loira por sacá-lo desse atoleiro, mas agora não sabia que fazer. Nem sequer tinha podido recuperar seus pertences.
Se aconchegou junto à cama penteando os longos cabelos de seu menino, sorriu recordando assim que insistiu para que não o levasse à cabelereiro quando pensou que precisava um recorte.
— Meu amor… —lhe sussurrou carinhoso. —… Sê que fiz mau em te ocultar de Severus, mas te juro que nesse momento não pude fazer outra coisa. Lamento.
Inclinou-se para dar-lhe um beijo na testa, comovido de escutar lhe suspirar entre sonhos. Sempre tinha sido muito tranquilo, desde seu nascimento não tinha chorado jamais, pelo menos não até o dia em que saíram de Hogwarts, recordou que Anthony não parou de chorar por quase em uma semana, estava preocupado, agoniado. Os médicos aos que foi, tanto muggles como magos lhe afirmavam que não tinha nenhum problema físico, mas isso não tranquilizava a Harry.
Foram noites sem dormir, só escutando o pranto de seu filho, que a sua vez, lhe fazia chorar mais a ele. Estavam sozinhos e dessa forma pôde seguir adiante, com sua companhia e seu carinho, abraçando-lhe a todas horas, lhe falando com todo o amor que podia… Sorriu ao recordar que o pranto só tinha parado no dia em que lhe prometesse que o regressaria com seu pai.
Para Harry isso tinha sido surpreendente, mas depois se convenceu de que todo era uma casualidade… No entanto, não queria que algo fizesse chorar novamente a seu filho dessa maneira.
— Que faço agora? —perguntou-se preocupado.
Harry sabia que provavelmente tinha cometido um grave erro ao não lhe falar de Severus a seu filho, e que ambos tinham o direito de se conhecer, isso não tinha nada que ver com que sua relação tivesse fracassado, algo que ainda não podia aceitar do todo e portanto, seguia doendo como no primeiro dia.
Foi a deitar-se do outro lado da cama, sem molestar-se em mudar-se de roupa. Tinha comprado umas poucas mudanças para ele e seu filho, e tinha um cômodo pijama novo pendente de estrear, mas agora isso não lhe interessava. Abraçou-se ao menino, pensando no extraordinário que se sentia o ter tão perto, perceber sua magia misturada com a de Severus em uma só pessoa… era uma sensação reconfortante, formosa, e lhe doía saber que o homem que amava não podia desfrutar a seu lado.
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Severus chegou a casa de Lucius quando ele e seu filho se dispunham a jantar, mas assim que o garoto lhe viu entrar, deixou seu guardanapo a um lado sem ocultar seu enfado.
— Posso retirar-me, papai? —perguntou dirigindo-se ao loiro. — Acho que não tenho fome.
— Não, não podes te ir. —respondeu Lucius tranquilamente, mas sem diminuir sua autoridade. — Acaba de chegar seu pai e fica a jantar conosco.
— Deixa-o, Lucius, eu também não tenho apetite.
— Imaginava-me. —comentou Aryton sorrindo sarcástico. — Seguramente jantou muito bem em companhia de sua família.
Ayrton pôs-se de pé já sem lhe importar o que dissessem, mas quando passou junto a Severus, este lhe aferrou pelo braço firmemente. O garoto queixou-se ainda que não estivesse lastimando-o, mas conseguiu com isso o que queria, Lucius se pôs de pé de imediato.
— Deixa-o, Severus! —ordenou molesto.
— Primeiro te retrata, jovenzinho! —demandou o moreno olhando furioso a seu filho, mas este não se deixou intimidar, não baixou a mirada e seguiu sorrindo com a mesma raiva.
— Me retratar de que, pai? é que talvez não a passaste bem com teu querido menino e esse tonto pelo que tens passado cinco anos chorando pelos rincões?
Severus não pôde se conter, puxou a Ayrton para uma cadeira sem escutar as queixas de Lucius. Obrigou-lhe a sentar-se cercando-o ao pôr suas mãos a ambos lados do garoto para lhe impedir se marchar.
— Parece que não te dá conta que esse menino é seu irmão, de modo que fica advertido que jamais tolerarei que te dirija a ele desse modo! —lhe sussurrou ameaçante.
— Eu nem o conheço e nem me interessa o conhecer!
— Pois em algum dia vai ter que o fazer e confio em sua inteligência para te portar bem com ele, Ayrton, não se atreva a tentar sequer a fazer nenhum de suas déspotos comentários em frente a Anthony.
— Fico doente ouvir-te defendendo desse modo! Você também não o conhece, não sabe como é, não tens ideia de nada de sua vida, e me alegra muito ter que te recordar que a culpa disso é de seu adorado Harry!
— Ayrton!
— É a verdade! Eles dois são o único que te importou, foram cinco anos em que me fartei de sua indiferença para com nós, de modo que não se sacrifique mais em vir aqui, se tens passado estes últimos dois dias com eles, segue assim toda sua vida que não te preciso!
Ayrton empurrou a Severus para libertar-se. O moreno não teve valor para continuar lhe detendo, suas palavras lhe doeram no mais fundo de seu coração. Lucius não sabia que fazer, lhe preocupava essa situação, ainda que em seu interior, não podia menos que compartilhar a tristeza de seu filho.
O garoto deteve-se na porta girando-se para olhar por uma vez mais a seu pai.
— Seis anos de minha vida mal te viu, Severus… e quando achei que nossa família se uniria, preferiste o fazer com alguém que ao final te abandonou. Tão só compartilho-te uma experiência pessoal para que saiba que se pode viver sem um pai. Se minha infância passei-a sem ti, é lógico supor que não te precise… e seu filho, Anthony, também não te precisará agora.
Ayrton sorriu dantes de marchar-se. Até a ele lhe intrigava se sentir tão bem depois de ver quanto dano podia ter feito em seu pai, a dor de seus olhos negros lhe alimentava lhe dando forças. Talhou-se os olhos, sentia um ligeiro comichão neles… mas não era por vontades de chorar, foi uma sensação tão estranha que teve que acercar a um espelho a se olhar. Notou-os um pouco enrijecidos, mas nada mais. Encolhendo-se de ombros dirigiu-se à cozinha… tinha fome e ainda não jantara.
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Lucius olhou a Severus por uns segundos, duvidava em acercar-lhe. Via-lhe tão doído e agoniado que tinha uns enormes desejos do abraçar, beija-lo e lhe fazer sentir quanto o amava… mas não, essa não era uma solução para o moreno quem não lhe amava a ele.
Um abraço de Potter seguramente funcionaria, mas um seu… o duvidava.
"Mas que diabos!" —pensou. Não se ia deixar manipular por esses sentimentos derrotistas, se Severus não lhe estava pedindo um abraço, ele sim o precisava e suas necessidades sempre tinham sido primeiro que nada. Deu um passo com decisão, mas quanto o oreno caminhou para o outro lado da habitação parou-se em seco como se tivesse recebido um Imperius que lhe ordenasse ficar quieto.
— Será melhor que me vá. —murmurou Severus.
— Falarei com Ayrton, asseguro-te que já deve de estar arrependido do que disse.
— Obrigado por tentar ajudar, mas prefiro esperar-me a manhã, virei a vê-lo e serei eu quem fale com ele.
— Bem, será como queira. —aceitou obediente.
Severus assentiu e marchou-se sem dizer mais. Lucius olhou então o jantar já servido, tinha tido esperanças quando o moreno entrou ao salão, agora de novo voltava à solidão. Como o apetite se lhe foi, decidiu se ir a dormir cedo… Antes de se ir olhou um elegante relógio que tinha embutido em uma das paredes, não só marcava as horas, a cada relógio de sua casa tinha a data como dado primordial. Suspirou olhando no dia que marcava, vinte e cinco de agosto… Faltava pouco para que terminasse no mês.
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Nos seguintes dias Severus não contou com a sorte de seu lado. Ayrton nem caso fazia-lhe, quando o ia ver, o garoto simplesmente se sentava ao escutar, não respondia nada, nem para bem nem para mau… como se o vento lhe falasse.
E por outra parte, ainda não podia voltar a dar com Harry. Soube que Harry tinha aproveitado uma de suas ausências para ir por seus pertences a casa de Remus, e sabendo que este jamais trairia a seu amigo, compreendeu que por aí não ia poder chegar a ele.
Não podia achar que agora que tinha a seus dois filhos tão perto, não pudesse ser feliz com eles. Ademais, não deixava de pensar em Harry, à cada segundo crescia mais sua inquietude quando recordava sua aproximação em casa de Remus… tinha estado a ponto de recuperar seu paraíso e tudo o voltou a perder em um segundo.
Mas não se renderia, conhecendo a Harry cria ter ideia de onde começar ao buscar.
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Harry olhava distraído pela janela de seu hotel, não punha atenção às pessoas que entravam e saíam da estação de trens, tão só recordava no primeiro dia que foi aí, iria a Hogwarts sem se imaginar que conheceria ao amor de sua vida.
"Severus" pensou suspirando apaixonado… "Como te estranho!"
— Que olha, papai? —perguntou Anthony pondo-se de pontinhas para atingir a janela.
— Nada, carinho… só é a rua. —respondeu sujeitando a seu filho em braços para que olhasse lá fora.
— Vamos viajar?
— Não.
— Então a que viemos a Londres?
— Eh?... pois para que conhecesses a teu tio Remus.
— Mas quase não o vi, e não saímos deste hotel… porque não vamos a esse Beco ao que me levaste no primeiro dia? Gostava mais do hotel daí. Prometo-te que não me volto a perder.
— Eu sei, carinho, mas agora não é possível… iremos assim que comece no mês de acordo?
— E porque não agora?
— Ah, pois porque para então vão trazer mais novidades às lojas. —respondeu Harry, esquivando-lhe a mirada para que não visse que mentia.
Ainda que seu filho era pequeno, às vezes tinha a impressão de que Anthony sabia quando lhe mentia, mas não estava seguro disso pois o menino parecia se conformar quase sempre com suas respostas. Pelo momento foi-lhe impossível confessar-lhe que preferia regressar ao Beco quando soubesse que Severus estava ocupado com suas classes e não se apareceria interrompendo o passeio.
Regressou à cama com seu filho para olhar um pouco de televisão, era a única forma que tinha de entretê-lo, pois Anthony já se mostrava incomodado dos jogos de mesa, e jamais tinha sido muito bom para lhe contar histórias. Harry suspirou pensando que seguramente Severus lhe teria contado muito bons relatos… após tudo, era excelente para contos idiotas, concluiu recordando sua infidelidade com Lucius.
Alguém tocou à porta nesse momento, Harry se acercou varinha em mãos como nos piores tempos de guerra, e depois de olhar pelo olho da porta e ver a Remus parado no corredor, perguntou…
— É tu, Remus?
— Claro que sou eu, Harry, a quem mais lhe deste sua localização?
— Desculpa, mas tenho que tomar precauções… me diz faz favor algum sinal para saber se não é um impostor?
— Harry… dás-te conta que de quem escapa, sabe mais de ti que eu mesmo? —perguntou divertido.
— Pode ser, mas sim quisesse assegurar-me de que…
— Com um demônio, abre a maldita porta, Potter! —ouviu-se a voz de Draco ao outro lado.
Harry voltou a assomar-se pelo postigo e viu como o loiro se interpunha adiante de seu companheiro mostrando sua mais feroz mirada, além de um obsceno sinal que demonstrava o humor que trazia. Então tirou as barreiras e abriu para permitir a entrada de seus amigos.
— Você sempre tão encantador, Malfoy. —disse quando o loiro se fazia passo para acomodar em um cadeirão.
— Tive que caminhar por quase sete ruas para chegar aqui e não nos aparecer em frente a muggles, e depois você te põe a jogar ao esconderijo, não me peça que seja paciente contigo.
— Já, já, perdoem… e a que têm vindo?
— Pensamos em convidar-te a dar um passeio e depois comemos algo em Beco. —disse Remus sentando-se junto a seu comendo.
— Siiiiim. —gritou Anthony entusiasmado.
— Não, obrigado. —respondeu Harry dando um baixo na alegria do menino. — É melhor que fiquemos, já lhe prometi a Anthony que iremos em um par de dias.
— Entendo. —murmurou Remus desiludido. — Mas para então não poderemos lhes acompanhar, Harry.
— Igual lamento, Remus, mas é o melhor.
— Não acho que Anthony pense o mesmo. —refutou Draco olhando ao pequeno que olhava a cena decepcionado pela negativa de seu pai.
Harry acercou-se ao pequeno colocando em suas pernas depois de sentar sobre a cama.
— Você entende, verdade, Anthony?... Recorda que iremos ver todas essas novidades que trazem nas lojas em setembro.
— Sim, papai. —afirmou sem muita convicção.
— Obrigado, carinho, por ser tão bom menino.
O moreno olhou a seus amigos sorrindo-lhes, desculpando-se em silêncio pela mentira. Os outros dois só entornaram os olhos, após tudo, não lhes ficava mais que aceitar as decisões de Harry para com seu filho.
— Também não quer que vamos comer? Podemos ir a um lugar muggle. —propôs Remus, e ainda que Draco fez uma careta de descontentamento, não protestou.
— Já pedimos uma pizza, mas se querem podem ficar à comer conosco.
— Pizza?... Não, obrigado. —disse o loiro agora sim sem desejo algum de comer nada muggle. — Melhor vamo-nos, Remus, já fizemos todo o possível.
— Sinto muito, para valer… —desculpou-se Harry—… podemos sair em outro dia, quando tenham tempo e as classes tenham começado.
— Não disse que se iria em uma semana?
— Eh?... bom, é que como não temos saído muito, o mais provável é que prolongue nossa estância, assim Anthony poderá conhecer Londres um pouco mais.
— Não lhe levará a Hogwarts? —questionou Draco.
— Não creio. —respondeu Harry apertando os dentes, com uma mirada de advertência para o loiro para que não fomentasse ideia no pequeno, quem com só escutar a pergunta tinha voltado a abrir os olhos entusiasmado com a possibilidade de conhecer o castelo.
— Bem, então já nos vamos. —disse Remus pondo-se de pé, e Draco fazendo o mesmo. — Deu-nos gosto vê-los.
— Até mais, Anthony. —despediu-se Draco revolvendo o cabelo do garoto. — Feliz estância neste hotel muggle.
— Obrigado. —respondeu o menino sem notar o sarcasmo do jovem medimago.
Depois de que seus amigos saíssem da habitação, Harry se voltou a olhar ao menino quem tinha voltado a pôr atenção ao televisor.
— Quer fazer algo especial, Anthony?
— Podemos sair?
— Não… recorda que só faltam um par de dias, prometeste ter paciência o recorda?
— Sim. —respondeu sem entusiasmo. — Então verei um pouco mais de TV.
Harry tentou sorrir, mas preocupava lhe ter a seu menino encerrado, no entanto não se lhe ocorria que mais fazer. Alguém tocou de novo à porta, e esperado de que se tratasse finalmente da pizza que seu menino morria por provar, Harry se apressou a tirar as barreiras. O impacto que teve ao ver a Severus aí foi tão grande que não atinou a reagir de imediato.
Tudo sucedeu em um par de segundos, Severus entrou, fechou a porta, apanhou a Harry pela cintura levantando no ar.
— Te peguei! —exclamou emocionado.
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Nota tradutor:
Nossa! Me assustou no começo, mas assim que soube fiquei feliz... e o protesto continua seguinte firme forte!
Bem vejo vocês por ai
Ate breve!
