Capitulo treze

Amor… incondicional?

Harry sentia seu corpo como um boneco de trapo quando Severus lhe atraiu lhe abraçando com força para depois depositar no solo e começar a beija-lo repetidamente por todo o rosto. Ele mal podia se mover, ainda aturdido de tanta mostra de carinho por parte de seu esposo.

— Amo-te, amo-te, amo-te! —exclamava Severus uma e outra vez sem deixar de beija-lo.

— Sev… espera.

O homem parou de beija-lo, mas novamente abraçou-lhe tão efusivo que mal lhe deixava respirar, mas para Harry não era nada molesto, e não demorou em se deixar levar pelo arrolador calor interno que lhe propagava o contato com Severus. Recostou sua cabeça no ombro, rodeando com seus braços. Fechou seus olhos sorrindo, sentindo-se feliz por tê-lo de novo estreitando lhe tão formosamente.

Mal estava começando a esquecer do mundo, quando Harry sentiu algo gelado e desagradável… Severus lhe tinha abandonado abruptamente o deixando como se alguém lhe soltasse no meio da nada. Ia a reprochar-lhe quando o viu ir para Anthony.

O menino retrocedeu um passo, assustado ante o estranho. Harry não sabia que fazer, mas ia impedir que Severus tocasse a seu menino quando já não foi possível. O mais velho carregou a um impávido Anthony quem olhava a seu pai acima do ombro do intruso.

— Anthony, meu menino! —exclamou Severus abraçando-lhe cuidadosamente.

— Quem… quem é? —perguntou Anthony aturdido.

— Severus, faz favor… —suplicou Harry esperando que o mais velho não respondesse com alguma imprudência.

Severus girou para olhar ao jovem notando sua angústia. Então sentou-se sobre a cama colocando ao menino em suas pernas.

— Chamo-me Severus Snape… e sou amigo de teu papai, conheci-te no Beco Diagonal faz em uns dias, lembra?

— Si… Se apelida Snape?... eu também! —exclamou intrigado.

— Ah si?... e porque? —perguntou desfrutando da expressão exasperada de Harry.

— Pois porque a papai gostou esse sobrenome e pôs-me… e de meu segundo nome também é como o teu, mas ninguém me diz assim… Ah, às vezes papai sim me chama Severus, mas o faz quando está dormindo.

Severus sorriu enternecido pela ingenuidade de Anthony. Harry tinha enrijecido pela inesperada indiscrição, mas depois respirou aliviado ao dar-se conta que seu esposo não tinha chegado com a intenção de desmentir. Permitiu-se então sentar-se a desfrutar da emoção que lhe dava os ver tão unidos. Severus voltou a abraçar ao pequeno e este já não luzia assustado, o feito de relaxar-se lhe permitiu notar algo lindo quando uns fortes braços lhe envolveram.

Anthony não sabia que era, mas para Severus foi a sensação mais formosa que tinha tido em muito tempo, novamente reconhecendo sua magia entrelaçada na do menino. Era-lhe maravilhoso tê-lo tão colado a seu corpo, voltando a ser pai e filho.

Por minutos ninguém disse nem fez nada para não interromper o belo momento. Mais de repente, outra vez a porta, Harry foi a abrir depois de lançar um rosnado ao ar. Quase lhe aventa a pizza na cabeça ao repartir por ser tão inoportuno, mas conseguiu controlar-se e atuar decentemente.

— Que é isso? —perguntou Severus ao voltar a ficar sozinhos.

— Pizza… Anthony queria prová-la. —respondeu Harry. — Quer um pedaço?

A Severus não lhe chamava nada a atenção comer essa coisa, mas assentiu surpreendido e feliz de que Harry lhe tivesse convidado. No entanto, quando o jovem abriu a caixa, voltou a bufar molesto.

— Fria!... já dizia eu que se demoraram muito em chegar, não devi lhe ter dado propina.

— Se querem, podemos ir comer juntos. —propôs Severus com algo de timidez.

— Não te tiramos muito tempo?

— Todo meu tempo é para vocês.

— De acordo, vamos.

Severus sorriu, sabia que tivesse sido mais fácil a esquentar com ajuda da magia, mas jamais o proporia se tinha oportunidade de fazer feliz a seu filho, e justo assim se via agora. Anthony saltou de alegria em seu colo pela possibilidade de sair dessa habitação.

Harry colocou uma jaqueta a Anthony, e tentando ser discreto, percorreu com a mirada a Severus, esperando não encontrar em sua vestimenta nada mágico, felizmente o mago parecia saber se vestir de forma muggle. Levava uma calça escura, e suéter da mesma cor… cinto, sapatos, meias, todo monocromático, mas para Harry era muito sensual.

Não pôde o evitar, era como um feitiço… caminhou até Severus, e colocando suas mãos em seu cinto, se impulsionou para se pôr de ponta dos pés e beija-lo. Foi correspondido com um suave suspiro que bebeu fascinado e em seguida sentir como Severus lhe punha as mãos nos ombros enquanto lhe beijava também.

Anthony olhou-lhes sem entender, nunca tinha visto dois homens beijando-se… tão só a teus tios Hermione e Ron, mas não o faziam dessa maneira.

— Papai? —chamou-lhe intrigado.

Harry separou-se suavemente de Severus. Anthony entrecerrou os olhos ao ver as bochechas de ambos homens enrijecidas.

— Porque… porque lhe beijava? —perguntou confundido.

— Ah, bom, é que… pois porque é algo lindo quando quer muito à outra pessoa.

— Vocês se querem?

— Eu diria que si… te molesta?

— Acho que não, mas pensei que preferiria que te beijasse a senhorita Jessica.

Harry girou-se rapidamente para Severus negando com a cabeça qualquer má interpretação que estivesse tomando das palavras do menino, e parecia que não se equivocava, pois o mais velho lhe observava entrecerrando os olhos.

— A senhorita Jessica é a professora que contratei na Índia para Anthony. —assegurou Harry algo nervoso. — Não passou nada entre nós, gostava, mas nem sequer lhe deixei me beijar, de eu te juro que… Bom e eu porque tenho que dar explicações de minha vida?! —culminou mudando radicalmente de atitude. — Suponho que você não se portaste como um santo, seguramente tens tido algo mais que um beijo e…

— Não íamos a jantar? —interrompeu-lhe Severus esquecendo-se de sua incomodidade por essa mulher para voltar a tomar a Harry pela cintura.

O jovem assentiu, mas tomando a Severus do pescoço da camisa obrigou-o a acercar seu ouvido a sua boca, e não precisamente com intenções românticas.

— Se muda assim de conversa é porque não tem limpa a consciência… —lhe sussurrou ameaçante. —… Se me chego a inteirar, Snape, te juro que me faço uns sapatos com sua pele.

— Também te quero muito.

Severus se soltou de Harry e foi por Anthony, tinham estado separados tanto tempo que ansiava não desperdiçar nem um segundo agora que lhe tinha perto. O menino não se molestou quando foi sujeito em braços daquele homem, ao invés, gostava da sensação de se sentir abraçado a ele.

Harry respirou fundo tentando sacar-se os ciúmes que sentia e as vontades de ir a desgrenhar verdadeiro loiro. Ia a jantar em família pela primeira vez e pensava desfrutá-lo.

Uns minutos mais tarde, Harry tinha conseguido despejar sua mente de qualquer pensamento perturbador e ria ao ver como Severus lhe surpreendia ainda mais, e justo quando cria o conhecer do tudo. O homem terminou amando as pizzas e pediu de várias especialidades, algo que por suposto fascinou a Anthony, e entre os dois se faziam enredos provando de uma ou de outra… já tinham a mesa feita uma bagunça.

— Não vais comer mais, Harry? —perguntou ao ver que Harry mal ia com sua primeira fatia.

— Não tenho muita fome, obrigado.

— Sentes-te mau?

— Não… acho que me sinto demasiado bem.

Harry alongou sua mão para pegar a esquerda de Severus, sentiu-se culpado quando o viu com o anel de casamentos posto, ele se tinha tirado o seu desde o momento da viagem e nem sequer recordava onde o tinha guardado.

— Tem estado usando todo este tempo?

— Tanto, que acho que já ficou fundido a minha pele. —lhe sussurrou inclinando-se para beija-lo na testa.

— Sev, eu…

— Te comprarei um novo muito cedo.

— Ah?... é que, bom.

Harry preferiu não dizer nesse momento que o considerava algo apressado, tudo era tão perfeito que não queria se arriscar ao jogar a perder e seguiu sorrindo. Uns minutos mais tarde, saíam da pizzaria e tomando a Anthony da mão, caminharam os três pelas ruas solitárias noturnas.

Quando o menino se cansou, Severus lhe sustentou nos braços, e Harry se apegou ao corpo de Severus, aquilo era o melhor que lhe podia passar, e desejou caminhar sempre assim, junto às duas pessoas que mais amava no mundo.

Quando chegaram ao hotel, Severus se encarregou pessoalmente de mudar ao menino e lhe pôr seu pijama. Era tanta sua emoção ao fazê-lo pela primeira vez, que teve que se morder os lábios para não se deixar levar pelo nodo que tinha na garganta. Depois de troca-lo e incorporar-se, foi recebido por um novo beijo de Harry.

— Amo-te. —disse-lhe quando suspenderam o beijo para se abraçar.

— Eu também te amo, Severus… mas agora já tem que te ir.

— Não quero, não quero que nos separemos mais.

— Escuta, primeiro deverei de aclarar a situação com Anthony, não posso simplesmente meter em minha vida sem mais.

— E porque não?... já viste que lhe agrado.

— Sim, mas entende-me, por favor.

— Bem, mas não volte a se esconder de mim.

— Tentarei não o fazer. —caçoou dando-lhe outro beijo nos lábios.

Severus assentiu compreendendo a broma e depois voltou a inclinar-se para dar um beijo de despedida a seu menino, mas nesse momento Anthony removeu-se abrindo os olhos e aferrando com sua mãozinha os dedos índice e médio direitos de Severus.

— Descansa, carinho… —lhe arrulhou o moreno. —… virei a ver-te manhã.

— Não… não se vá. —pediu esforçando-se por acordar, mas enquanto conseguia-o, apertava com mais força os dedos.

— É que tenho que ir a casa.

— Só esta noite, por favor.

Severus não soube que dizer, também não queria se ir, mas não podia ficar se Harry não queria. A surpresa de sua vida levou-lhe quando o jovem se lhe acercou lhe pedindo que aceitasse. Já não precisou mais.

Harry ofereceu-lhe uma de seus pijamas, mas eram demasiado garotas para ele, de modo que não teve mais opção que tentar dormir em roupa interior, algo que a Harry lhe custou bastante poder ignorar.

"Deus… segue tão atraente como sempre" Pensou Harry observando o rosto de Severus tão perto, já quando estavam recostados e alumiados só pela luz da rua que entrava pela janela… "Porque tem tanto poder em meu coração, porque me apaixonei até o ponto de não poder te odiar por nada?... faz favor, tão só não voltes a me mentir"

Severus abriu os olhos nesse momento, e sentiu um forte apertão na alma ao ver os olhos de Harry inundados de um pranto que não saía.

— Não chore por minha culpa. —lhe sussurrou acariciando lhe o rosto.

Harry não respondeu, fechou as pálpebras e isso provocou que uma lágrima escorregasse. Severus inclinou-se bebendo-a para depois regressar a seu lugar. Também fechou os olhos, mas não deixou de acariciar o rosto de Harry, ainda que o sabor salgado de sua lágrima em seu paladar era algo que não esqueceria. Severus Snape também sentia um nodo na garganta, não só pela dor que provocava em seu esposo, senão pela contrastante alegria ao sentir a Anthony lhe abraçando.

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À manhã seguinte, quando Harry acordou e buscou a seu lado, se surpreendeu de encontrar em uma cama vazia. Por um segundo teve o medo mais imenso de sua vida, nem sequer soube o que veio a sua cabeça, mas assim que escutou um suave riso meio apagada, a alma lhe voltou ao corpo.

Incorporou-se e viu que Severus já se tinha vestido e jogava com Anthony no tapete, tentavam o fazer sem ruído para não lhe acordar. Voltou a recostar-se, mas agora de bruços e olhando para eles.

— Dorme um pouco mais, se quer. —ofereceu-lhe Severus ao vê-lo acordado. — É cedo ainda, e prometemos não fazer mais ruído.

— Prefiro vê-los jogar. —respondeu ainda meio adormilado depois de relaxar-se.

— Porque não vamos tomar café da manha? —propôs Anthony.

— Seu papi ainda tem sono que te parece se pedimos algo e o fazemos aqui na habitação?

Harry surpreendeu-se do entusiasmo de Anthony ao aceitar, antes fazia-o resignado a não sair e agora até luzia feliz de ficar, se abraçou de Severus para que o levasse com ele ao telefone. O moreno batalhou bastante para saber usar o aparelho mas não se deixou acovardar pelas debochas de Harry, e junto com Anthony puderam comunicar com o restaurante do hotel para pedir o almoço.

Comeram juntos na cama, caçoaram e jogaram. Passaram momentos tão formosos que para Harry foi um golpe duro quando viu que Severus aproveitou que Anthony tinha ido a se lavar os dentes para buscar sua jaqueta.

— Já se vai?

— Sim, quero ir ver a Ayrton, preocupa-me muito… Nossa relação tem estado muito tensa ultimamente.

— Entendo… e a que horas volta?

— A meio dia parece-te bem?

— Se não há mais opção, que remédio?

— Harry, você sabe que te quero muito. —disse-lhe sentando a seu lado, notando como o jovem entristecia. — Neste dia a passaremos juntos o tempo todo, mas amanhã não poderei, tenho que levar a Ayrton ao Expresso de Hogwarts e depois ir ao colégio para preparar tudo antes da chegada dos alunos.

— Bem, não tens que me explicar nada.

— Harry… porque não se muda comigo ao colégio?

Harry sorriu levemente esquivando a mirada negra, tomou ar sabendo que o que diria não ia ser do agrado de seu esposo.

— Sinceramente, Severus, prefiro não dar um passo tão definitivo ainda.

— Que quer dizer com isso?

— Amo-te e amas-me, disso não me cabe dúvida… mas não me sinto seguro de que seja uma boa ideia que voltemos.

— Mas Harry!... Então que tem sido todo este tempo juntos?!

— Uma oportunidade para nós, e para que te acerques um pouco mais a Anthony, mas isso não quer dizer que me esqueci do que fez… ou é que pensas que agora que vais ver a Lucius não temo que terminará em sua cama?

— Vou ver a Ayrton, isso é o único que farei. —afirmou entristecido pela desconfiança.

— Lamento, mas não posso evitar duvidar de ti, da consistência desse amor que diz me ter, e enquanto tenha ainda que seja um vislumbre de insegurança, não posso me voltar a entregar a ti por completo.

— E o que passou em casa de Lupin?

— Deixei-me levar. É estúpido que negue que te desejo, isso jamais o crerias, nem sequer eu poderia me tomar em sério com uma mentira como essa, mas pelo mesmo, se para valer é sincero comigo, tenta esquecer esse momento e me deixa tentar a meu modo.

Severus não disse nada, sabia que não seria fácil, mas agora compreendia que a situação era ainda mais complicada do que esperava. Harry não lhe entregaria sua confiança tão facilmente, e o mais terrível é que ele também não podia lhe dar as provas que precisava para que cresse em seu amor.

Anthony saiu salvando-lhes do bochornoso silêncio que se formou entre eles. Severus despediu-se dele sentindo um apertozinho no coração quando o menino se mostrou triste por sua ausência, no entanto, não podia se esquecer de seu outro filho.

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Quando Severus chegou a casa de Malfoy, Lucius se encontrava em seu despacho atendendo a uns homens de negócios. Sentiu-se aliviado de não ter que falar com ele, de modo que subiu para a habitação de Ayrton. O garoto ainda estava em cama, mas o que lhe intrigou a Severus foi o ver coberto por completo.

— Ayrton, sentes-te mau? —perguntou-lhe sentando a seu lado, tentando tirar-lhe a manta de em cima, mas o rapaz negou-se.

— Dói-me um pouco a cabeça. —disse, e sua voz foi serena, pelo que Severus se preocupou ainda mais, isso queria dizer que estava o suficientemente doente como para não ter desejos de discutir.

— Te trarei um pouco de poção para dor.

— Sim… obrigado.

Severus parou-se em busca da mencionada poção, ele mesmo preparava todos os medicamentos que Ayrton pudesse precisar, felizmente eram poucos, pelo que o frasco com a poção para a dor estava praticamente intacta. Regressou com ele da gaveta do banheiro. Ayrton acedeu a sair de seu refúgio para tomar a poção e em seguida voltar a recostar-se fechando os olhos.

Seu pai se recostou a seu lado, e o garoto, esquecendo-se de suas desavenças, apoiou sua cabeça no peito de seu pai. Sorriu fechando os olhos, estava seguro que era sua cercania e não tanto a poção, o que estava conseguindo que a dor minguasse.

— Sentes-te melhor? —perguntou Severus ao cabo de um momento.

— Sim, muito obrigado, papai.

— Se volta-te a dor me diz, provavelmente precise que te revise seu medimago.

— Não, não é necessário, acho que já se me está tirando por completo, e seguro que amanhã me sentirei perfeito… Será genial ir à plataforma com vocês… Porque virá verdade?

— Claro que sim, não me perderia por nada do mundo.

— Nem sequer por…?

— Por ninguém. —interrompeu-lhe estreitando-o para dar-lhe um beijo no alto da cabeça. — Quer que me vá para que durma e descanse um pouco?

— Não, ao invés, gostaria que jamais te voltasses a ir.

Severus sorriu tenuemente enquanto acomodava-se para passar um longo momento com seu filho. Era muito feliz sentindo-o tão carinhoso como quando era um menino pequeno, queria pensar que era a adolescência o que lhe tinha tão cambiante de humor… queria pensar que era isso.

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Era a hora da comida e Harry olhou seu relógio, não ia esperar a Severus mais tempo. Por muito que quisesse, por muito que Anthony rogasse por mais cinco minutos, tomou a mão do menino e saíram juntos a buscar um bom restaurante para comer. Como já não tinha que se esconder, decidiu lhe dar gosto e foram a Diagonal.

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Severus acordou, nem conta deu-se quando ficou dormido, mas como a noite anterior tinha passado muitas horas olhando a Harry e a seu menino, pois agora esse tempo de sono perdido cobravam fatura.

A mão de Ayrton mantinha apertada a teia de sua camisa entre seus dedos com tal força que parecia querer desintegra-la, ao buscar seu rosto o viu perlado de suor. O garoto tinha um rictus enorme de dor.

— Ayrton?... que tem?

— Papai… dói-me. —gemeu dificultosamente.

— Mas porque não me acordou?

— Não queria que te fosse. —assegurou deixando de amassar a camisa de seu pai para abraçá-lo.

— Agora mesmo vamos com seu médico, e não proteste. —agregou quando viu que o garoto se dispunha ao fazer.

Severus pôs-se de pé, chamou a um elfo para que avisasse a Lucius da emergência, e envolvendo ao garoto em uma manta, pois agora tiritava de frio, saiu pela lareira.

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Mais tarde, Lucius chegava apressado à clínica do medimago que sempre tinha atendido a Ayrton. Eles tinham preferido que fosse alguém de sua inteira confiança e não eram adeptos aos médicos de St. Mungo. Ademais, este médico entendia-lhes à perfeição, pois também carregava um passado como ex comensal, conhecia tudo de Ayrton.

— Não se preocupem. —deu-lhes quando estiveram reunidos. — A dor tem cedido e em poucos minutos pode ir-se a casa, tomei-lhe mostras de sangue para analisá-las, mas nada sugere que se trate de algum outro problema.

— Está seguro disso? —perguntou Lucius.

— Completamente. Lhe avisarei quando estejam os resultados, mas não há motivo de alarme, com toda segurança sairá como em todos seus exames de rotina, e recordem que os últimos foram faz um par de meses, não acho que algo mude tão rápido.

— Mas então a que se devia a dor? —perguntou Severus.

— Tensão. Parece-me que Ayrton sofre de muita tensão emocional, é muito comum nos garotos que iniciarão sua vida em Hogwarts, suponho que lhe inquieta ter que deixar a vida que tem tido. Tranquilos, que pelo momento, não é nada do que devam alarmar-se.

Severus e Lucius trocaram uma silenciosa mirada, não fizeram mais perguntas, pois não as precisavam. O moreno já não se separou de seu filho. Ainda que Ayrton luzia muito melhorado e sorria emocionado ao saber que essa noite seu pai ficaria a dormir em casa, apesar desse entusiasmo, Severus o notava estranho, como se em qualquer momento se desmaiaria, estava débil ainda que não queria o demonstrar para não arruinar o que seria um grande evento como sua marcha ao colégio.

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À manhã seguinte, Ayrton acordou-se com o ânimo renovado, parecia como se tivesse voltado a nascer, quase sentia vontade de dançar, correr e gritar de alegria. Ia sair quando se topou na porta a seus dois pais, no rosto de Lucius podia ver a mesma alegria que ele tinha. Severus por sua vez, sorria comodamente, em suas mãos levava um frasquinho com uma poção escura.

Ayrton ignorou o fato e saltou aos braços de Severus, enquanto Lucius apressava-se a sustentar o frasco para evitar que se rompesse.

— Obrigado por ficar-te! —exclamou rodeando lhe pela cintura com suas pernas. — Tinha medo de que ao amanhecer te tivesses marchado já.

— Prometi ficar-me e já vê que cumpri. Agora, a te tomar sua medicina para que te dê um banho ou se nos fará tarde.

Ayrton assentiu e baixando ao solo tomou o frasco que Lucius lhe estendeu, olhou por um momento o conteúdo, esteve a ponto de perguntar algo, mas finalmente não o fez e de um gole bebeu a poção que a cada mês lhe davam para seu fortalecimento físico. Depois que Ayrton desapareceu no banho, Lucius tomou a mão de Severus carinhosamente.

— Obrigado pelo que faz por ele.

— Amo-o… não me agradeça nada. —respondeu soltando-se para dar meia volta, tomou seu pijama dobrada no cadeirão para guardá-la em uma gaveta do armário e em seguida sair, não ia prolongar mais do necessário aquela estância… já queria se ir daí.

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Estando na estação de trens, Severus olhou para a rua, tão só tinha que a atravessar e podia ver a Harry. Consultou seu relógio e viu que ainda faltava uns minutos para a saída do trem, de modo que, aproveitando um descuido de Lucius, beijou a seu filho lhe assegurando que não demoraria em voltar. Não deu tempo a que perguntasse nada e antes de que atravessassem a barreira, regressou sobre seus passos.

Desde sua janela, Harry viu-o cruzar a rua quase sem fixar nos carros. Não soube que devia fazer, se esconder ou correr para ele como lhe ditava o coração?... Tão só ficou em seu lugar. Anthony tinha-se metido a banhar fazendo questão de fazê-lo só, obviamente não podia o deixar abandonado.

Escutou os golpes na porta soando quase tão fortes como os de seu coração. Titubeou um pouco, mas ao final terminou obedecendo a seus sentimentos e abriu.

Severus abraçou-lhe fortemente em quando o viu, beijando-o com todo o impulso que lhe dava o ter estranhado tanto. O jovem surpreendeu-se ao ver-se correspondendo-lhe tão facilmente, mas é que o amava. Às vezes desesperava-lhe sentir-se assim, no entanto, não podia fazer mais que se deixar levar pelo que sentia.

— Sento-o muito, amor. —desculpou-se Severus ao separar-se. — Não pude vir ontem porque Ayrton ficou doente, mas não tens ideia de quanto pensei em ti.

— Jura?

— Sim, Harry… te juro.

— Me jurarias também que não te deitaste com Lucius ontem à noite?

A pergunta do jovem ficou sem resposta porque nesse momento um estrepitoso som escutou-se, alguns cristais se racharam devido ao ruído. Harry correu por Anthony ao banheiro enquanto Severus assomava-se pela janela… o coração paralisou-se lhe ao ver a entrada à estação coberta de uma nuvem de pó e vidros rompidos.

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Nota tradutor:

Nossa mais o que será que aconteceu nesse final?

Vejo vocês nos próximos capítulos

Ate breve!