Capitulo catorze

Irmãos

Severus correu apressado de regresso à estação depois de assegurar-se que Harry e Anthony estavam bem e tranquilos. Ele não podia o estar sabendo que seu filho pudesse ter resultado ferido. Quando chegou muito próximo, tudo era um caos, a gente se amontava para sair, e ele queria entrar.

Com um simples olhar comprovou que não tinha tido grandes destroços, só se via uma tubária rompida emergindo de uma das destroçadas paredes pela que deixava sair algo de água e vapor, e um par de pessoas com feridas menores.

Mas o que mais lhe interessava não o encontrava, girava a cabeça de um lado a outro em busca de Ayrton sem conseguir o ver. Gritou-lhe apesar de saber que sua voz não poderia escutar pelo escândalo, bufou contrariado pela histeria que provocava um simples acidente nas tubarias.

Chegou até a barreira entre as plataformas nove e dez e aproveitando a confusão que reinava, a atravessou sem grandes contratempos. Do outro lado parecia que não sucedia nada. Os alunos riam e saudavam-se entre eles, os de novo rendimento se encontravam junto a seus pais, com a expressão emocionada de ser sua primeira viagem no trem.

— Severus! —escutou que alguém lhe chamava.

Ao girar-se viu a Lucius fazendo-lhe uma senha para que se aproximasse. Ayrton estava perto, sacudindo-se furioso algo de pó de seu traje novo, e ao ver a Severus girou a cabeça para outro lado, se apoiou em uma parede próxima pondo seu pé nesta, os braços cruzados e luzindo francamente molesto.

— Estão bem? —perguntou-lhes quando chegou até eles. — Viram a explosão?

— Disso queria te falar. —disse Lucius respirando fundo e olhando a seu filho de relance. — Ayrton estava molesto porque foste-te.

Severus entendeu de imediato o que Lucius lhe quis dizer, em seus olhos cinzas se via a preocupação. Ambos olharam diretamente para o garoto, e este franziu ainda mais os lábios enquanto olhava para o chão, mas não era vergonha o que lhe fazia baixar os olhos, senão a raiva contida que carregava.

— Devo ir-me. —avisou Lucius. — Tenho uma reunião de negócios… por favor, cuida-lhe muito.

O moreno assentiu, guardou silêncio enquanto Lucius acercava-se a despedir de seu filho, este baixou a guarda uns minutos para corresponder ao abraço de seu pai, se aferrou a ele como se de repente já não tivesse nenhum desejo de se marchar a Hogwarts.

Ao ficar de novo a sós, Ayrton recuperou seu cenho franzido e voltou a cruzar os braços. Severus acercou lhe, não queria o forçar de modo que simplesmente lhe abraçou apertando seus ombros.

— Lamento ter-me ido assim, mas era só por uns minutos, já vê que tenho regressado, Ayrton… Recorda que não é um menino pequeno para fazer birras, e agora deve controlar melhor sua magia.

— Não me diga o que tenho que fazer… e já te vai, não te faço perder mais seu tempo, eu posso abordar só o trem.

— Irei contigo.

— Não!

— Disse que irei contigo e isso farei. —concluiu autoritariamente e nessa ocasião o garoto já não pôde lhe contrariar.

No entanto, Ayrton não se mostrava contente com a ideia, caminhou furioso adiante de seu pai e não abandonou sua atitude quando ambos se instalaram em um compartimento vazio.

— Pudeste ter lastimado a alguém. —murmurou Severus depois de acomodar a bagagem.

— Pensa que o fiz de propósito? —perguntou com reproche. — Pois não foi assim, e foi sua culpa, e já deixa de mortificar-me que me doerá de novo a cabeça!

— Vai a me chantagear com isso?... Não pense que tolerarei que adote atitudes malcriadas tão só porque creias ter algo em meu contra. Assim que comecem as classes, te converterá em um mais de meus alunos, de modo que de uma vez te advirto, Ayrton, se tem algo que me dizer como pai, aproveita estes momentos.

O garoto olhou pela janela, o trem já se tinha posto em marcha, mas ainda podia escutar alunos rondando pelos corredores.

— Pode, por favor, privatizar o compartimento? —pediu suavemente.

Severus assentiu, alguns alunos passavam por aí com rapidez ao ver que seu estrito Professor de Poções viajava com eles e não ia só, seguramente já saberiam que seu filho entraria nesse ano a estudar a Hogwarts, isso devia ter acordado sua curiosidade. Sacou sua varinha e com um feitiço conseguiu que ninguém pudesse ver nem escutar o que passava em seu interior.

Ao sentir-se seguro por isso, Ayrton respirou fundo tomando ar. Não olhou aos olhos de seu pai, mas os músculos de seu rosto se suavizaram e Severus teve a impressão de estar vendo de novo a seu menino de seis anos, quando era totalmente feliz ao saber que deixaria de viver escondido.

— Lamento-o. —murmurou baixinho mais audível. — Sinto muito estar-te dando tantas moléstias, pai.

— Ayrton, não me molesta, mas sim me preocupa te ver atuando dessa maneira.

— Não quero brigar mais contigo, prefiro quando falamos assim… com tranquilidade.

Severus permitiu-se esboçar um suave sorriso, abandonou seu lugar para sentar-se junto a seu filho abraçando-lhe carinhoso. Ayrton se recostou em seu peito, sorrindo também. Agora que a fúria tinha passado se sentia decidido a fazer todo o possível por melhorar sua relação com Severus… após tudo, agora viveriam ambos em castelo, longe dos demais.

Só eles dois… nada podia ser mais perfeito. Ayrton suspirou aliviado, convencido de que esses sentimentos que lhe alteravam tanto desapareceriam muito cedo.

Umas horas mais tarde, Ayrton dava voltas sobre si mesmo no compartimento, estava feliz levando as túnicas do colégio. Severus tão só olhava-o sem poder ocultar o orgulhado que se sentia de ter um filho ingressando em Hogwarts, e o belo que luzia com esse riso tão sincera e livre de rancores.

Quando baixaram do trem, ao garoto não se importou tomar da mão a seu pai, pese a que as miradas dos demais alunos estavam fixas neles, lhes observando como se fossem bichos raros. Algo tinha escutado do caráter de Severus no colégio, alguns de seus amigos de sua anterior escola tinham irmãos maiores e lhe tinham informado, mas isso não se importava.

Severus inclinou-se um pouco para falar-lhe de perto no momento em que Hagrid chegou para se levar aos de novo rendimento, a ele também não lhe interessava que os olhassem, já se vingaria desses intrometidos que lhes observavam sem descaro. Beijou a seu filho na testa, assegurando-lhe que estaria pendente da seleção.

Uns minutos mais tarde, o Professor também se tinha tirado as roupas muggle que levava e voltava a adotar sua aparência sinistra do temível Professor de Poções. Chegou ao comedor justo a tempo de ver como chegavam os meninos de primeiro ano, e Mcgonagall os formava em fileira.

— Deve sentir-te muito orgulhoso. —disse-lhe Dumbledore quando se sentiu a seu lado.

— E muito feliz… agora terei mais oportunidade de ver.

— E Harry? Não o vi, mas soube que voltou.

Severus assentiu volteando a ver a seu amigo, e Albus pensou que fazia tempo não via esse brilho de ilusão nos olhos negros, compreendeu que as coisas não iam tão mau e eles podiam ter esperanças. Já não seguiram conversando, pois a seleção começou.

Severus esperou dissimulando sua impaciência por saber em que casa ficaria seu filho, cria saber bem a onde iria, mas mesmo assim não queria confiar demasiado nesse horrível chapéu. Quando chegou o turno de Ayrton, o chapéu nem sequer atingiu a roçar sua cabeça quando já estava gritando a casa selecionada para o jovenzinho.

Ayrton pôs-se de pé buscando emocionado a seu pai, este lhe sorriu sem dissimular seu orgulho enquanto via a seu filho avançar para a mesa dos Slytherin.

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Uns minutos mais tarde, Severus e Ayrton encontravam-se nas habitações do primeiro, conversando sobre aquele primeiro dia.

— E gostaste de sua habitação? —perguntou Severus recostando-se em sua cama.

— Muito, é genial!

— Foi a habitação de Lucius, ele queria que ocupasses seu quarto… e não foi difícil convencer a Dumbledore de que aceitasse te dar.

— Então já sabiam que seria um Slytherin? —perguntou recostando-se junto a seu pai.

— Era o mais provável, e já viste que não nos equivocamos.

— E porque não me deixaram na que foi tua habitação?

— Não é tão glamorosa como a de Lucius, seguramente aí estará mais cômodo e com todo o que precisa à mão. Ademais, acho que a que foi minha agora é um armário. —caçoou divertido.

— Mesmo assim, tivesse gostado de gostado onde você o fazia.

— Não se te ocorra dizer isso em frente a Lucius ou se ofenderá. —riu.

Ayrton acomodou-se apoiando seu queixo no peito de seu pai, acariciou seu rosto admirando-lhe, gostava muito ver-lhe rir.

— Posso vir a suas habitações quando tenha tempo livre?

— Claro, sempre que queira.

— Pressinto que passaremos genial os dois sozinhos… faz muito que não conversamos tanto, e não sabe como gosto de estar contigo.

— Também gosto de estar contigo… te amo muito, Ayrton. —disse-lhe apertando-o com força.

— Eu também te amo, ainda que às vezes me porte mau contigo… mas é que me põe muito zeloso que queira mais a outras pessoas!

— Isso não é verdade. Amo a Harry e a Anthony também, mas você é alguém realmente especial, bebê, muito muito especial.

— Vai voltar com Harry? —perguntou depois de sorrir por essas palavras que brotavam sinceras de lábios de seu pai.

— Essa é minha intenção, não quero te ocultar, e gostaria que controlasse mais de seus ciúmes porque nada me faria mais feliz que vocês três estejam comigo sem problemas.

— Eu quero que seja feliz. —assegurou Ayrton ainda que seus olhos fixos nos de Severus deixaram de brilhar por uns segundos, mais em seguida ocultou seu rosto no pescoço de seu pai, abraçando-o carinhoso, tentando demonstrar-lhe quão importante era para ele.

Alguém chamou à porta, Ayrton apertou mais forte a seu pai, se recusando brincalhão a se separar, mas ao ver que não conseguiria que Severus deixasse que quem tocasse ficasse esperando, ele mesmo se apressou a se pôr de pé para abrir, o sorriso que tinha se sentiu algo insegura quando viu a Harry com Anthony da mão.

— Olá, Ayrton… lembra de mim? —perguntou Harry sorrindo-lhe.

O garoto assentiu nervoso, mais quando o jovem lhe abraçou impulsivamente muitas imagens vieram a sua mente, lindas lembranças de quando conheceu a seu grande herói, e os jogos que alegraram sua infância por alguns meses. De repente viu-se correspondendo ao abraço com grande efetividade.

— Dá-me gosto ver-te de novo, Harry. —disse sinceramente ante a alegria de Severus, quem acercou-se para sujeitar a um entusiasmado Anthony em seus braços.

— Também me dá gosto te ver.

— Passem, faz favor… —convidou-lhes Severus levando a seu filho menor ao interior. —… Que bom que vieram.

— Perdoa que não te avisássemos, mas fiquei preocupado pelo da Estação.

— Não teve problemas, foi só um acidente.

Harry assentiu e aceitando o convite de Ayrton, foi sentar-se com ele em um cadeirão junto à lareira, e Severus fez o mesmo com Anthony.

— Vejo que te selecionaram em Slytherin. —comentou Harry notando a gravata verde com prateado que luzia Ayrton agora.

— Sim, e estou feliz… e papai também.

— É seu papai? —perguntou Anthony olhando a Severus.

— E eu seu irmão. —agregou Ayrton sorrindo ao pequeno, por um segundo sentiu algo queimante ao ver como o menino acariciava o rosto de Severus, mas em seguida o fez a um lado, se esforçando por recordar o desejo de seu pai.

— Irmão de quem?

Severus notou a mirada agoniada de Harry pelo rumo da conversa, de modo que pretextando precisar algo do despacho contiguo, se levou a Ayrton com ele.

— Fiz algo mau? —perguntou o jovenzinho sabendo que algo estava raro.

— Não, carinho… mas é que é necessário que saiba que Anthony não sabe ainda que sou seu pai.

— Porque?

— Ele era um bebê quando o deixei de ver, não sabe muito de mim. Por favor não me pergunte mais, sei que está molesto com a situação e agradeço muito este comportamento que tem agora, de modo que tão só me ajuda e não lhe comente nada, Harry e eu iremos lhe preparando pouco a pouco, de acordo?

— De acordo.

Harry entrou nesse momento, preocupado pelo que passava lá adentro.

— Papai já me contou, Harry. —disse-lhe Ayrton antes de que Harry pronunciasse nenhuma palavra. — Prometo-te que não lhe direi nada até que vocês o façam.

— Obrigado, Ayrton… espero que não seja em muito tempo.

Ayrton assentiu e saiu primeiro. Harry ia ir atrás dele para voltar com seu filho, mas Severus lhe apreendia do braço, não podia desaproveitar o momento a sós para beija-lo. Enquanto, Ayrton chegou junto a Anthony quem olhava para a porta por onde desaparecesse seu pai.

— E papai?

— Eh?... bom, acho que ficou com o meu, devem ter algo importante que falar. —respondeu depois de olhar que ninguém o seguia.

— Agrada-me teu papai.

— Também a mim o seu… creio.

— Ayrton você pode me responder algo?

— Diga.

— Porque seu papai e meu papai se beijam?

Ayrton se corou ante essa pergunta, convidou a Anthony a sentar no tapete enquanto esperavam o regresso de seus pais e tentando encontrar uma resposta.

— Bem, acho que se beijam porque se querem muito.

— Isso disse papai… Você não tens mamãe, verdade?

— Não, tenho outro papai.

— Tens dois? —perguntou confundido.

— Sim, entre os magos pode-se ter dois papais e nenhuma mamãe.

— Como?... É que eu tenho à tia Hermione e a meu tio Ron, e eles têm um menino pequeninho, mas não recordo que tenha visto dantes que… não sei, estou confundido.

Ayrton abriu a boca, mas não soube como responder sem falar a mais. A porta voltou a soar avisando da chegada de um visitante, e alegrando-se de que alguém lhe sacasse do apresso correu a abrir.

— Draco! —exclamou feliz abraçando a seu irmão.

— Olá, Ayrton, já tinha dias sem te ver, de modo que não pude evitar vir aqui aproveitando que Remus ainda anda colocando a alguns dos alunos.

— Pois alegra-me muito que tenhas vindo.

— Anthony? —perguntou Draco adentrando-se e descobrindo ao menino junto à lareira. — Que faz aqui?

— Ele e Harry chegaram faz momento. —respondeu Ayrton. — Agora Harry está com papai no despacho.

— Bem, parece que há reunião de irmãos. —riu Draco sentando-se em frente a Anthony levando a Ayrton com ele para estar os três juntos.

— Irmãos? —questionou o pequeno moreninho.

— Claro, Anthony. —disse Draco. — Eu sou irmão de Ayrton e ele é o teu.

— Ayrton… meu irmão?

— Draco refere-se que o seremos se nossos papais se casam. —interveio Ayrton com nervosismo.

— Esperem, que bagunça se trazem? —questionou Draco divertido pelo que creu era um jogo. — Vocês são irmãos porque Severus e Harry já estão casados e porque ambos são filhos de Severus.

— Severus é meu pai?!

A voz agoniada de Anthony ao inteirar-se disso, fez compreender a Draco sobre seu indiscrição, já não soube que dizer. Harry e Severus apareceram no mesmo momento em que o menino pronunciava essas palavras, pelo que Harry se apressou a ir por seu filho, lhe abraçando carinhosamente quando este começou a chorar assustado.

— Ayrton, que lhe disseste? —perguntou Severus olhando a seu filho.

— Eu?

Severus não queria reprender a seu filho adiante dos demais, de modo que respirou profundamente, no entanto, o garoto se sentiu muito ofendido pela desconfiança e saiu açoitando a porta. Harry olhou a Severus desculpando-se, o melhor era ir-se também porque Anthony tremia demasiado.

— Foi minha culpa. —confessou Draco ao ficar só com seu padrinho. — Não sei porque dei por fato que já estava inteirado, mas Ayrton quis o ocultar, não foi por causa dele.

— Entendo, obrigado por avisar-me, irei falar com Ayrton.

Draco voltou a desculpar-se antes de ir-se, Severus então decidiu ir com seu filho. Apesar de que este se tinha encerrado em sua habitação, não lhe custou muito poder vencer o trinco e entrar sem que ninguém se desse conta que tinha tido que forçar a porta de seu filho.

Ayrton encontrava-se sentado junto a uma janela enfeitiçada, dessa forma podia ter uma perspectiva do lago apesar de encontrar nas masmorras. Severus acercou-se lhe levantando-lhe os pés para fazer-se espaço.

— Tenho vindo a desculpar-me contigo, não devia duvidar de ti, carinho.

— Não, não deveste.

— Perdoa-me?

O jovem slytherin suspirou movendo afirmativamente a cabeça, só então Severus pôde voltar a sorrir, e o fez com mais intensidade quando seu filho se inclinou ao abraçar.

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Harry chegou a seu quarto de hotel, já não sentia os gemidos do menino, de modo que pensando que dormia não quis o acordar, lhe colocou a pijama cuidadosamente e se dispôs a dormir também. Não podia se imaginar que Anthony fingia, não queria escutar as respostas que Harry lhe daria nesse momento, seguramente poderia convencer de qualquer coisa, e ainda que parecia que todos lhe consideravam um tonto para não lhe explicar o que passava, agora tinha uma grande noção da realidade.

Nenhum dos dois dormiu muito essa noite, mas ao amanhecer Harry foi vencido pelo sonho. Anthony abriu os olhos ao escutá-lo respirar suavemente. Volteou para a janela olhando os primeiros raios de sol e seus lábios curvaram-se em um pequeno sorriso ao pensar em Severus.

Quando Harry voltou a acordar, seu filho se encontrava sentado colado à cabeceira. Rapidamente talhou-se os olhos para despejar-se e sentar a seu lado.

— Tens muito acordo?

— Um pouco.

— Anthony, com respeito ao que escutaste ontem à noite…

— Draco mencionou algo e só quero que me respondas… Severus é meu pai sim ou não?

Harry assentiu e Anthony desviou brevemente a mirada para depois voltar a buscar os olhos verdes de seu pai que eram o mesmo reflexo dos seus.

— E você… você não é meu papai?

— Sim, Anthony, eu sou.

Anthony guardou silêncio um momento, respirava agitado e nervoso, esforçando-se por entender, recordou as palavras de Ayrton "entre os magos pode-se ter dois papais e nenhuma mamãe"

— Porque não esteve conosco na Índia? —perguntou interrompendo algo que Harry estava a ponto de dizer.

— Anthony, Severus e eu tivemos um problema e por isso nos separamos, mas isso não quer dizer que não te queira e…

— Sei-o, e acho que por isso escapaste quando nos encontramos no Beco Diagonal verdade?... não queria que eu o visse?

— Não quisesse que mal interpretasse as coisas, Anthony, eu…

— Podemos viver com ele? –perguntou com tanta formalidade que parecia que não tinha cinco anos.

— Anthony, não sei se seja boa ideia ainda… Ele e eu estamos em uma fase em que precisamos nos dar tempo.

— Tempo para que?... eu quero estar com ele, gosto muito estar com Severus… por favor.

— De acordo, lhe perguntarei se podemos nos mudar.

— Posso perguntar-lhe eu?… Não quero que me volte a mentir como quando me disse que somente você era meu pai.

Harry ficou com a boca aberta ante essa resposta, e olhou com lágrimas nos olhos como seu menino se punha de pé para ir para o banheiro. Já a sós, se limpou a umidade de suas bochechas, é provável que se merecesse esse reproche, mas não estava preparado para o escutar.

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Uns minutos mais tarde, Severus dirigia-se ao comedor quando se topou a Harry e Anthony caminhando pelos corredores com rumo a sua habitação. Ficou parado um momento, em realidade os três fizeram-no, olhando-se mutuamente. O moreno sentiu-se intrigado ao ver que pela primeira vez não caminhavam tomados da mão.

— Anthony quer falar contigo. —disse-lhe Harry sem mover-se, mas Severus notou sua voz avariada e ao acercar-se notou seus olhos ligeiramente enrijecidos.

— Está tudo bem? —perguntou-lhe acercando-se até poder acariciar lhe o rosto com macieza.

— Sim. Deixo-os um momento, estarei nos jardins.

Severus sujeitou-lhe da nuca para dar-lhe um suave beijo nos lábios esperando com isso o tranquilizar do que estivesse sentindo. Conseguiu a mudança um suave sorriso antes de que Harry se afastasse. Então Severus sentiu como a pequena mão de seu filho aferrava a sua, olhou para abaixo lhe sorrindo, pois o menino também o fazia, ainda que com um pouco de timidez, como se fosse a primeira vez que o visse.

— Posso dizer-te Papai?

Foram só três palavras, mas para Severus foi infinitamente glorioso. Não pôde se resistir, se agachou estreitando a Anthony fortemente entre seus braços, muito feliz de poder se sentir seu pai. Sem importar-lhe não ter tomado café da manha, Severus se levou a seu menino de regresso a suas habitações, aí estiveram conversando por longo momento, sobretudo, desde como era a vida de Anthony na Índia, até de seus jogos preferidos.

Snape era feliz de escutá-lo, amava sua voz, seus olhos verdes reluzindo tanto como os de Harry, e ao pensar nele, soube que era hora de falar claramente com seu filho sobre o mais importante.

— Estás molesto com seu papai?

— Não, mas sim me sento estranho, como se já não pudesse confiar nele… Eu não sabia que podia ter outro pai.

— Recorda sempre que você é o mais amado para Harry, e se não te falou de mim foi por seu próprio bem, após tudo, estando na Índia não podíamos nos ver. —confessou-lhe sentando em seus joelhos em frente à lareira. — Harry cuidou-te desde dantes de que nascesse, te deu tudo de si, carinho, e a cada dia esperou emocionado sua chegada. Ao final de contas tenho que entender que tinha todo o direito sobre ti. Olha, te mostrarei algo.

Severus pôs-se de pé deixando ao menino no cadeirão e foi por um par de fotografias que tinha no criado-mudo. Regressou e voltou a ocupar seu lugar colocando a seu menino de novo em suas pernas, entregando-lhe as imagens. Ao vê-las, Anthony abriu os olhos com assombro, na primeira via-se a Harry em seu quinto mês de gravidez acariciando-se seu pança enquanto ria por algo.

— Riu-se porque lhe pateaste nesse momento. —informou-lhe Severus.

— Eu… eu cresci dentro de papai?

— Assim é, olha a outra e diga se não vê nela quanto te quer.

Anthony obedeceu e sorriu ao ver a Harry recostado sobre sua cama, sustentando a um bebê em seus braços ao que olhava extasiado.

— Sou eu?

— Sim, acabávamos de chegar do hospital nesse dia.

— Onde estavas você?

— Eu tomei a foto, e tenho mais onde estamos os três, em outro dia te mostrarei. Mas essas duas são muito especiais para mim, as vi a cada noite antes de dormir e a cada amanhã ao acordar, orando sempre porque estivessem bem. E esperando que neste dia de ver outra vez chegasse cedo.

Anthony beijou a seu pai na bochecha dantes de recostar-se em seu peito e silenciosamente ficar olhando as fotografias.

— Papai… posso perguntar-te algo?

— Diga-me.

— Ayrton é meu irmão verdade?

— Assim é.

— Mas ele diz que tem dois papais, você e alguém mais… mas esse outro não é meu papai quem é?

— Chama-se Lucius Malfoy, é também pai de Draco.

— Acho que já começo a entender… mas, você estava com esse homem no Beco Diagonal verdade?... quem estava contigo e com Ayrton era ele?

— Sim, era ele. —respondeu algo temeroso pelas deduções do menino.

— Em um dia, Tia Hermi viu ao tio Ron conversando com uma garota, ele lhe disse que só era sua amiga e ela respondeu que não podia ter mais amigas que ela. Não se contentou até que tio Ron lhe prometeu não voltar a lhe falar.

— Ah… e daí com isso?

— Essa é a razão pela qual meu papai estava enojado contigo?

— Pois, acho que sim, é algo parecido.

— Não volte ao ver, papai, faz favor.

— Anthony, não é o mesmo, Lucius não é só meu amigo, é o pai de Ayrton e em algum dia tenho que o ver.

— Mas eu não quero que papai esteja triste como a tia Hermi, e como Ayrton já vai viver aqui, já não tem que sair a nenhum lado… Papai me contou que vive e trabalha no colégio. Ademais, também quero te pedir que fiquemos a viver contigo podemos?

— E Harry que diz disso?

— Está de acordo… podemos ficar-nos?

— Serei o mais feliz do mundo por isso.

E suas palavras confirmaram-se com uma luminosidade em seu rosto que lhe fazia parecer bem mais jovem. Enquanto, nos jardins, Harry voltava a secar algumas lágrimas, pese a que não queria chorar, agora não deixava de se arrepender de não ter tido o valor de ser sincero com seu filho desde um princípio.

Uns olhos negros olharam-lhe desde longe. Ayrton ia a suas classes, a primeira era Herbologia pelo que tinha que atravessar os jardins, mas ao descobrir a Harry decidiu que podia aproveitar os minutos livres que lhe ficavam para ir com ele.

No entanto, o que nunca suspeitou é que enquanto ele se sentava junto a Harry lhe sorrindo amigavelmente… Alguém mais lhes olhava a eles. Lucius não tinha podido se resistir de ir confirmar que seu filho estivesse bem em seu primeiro dia de classes, e jamais pensou que o encontraria junto ao moreno.

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Nota tradutor:

Mas o que será que esse loiro aguado vai aprontar agora?!

Vejo vocês nos próximos capítulos

Ate breve!