Capitulo quinze

Renunciando por ti

Ayrton tomou a mão de Harry entre as suas, e o moreno, surpreendido, olhou-lhe diretamente a seus olhos, sentindo uma profunda admiração pelo negro tão intenso que encontrava, tão intenso como o de Severus.

— Sinto muito que Anthony se tenha inteirado desse modo. —desculpou-se Ayrton. — Quis evitá-lo, mas não pude… e não é que Draco tivesse culpa, ele não sabia que meu irmão não estava inteirado.

— Entendo, não tens porque se desculpar, Ayrton, não foi culpa tua.

— Posso falar com Anthony se me permite.

— Não é necessário… As coisas se solucionarão, mas agradeço muito seu oferecimento.

Harry inclinou-se para dar um beijo de agradecimento na bochecha do garoto, este corou bastante pela caricia, ainda que de menino estava acostumado a beijar a quanto se deixasse, agora já não, mas seguia lhe gostando apesar de se sentir já crescido.

Desde seu esconderijo, Lucius apertou os punhos. Lutou com todas suas forças para não se sentir zeloso pelo carinho que pudesse emergir entre seu próprio filho e seu grande rival… não devia se sentir assim. Não devia!... e no entanto, foi-lhe completamente impossível evitá-lo.

O moreno apartou-se de repente, uma dor ardente fincando em sua cicatriz fez-lhe levar-se as mãos à testa tentando minguá-lo, mas à cada instante fazia-se mais intenso.

— Harry, que te passa? —perguntou Ayrton preocupado.

Harry olhou-lhe esforçando-se por sobrepor-se, não podia permitir que o garoto lhe olhasse afetado por essa dor, ainda que ele mesmo começava a se assustar seriamente. De repente, uma figura chegou até eles, Harry mal conseguiu distinguir entre sua vista nublada pela dor.

— Papai?... Que faz aqui? —perguntou Ayrton ao ver aparecer a Lucius.

— É que já não te alegra de me ver? —questionou apertando com força o cabo de sua bengala.

— Sim, mas… algo lhe passa a Harry.

— Não, já me sinto melhor. —mentiu o moreno olhando a Lucius, fez um esforço por pôr-se de pé, pelo que Ayrton lhe ajudou solícito. — A que tens vindo? A visita aos pais não está autorizada atualmente.

— E diz você?... nem sequer tens filhos estudando em Hogwarts.

Harry não respondeu, mas não porque não tivesse ideia de como lhe debater esse argumento, senão pela chegada de Snape com Anthony que lhe avisou que era melhor calar… ademais, essa tenebrosa dor ainda não se ia.

— Harry não precisa ter a ninguém estudando porque a partir de hoje, ele e Anthony viverão comigo aqui em Hogwarts. —assegurou Severus sem soltar a mão de seu filho e usando seu outro braço para passar sobre os ombros do moreno. — Se tens vindo, Lucius, a falar com Ayrton pode fazê-lo, mas terá que regressar pela tarde, quando suas classes do dia de hoje tenham finalizado.

— Bem, isso farei… mas agora quero falar contigo.

Severus pediu a seu filho maior fosse a suas classes, e ainda que Ayrton duvidou ao notar a tensão entre os maiores, pensou que não tinha nada que fazer e se marchou depois de se despedir de Lucius. Harry, quem manteve-se tenso durante o abraço de Severus mais sem separar-se, desfrutando da mirada furiosa do loiro, teve que se conter de protestar quando o professor lhe pediu suavemente que lhe permitisse falar com Malfoy.

Engolindo-se seu orgulho, Harry tomou a Anthony em seus braços para ir para as masmorras. A raiva que tinha quase fez que se esquecesse da dor de sua cicatriz.

— Severus… —sussurrou Lucius acercando-se ao outro mago, mas o moreno retrocedeu voltando a aumentar a distância entre eles.

— Se acedi a falar contigo é porque também tenho algo muito importante que te comunicar, Lucius.

— Já me dei conta. —murmurou apertando os dentes. — Parece que tua relação com Potter vai de vento em popa.

— Essa é precisamente minha intenção, e portanto, deve compreender que você e eu já não podemos nos ver mais.

Lucius empalideceu de uma forma quase macabra com essas palavras, pela primeira vez em sua vida sentia que o ar lhe faltava ante a certeza de que Severus não caçoava e estava decidido a cumprir sua palavra.

— Mas… não pode fazer isso. —balbuciou desesperado, apoiou suas costas no tronco de um roble ante o tremor que sentia em seus joelhos.

— Posso, e o farei, Lucius.

— E Ayrton?!... Pensa abandonar a sua sorte?!

— Nunca abandonaria a Ayrton, é e será sempre meu filho… A quem deixarei de ver é a ti, não a nosso filho.

— É exatamente o mesmo e você sabe! —reclamou-lhe obrigando-se a erguer-se, mas a mirada de Severus fez-lhe manter à distância apesar de seu desespero. — Prometeu cuidá-lo, e agora se esquece dessa promessa tão facilmente!

— Não me estou esquecendo de minha promessa, Lucius!

— É justo o que faz!

— Não!... Eu, tenho estado pesquisando e acho que posso o cuidar de maneira diferente.

— Vai arriscá-lo tudo por Potter?... está disposto a pôr a Ayrton em perigo?

— Isso não!... Ayrton não estará em perigo, eu me encarregarei de que tenha a vida que merece, que…

— Potter seguramente lhe terá mania. —interrompeu preocupado. — E se chega-se a inteirar…

— Harry jamais lhe faria dano.

— Não estava muito seguro disso quando me fez essa promessa, Severus.

— Nesse então não conhecia a Harry, o cria um menino imaturo, mas agora sei que seria incapaz de lastimar a alguém inocente… não, não o faria.

— Não deve estar seguro disso, tem visto do que é capaz… o viu melhor que ninguém.

— Escuta, não vou prolongar mais esta discussão, Lucius. Não penso retroceder, me decidi a me dar uma oportunidade com Harry porque tanto ele como eu o merecemos, você sempre soube que a quem eu amo é a ele, e soube inclusive antes de me atrever a lhe o confessar ao mesmo Harry. Mantenha afastado de minha vida que não penso voltar a provocar nenhum sofrimento a meu esposo por nada nem ninguém.

— Sim, já me dei conta que até seu próprio filho importa-te menos que esse imbecil.

— Pensa como queira, mas tem por seguro que cumprirei minha promessa… Ayrton estará bem, que isso te baste.

— Não terá forma de que o reconsidere? —insistiu abatido. — Sei quanto quer a Potter, é verdadeiro, mas reconhece que nunca tenho tentado te separar dele… tão só não quero que meu filho sofra.

— Não posso, devemos nos separar, Lucius, e por isso, tenho uma proposta para ti.

Lucius olhou ao moreno indo sentar-se em uma rocha enquanto olhava o lago à distância, notava-se lhe mais tranquilo, mas ao mesmo tempo mais decaído. O loiro tremeu ante o que agora se lhe tivesse ocorrido ao homem que amava.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Para então, Harry já se encontrava na habitação de Severus. Anthony correu a uma pequena habitação contigua, não tinha nada nela, e Harry observou em seu meio sem encontrar mais que parede nuas e uma porta que comunicava a um banheiro.

— Papai fez magia antes de que fôssemos por ti. —anunciou o menino sem olhar a seu pai, ainda parecia algo doído pela mentira de Harry. — Formou a porta para esse quarto, disse que aqui podia dormir eu e que esta noite a acondicionaríamos para que fique como a que tinha na Índia.

— Acho que é uma boa ideia… quando quer se mudar?

— Agora mesmo, podemos ir por nossos pertences ao hotel sim?

Harry assentiu, já não se sentia muito convencido de que se mudar com Severus fosse uma boa ideia, sobretudo porque tanto Anthony como Severus não tinham disposto uma habitação para ele, e a ideia do que isso significava não lhe tranquilizava, muito menos depois de recordar que seu esposo e Lucius se encontravam juntos nesse momento.

Toda a tarde, Harry e Anthony passaram o tempo decorando o novo quarto do menino enquanto esperavam o regresso de Severus posterior a suas classes. Por momentos, Harry sentia-se mais relaxado ao ver como seu filho voltava a lhe sorrir participando emocionado na construção de seu lar junto a seus dois pais.

Eram cerca das sete da noite quando Anthony se distraía acomodando seus brinquedos em seu quarto, Harry aproveitou então para ir guardar sua roupa na habitação de Severus. Sorriu tristemente ao sentir como algo que devia o fazer o homem mais feliz, não fazia mais que apertar um nodo em sua garganta.

Sentou-se no chão com a intenção de estar mais cômodo enquanto guardava sua roupa interior na última gaveta. A um lado tinha a mala que tinha levado desde o hotel. De repente, ao sacar umas roupas, algo metálico caiu ao chão. Harry tomou-o delicadamente ao descobrir que se tratava do medalhão que tinha sido o presente de Ron e Hermione a seu filho.

Sustentando-o nas palmas de suas mãos, Harry de repente já não conteve um soluço ao recordar a função do objeto.

— Se fosse meu… —sussurrou com quebranto. —… se eu pudesse pedir um desejo que se me cumprisse, quereria poder amar a Severus sem a dor que tenho em meu coração.

Um ruído a suas costas fez-lhe secar-se apressado as lágrimas que já ameaçavam com sair. Severus atingiu a olhar o movimento e compreendeu que Harry ainda sofria por sua culpa. Foi a sentar a seu lado enquanto o garoto ocultava o medalhão entre seus dedos.

— Daria qualquer coisa por ver-te feliz de novo, Harry. —exclamou Severus abraçando-lhe. — Tenta me perdoar, por favor.

— Não quero, Severus. —confessou-lhe sem fazer já esforço algum para não chorar. — Meu tonto coração quer perdoar-te porque ama-te com loucura, mas eu não quero. Não quero te perdoar!

— Mas, Harry…

— Sempre estará Lucius em sua vida, e não quero sofrer mais por culpa desse homem!

— Não é assim, Lucius não voltará a se aparecer entre nós.

— Têm um filho em comum, Severus, não pode me dizer isso. E eu não sei se suportarei saber que terá que o ver por Ayrton, não sei se poderei estar tranquilo a cada vez que não saiba onde esteja… sempre pensarei que tens voltado a me enganar.

— Não voltarei a ver a Lucius, nem sequer por Ayrton. —respondeu Severus escondendo seu rosto no pescoço de Harry, este sentiu algo estranho na voz de seu esposo, e a alma lhe tremeu ao saber que era porque chorava. Por um segundo temeu que Severus sofresse por Lucius, mas o que escutou a seguir lhe deixou gelado. — Tenho renunciado a meu filho… Acabo de ceder-lhe a custodia por completo a Lucius, e a partir deste dia, não tenho nenhuma interferência na vida de Ayrton. Eu por ti seria capaz de tudo, Harry, não tens ideia do que posso fazer pelo amor que te tenho!

Harry não tinha palavras para isso, não lhe esperava. Nunca em sua vida se tinha sentido tão egoísta, mas era impossível não se sentir aliviado por essa notícia. Fortemente apertou a Severus contra seu peito, pensando que pela primeira vez tinha uma real esperança para eles… Em seu aturdimento, não se deu conta de como uma luz dourada escapava dentre seus dedos proveniente do medalhão que ainda seguia estreitando com impulso.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Um pouco mais tarde, Severus tinha disposto uma mesa redonda em seu despacho para que sua família jantasse junta. Ayrton também foi convidado, e ainda que o Professor decidiu não lhe comentar ainda sobre a decisão que tinha tomado, achava que devia o ir preparando, em algum dia teria que se inteirar, pelo cedo era melhor seguir desfrutando de ter aos seres que mais amava, todos reunidos a seu lado.

Harry sorria com doçura ao ver a seu filho trepado nos joelhos de Severus, sem deixar-lhe comer a gosto com tanto abraço e beijo. No entanto, o professor não se mostrava a contragosto, pelo contrário, não ocultava sua alegria por essas demonstrações de afeto e seu rouco riso se escutava tão sincera como fazia muito tempo não ocorria.

Ayrton permanecia em silêncio, comendo com toda a educação que Lucius tinha sabido inculcar nele. Tentava a todo momento não se sentir zeloso com a cena que tinha em frente a ele, recordando com nostalgia quando tinha a idade aproximada de Anthony e também lhe encantava envolver em mimos a Severus... Agora esses momentos eram demasiado escassos, só podia se atrever quando estavam sozinhos, quando seu pai tinha toda sua atenção somente nele.

Alguém tocou à porta e Harry se apressou a abrir para que seu filho não tivesse que privar de uma demonstração de magia de seu pai quem convertia o pequeno salero em uma miniatura de unicórnio que corria pela mesa entre os pratos.

Harry sorriu o ver a Remus e Draco na porta, em seguida convidou-lhes a passar. O casal ocupou um lugar na mesa e um par de serviços apareceram para eles depois de que Harry os ordenasse. Severus tinha desaparecido o unicórnio e adotado uma postura mais formal devido à presença inesperada.

No entanto, eles não se deixaram enganar, o brilho de felicidade do Professor de Poções dizia mais que mil palavras, e reluzia de alegria ao sentir a seu filho lhe abraçando carinhoso.

— E pensam ficar a viver em Hogwarts? —perguntou Harry depois de uns minutos de conversa.

— Sim, geralmente ocupamos a casa em Londres, mas agora Remus terá muito trabalho e quer que fiquemos. —informou Draco.

— Minerva pediu-me que me fizesse cargo como chefe de casa dos Gryffindor. —complementou Remus.

— Felicito-te, Remus, acho que será um bom guia para os Gryffindor's

— Eu te compadeço, Lupin. —interveio Severus sem deixar de jogar com Anthony. — Ser chefe de casa é a morte, eu tenho pensado em renunciar a isso, senão fosse porque ninguém mais quer tomar meu lugar.

— Não o faria, verdade? —questionou Ayrton agoniado, que seu pai fosse chefe de sua casa era algo que lhe ilusionava e orgulhava por igual.

— Não, não o farei enquanto possa fazer todos os trabalhos ao mesmo tempo.

Ayrton regressou a pôr atenção ao jantar, mas já não se sentia muito tranquilo, não queria que Severus renunciasse a esse posto.

— Papai Severus prometeu-me que me levaria ao povo este fim de semana… como era que se chama? —interveio Anthony com grande entusiasmo.

— Hogsmeade, Anthony, chama-se Hogsmeade. —aclarou Harry.

— Parece que as coisas saíram bem após tudo. —comentou Draco, aliviado de que seu indiscrição não tivesse jogado a perder nada.

— Papai é genial, Draco. —respondeu Anthony. — Sabe fazer muita magia, e prometeu-me muitos presentes também.

— O mal criaras. —disse Remus sorrindo-lhes.

— Não me importo, quero dar-lhe todo o que não pude durante cinco anos.

Harry baixou a cabeça, com pesar pelas palavras de Severus. Este notou a mudança em seu esposo e discretamente enlaçou seus dedos com os mais pequenos, lhe fazendo saber que não tinha que se sentir mau pelo que tinha dito sem má intenção. O jovem compreendeu a mensagem e sorriu olhando a seu esposo com todo o amor que sentia.

Desde seu lugar, Remus observava-lhes com ternura, era uma formosa família apesar das dificuldades que tinham tido que passar, e as que ainda levavam a custas. Isto último confirmado quando Ayrton voltou a deixar seu jantar para falar.

— Posso ir a Hogsmeade eu também?

— Não, Ayrton, você é um aluno do colégio e não está permitido que abandonem o castelo. —respondeu Severus.

— Mas sou seu filho, pode levar-me contigo ainda que seja uma vez.

— Não, não posso.

— Nunca me levaste a Hogsmeade a mim. —lhe reprochou entornando seus olhos. — É mais, nunca tivéssemos saído a nenhum lado se não fosse porque papai te pedia que o fizesse.

— Não te comporte como menino pequeno, Ayrton, tenho dito que não pode sair do colégio, e isto não diz seu pai, senão seu Professor e Chefe de casa… Não volte a protestar.

Ayrton apertou os lábios guardando silêncio obedientemente, mas seus olhos não mostravam em absoluto nenhuma conformidade com as ordens de Severus. Este não se deixou amedrontar ainda que chegou a se sentir culpado por lhe negar tal diversão a seu filho. Depois de uns segundos de silêncio, todos voltaram a suas conversas.

Ao cabo de uns minutos, Anthony tinha-se acabou dormindo abraçado de Severus e este continuamente lhe acariciava despenteando o rosto de seus cabelos tão parecidos aos seus. Do outro lado da mesa, Remus olhava-lhes enternecido pela cena, nunca se teria esperado ser testemunha de uma mirada doce por parte do pocionista.

— Será melhor que o leve a dormir. —propôs Harry pondo-se de pé.

— Permite-me fazê-lo a mim, por favor.

Severus pôs-se de pé com o menino em seus braços e desapareceu atrás da porta para as habitações. Harry decidiu deixá-los sozinhos para que seu esposo tivesse a oportunidade de desfrutar desse momento em completa privacidade. Voltou a sentar-se e ao olhar a seus amigos, notou como o licantropo não tinha apartado a vista da porta e sorria. Ia comentar algo, mas Draco interveio se despedindo, já era demasiado tarde e não devia se desvelar.

Ao ficar só com Ayrton, Harry se acercou mais para seu lugar, mas o garoto nem sequer levantou a vista de seu prato já vazio.

— Prometo-te que em suas férias pediremos autorização a Lucius para te levar a visitar Hogsmeade e todo o que você queira.

— Aprecio que queira ser amável, Harry… mas não me interessa, minhas férias serão somente para as passar com papai. Este tempo em Hogwarts era oportunidade de estar com seu esposo, mas se ele não quer, não é meu único pai, felizmente.

Ayrton pôs-se de pé com toda dignidade e saiu se despedindo muito curto. Harry suspirou profundo, esperava que o garoto mudasse de atitude. Até o momento considerava toda essa reação algo normal, após tudo, era de se esperar que se sentisse zeloso.

Ao regressar a seu quarto, Severus ainda não voltava, de modo que foi a olhar para a habitação de Anthony, e se encontrou com o quadro mais comovedor de sua vida. O professor tinha colocado a pijama a seu menino sem acordá-lo, e agora lhe beijava a testa enquanto lhe cobria com todo o cuidado do mundo. Os olhos de Severus brilhavam à luz da lamparina de noite, e neles se podia ver um amor desmedido pela pequena pessoa que tinha em frente a ele.

Sem fazer ruído para não delatar sua presença e interromper a mágica conexão que podia se apalpar entre pai e filho, Harry se aconchegou mais contra o marco da porta, tentando gravar em sua memória essa imagem para sempre.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Remus já se tinha recostado em sua cama, e esperava pacientemente a que Draco saísse do banheiro. Em todos esses anos jamais tinha podido se dispor a dormir se não tinha o outro corpo a seu lado, tão só eram as noites de lua cheia as que, por óbvias razões, tinham que se separar, mas na cada reencontro, desquitavam com fúria as horas separados.

Draco apareceu por fim e o licantropo sorriu apaixonado. O jovem levava um pijama de seda verde escura, sempre eram dessa cor e já sabia que se se lhe ocorria lhe presentear uma diferente, o Slyhterin reagia indignado e sem importar nada, o novo pijama permanecia escondida em alguma caixa enquanto seu armário se inundava daquelas que fossem de sua cor favorita.

Agora Draco levava o cabelo mais informal que quando era um estudante, ligeiramente mais curto, mas sem tanto gel, e a Remus lhe fascinava lhe olhar uma mecha ondulado marcar o lado direito de sua testa.

O loiro apagou a luz antes de meter-se baixo a cama, abraçar a seu esposo e fechar os olhos, acomodando-se para dormir. Remus passou-lhe o braço para as costas, acariciando-lhe suavemente, dessa forma o jovem Slytherin sempre conseguia os melhores sonhos, mas nessa ocasião, o Professor não se tinha deitado pelo que Draco voltou a abrir os olhos e acendeu a luz.

— Não pensa dormir?

— Sim, mas antes quisesse perguntar-te algo… se é que não tens muito sonho.

— Um pouco, mas você me diga o que seja. —assegurou incorporando-se para pôr lhe atenção, qualquer inquietude de Remus interessava-lhe o suficiente como para esquecer de seu cansaço e de que tinha que se levantar muito temporão para ir ao hospital a realizar seu labor como medimago.

— Bem, é que, esta noite quando jantamos com Snape, Harry e os meninos… não te pareceu que faziam uma formosa família?

— Ainda quando Ayrton fez seu birra? —perguntou divertido.

— Pois sim, ainda isso. Refiro-me a que até esses pequenos problemas lhe põem sal à vida.

— Sente sua vida insípida, Remus? —questionou realmente preocupado.

— Não, claro que não, mas quando vi a Severus com Anthony, eu…

— Você que? —insistiu depois de que seu esposo guardasse silêncio por uns segundos.

— Eu quisesse ter um filho.

Draco empalideceu com a resposta, não lhe esperava se era sincero consigo mesmo. Remus observou-lhe meticulosamente esperando encontrar um sinal de não ter semeado em terreno árido… mas a cada segundo que passava se preocupava a cada vez mais pelos olhos desorbitados de seu esposo.

— Suponho… —disse Draco sorrindo nervoso. —… suponho que seria eu quem o tivesse não?

— Draco, se fosse possível eu estaria encantado de gesta-lo, mas não posso… e como Lucius é fértil, suponho que você também é.

— Pois sim sou. —admitiu a cada vez mais nervoso. — Mas a verdade é que até agora não tinha pensado na possibilidade de me engravidar.

— Não pretendo te obrigar a nada, se não quer eu o entendo.

— Bom, não é algo tão determinante como para dizer que não quero.

— Para valer? —perguntou alumiando seu rosto com a esperança.

— Tão só gostaria que me desses de um tempo para pensar no momento que seria adequado para uma gravidez. —respondeu enfatizando seu sorriso, comovido pela alegria de seu esposo. — Não quero deixar a meus pacientes de um dia para outro… mas te prometo que será cedo.

— Isso quer dizer que está aceitando ter um filho comigo?

— Sim. —afirmou agora com um sorriso bem mais decidido. — Isso é justo o que tenho dito.

— Obrigado, Draco, obrigado! —exclamou abraçando feliz a seu casal. — Esperarei a que você decida quando é o momento preciso.

— Bem, mas isso não quer dizer que não possamos praticar um pouco não? —questionou acercando lhe para beijar o pescoço de seu esposo sedutoramente.

— Não disseste que tinha sonho?

— Já não… agora quero ensaiar como ter um bebê.

Remus não se fez de rogado, e beijando a seu esposo, se colocou sobre ele cuidando de não aplastar com seu corpo. Draco riu feliz ante as demonstrações de profundo carinho, e devia admitir que, ainda que lhe atemorizava um pouco a ideia de engendrar uma vida, também lhe fazia bater forte o coração com profunda emoção. Ter um filho de Remus era uma imagem que devia significar a felicidade plena.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Quando Severus voltou a seu quarto, Harry já se encontrava deitado, aparentemente dormindo, mas o conhecendo sabia que não era assim. Quis respeitar sua decisão de não falar, e depois de se dar um banho e se pôr seu pijama, se meteu baixo as cobertas, doído de ver como Harry lhe dava as costas.

— Severus… —falou-lhe Harry sem voltar-se, surpreendendo ao Professor.

— Diga-me.

— Está seguro que destruímos todos os horcruxes… que não há possibilidades de que Voldemort esteja vivo?

— Qual o motivo essa pergunta?

— Não sabia se te dizer, mas tem voltado a me doer a cicatriz e tenho um mau pressentimento.

— Harry, não tema por nada, o Senhor Escuro tem sido destruído, faz favor, deixa de pensar nisso. A dor pode ser simplesmente uma dor normal, tanta tensão pode estar-te afetando.

— Gostaria de estar tão seguro como você. Mas do único que não tenho nenhuma dúvida é de que, se há alguma ameaça por aí, a encontrarei e destruirei sem me deter ao pensar… Meu filho não vai viver uma época como as que nos tocou a nós, quero para ele uma vida sem ameaças nem perigos de nenhuma espécie, e seja como seja, o conseguirei.

Severus não respondeu, se alegrou da escuridão para que a preocupação que tinha não fosse notada por Harry. Estava tão sumido em seus próprios pensamentos que não sentiu quando seu esposo se girou sobre si mesmo para o abraçar carinhosamente. Com isso, Severus conseguiu voltar a sorrir lhe abraçando igual.

— Estranhei-te muito, Rabisco.

Harry sorriu com doçura ao escutá-lo voltar-lhe a dizer desse modo. Se beijaram com todo o amor que se tinham e que não tinha minguado em todos esses anos.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Nota tradutor:

Hummmmmmmmmmmmm, mas porque será que Harry sente essas dores na cicatriz, a meu ver ele sente essa dor toda vez que Lucius fica com ciúmes! Mas deixa pra lá, vamos bora lá nos reviews?

Vejo vocês lá

Ate breve!