Capitulo dezesseis

Dilemas

Harry gemia prazenteiramente ao sentir os lábios de Severus consentir seu pescoço com candentes caricias, já sentia como seu corpo gritava seu desejo, mas antes de que a mente se lhe nublasse por completo, tentou se separar com as poucas forças que lhe ficavam.

— Sev, faz favor… pare.

— Harry, desejo-te!... não pode me pedir isso. —respondeu deslizando suas mãos baixo o pijama de Harry, desfrutando de sentir novamente a pele quente de seu esposo.

— Eu também, mas acho que não é o momento adequado.

— Ainda tens dúvidas de mim? —perguntou-lhe detendo ao fim e olhando aos olhos de Harry, este assentiu ante o assombro de seu esposo.

— Não podes me culpar por isso, Severus, tenho todo o direito de não confiar em que isto seja realmente para sempre.

— Eu não posso achar que ainda me amando e sabendo quanto te amo, ache que posso te trair.

— Fez uma vez.

Severus separou-se em silêncio e sem responder a essas palavras, era verdadeiro, mas de qualquer maneira esperava que com tudo o que estava fazendo, teria conseguido um pouco de confiança, no entanto, agora sabia que não era assim.

— Em que condições estamos, Harry? —perguntou confundido, tentando que em nenhum momento soasse a reclamo. — Está dormindo em minha cama, mas não posso te tocar… é que talvez não quer estar comigo?

— Reconheço que o fato de ter vindo foi mais por Anthony que por mim, mas isso não quer dizer que não queira estar contigo… eu tão só esperava um pouco mais de tempo.

— Tenho esperanças ou só somos um desses casais que permanecem unidos pelos filhos?

— Dantes de ser algo disso, preferiria me marchar e sabe. Mas agora tão só quero estar seguro de que em um dia não te voltarei a descobrir na cama de outro talvez é muito pedir?

— Suponho que o mais lógico seria dizer que não, mas não posso. Não posso porque tenho a plena segurança de que nunca jamais voltarei a te falhar… Espero que em um dia realmente você sinta o mesmo.

— Enquanto tentará me entender?

— Eu te entendo, mas não me resigno, Harry, e te prometo que conseguirei que me volte a olhar como antes.

— Isso espero eu também… Com toda minha alma!

Harry girou-se para acomodar-se a dormir, novamente de costas a Severus, mas a ele o sentiu dar voltas sem conseguir conciliar o sonho, no entanto não fez nenhuma pergunta, já sabia o motivo… era o mesmo que ele tinha para permanecer com os olhos abertos.

— Rabisco? —chamou-lhe silenciosamente Severus.

— Sim, Severus... também quero que me abrace.

Severus obedeceu de imediato, atraindo ao garoto contra seu peito. Harry sorriu ao sentir-se abrigado pela pele de seu esposo, agora sim, sabia que podia dormir e fechou os olhos sentindo como depois dele, a respiração de Severus se englobava suavemente.

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À manhã seguinte, quando Severus acordou, Harry já não estava a seu lado. Por um segundo, a confusão do adormecimento fez-lhe temer que a presença de seu esposo fosse um sonho e ainda vivesse o pesadelo de não ter a seu lado, mas um ruído no despacho lhe regressou à realidade lhe brindando um consolo como fazia muito não tinha.

Foi para a origem do ruído e encontrou a Harry acomodando uns livros que se lhe tinham caído da mesa.

— Acordei-te?... perdoa, é que buscava um pergaminho limpo e sem querer desacomodei suas coisas, mas já tudo está como antes.

— Não há cuidado. —respondeu sinceramente, ainda que notava que seus livros não estavam na ordem que gostava, disso não tinha importância. — Para que querias pergaminho?

— Quero pôr um anúncio no Profeta buscando uma babá para Anthony.

Severus entornou os olhos ao escutá-lo, acercou-se a onde Harry começava a redigir sobre um dos pergaminhos novos que tinha encontrado.

— Para que precisa uma babá?

— Bem. —suspirou deixando de escrever para olhar para seu esposo com profunda seriedade. — Ontem enviei uma notificação a meu emprego na Índia solicitando licença para não regressar posterior a minhas férias, ademais, pedi a transferência de meu posto para o Ministério em Londres.

— No Ministério?

— Sou Auror. —informou-lhe compreendendo que não lhe tinha dito. — Terminei meus estudos lá, mas não pelo método habitual de academias, temia que dessa forma pudesses me encontrar… —Severus assentiu, em realidade sim tinha pedido relatórios em diversas escolas sem encontrar jamais impressão de Harry. —… Me adestrou um Auror retirado, realmente muito bom, e ao terminar consegui validar meus estudos. Estive trabalhando em pequenos povoados onde meu nome não impactava demasiado.

— Todo isso quer dizer que pretendes trabalhar como Auror?

— Assim é.

— Harry… Não poderia o reconsiderar? Há outros empregos que seriam bons para ti. Inclusive acho que poderia tomar-te como meu assistente, ou se gosta mais da cátedra de Lupin, estou seguro que a ele lhe encantaria que lhe ajudasse, sobretudo agora que terá mais ocupações sendo Chefe de Casa. Draco deixou de ser seu assistente faz um par de anos pelo grande ônus de trabalho no hospital, de modo que uma mão extra lhe viria bem.

— Não me parece boa ideia agora, Severus.

— Porque não?... inclusive poderia ter mais tempo livre para cuidar de Anthony, não precisaria de nenhuma babá.

— É que não o entende?... Interessa-me estar no Ministério, agora mais que nunca. Se há alguma informação de ataques ou de desaparecimentos estranhas que pudessem se relacionar com Voldemort, me inteiraria em seguida. Isso não poderia o fazer encerrado no colégio.

Severus não insistiu mais e Harry se dedicou a redigir o anúncio que poria no jornal, devia estar atento a encontrar a melhor babá possível, não pensava deixar a seu filho com qualquer uma, muito menos agora que temia que o mundo não estivesse tão livre de perigo como o supunha. O Professor, antes de regressar a sua habitação para duchar-se, olhou a Harry concentrado em seu labor… Essa decisão de seu esposo poderia trazer problemas, Severus pensou que algo tinha que fazer, quiçá estava se preocupando a mais, mas nunca seriam suficientes todas as precauções possíveis, sobretudo agora que sua última decisão poderia trazer maiores riscos.

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Uns minutos mais tarde, depois do café da manhã, Harry dirigiu-se para o despacho de Dumbledore, sentia-se envergonhado por não ter ido ao saudar em todo esse tempo, e o reencontro foi realmente emotivo para ambos, bem mais porque desde o primeiro segundo, o idoso diretor foi conquistado pelo pequeno Anthony.

Depois de alguns minutos nos que o menino não deixou de perguntar coisas sobre Hogwarts, e que Albus respondia gustoso e animado, Harry conseguiu que Anthony se esquecesse momentaneamente da fascinação que sempre exercia a personalidade do poderoso mago, e se pôs a jogar em um rincão com alguns brinquedos que levava consigo.

— É um menino encantador, Harry. —comentou Dumbledore olhando a Anthony entreter-se com um carrinho muggle de brinquedo. — E suponho que Severus deve de estar feliz dos ter de regresso.

— Sim, acho que sim.

— As coisas não vão bem?... Deixa-me dizer-te que em todo este tempo, ele…

— Doeu-me a cicatriz. —interrompeu Harry esperando não ter que falar demasiado de sua relação com Severus.

O moreno conseguiu distrair a atenção de Dumbledore com suas palavras. O idoso mago empalideceu como nunca antes, e por segundos, que a Harry lhe pareceram eternos, pareceu se ter ficado suspenso em uma dimensão diferente a onde estavam.

— Professor? —chamou-lhe prudentemente.

— Harry, isso que acabas de me dizer não é possível. —respondeu depois de aclarar-se a garganta enquanto acomodava-se em seu assento.

— Está completamente seguro disso?

— A dor da cicatriz era sua conexão com Tom, mas ele já não existe, e portanto, não pode ter dor.

— Isso mesmo pensava eu, mas recorde que me doeu antes, durante o parto de Anthony.

— Foi o stress e a pressão arterial alta o que te confundiu.

— E agora não há nenhum desses fatores, minha saúde é perfeita e ontem mesmo tive novamente a dor, e lhe asseguro, Professor, que não estou equivocado.

— Segue estressado, posso vê-lo claramente e é provável que seja por esta nova mudança de vida, Harry, não te tome as coisas tão seriamente. Em outra ocasião eu poderia ser o primeiro em me pôr a pesquisar o motivo de sua dor, mas não é o caso, tenho a plena segurança de que minhas investigações foram corretas e conseguiste acabar com Tom.

— Dê-me sua palavra de que não ficou nenhum cabo solto por aí, que não existe nenhuma possibilidade de que Voldemort tenha conseguido encontrar outra forma de permanecer com vida.

— Bem, não achei que fosse necessário, mas de acordo…Te dou minha palavra, Harry Potter, que tudo ficou perfeitamente pesquisado e não teve nunca nenhum indício de que algo como o que temes, pudesse ocorrer.

— Obrigado, perdoe-me a insistência, mas precisava-o. —respondeu mais tranquilo, ainda que não o suficiente como para ficar sem fazer nada, seguiria pesquisando apesar das esperanças que Dumbledore lhe dava.

O diretor assentiu esperando ter deixado conforme a Harry, não gostaria que agora que tinha da vida por diante lhe oferecendo uma oportunidade, se centrasse em escudrinhar inutilmente no passado. Tinha que admitir que em um princípio tinha conseguido sobrecozer-se com a ideia, mas não, as possibilidades de que Tom tivesse sobrevivido de algum modo seguiam sendo tão nulas como no dia em que recebeu o Avada em mãos de Harry.

Anthony apressou-se a abrir quando alguém tocou à porta, e feliz saltou aos braços de Severus quando o viu em frente a ele. O professor não podia dissimular o pleno que se sentia com os bracinhos de seu filho lhe rodeando o pescoço para depois de beijar-lhe na bochecha, deixando descansar sua pequena cabeça em seu ombro, se esquecendo de jogos e da curiosidade ante aquele despacho para desfrutar da companhia de seu pai.

— Não sabia que tinha reunião. —comentou Severus sentando-se junto a Harry enquanto permitia que Anthony se entreter lhe estudando os dedos de sua mão direita como se fosse algo mais maravilhoso que os objetos mágicos desse despacho.

— Harry tem vindo a saudar-me e apresentar-me a Anthony. É realmente um garoto encantador.

— Sei. —afirmou Severus acariciando com seu nariz a testa de seu filho, aspirando fundo seu aroma a menino feliz. — Comentou-te Harry que quer entrar a trabalhar no Ministério?

— Não, até agora não o tinha feito. —respondeu Dumbledore olhando ao jovem.

— Bem, estudei para Auror, de modo que não deveria de lhes estranhar essa decisão.

— Suponho que se é o que gosta, está bem, Harry.

— Severus não parece estar muito de acordo. —comentou Harry notando a seriedade que tinha adquirido seu esposo.

— Não quero que te estreses demasiado, achei que gostaria de uma vida mais tranquila depois de todo o que tiveste que lutar para isso.

— Assim é como elegi minha vida, e espero que respeite essa decisão.

Severus assentiu, ainda que estava decidido a que essa não fosse a última palavra. Harry despediu-se deles, ainda tinha muitas coisas por acomodar em sua habitação e se levou a Anthony com ele pese a que o menino se resistia a afastar de seu pai.

— Tem-se afeiçoado muito contigo pese a que têm pouco tempo de se conhecer. —comentou Dumbledore referindo-se a Anthony.

— Tenho tido sorte de agradar-lhe, nunca deixarei de agradecer por isso.

— Mais bem parece que sua magia te detectou desde um princípio e gosta como se sente quando estão de juntos.

— É verdadeiro… a cada vez que abraço a Anthony ou que simplesmente estou cerca dele, sinto uma cálida cocegas baixo a pele que não tinha sentido dantes.

— Nem sequer com Ayrton?

— É diferente, provavelmente porque mal pude estar com Anthony em uns poucos dias depois de seu nascimento, nossas magias estão reagindo em proporção a esse tempo. Mas agora não tenho vindo a falar disso, quero te pedir um favor.

— Você dirá.

— Preciso que convença a Harry de que não tem nada que temer com respeito ao Senhor Tenebroso… ele pensa que…

— Sei o que pensa Harry, e não se preocupe, acho que é só uma fase de ajuste em sua vida. Não tenho suspeita alguma de que tenha nenhum tipo de problema, se Tom tivesse feito algo para não morrer, seguramente nos teríamos inteirado… senão eu, você.

Severus assentiu conforme com a posição do Diretor, se ele tinha essa ideia na cabeça, seguramente ajudaria muito a que Harry se esquecesse cedo de buscar coisas que não gostaria de encontrar.

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Era sábado ao entardecer, Harry observava feliz como seu menino se encontrava sentado no chão do despacho de Severus, rodeado por todos os doces que tinha comprado durante sua visita a honeydukes. Sorriu recordando a algaravia de Anthony ao ir descobrindo tantos doces desconhecidos para ele, e como elegia aqueles que Severus lhe recomendava especialmente… quem se tivesse podido imaginar que seu esposo tivesse tantos conhecimentos em doces! Seguramente seria algum segredo guardado de sua infância.

Suspirou. E olhou para onde o professor tentava se concentrar em qualificar alguns trabalhos de seus alunos. Harry sentia-se a cada dia mais apaixonado dele, e não tinha ideia de como tinha conseguido sobreviver cinco anos sem o ver; agora não se cansava do fazer. No entanto, o fantasma da traição seguia flutuando entre eles, intervindo dolorosamente para o obrigar a não esquecer.

Mas nesses momentos era frustrante amargurar-se por isso quando acabavam de passar uma tarde maravilhosa em Hogsmeade. De modo que Harry voltou a esforçar-se em pensar só na formosa família que tinha apesar de tudo.

A porta abriu-se intempestivamente e Ayrton entrou correndo. Seu brilhante sorriso e a alegria que mostrava era imensa, não parou até se deter em frente a mesa de seu pai, dando pequenos saltos de emoção. Via-se algo estranho tomando em conta a grande formalidade que lhe caracterizava, mas igualmente irradiava uma felicidade tão contagiante, que até Anthony se esqueceu de seus doces para olhar a seu irmão com admiração.

— Papai, é uma grande notícia, a melhor notícia de minha vida! —exclamou sem deixar de saltar.

— Ah, E posso saber de que se trata? —perguntou Severus sorrindo, deixando de lado qualquer trabalho para pôr atenção a seu filho, uma alegria assim o garantia. — Faz tempo que não te via tão emocionado por nada.

— É que é fabuloso, fiz as provas para quidditch e passei!

— Felicidades, Ayrton! —exclamou Harry feliz por ele.

— Obrigado, Harry… Sinto-me muito contente por tê-lo conseguido, e tenho que te agradecer porque foi graças a seu passo pelo quidditch que ampliaram a idade de admissão para os de primeiro ano.

— Se entraste é porque merecia-lo… E daí posição joga?

— Buscador, por suposto. —respondeu orgulhoso. — Mas papai, tão só tens que assinar minha autorização para jogar, é a regra para os de primeiro e segundo ano que conseguem entrar, se precisa a permissão dos pais.

Ayrton estendeu um papel sobre a mesa em frente a seu pai, e Severus deixou de sorrir nesse momento, seus olhos negros fixaram-se no troço de pergaminho sem saber que dizer. Ayrton não o notava, seguia imerso agora no relato de como conseguiu pegar a snitch antes que sua adversaria mais próxima e dessa forma fazer do posto.

— Debutaremos em duas semanas, papai, espero que possas estar presente, te dou minha palavra que pegarei a snitch para ti, e farei que te sintas muito orgulhoso de lhe dar a vitória a Slytherin… sem ofender, Harry, mas somos os melhores. —agregou sorrindo-lhe ao moreno quem correspondeu esforçando-se por sorrir também, mas não porque se sentisse agredido pela rivalidade de casas, senão porque sabia o que Severus devia estar sentindo nesse momento, olhando no pergaminho o linha onde o tutor devia assinar.

— Ayrton…

— Já assinaste? —perguntou inclinando-se para encontrar-se só com sua permissão sem a rubrica paterna. — Que passa, papai?

— Temo-me que terás que lhe enviar a autorização a Lucius para que seja ele quem firme.

— Porque você não?

— É só que acho que deveria ser ele. Asseguro-te que a teu pai lhe encantará saber que o toma em conta.

— Não está feliz de que jogue Quidditch? —perguntou esquecendo de sua alegria para substituí-la por preocupação.

— Não é isso, mas…

— Primeiro não me deu permissão para os acompanhar a Hogsmeade, agora não me dá permissão para jogar… porque me está castigando? —perguntou molesto. — Eu não tenho feito nada mau.

— Ayrton, que te disse desses comportamentos infantis?... tão só quero que envies o pergaminho a teu pai.

— Talvez não é meu pai? —lhe recriminou enfurecido. — Quis que fosse você quem me apoiasse nisso, mas não se importa no absoluto o que faço ou deixo de fazer!... Agora para ti é só Harry e Anthony o único que importa!

— Não te permito que fale nesse tom, Ayrton! —ordenou Severus pondo-se de pé, mas sua imponência não afetava a seu filho, era o único ser vivo que jamais se estremecia de medo quando o notava ameaçante e furioso como nesse momento. Inclusive Harry e Anthony ficaram imóveis ante a figura poderosa de Severus mostrando-se como se ainda fosse o mesmo Professor misericordioso dos velhos tempos, mas Ayrton lhe sustentou desafiante a mirada. — Se digo algo, espero que me obedeça, de modo que o faz e não faça dramas, muito menos agredindo a minha família.

— Se não quer envolver em minhas coisas, tão só diga. Odeio que não aceita a verdadeira razão pela que não quer assinar, anda, diga que não te interessa nada de mim!

— Se quer saber quanto interessa-me, agora mesmo o comprovará… Fica castigado, Ayrton, vá agora mesmo a sua habitação e não sairá daí no que resta do dia enquanto medita desta atitude histérica. Se não quer enviar a autorização a Lucius por um simples capricho, pois não o faça, ficará sem jogar então.

— Pois não serei parte da equipe, também não me morrerei por isso, de modo que não te alegre muito se pensa que me ganhaste!

Ayrton deu meia volta e saiu açoitando a porta. Anthony se sobrecozia assustado pela violenta reação de seu irmão, por momentos sentia-se culpado, não sabia porque, mas assim tinha terminado por se sentir depois do que acabava de escutar, e toda a alegria que tinha por sua visita a Hogsmeade, se converteu em tristeza.

Harry acercou-se então a Severus. Seu esposo tinha voltado a sentar-se massageando-se as têmporas com a intenção de acalmar-se. Harry abraçou-lhe pelo pescoço apoiando seu queixo no ombro de Severus, este de imediato fechou os olhos desfrutando do mimo, deixou cair sua cabeça para atrás para recostar-se sobre o peito de seu jovem esposo.

— Já se lhe passará. —lhe sussurrou Harry querendo tranquilizá-lo. — E então poderá falar com ele e aclarar o mal entendido, amor.

— Harry… obrigado por teu apoio.

— Amo-te, e por isso tenho que te dizer que já deveria lhe ter confessado o que fez.

— Sei-o, mas agora não. Se reagiu assim por uma tolice, não quero nem me imaginar como o fará então, prefiro esperar a encontrar o momento adequado.

— Como prefira, tão só quero que saiba que conta comigo para tudo.

Harry aproximou seus lábios aos de Severus para beija-lo, e o homem correspondeu gustoso girando sua cabeça para aprofundar o beijo. Mas este não pôde durar muito, Anthony correu para eles, feliz de ver que a normalidade voltava e de um salto ocupou um lugar nas pernas do professor, mas nem este nem Harry puderam molestar pela interrupção, o brilho nos olhos de seu filho ao os ver beijar-se lhes fez rir.

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Nos dias passaram, Ayrton não enviou a autorização a Lucius pelo que ficou fora da equipe de Quidditch. Continuava muito molesto com todos, e não trocava palavra com Severus fora do salão de classes e quando a ocasião se considerava estritamente necessário. O Professor tentou em um par de ocasiões acercar-se, mas foi recebido sempre com indiferença, de modo que decidiu esperar um pouco mais, ainda que não podia ser muito… já estranhava demasiado ter a seu filho cerca dele.

Cumpria-se no primeiro mês desde que Ayrton chegasse a Hogwarts, e ainda seguia sem falar com seu pai. Este já não pôde esperar mais, e uma noite se apresentou nas habitações de seu filho. Ainda que Ayrton abriu-lhe, sua atitude áspera mostrava que seguia muito enfadado com ele.

— Sabia que viria. —grunhiu Ayrton sentando sobre sua cama abraçando suas pernas. — Devia poupar-te o trabalho, já não sou um bebê para tomar essa poção vitamínica.

— Para valer não a quer?

Severus foi a sentar a seu lado, estendendo-lhe a mão sustentando um pequeno frasco com uma poção escura.

— Que é isso? —perguntou Ayrton acercando-se para olhar melhor. — Não é a mesma que me deste a cada mês desde que tenho memória.

— Como sabe que não é a mesma? —inquiriu sem ocultar sua surpresa pela habilidade de seu filho para reconhecê-la, fisicamente qualquer um poderia dizer que era igual, mas o tom escuro era ligeiramente menos acentuado.

— Vê-se diferente, igual que no mês passado, mas não quis dizer nada… —respondeu se sentindo muito melhor pela mirada orgulhosa com a que seu pai lhe via—… agora me diga porque?

— Só a prova e diga se gosta.

Esquecendo-se um pouco de seu enfado, Ayrton deixou-se levar pela curiosidade e bebeu o conteúdo para depois ficar vendo o recipiente vazio com frustração.

— Não, não é a mesma. Poderia dizer-se que tem quase o mesmo sabor, mas se sente diferente… Pode me dizer a razão?

— Há ingredientes que já não estão a meu alcance, tenho tido que os substituir, mas tenho fé em que o efeito seja o mesmo e teu organismo siga crescendo forte e são.

— É uma lástima que não possa a preparar como antes. —comentou olhando aos olhos de seu pai, sentindo-se mais acalmado. — Gostava muito, a de o momento de bebê-la sentia-se como se flutuasse, era algo relaxante e também dava pequenas doses de vida a meu coração. Sei que soa tonto, que só é um vitamínico, mas acho que representa o cuidado que tem posto em mim desde que nasci… É seu carinho materializado nesse líquido.

— Ayrton, não duvide nunca de quanto te amo. —pediu enquanto enlaçava seus dedos entre o suave cabelo loiro de seu filho.

— Sei-o, papai, eu também te amo… Sinto muito te causar tantos problemas, me perdoa.

— Eu sinto que se tenha ficado sem entrar à equipe.

— Não importa, para valer, só queria algo que te fizesse sentir orgulhoso de mim. Fui um tonto pensando que um estúpido jogo que a ti não gosta o conseguiria.

— Eu sempre estou orgulhoso de ti.

— Papai, sei que não sou um menino pequeno como Anthony, mas gostaria que desta noite ficasse a dormir comigo… pode?

Severus assentiu e voltou a sentir-se feliz quando Ayrton lhe abraçou efusivamente, já não o deixou ir por um pijama e ambos se recostaram juntos. O moreno sorrindo comovido por ter a seu filho de volta a seu lado.

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Em sua habitação, Harry dava voltadas a sua cama, eram mais das duas da madrugada e não podia dormir sem Severus a seu lado. Mas o que mais lhe inquietava não era sua ausência, senão o fato de não saber em onde estava. Os ciúmes voltavam a arqueja-lo apesar de que seu esposo lhe tinha avisado que iria tentar falar com Ayrton… mas não podia estar com o garoto a essas horas ainda.

Harry abandonou sua cama, respirava agitado caminhando de um lado a outro, tentado a ir para as habitações dos Slytherin… mas que faria se não encontrava a Severus aí?... que faria se sim o encontrava?

Furioso com sua insegurança, Harry deixou-se cair sobre o tapete em frente à lareira, olhando com ódio o fogo crepitando ante seus olhos, imaginando-se, torturando-se… pensando que do outro lado dos lumes podia estar Severus fazendo o amor com Lucius Malfoy.

Apertou fortemente as fibras do tapete com suas mãos, tentando conter-se de não saltar aos lumes para ir para lá… Morreria se voltava a ver essa imagem dos dois homens juntos em uma mesma cama. Recordou a advertência que em um dia lhe fizessem seus amigos, não ia poder viver em paz com um homem que tinha um passado como Severus.

Mordeu-se os lábios para não chorar, não queria voltar a chorar.

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Severus entrou a sua habitação muito temporão essa manhã, mas a alegria que levava depois de acordar com seu filho e este se mostrando animado e feliz, se desvaneceu assim que viu a seu esposo recostado sobre o tapete, ainda com seus dedos apertados em um punho, mas seus olhos enrijecidos perdidos no nada.

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Nota tradutor:

Puxa vida o que será que Severus vai fazer dessa vez?

Vejo vocês nos próximos capítulos

Comentem please

Ate breve!