Capitulo dezessete

Perigoso

Severus acercou-se para seu esposo e ajoelhando-se para ele, lhe acariciou a cabeça com preocupação.

— Que faz aqui? Sente mau?

— Onde estava? —perguntou sem olhá-lo, e ainda que sua pergunta vinha acompanhado por um marcado reproche, para Severus foi um alívio senti-lo bem, pelo menos fisicamente.

— Fiquei com Ayrton, temo-nos reconciliado ao fim. Sento muito não te ter avisado, Rabisco, mas espero que não esteja duvidando de mim.

— Não, claro. —disse com profundo sarcasmo para em seguida incorporar-se e de um tapa afastar a Severus de ele. — Não duvido, tenho a plena certeza de que me estás mentindo!

— Harry… —murmurou debilmente, toda a alegria que levava por sua reconciliação com seu filho, se desvaneceu ante a mirada acusadora de seu esposo.

— Nem diga nada que não penso te crer, e agradece que não fui a te buscar porque não penso voltar a fazer o ridículo! Se quer revocar-te com esse loiro imbecil tens minha permissão, mas jamais voltará a me tocar!

— Mas equivoca, Harry, pode ir perguntar-lhe a Ayrton!

— Não perguntarei nada a ninguém, e se não me vou de novo com Anthony daqui é porque não posso lhe fazer isso a meu filho, mas já te adverti, Severus, não confiarei em ti, não tens sabido te ganhar de novo minha confiança e não te permitirei que te siga debochando de mim a minhas costas!

— Harry…

— Vai ao diabo!

Harry pôs-se de pé com algo de dificuldade depois de passar toda a noite entorpecido, e se encerrou no banheiro posterior a um estrondo. Severus suspirou fundo, não podia achar que se não era um, era outro o que lhe armava cenas de ciúmes.

Esperou pacientemente a que Harry saísse do banheiro. Harry viu-lhe sentado sobre a cama, foi impossível não se sentir mau, mas pôde se manter a distância com só recordar a infidelidade.

— Harry… —chamou-lhe Severus suavemente. —… Não quero nem posso te ver sofrer assim… se quer te marchar eu o entenderei.

— De modo que agora quer o campo livre para voltar com Malfoy? Ou quiçá só o diz para te sentir menos culpado?

— Harry, por Merlin, não!... o único que quero é que seja feliz, daria tudo por ser eu quem conseguisse que o fosse, mas se não é assim…

— Não me irei. —disse ao cabo de uns segundos. — Não tenho ideia de porque… mas aqui fico, ainda que seja por Anthony, ou não sei… Mas ainda que siga vivendo neste lugar, melhor será que te mantenha afastado.

Severus assentiu, não quis perguntar nada mais para não o alterar novamente, Harry parecia se ter tranquilizado ainda que seguia com o cenho franzido. Tristemente aceitou que não lhe ficava mais que respeitar sua decisão, e ainda que não ia poder lhe dar gosto a todos ainda não perdia a esperança, o tempo lhe daria a razão e Harry teria que aceitar que podia confiar nele.

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Mas nos dias passaram, e o moreno não dava seu braço a torcer. Já nem sequer deixava que seu esposo lhe abraçasse pelas noites e se tinha mudado ao sofá, sem lhe importar não dormir. Severus tentava armar-se de paciência, mas era-lhe demasiado difícil, sobretudo sabendo-se inocente das acusações.

O único que o alegrava era que pela coragem de Harry, este parecia se ter esquecido de todo o demais, inclusive de buscar babá e até de comunicar a seu trabalho em busca de informação sobre sua transferência ao Ministério em Londres. Já nem sequer mencionava sua cicatriz, as poucas vezes que lhe falava era para lhe soltar algum comentário irônico sobre sua debilidade pelos loiros.

Por isso, às vezes Severus era capaz até do desfrutar. "Quiçá estou-me excedendo em meu masoquismo pessoal" pensava. Mas era morosamente entretido ver a Harry seguindo-lhe a discrição, surpreendê-lo abrindo a escondida a porta de seu salão de classes para assegurar-se que seguia aí, e ocasionalmente, fingindo ter algo que fazer na Direção quando Severus se encontrava em alguma junta com Dumbledore.

Compreendia que não podia continuar por muito tempo desse modo, pois seu esposo seguramente não o estava desfrutando no absoluto. Era consciente de que não invejava sua posição, e seguramente, no lugar de Harry, já teria enlouquecido de ciúmes… claro, após assassinar a quem se tivesse atrevido a lhe pôr uma mão em cima.

Uma tarde, Severus aproveitava em seu dia livre de Domingo para brincar com Anthony em um dos pátios traseiros. Aí ninguém podia lhe olhar e dessa forma conseguia desfrutar sem ter que suportar as miradas incrédulas de seus alunos que ainda ficavam com a boca aberta quando o olhavam convivendo com seu pequeno filho.

Harry observava-lhes apoiado em uma coluna, tinha o cenho e os lábios franzidos ao ver a Anthony aprender a usar uma vassoura de brinquedo.

— Bem, filho, assim se faz! —aplaudiu Severus quando o menino foi capaz de sustentar no ar, a uns trinta centímetros do solo, e por uns cinco segundos.

Harry bufou ao escutá-lo, e ainda que Severus atingiu a ouvi-lo, fingiu não o fazer para animar ao menino a continuar jogando. Sem deixar de vigiá-lo enquanto Anthony flutuava entusiasmado por entre os prados, o professor acercou-se a seu esposo.

— Achei que estaria feliz de que Anthony aprendesse a voar.

— Eu achei que você fazia sentido comum, mas vejo que não. —grunhiu molesto.

— Mais bem acho que está zeloso porque não foste você quem lhe obsequiou a vassoura. —comentou divertido.

— Desfruta-o todo o que possas, quando Anthony cresça será um valente Gryffindor e aplastará aos Slytherin sem sequer se esforçar… então te recordarei sua graça de lhe comprar essa vassoura.

— Sim está zeloso! —riu acercando lhe para tentar encurrala-lo contra a coluna.

— Faz a um lado, Snape, ou sou capaz de enfeitiçar-te. —ameaçou determinado a cumpri-lo.

— Já, não seja mau comigo… é que sempre tem que ser tão frio?

— Ja, olha quem diz! Melhor não falemos, Snape, que sairia perdendo.

— Amo-te, apesar de teu mau gênio, amo-te muitíssimo.

Severus pretendeu beija-lo, mas Harry desviou o rosto evitando-o, mesmo assim, seu esposo não se deu por vencido e insistiu uma vez mais. Harry voltou a recusá-lo, firmemente, mas sem ser demasiado agressivo para não chamar a atenção de seu filho e lhe preocupar. No entanto, quem sim notou que as coisas não andavam bem foi Ayrton.

O jovenzinho acabava de chegar para reunir-se com eles, e ainda que nos últimos dias tinha chegado a presenciar algum detalhe de hostilidade de parte de Harry, nessa ocasião foi suficiente a mirada de advertência que Harry empregava para Severus para corroborar suas conjecturas.

Doeu-lhe ver a seu pai insistir por um beijo e que fosse recusado, realmente isso lhe incomodou o suficiente como para se acercar sentindo por Harry algo que lhe ardia no estômago.

— Papai, posso falar contigo? —interrompeu sem molestar-se por ocultar sua moléstia para o esposo de seu pai.

Severus separou-se rapidamente de Harry para assentir. Sem olhar a Harry, Ayrton caminhou para uma banca o suficientemente afastada para que pudessem falar a sós. À distância viram como Harry se acercava a Anthony para o cuidar.

— Sucede algo, Ayrton?

— Isso quisesse saber… Há problemas com Harry? Parece que não se porta bem contigo ultimamente.

— Ayrton, não quero que se preocupe por nada, são simplesmente etapas na vida de qualquer casal.

— Pois não me agrada. —afirmou olhando rancoroso para onde Harry ajudava a Anthony a seguir montando sua vassoura. — Você lhe quiseste demasiado, papai, acho que ele não está sendo justo.

— Há coisas que não poderia entender, tão só te peço que se mantenha à margem.

— O que não entendo é porque lhe quer tanto. Qualquer outro em seu lugar estaria furioso de que o tivessem afastado de seu filho por tantos anos, em mudança, você o recebeu com os braços abertos e agora permite que te trate como se fosses um lixo.

— Isso não é verdade. —assegurou apertando os dentes. — Não pode julgar a Harry sem saber a ciência verdadeira o que ocorreu, e como não penso falar disso contigo, te peço simplesmente que assuma seu papel, não é quem para intervir me entendeu?

— Perfeitamente, pai. —respondeu pondo-se de pé, agora furioso com Severus.

Snape compreendeu que não tinha usado as palavras corretas, se levantou também com a intenção de aclara-lo, mas o garoto lhe evitou e saiu correndo de regresso ao castelo, decidido a não voltar a se intrometer em nada, isso se sacava por tentar o defender.

Severus respirou fundo voltando a sentar-se, e não tinha passado nem um minuto quando sentiu que alguém ocupava um lugar a seu lado, para sua surpresa, era Harry.

— Brigaram?... parece que ultimamente não sabe se relacionar com ninguém. Ah, espera, acho que isso tem sido seu problema sempre… claro, não inclui a Malfoy verdadeiro?

— Sabe que? Estou começando a fartar-me de tudo isto… Eu não te enganei com Lucius, não sinto nada por ele, jamais o senti, Harry, e se alguma vez estivemos juntos não foi por amor, nem sequer me atrai!... foram as circunstâncias, mas agora tudo é diferente, agora o último que faria seria me arriscar a te perder, muito menos por alguém como ele!

— Isso sente para meu pai?

Severus e Harry se voltearam ao instante, e descobriram a Ayrton de pé atrás deles. O garoto chorava, mas secava furioso as lágrimas que lhe era impossível deter. Rapidamente Severus pôs-se de pé para rodear a banca e chegar a seu filho, no entanto, o garoto retrocedeu olhando-lhe com ira.

— Odeio-te! —gritou-lhe enrouquecido.

— Ayrton, lamento-o, sei que não devia dizer certas coisas, mas…

— Jamais amou a papai, em nenhum momento!... Eu fui um acidente, então?!

— Claro que não, não pense desse modo, carinho!

— Não me chame mais assim! Seguramente deve de estar arrependido de ter tido uma noite de diversão que trouxe como consequência que meu pai ficasse grávido… isso te teria livrado de problemas!

Severus estava desesperado, não sabia que dizer, nada do que se lhe ocorria poderia aliviar o fato de ter confirmado que nunca amou a Lucius, isso seguramente foi um golpe drástico para um garoto que vivia tentando se conformar com saber que, pelo menos, em um tempo seus pais tinham estado apaixonados e que desse amor nascesse ele.

Ayrton via-se realmente afetado, um ligeiro tremor apareceu em seu corpo deixando brotar um brilho púrpuro. Severus tentou acercar-se para controlá-lo, a magia de seu filho estava a ponto de manifestar-se, mas nem bem deu um passo quando uma força invisível lhe arrojou longe. Assustado, Harry correu a ajudá-lo.

Anthony conseguiu presenciar a cena, e temeroso, se escondeu atrás de uma pequena rocha.

Ayrton marchou-se então, depois de ver como Harry sustentava a Severus recostando-o em seu colo.

— Está bem? —perguntou o jovem, preocupado por seu esposo.

— Algo dolorido, mas sim.

Harry sorriu carinhoso para depois ficar uns segundos acariciando a cabeleira de Severus. Mais de repente notou que este estava desfrutando demasiado de seus mimos, e recuperando seu enojo, deixou cair a cabeça do professor sobre o pasto.

— Ouch, Harry, isso doeu! —queixou-se Severus enquanto tentava pôr-se em pé.

— Deixa de ser tão odioso, melhor vá com Ayrton que as coisas se te complicam, e tudo por culpa de ser tão imprudente.

— Harry…

— Vá, não perca tempo comigo!

— Agora Ayrton não me escutaria… Ademais que posso lhe dizer? Jurar-lhe que a quem menti foi a ti para que me quisesse?... Não, não posso lhe dizer essa mentira, meu filho terá que aceitar que não amo nem amei a Lucius.

Harry comoveu-se ao sentir a dor na voz de seu esposo, este apartou a mirada para o nada, sofrendo por ter lastimado a seu filho. No entanto, não se deixou levar por esse sentimento, girou a mirada em busca de Anthony e ao o descobrir ainda escondido, foi para ele, lhe abraçando até que conseguiu que o menino deixasse de tremer.

O moreno suspirou ao vê-los juntos, pensou que Severus podia ter sido um imbecil com ele, mas estava seguro que por seus filhos daria sua vida sem o pensar, e por isso seus erros deviam lhe estar passando uma muito cara fatura… Sentiu um tenso nodo na garganta por não ser capaz de aliviar um pouco o sofrimento de quem amava.

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De novo voltou a discórdia à família de Severus, quem já não sabia que fazer para não se pressionar. Ayrton regressou a ignorá-lo, já nem sequer lhe abria a porta quando seu pai o ia buscar. Assim passou todo um mês mais, e uma das coisas que mais lhe preocupavam a Severus era que seu filho nem sequer aceitava se tomar a poção que preparava especialmente para ele.

Harry notava a angústia de seu esposo, mas não queria intervir, para Ayrton seguramente não seria muito agradável que se acercasse a ele depois do que tinha escutado em lábios de seu pai.

Uma noite, Severus acercou-se a Harry, o jovem moreno lia um pouco junto à lareira da habitação de seu filho, este já dormia, mas mesmo assim, gostava de ficar mais tempo a seu lado dantes de ir ao quarto que compartilhava com seu esposo.

— Que é isso? —perguntou Harry tentando ser indiferente ao pergaminho enrolado que Severus lhe tendia em frente a ele.

— Tenho decidido escrever-lhe a Lucius, preciso que venha a falar com Ayrton… mas quero que leias o que lhe digo, assim não terá nada de que se preocupar.

— Acha que com lê-lo será suficiente? —reclamou-lhe voltando a sua leitura. — Quem me assegura que não lhe escreve todas as noites? Ou que põe mensagens ocultos que só você e ele entendem?... Não, Severus, se quer lhe escrever é sua decisão, a mim já não me interessa o que faça.

Severus não respondeu, com o pergaminho em mãos saiu da habitação. Depois de assegurar-se que seu filho dormia, Harry saiu atrás de Severus, precisava se assegurar que não se decidisse a ir em busca do loiro.

No entanto, em matéria de minutos viu-o chegar à corujal para usar uma das aves do colégio. Depois de que a corujaa desaparecesse no horizonte do céu escuro, Severus se apoiou no peitoril da janela. Desde seu lugar, Harry observa-lhe a escondidas, sem saber que sentir, notava a tristeza de seu esposo, mas não sabia se era por eles, ou porque quereria ser ele quem fosse em busca de Lucius.

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Anthony acordou nesse momento, quis ir ao banheiro e abandonou sua cama. Ao regressar, algo lhe fez ir para a habitação de seus pais, se surpreendendo da encontrar vazia. Um pouco assustado por isso, lhes chamou sem obter resposta.

Não gostava dessa situação, e tomando a preciosa vassoura que seu pai lhe presenteasse, saiu para os corredores. Olhava espantado as sombras a seu redor, mas o único que queria era encontrar a seus pais.

Chegou até o vestíbulo, onde a luz das tochas lhe fez se sentir melhor. Achou que seria boa ideia ir para o despacho do Diretor, seguramente aí se encontraria a salvo enquanto seus pais apareciam. Tentando apartar de seus pensamentos os temores, Anthony abraçou sua vassoura e sorriu recordando o muito que gostava da sensação quando estava cerca de Severus.

De repente, algo apartou de suas mãos seu brinquedo. Assombrado olhou-a voar acima dele, para depois descer em espiral passando rapidamente a seu lado. Conseguiu esquiva-la por milímetros em várias ocasiões, e o que viu a seguir, lhe deixou gelado em seu lugar.

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Draco chegava nesse momento do hospital, tinha tido uma longa jornada de cirurgia em cirurgia e o único que podia pensar era em chegar a se dar um banho e dormir abraçado de seu lobo consentido. Mas ao abrir a porta do colégio, se topou com uma cena que lhe fez conter uma exclamação de assombro.

O pequeno Anthony encontrava-se no meio do vestíbulo, olhando para uma parte do teto, e aí, estava a vassoura de brinquedo, incrustada em pedaços contra a pedra.

— Anthony, está bem? —perguntou-lhe se ajoelhando para assegurar-se que o menino não estivesse lastimado.

— Sim… mas minha vassoura não.

— Você fez isso?

— Não… se voltou louca de repente, me quis golpear e depois foi a estrelar-se no teto.

Draco abraçou-lhe e pôs-se de pé carregando-lhe, preocupado por senti-lo tremer assustado pelo mau momento vivido. Por um momento pensou que era a magia do menino que se tinha descontrolado, mas algo em seu interior lhe fez mudar de opinião. Um menino dessa idade, nem sequer ainda que fosse filho de dois poderosos magos, poderia destroçar uma vassoura em pedaços e incrusta-los entre a dura pedra da forma em que os via… parecia como se tivessem estado aí sempre.

Nesse momento, uma sombra moveu-se em um dos extremos do salão e Draco a viu desaparecer caminho às masmorras, lhe pareceu o identificar, mas em seguida sacudiu a cabeça, isso não podia ser verdade, seguramente estava imaginando coisas.

— E diga, Anthony que fazia só a esta hora no vestíbulo?

— Buscava a meus pais, acordei-me e não estavam. Leva-me com eles sim?

— Escuta, regressaremos a sua habitação e ficarei contigo até que apareçam de acordo?

Anthony assentiu pelo que Draco se dirigiu com o menino em braços para o passagem que conduzia às masmorras, no entanto, o ruído da porta o pôs em alerta, rapidamente sacou a varinha apontando ao recém chegado.

Harry surpreendeu-se de ser recebido por uma ameaça, e se não desarmou a Draco foi porque viu a seu filho em poder do loiro.

— Ah, é você, Potter. —murmurou baixando sua varinha.

— Papai! —chamou-lhe Anthony ao vê-lo, estendendo seus braços para ele, Harry apressou-se a sustentá-lo.

— Que fazem vocês dois aqui?

— Eu venho chegando, me encontrei a Anthony lhes buscando e o ia levar de regresso.

— Bem, te agradeço muito que o cuidasses.

— Papai, minha vassoura foi possuída, olha. —disse o menino assinalando para o teto.

— Que sucedeu? —perguntou Harry assombrado de ver as pequenas estacas fundidas no material.

— Não sei. —respondeu Draco. — Quando cheguei já tinha terminado. Anthony diz que quis o atacar… talvez foi só um acidente. —concluiu não muito convencido.

— Estava com alguém, Anthony? —quis saber Harry.

— Não, estava só.

— Pode ser que se deixem rastros de magia no ambiente, tenho escutado que isso é possível, e que se desatam em qualquer momento.

Harry assentiu ante a teoria do loiro, e com um movimento de sua varinha conseguiu regressar todo à normalidade, preferiu achar que todo tinha sido um acidente, não suportaria pensar que seu filho estava em perigo ainda em Hogwarts.

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No dia seguinte era domingo, Harry sabia que Severus se encontrava em seu laboratório, tinha avisado que tinha poções por fazer, mas suspeitava que em realidade queria estar só, tinha dias em que o notava mais decaído que de costume, sobretudo os fins de semana, quando o tempo que podia passar com Ayrton terminava em solidão.

Para Harry era inquietante senti-lo assim. Essa manhã em particular Severus tinha umas profundas olheiras e sua pele mais citrina que nunca, nem sequer quis tomar café da manha, se desculpou com Harry e Anthony antes de abandonar a mesa. E ao vê-lo partir, Harry notou que apesar de suas túnicas era evidente que estava perdendo peso, e por isso, decidiu finalmente se esquecer de se era uma boa ou má ideia, deixou a Anthony ao cuidado de Remus e Draco, e foi em busca de Ayrton… Esse menino lhe ia escutar longamente.

No entanto, este não se encontrava em sua habitação, seus colegas não souberam lhe dizer onde o encontrar. Decidiu buscá-lo até o último rincão do colégio. Ia passando por um corredor externo em direção para outra asa do castelo quando escutou uma voz que conseguia lhe provocar acidez no estômago.

— Já te disse, Ayrton, isso não é novo para mim.

Harry manteve-se oculto depois da coluna de um arco que separava o corredor dos jardins, pôde ver a Ayrton sentado em uma banca junto a Lucius. Tinha esquecido que Severus enviou por ele. Pensou em marchar-se e deixar que as coisas seguissem seu rumo, mas o que disse o loiro lhe fez mudar de opinião… Precisava saber mais.

— Sempre soube que Severus não está nem esteve jamais apaixonado de mim, seu pai não me mentiu.

— Porque não me disse?

— Bom, não é uma conversa normal entre pais e filhos. —assegurou abraçando ao garoto, cuja voz se escutava quebrantada. — Mas não tens nenhum motivo para julgar a Severus, foi sincero comigo em todo momento, e se aceitei nossa relação assim, é porque era o único que podia me dar. No entanto, eu sabia que teria um final, e soube sempre e o comprovei no dia em que Severus me confessou que se tinha apaixonado de Potter.

— Mas Harry é um tonto, não o quer, lhe trata mau, papai!

— Bom, sempre tenho pensado que Potter é tonto… Mas porque diz que lhe trata mau? —perguntou interessado.

— Despreza-o. Não acho que papai seja feliz com ele… porque não tenta o conquistar você? Você sim o quer e sei que em um dia poderia conseguir que papai te ame também.

Harry sentiu um tenso nodo na garganta, não gostava nada da ideia de que Lucius pretendesse reconquistar a Severus… quase esteve a ponto de sair e lhe exigir a ambos que deixassem de intrometer em seu casamento, mas novamente a resposta de Malfoy o surpreendeu.

— Acha que não o tentei?... Apesar de que sabia o inútil de minha luta, pois sei muito bem o que Severus sente por Potter, nunca consegui nada. Nem sequer em todos estes últimos cinco anos em que Severus esteve só, ele jamais deixou de pensar em seu esposo, no homem que amava, e que não se te esqueça que não cessou em sua luta por encontrar.

— A papai só lhe interessava Harry. —comentou Ayrton com amargura. — Cinco anos de sua vida os desperdiçou em uma busca estúpida, porque agora que o tem junto a ele, de nada tem servido, Harry não o quer tanto como diz.

— Eu acho que sim o ama. Somos poucos os que temos chegado a conhecer a Severus tal como é, e que nos apaixonámos dele, mas, apesar de que Potter não é de meu agrado, reconheço que ama a Severus sinceramente, e que o amará por sempre.

— Mas…

— Ayrton, permite que seu pai seja feliz com quem queira… É algo que me custou muito poder aceitar a mim, e às vezes me desconheço amando tanto a alguém como lhe amo a ele, mas o único que quero é que tente ser feliz, ainda que para isso agora tenha tido que renunciar inclusive ao ver.

— Papai, você sofre por ele… isso não gosto, eu quisesse que estivessem juntos.

— Temos falado disso em muitas ocasiões, disse que entendia que Severus tinha que estar com o homem que ama.

— Sei-o, mas papai também não é feliz com Harry… Inclusive briga mais comigo, tudo se jogou pela borda desde que Harry apareceu em nossas vidas, não tem sabido aproveitar a sorte que tem.

— Potter reagirá… Ou isso espero.

— E se não o faz?

— Terá seus motivos, o que passou não foi fácil também.

— Você sabe porque brigaram?

— Seu pai cometeu um erro. —respondeu depois de dois segundos de respirar fundo. — Um erro que a mim me fez muito feliz, mas que a ele lhe destroçou a vida… Mas ele resolverá, Severus é néscio, não deixará a ir a Harry de seu lado porque lhe ama e sabe que é correspondido. E fará todo o possível por obter seu perdão.

— Quisesse que papai nos quisesse tanto como lhe quer a ele.

— A ti te quer bem mais, não o duvide. O fato de que seus pais não estejam apaixonados não afeta em nada o que sente por ti.

— Eu o duvido… Um filho que nasceu de uma relação sem amor não pode ser desejado, portanto também não amado, pelo menos sei que não me ama tanto como pode amar a Anthony.

Harry sentiu-se um vulgar intruso por estar olhando-lhes a escondidas. Lucius tinha estreitado fortemente a seu filho e este chorava em silêncio em seu peito.

— Se dúvida do amor de Severus por esse motivo, é como se duvidasse também do meu, Ayrton.

— Não, papai, não tanto faz… Eu sou o filho do homem que ama, para Severus não.

— Dou-te minha palavra que Severus te ama. Se tivesse visto no dia que nasceu, não duvidaria, nunca o vi tão feliz, e foi a primeira vez que sorriu com total sinceridade, te asseguro que foi o dia mais feliz de sua vida.

— Até que se apaixonou de Harry… então meu nascimento seguramente já não foi o dia mais feliz. E Harry tão tonto, não sabe aproveitar a sorte que tem!

— Você também não, se me permite o dizer… Deixa de ser tão orgulhoso, que eu quisesse ter sua sorte de poder ver, de abraçar e lhe dizer quanto o ama. Já não brigue tanto com ele, desfruta de seu pai, Ayrton.

Harry retrocedeu lentamente, e quando esteve seguro de que não podiam o descobrir, saiu correndo para as masmorras, com uma urgência na alma para estar junto a Severus. Não parou até chegar ao laboratório e abriu a porta sem sequer chamar.

Severus encontrava-se em frente a um caldeirão, algumas gotas de suor escorregavam pelo cenho franzido que lhe dava a intensa concentração que punha no que preparava.

Sem dizer nada, Harry fechou a porta e se lançou sobre seu esposo. Severus abriu os olhos com surpresa quando os lábios de Harry se uniram aos seus ansiosamente.

— Harry…

— Amo-te, amo-te, amo-te! —exclamou Harry abandonando os lábios de seu esposo para beijar-lhe o rosto por completo. — Quero estar contigo, me perdoa por tudo, já não quero mais dúvidas!

— Isso… isso quer dizer que me perdoou? —perguntou incrédulo.

— Todo está esquecido! Tudo, tudo, Severus! —assegurou abraçando-lhe com força. — Agora quero que me faças o amor como antes… Te preciso, amor!

Severus voltou a sentir-se beijado com toda a fogosidade que tinha ter saudades por cinco anos. Olhou acima do ombro de Harry o caldeirão com uma substância escura a ponto de ebulição.

— Esquece essa poção. —pediu Harry compreendendo a inquietude de seu esposo. — Amanhã preparará outra, mas agora quero que vamos a nossa habitação e que me ame com força… Me ama, Severus!

O professor jogou uma última mirada ao caldeirão, e em seguida sustentou a Harry entre seus braços para conduzir a sua habitação… de todos modos a poção tinha voltado a ser uma falha, mais de sete anos fazendo tentativa depois de tentativa e sempre era o mesmo, teria que voltar a começar, mas isso não o fatigava. O importante agora era que acabava de recuperar o amor de seu esposo.

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Nota tradutor:

Hummmmmmmmmmmmmmmmmmm

Que bom que voltaram!

Bora comentar?

Vejo vocês nos reviews!

Ate breve.