Capitulo dezoito
Acontecimentos inesperados.
Harry respirava e arquejava ruidosamente, já nem sequer recordava que assim se sentisse fazer o amor, mas era maravilhoso. Todo um prazer sentir as mãos grandes de seu esposo lhe acariciar todo o corpo.
E Severus também atuava muito ansioso, tinham passado demasiados anos sem provar a pele de Harry que agora não sabia por onde começar nem que tinha estranhado mais. Ainda que sem dúvida em onde se demorou mais tempo foi engolindo com a masculinidade de seu esposo dentro de sua boca. Lambia, sugava e mordia com toda a prudência que era capaz. No entanto, teve que se frear antes de se sentir satisfeito, ambos estavam tão excitados que se não tinham cuidado poderiam terminar antes de tempo.
Para o mais velho foi um deleite levar seus dedos à entrada de Harry e ter que o preparar como se fosse a primeira vez. Olhou apaixonado para o rosto de seu esposo, compreendendo que em todos esses anos não tinha tido nenhum outro na vida de Harry, este lhe sorriu sabendo o que passava pela mente de Severus.
— Não ia permitir que ninguém me tocasse… te prometi e só você, Severus, pode me tomar.
O rosto do Professor se ensombreceu ligeiramente, pelo que Harry se apoiou sobre seus cotovelos para lhe acariciar o rosto com todo o amor que sentia por ele.
— Não posso pretender que todo mundo sinta como eu… Juro que não me importo o que fizeste esses cinco anos, o único que quero é que a partir de hoje, seja eu o único em sua vida.
— Prometo, Harry, não voltarei a te falhar!
Harry sorriu assentindo e voltou a recostar-se. Severus soube-se o homem mais afortunado do mundo e nesse momento esteve seguro que jamais voltaria a provocar nenhuma dor em seu adorado rabisco, a quem amava profundamente. Terminou de prepará-lo, e com todo o cuidado do mundo, colocou seu membro em posição para se ir adentrando lentamente.
Um gemido de prazer brotou por ambas gargantas. Severus mal podia se conter ao sentir seu membro tão apertado na cálida cavidade. Apoiou-se sobre seus cotovelos a um lado do corpo de Harry, este mantinha os lábios e pálpebras apertadas, sentindo novamente a dor de uma primeira vez. O professor esperou pacientemente, ainda que morria-se por mover-se e investir com força deixando-se levar pelo desejo imenso que tinha.
Ao cabo de uns minutos, os músculos faciais de Harry foram relaxando-se, e posterior a um breve sorriso, rodeou a seu esposo com braços e pernas, dando-lhe a permissão para possuí-lo com força.
Em um princípio, Severus tentou ir-se lento, mas ao ver que Harry arqueava as costas ante o prazer que sentia sendo seu próstata roçada na cada movimento, foi acelerando suas investidas. O suor fez-se presente, ambos não deixavam de se mover fazendo mais profunda a penetração.
O melhor momento de tudo, foi quando Severus viu um par de lágrimas abandonar os olhos verdes que lhe olhavam apaixonados… Soube que não eram de dor, que um prazer quase sobre-humano se tinha apoderado de seu esposo, e que o amor que se sentiam os enchia da felicidade necessária para chorar por isso.
Nunca em sua vida se sentiu tão apaixonado, tão comprometido em fazer que seu esposo se convertesse no ser humano mais ditoso do planeta. Não se deteve, ainda que o cansaço o pressionava, sacou forças do nada para prolongar o gozo de Harry, até que ao final, o jovem se arqueou emitindo um som gutural enquanto ejaculava copiosamente na mão que estava lhe acariciando.
Um par de investidas mais e Severus inundou o interior de Harry provocando-lhe uma nova convulsão de prazer. O moreno de olhos verdes não deixou de abraçar, ainda que com menos força, e protestou infantilmente ao sentir como seu corpo foi libertado, no entanto, adorou perceber a umidade que era regada entre suas pernas com a saída de Severus.
O Professor deixou-se cair a um lado, totalmente exausto ainda que mais satisfeito do que tinha estado jamais em sua vida. Mesmo assim, rodeou a Harry pelo quadril quando este se montou sobre seu esposo, lhe abraçando com adoração e aproveitando que seus rostos estavam tão perto que lhe olhava como se fosse a oitava maravilha do mundo.
— Amo-te. —lhe sussurrou depositando um suave beijo na bochecha de seu esposo. — Fui um tonto ao permitir que nos separássemos por tantos anos… Perdão por te ter afastado de seu filho, Sev, isso é algo que não devia fazer por mais problemas que tivéssemos.
— Comecemos desde zero de acordo? Proponho-te que já não falemos mais do passado e doravante nos concentremos em construir nosso casamento a partir deste dia.
— De acordo, ainda que quisesse poder compensar-te um pouco ao ter-te privado da terna infância de Anthony.
— Bom, acho que há algo que sim gostaria.
— Que? Diz e prometo-te que o farei.
— Gostaria que tivéssemos outro bebê… seria perfeito de uma menina agora.
Harry guardou silêncio uns segundos e ao notá-lo, Severus buscou sua mirada, preocupado por pensar que a ideia não fosse do agrado de seu esposo.
— Não quer?
— Por suposto que quero, seria maravilhoso terminar de formar nossa família. —respondeu incorporando-se para ficar ajoelhado junto a Severus. — Eu te prometo que teremos um bebê como quer, mas me dá um tempo antes de engravidar. Primeiro quisesse ter a segurança de que nossa filha sim chegará a um mundo normal.
— Segue com essa ideia?
— Não sei… tão só quero estar seguro. E isso me recorda que não me chegou o aviso de minha transferência a este Ministério, ainda que o que mais me intriga é que ninguém tenha respondido a meu aviso solicitando babá, acho que terei que enviar outro.
Harry voltou a recostar-se junto a seu esposo, abraçando-lhe calidamente. Severus lhe beijou na testa dantes de pensar que seria demasiado suspeito voltar a cancelar o anúncio… tinha que criar uma nova forma de evitar a chegada de uma babá a suas vidas, e já cria saber como.
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Uns minutos mais tarde, Harry e Severus chegavam às habitações de Remus e Draco para recolher a Anthony. De imediato, a alegria que irradiavam foi percebida por todos, inclusive pelo pequeno menino quem correu aos braços de Harry. Este se surpreendeu um pouco, pois desde que estavam com Severus, o professor tinha preferência para ser a quem se lançasse o menino.
— Acho que já podemos deduzir porque precisavam uns minutos a sós. —debochou-se Draco adivinhando o que tinham feito.
— Não se intrometa, Malfoy. —grunhiu Harry corado até as orelhas.
— Obrigado por cuidar a Anthony, não quiséssemos lhe dar tantas moléstias.
— Nem mencione-lo, Snape. —respondeu Remus. — Anthony é um menino bem portado, é um gosto o cuidar quando o precisem.
— De qualquer maneira não quero abusar. —assegurou Harry. — Amanhã porei de novo um aviso para solicitar babá, após tudo, daqui a pouco regressarei a trabalhar.
Severus pôs toda sua habilidade como espião para não mostrar seu desacordo com a ideia, conseguiu que ninguém descobrisse seu verdadeiro sentir ao respeito. Depois de voltar a agradecer a ajuda de seus amigos, saíram para o corredor com rumo às masmorras. Ao chegar a suas habitações, descobriram a Ayrton esperando-lhes pacientemente apoiado na parede do corredor.
— Ayrton, que sucede, porque não entra?
— Quisesse falar contigo a sós… pode?
Severus sentiu um grande regozijo na alma ao notar a voz de seu filho sem nenhuma impressão de rancor e aceitou sua proposta. Harry sorriu timidamente ao garoto antes de entrar à habitação junto com seu filho. Apesar de que podia entender seus ciúmes por ele, não gostava no de absoluto saber que podia guardar rancor para Anthony, sobretudo quando o menino era o menos culpado de tudo.
Ayrton quase nem tinha-lhe posto atenção a Harry, ainda que respondeu com o mesmo curto sorriso que este lhe enviou, e ao pequeno Anthony lhe ignorou por completo, não volteou ao olhar nem sequer quando o menino exclamou seu nome com alegria ao passar a seu lado, no entanto, Harry se ocupou de distrair a seu filho lhe fazendo saltar em seus braços para que não se desse conta da frialdade do filho de Malfoy.
— Falei com papai esta tarde. —começou Ayrton enquanto caminhavam pelos solitários corredores. — E sei que foi você quem lhe mandou chamar.
— Está molesto por isso?
— Em realidade alegrou-me vê-lo… Jogo-lhe muito de menos. —confessou detendo no arco de uma porta, recargando suas costas sobre o muro para olhar de em frente a seu pai. — Às vezes quisesse ir-me com ele, é possível tomar classes privadas não?
— Isso quer?
Severus não pôde ocultar a desilusão ao o escutar, se seu filho se marchava já não poderia o ver mais. Ayrton tirou a fita que mantinha seu loiro cabelo sujeito em sua nuca e massageou suas têmporas movendo a cabeça de um lado a outro.
— Não, isso não gostaria a ele pese a que sei que também quisesse ter a seu lado… não como você.
— Quem diz isso?... Não é verdadeiro, Ayrton, eu te quero junto a mim sempre.
Ayrton assentiu em silêncio. Severus aproximou-se mais a ele ao ver com o nariz rosada e um brilho triste saindo de seus olhos.
— Tem chorado?... Ayrton, amor, que passa?
— Estou assustado. —respondeu respirando fundo, Severus notou que fazia um grande esforço por não chorar. — Papai, sinto-me muito alterado nas últimas semanas, não sei bem que me passa, por isso quero te pedir um favor.
— O que queira, Ayrton.
— Não faça muito caso do que digo, às vezes as palavras saem de minha boca sem me dar conta… Me porto mau, e pese a que sei que isso te molesta, com mais razão o faço. Lamento-o, não posso o evitar, é algo para além de meu próprio entendimento.
— Que quer dizer com isso?
— Que não quero que me odeie ainda que faça coisas más.
— Eu não poderia te odiar. —respondeu firmemente, e terminando de acurtar a distância, abraçou a seu filho, sentindo lhe ainda tenso. — Fez, o que fez, Ayrton, não te odiarei nunca.
— Tentei lastimar a Anthony.
Essas palavras impactaram a Severus, não soube que dizer, pois jamais se imaginou semelhante confissão por parte de seu filho. Ayrton, com o rosto escondido no peito de Severus, apertou com força suas pálpebras sentindo a incomodidade do Professor.
— Agora sim me odeia verdade? —perguntou atemorizado.
— Não, claro que não!... Mas explica-me, Porque dizes que quiseste lastima-lo?
— A outra noite, surpreendi-o no corredor, usei minha magia para assustá-lo manipulando sua vassoura de brinquedo… e destruí-a.
— Foi você? —perguntou assustado, Harry tinha-lhe confiado tentando encontrar uma explicação, e ainda que o professor não estava conforme com a teoria de Draco, decidiram a dar por fato antes de pensar que tivesse algum problema como o que realmente tinham. — E qual foi a intenção?
— Estava molesto… A mim não me quiseste assinar a permissão para quidditch, e a ele, em mudança, lhe compraste essa vassoura.
— Mas… ainda guardava esse rancor por mim?
— Lamento.
— De acordo. Escuta, não lhe diremos nada a ninguém, não tem caso, mas quisesse que doravante, quando se sinta furioso por algo, venha a mim… Pode desquitar-te comigo da forma que queira, mas não lastime a ninguém mais, evita problemas.
Ayrton assentiu aceitando a proposta. E ainda que o garoto já tinha onze anos, e em altura bem podia passar por um de terceiro, Severus lhe levantou do chão lhe abraçando com mais força, decidido a dar a vida por qualquer um de seus filhos. Ayrton sorriu sentindo-se tão bem nesse momento, gostava de seguir sendo tratado como o menino consentido de seu papai.
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Nos dias seguintes foram de relativa calma, ainda que a relação entre Harry e Ayrton era somente por pura educação. Harry tentava não tomar muito em conta as miradas receosas que o garoto enviava a seu meio irmão, mas lhe era impossível não se enfadar quando o pobre Anthony recebia algum desprezo, por muito subtil que fosse.
Não quis lhe comentar nada a Severus para não causar mais problemas dos que já tinha, mas agora via a Ayrton tão diferente ao menino que tinha conhecido em uns anos atrás. Pensava que quiçá se estava deixando influenciar pelo trato a seu filho, mas mesmo assim, lhe increpava presencia-lo.
Essa tarde de sábado, por fim tinham citado às candidatas a babás para Anthony. Harry encontrava-se sentado depois da mesa do despacho de Severus presidindo as entrevistas. Severus e Anthony também estavam presentes, mas em um cadeirão apartado.
Uma a uma, foram passando as aspirantes, e quando Harry cria ter encontrado à ideal, Severus sempre encontrava um terrível defeito que não podia passar por alto, e quando não sucedia isso, passavam à terceira prova… ver como se levavam com o menino.
Surpreendentemente, Anthony nada mais as via por um segundo e em seguida se pendurava do pescoço de Severus chorando como se tivesse a um monstro tentando o assassinar… Por suposto, também ficava descartada.
— Pois já não se me ocorre que mais fazer. —suspirou Harry quando se marchou a última garota em busca do emprego, Anthony ainda gemia assustado. — Talvez deva buscar entre os estudantes a alguém disposto a tomar o trabalho.
— Não acho que queira deixar ao menino a cargo de outro menino. —comentou Severus acariciando as costas de seu filho em tranquilizadores círculos. — E os mais maiorzinhos têm muito que estudar para se distrair.
— Então propõe algo, Sev, não tenho ideia de porque Anthony não se sente a gosto com nenhuma babá… Não batalhei tanto na Índia.
— Melhor espera um pouco, agora ele está contente conosco.
— Mas não posso esperar muito, já quero começar a trabalhar. Em fim, voltarei a pôr outro anúncio no Profeta, e inclusive acho que também o farei no Pasquim.
Harry suspirou resignado a que a vida se lhe complicava, entrou ao banheiro a refrescar-se. Então Anthony separou-se de seu pai secando-se as bochechas.
— Fiz-o bem? —perguntou emocionado.
— Perfeito, carinho!
— Está seguro que papai não se enojará se nos descobre?
— Pode ser que um pouquinho, mas eu me jogarei toda a culpa se chega a passar, ainda que não acho que devamos nos preocupar, não nos descobrirá… este será nosso segredinho, campeão, vamos conseguir que papi fique conosco um tempo mais.
— Sim, isso quero também… não gosto de estar sozinho.
— Não te deixarei só nunca, e se seu papi se enoja te juro que renuncio a meu emprego e que Harry me empregue como seu babá.
Anthony assentiu divertido, apesar de todo lhe entusiasmava compartilhar uma travessura com seu pai, também não queria que Harry regressasse a trabalhar tão cedo, recordava as tardes só com sua babá em sua casa da Índia e isso era algo que não queria voltar a experimentar.
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A essa hora, no hospital onde Draco trabalhava, o jovem loiro fazia uma inesperada descoberta. Apesar de que já tinha decidido aceitar a proposta de Remus de engravidar, ainda não tinham fixado uma data… por isso lhe resultou surpreendente saber que a causa de seus mal-estares era que esperava seu primeiro bebê.
As mãos tremiam-lhe quando as levou a sua boca com algo de nervosismo, mas muita emoção, nunca se imaginou se sentir tão feliz, mas agora ele era.
Ainda não tinha tido o tempo suficiente para o assimilar quando uma enfermeira entrou ao consultório onde estava para lhe avisar que já lhe esperavam na área de operações. Draco apressou-se a guardar em sua gaveta o resultado do laboratório, assim que terminasse seu turno correria a mostrar-lhe a Remus.
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Severus aproveitou que Harry cuidava já de Anthony para dirigir a seu laboratório, ainda tinha alguns experimentos pendentes de realizar. E por um par de horas concentrou-se em obter os resultados desejados.
Não sabia quanto tempo tinha decorrido quando sentiu a porta se abrir, até então se deu conta que tinha esquecido acender as luzes, e o brilho das tochas calou em seus olhos. Harry chegou até ele lhe rodeando pela cintura.
— Trabalha demasiado, amor, nem sequer foste a jantar.
— Já é tão tarde?... Sinto muito, não me dei conta da hora.
— Não pode deixar isso que faz para mais tarde?
— Não, já o pospus muito, gostaria de terminá-lo de uma vez.
— E de que se trata?
Harry assomou-se sobre o caldeirão para ver o líquido escuro borbulhando. Severus emitiu um meio sorriso, poderia dizer-lhe qualquer coisa e Harry a creria, sua desconhecimento em poções podia finalmente estar de seu lado.
— É o vitamínico para Ayrton, não gosta muito do sabor e quero o melhorar.
— A Anthony não lhe dá nada… é que talvez Ayrton está doente?
— Não, para nada, mas desde sempre lhe temos dado e lhe dá forças para crescer são.
— E nota-se-lhe, é um garoto muito vivaz.
— Sim, e quero que siga o sendo, por isso preciso que goste a poção.
Harry assentiu, e fez-se a um lado para deixar-lhe continuar. Severus olhou-lhe agradecido por seu entendimento.
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Draco não podia o crer, justo quando já ia para sua casa, uma emergência fez reunir a todos os residentes do hospital, tiveram que se repartir o trabalho. O prestígio de Draco sempre tinha sido muito bom, pois desde que começasse sua carreira se lhe via muito comprometido com seus estudos, ao grau de que enquanto seus colegas mal faziam algumas práticas, a ele seus superiores já lhe davam a confiança de deixar a cargo de seus próprios pacientes. Por esse motivo a ele lhe tocou atender a um jovem que não devia passar de vinte anos, tinha uma profunda ferida no abdômen causada por um bicórneo durante uma expedição junto a vários outros jovens de sua mesma idade.
Depois de realizar-lhe os exames necessários, Draco compreendeu que era necessário lhe operar, pois tinha algumas artérias destroçadas e se não as consertava o quanto antes, o garoto morreria irremediavelmente.
Sentia-se fatigado, mas ademais, muito ansioso por terminar já o turno, não deixava de pensar no bebê que tinha no ventre e já lhe parecia que tinham passado séculos desde que se inteirasse e ainda não tinha oportunidade de lhe o dizer a Remus.
Estava em plena cirurgia quando recordou a seu esposo e sua ilusão por ter um bebê, não pôde evitar o imaginar rindo feliz quando lhe desse a notícia, e até seu coração batia mais forte ante as cenas que apareciam em sua mente, com toda segurança se iriam festejar o toda a noite, então se esqueceria por completo do cansaço.
— Doutor? —escutou que alguém lhe chamava, mas era demasiado lindo sonhar com Remus para pôr muita atenção. — Doutor! —insistiu aquela impaciente voz feminina. — Que está fazendo?!... Sangramentos!
Draco acordou então de seu devaneio, olhou a seu ao redor a onde as enfermeiras das operações e demais ajudantes lhe olhavam impactados. Olhou suas mãos apoiadas no corpo do jovenzinho, tinha deixado a um lado a varinha e abandonado seu labor enquanto o sangue seguia correndo.
Aterrorizado por isso, Draco reagiu, empregou todos os feitiços que sabia, mas já nada parecia ser capaz de deter o sangramento, algo tinha atuado como anticoagulante e não tinha tempo de averiguar o motivo. Nem sequer utilizando as mais inovadoras técnicas que ele mesmo tinha pesquisado e perfeiçoado nos últimos meses podia conseguir nenhum resultado. Mais pálido que nunca viu como uma vida se escapava em suas mãos sem poder fazer nada para o evitar. Qualquer coisa que se lhe ocorria resultava inútil.
Pouco a pouco as pessoas que o rodeavam foram se dando por vencidos, já não se via nenhum sinal vital nos monitores, mas o loiro continuava lutando, seguia tentando feitiço atrás de feitiço… chegou no ponto de meter suas próprias mãos ao corpo de seu paciente, o tinha visto em algum documentário muggle e aunado a seus próprios conhecimentos, dava massagem diretamente ao coração. Os presentes exclamaram uma expressão de horror ante semelhante demonstração de barbaridade, isso não era nada digno de um medimago profissional.
Finalmente uma enfermeira conseguiu condoer-se da expressão afligida de Draco, colocou uma mão em seu ombro para que se rendesse, e ainda que o loiro a recusou ao instante, uns poucos minutos depois teve que o admitir… seu paciente acabava de morrer devido a sua distração.
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Alheios a isso, Harry não deixava de admirar a dedicação que punha Severus para conseguir o melhor sabor na poção que realizava.
— Sev… não quisesse te estragar no dia, mas, em umas semanas mais começarão as férias de inverno não tem pensado que Ayrton queira ficar contigo?
— Não creio, ele decidiu que nesses dias os passará com Lucius. Porque pergunta?
— Porque escutei que Dumbledore pensa fazer alguns festejos Natalinos e que vários dos amigos de Ayrton ficarão… não se preocupa que queira te pedir sua autorização para ficar?
— Espero que não, mas em todo caso lhe direi que fale com Lucius. Não se preocupe, ainda não quero lhe dizer nada a Ayrton e sempre terá um modo para que não se inteire que renunciei a seu custodia totalmente.
Um ruído fez-lhes girar a cabeça para a porta que conduzia ao despacho. Severus perdeu a pouca cor de seu rosto ao ver a Ayrton no quício, olhando com o ódio mais intenso que jamais antes olhasse nesses olhos. Deu um passo para ele, mas isso desatou mais a ira do garoto, os frascos das estantes começaram a tremer.
Harry olhou aquilo com temor, era um poder muito imenso o que estava fazendo rugir as madeiras, inclusive cadeiras e mesas se estremeciam como se estivessem a ponto de estalar em milhares de gravetos. Inconscientemente levou sua mão a sua varinha. Severus quis acercar-se a Ayrton, mas este parecia estar rodeado por uma força que o impedia, nesse momento se deu conta da reação de Harry e sentiu que a alma se lhe escapava do corpo.
— Harry, que faz?!
Mas este não respondeu, seguiu mantendo sua varinha em tensão enquanto olhava a seu ao redor sem saber que fazer para parar aquilo. Severus achava que o coração paralisava lhe vendo a seu esposo a ponto de pôr-se formalmente em guarda… era seu pesadelo feito realidade.
— Pare, Ayrton, por favor! —suplicou desesperado.
Mas o garoto não lhe escutava, e foi questão de olhar o caldeirão com a poção que preparava para que Severus soubesse que seria o primeiro em explodir. De um salto chegou até Harry para cobrir com seu corpo, justo a tempo pronunciou um feitiço invocando um escudo que lhes mantivesse longe do líquido.
No momento em que a poção saía espalhada por todos lados, um grito infantil chegou até os ouvidos de Harry lhe partindo o coração… olhou para a porta, onde seu pequeno Anthony tinha sido atingido pelo conteúdo do caldeirão.
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Nota tradutor:
Mas o que esse menino tem heinw? Ta sempre com ódio de alguém... -_-
Mas vamos para os comentários?
Vejo vocês nos próximos capítulos
Ate breve
