Capitulo dezenove
Alma dolorida
Severus rompeu o escudo. Harry pôde então correr para seu filho, ajoelhou-se em frente a ele sentindo que a alma se lhe rompia ao o ver chorar assustado, nem sequer se atrevia ao tocar, algumas partes de seu pijama com desenhos de pégasus tinha ficado destroçada e sua pele luzia enrijecida. O menino, em mudança, assim que viu-o lançou-se a abraçá-lo fortemente.
— Severus! —gritou Harry assustado por não saber que fazer, olhou para atrás em busca de seu esposo e o primeiro que viu foi a Ayrton se sustentando a cabeça com suas duas mãos, também estava chorando. Seguiu buscando e encontrou a Severus removendo desordenadamente os frascos caídos de uma repisa, finalmente tomou duas deles, suspirou ao ver não se tinham rompido e correu para onde estava Harry com seu menino.
O Professor abriu um pequeno tubo de ensaio que continha um líquido azul claro e lhe fez beber a seu filho. Quase de imediato Anthony minguou seu pranto para dar passo só a uns quedos soluços.
— Harry… —chamou-lhe Severus, tentando manter a cabeça fria nesse momento, ainda que doía-lhe demasiado ver a seu esposo com o sofrimento e a angústia em seu olhada. —… Amor, tranquilo. Anthony está bem, não tem dor e não tem sofrido feridas graves, tão só está assustado.
— Para valer?
— Unta isso. —pediu dando-lhe um tarro médio. — É um creme que lhe vai ajudar muito, com isso será suficiente.
— Não acha que deva o levar a St. Mungo?
— Não é necessário, Harry, te prometo que estará bem… Em uns minutos ficará dormido e amanhã acordará sem nenhuma impressão de nada.
Harry apertou a Anthony contra seu peito, podia escutá-lo respirar mais tranquilo, e inclusive já mal tinha um que outro suspiro, mas mesmo assim não se sentia tranquilo. Ia insistir com a ideia de levar ao menino ao hospital quando um ruído lhe fez girar a cabeça. Ayrton tinha caído de joelhos, ainda se apertando a cabeça e agora respirando agitado.
— Ayrton! —gritou Severus correndo para ele, mas antes de que pudesse o tocar, o garoto retrocedeu violentamente.
— Não me toque, te odeio!
— Pode odiar-me tudo o que queira, mas tem que permitir que te ajude.
— Não preciso de ti, não já é meu pai!
Remus e Dumbledore entraram nesse momento, a porta tinha ficado aberta depois de que Anthony entrasse, de modo que atingiram a escutar os gritos do garoto Malfoy. No entanto, assim que viram a Harry sustentando a Anthony, Remus apressou-se a ajoelhar a seu lado.
— Que sucedeu?... Estava com Dumbledore quando se acionaram os alarmes.
— Remus, acompanha-me a St. Mungo, por favor… Algo da poção lhe caiu em cima e quisesse me assegurar de que Anthony esteja bem. —pediu Harry preocupado.
— Sim, iremos todos. Ayrton está bem?
— Eu não preciso de nenhum de vocês! —vociferou furioso, mas a dor de sua cabeça incrementou-se de tal maneira que seus músculos terminaram de afrouxar, fechou os olhos perdendo o conhecimento.
Severus atingiu a sustentar a seu filho. Olhou para Harry quem já se punha de pé com Anthony em braços, sabia que não ia poder o convencer de que o menino estava bem.
— Lupin, acompanha a Harry a St. Mungo, por favor.
— Não pensa levar a Ayrton também? —interveio Dumbledore intrigado.
— Ayrton tem seu médico de cabeceira, o levarei com ele e depois me reunirei com vocês.
— Há algo que temos que saber da poção que caiu sobre Anthony?
— Não… nada. –respondeu Severus depois de um segundo de silêncio. — A pele não a absorve, não há nada que dizer.
Severus permitiu que todos se marchassem primeiro a St. Mungo, e depois, com seu filho em braços, atravessou a lareira com rumo ao consultório do medimago encarregado da saúde de Ayrton.
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Não sabia quanto tempo tinha passado, mas uma eternidade lhe parecia pouco em comparação com o que tinha que esperar para poder conhecer o diagnóstico do medimago de Ayrton. Severus passeava de um lado a outro da pequena sala de espera, não tinha ninguém mais, e nem sequer pôde entreter-se olhando os peixinhos multicolores do grande aquário embutida na parede… Ao invés, o som supostamente relaxante do despachador de borbulhas o desquiciava, e esteve a ponto de arrojar uma cadeira contra o cristal.
A chegada de Lucius fez-lhe esquecer seus pensamentos "pessimistas". Tinha-lhe chamado desde a lareira dessa salinha, mas nunca pôde o encontrar, de modo que lhe deixou mensagem em seu despacho pessoal.
— Que foi o que passou? —perguntou o loiro acercando a seu amigo. — Avisaram-me de um acidente mas não me deram mais detalhes. —concluiu preocupado, e jurando-se a si mesmo que despediria aos ineptos que não lhe tinha comunicado em seguida do chamado de Severus.
Severus assentiu e convidando-lhe a sentar-se enquanto esperavam a chegada do medimago, contou-lhe o sucedido em seu laboratório. Lucius a cada vez estava mais pálido, e não teve tempo de lhe perguntar pelo outro filho de Severus, pois a porta que conduzia ao consultório e sala de exploração se abriu. Um homem alto, moreno, que eles conheciam muito bem, cruzou uma mirada com seus amigos.
— A magia de Ayrton está muito descontrolada. —comunicou, depois de um breve saúdo de cortesia. — Isso não está bem, se supõe que você, Snape, te encarregava da manter em equilíbrio.
— Isso soou a um reproche? —interveio Malfoy franzindo o cenho. — Escuta bem, Ackerman, que seja o medimago de Ayrton não te dá direito a intervir desse modo, encarrega de seu trabalho como sempre e nos diga que passará com meu filho.
— Pelo cedo precisa descansar. —respondeu evitando a mirada escura que lhe via com enojo, mas se contendo de dizer algo mais. — Encontra-se dormindo nestes momentos, tenho-lhe sedado para que já não tenha dor, e quando acorde precisará em uns dias de relaxação completa se queremos que se recupere normalmente.
— Podemos vê-lo?
O medimago assentiu, e ambos homens entraram para o consultório, e daí atravessaram uma porta que conduzia por um pequeno corredor à única sala de hospitalização com duas camas somente, em uma delas se encontrava Ayrton, mas ainda dormido, se removia ligeiramente e seus músculos faciais estavam algo contraídos.
— Não faça caso do que disse esse inútil. —assegurou Malfoy quando o médico saiu lhes deixando sozinhos. — Sei que tens feito tudo o que está em suas mãos.
— Sim, mas, olhando-lhe assim, acho que não tem sido suficiente.
— Não te pressione, se porá bem.
Lucius notava como Severus nem sequer se atrevia a se acercar demasiado a seu filho, mas sua mirada estava repleta de preocupação. Não pôde se conter, tinha passado demasiado tempo sem o ver, e agora lhe parecia tão vulnerável, algo tão raro no moreno, que seguir atuando como um amigo lhe foi impossível… após tudo, tinham a Ayrton em comum.
Algo temeroso acurtou a distância para o abraçar, se surpreendendo tanto de seu medo por algo que antes podia fazer com mais normalidade, como pelo fato de que Severus não se movesse para o recusar. Um suspiro brotou de sua garganta quando voltou a sentir o calor do corpo do moreno colado ao seu, e apaixonado, colou sua bochecha à do outro homem.
— Eu lhe cuidarei agora. —lhe sussurrou ao ouvido. — Sei que morre por ir ver a seu filho, Severus… te prometo que qualquer coisa que passe te notificarei de imediato.
— Sim… realmente te agradeceria muito que o fizesse.
— Bem, vá com sua família. E sabe?... pode ser um comentário infortunado neste momento, mas fez-me muito feliz ver-te de novo.
Severus separou-se ao ser consciente da emoção que tinha na voz de Lucius ao o abraçar, não queria nenhum mal entendido que arruinasse sua vida… também não queria seguir lastimando a ele, pois não o merecia.
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Ao chegar à habitação onde Anthony estava hospitalizado, Severus olhou enternecido como Harry penteava retirando da testa os cabelos de seu filho, este dormia profundamente e parecia estar bem. Ao escutar que alguém entrava, Harry voltou a olhar, e depois de dar um beijo na cabeça a seu menino, foi para seu esposo, lhe abraçando carinhoso.
— Como está? —perguntou Severus correspondendo ao abraço.
— Tal como disse, está muito bem, mas os medimagos asseguraram que era melhor que continuasse dormindo, já amanhã poderemos o levar de regresso a casa.
— Alegra-me sabê-lo, e também te ver mais tranquilo.
— Sinto muito não ter confiado plenamente em ti, mas é que qualquer coisa relacionada com Anthony me afeta demasiado.
— Não se preocupe, me acostumei a essa desconfiança. —caçoou.
— Prometo-te que não o volto a fazer. —afirmou levantando o rosto, apoiando seu queixo no peito de seu esposo.
— Não te creio, mas fingirei que sim.
— Sabe? Os médicos que atenderam a Anthony disseram que era surpreendente que não tivesse dano algum, estavam muito interessados no unguento que me deste para nosso menino, asseguram que deveria falar com eles ao respeito e lhes proporcionar a fórmula.
— Em sério?... não sabia que solucionar os problemas que causava tanta explosão de caldeirões durante o tempo que tenho de ensinar a alunos como Longbottom, me levaria a criar algo importante.
— Então Neville deveria levar-se um pouco de crédito. —caçoou.
— Nesse caso, também você, torpe rabisco.
— Eu?... eu jamais fiz explodir caldeirões.
— Ah não? Quer que te recorde de certa bengala que caiu em um caldeirão de Slytherin durante seu segundo ano para que depois desaparecessem ingredientes de meu armazém privado.
— Ups.
— Em realidade, carinho, creio recordar que a queimadura de Goyle nesse então foi o que me impulsionou a começar a criar um melhor tratamento para os alunos.
— Bem, mas não se preocupe, tão só pedirei o cinquenta por cento dos ganhos pela fórmula.
Severus sorriu pelo bom humor que notava em seu esposo, gostava de saber que tinha conseguido algo bom para ele e para seu filho. Harry tomou Severus da mão conduzindo para um cadeirão reclinável muito cômodo, aí ambos se recostaram, Harry apoiando suas costas no peito de seu esposo, se sentindo muito relaxado quando este lhe rodeou pela cintura calidamente.
— E Albus e o inútil de Lupin? —perguntou Severus. — Supõe-se que te acompanhariam.
— Pedi-lhe a Dumbledore que se marchasse, não tinha caso que ficasse mais tempo se Anthony estava bem. Quanto a Remus, pois a verdade não sei que passou com ele. Disse que iria buscar a Draco para que viesse, mas não regressou… provavelmente Draco quis ir visitar a Ayrton, após tudo são irmãos. E a propósito… Como está ele?
— Deixei-o dormindo, Lucius me avisará de novidades. Obrigado por perguntar.
— De modo que viste a Malfoy.
— Tive que lhe avisar, que não se te esqueça que também é pai de Ayrton. Espero que não esteja molesto por isso.
— Não, claro que não… é só que, me inquieta muito saber quando tem estado cerca dele.
— Harry, já sabe que eu te amo só a ti.
— Sei-o, mas também sei que ele te quer para valer. Escutei-o em um dia. —confessou-lhe recordando a conversa que tinha tido o loiro com seu filho. — Sempre achei que o de vocês era atração, mas me equivoquei… Malfoy te ama.
— Isso não muda nada.
— Para mim sim. Vejo a Malfoy e vejo a um tipo maduro, atrativo, elegante, poderoso e muito inteligente e então não sê porque te apaixonaste de mim e não dele.
— Deixa de dizer essas coisas ou pensarei que quem se apaixonou de Malfoy é você.
— Não caçoe. —pediu girando um pouco seu corpo para abraçar-se mais de seu esposo. — Perdi-te uma vez, Sev, e não quero te perder de novo.
— Impossível que isso passe.
Severus tomou o queixo de seu esposo para fazê-lo levantar o rosto e beija-lo. Harry correspondeu ao instante, era feliz de saborear a cada beijo de Severus, de senti-lo tão apaixonado como ele, e por minutos trocaram pequenas sucções e gemidos prazerosos, até que tiveram que parar por um ruído no corredor. Sorriram-se dantes de voltar a acomodar-se tranquilamente no cadeirão. Ambos olhando para a cama onde seu filho dormia.
Harry sentia-se contente, nada melhor que saber que tudo estava bem quando fazia tão pouco achou que uma tragédia podia transtornar a vida de seu filho. Severus também se sentia tranquilo por Anthony, mas não podia deixar de pensar em seu outro filho… o filho que mais lhe preocupava.
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Remus arquejava cansado, tinha corrido sem parar desde as portas do colégio até esse lugar especial. Sabia que aí poderia o encontrar, estava muito agoniado por seu corajudo loiro… ainda não conseguia assimilar a notícia com a que se encontrou no hospital quando perguntou por seu esposo.
A chuva começou a cair e alguns relâmpagos alumiavam seu caminho que rapidamente foi enlodando-se. Isso não se importou, continuou correndo até a colina que contiguo com o lago.
Quando a luz do raio lhe ajudou a ver a figura agachada entre as duas árvores creu ter retrocedido no tempo, novamente tinha em frente a ele ao garoto tentando ocultar seu desvalides ante o mundo.
Draco sentiu lhe chegar, mas contrário ao sucedido em uns anos atrás, agora abriu os braços em busca de consolo, seus olhos pareciam derramar mais líquido que a tormenta que já se desatava.
— Sempre tem que chover quando se sente triste? —perguntou Remus ocupando um lugar junto a seu esposo, fazendo-lhe recargar-se em seu peito para que sentisse seu calor e apoio incondicional.
— Fiz algo mau. —gemeu sem fazer caso de seu comentário ainda que agradeceu em seu coração a boa intenção de Remus de fazer-lhe uma pequena broma.
— Você é incapaz de fazer nada mau, e se te refere ao que passou no hospital…
— Sabe?
— Estive lá por um acidente que tiveram Ayrton e Anthony, mas não se preocupe, eles estão bem. —agregou ao notar que o loiro se apartava momentaneamente com uma expressão de angústia.
— Que passou?
— Depois falamos disso. Agora o importante é como se sente você.
— Fatal. —respondeu voltando a esconder seu rosto no peito do licantropo que em seguida se umedeceu de lágrimas. — Tenho cometido um erro que custou a vida a uma pessoa… a alguém demasiado jovem que não merecia morrer e tudo por minha culpa!
— Quer falar disso?
— É que não há muito que dizer, cometi uma negligencia ao distrair durante uma cirurgia… perdi tempo e quando reagi já não pude fazer nada.
— Sinto muito o que passou, Draco, mas suponho que qualquer médico chega a passar por um momento assim em sua vida… Sempre há uma primeira vez.
— Não! —negou aferrando-se furioso à túnica de seu esposo. — Não foi um erro, foi uma estupidez de minha parte, foi minha culpa!
— E daí vai fazer agora?
— Acho que o melhor é renunciar a St. Mungo… renunciar a ser medimago.
— Mas Draco, esse tem sido seu sonho sempre!
— Já não… meu sonho era ajudar, mas se não posso o fazer, e agora sei que não sou alguém capacitado para uma Profissão como essa, é melhor me retirar antes de alguém mais morra por minha culpa.
— Draco…
— Não me digas mais, Rem, tão só apoia nesta decisão… faz favor.
— Sempre contará comigo, pequeno, mas quisesse que o pensasse um pouco mais.
— Não, já o decidi e não regressarei a St. Mungo nem a nenhum outro hospital em minha vida.
Remus não disse nada mais e se limitou a abraçar a seu esposo, esperando que cedo recuperasse sua confiança, lhe sabia um bom medimago e não era justo que renunciasse a tudo por um só erro. Mas Draco já o tinha mais decidido do que Remus pensava, agora se sentia mais sujo que se tivesse elegido servir a Voldemort para assassinar.
Discretamente Draco levou sua mão a seu ventre e soluçou mais forte, dentro tinha a seu bebê, e aquela noite se suporia seria a mais feliz de sua vida… em mudança, agora não podia encontrar o valor para confessar a Remus o motivo de sua distração.
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Lucius acercou-se à cama de seu filho quando este abriu os olhos.
— Como se sente? —perguntou-lhe carinhoso, sentando a seu lado, ainda que Ayrton nem sequer volteou a olhar-lhe.
— Quero ir-me daqui.
— Ayrton, ainda é muito cedo, pode te ficar esta noite.
— Quero regressar a casa contigo.
— Severus comunicou-me o motivo de sua recaída, e acho que…
— Quero ir-me a casa! —gritou com uma força inesperada.
— Bem, talvez possa passar em uns dias comigo, o suficiente para que te reponha… quer que chame a seu pai?
Ayrton só grunhiu o negando e virou sua cabeça para o lado contrário. Lucius suspirou cansado, conhecendo a seu filho, esse não era o momento de insistir, mas já chegaria a hora, e se de algo estava seguro é que não queria que o garoto tivesse uma má ideia com respeito a seu pai.
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Tinham passado dois dias, Draco renunciou oficialmente a seu posto no Hospital, e passava as horas encerrado em sua habitação, ainda não se decidia a confessar a seu esposo seu estado de gravidez, ainda que sabia que tinha que o fazer cedo… de todos modos, a oportunidade de fazer em um dia esplendoroso e cheio de alegria já não era possível.
Quando Severus e Harry se inteiraram de seu problema, lhe expressaram seu apoio, mas ante a atitude deprimida do loiro decidiram o deixar tranquilo um tempo, após tudo, esperavam que cedo se recuperasse.
Ayrton continuava a cargo do cuidado de Lucius, e por uma permissão especial de Dumbledore, permitiu lhe permanecer em casa paterna até terminada as férias de inverno. Essa notícia tinha entristecido a Severus, jogava muito de menos a seu filho, mas decidiu dar-se tempo também, o melhor era ter as coisas em calma para quando o garoto retomasse seus estudos, tinha confiança em que quanto falassem poderia lhe explicar bem a situação e então entenderia.
Essas duas noites, Harry tinha-as passado junto a Anthony, pese a que o menino estava em perfeitas condições, inclusive recordava pouco do acidente, tinha voltado a rir e brincar como sempre. A terceira noite de que se dispunha a dormir junto a seu filho, Severus foi a recostar-se atrás dele, lhe cercando pela cintura com carinho.
— Nunca vais regressar a nossa cama?
— Claro, mas…
— Anthony está bem. —assegurou olhando como o menino dormia placidamente. — É só sua angústia de pai a que te mantém quase em vigília e deve o superar.
— Dá-me medo deixá-lo só, por isso tenho decidido que tens razão… Não regressarei a trabalhar.
— Fala em sério?
— Sim… claro que de todos modos buscarei uma governanta, já está a ponto de cumprir os seis anos e não quero enviar a uma escola com todos os perigos que pode correr, já seja no mundo muggle ou mágico.
— Harry, o sobre protege.
— Pois não vejo nada de mau no fazer, é meu filho e o protegerei sempre. Ademais, recorda que você também não queria que o deixasse sozinho. —Severus teve que admitir que era verdadeiro e assentiu. — Poderei permitir que esteja só até que me tenha convencido de que não corre nenhum perigo, e se Ayrton…
— Harry, não culpe a meu filho, por favor, o que passou…
— Sei que foi um acidente, Sev, não estou lhe culpando… pelo menos não diretamente. Mas tem que reconhecer que Ayrton está zeloso de Anthony e agora com bem mais razão o estará, quando regresse podem voltar a passar coisas como esta e não vou estar longe de meu filho se me precisa.
— Harry…
— Já não falemos mais disso, minha decisão está tomada e espero que a aceite. Sim?
— Bem, se fará como queira. Mas agora… não poderia voltar à cama comigo?
— Não pode esperar um par de dias mais?
— Pois não sei… como que tenho vontade de que esteja comigo justo agora.
— Severus! —exclamou sem poder evitar corar-se quando seu esposo se apertou a seu corpo lhe fazendo notar uma proeminente ereção. — Será possível que tenha vontade?
— Assim me põe.
Harry apertou os lábios para conter uma tonta risadinha que só conseguiria acordar a seu menino… e justo agora não queria que acordasse. Levantando da cama, tomou a seu esposo da mão e quase arrastou-o de regresso ao quarto matrimonial.
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Passaram nos dias com relativa normalidade. Com a chegada das férias, o castelo praticamente esvaziou-se de alunos, e Remus ocupava todo seu tempo livre acompanhando a Draco, este refletia mais tranquilidade pese a que ocasionalmente tinha pesadelos com o garoto que morresse em suas mãos, no entanto, pouco a pouco ia assimilando que não podia mudar o destino.
Remus foi feliz quando Draco aceitou ir uns minutos ao comedor a manhã de Natal e assim almoçar com o resto dos professores, mas mais que nada, para lhe dar um pequeno obsequio a Anthony, nesse dia era seu aniversário e corria glorioso por todo o comedor, jogando com os alunos que se tinham ficado às festividades, todos pareciam desfrutar de ver rodeando a árvore de Natal e ansiando poder abrir seus duplicados presentes.
Severus sorria suave, ainda que enquanto olhava a seu filho brincar, não deixava de pensar em Ayrton. Essa manhã enviou-lhe um presente por Natal e não tinha sido devolvido como temeu em um princípio, e apesar de não receber nem uma nota de agradecimento ou para lhe desejar feliz natal, esperava que o garoto já estivesse mais tranquilo. Contava as horas que faltavam para seu regresso e o ver de novo.
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Ao fim chegou no dia, Harry sorria ao ver o excitado que estava Severus com a possibilidade de ver de novo a seu filho maior, e ainda que o Professor tentava dissimula-lo com a atitude séria que lhe caracterizava, não podia dissimula-lo e se removia constantemente em seu assento no Grande Comedor. Alguns alunos já tinham ingressado, mas entre eles não via a Ayrton… teve um mau pressentimento que lhe apertou o coração e se o garoto tinha preferido não regressar? E se já não podia o ver mais?
Uma coruja entrou nesse momento, todos voltearam à olhar, não era hora de correio. A ave aterrissou sobre a mesa, justo em frente a Draco, quem depois de um minuto de surpresa, extraiu a carta que levava na pata, o coração lhe deu um viro ao ver o selo em cera do remitente… era do conselho médico.
— Sucede algo? —perguntou Remus inclinando-se para ele.
— Lê-o você, por favor.
Remus assentiu ao notar como os dedos de seu esposo tremiam, tentando não chamar demasiado a atenção, rasgou o selo para abrir seu conteúdo… com tão só as primeiras linhas, seu rosto já tinha empalidecido em extremo.
— É o que acho que é? —perguntou Draco temeroso.
— Acho que… acho que sim, lamento.
Uma exclamação de assombro generalizado do comedor opacou o gemido doloroso de Draco. Remus não volteou a ver a causa do ruído, simplesmente ajudou a seu esposo a se pôr de pé e saíram por uma porta lateral.
Harry não os viu, seus olhos estavam fixos na porta, e instintivamente alongou seus braços para a cadeira a seu lado, com um movimento protetor abraçou a seu filho sem deixar de olhar para onde todos o faziam.
Severus tinha-se posto de pé, o cenho franzido e os punhos apertados… mal podia escutar os cochichos a seu ao redor, ele só podia concentrar em seu filho quem ia entrando solitário ao comedor, se sabendo dono e senhor das miradas de admiração de todos os assistentes fixas em sua nova aparência.
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Nota tradutor:
Nossa nossa, mas o que será que esta acontecendo aqui? Vamos comentar?
Vejo vocês nos próximos capítulos
Ate breve!
