Capitulo vinte

A nova aparência de Ayrton

Ninguém poderia negar que era um Malfoy. Toda sua elegância e porte distinto se tinham acentuado notoriamente. Ayrton caminhava tão arrogante e majestoso que não teve quem pudesse despejar seus olhos dele. Seu aspecto também era diferente, o pulcro cabelo loiro que sempre levava sujeito em uma coleta na nuca, agora ia solto, se movendo como se obedecesse indicações de seu dono, e luzindo uns finos mechas escuros que contrastavam misticamente com o loiro platinado, os mais grossos marcando seu rosto, lhe dando a este mais firmeza de suas facções.

Seu uniforme era o mesmo que o de qualquer Slytherin, mas nele luzia diferente, talvez por não levar a camisa demasiado dobrada, ou pela capa que levava em cima, muito parecida à do professor de poções, mas confeccionada de um discreto veludo verde escuro.

Seus olhos escuros encontravam-se marcados por linhas igualmente escuras em borde-los das pestanas, com esse efeito conseguia delinear muito melhor o que qualquer um consideraria um de seus melhores atraentes, seus contrastantes irises negras.

Mas isso não era tudo, um diminuto punhal prateado enfeitava o extremo externo de sua sobrancelha esquerda. No entanto, o que mais chamava a atenção era a atitude altiva e soberbia mais acentuada que nunca. Sorria de tal maneira que demonstrava o consciente que estava de ser o centro de atenção de absolutamente todas as miradas do comedor.

Ayrton sempre tinha sido um menino alto para sua idade, mas ao ver com essa aparência, ninguém acharia que tivesse só onze anos. A rebeldia brotava-lhe pela cada poro de sua pele, e seu sorriso cínico dirigido a seu pai, a quem todos temiam, lhe brindava um extra de admiração nos olhos dos demais, quem mal podiam achar que alguém era capaz de sustentar a feroz mirada do Professor de Poções, por muito seu filho que fosse.

Ayrton caminhou um par de passos mais pelo centro do comedor, deteve-se e percorreu com a mirada aos ocupantes da sala de Professores, em uma muda atitude desafiante. Como ninguém lhe disse nada, se dirigiu então a seu lugar na mesa de Slytherin, aí se desfez de sua capa, e afrouxou sua gravata sorrindo ao escutar como algumas garotas cochichavam emocionadas por seu atraente aspecto profano que, estranhamente, parecia inato nele.

Severus voltou a sentar-se, era melhor não chamar mais a atenção, mas já não pôde se concentrar em nada, sua mirada não se apartava de seu menino, um menino que já não encontrava em nenhum lado, agora era um adolescente que não sabia se lhe agradava ou não.

Ao final do jantar, na que praticamente não comeu nada, Severus se despediu de Harry e Anthony para ir para a mesa onde Ayrton já se dispunha a abandonar o comedor com seus amigos.

— A meu despacho… Agora! —sibilou de tal forma que todos os alunos que estavam ao redor se sobre cogiro, mas em mudança, Ayrton só sorriu comprazido da ira que notava nos olhos de seu pai.

Severus girou magistralmente sobre si mesmo e o garoto se dispôs ao seguir. Atrás deles, foi Dumbledore, ainda que sabia que era uma conversa entre pai e filho, achava que podia ser útil sua intervenção, esses dois poderiam precisar de um terceiro para evitar mais problemas.

Snape não disse nada quando viu ao Diretor entrar, e Ayrton também não fez nenhuma menção ao respeito, mas permaneceu de pé em espera a que fosse seu pai quem dissesse a primeira palavra.

— Posso saber que pretende com tudo isto? —questionou-lhe Severus assimilando-lhe de acima abaixo.

— Não pretendo nada, Senhor, e não sei ao que se refere. —assegurou sem abandonar sua atitude cínica.

— Basta já, Ayrton! Não vai conseguir nada reptando-me, de modo que te advirto que te tire essa coisa da cara e o feitiço que usaste em teu cabelo e olhos!

— Não foi nenhum feitiço, Senhor, estou consciente da proibição de magia fora do colégio… de modo que usei técnicas muggle para os conseguir… este de aqui —assinalou sua sobrancelha atravessada pelo punhal de prata. —… se chama piercing, e o daqui… —acariciou seu cabelo. —… é só uma tinta que me fizeram, o dos olhos são tatuagens, tudo é de procedência muggle.

— Como seja! Agora mesmo te desfaz disso!

— Lamento dizer-lhe que não será possível, é algo que gosto e não creio recordar que tivesse de algum regulamento onde se proibisse o uso de moda muggle… ou você que diz, Senhor? —agregou dirigindo a pergunta para Dumbledore.

— É verdadeiro, não a há. —respondeu Albus abrindo a boca. — Mas se é uma petição de teu pai, deveria considerá-lo, Ayrton.

— Não sei se você esteja inteirado, Professor Dumbledore, mas o duvido… ainda assim, terei que lhe recordar que o Professor Snape renunciou a minha custodia, de modo que, a não ser que seja uma ordem como Chefe de minha casa, não é meu dever o obedecer.

Ayrton olhou a Severus enfatizando seu sorriso que agora pretendia ser de um menino bom incapaz de cometer uma falta ao colégio. Era evidente quanto estava desfrutando da impotência de Severus ao não poder lhe debater o argumento, Dumbledore olhava tudo com preocupação, essa relação que sempre tinha visto tão próxima, se desmoronava irremediavelmente.

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Harry escutou uma porta que se fechava com força, e depois de se assegurar que Anthony já dormia, foi para a habitação. Em seguida notou o mau humor de seu esposo, este acabava de chegar e sem o olhar, se ajoelhou em frente à lareira. Harry teve uma sensação desagradável quando viu como Severus tentava se comunicar com Lucius… Isso não gostava, muito menos quando lhe tinha prometido que não voltaria a lhe falar nem o ver. No entanto, permaneceu afastado sem intervir.

— Que passa? —perguntou Lucius respondendo ao chamado.

— Pode-se saber porque permitiste que Ayrton fizesse semelhante estupidez?!

Os olhos cinzas se entornaram ante o reclamo por parte do Professor, e ainda que não tinha planejado se enfadar, lhe foi impossível o evitar.

— Supõe que me pediu permissão? —refutou molesto. — Ayrton está lastimado e não tem sido minha culpa, se a alguém quer importunar não é a mim, isso deveria te dar uma ideia de quem é o responsável por essa atitude rebelde que tem adotado!

— Mas está a seu cargo, devia proibi-lo!

— Para isso renunciaste a seu custodia? Para culpar das decisões que tome?... Conhece-o tão bem como eu, e sabe que é capaz de muitas coisas, e não vai vir agora a me reclamar por nada, Severus, você decidiu ficar aparte em sua vida, agora terá que o suportar, não vou fazer o trabalho sujo nem a obedecer suas ordens fingindo que vêm de mim me entendeu?

— Mas é seu filho!

— Também seu, ainda que te pese, ele é! E agora é seu turno de cuidar, eu tentei muito durante esses dias, mas se tem querido voltar ao colégio foi precisamente para te enfrentar e terá que o fazer e o manejar o suficientemente inteligente para que volte a ser o de antes!

Lucius cortou a comunicação ante a surpresa de Severus, era a primeira vez em muitos anos que o loiro lhe respondia nesse tom, e que ademais, lhe deixasse com a palavra na boca… começou a se preocupar seriamente.

— Posso ajudar em algo? —perguntou Harry ajoelhando a seu lado.

Severus tentou esquecer-se um momento de seus problemas, a só voz de Harry brindava-lhe paz a sua alma, de modo que girou-se para ele lhe sorrindo amoroso para depois o abraçar, ficando assim no tapete, sentindo que com o carinho de Harry poderia enfrentar o que viesse.

— Sei que Ayrton e eu não temos sido os melhores amigos ultimamente… —prosseguiu Harry desfrutando da comodidade dos braços de seu esposo. —… mas é possível que se falo com ele possa voltar a me lhe acercar como antes.

— Não, rabisco, não quero que chegue a ser grosseiro contigo.

— Isso não me importaria. Eu te amo, Sev, e quero estar contigo também nesses buracos.

— Está-lo, e me ajuda muito sendo meu refúgio quando quero me sentir tranquilo e feliz, só contigo posso o conseguir, de modo que nunca deixe de me abraçar e de me sorrir.

— Bem, isso não é muito trabalho.

Harry sorriu buscando o rosto de seu esposo para beijar seus lábios antes de voltar a recostar-se em seu peito. Apesar de tudo, lhe era impossível não se alegrar de saber que Lucius tinha dado um passo para trás em sua relação com Severus.

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Remus caminhava de um lado a outro da habitação, era a quinta vez que lia a carta e seus olhos dourados refletiam tanta angústia como não tinha sentido em sua vida. Pelo contrário, Draco tinha-se sentado em um cadeirão em frente à lareira, encolheu suas pernas para abraçá-las, e apoiando seu queixo nos joelhos olhava os lumes escarlata rugir suavemente.

— Não se preocupe, após tudo já tinha decidido não regressar à medimagia. —sussurrou sem olhar a seu esposo quem deixou-se cair pesadamente em outro cadeirão em frente a ele. — Se têm-me de retirar minha licença médica não será tão importante, Rem.

— Como pode dizer isso?... Fui testemunha de quanto lutaste para poder financiar-te seus estudos, de como te desvelava a cada noite estudando para ser o melhor, eu não posso achar que esteja o tomando tão tranquilo.

— Sento muito ter-te desiludido.

Draco ocultou seu rosto entre os joelhos, odiava chorar, mas a cada vez custava-lhe mais conter as lágrimas, em frente a Remus era-lhe impossível, com ele sempre terminava se permitindo mostrar os verdadeiros sentimentos. Rapidamente o licantropo abandonou seu lugar para ir para quem amava, fez-se um espaço a seu lado, acobertando com seus braços serenamente.

— Não me tem desiludido, Draco, é o mais importante em minha vida e te conhecendo como o faço, sei que um erro como o que sucedeu não deve te marcar de maneira negativa, tenho confiança em ti e eu acho que pode se defender, alegar algo para que não te retirem a licença médica.

— É que não quero me defender, Remus… Um garoto morreu por minha culpa, não posso fingir que não tive nada que ver quando sei que pude o salvar.

— Não é perfeito, Draco, ainda que para mim o seja. —disse penteando o suave cabelo loiro, alegrando-se de ter obtido uma pequeninha sorriso de seu esposo que ainda seguia chorando silenciosamente. — Qualquer um comete erros, e se há que o pagar, pois se faz, mas isso não significa que tem que renunciar a seu sonho.

— E daí sugere que faça?

— Não sei, podemos falar com a família desse garoto, expressa desculpas pelo sucedido, seguro que eles entenderão que não foi sua intenção fazer nenhum mau, amor.

— Pode ser, mas… eu não creio poder seguir como medimago, por favor, me entende.

— Entendo-te, e te apoiarei em tudo.

Draco se aconchegou mais, não se esquecia que ainda faltava dizer de sua gravidez, mas é que lhe parecia absurdo dar uma notícia que tinha que ser imensamente formosa no meio de uma tristeza tão grande que não podia a suportar.

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O reinicio das classes resultou um tormento para Severus, devia fazer coleta a mais paciência da que tinha usado em sua vida, nem sequer dez Nevilles e outros três Harry Potter dignos filhos de seu pai poderiam lhe causar tanto enojo. Ayrton não desaproveitava nenhuma ocasião para atuar com o maior cinismo, e o pior é que era o suficientemente inteligente para ter uma boa justificativa.

Apesar de que Severus sabia que era o responsável pela explosão de caldeirões, dos ingredientes revoltos e do desaparecimento de redações de seus colegas, não encontrava nenhuma prova em sua contra, pelo menos não em suas classes, porque quando se encontrava com seu filho em algum corredor solitário, este não ocultava suas perversas intenções. Em uma ocasião rompeu uma armadura sorrindo feliz de que seu pai fosse testemunha presencial… isso lhe custou menos cinquenta pontos a Slytherin e uma noite de castigo.

Castigo ao que não se apresentou e Severus, com toda a dor de seu coração, teve que seguir reduzindo pontos a sua própria casa.

O professor passava as noites tentando encontrar uma solução, mas Ayrton mantinha-se afastado, nem sequer aceitava falar de temas pessoais com ele, sempre baixo o argumento de que tão só era seu Professor.

Harry via-lhe demasiado agoniado, queria ajudar, mas o único que podia fazer era o apoiar em tudo e tentar que os minutos a seu lado fossem relaxantes, por isso, uma noite se lhe acercou lhe sentando sobre as pernas, sem lhe importar interromper a qualificações de exames… após tudo, seu esposo já tinha mais de dez minutos com o mesmo pergaminho sem avançar nada.

— Que faço, Harry? —perguntou Severus abraçando carinhoso a seu parceiro.

— Está-me pedindo conselho?

— E é a prova máxima que posso dar do desesperadamente perdido que me sento.

— Dou-me conta. —respondeu sorrindo-lhe sem ofender-se. — Mas Sev, acho que ainda pode se considerar normal que Ayrton esteja enfadado… lhe dá mais tempo.

— Eu posso lhe dar o tempo todo do mundo, mas à cada segundo me preocupa mais.

— Dói-te mais. —retificou.

— Sim… sim dói vê-lo afastado, odiando-me.

— Não acho que te odeie, te quer demasiado para te odiar se o saberei eu!

Severus só sorriu sem dizer nada, realmente sim achava que tinha ódio no coração de Ayrton, e isso era o que mais noites em vela lhe provocava. Ao notar que a tristeza continuava nos olhos negros, Harry lhe beijou brevemente antes de se pôr de pé lhe dizendo que lhe tinha uma surpresa.

O jovem moreno foi para o armário e em um das gavetas sacou um pequeno cofre com o que regressou junto a seu esposo. Colocou a caixinha sobre a mesa abrindo-lhe com solenidade para sacar dele uma argola dourada.

— Achei que tinhas dito que a perdeste. —comentou Severus ao reconhecer a aliança de casamento.

— Bom, quando disse isso em realidade era porque não me sentia seguro de querer a levar de novo. —confessou-lhe corando. — Mas quando chegaram as coisas que me enviaram da Índia, enquanto as acomodava em seus respectivos lugares, a encontrei facilmente.

— E segue sem querer levá-la? Porque não te tens posto?

— Porque gostaria que me pusesses de você outra vez… quisesse o fazer?

Severus assentiu tomando a aliança para com profundo amor, ia deslizando pelo dedo de seu esposo. Ambos se olharam quando esta esteve perfeitamente colocada, e em silêncio, se sentindo mais apaixonados que nunca, uniram seus lábios saboreando um de seus beijos mais doces.

Um pequeno ruído fez-lhes separar-se. Harry deixou de sorrir ao descobrir a seu filho vasculhando no cofre e sacando dele o medalhão que fosse presente de seus padrinhos.

— Que faz, Anthony?... deixa aí. —apressou-se Harry a tirar-lhe o medalhão para guardá-lo.

— É muito bonito, deixa-me vê-lo.

— Em outro dia, carinho, melhor me diga que faz acordado a esta hora.

— Não podia dormir, vim aos ver, mas como se estavam beijando não quis interromper. —disse-lhes sorrindo-lhes feliz. — Anda, papai, deixa-me ver o medalhão.

Harry ia voltar a negar-se, mas Severus adiantou-se, tinha atingido a olhar brevemente o medalhão acordando sua curiosidade. Fez a seu esposo a um lado para tomar o cofre e observar a antiga joia.

— De onde sacaste isto?

— Err, bom, foi um presente de Hermione e Ron para Anthony. Não o recorda? Trouxeram-me no dia em que se despediram para marchar à Índia.

— Para mim? —questionou emocionado o menino. — Um presente de meus padrinhos?... Por favor, papai, deixa-me tê-lo!

— É muito pequeno para tê-lo, Anthony, melhor esperaremos um tempo.

— Mas eu o quero! —gemeu deixando de sorrir. — Estranho muito a meus padrinhos, deixa-me combinar-me com seu presente, faz favor.

— O perderia.

— Prometo-te que o cuidarei muito, para valer te prometo!

Harry não queria lhe dar o medalhão ainda, lhe parecia demasiado valioso para que um menino de seis anos andasse com ele quotidianamente. Mas ao ver que Severus seguia estudando a joia, soube que tinha que fazer algo para impedir que seu esposo chegasse a adivinhar seu poder, não queria se arriscar a que proibisse seu uso, ainda recordava o obsessivos que eram os Professores de Hogwarts com as coisas mágicas.

E pensando que não tinha nenhum risco de que os desejos de Anthony se cumprissem baixo o efeito do medalhão, arrebatou o objeto das mãos de seu esposo para o colocar nas pequeninhas de seu filho.

— Bem, mas se o perde seus padrinhos se porão muito tristes… o cuida muito.

— Prometo-o, papai!

Anthony colocou-se o medalhão observando-o carinhoso, seus padrinhos eram alguém a quem adorava e ter algo deles lhe dava uma grande alegria. Obedientemente regressou a seu quarto seguindo as indicações de seu pai. Ao ficar novamente sozinhos, Severus tomou a Harry da cintura para voltar a sentar sobre suas pernas.

— Rabisco, há algo que devas me dizer do medalhão?

— Não sei a que te refere.

— É antigo, e pelo trabalho de lavrado tão artesanal fá-lo único, parece-me estranho que esses amigos seus presenteiem uma joia como essa a um menino tão pequeno.

— Pois pelo mesmo, o mais normal seria que lhe obsequiassem brinquedos, mas meus amigos são únicos, não lhe iam dar algo que qualquer outro pudesse o fazer ou não?

— Sei que há algo mais, mas de acordo, não insistirei pelo momento. Sei quanto quer a Anthony e seguramente já terá averiguado se há algum risco para ele verdade?

Harry riu fingindo debochar-se da exagerada preocupação de seu esposo, mas em realidade tão só queria tranquilizá-lo e que se esquecesse da joia… e o conseguiu, um pouco depois, ambos já se encontravam brincando na cama, brincando nus baixo as cobertas.

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Muito temporão ao dia seguinte, Anthony foi para a habitação de seus pais, em seu pescoço pendurava o medalhão que contrastava notoriamente com outra terna pijama de Pégaso que tanto gostava, Severus lhe tinha comprado de muitas iguais depois de perder sua preferida no acidente com Ayrton. Ia chamá-los, mas viu-os dormir tão cômodos, ainda abraçados e sorridentes, que preferiu os deixar em cama um pouco mais.

No entanto, tinha fome, e por isso saiu das habitações, supôs que não se molestariam se ia só a comer.

Sorriu emocionado quando ao dar a volta em um corredor se encontrou com Ayrton. Tinha tempo que o via muito pouco, e quando lhe perguntava a seus pais por ele, sempre lhe respondiam que o garoto estava muito atarefado com seus deveres escolares, por isso não insistia demasiado no buscar, mas a cada dia lhe jogava mais de menos.

No entanto, a emoção não foi mútua. Ayrton deteve-se em seco, a imagem do pequeno menino correndo para ele antes lhe tivesse provocado ternura, agora só podia lhe inspirar uma fúria intensa. A alegria infantil amargurava lhe a alma em uma magnitude que até a ele lhe surpreendia.

— Afasta-te de mim! —ordenou cortantemente, alongando sua mão para impor um alto antes de que o menino saltasse a seus braços.

Anthony parou bruscamente sua carreira, algo assustado pela agressividade com que seu irmão lhe falava.

— Fiz algo mau? Está molesto comigo? —perguntou triste.

— Nasceue… com isso foi mais que suficiente para apodrecer minha vida.

— Eu?... Ayrton, não sê porque diz isso, mas me desculpa pelo que tenha feito.

— Aparta de meu caminho, incomoda-me sua voz tão nona, melhor regressa ao lado de seus pais e deixa-me a mim só.

Ayrton deu um passo para afastar-se sem importar-lhe notar as lágrimas do menino que já brilhavam em seus olhos verdes. Mais de repente, algo lhe fez se deter, e com toda brusquidão, sujeitou o medalhão que pendurava do pescoço de seu irmão, sem tomar em conta o gemido de dor pelo puxão provocado.

— Que é isto?

— É um presente de meus padrinhos.

— Para um fedelho como você?... É demasiado, acho que melhor me ficarei eu.

Ayrton sacou o medalhão observando-o cobiçoso, mais não pelo valor que pudesse ter, senão porque se combinar com a joia seguramente provocaria a maior ira em seu pai, e como bônus extra, também de Harry.

— Ayrton, devolve-me! —pediu Anthony ao ver-se despojado de sua propriedade.

— Oh, cala-te, não seja escandaloso!... Ademais, talvez não disse que queria que te perdoasse? Bom, pois presenteia-me o medalhão e prometo-te ser bom contigo.

— Não, mas é que… por favor, te darei todos meus brinquedos, mas o medalhão não.

— É um egoísta, Anthony. —afirmou olhando-lhe com ódio.

— É que é um presente de meus padrinhos. —chorou talhando-se os olhos, impotente de lutar contra seu irmão. — E papai advertiu-me que não o perdesse… Por favor, me regressa!

— Não, agora com maior razão me fico. E se quer pode ir acusar-me com papai, assim me causará todos os problemas que seguro quer que tenha com ele.

— Não, eu não quero isso!

— Então aguenta-te, eu fico com a bugiganga.

— Ayrton, por favor, te suplico!

— Deixa de chorar, é um marica.

Ayrton afastou-se rindo-se e desfrutando da vitória sobre seu irmão, não se imaginava que fazer rabiar a um menino podia ser tão divertido. Anthony olhou como o garoto desaparecia, buscou a seu ao redor como querendo encontrar uma resposta, mas estava só, não teve quem lhe ajudasse.

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Draco tinha querido sair a caminhar pelos jardins para despejar-se. Remus tinha muito trabalho ainda com os exames pendentes de qualificar e isso lhe ajudou a que seu esposo acedesse ao deixar sair sozinho. Mas ainda não chegava a seu destino quando algo chamou sua atenção.

Um pequeno corpinho arrinconado em um lugar escuro. Ao acercar-se descobriu de quem tratava-se. Anthony encontrava-se no chão, abraçando suas pernas e chorando em silêncio.

— Anthony, que faz aqui? —perguntou se ajoelhando em frente a ele, acariciando sua cabeça para o tranquilizar.

O menino levantou a mirada, recordou quando Draco lhe ajudou no lobby, de modo que se sentiu muito melhor ao ter a alguém a quem podia recorrer.

— Ajuda-me! —pediu entre soluços.

— Outra vez perdeste a teus papais?... deixa que veja a esse Potter, como te deixa sair sozinho?

— Meus papais estão dormidos, não sabem que saí.

— E quer regressar com eles?

— Não, quero que me ajude.

— A que?

— A recuperar meu medalhão… Ayrton tirou-me e não quer me devolver, se não o faz, papai se enfadará comigo, disse que não devia o perder.

— Ah… e porque Ayrton tirou-te?

— Não sei, talvez é porque é muito bonito, ou quiçá quer me fazer uma broma, mas se meu papai se inteira que não o tenho não quererá me deixar outra vez.

— Bem, acho que entendo o problema. E sabe para onde se foi Ayrton?

— Para lá. —respondeu assinalando o caminho de regresso às masmorras.

Draco assentiu e pôs-se de pé oferecendo sua mão ao pequeno, iriam juntos a recuperar o medalhão, após todo estava seguro que seu irmão tão só queria brincar. Anthony sorriu esperançado, confiava em que o loiro conseguiria que Ayrton lhe devolvesse o que é seu.

Nenhum dos dois imaginava que o coração do mais jovem dos Malfoy já não era o mesmo.

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Nota tradutor:

Vish o que será que vai acontecer aqui hein?

Vamo bora para os reviews?

Vejo vocês no próximo capitulo

Ate breve