Capitulo vinte e um

A Audiência

Draco tocou à porta da habitação de seu irmão. Baixou a mirada ao sentir como sua mão esquerda era apertada com força e sorriu ao a ver pega no peito de Anthony quem luzia preocupado, mas confiado na companhia que levava. Voltou a tocar, e ao não obter resposta decidiu se esquecer dos bons modos e abrir, nessa ocasião um menino tinha solicitado sua ajuda e não lhe defraudaria.

Ayrton encontrava-se recostado sobre sua cama, e em sua mão direita sustentava o medalhão o qual fazia oscilar como pêndulo, lhe olhando qual troféu se tratasse. Sorriu malicioso ao ver entrar a seus dois irmãos.

— Vá, Anthony, achei que iria de fofoca com papai mas vejo que te conseguiste outro aliado.

— Anthony diz que esse medalhão é seu. —interveio Draco comovido ao ver que o menino se escondia atrás dele, amedrontado pela mirada turva de Ayrton.

— "Era"… Ele me presenteou.

Draco sentiu um puxãozinho em sua túnica e ao olhar para abaixo, viu uma tímida negação do moreninho. Suavemente acariciou lhe o cabelo para despreocupa-lo, sentia lhe demasiado tenso.

— Ayrton, poderia devolver lhe, por favor?

— O dado, dado.

— Não deve dizer mentiras, Anthony não te deu o medalhão, e se não quer problemas com Severus ou com Lucius, deveria o regressar.

— Sabe?... é um hipócrita, Draco. Tantos anos tens estado afastado de papai, inclusive renunciaste ao sobrenome por não o ter sabido perdoar, no entanto, com Severus foi diferente, suponho que é porque são iguais… a ele também não lhe custou nada repudiar me, tal como você repudiaste a papai.

— Severus não te tem repudiado, e não pode julgar por minha relação com Lucius, não tem nem ideia do que passou e como passou.

— Já não sou um menino, e suponho que sua mãe devia ter sido tão pouca coisa que não significou nada para papai… nem sequer porque Severus resultou ser não merecedor de que um Malfoy pusesse seus olhos nele.

— Regressa esse medalhão agora mesmo se não quer receber uma lição de como um Malfoy consegue lhe partir a cara a um fedelho malcriado!

Ayrton sorriu ainda mais, comprazido pelo desgosto que tinha conseguido no loiro, mas não era tonto, ainda não tinha a habilidade suficiente para o enfrentar, de modo que arrojou grosseiro o medalhão para onde se encontrava Anthony. Felizmente Draco conseguiu pega-lo antes de que golpeasse o rosto do pequeno. Sem dizer nada mais, saiu se levando consigo ao menino.

Um pouco mais tarde, ambos chegavam em frente às habitações do casal Snape-Potter. Draco ainda levava o medalhão consigo, e se ajoelhou para ficar à mesma altura que Anthony, lhe sorrindo carinhoso.

— Bem, acho que deveria guardar melhor o presente de teus padrinhos, assim não voltará a ter problemas com Ayrton, mas se chega a suceder, pode me pedir ajuda quando queira.

— Obrigado, Draco… É fabuloso! —exclamou abraçando-lhe.

Draco sorriu fechando os olhos, nunca se imaginou que receber um abraço de alguém tão minúsculo poderia lhe inspirar tal descarga de sensações prazerosas. Pensou que tinha que ser produto do emotivo que estava por sua gravidez, ansiou como nunca poder ter cedo a seu bebê em seus braços.

— Já deve entrar. —disse separando-se, às vezes custava-lhe poder processar sentimentalismos adiante de qualquer pessoa que não fosse Remus. —Seus pais poderiam estar preocupados.

— Sim, mas quisesse pedir-te que não lhe diga nada do que passou, não quero que se molestem com Ayrton, e também não comigo.

— De acordo, será um segredo entre os dois vale?

— Vale!

Anthony tomou o medalhão que o loiro lhe entregou, lhe deu um efusivo beijo na bochecha para depois entrar às habitações sem se dar conta que deixava a Draco completamente corado.

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Anthony saltou à cama de seus pais sem poder achar que ainda não se tivessem posto em pé, eram mais das dez da manhã e eles acostumavam madrugar ainda os fins de semana. No entanto, o que mais lhe intrigou foi os ver arquejando cansados pese a que ambos se encontravam deitados de costas o um contra o outro.

— Estão dormidos? —perguntou acomodando-se entre eles.

Ambos se giraram ao mesmo tempo, Anthony lhes olhou alternadamente notando um ligeiro suor em seus rostos que estavam tingidos de uma suave rosa nas bochechas.

— Que passa?... parece como se tivessem estado correndo.

— Não é nada, carinho. —respondeu Severus abraçando a seu filho. — Já quer que vamos almoçar?

— A verdade é que prefiro que o façamos aqui… me irei dar um banho e depois venho sim?

— Claro, amor. —confirmou Harry. — Acho que nós faremos o mesmo.

— Ah, papai, poderia cuidar-me o medalhão?... contigo estará melhor guardado.

— Por suposto, é uma boa decisão.

— Seguro que estão bem? —repetiu ao vê-los ainda com as respirações agitadas. — Posso chamar a Draco para que os revise.

— Estamos bem, carinho, é só que teu papai e eu estávamos falando da possibilidade de que cedo tenhas uma irmãzinha gostaria?

— Uma irmã? —perguntou extasiado ante a pergunta de Severus. — Me encantaria!

— Bom, mas é demasiado cedo para falar disso. —interveio Harry. — Há muitas coisas por fazer para que possa ter outro bebê, e…

— Pois não sei que coisas tenha que fazer, mas o que seja, quisesse que o fizesse quantas vezes seja necessário para que me possam dar essa irmãzinha.

Anthony tirou-se o medalhão em seguida de pronunciar essas palavras, e depois de deixá-lo em um enrijecido Harry, saiu correndo para seu quarto. Ao ficar sozinhos, Severus conteve um sorriso recordando o último que dissesse seu filho, mas se surpreendeu quando em seguida sentiu um peso muito confortável se acomodando sobre ele e uns lábios sugando-lhe gulosamente a pele de seu pescoço.

— Harry!... estivemos a ponto de ser descobertos por nosso filho, e segue com vontade.

— Com muitas vontades!

— Não achas que devemos ter cuidado? Anthony pode voltar. —protestou debilmente, pois suas pálpebras já se fechavam e seu rosto mostrava quanto desfrutava das audazes caricias de seu esposo.

— Não voltará, o conheço bem e lhe encanta ficar um bom momento no chuveiro… De modo que cala, e me faz o amor outra vez.

— Insaciável!

— Olha quem diz, sinto-te duro, amor.

Severus gemeu ao sentir como Harry se esfregava contra ele, e seus corpos nus baixo as cobertas puseram em contato um par de ereções ansiosas de ser consoladas.

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Nos dias passaram e a data em que Draco tinha que apresentar à audiência do conselho médico chegou. Não quis que Remus lhe acompanhasse, pois era algo que precisava fazer só, ia disposto a se desculpar publicamente com a família do jovem que morresse além de renunciar oficialmente a sua licença médica.

Tentando matar o tempo enquanto esperava o regresso de Draco, Remus reuniu-se com Harry e Anthony para comer juntos, Severus não tinha podido os acompanhar, pois se tinha encerrado desde temporão em seu laboratório como a cada sábado.

— Acha que Draco esteja bem, Remus?... Quiçá devemos ir com ele, ou pelo menos Dumbledore tivesse sido bom que fosse a seu lado. Parece-me que foi demasiado néscio de sua parte não querer contratar nem um advogado sequer.

— Sei-o, mas já o conhece, não teve poder humano que lhe fizesse mudar de opinião.

— E se algo sai mau?

— Eu espero que não, de qualquer maneira estarei ao pendente de quando chegue. Mas mudando de tema, que passa com Severus?... a cada vez passa mais tempo em seu laboratório.

— Tem muito trabalho, eu quisesse que se tomasse mais tempo livre, mas também é néscio.

— Ainda não tens encontrado um tutor para Anthony?

— Não, mas agora já não porei anúncio no jornal, me urge ter um Professor para Anthony o antes possível e tenho pensado que Dumbledore me pode recomendar um, falei com ele esta manhã e disse que estudaria a uns possíveis candidatos e cedo me dará uma resposta… Ademais, lhe fiz prometer que não lhe diria a Sev, acho que é demasiado exigente, nada lhe parece o suficientemente bom para Anthony.

Remus riu ao imaginar a seu ex parceiro de estudos sendo tão exigente com os candidatos a Professores como o era com seus alunos.

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Severus tomou nesse momento um tubo de ensaio com o líquido escuro que acabava de filtrar. Apagou todos os fogos e em seguida saiu com rumo às habitações dos Slytherin.

Quando entrou à habitação de Ayrton, este não dissimulou um bufo de incomodo, deixou a tarefa que realizava sobre sua mesa e girou sua cadeira franzindo o cenho ao olhar a seu pai.

— Nunca te dá por vencido?... Já te disse que não penso me tomar essa coisa nunca mais.

— É por seu bem, recorda que teu medimago o recomendou.

— Se visse quanto importa-me! —exclamou sarcástico. — Melhor vai-te, e pode fazer com essa asquerosidade que prepara o que queira.

— Ayrton…

— Não se acerque! —ordenou ao ver que seu pai dava um par de passos para ele.

Severus deteve-se, mas não se retirou, simplesmente mudou de direção sentando à beira da cama. Seus ombros estavam caídos ante a angústia que sentia pela conduta tão agressiva de seu filho.

— Se quer seguir molesto comigo, bem, posso o suportar porque tenho minha consciência tranquila, mas tem que me obedecer e te tomar a poção.

— Eu não tenho nada que te obedecer. —assegurou molesto. — Um Professor não pede que seus alunos tomem nada, e recorda que você mesmo renunciaste a ser meu pai.

— Isso não é verdade, mas não o discutirei mais, em algum dia terá que o entender.

— Se isso quer crer, perfeito. Agora te vai que tenho muita tarefa pendente.

— Bem, mas antes quero ver que tomes o que te preparei, e não me importo se tenho que fazer pela força, não permitirei que passe nem em um mês mais sem que o ingira.

— O tomarei de novo… quando seja o que me dava antes. —assegurou sorrindo-lhe malicioso. — Não dizia que por mim o faria tudo?... Pois consegue os ingredientes que lhe faltam a esse que traz, pois só se volta a ser aquele que realmente me fazia sentir bem aceitarei o tomar.

Severus assentiu, pôs-se de pé deixando o tubo de ensaio sobre a mesa de Ayrton, mas antes de sair escutou o vidro estrelando-se. Tão só fechou os olhos suspirando agoniado, não se voltou a olhar, preferia não ter a lembrança de uma cena que lhe doeria até o último dia de sua vida.

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A noite tinha chegado, e Harry aproveitou que Dumbledore quis se combinar com Anthony um momento e ele se dedicou a buscar a Severus, não lhe tinha visto em quase todo o dia e seu laboratório se encontrava vazio quando supostamente devia se encontrar aí. Decidiu-se a usar o mapa do maroto descobrindo ao fim a localização do Professor, colocou-se uma capa para sair aos jardins e em suas mãos levava a de Severus, era uma noite fria invernal e a neve começava a cair.

Voltou a acionar o mapa, dessa forma pôde comprovar que seu esposo continuava no mesmo lugar. Sorriu com tristeza ao vê-lo sentado em um dos degraus que conduziam para os pátios, oculto na escuridão da noite, não tinha que ser adivinho para saber o que lhe passava. Chegou atrás dele cobrindo com sua capa para depois sentar a seu lado.

— Quisesse poder ajudar-te em algo, Sev, por favor diga se me precisa.

— Estou bem, rabisco, não se preocupe. —afirmou atraindo contra seu corpo, desfrutando do calor de seu esposo quem suavemente acomodou-se em seu peito.

— Às vezes quisesse falar com esse filho seu, não é justo o que te faz, você lhe adora e ele se está portando muito mau.

— Não intervenha, por favor… agora Ayrton não está bem e não reagirá com um sorriso.

— De acordo… Sev, Anthony está ao cuidado de Dumbledore e podemos ter tempo para nós. —sugeriu acariciando lhe o abdômen, deslizando-se sensualmente para o ventre de seu esposo.

— Outra vez?... Ultimamente anda muito alborotado. —comentou divertido.

— Que queres que faça? Gosto de um montão, todo seu corpo me transtorna e me custa muito poder te ter perto e não te desejar!

Severus riu ligeiramente, alegrando-se das penumbras dessa noite sem lua para poder corar a prazer. Não protestou quando Harry lhe recostou sobre a pedra se sentando a sobre ele, simplesmente fechou os olhos quando Harry começou a beija-lo suavemente por todo o pescoço enquanto umas mãos lhe acariciavam tentando escapulir-se discretamente baixo a roupa.

Finalmente seus lábios uniram-se em um beijo que começou sendo sereno, no que se trocaram gemidos gulosos ao desfrutar do sabor de suas umidades. Harry estremeceu-se como sempre o fazia quando as mãos de Severus se posaram em seus uqadris, as acariciando com luxuria, lhe atraindo para ele para o sentir esfregar contra seu corpo já ansioso a mais.

— Quanto… quanto tempo dispomos? —perguntou Severus sem deixar de beija-lo.

— Como… uma hora.

— Suficiente… Vamos a nossa habitação.

Harry gemeu em consentimento, mas antes de pôr-se de pé apoderou-se com força dos lábios de seu esposo mostrando-lhe quanto desfrutava de beija-lo.

Quando ambos se levantaram para se marchar apressados para seus aposentos privados, não se perceberam de que uns olhos brilhavam maquiavélicos depois de ter sido testemunhas da cena de amor.

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Remus caminhava entre a neve, a ventosa tinha iniciado desde fazia quase dez minutos e movia a cabeça de um lado a outro enquanto tentava não se afundar demasiado.

"Fedelho ingrato!... é que não pode se buscar um refúgio mais accessível?" grunhiu carinhosamente quando ao passar baixo uma árvore, uma coruja que empreendeu o vôo moveu os ramos provocando que um banho de neve caísse sobre ele.

Em seguida suspirou esquecendo a contrariedade para dar passo à enorme preocupação que sentia. Mas pelo menos quando vislumbrou uma silhueta conhecida entre dois enormes troncos, soube que agora já estaria a seu lado para lhe confortar.

Sem importar o frio, Draco encontrava-se sentado entre as raízes, com a mirada perdida no lago congelado que mal podia ver na escuridão. Não se surpreendeu no absoluto quando seu esposo chegou a seu lado, ocupando um lugar bem perto lhe outorgando sem sequer se dar conta de uma tibieza que fazia parecer que não se encontravam em pleno inverno.

— Ainda não te deste conta que quando venho para aqui é que quero estar sozinho? —perguntou Draco, ainda que sem opor-se quando o licantropo lhe atraiu apoiando sobre seu peito.

— Sei-o, mas essa regra não me inclui a mim.

— Isso se escutou muito vaidoso, Lupin.

— Aprendo do melhor.

Draco permitiu-se um suave sorriso antes de morder-se os lábios para conter um soluço, a lembrança do sucedido nesse dia preocupava lhe como nunca nada em sua vida.

— Vai dizer-me como te foi na audiência?

— Rem… estou em problemas.

A voz do loiro escutava-se trémula, e isso acentuou a preocupação que já tinha Remus. Fazia muito tempo que não o sentia contendo o pranto em sua presença e isso tão só queria dizer que realmente algo grave tinha passado, e se arrependeu enormemente de não ter feito questão de o acompanhar… ele tinha que ter estado a seu lado e lhe apoiar em tudo!

— Diga-me faz favor todo o que te disseram, mas te asseguro que vai ter minha ajuda e a de todas as pessoas que te queremos e sabemos que seria incapaz de lastimar a alguém com toda aleivosia.

Draco assentiu, e depois de tomar ar, fechou os olhos, sua mente transladou-se para o ocorrido essa tarde no Ministério.

Flash Back

Nada do que pôde imaginar se comparava com aquilo. Os senhores Dunne choravam dramaticamente em um rincão do escritório na que se tinham reunido. A seu lado, seu advogado, um homem alto, loiro e com um rosto inflexível olhava-lhes de relance, seu traje elegante contrastava notavelmente com as vestimentas humildes dos irlandeses.

Draco tentava não olhar, seu coração se sobrecozia e preferia manter seus olhos em qualquer outro lugar. Mal podia pôr atenção à leitura que faziam os membros do Conselho médico atrás de uma mesa longa em frente a eles. Ele estava só, e nesse momento pensou que tivesse sido bom ter a mão de Remus a seu alcance, com só um apertão poderia deixar de sentir esse buraco no estômago.

O presidente do conselho médico, depois de terminar de ler o longo documento, decidiu dar-lhes uns minutos para que Draco expressasse suas desculpas à família do jovem falecido. Aí foi quando o coração do loiro se disparou. Lentamente pôs-se de pé quando ficou a sós com o casal Dunne e seu advogado. Os soluços dos pais intensificaram-se e a senhora levou um lenço ao rosto secando-se as lágrimas.

Compreendo que nada do que diga devolverá a vida a seu filho, mas… —começou Draco fazendo uma suave reverência em frente aos ofendidos. —… lhes quero oferecer meu mais sincera desculpa de…

Tem você razão, jovem Malfoy. —Interrompeu lhe o senhor Dunne, Draco quis retificar seu sobrenome, mas não se atreveu, não era hora de ser impertinente. — Nada do que diga nos brindará nenhum consolo nem ajuda.

Sei-o, mas quero que saibam que aceito o castigo que se me imponha, além de que não voltarei a exercer a medimagia em nenhum dos sentidos.

Também não isso serve de nada. —disse agora a mulher se soando ruidosamente o nariz. — Será melhor que fale com nosso advogado que a nós somente nos indigna estar na presença de quem assassinou a nosso filho.

Draco assentiu e girou-se para o advogado com toda a intenção de respeitar a decisão dos Dunne. No entanto, assim que viu a expressão sinistra do profissional, soube que as coisas andariam muito mau.

Senhoria… —começou Draco tentando mostrar-se respeitoso—… eu…

Escute, jovem Malfoy, antes que nada…

Antes que nada me permita lhe recordar que meu sobrenome deixou de ser Malfoy desde faz tempo, e agora preferiria que se dirigisse a mim como Draco Lupin. —disse, já sem sentir que tinha nenhuma obrigação de cortesia com esse homem que lhe dava muito má espinha.

Não tente ocultar sua relação com o famoso empresário, sabemos que é filho de Lucius Malfoy.

Não tenho vindo aqui a falar de minha situação pessoal, de modo que lhe reitero que minha sobrenome é Lupin desde faz mais de três anos, se não vai respeitar isso duvido muito que nos possamos pôr de acordo.

O problema, Senhor Malfoy… —insistiu o advogado com um falso sorriso. —… é que não está aqui para impor condições, senão para aceitar nosso trato ou caso contrário lhe esperam em vários anos em prisão.

Draco empalideceu notoriamente, recordar Azkaban não lhe fazia nada de graça e até esse momento pensou que todo podia ficar em uma sanção administrativa… compreendeu o iluso que tinha sido, esse advogado ia por tudo, e o comprovou de imediato.

Queremos cinquenta milhões de galeões ou se procederá com a denúncia em sua contra.

Mas eu não tenho tanto dinheiro! —exclamou surpreendido da quantidade imposta.

Seu pai sim, e não duvido que seja capaz de dar com tal de se livrar de semelhante escândalo público.

Já lhe disse que não tenho relação alguma com Lucius Malfoy!

Pois é uma lástima, porque com isso se solucionaria tudo… Claro, que se seu pai não lhe põe essa quantidade a sua disposição, terá que fazer uso de sua herança materna. Não acho que se tenha ficado na rua… ou sim?

Draco sustentou a mirada zombadora do advogado, sim tinha a herança de sua mãe, mas não sabia se seria suficiente, tinha muito tempo que não sabia que tinha sido dela e ainda continuava em mãos de seu pai… não podia se apresentar depois de tantos anos a reclamar esse dinheiro que agora já não o sentia seu, se talvez teria que estar destinada a seu filho e nada mais.

É demasiado dinheiro… —sussurrou sem saber que mais dizer. —… poderia conseguir algo, mas não tanto.

Parece-lhe demasiado para compensar a vida de nosso filho? —interveio o senhor Dunne. — Talvez você queira lhe pôr o preço a sua negligencia, senhor Malfoy… digamos, segundo você quanto valia a vida que se perdeu por sua causa?

Draco não pôde responder, baixou a mirada enquanto dissimuladamente levava sua mão a seu ventre… a vida de seu filho era de um valor incalculável, bem mais que cinquenta milhões, mas simplesmente não tinha forma de conseguir comprar uma vida.

Fim do flash back

Remus sentiu que o coração se lhe detinha quando escutou a soma, mas o pior de todo era saber as consequências que podia ter não a pagar… Não ia permitir que seu loiro adorado calcasse Azkaban nem em um sozinho dia.

— Lamento. —sussurrou Draco interrompendo os pensamentos de seu esposo, agora sim não podia conter o pranto e se abraçava com força umedecendo a túnica de Remus.

— Não se desculpe, Draco, eu confio em ti e sei que não fizeste nada mau. Sei que isso é muito dinheiro, mas poderemos o conseguir, estou seguro que não faltarão pessoas que nos prestem e nos deem prazos longos para poder lhe devolver… temos amigos muito bons.

— Tem você, eu sigo sendo tão indesejável como sempre.

— Não seja tonto, isso não é verdade.

— Rem… há algo que não te disse.

Remus tremeu sem poder evitá-lo, seu esposo tinha-se retirado para olhar aos olhos, e ainda que as cinzas luziam enrijecidos derramando aguinha cristalina, tinham um sentimento estranho que não tinha visto jamais neles.

— Desculpo-me contigo, Rem, porque isto não devia estar passando agora… Nesses dias tinham que ter sido os mais belos de nossas vidas e o joguei a perder.

— De que fala?

— De que justo agora teríamos que ir celebrando pelo mundo, fazendo presentes de felicidade a seus amigos e não andar pensando em lhe pedir dinheiro emprestado.

— Draco, fala já de uma vez… que está passando que te tem mais agoniado que seu problema?

— Rem… estou grávido.

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Nota tradutor:

Hummmmmmmm

E agora o que será que vai acontecer?

Vejo vocês nos próximos capítulos

Ate breve