Capitulo vinte e dois
Julgamento
Remus achava que quando recebesse essa notícia saltaria de emoção e encheria de beijos a seu esposo, mas como o fazer quando Draco chorava mostrando uma enorme angústia em seus formosos olhos cinzas. Só se atreveu a lhe sorrir com ternura enquanto limpava seu rosto da umidade de suas lágrimas.
— É uma grande felicidade saber que seremos pais, Draco, não se preocupe que sairá bem livrado desta prova em nossas vidas.
— Agradeço muito seu apoio, Rem, mas eu estaria disposto a passar o resto de minha vida em prisão se com isso consigo um pouco de consolo nos familiares do garoto que morreu por minha culpa, mas agora… Agora não quero, não quero que meu filho sofra por um erro meu!
— Não será assim, amor, eu te prometo e recorda que sempre te cumpri a cada uma de minhas promessas.
Draco assentiu e voltou a recostar-se sobre o peito do licantropo, nesse momento daria o que fosse para poder regressar o tempo e apagar seus erros, mas isso não era possível, e o que mais lhe doía era saber que a vida que levava em suas entranhas podia se ver obrigado a nascer dentro das frias paredes de Azkaban.
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Ainda que demorou em uns dias, Remus finalmente convenceu a Draco de ir com Dumbledore a solicitar sua ajuda, e ainda que o loiro não estava muito seguro de que queria fazer isso, não quis se comportar egoísta, se Remus queria fazer uso de todos os recursos não se oporia. O que não esperava era que ao entrar, se encontrou também com Severus e Harry.
— Eu lhes pedi que viessem. —assegurou o Diretor quando viu o titubeio no loiro.
Draco assentiu e foi sentar-se junto a Remus do outro lado da mesa na que se tinham reunido, se sentia tão nervoso como na audiência que tinha tido com anterioridade.
— Já lhes pus ao tanto do ocorrido segundo o que Remus me disse. —iniciou Dumbledore e Draco pensou que isso era óbvio, as caras sérias de seu padrinho e seu esposo não podiam ocultar seu desconcerto. — E todos estamos de acordo em que se deve contratar a um advogado que possa abater os argumentos dos Dunne.
— Não tenho…
— Não diga mais, Draco. —interrompeu-lhe Severus. — Se estamos aqui é para ajudar-te em todo o possível, seja moral ou economicamente, sempre contará conosco.
Draco assentiu a modo de agradecimento, mas em seguida concentrou-se em olhar veta-las da mesa de madeira, envergonhava lhe sentir-se como um menino desvalido ao que tinha que proteger. Pelo menos agradeceu que não tivessem chamado a seu pai, ainda que quiçá sim o tinham feito e ele não quis ir. Bem, não importava, o único que queria era encontrar a forma de que seu bebê não pagasse as consequências.
Um ruído a seu lado fez-lhe erguer a mirada, assombrado viu que seu esposo saía do despacho acompanhado por Severus e Dumbledore, mas o que mais lhe inquietou foi ver a Potter ocupando um lugar mais próximo a ele.
— Não te vê feliz. —comentou Harry algo tímido, poucas vezes tinha convivido com Draco, e sempre era acompanhado por Remus ou por alguém mais, eram contadas as ocasiões em que estavam sozinhos e ainda não se sentia em confiança com ele.
— Não sei se escutaste, Potter, mas estou a ponto de ir a prisão. —respondeu franzindo lhe o cenho e com a voz mais fria, como em suas melhores tempos de rivais do colégio, isso fez que Harry se sentisse mais tranquilo, podia ver que o loiro seguia sendo o mesmo, não gostou muito ver com a mirada de baixa. — Acho que não há muitas razões para ser feliz.
— Tem uma, e a mais bela do mundo.
— Sim, é provável. —respondeu levando sua mão baixo a mesa, direto a seu ventre.
— E é, e entendo que se sinta pressionado com o futuro incerto que tem, mas não deveria deixar que isso afete sua gravidez… o desfruta.
— Não entende como me sinto. —respondeu amuado. — Não pode saber.
— Para valer achas que não?... Não saí limpo da última batalha, Draco, e por muitas noites tive pesadelos, mas aí estava Severus a meu lado, me ajudando a não consumir pelas vidas perdidas, até que ao final compreendi que não ia poder remediar o passado e o melhor que podia fazer era ter controle de minha vida e meu futuro… Mesmo assim segui cometendo erros, e me arrependi disso, mas sempre sigo pensando que posso melhorar e não me ficar atascado no irremediável.
— Meu filho pode nascer em Azkaban… e Remus sofrerá por isso.
— Mas ainda não sucede. —interrompeu lhe Harry, inquieto ao sentir um avarie na voz de Draco ainda que seus olhos continuavam secos. — O tempo não volta, Draco, se não desfruta agora de sua gravidez não poderá o fazer nunca, e tem a seu lado a alguém que te adora e sofre ao te ver sofrer. Não estou sugerindo que finja, mas sim que te esforce por seguir sempre de pé.
— Isso tentava, mas…
— Os dias mais felizes de minha vida foram quando esperava a Anthony, e ver a Severus sonhando emocionado com mil planos para nosso filho… Sei que gostará de compartilhar esses momentos com Remus.
— Como o fazer?... um garoto morreu por minha culpa e seus pais, com todo direito, me julgam, e para cúmulo, os ofendi ao lhes responder que não tinha o dinheiro para lhes dar.
— Se quer que te seja sincero… e não é por julgar agora a eles, mas me parece que esses senhores têm sido quem impuseram um preço à vida de seu filho, não você.
Draco entreabriu os lábios com toda intenção de responder, mas finalmente se concreto em esboçar um sorriso ligeiramente zombador pelo comentário do moreno.
— Sabe uma coisa, Potter?... Pela primeira vez em minha vida acho que vejo uma faísca de inteligência em ti.
Harry sorriu comprazido de ver um pouco de esperança nos olhos cinzas, sabia, por experiência própria, que não era fácil esquecer da culpa por vidas perdidas, mas era possível continuar vivendo e ser feliz… Desejou que Draco pudesse o conseguir também.
Nesse momento entraram os três Professores, com eles levavam uma série de pergaminhos com documentação dos melhores advogados, tão só tinham agora que encontrar àquele que pudesse ajudar a Draco. Remus sentiu um grande alívio ao notar que seu esposo se mostrava interessado em se ajudar e buscava junto com eles a esperança que lhe levasse a obter a absolvição.
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Em um mês mais tarde, quem andava feliz era Harry, por fim Dumbledore tinha-lhe conseguido um Professor para Anthony e isso mantinha ao menino ocupado e a Harry com mais tempo livre para ajudar a seus amigos, mas sobretudo, para o desfrutar com Severus. O Professor surpreendia-se de seguir sentindo a seu esposo desejando-lhe à cada momento, lhe lisonjeava saber-se almejado e tentava cumprir-lhe a toda hora.
Uma noite, Severus aproveitou uns minutos livres para subir para o despacho de Dumbledore, com ele levava algumas das investigações que tinha conseguido recavar sobre o casal Dunne. Caminhava de pressa, já queria regressar a sua habitação, mais que nada ao recordar que seu esposo lhe esperava se dando uma ducha.
No entanto, todo seu entusiasmo se esfumou quando ao dar volta a um corredor se encontrou com uma imagem que em nenhum momento de sua vida se esperou olhar.
Um garoto de terceiro ano pertencente à casa de Ravenclaw mantinha a outro corpo atalhado sobre a parede, suas mãos aderente firmemente no quadril de seu acompanhante enquanto com sua boca devorava a do mais jovem.
Severus sentiu que o sangue lhe explodiria ante a fúria que sentiu ao ser testemunha de como uma asquerosa língua se adentrava grosseiramente entre os lábios de Ayrton… de seu menino!
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Remus admirou apaixonado como o ventre de Draco mal luzia algo de protuberância. O garoto mudou-se a seu pijama para dormir sem dar-se conta de que era observado, foi a escovar seu cabelo em frente ao espelho, e este lhe ajudou finalmente a descobrir a seu esposo admirando desde a cama.
— Gosta o que vê, Lupin?
— Muito… Ainda me surpreendo de que te tenha casado comigo, sobretudo quando lembro o déspota que era.
— Não te faça o ingênuo. —advertiu sorrindo pelo espelho. — Atuou como lobo, sagaz e decidido… sei bem que tanta moléstia que te toma ao me ajudar vinha com uma dupla intenção.
— Gostei sempre sabe?... Desde que te vi no trem. Acho que desde então soube que seria meu, ainda que nesses dias me sentisse um pervertido.
— Isso não te deteve, amor. —debochou-se indo para ele. — Quase podia cheirar sua caçada quando te encontrava assim que volteava a olhar para qualquer lado.
— E então enfadava-te. —riu divertido.
— Claro que me enfadava! Era molesto não poder ir a nenhum lado sem te ter por aí rondando… ainda que reconheço que também me excitava, era inquietante se sentir perseguido por alguém como você.
— E olha-nos agora… casados e esperando a nosso primeiro filho. —suspirou acariciando o ventre de seu esposo.
— Primeiro e último. Não quero que depois deixe de te gostar por me passar meia vida grávido.
— Bem, será como queira… e a propósito, tem ido a que te revisem?
— Não, já sabe que tenho estado ocupado em outras coisas. —respondeu ensombrecendo sua mirada.
— Pois amanhã iremos de acordo?
Draco assentiu abraçando-se de Remus. O bom é que podia ir a Poppy para que revisasse sua gravidez, odiaria ter que voltar ao hospital nesse momento, sabia que todas as miradas estariam postas nele. Algumas com curiosidade, outras com morbo, mas as que menos queria sentir eram as carregadas de lástima por seu problema.
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Se o que Severus sentia se pudesse manifestar fisicamente, com toda segurança os alicerces de Hogwarts se teriam avariado em mil pedaços… tal como queria fazer com a cabeça desse pervertido de menores.
— Ayrton! —gritou ao mesmo tempo em que chegava até eles lhes separando com brusquidão para em seguida se colocar entre os dois garotos.
O ravenclaw olhou aterrorizado a seu Professor, sua mirada negra bem tivesse podido desintegra-lo nesse mesmo instante. Nenhum deles notava o esforço de Ayrton por não rir, tão só lhes observava expectante, desfrutando da fúria paterna.
— Professor, eu…
— Vá imediatamente a sua habitação, Jameson, antes de que o expulse de Hogwarts! … E menos quinhentos pontos para Ravenclaw!
O garoto saiu correndo sem deter-se a protestar, preferia morrer em mãos de seus colegas quando se inteirassem que sua casa ficava em último lugar, isso seria menos doloroso que permitir que Severus Snape o usasse em seus experimentos… o qual seguramente sucederia se não fugia.
Severus girou bruscamente quando ficou a sós com seu filho. Este lhe sorriu vitorioso enquanto se limpava os lábios com a maior malícia.
— Como se atreve a beijar com esse garoto?! —grunhiu enfurecido.
— E porque não?... beija muito bem.
— É um menino, Ayrton, não pode tomar essas atitudes, não está bem!
— Gosta a de os garotos e às garotas, dou-me conta disso, inclusive há alguns de sétimo que…!
— Se vejo que algum deles te põe uma mão em cima, te juro que o mato!
— Já veremos se te atreve, porque eu tenho pensado que seria interessante saber que se sente sair com alguém maior!
— Tira essas ideias da cabeça, não sei o que pretende, mas já seja por bem ou por mal não te permitirei que te converta em um promiscuo!
— Eu promiscuo?... e daí diz-me de ti que te beija com Harry por onde queira e possa?
— Ele é meu esposo, podemos fazer o que se nos cole a vontade sem lhe dar explicações a ninguém!... Você não tem direito a dizer nada sobre se beijo ou não a meu esposo, isso não é motivo para que atue como um imbecil! Dá-te conta de seu erro, é um menino de onze anos, Ayrton, não pode beijar com garotos a esta idade!
— Doze anos, pai, hoje cumpro doze anos!... Não me dá um abraço de felicitação... ou esqueceu? Ah, espera, é que os professores não celebram os aniversários de seus alunos, verdadeiro. —exclamou sarcástico.
Severus apertou os lábios, teve que fazer memória para recordar no dia em que vivia, e quando compreendeu que realmente tinha esquecido o aniversário de seu filho, se sentiu mais miserável do que já se sentia.
— Ayrton…
— Nem ocorra desculpar-te! —interrompeu lhe com ira. — Não me interessa se se te esqueceu ou não, já não deveria me estranhar porque ultimamente só vive para te afundar em Harry e parece que a cada vez que fornica com ele se te adormece o cérebro!
Não soube como foi, mas de repente Severus sentiu um ardor em sua mão depois de bofetear a seu filho. Ayrton via-se a ponto de chorar, mas não o fez, só se levou a mão ao rosto acariciando sua dolorida bochecha, olhando a seu pai com profundo reproche, mas ao mesmo tempo, comprazido pelo resultado.
— Muito obrigado, pai... eu sabia que não se te podia me dar meu presente!
Depois de dizer isso, o garoto saiu correndo pelo corredor. Severus não teve valor para o deter, e abatido, se recargou sobre o muro, arrependido do que acabava de fazer, mas sobretudo, desesperado ao não ter ideia de como voltar a acercar a seu filho.
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Harry preocupou-se muito quando tinha passado mais de uma hora e Severus não voltava. Estava a ponto de voltar a usar o mapa quando a porta se abriu, correu para ele afundando seu rosto no pescoço do pocionista enquanto suas mãos se apressavam a desfazer a camisa.
— Harry, espera… faz favor.
— Anthony dormiu-se faz momento, ninguém nos interromperá e tenho muitas vontades, Sev. —disse-lhe sem interromper-se.
— É que… agora sou eu quem não está de humor.
Essas palavras conseguiram que Harry desse um passo atrás, em um princípio lhe olhando ofendido pela rejeição, mas quando notou os olhos enrijecidos de seu esposo se esqueceu da ereção que já lhe doía e tomando a Severus da mão, o conduziu à cama com macieza.
— Que passa, amor?
— Ai, rabisco… não acho que possa nem o imaginar.
— Bem, só há alguém capaz de te pôr assim de triste… Que foi o que fez esse ingrato agora?
— O ingrato sou eu. Esqueci-me que hoje era seu aniversário.
— Ah… céus, sinto muito, Sev.
— Está muito molesto, e agora parece que lhe deu por fazer coisas que não vão com sua idade.
— A que te referes?
— Encontrei-o com um garoto de Ravenclaw em um dos corredores, e se tivesses visto como se beijavam te teria espantado.
— Espero que o Ravenclaw não tenha ficado demasiado ferido. —caçoou tentando minimizar a gravidade do problema.
— Harry…
— Escuta, Sev, sei que Ayrton é muito garoto ainda, mas está entrando na adolescência, é lógico que sinta curiosidade por algumas coisas… tão só há que saber o orientar.
— É que esse é o problema, ele não se deixa orientar!
— Bom, talvez contigo não, mas se lhe diz a Lucius quiçá ele possa ajudar.
— Harry… amo-te. —afirmou apaixonado ao ver que seu esposo era capaz de sugerir que fosse a Lucius ainda quando não podia nem o ver.
— Já tem vontade?
— Harry… —sussurrou em uma suave advertência.
— Bem, se não quer não te obrigo, mas é que eu não tenho a culpa de que me baste com te ver para que me sinta todo alborotado, Severus… Preciso que me tome esta e todas as noites. —insistiu beijando-lhe o pescoço enquanto acariciava a entreperna de seu esposo.
— Por favor… hoje não.
Harry assentiu resignado, foi-lhe impossível dizer como se sentia quando notou que a voz de Severus voltava a se avariar. Abandonou o pescoço de seu esposo para simplesmente abraçá-lo, e ainda que morria por senti-lo afundar em sua carne uma e outra vez até que essa deliciosa substância ardente lhe impregnara por dentro, deixou de lado sua ereção para lhe consolar enquanto as lágrimas de Severus umedeciam seu pijama.
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Ao dia seguinte, Draco esperava recostado sobre a cama da enfermaria a que Poppy terminasse de fazer os preparativos para sua primeira revisão médica. Sentia-se nervoso, mas também emocionado, pois lhe fariam um ecosonograma que ajudaria a comprovar que todo estivesse bem. Remus estava a seu lado, sustentando lhe sua mão no momento em que a enfermeira descobriu o abdômen para deixar ver o ventre do loiro.
— Vá, vá… acho que temos uma surpresa. —comentou ao cabo de uns segundos de mover a varinha mágica de um lado a outro sobre a pele de Draco.
— Passa algo mau? —questionou o loiro.
— Sim, há algo que não esperava, não sei se vocês sim.
— Por favor, fale já.
— Jovem Malf… perdão, jovem Lupin, o estudo mostra que não espera um bebê… senão dois.
O rosto de Remus alumiou-se notavelmente Teria dois filhos!... Não se conteve, abraçou a seu esposo com todas suas forças enquanto este ainda tentava assimilar a notícia.
— Dois?... está segura?
— Claro que o estou! e você mesmo pode o comprovar.
Poppy aumentou a imagem que tinha aparecido sobre o ventre de Draco e este pôde a ver. Um gemido emocionado brotou de sua garganta ao ver a dois bebês gestando-se em seu interior, aparentemente sem nenhum problema.
— Que são? —perguntou Remus que não entendia muito do que via. — Meninos, meninas?
— Isso não se pode saber ainda, amor. —respondeu Draco divertido. — Teremos que esperar em umas semanas mais para o comprovar.
— Não, melhor não… quero que seja surpresa.
— Ah, mas eu sim quero saber.
— Pois o saberás você, eu não, eu sim quero esperar até o final!
Draco sorriu enternecido pela conduta de Remus. Agora com mais vontade queria resolver seu problema com os Dunne, precisava concentrar em seu esposo e filhos, eles eram o mais importante em sua vida.
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Lucius foi falar com Ayrton tal como lhe pedisse Severus na carta que lhe enviasse. Mas o garoto minimizou a gravidade do assunto sorrindo inocentemente depois de receber a conversa de sexo que tentou lhe dar seu pai dentro da intimidem de sua habitação.
— É muito útil toda essa informação, papai, mas já te disse… foi só um pequeno roce nos lábios, Severus está exagerando tudo para me meter em problemas contigo.
— Severus não mentiria com isso, Ayrton.
— E eu sim?
— Isso não é o que quis dizer, mas o importante aqui é que entenda que é muito jovem para ter namorado ou namorada, melhor espera um pouco.
— Ai, papai… a que idade teve seu primeiro companheiro?
Lucius se aclarou a garganta, essa não era uma pergunta que lhe fosse ajudar muito.
— Bem, não me responda, de todos modos te prometo que não voltará a suceder. —assegurou Ayrton.
— Isso espero, e já que estou aqui, quisesse te pedir que reconsidere essa atitude com Severus, ele não fez o que fez com nenhuma má intenção.
— Já o sei… o único que queria era lhe dar gosto a Harry. —respondeu amargamente. — Melhor não faça questão desse tema, me incomoda, e ademais não quero brigar contigo também.
Lucius assentiu e marchou-se esperando que seu filho realmente cumprisse sua promessa, mas realmente não estava tão seguro… algo na mirada de Ayrton não era a mesma e podia sentir em sua pele uma reação desconhecida quando estava cerca dele.
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Nas seguintes semanas decorreram muito agitadas para Draco e as pessoas que tentavam lhe ajudar, quase não teve momento de descanso seguindo as indicações do advogado que se conseguissem. Mesmo assim, aquele que representava aos Dunne se mostrou como uma fera que era, a cada audiência conseguia esmagar os argumentos de defesa que apresentavam a favor de Draco.
Não teve maneira que os depoimentos a seu favor por parte de seus colegas e chefes de trabalho ajudassem, nem a prestigiosa e prometedora carreira que tinha estado levando até esse momento. Nada funcionava, e à cada dia que passava o loiro tinha mais medo, sobretudo agora que sentia seu ventre crescer.
Já tinha começado a sentir os movimentos de seus filhos e isso lhe assustava, não podia os imaginar nascendo em um lugar tão tétrico como Azkaban para depois ter que se separar deles por um tempo indefinido.
Nessa última audiência, Draco sentia-se mais nervoso do que jamais tinha estado. Não podia ficar quieto na cadeira disposta para ele no centro da sala. Olhou a seu redor, enfrente podia olhar as cadeiras com as pessoas às que se lhe tinha permitido o passo, mas a maioria estavam desocupadas, tão só Remus, Severus, Harry e Dumbledore se encontravam com ele.
Evitou olhar a seu esposo por demasiado tempo, doía-lhe vê-lo tentando sorrir-lhe para animá-lo quando sabia que devia estar tão preocupado como ele. Levou suas mãos a seu ventre. Apesar de ser gêmeos e ter já cinco meses de gravidez não tinha aumentado muito seu volume ajudado por suposto de seu complexão delgada. Pensou em seu pai nesse momento, em que também não tinha desenvolvido um ventre proeminente em sua gravidez de Ayrton, motivo pelo qual conseguiu que passasse desapercebido por tanto tempo.
Exalou fundo, não se ia deter a pensar em quem lhe tinha abandonado. Admitia que ele mesmo se tivesse negado se alguém propusesse lhe pedir ajuda, mas mesmo assim, lhe doía não ter a seu lado nesses momentos tão difíceis.
Draco conteve a respiração quando o homem que daria sua sentença se pôs de pé e lhe instou a fazer o mesmo. O pranto do casal Dunne fez-se mais audível provocando um estremecimento na pele do loiro que evitava a toda costa fixar seus olhos neles.
— Agora que se expuseram os argumentos de ambas partes, se impôs um pagamento que indemnizará os danos por negligencia médica… —começou o homem, Draco soube então que estava perdido, seguia se falando de dinheiro e isso ele não o tinha, já não escutou muito do que veio a seguir. Tinha suas mãos esposadas a suas costas e sentia que o equilíbrio lhe falhava, no entanto, ergueu a mirada com dignidade, não se desmaiaria pese a que sentia se morrer, tal como quando escutou o que se disse a seguir. —… se não conta com os recursos econômicos se incrementará em um ano a pena previamente imposta de cinco anos dentro das paredes de Azkaban sem merecedor de privilégios, de tal modo que Draco Lupin, a partir deste momento se considere baixo a custodia das leis mágicas da prisão de alta segurança.
Draco buscou os olhos dourados que lhe tinham roubado o coração, o viu saltar a cerca que o mantinha na área de visitantes sem lhe importar ter que eludir a três aurores que tentaram lhe impedir o passo. O loiro não pôde conter o pranto ao ver que seu esposo estava furioso. Remus conseguiu chegar até ele lhe abraçando possessivamente, cobrindo com seu abraço como se quisesse proteger do mundo inteiro.
— Professor Lupin, isso que faz vai contra as regras, lhe suplico que abandone o estrado. —advertiu-lhe o juiz, mas Remus nem olhou-o, seguia aferrado de Draco sem importar-lhe escutar como se lhe ordenava aos Aurores que o sacassem.
— Soltem-me! —gritou enfurecido quando sentiu que alguém tentava separar de seu esposo. — Não têm ideia do que fazem, Draco não merece passar tanto tempo em uma prisão, não é uma má pessoa!
— Rem… não te metas em bagunças. —sussurrou Draco com a voz afogada pelo pranto e o apertão tão forte que mal lhe deixava respirar.
— Se têm-me de levar a prisão, muito melhor, porque não penso me separar de ti. —respondeu-lhe baixinho, e só Draco pôde o escutar.
— Não… eu não quero que…
— Morrerei sem ti, morrerei sem meu companheiro a meu lado! —exclamou afundando seu rosto no pescoço de Draco.
Draco gemeu dolorido por essas palavras, quis implorar de joelhos por um perdão que lhe permitisse ficar junto a Remus, mas então sentiu um forte puxão que o separava bruscamente de seu esposo. Um par de Aurores estavam-lhe sustentando a ele e outros dois a Remus, quem não deixava de se remover tentando se soltar da opressão, não se importava sentir já as varinhas dos Aurores fincando em seu pescoço.
O ruído da porta chamou a atenção dos presentes, e ao olhar para lá, viram uma figura sair das penumbras para um lugar alumiado. A imponente presença de Lucius Malfoy calou os murmúrios, e este franziu o cenho, desagradado de ver a seu filho esposado e submetido por um par de gorilas que lhe tratavam sem nenhuma delicadeza.
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Nota tradutor:
Puxa vida agora que ele aparece para ajudar seu filho? Bem bem vamo bora pros reviews?
Vejo vocês nos reviews
Vejo vocês nos próximos capítulos
Ate breve!
