Capitulo vinte e três

Desejo de coração.

A mirada de Harry endureceu-se quando Severus se foi de seu lado para ir apressado para Lucius. Sabia que não era um bom momento para ter ciúmes, mas e isso que?... odiava ver ao loiro tão cerca de seu esposo e notar em seus olhos cinzas o amor que sentia por ele!

— Porque ninguém me disse que meu filho estava em problemas?! —reclamou Lucius ao moreno quando este esteve em frente a ele.

— Agora não é o momento para aclara-lo, mas recorda que vocês não se falam desde faz anos… e agora acho que já é demasiado tarde.

— Isso o veremos!

Lucius apartou-se para caminhar para o casal Dunne, de relance olhou a seu filho observando-lhe confundido e em silêncio. Chegou em frente ao casal irlandês e depois de sacar uma espécie de talão de cheques do interior de sua túnica, apoiou-se sobre a mesa que os separava dos acusadores de seu filho para lhes falar com toda sua arrogância.

— Quanto é o que devo pôr para que retirem a denúncia?

— Já não se pode retirar nenhuma denúncia, a sentença tem sido ditada. —interveio o advogado, ainda que nem ele nem os Dunne dissimularam um brilho cobiçoso em seus olhos ao ver que a caudalosa fortuna Malfoy se punha a sua disposição.

— Nada é impossível neste mundo, ponham o preço agora!

— Senhor Malfoy, você não pode vir a ofender desta maneira aos senhores Dunne. —afirmou o juiz que olhava ao loiro com desdém. — Lhe suplico que se retire se não quer receber uma sanção por seu comportamento inadequado.

— Não vou permitir que meu filho calque uma suja prisão por causa de um inepto como você!

Severus franziu o cenho ao ver que Lucius tão só estava piorando as coisas, o juiz já se via a ponto de explodir, e dantes de que sucedesse algo mais, foi para o homem, sujeitando do braço para lhe obrigar a sair da sala. Harry sentiu que o sangue lhe fervia de coragem por isso, mas agora tinha algo mais importante que fazer, Dumbledore tinha ido a intervir a favor de Remus, a quem pretendiam encarcerar por desacato e ele devia ajudar também.

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— Não pode pôr nesse plano, tem podido meter a Draco em mais problemas! —grunhiu Severus tentando não gritar, isso chamaria demasiado a atenção das pessoas que deambulavam pelo corredor do Ministério.

— Não me saia com tolices, Severus, não pode ter mais problemas que passar tempo em Azkaban, eu sei o que é isso! Sabe você, talvez?!

— Lamento muito que sua vida tenha sido tão miserável! —exclamou sarcástico. — Mas tem chegado tarde, não pode aparecer depois de tantos anos e recordar que tem outro filho além de Ayrton!

— Não, Severus, a quem se lhe tem esquecido que tem dois filhos é a ti, sempre terá prioridades e não somos nem eu nem seu filho!

— Mal posso achar que seja capaz de dizer isso, mas enfim, não é momento de confundir o motivo pelo qual estamos aqui... agora não pode fazer nada por Draco, melhor se vai, e deixa que os demais arranjemos as coisas.

— Draco não quer que me envolva, verdade? —perguntou um pouco mais tranquilo. — É por isso que não me avisaram?

— Draco jamais tem dito isso, mas também não acho que se sinta cômodo com sua presença… Se tem de ter reconciliação entre vocês não deveria ser por nenhum motivo que se assemelhe à lástima.

— Eu não sinto lástima por meu filho… Me enfurece que não me tomassem em conta, com meu dinheiro pôde ter evitado chegar a estes extremos e oxalá Draco reconheça agora o erro que cometeu ao se crer autossuficiente. Nada disto tivesse ocorrido se fosse mais sensato e não se tivesse unido a esse licantropo além de renunciar a seu sobrenome!

— Bem, obrigado por dizer isso e me dar a razão, agora sei que fizemos bem em te deixar fora do caso.

Severus girou sobre seus talones para regressar à sala, mas deteve-se quase ao instante, já todos saíam daí, Remus apoiado no braço de Dumbledore, parecia ter envelhecido em alguns anos, seu cabelo castanho tinha tintes branquinhos… Recordou nesse momento as crenças de que os licantropos só tinham um casal em sua vida e poderiam morrer sem ela.

Harry ia com eles, e não ocultou uma mirada furiosa para o loiro que continuava presente. Lucius sentiu e sorriu sem ocultar uma debocha para Harry para depois se marchar sem se despedir de ninguém.

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Essa noite, Draco tinha-se ido sentar em um rincão de sua cela. Levava o uniforme de Azkaban, um sujo conjunto cinza muito desgastado e com cheiro a velho, mas isso não se importava, olhou a seu ao redor, tudo era sombras e penumbra, o silêncio se aproveitando dos ouvidos. Tinha medo, e cruzou-se de braços em uma atitude sobreprotectora para seu ventre, esperando que seus filhos não sentissem a umidade e o ambiente de terror que flutuava lhe espreitando.

Uns passos ao fundo do corredor fizeram-lhe aconchegando mais em seu rincão, esperando passar desapercebido por quem fosse que se acercasse. Mais de repente, algo o fez se pôr em alerta… conhecia o ritmo desses passos.

Correu para a grade aferrando-se aos barrotes, felizmente já não tinha dementadores ou seguramente não tivesse podido nem se acercar.

— Rem!

— Draco! —chamou-lhe o licantropo correndo para a cela para buscar ansiosamente os lábios rosados aos que beijou através da grade.

O guarda que acompanhava a Remus se aclarou a garganta para fazer recordar sua presença. Depois abriu a porta permitindo-lhe ao licantropo entrar e em seguida voltar a fechar tentando não olhar ao casal que se abraçava com força.

— Não quero estar aqui, Rem. —sussurrou enquanto desfrutava do cálido abraço e o aroma que se desprendia do pescoço de seu esposo.

— Te sacarei, ainda que seja o último que faça, Draco, te prometo que não terá que estar aqui muito tempo.

— Poderia suportar o castigo que se me impusesse, mas não com meus filhos em perigo… Não quero que nasçam em um lugar como este.

— Não será assim, amor, é uma promessa.

Draco achava que Remus não ia poder fazer nada, mas mesmo assim lhe agradeceu sua intenção do consolar, e o que estava em suas mãos para retribuir esse gesto era lhe brindar um pouco de tranquilidade, por isso se esforçou em não chorar e se mostrar forte e esperançado… ainda que em realidade, estava muito assustado.

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Nos seguintes dias, pouco via-se a Remus no colégio, e Harry aceitou a proposta de Dumbledore de supri-lo em suas classes enquanto o licantropo continuava em sua tentativa de sacar a Draco de prisão.

Severus tentava ajudar, mas tinha seus próprios problemas. Ayrton não desaproveitava ocasião para lhe fazer ver o pouco que respeitava sua autoridade paterna. Pouco a pouco ia descobrindo o muito que chamava a atenção entre os garotos e gostava de saber-se desejado inclusive pelo de graus superiores.

Essa noite, quando chegaram ao comedor para jantar, Severus franziu o cenho ao ver a seu filho sentado sobre a mesa de Slytherin, e a seu redor se encontrava uma dúzia de jovens evidentemente interessados no garoto que ria coquetamente. Harry suspirou fundo e tomando a seu filho da mão levou-o à mesa, seguramente tinha que se esquecer de ter um jantar tranquilo.

Quase sem fazer ruído, Severus caminhou para a mesa de sua casa, seu filho não podia o ver ao se encontrar de costas a ele, mas seus acompanhantes sim, e de imediato empreenderam a fugida. Ayrton não teve que ser adivinho para saber porque se despediam intempestivamente, e antes de se girar, sorriu para si mesmo.

— Vai descontar-me pontos, Senhor?

— Em algum dia, Ayrton, compreenderá que esta atitude te lastima mais a ti… Pelo momento pode seguir tentando me contrariar, mas teus amiguinhos devem saber no que se metem se me inteiro que algum deles se atreveu a se ultrapassar.

— Nunca me imaginei te ver atuando como uma mamãe galinha. —debochou-se.

— E não se pode imaginar do que sou capaz por evitar que te dane, ainda que não possa o ver com clareza.

Severus retomou seu caminho para a mesa dos Professores tentando passar sua fria mirada pela cada um dos estudantes que tinha visto cerca de seu filho, estes de imediato desciam o rosto, compreendendo que o Pocionista ia em sério, e como nenhum deles queria averiguar até onde podia chegar na contramão de quem profanara a virtude de seu primogênito, souberam que era melhor deixar de lhe seguir o jogo ao garoto Malfoy… por muito interessante que lhes resultasse o loiro moreno com sua nova imagem.

— Onde está Draco? —perguntava Anthony quando Severus chegou a seu lado.

— Ele tem alguns problemas, amor, mas esperemos que regresse cedo. —respondeu Harry acariciando sua cabeça.

— Que problemas?

— Coisas de maiores, carinho, mas não se preocupe, você só se concentra em seus novos estudos.

— E Remus?... também não a ele o vi muito.

— Cedo voltarão ambos ao castelo, descuida.

Anthony assentiu e retomou seu alimento enquanto Harry olhava a seu esposo, notava-o ainda muito tenso, sem apartar seus olhos da mesa de Slytherin, onde Ayrton jantava com os assentos a seu lado vazios.

— Está bem?

— Sim… pelo cedo, mas se algum desses fedelhos malcriados se atreve a algo mais, te juro que lhe irei fazer companhia a Draco.

— Nem diga-lo outra vez… que faria eu sem ti?

Severus apartou a mirada de seu filho pela primeira vez e enfocou seus olhos negros em Harry, sorrindo-lhe agradecido por seu carinho. Agora foi Ayrton quem lhes olhava a eles, furioso quis coquetear com seu colega mais próximo, mas este rapidamente se escapuliu, apesar de ser batedor na equipe de slytherin, não era o suficientemente suicida para enredar-se com o filho de Severus Snape.

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Tinham passado um pouco mais de três semanas desde que encarcerassem a Draco. Remus praticamente vivia em Azkaban, às vezes deixavam-lhe entrar, mas quando não, se sentava na rocha junto ao alcantilado… inclusive o lobo passou aí as noites de lua cheia. Uivando à imensidão do céu, fazendo estremecer aos guardas que mantinham as portas fechadas a pedra e lodo.

Uma noite, os raios rompiam a negrura do céu. Draco permanecia aconchegado em um rincão da cela, encolhido sobre si mesmo, apertando fortemente seus olhos e tampando com suas mãos seus ouvidos.

— Já não… —suplicou quando um novo relâmpago anunciou o trovão. —… faz favor, já não.

Mas suas súplicas não eram escutadas, o trovão lhe fez se encolher mais enquanto se estremecia sussurrando "Odeio as tormentas… o odeio!"

Draco escutou então uns uivos já muito conhecidos desde uma pequeníssima janela de sua cela, e lhe doía perceber o lastimoso do som. Armando-se de valor, incorporou-se, aliviado um pouco ao ver as nuvens despejando-se finalmente, mas isso dava passo à lua cheia desse mês. Nunca tinha estado cerca da forma física de Remus como homem lobo, mas nesses momentos queria correr a seu lado e o abraçar, podia sentir que não correria nenhum perigo como sempre lhe tinham dito.

— Rem… —sussurrou chorando pela janela, não podia o ver, pois ante ele só se estendia o mar, e uma vertical parede de rocha que conformava os alicerces da prisão, mesmo assim sabia que rondava nas cercanias, fechou os olhos por um segundo quando um destelho de algum relâmpago perdido apareceu no céu, mas em seguida voltou aos abrir buscando na escuridão—… quero te ver… te estranho!

Como se tivesse atingido ao escutar com ajuda da espantosa agudeza de seu ouvido, o lobo deixou de uivar pela primeira vez, e escalando entre o alcantilado foi se acercando pela rochosa parede, sem lhe importar o perigo de cair para o vazio e morrer, já seja pela queda, ou pelo mar congelado no fundo.

A Draco pareceu-lhe ver uma sobra se deslizando. Ao princípio achou que tinha sido sua imaginação, mas depois soube que não. Entrecerrou os olhos tentando poder olhar melhor, e quando descobriu do que se tratava, não pôde o evitar, sentiu medo.

Um lobo não reconheceria nem a seus melhores amigos, isso era o que tinha entendido… Um homem lobo mataria ao instante sem pensar em quem tinha entre suas garras.

Correu para a grade tentado a chamar aos guardas, mas estes não se viam por nenhum lado. Um arquejo na janela fazer girar-se a olhar e instintivamente levou suas mãos a seu ventre, ele morreria sem pena em mãos de Remus, mas não queria que seus filhos resultassem feridos.

— Rem… reconhece-me? —perguntou quando o lobo cheirou adentrando seu focinho pelo estreito buraco que era a janela. — Faz favor… não me faça dano.

Os olhos escuros do licantropo fixaram-se nos temerosos de Draco. Deixou de arquear como se estivesse confundido pelo medo que inspirava, baixou a mirada choramingando.

Draco sentiu que podia confiar, e com algo de cautela se foi acercando. O lobo guardou silêncio e isso deu mais serenidade ao loiro que finalmente chegou até o animal. Conteve a respiração quando sentiu o úmido fôlego emergindo entre os fortes dentes. Cuidando de não apartar a mirada, elevou sua mão sem poder evitar se sentir indeciso, no entanto, não retrocedeu.

Pela primeira vez, Draco tocou ao lobo em Remus, achava que se encontraria com uma pelagem áspera, mas lhe surpreendeu sua sedosidade. Pôde então sorrir enquanto o animal fechava os olhos desfrutando dos dedos enredando-se em sua pelagem.

— É tão suave. —comentou carinhoso. — E tão formoso!

Draco esqueceu-se por completo de qualquer prudência e abraçou a cabeça que podia adentrar-se pelo buraco, tinha visto muitas imagens de homens lobo, todas lhe pareceram sempre grotescas e diabólicas… mas este, este que tinha entre seus braços era totalmente diferente, era belo ante seus olhos.

— Bem, pelo menos isto tem ajudado a saber que posso estar contigo nos dias de lua cheia… e quando saia, vamos poder estar juntos. —lhe sussurrou sem deixar de acariciá-lo. — Mas agora tem que te ir, se os guardas te veem tão perto poderiam lastimar-te.

Outro trovão perdido e Draco se superou apertando mais a cabeça de Remus. Este lhe acariciou com sua úmida e frio nariz o rosto de Draco, lhe brindando consolo a seu medo, conseguindo que o loiro se esquecesse da tormenta que se negava a se ir de tudo. Sorriu ao lobo e ante isso, uma lágrima brotou de seus redondos olhos. Uma lágrima que Draco secou com um beijo, sem mostra alguma de repulsão.

O loiro teve que empurrar pela janela para que empreendesse sua retirada. Não apartou sua vista do lobo durante todo seu caminho de regresso para uma zona segura, orava para que suas garras lhe mantivessem firmemente aderido à rocha, e não respirou tranquilo até que o viu chegar a uma explanada em onde voltou a uivar se dirigindo para Azkaban mais que à lua.

— Eu também te amo. —respondeu Draco enjugando-se uma lágrima.

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Harry corria o mais de pressa que podia com rumo à enfermaria. Dumbledore acabava de avisar-lhe que Remus tinha chegado muito mau ao amanhecer, pensaram no transladar para San Mungo, mas o licantropo se negou rotundamente.

Harry nunca se esperou ver tal decaimento em seu amigo. O licantropo luzia rendido, olhava para a janela e seus olhos de mel estavam opacos apesar de que suas bochechas ainda tinham impressões de umidade, e alguns feios aranhões também.

— Remus…

— Que vou fazer, Harry? —perguntou-se lastimoso. — Não posso o ver aí nem em um dia mais… está sofrendo demasiado!

— Não será para sempre, Dumbledore me disse que seguem pesquisando o caso em busca de algo que ajude, Remus… Eu não acho que Malfoy vá terminar em uma prisão, te asseguro que sairá cedo daí.

— Não, Harry, ontem disseram… não aceitaram nossa última tentativa de apelação ao julgamento.

— Mas, poderá ter mais.

— Já estudamos tudo, e não encontramos nada, Harry, absolutamente nada que possa o ajudar.

Harry guardou silêncio um momento, foi sentar-se à beira da cama, comovido pelas lágrimas que voltaram a brotar pelos olhos dourados.

— Não poderei resistir tantos anos sem ele, não poderei!

— Remus, não diga isso… cedo nascerão seus filhos e eles te precisarão forte a seu lado.

— E daí vou dizer-lhes quando cresçam sem seu pai?... como vai Draco a suportar tantos anos sem os conhecer?

— Não sei que te dizer, quisesse poder fazer algo por vocês.

— Sei-o, obrigado por dizê-lo, ainda que lamentavelmente não pode fazer nada. Meu Draco vai ter que passar todos esses anos em prisão sem o merecer.

Um ruído a suas costas fez girar. Remus limpou-se de imediato o rosto, envergonhado de que um menino lhe visse chorar. Harry apressou-se a acercar-se a Anthony com a intenção de evitar que avançasse e se visse afetado pelo que passava.

— Draco está em prisão? —perguntou assustado.

— Carinho, faz favor, você deveria estar em classes com teu Professor.

— Ele foi ao banheiro e eu queria te ver… o Diretor me disse que estava aqui, mas que voltaria cedo, mas quis vir contigo.

— Te levarei de regresso a suas classes, não volte a andar só pelos corredores, de acordo?

— Sim… mas primeiro quero saber porque Draco está em prisão, e porque chora Remus.

— Meu amor, não seja inoportuno. Vamos.

Harry acercou-se a Remus para desculpar-se por ter que lhe abandonar, o licantropo assentiu entendendo o motivo. Anthony não deixava de lhe observar, e lhe assustava o ver chorar tão tristemente. Não fez nenhum comentário nem pergunta alguma enquanto voltava a sua classe, também não protestou quando Harry lhe deixou só para voltar com seu amigo, no entanto, já não pôde concentrar em sua lição.

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À hora do jantar, Anthony não perdia detalhe do que passava a seu redor, notou a Harry mais sério que nunca, e ainda que Severus continuava repreendendo a Ayrton à cada momento por coisas que ele não entendia, também lhe via pensativo por longos períodos.

Perguntou-lhe ao Diretor na primeira oportunidade que teve, mas este voltou a lhe responder como seu pai, não eram coisas que tinha que se preocupar um menino como ele. E então tomou uma decisão.

Não estava muito seguro do que fazia, mas não lhe ficava outro remédio. Aproveitou novamente que seu Professor teve que se reunir com Dumbledore para sair de sua habitação e correr para a dos Slytherin. Assustava lhe voltar estar a sós com Ayrton, seu irmão sempre lhe olhava de uma forma que lhe fazia tremer, mas era o único que podia o ajudar a saber o que passava.

Atravessou a sala comum de Slytherin depois de que uns colegas de seu irmão lhe ajudassem a passar a entrada protegida com contrassenha, e foi direto à habitação do moreno.

Ayrton franziu o cenho ao vê-lo, acariciou tentativamente seu varinha com a intenção de praticar alguns feitiços que tinha estado estudando por sua própria conta. Mas depois recapacitou e sorriu, no entanto, seu sorriso era frio, calculadora e muito tenebrosa.

— Vá, jamais me imaginei que tivesse as calças de voltar a te aparecer por aqui, irmãozinho.

A Anthony não lhe tranquilizou no absoluto que dissesse "irmãozinho" no tom que tinha empregado a se dirigir a ele, não sabia porque, mas sentia medo por Ayrton.

— Queria fazer-te uma pergunta. —respondeu debilmente, esforçando-se por esquecer de seu temor.

— Ah… e qual é sua pergunta?

— Draco é seu irmão, deve saber porque está em prisão sabe?

— Pois algo tenho escutado, mas não me interesso demasiado por tolices, por mim pode apodrecer aí, lhe tem bem merecido.

— Porque?

— Porque matou a alguém.

Anthony empalideceu ao escutar isso, mas o sorriso zombador de Ayrton lhe fez duvidar sobre a veracidade dessas palavras.

— Isso não é verdadeiro… porque não me diz a verdade?

— Se não me quer crer, lá você, mas é verdadeiro. —afirmou abandonando seu assento para ir para sua cama em onde se recostou tranquilamente. — Draco deixou morrer a alguém no hospital onde trabalha, não sei mais que isso e não é algo que me importe.

— Draco é bom… ele não pôde fazer nada mau, e Remus chora.

— Remus chora? —repetiu rindo-se. — Isso sim que é gracioso, o Professor de Defesa é um lorica!

— Eu choraria se papai fosse a prisão.

— Pois porque você também é um lorica… Eu não choraria por nada nem por ninguém. Se Draco está preso é porque merece.

— Não te creio!

Ayrton voltou a sorrir, então abandonou sua cama e regressou para sua mesa, sacou de seu interior um pequeno tubo de ensaio, e sem prévio aviso apressou a seu irmão pelo bracinho, sem importar-lhe lastima-lo.

— Ayrton!... Dói-me!

— Disse-te que era um lorica. Aguenta um pouco, que quero fazer um experimento, mas para isso preciso um pequeno favor de sua parte.

— Que coisa?

— Tão só fica-te quieto.

Ayrton colocou sua varinha sobre o braço de Anthony e depois de pronunciar um feitiço, a pele do garoto abriu-se deixando sair um chorro de sangue. Anthony retorceu-se de dor e quis libertar-se, mas a força de seu irmão era maior pelo que não pôde fazer nada para evitar que este colocasse o tubo e coletasse o sangue suficiente para encher ao topo. Em seguida voltou a realizar outro feitiço que fechou a ferida deixando uma tênue cicatriz que praticamente era invisível.

— Já vê?... disse-te que não te passaria nada.

— É mau! —exclamou secando-se as lágrimas com seu suéter depois de que seu irmão lhe soltasse para ir guardar o tubo em um das gavetas.

— Sim, o que você diga… Mas mais te vale não me jogar de cabeça ou eu mesmo lhe irei dizer aos que encarceraram a Draco que não o deixem sair nunca, e eles me obedecerão porque posso lhes fazer coisas más se não o fazem.

— Não, não faças nada contra Draco!

— Enfim, não me importo, de todos modos acho que ele se morrerá em prisão, e por suposto, também se morrerá o filho que espera, porque sabia que Draco está grávido verdade?... e segundo sei, Azkaban é o pior lugar do mundo, ninguém sobrevive muito tempo aí.

Anthony não quis escutar mais, saiu correndo se sustentando o braço, ainda tinha algo de dor pelo que seu irmão lhe fizesse. Não quis regressar a sala onde lhe davam classes e foi diretamente para sua habitação, aí podia estar a sós e chorar… não importava que dissessem que era um lorica.

Recordou a Draco, estava seguro de que era uma boa pessoa e seguramente estava em prisão injustamente. O loiro tinha-lhe ajudado a recuperar seu medalhão, devia ter um coração bondoso.

Se enjugou as lágrimas e foi para o quarto de seus pais, buscou na gaveta onde sabia que Harry tinha guardado o medalhão, não demorou em encontrar o cofre e sacou o presente que lhe dessem seus padrinhos. O teria perdido se não tivesse sido pela ajuda de Draco… graça a ele agora o tinha a salvo em suas mãos.

"Não quero que Draco esteja em prisão" —sussurrou o apertando com força contra seu peito. — "Não quero que Remus esteja triste. Draco é bom, ele tem que sair livre porque é bom"

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Nota tradutor:

Hummmmm

E agora, o que esse medalhão vai fazer? E como o menino sabe que o medalhão é poderoso?

Vejo vocês no próximo capitulo

Ate breve

Fui…