Capitulo vinte e quatro
Difícil decisão
Harry ajoelhou-se junto a seu filho, tinha-lhe visto sujeitando o medalhão quando entrou a sua habitação, e suavemente lhe desprendeu das mãos. Não queria demonstrar o que sentia, mas estava seguro que tinha atingido a ver uma suave luz azul se desprendendo do medalhão.
— Que faz, Anthony? —perguntou-lhe fechando a gaveta em onde tinha voltado a colocar a joia para depois sentar a seu filho em suas pernas.
— Nada, só queria ver o medalhão… Estou triste por Draco. —confessou-lhe secando-se as lágrimas e aconchegando-se no peito de seu pai.
— Não se preocupe, carinho… Algo me diz que cedo regressará a casa.
Anthony suspirou fechando os olhos, estar nos braços de seu pai dava-lhe tranquilidade, já não queria se lembrar de nada, nem sequer de Ayrton, preferia não dizer o ocorrido com seu irmão… estava cansado.
Por sua vez, Harry guardou silêncio embalando a seu filho, preocupava lhe o que tinha visto, de modo que teria que fazer algumas averiguações para confirmar se o que temia era verdadeiro ou não.
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Draco encontrava-se em sua cela, girando sobre si mesmo na incômoda cama no que tentava dormir sem sucesso. Finalmente suspirou sentando-se fatigado, até esse dia não tinha podido descansar como devia e lhe preocupava sua gravidez, já não estava tão seguro que o crescimento lento de seu ventre fosse normal, para então já contava com cinco meses e pela experiência que tinha com gravidezes masculinas durante sua formação médica, se encontrava no limite de considerar seriamente que algo mau sucedia.
No entanto, não queria se preocupar demasiado. De qualquer forma não podia fazer nada nesse lugar, não tinha permitido a visita de nenhum medimago nem enfermeira a não ser que se tratasse de uma urgência… tão só esperava não ter que a precisar.
Acariciou seu ventre tentando infundir-lhe ânimo a seus bebês para que conseguissem crescer e se desenvolver fortes e sãos. Seu coração bateu apressado quando escutou passos no corredor, mas em seguida se acalmaram quando compreendeu que não podia se tratar de Remus, ele devia estar repousando depois de sua transformação… ou pelo menos isso esperava.
Nunca se imaginou que quem aparecesse do outro lado da grade fosse seu pai. Não soube como reagir momentaneamente.
— Que faz aqui? —perguntou titubeante quando o guarda lhe deixou a sós com seu pai.
— Tenho vindo por ti… é livre.
Draco abriu muito os olhos com essas palavras, mas conhecendo a reputação de Lucius Malfoy não sabia se era tempo de celebrar ou sair fugindo.
— Não tema, tudo é legal. —afirmou Lucius contendo um sorriso pela desconfiança de seu ramo, preferiu omitir comentar a respeito de suas tentativas de suborno para servidores públicos. — Demonstrou-se que não tiveste responsabilidade na morte do filho dos Dunne.
— Mas… que?
— Draco, essa família era uma banda de estafadores. Não estavam em uma expedição comum e corrente em onde saiu ferido o garoto. Eles tinham uma granja de bicórneos, experimentavam com seu veneno conseguindo o intensificar modificando uma toxina que evitava a coagulação do sangue… por isso não pudeste deter a hemorragia.
— Está seguro disso?
— Sim, tudo tem ficado certificado, o garoto morreria tarde ou cedo, as feridas que recebeu não somente eram graves, também estavam contaminadas desse veneno que eles mesmos formularam e para o qual não existe antídoto. O casal Dunne sabia desde sempre, mas para não se ver envolvidos ocultaram tal informação a sua chegada ao hospital. Ao que parece encontravam-se em negócios com assassinos mais perigosos que qualquer comensal. Felizmente deu-se com eles também, e muito cedo serão julgados.
— Mas como se inteiraste de todo isso?
— Para ser-te sincero, acho que a sorte esteve de meu lado. Eu simplesmente os busquei com a intenção de melhorar a oferta para que retirassem a demanda, mas ao chegar a sua moradia os encontrei falando do sucedido com outro de seus filhos. Tive a boa fortuna que meu advogado me estivesse acompanhando e conseguimos que um par de camponeses que em ocasiões lhes ajudavam, acedessem a declarar em seu favor. Dessa forma facilitou-se muito o processo para conseguir sua liberdade… Pode abandonar esta horrível cela a partir deste momento.
Draco ainda não podia o crer, estava inteirado que mal fazia umas horas se lhe tinha negado a última apelação e agora estava livre como por arte de magia. No entanto, ainda que pudesse ir-se, não se sentia completamente inocente, mas finalmente suspirou, não ia ficar encerrado tendo a alguém que o precisava lá afora, e instintivamente, se lançou a abraçar a seu pai com força.
— Obrigado! —exclamou emocionado. — Obrigado, pai!
— Não me agradeça, Draco, ainda que tenha renunciado a meu sobrenome, segue sendo meu filho e não te ia abandonar quando mais me precisava.
— Perdoa-me por ter estado tão afastado de ti tanto tempo.
— Foi minha culpa também, permiti que o fizesse pensando que com o tempo voltaria, jamais me dediquei a recuperar sua confiança e por isso, me desculpo contigo.
Draco não podia achar que escutava essas palavras, seu pai era relutante a se desculpar com ninguém, mas o melhor de tudo, é que lhe estava correspondendo ao abraço… e se sentia bem. Já não recordava quando tinha sido a última vez que Lucius Malfoy se mostrasse nessa faceta humana, pelo menos com ele.
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Remus tentava pôr-se em pé para sair da enfermaria, já levava demasiado tempo aí e precisava ir a Azkaban, não importava que não o deixassem entrar, pelo menos queria estar cerca de Draco, de outra forma sentia que lhe abandonava. Poppy não deixava de repreender-lhe tentando o fazer voltar a sua cama sem sucesso.
— Perdão, Poppy, mas já te disse que não ficarei, me sinto bem e forte, não insista mais. —assegurou, tentando não ser muito agressivo com a enfermeira que só pretendia cumprir com seu trabalho.
— Mas, Professor… é você um néscio!
— Não o discuto, agora mesmo me vou.
Remus terminou de abrochar-se sua túnica, mas quando ia dar um passo para a saída, o andar se lhe moveu e teve que voltar a se apoiar na cabeceira. A enfermeira esteve a ponto de recriminar, mas algo lhe fez girar a cabeça para onde o licantropo olhava trémulo.
Na porta encontrava-se Draco, e depois de um segundo de espera, correu para seu esposo abraçando-lhe com todas as forças de que era capaz. Não disseram nada, tão só se abraçaram contendo as lágrimas, e Poppy teve que aceitar que o melhor era se retirar e os deixar sozinhos, seguramente teriam muito de que falar.
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Umas horas mais tarde, todos se tinham reunido na enfermaria, notificados por Poppy, ninguém quis ficar sem se assegurar que realmente Draco estava de regresso. O que não se esperavam era o ver a ele na cama que fosse de Remus e ao licantropo lhe obrigando a ficar deitado.
— Faz favor, façam algo para fazer entrar em razão a este homem. —grunhiu Draco voltando a tentar levantar-se.
— Já te disse que não se moverá daí até que Poppy te faça uma revisão, quero que estejamos seguros de que tudo está bem. Agora que se comprovou sua inocência, não quero surpresinhas de outra índole.
Anthony correu e com algo de dificuldade trepou à cama para recostar-se abraçando a Draco, este lhe recebeu com um sorriso, sonhando em ter cedo a seus filhos em seus braços.
— Alegra-me muito que esteja de regresso, Draco.
— Obrigado, a mim também me faz feliz te ver de novo… Te estranhei, anão.
Anthony sorriu suavemente e suspirando fechou os olhos ficando deitado e ao pouco tempo dormia.
— Parece que tem jogado muito hoje. —comentou Draco.
— Acho que sim, o melhor será que me leve a dormir. —respondeu Harry acercando-se a carregar a seu filho. — Nos veremos depois, te felicito sinceramente, Draco, é bom te ter de regresso.
— Obrigado, Potter.
Harry sorriu-lhe e marchou-se com Anthony, Severus encontrava-se ocupado com alguns alunos pelo que não tinha podido lhes acompanhar. Poppy chegou então com todo o necessário para fazer a revisão a Draco, e depois de se assegurar que a gravidez cursava normalmente e regressar a alma ao corpo do casal de esposos, todos ficaram a comentar animados sobre o regresso do loiro.
Enquanto, Harry aproveitou que Anthony se tinha ficado dormido para ir para a lareira e em poucos minutos conseguiu conseguir entravar comunicação com suas melhores amigos até o outro lado do mundo.
— Harry, que alegria saber de ti! —exclamou Hermione enquanto brigava-se com Ron por obter uma melhor visualização através dos lumes da lareira. — Como tem estado? E Anthony?
— Olá garotos. Todos estamos muito bem, obrigado, e vocês?
— Também, quando vem a nos visitar? —interveio Ron.
— Não acho que possa ser cedo. —respondeu provocando que os rostos de seus amigos se entristeceram, ambos estavam seguros que o chamado poderia anunciar seu regresso. — O que queria é lhe perguntar a respeito do medalhão que lhe presentearam a Anthony.
— Há algum problema com ele? —perguntou Hermione sobrepondo-se da desilusão.
— Não o sei… acho que se ativou ou o ativei sem querer. Há alguma maneira de saber se tem cumprido já os três desejos?
— Não temos ideia. —assegurou Ron. — Acho que tão só deixa de funcionar. É que já tem pedido Anthony um desejo?
— Sim. Surpreendi-o pedindo que Draco saísse de Azkaban, e…
— O furão em prisão? —exclamou Ron.
— Assim é, teve um problema e tudo parecia indicar que terminaria passando em alguns anos em prisão, no entanto, depois de que Anthony formulasse seu desejo de que saísse, estranhamente o caso se resolveu e hoje o temos de volta, absolvido completamente de qualquer cargo.
— Pois vá maneira de malgastar um desejo… ajudando ao furão!
— Não me parece, em realidade acho que tem sido algo bom, confio na inocência de Draco.
— E desde quando?
— Já, Ron, isso não importa, o que quero é que, se fica algum desejo, o saber.
— Pois como te dissemos. —interveio Hermione. — Achamos que tão só deixará de funcionar, mas por se as dúvidas deve de ter cuidado, Harry.
— Sei-o, já o pus baixo feitiços, ninguém mais poderá o encontrar, só eu.
— Bem, essa foi boa ideia.
— Obrigado, Hermione. Suponho que devi o ativar acidentalmente depois de voltar, devi tomar mais medidas de cuidado antes, mas isso já não importa agora… e a propósito, também queria lhes perguntar se pedir desejos provoca algum efeito no menino.
— Não, nenhum… Porque o diz?
— Tenho notado a Anthony algo cansado, sempre tem sido muito inquieto, vocês o sabem muito bem, mas todo o dia mal tem falado e fica dormindo à cada momento.
— Não, Harry, deve ser um vírus ou algo assim, mas não é consequência do medalhão. Prometo-te que nos asseguramos muito bem de que fosse inofensivo para quem o usasse, jamais daríamos algo perigoso a seu filho.
— Sei-o, obrigado.
Harry despediu-se de seus amigos, foi assegurar-se que Anthony estivesse bem, lhe viu dormir profundamente, sua respiração era tranquila e por alguns minutos ficou lhe acariciando o cabelo. Pelo menos agora podia ficar ao cuidar mais tempo, o fato de ter dado as classes de Remus lhe tinha tão pressionado, e não tanto pelo ônus de trabalho, senão por Ayrton… Agora entendia a Severus mais que nunca.
Esse menino era incrivelmente perturbador!... nunca ninguém lhe tinha sacado tanto de suas lacunas, e Ayrton quase o conseguiu quando em uma classe esteve a ponto de lastimar a um de seus colegas com um feitiço aparentemente mau feito. Harry teve que intervir e resultou com uma queimadura em seu braço. Preferiu não lhe dizer nada a Severus, sobretudo porque Poppy pôde o curar com facilidade, e sabia que o garoto buscava mais problemas com seu pai que com ele.
Decidiu melhor esquecer o incidente, e agora podia respirar relaxado. Já era cerca de meia-noite quando lhe deu um beijo na testa de seu filho e regressou a sua habitação. Severus ia entrando nesse momento, e Harry apressou-se a recebê-lo com um amoroso abraço.
— E agora porque tão carinhoso, rabisco? —perguntou correspondendo fascinado a espontânea demonstração de amor.
— Porque amo-te muito, e sempre sou carinhoso contigo, não me levante falsos.
— De acordo, se você diz… —respondeu divertido. — E Anthony?
— Dorme, e podemos aproveitar o tempo para jogar um pouquinho que te parece? —insinuou fazendo uso de seus lábios para acariciar o pescoço de seu esposo.
— Segues tão ganoso… Bom, por mim encantado, mas quisesse ver a Anthony, não o vi em todo o dia.
— Quem manda-te chegar tão tarde!... agora dorme e o deixa descansar que parece que o precisa. Você usa bem o tempo e aceita um banho relaxante que te darei, aproveita que amanhã é sábado e podemos nos levantar tarde.
— Nem tanto, Albus citou-me em seu despacho a primeira hora, quer que falemos sobre uns alunos que andam de problemáticos… ainda que suspeito que seguramente se queixará de Ayrton, nesta semana tem andado mais labrestado ainda, parece que brigou com outros garotos.
— Bem, mas isso será até manhã, agora esquece tudo e vamos à tina… te prometo que não te arrependerá.
Severus olhou a porta que conduzia ao quarto de seu filho, sentia desejos do ver e o abraçar, mas Harry lhe puxou para o banho e já não se resistiu mais, passar uns minutos saboreando as ardentes caricias de Harry era algo impossível de se negar.
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À manhã seguinte, Harry levantou-se feliz, ainda que seu sorriso apagou-se quando buscou a Severus a seu lado e não o encontrou. Odiava que Dumbledore lhe escravizara tanto, agora tinha que se aguentar as vontades que tinha de acordar da maneira que mais gostava ao professor, e a dele também… mas nem modo, devia resignar-se com o sabor da masculinidade de seu esposo obtida a noite anterior.
Foi diretamente para ao quarto de Anthony, o menino continuava dormindo pelo que Harry se recostou a seu lado lhe movendo suavemente.
— Acorda, campeão. São quase as nove.
Anthony removeu-se queixando-se e voltou a dormir-se rapidamente, Harry suspirou, tivesse querido deixá-lo dormir mais, mas achou que era melhor insistir.
— Anda, Anthony, não seja preguiçoso… Tem que se levantar.
— E papai? —perguntou sem abrir os olhos.
— Teve reunião com Dumbledore, mas ontem à noite disse-me que nos esperaria na sala dos Professores, almoçaremos todos juntos para lhe dar as boas-vindas oficiais a Draco… Ele te agrada, não? Suponho que quererá o ir ver.
— Sim… mas, quero a papai.
— Por isso, tem que te levantar. Escuta, nos banharemos e iremos com papai, sim?
Anthony assentiu e fazendo um esforço abandonou sua cama, ainda caminhando cambaleante foi ao banho para duchar-se, e enquanto o fazia, Harry foi ao seu para fazer o mesmo. Assim que esteve pronto voltou por seu filho, surpreendendo-se de encontrá-lo nu sobre a cama, ainda úmido pelo banho, mas a ponto de ficar novamente dormido.
— Anthony, já é hora. —instou-lhe ajudando-lhe a pôr-se de pé sobre a cama. — É um frouxo, carinho, mas eu te ajudarei a vestir.
— Não sou um menino pequeno, posso o fazer sozinho. —protestou debilmente.
— Sei que pode, mas anda demasiado adormecido, e se não nos apressamos chegaremos tarde. —respondeu enquanto colocava a roupa interior do garoto e em seguida pôr lhe uma calça branca e camisola escura, o menino tão só deixava-se fazer mas seus olhinhos voltavam a fechar-se ocasionalmente. — Olha que formoso está meu bebê! —exclamou Harry abraçando-lhe, com toda intenção de lhe dar ânimo. — Precioso!
— Não sou precioso. —voltou a protestar, quase sem forças, deixando-se cair sobre Harry para abraçar-lhe. — Leva-me carregado sim?
— De acordo… Me sacará uma hérnia, campeão, mas por ti o permitirei.
Anthony não respondeu, tinha voltado a fechar os olhos descansando no ombro de Harry. Quando chegaram à sala de Professores já a maioria se encontrava aí, Anthony se incorporou lhes olhando.
— Onde está papai?
— Já não deve demorar em chegar. —respondeu-lhe Draco. — Dumbledore chegou faz uns minutos, disse que Severus viria assim que terminasse de castigar a uns alunos.
— Quero a papai. —gemeu voltando a recostar-se sobre o ombro de Harry.
— Que lhe passa? Noto lhe muito decaído. —interveio Remus.
— Sim, espero que se lhe passe cedo, não tem tido febre nem nada, tão só parece se sentir cansado. Mas vamos almoçar, não quero importunar este momento com vírus infantis.
Todos assentiram ao ver que Harry se mostrava confiado em que nada mau sucedia. O moreno sentou a seu filho a um lado, mas o menino olhou seu almoço sem vontades e voltou a buscar as pernas de seu pai para sentar-se adormecido nelas.
— Sentes-te mau, amor? —perguntou Harry beijando a testa de seu filho, corroborando que realmente não tinha febre. — Dói-te algo?
— Não… Só preciso a papai. —insistiu Anthony em um débil suspiro.
Harry não respondeu, penteou o cabelo de seu filho lhe retirando da cara e olhou para Draco, quiçá era momento de pedir sua ajuda como medimago, mas o loiro empalideceu compreendendo a intenção de Harry. Não teve ocasião de dizer nada, pois Anthony se incorporou ligeiramente olhando para a porta e murmurou um suave "Papai" que os fez a todos olhar para lá, se surpreendendo por igual ao ver que a porta se abriu um par de segundos depois e Severus aparecia.
De imediato, Anthony estendeu os braços para ele, lhe chamando quase com angústia. Severus olhou-lhe e foi para ele lhe sustentando.
— Que esta sucedendo aqui? —perguntou depois de estreitar a seu filho contra seu peito.
— Não sei, não tem deixado de perguntar por ti. —assegurou Harry pondo-se de pé, alarmado pela acentuação na palidez de seu esposo.
— Sua magia está baixa… isto não é normal.
Severus girou sobre seus talones para sair do salão, Harry correu atrás dele enquanto os demais se olhavam entre si sem compreender do tudo. Harry não sabia que passava, mas não se apartou deles. Olhou como ao chegar a sua habitação, Severus recostou a seu filho sobre sua cama, teve que fazer um esforço para poder soltar de seus bracinhos, e depois se despojou rapidamente de sua túnica, tirou a camisola de seu filho e voltou a se abraçar a ele, mantendo suas peles em suave contato.
Harry olhava aquilo sem entender, mas notou que o rosto de Anthony se suavizava e parecia estar muito cômodo dormindo agora sobre o peito de seu pai.
— Podes-me explicar que sucede? —perguntou recostando-se a seu lado.
— Não o sei bem, tão só sinto sua magia muito débil. Seguramente por isso me precisava, nossas magias são inteiramente compatíveis, por isso nos reconhecemos de imediato como pai e filho, Harry, ainda que ao princípio não o entendêssemos. Mas sabemo-lo, a cada que estamos juntos, sua magia e a minha provocam flashs muito formosos, hoje estão demasiado débeis.
— E acha que seja por algum vírus?
— Não o sei, mas não se preocupe, neste momento se está alimentando… em um par de dias estará como novo.
— Quer dizer que está tomando de sua magia?
— Assim é.
— Não é perigoso para ti? —perguntou preocupado.
— Não. Anthony é um menino pequeno e não tomará demasiado, sua magia lhe impulsionava a me buscar e só fará uso do necessário. Eu me reporei facilmente. Ademais, por meu filho seria capaz de dá-la toda… te asseguro que é uma sensação gratificante saber que neste momento está se fortalecendo de mim.
— E porque não tomou da minha? Eu também sou seu pai.
— Não seja zeloso, rabisco. —riu ligeiramente ao ver o brilho indignado de Harry. — Nesta ocasião tocou-me ser o portador ganhador.
Harry franziu o cenho fingindo-se molesto, ainda que reconhecia que seu coração albergava uma explosão de orgulho ao ver a Severus e Anthony sendo um mesmo. O resto do dia passaram-no aí. Remus e Draco, junto com Dumbledore, foram vê-los para assegurar-se que Anthony estivesse bem, e ainda que o garoto continuava dormindo, se lhe via bem mais reposto e poderia se dizer que até sorria em sonhos, como se desfrutasse de sentir a magia de seu pai enchendo seu corpo.
Harry tentou atendê-los à perfeição, algo que a Severus lhe causou muita graça e não desaproveitava para se debochar dele ao o ver lhe levar sucos e frutas para que comesse enquanto terminava o processo. O garoto mostrou-se indiferente ante isso, o único que queria era que seu esposo e filho estivessem bem.
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Ao entardecer, Anthony já tinha acordado e brincava com seu pai, mas mesmo assim, preferia continuar cerca de Severus e este não se opôs em nenhum momento, lhe era fascinante se sentir tão útil para seu filho.
Jantaram os três juntos, na cama, e isso resultou ser divertido para todos. Mas no momento em que Anthony alongou seu braço para tomar uma tostada da mesinha, Harry notou algo estranho nele. Suavemente apanhou lhe revisando lhe com minuciosidade, a cicatriz era praticamente invisível, mas aí estava, disso não tinha dúvida.
— Como te fizeste isto, Anthony? —perguntou preocupado.
— Eh?... não sei. —murmurou soltando-se para ocultar seu braço e voltar a abraçar-se de Severus.
— Como que não sabe? Porque está me mentindo, Anthony? —recriminou Harry com severidade. — Sabe bem que não gosto que me minta, de modo que agora mesmo me diz como ou quem te feriu assim.
— Harry, tranquiliza, provavelmente tivesse-a desde faz tempo, quiçá cortou-se em algum jogo. —interveio o outro pai.
— Claro que não, Severus! Conheço bem a meu filho e sei que não tinha esta cicatriz e também sei que me mente com o qual me tem muito decepcionado.
— Não, papi, não te enojes comigo. —pediu começando a soluçar.
— Então responde-me e diga como se feriu!
— Foi… foi Ayrton, fez com sua varinha, mas curou-me em seguida!
Harry abandonou a cama bufando enquanto caminhava de um lado a outro, não tinha que se pôr a pensar demasiado para saber o que sucedia. Severus teve a mesma conclusão, respirou fundo querendo não estar vivendo esse momento, mas não tinha muitas esperanças. Finalmente Harry abandonou a habitação deixando-lhes sozinhos.
Anthony sentia-se mau por ter traído a seu irmão, mas Severus acalmou lhe até que finalmente conseguiu o deixar dormindo. Sabendo que já não corria perigo se lhe deixava só, foi em busca de Harry para seu quarto matrimonial. O jovem moreno encontrava-se sentado ao fio da cama, e sua mirada fixa no tapete com o cenho franzido mostrava quçao enfurecido encontrava-se.
— Não sei que pensas, mas…
— Sim sabe, Severus! —interrompeu lhe pondo-se de pé para enfrentar a seu esposo. — Ayrton ultrapassou-se nesta ocasião e não penso o permitir, por sua culpa meu filho esteve em perigo!
— Harry, seguramente estás mal interpretando-o, o mais provável é que se tenha tratado de um acidente, não julgue a Ayrton tão precipitadamente.
— Não é precipitado! —exclamou a cada vez mais furioso. — Ayrton odeia a Anthony e sei que é capaz de qualquer coisa, esse garoto é demasiado estranho, não gosto!
— Não posso achar que seja precisamente você quem pronuncie tais palavras. —respondeu com calma, mas franzindo o gesto. — Você, Harry Potter, quem odiava que se lhe olhasse como um fenômeno, achei que teria mais entendimento para Ayrton.
— Eu jamais feri a ninguém e não posso compreender a quem tem lastimado a meu filho!
— Ayrton é um menino, não é capaz de lastimar intencionalmente! —assegurou sem poder evitar levantar a voz.
— Já o fez!... E advirto-te, Severus… —agregou acercando lhe para golpear o peito de seu esposo com seu dedo índice. —… se não faz algo para controlar a esse pequeno demônio, o farei eu. Se Ayrton atreve-se a voltar a tocar a meu filho, vai conhecer a Harry Potter!
Harry empurrou a Severus para fazer-se caminho e regressar ao quarto de seu filho, não queria ficar na mesma habitação que seu esposo, estava demasiado furioso pelo que passava e tinha que fazer coleta de todas suas forças para não ir até onde Ayrton para gritar a esse menino umas quantas verdades.
Ao ficar só, Severus permaneceu uns minutos no mesmo lugar. As últimas palavras de Harry ficaram gravadas em sua mente… estava realmente preocupado pela ameaça, sabia-o capaz de tudo.
Rapidamente saiu em busca de Ayrton, e não se importou que o garoto estivesse encerrado em seu quarto, a abriu com ajuda de sua varinha para em seguida pôr um feitiço de silêncio e de intimidem e assim evitar que ninguém lhe interrompesse. Ayrton não se amedrontou pela violenta entrada de seu pai, deixou o livro que lia sobre sua cama e cruzando seus braços por embaixo da nuca, lhe olhou lhe sorrindo zombador.
— Tem você muito maus modos, Senhor, ainda que seja chefe de casa deveria de tocar à porta, pelo menos.
— Que demônios pretendia fazer com Anthony?! —bramou acercando-se para ficar cerca da cama, com os punhos apertados contendo-se de não mostrar todo o que sentia.
— Explica-me, faz favor? —pediu com todo o cinismo que pôde.
— Pudeste deixá-lo sem magia, Ayrton, e sabe-lo, você sabe que o que lhe fez foi realmente perigoso!
— Bah, exagera… Se refere-te ao pequeninho drenagem, pois não foi de grande importância, tão só estava fazendo alguns experimentos.
Severus surpreendeu-se ao notar a frialdade de Ayrton. O garoto levantou-se e caminhou para sua mesa de onde sacou um tubo de ensaio que continha restos de sangue.
— Sabia que Anthony e eu temos quase a mesma genética mágica? —comentou com particular interesse. — É muito interessante, algo que não me esperava, eu só queria saber que tanta compatibilidade tínhamos e me surpreendi ao ver que era praticamente idêntica, pelo menos na parte que vem de ti. Sei que as possibilidades de que um filho herde o ônus mágico idêntico a um de seus pais é sumamente estranho, sobretudo tendo tantas combinações possíveis de acordo à ascendência… Minha parte Malfoy reúne os requisitos de qualquer genética, combinação de gerações, mas a sua não, e a de Anthony também não.
Severus não dizia nada, tão só lhe escutava absorto por aquelas descobertas. Ayrton caminhou ao redor de seu pai em uma atitude pensativa e extasiada.
— Porque terá sucedido duas vezes em nossa família? —questionou estudando a expressão de seu pai. — Poderia dizer-me?... ou é que talvez há algo que estejas me ocultando?... creio, Severus, que estou a ponto de acabar com sua mentira.
— Está-te equivocando, um menino como você não…
— Ao igual que contigo, Severus… —lhe interrompeu, indiferente a qualquer pretexto que pudesse dizer. —… os três somos como uma mesma pessoa magicamente falando… ainda que, suponho que sabe que eu conto com uma vantagem que vocês não têm.
O moreno já não pôde dissimular sua preocupação ante a mirada triunfante que lhe dirigiu seu filho, a fúria que sentiu pelo medo de que Anthony tivesse saído seriamente afetado se minguou pela angústia que agora predominava em seu acelerado coração. Estava realmente assustado, um menino de doze anos não tivesse podido realizar essas averiguações… a ele mesmo lhe teria levado tempo e muitos conhecimentos para poder realizar os feitiços que deviam se utilizar.
— Não o lastimes... —pediu sem poder evitar que sua voz se avariasse. —… faz favor.
— É tão divertido ver-te suplicando, Severus! —exclamou cacarejando de seu pai. — Me esta gostando muito este jogo… acho que experimentarei mais com seu filho. É tão doce e ingênuo que até dá riso!
— Ayrton, basta, não te permitirei que atue desse modo!
— Você não pode o impedir, se quero fazer algo o faço, recorda que já não é meu pai e portanto esse engendro também não é meu irmão! Eu o odeio, o odeio com todas minhas forças e me encantaria que esse estúpido desaparecesse de minha vida!
Os olhos negros de Ayrton refulgiram de um brilho vermelho que lhe dava a raiva e o ódio para todos. Severus ficou impávido olhando um sentimento tão atroz em um garoto de tão só doze anos, o coração rompeu-se lhe pensando em que tinha falhado como pai.
Quis abraçá-lo, mas nem isso pôde, Ayrton demonstrou o avanço em sua magia e um singelo movimento de varinha arrojou o corpo de seu pai contra a parede. Severus sentia-se muito confundido, não podia enfrentar a seu filho e lhe doeu intensamente o ver ainda lhe apontando, soube que Ayrton seria capaz de qualquer coisa, o ódio em seus olhos o dizia… Baixou a mirada se mordendo o lábio inferior. Sim, definitivamente tinha falhado.
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Mais tarde, o Professor tinha-se encerrado em seu laboratório. Furioso secava-se algumas lágrimas que ocasionalmente brotavam lhe impedindo ver o que fazia, não ia permitir que nada lhe desconcentrara, tinha tomado a decisão mais difícil de sua vida mas não retrocederia.
Uns minutos mais tarde, saiu do laboratório o qual deixou protegido para que ninguém entrasse enquanto durasse sua ausência. Saiu de Hogwarts, e dantes de desaparecer voltou a secar-se as lágrimas, agora não era momento de chorar pese a que sabia que ia direto a uma condenação definitiva.
Um segundo mais tarde apareceu na sala da mansão Malfoy.
Lucius ia subindo para seu quarto quando escutou a chegada de alguém, e só tinha poucas pessoas que estavam autorizadas para atravessar as barreiras de proteção. O coração deteve lhe ao girar-se e descobrir a Severus de pé em frente a ele.
— Tinha razão… —começou Severus olhando ao loiro. —… tentei fazê-lo sem ti, mas não pude… te preciso, Lucius.
— Severus…
— Usa a maldição, faz o feitiço, invoca o que tenha que invocar, mas me ajuda ao fazer… Ayrton o precisa!
O loiro não respondeu nem fez nenhum gesto, nem de triunfo nem de enfado, tão só retrocedeu os degraus que tinha subido, e tomando suavemente a Severus da mão, começou de novo a ascensão lhe levando com ele.
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Nota tradutor:
Mas o que será que acontece com esse menino? Ta cada dia mais esquisito e mesquinho, egoísta também.
Vejo vocês no próximo capitulo
Ate breve
Fui…
