Capitulo vinte e sete
Corações Generosos
Draco sorriu quando ao abrir a porta de sua habitação se encontrou com seu pai. De imediato convidou-lhe a passar, assim poderia o loiro maior conviver um pouco mais com seus netos, pois Remus tinha marchado a suas classes fazia uns poucos minutos.
Os dois bebês dormiam em seus berços, mas Draco permitiu que seu pai sujeitasse em braços a Allen, em seguida tinha notado que tinha predileção pelo varão, e o ver lhe acariciando o rosto com seu dedo índice era a prova de que não se equivocava.
— Alegra-me ver-te, Pai, e espero que possa vir com frequência.
— Seria uma honra, Draco, mas não acho que a seu esposo lhe agrade… e para te ser sincero, não me apetece muito me relacionar com ele.
— De acordo, mas sei que se fizesse um esforço te asseguro que Remus te agradaria e muito.
— Pelo cedo quem interessam-me são você e meus netos. Por isso tenho vindo, queria os ver e saber que estavam bem.
— Estamo-lo, obrigado.
— Ainda não tens pensado em voltar a teu trabalho?... segundo lembrança te reinstalaram a licença.
— Não quisesse deixar sozinhos aos meninos tão cedo. —respondeu dirigindo-se para o outro berço, abraçando a Thelma. — Esperarei mais tempo.
— Draco, você é forte, e ainda que não eram meus sonhos te ver como um medimago empregado em San Mungo, soube que conseguiu ser dos melhores e um futuro muito prometedor se visualizava para ti, não permita que isso se rompa pelo medo infundado.
— Não tenho medo, já te expressei meus motivos para não voltar.
— Conheço-te melhor que ninguém, e pelo mesmo, tenho esperança de que saiba sobrepor-te… Sei que em um dia voltará a confiar em sua capacidade.
— Mudemos de tema quer? —pediu com algo de nervosismo.
— Não há problema. Mas será melhor que me despeça, tenho algumas reuniões com meus advogados durante toda a tarde.
— Algum problema?
— Não, só são trâmites sem importância.
Draco assentiu confiando na serenidade que mostrava seu pai. Lucius acercou-se ao berço ataviada de azul e depois de dar um beijo na em frente a Allen, deixou-lhe suavemente para não o acordar. Depois ajudou a Draco a fazer o mesmo com a bebe.
O loiro nunca se esperou que, quando ambos tivessem os braços livres, Lucius lhe rodeou estreitando com força, mas se isso lhe deixou estupefato, os joelhos lhe tremeram quando escutou a voz de seu pai em um sussurro cerca de seu ouvido.
— Amo-te, Draco.
— Pai…
— Sei que nunca te disse e provavelmente também não o demonstrei, mas quero que esteja seguro que te amo e me sinto profundamente orgulhoso de ti, do que tem conseguido por teu próprio esforço, e ainda que Lupin não é santo de minha devoção, sei que te faz feliz e tão só por isso sempre lhe estarei agradecido.
— Papai, sente-te bem?
— Melhor que nunca!
— Obrigado! Para valer que me fazia muita falta o escutar.
— Eu sei… também me fazia falta o dizer. Não quero que siga pensando que Ayrton é meu preferido, tão só que sempre senti que me precisava mais.
— Não tem que dizer isso, sei que o adora porque ama a Severus como não amou a minha mãe, mas não é nenhum reproche… finalmente creio o entender, pois meus filhos se converteram em meu motivo de vida, e me orgulha ao infinito saber que seu sangue seja a mesma do homem que amo profundamente.
Lucius assentiu, teve que aceitar em seu coração, a principal causa do fervente carinho para Ayrton era Severus.
— Draco, quero pedir-te que cuide de Ayrton. Agora você o tem perto e não quero que se sinta só… sofre por Severus como não tem uma ideia.
— Pois não sei que tanto possa fazer por ele, mas te prometo que eu tentarei, só que… Há que reconhecer que Ayrton é um garoto raro, pai. Não quero que te moleste, mas me parece que tem comportamentos que chegam a assustar.
— Pelo mesmo, entende-o e ajuda-lhe… o fará?
— Farei o que esteja em minhas mãos, o prometo.
Lucius assentiu e por fim deixou de abraçar a seu filho, mas reteve-lhe sustentando pelos ombros para olhar aos olhos e sorrir-lhe.
— Já tenho que me ir. —disse sem apartar sua mirada do jovem.
— Vemo-nos depois?
— Sempre estarei contigo… Te amo!
Draco fechou os olhos quando Lucius se aproximou para lhe dar um beijo um a testa. Em seguida voltou a abraçá-lo efusivamente e quando por fim se armou de valor para soltar a seu filho, Lucius se dirigiu à saída. No entanto, ainda não chegava à porta quando esta se abriu para dar passo a Remus, quem ficou imóvel ao descobrir a presença de seu sogro.
— Lupin…
— Malfoy…
— Já me ia.
— Não é necessário, só regressei por uns documentos que deixei esquecidos. —disse tomando uma pasta de uma mesinha próxima. — Vocês podem seguir conversando.
— Lupin… —chamou-lhe Lucius sustentando lhe suavemente do braço, Draco olhava-lhes em alerta, não achava que seu pai fosse a armar problemas depois da atitude serena que tinha, mas de todos modos não queria se arriscar. —… Obrigado pelo que tem feito por meu filho, por lhe ter ajudado quando se marchou de casa, lhe apoiar a conseguir seu sonho e lhe presentear a formosa família que não soube lhe dar eu… O agradeço infinitamente.
Remus não soube que responder, aquilo o tomava completamente por surpresa, e seu aturdimento foi aproveitado para o loiro para se marchar rapidamente, não estava preparado em caso de uma reação sentimentalista do licantropo… apesar de tudo, se estremecia de horror pensar em que podia inclusive lhe abraçar.
— Que passou aqui? —perguntou Remus olhando a porta pela que tinha desaparecido o pai de seu esposo.
— Não o sei… acho que ser avô o voltou mais sensível. Disse-me que me ama.
— Para valer?
Draco assentiu sorrindo feliz, e Remus correspondeu da mesma maneira, qualquer coisa que provocasse essa luminosidade no rosto do loiro era motivo de alegria, e mais sabendo quanto precisava Draco se sentir amado por seu pai. Abraçaram-se felizes dessa aproximação à cabeça dos Malfoy.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
Severus entrou ao quarto matrimonial para usar a ducha, sempre tentava o fazer quando Harry já estivesse dormindo para assim o importunar menos. Essa noite foi igual, ainda que deteve-se um momento a olhar-lhe respirar suavemente baixo os cobertores. Suspirou tentando não seguir seus impulsos de se acercar. Por isso, antes de se sentir pior, se meteu no banho.
Ao sair tudo parecia continuar igual, buscou seu pijama e se mudou, mas dantes de regressar a seu despacho, escutou a voz de Harry lhe chamando. Soou muito longínquo, mas claro, de modo que voltou sobre seus passos ajoelhando-se em frente ao garoto… A alma destorço-lhe ao ver suas bochechas úmidas. Tinha um pesadelo, algo com ele e era notório que sofria.
A culpabilidade lhe abrigou implacável, mas sentia-se merecedor de qualquer sofrimento por ter sido o causante das lágrimas de Harry.
"Severus" Voltou a gemer Harry e removeu-se em seu lugar, soluçando quedamente.
As trémulas mãos do moreno foram para a cara amada para secar lhe o pranto, mas o simples roce provocou que Harry se acordasse e sobressaltado se sentou na cama afastando de seu esposo.
— Que está fazendo aqui? —perguntou acendendo a luz, olhando confundido a seu redor.
— Vim a banhar-me, já me ia mas tinhas um pesadelo… chorava.
— Não, não é verdadeiro. —negou sem importar-lhe sentir as lágrimas ainda escorregando, nem muito menos seguir sorvendo entre soluços.
— Quer que me vá?
— É o melhor. —respondeu pressionado enquanto levava-se as mãos à cabeça, massageando-se a testa.
— Se sente mau?
— Todo o dia me doeu a… a cabeça.
Harry ia dizer "cicatriz", mas sabia que ninguém achava que isso fosse verdadeiro, e como não queria discutir preferiu mentir um pouco.
— E porque não me disse? Posso trazer-te uma poção para aliviar-te.
— Se quisesse uma poção iria à enfermaria. —respondeu franzindo o cenho.
Sem fazer caso do protesto de Harry, Severus incorporou-se para ir para seu despacho, daí tinha acesso ao laboratório em onde podia encontrar a poção necessária para Harry. Quando Harry lhe olhou se marchar pensou que o fazia enfadado por sua fria resposta e lhe doeu o crer indiferente a sua tristeza. Esteve a ponto de detê-lo, mas já era demasiado tarde, Severus se tinha marchado lhe deixando sozinho.
Quando o Professor voltou a aparecer na porta, Harry sentiu o coração revoltar-lhe apaixonado, muito a seu pesar gostou de vê-lo regressar com a poção para ele. Sentia que seu trabalho era se mostrar relutante ao tomar, mas a alegria de saber que não se tinha marchado indiferente lhe impediu.
— Obrigado. —sussurrou depois de beber a poção que Severus lhe deu.
— Se te tirará em uns segundos. E faz favor, Harry, não me ocultes se te sente mau.
— Não é nada grave, não o cri necessário.
— Bem, mas esta noite preferiria me ficar contigo.
— Que? —perguntou confundido.
— Ainda que moleste-te, não me irei até que amanheça, não importa se depois não quer novamente saber nada de mim, esta noite ficarei a cuidar de ti.
Severus acercou uma cadeira para sentar-se junto à cama. Harry olhava-lhe sem saber nem que dizer, continuou sentado sobre suas pernas ainda quando seu esposo apagou a luz.
— Severus? —escutou-se a voz de Harry, sua silhueta desenhava-se nas penumbras, tão só meio desenhada pelos lumes da lareira.
— Já te disse que não me moverei daqui.
— Espero que si… quer vir à cama comigo?
Um silêncio reinou por uns segundos, Harry sabia que Severus não cria no que tinha escutado, isso lhe provocou muita ternura, e agradeceu que seu sorriso não fosse visível entre as sombras. Finalmente escutou e viu a figura de seu esposo abandonar sua cadeira para ir para a cama. Então Harry deitou-se também, a seu lado, mas tão só por um breve instante, depois girou sobre si mesmo se abraçando a Severus com carinho.
— Preciso-te. —sussurrou quando o moreno lhe abraçou, e seu confissão se escutou novamente chorosa pelo que Severus se mordeu os lábios se contendo de não chorar também. — Porque teve que o fazer, Severus?... Agora sinto que te preciso e dói saber que não tenho sido suficiente para ti.
— Não, não é assim!... É mais do que jamais mereceria!... Eu te preciso igual, e lamento muito te ter falhado, rabisco.
— Te converterei em mulher se volta ao fazer.
Severus surpreendeu-se com essas palavras, não pela ameaça senão pelo que significava, e tinha muito medo de estar a interpretando mau… Harry tinha que ser demasiado bondoso para lhe estar dando uma nova oportunidade.
— Harry…
— Tens muita sorte de que ande muito ganoso e seja o único que me excite. —interrompeu-lhe caçoando. — De modo que tens que me recompensar e me fazer o amor como nunca jamais… E que não se te esqueça, te juro que te converto em mulher!
Severus riu suavemente, mais que nada para conter as vontades de chorar, esta vez de felicidade. Colocou-se sobre Harry para beijar-lhe, disposto a fazer-lhe gozar uma imensidão… essa noite nenhum dos dois a esqueceria.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
Draco sentia que as pálpebras se lhe caíam, mas mesmo assim, sustentava firmemente em seus braços a seu bebê enquanto lhe alimentava. Felizmente Allen não tinha acordado com o pranto de sua irmã senão o problema tivesse sido difícil de resolver estando sozinho. Remus chegou nesse momento, tinha estado retido em um castigo imposto a alguns de seus alunos, ainda não podia achar que dois garotos Ravenclaw, sempre tão responsáveis e inteligentes se tivessem visto imiscuídos no roubo de exames.
Estava quase seguro que cria em suas palavras ao se declarar inocentes, lamentavelmente não puderam as comprovar, pois em suas mochilas se encontrou a prova do delito. O que mais lhe inquietava era saber que ambos garotos tinham tido problemas com Ayrton um par de dias antes do incidente. Não queria o julgar antes de tempo, mas suspeitava que a nota de aviso que lhe chegasse anonimamente a Dumbledore vinha de mãos do Slytherin, quem não dissimulou sua satisfação quando os Ravenclaw foram castigados, mas também não sua fúria quando soube que não seriam expulsos.
Remus sacudiu a cabeça, não queria pensar em Ayrton nesse momento, muito menos tendo em frente a si a imagem viva da ternura. Sorriu olhando a seu esposo ficando dormido sobre a cama, recargado na cabeceira e com Thelma repousando cuidadosamente em seu colo.
Tentando não lhe acordar tirou ao bebê de seus braços, a menina já tinha deixado de sugar o biberão e respirava adormecida. Remus lhe embalava carinhoso dantes de colocá-la em seu berço lhe cobrindo. Um vento entrou pela janela aberta, o Professor acercou-se para fechá-la antes de voltar à cama junto a Draco, mas nesse momento um relâmpago alumiou o céu.
Voltou a sorrir recordando a noite de tormenta que passasse junto a Draco… naquele dia em que soube que tinha que fazer todo o possível por se ganhar o coração do loiro.
O som do trovão retumbou nas paredes, e um grito a suas costas fez-lhe girar-se. Riu divertido ao ver a Draco tremendo assustado enquanto olhava a seu ao redor, buscando confundido algo.
— Thelma!
— Ela está bem, dorme em seu berço. —respondeu acercando lhe para sentar-se junto a ele.
— Que foi esse ruído? —perguntou depois de tranquilizar pela informação.
— Um trovão, parece que se aproxima tormenta.
— Ah. —gemeu olhando para a janela, onde um novo relâmpago lhe fez se estremecer, ainda que tentou o ocultar acomodando as cobertas.
— Tem medo?
— Eu não tenho medo, Lupin! —exclamou franzindo o cenho, mas ante o trovão seguinte sorriu nervoso. — Ainda que… ainda que seria bom que te deitasse já a dormir, aqui circuita.
Remus comprazeu lhe, e depois de meter-se baixo as cobertas, atraiu ao loiro para seu próprio corpo, sorrindo ao escutar um pequeno suspiro de prazer quando Draco recostou sua cabeça no peito de seu esposo.
— Sento-te cansado. —comentou Remus notando os músculos entumecidos do jovem Slytherin, e ainda que provavelmente a tormenta era responsável, conhecia a seu esposo e podia sentir a cada estado de ânimo que este tinha.
— Um pouco, os bebês são difíceis de cuidar… e isso que mal vou começando. Mas suponho que me acostumarei cedo.
— Seria uma boa ideia conseguir uma babá para ajudar-te. Ainda que vem o verão e posso ficar-me mais tempo contigo, já sabes como é Dumbledore e lhe surgem ideias e juntas no momento menos propício, não é justo que fique com toda a responsabilidade você só.
— Não me pesa o fazer, Rem, tão só é que devo ir tomando meu próprio ritmo.
— Mesmo assim, prefiro que tenha uma babá que vá conhecendo aos bebês… dessa forma poderia ter mais experiência quando decida voltar a trabalhar.
— Ainda não tenho pensado no fazer. —respondeu depois de um par de segundos de silêncio. — Quero combinar-me com meus bebês o maior tempo possível, minha intenção é ser o melhor pai que possam ter.
— Bem, não insisto mais, você saberá quando voltar porque sei que em algum dia quererá o fazer… mas de todos modos, preferiria que tivesse ajuda, isso não é nada mau, Draco.
— De acordo, buscaremos uma babá… ou babá.
— Nem ocorra-se jovenzinho! —exclamou dando-lhe um suave apertão no ombro enquanto Draco ria. — Terá que ser mulher e muito feia, porque bem que sei que suas olhos também podem calotear com as garotas.
— Meus olhos podem calotear para muitas direções… mas só ficam fixos em ti.
— É um lambisco!... mas bem, como conseguiu que isso que tem dito goste, então te deixarei dormir de toda a noite e eu me encarregarei de lhe dar as tomadas de leite aos bebês.
— Acho que não sabe o que diz. —debochou-se com um brilho travesso em sua mirada. — No entanto, aceito sua proposta que hoje tenho muito sono.
— Esperemos que a tormenta não te arruíne o descanso. —disse troçando-se do estreitamento no abraço que Draco lhe deu subtilmente depois de um trovão caindo bem perto.
— Melhor seja útil, Lupin, e coloca um feitiço de silêncio que esses trovões me incomodam.
— Agora se lhe diz "incomodar"?
Draco grunhiu, mas seu esposo deixou de rir por isso e obedeceu colocando o feitiço solicitado. Dessa forma o loiro pôde dormir, algo que não lhe tomou demasiado tempo. Remus lhe beiju na testa antes de deixar sua mente regressar a seus problemas como Professor… não sabia se tinha que falar com Snape sobre seu filho, talvez ele devesse estar inteirado de suas suspeitas. Ao final decidiu que melhor esperaria um pouco, após tudo, Dumbledore já a tinha informado que o garoto não seria aceito para seu segundo ano em Hogwarts.
Lamentava muito, mas realmente não podia dizer que fosse uma decisão injusta, ao invés, pelo menos lhe estava dando a oportunidade de continuar seus estudos de maneira particular ou em outro colégio como Durmstrang. Se fosse expulso oficialmente, sua varinha seria rompida, o qual representaria a pior das catástrofes. Seguramente tinha sido pensando em Severus, que Dumbledore decidiu fazer as coisas desse modo, pois Ayrton não luzia muito preocupado por seu destino como aluno de Hogwarts.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
Harry fechava suavemente os olhos e suspirava… tinha estranhado demasiado os beijos e as caricias de Severus que agora que voltava às sentir por todo seu corpo lhe era impossível não aceitar que esses mimos lhe extasiavam.
As mãos de seu companheiro sentiam-se suaves, cálidas e amorosas, não sabia se era magia real ou tão só o amor que saía disparado da pele do moreno para a sua, mas realmente se sentia… genial.
Snape beijava nesse momento seu pescoço, e podia sentir a sedosidade de seu longo cabelo roçando-lhe seu peito e ombros, se embelezava com seu cheiro, um cheiro a Severus, ao homem que amava para além de qualquer coisa. Seu membro estava sendo oprimido intencionalmente entre ambos corpos, o que aumentava sua estimulação e arrancava de sua garganta os mais sinceros gemidos de prazer.
— Me beije! —pediu Harry sujeitando a cabeça de Severus para renunciar às sucções para seu pescoço e olhar aos olhos. Snape quis comprazê-lo e acercou seus lábios aos de Harry, este lhe sorriu, mas colocou seus dedos na boca de seu esposo sem deixar de exalar seu fôlego cálido e ansioso—. Aí não… não agora.
— Onde?
— Lá.
Harry baixou a mirada fazendo-lhe entender o que desejava. Severus não esperou mais, de um sozinho movimento desceu até o lugar indicado. Primeiro cheirou, tentando que seu nariz se afundasse na macieza da já umedecido tapete negro. Com a ponta da língua lambeu as gotas de sêmen que tinham conseguido escapar abrilhantando a pele branca, agora congestionada e palpitante de desejo.
— Sev… mais!
— É delicioso, Harry, é o mais extraordinário que têm provado meus lábios.
— Sua boca… Preciso sua boca!... sua quente boca que sabe apertar forte, que me faz sentir que morro de excitação.
Severus sentiu a Harry remover-se enquanto levantava ligeiramente seus quadris em busca de conseguir seu desejo, e quando por fim sentiu seu membro envolvido a acariciante umidade, exalou um profundo grito de prazer. Isso inspirou a Severus a lhe dar mais, moveu sua língua e a cada músculo de sua boca e garganta em prol da melhor sessão de sexo oral que lhe tivesse dado dantes.
Sugou forte, tentando não lastima-lo mas gozando assim mesmo do sabor salgado que extraía na cada ocasião. Com suas mãos acariciava o resto dos genitais de seu esposo, sentindo como se contraíam com seu toque, ia para seu peito, apertando com gentileza os endurecidos mamilos, depois às pernas, as fortes pernas que Harry mantinha abertas para lhe facilitar seu trabalho, essas pernas que adorava sentir se cercando em sua cintura quando o possuía.
E ao final, quando sentia que Harry estava chegando no ponto sem volta, buscava o lugar preferido onde suas mãos gozavam como em nenhum outro… simplesmente enlaçando seus dedos aos de Harry, estreitando-se com firmeza enquanto dava a sucção final e sentia que sua garganta era invadida pela essência da masculinidade de Harry.
Mas ainda que o Gryffindor sentia-se comprazido, ainda o ato não podia se dar por terminado… queria algo mais… queria a possibilidade de ter um bebê com Severus. Esse motivo, e o fato de que seu esposo lhe acordasse sempre o desejo, fizeram que pouco depois, terminasse em um segundo orgasmo enquanto era possuído pelo professor com toda a ansiedade que lhes dava ter estado separados por algum tempo.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
À manhã seguinte, Hogwarts teve uma visita. Lucius não se molestou em avisar de sua chegada, simplesmente entrou e foi direto à habitação de seu filho antes de que este se marchasse a suas classes, as últimas classes ante o verão que já estava por chegar.
— Que faz aqui? —perguntou Ayrton ao ver entrar a seu pai, nem sequer molestou-se em interromper-se e continuou atando sua gravata para depois pôr-se a recolher seus úteis escolares. — Tenho pressa para chegar a classes.
— Só queria saber como tens estado… Já não teve nenhum problema com seus colegas?
— Nenhum. —respondeu sorrindo sarcástico. — São eles os que têm problemas comigo… até os slytherin me resultaram todos uns babacas! Temem-lhe a Severus de uma forma que dá riso.
— Respeitam-lhe.
— Temem-lhe! —afirmou rindo. — São uns idiotas, nem ideia têm que Severus é um boneco fácil de manejar se um sabe como.
Lucius não respondeu nada, via que seu filho continuava na mesma atitude de sempre, não é que lhe surpreendesse, mas tinha tido a esperança oculta de não ter que fazer o único que agora se podia. Acercou-se a Ayrton, e sem importar-lhe que este se removesse furioso, lhe abraçou com força para depois lhe dar um beijo na bochecha.
Não se despediu, tão só girou elegantemente sobre seus calcanhares para depois se marchar. Lucius preferia não ter em sua mente a imagem de um garoto altaneiro, sempre era melhor eleger ao menino doce e carinhoso que foi Ayrton antes de Potter.
E falando dele… Lucius respirou fundo para o ir buscar.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
Severus deixou a um lado suas anotações, aproveitava que seus alunos se encontravam concentrados em frente a seus caldeirões para continuar com a investigação da poção de Ayrton, tinha encontrado algo que podia servir, um feitiço tão antigo como poderoso, mas ninguém lhe tinha invocado desde fazia milhares de anos, primeiro tinha que averiguar os possíveis efeitos secundários, algo que ainda não conseguia.
Respirando fundo para relaxar-se deu um passeio entre os garotos de Ravenclaw, satisfeito dos resultados de seus poções. Olhou o relógio, era a hora do almoço… quiçá podia dar-se um tempo livre, despejar a mente e depois regressar a seus estudos.
Permitiu que os garotos fossem ao comedor, e quando ele ia fechando seu salão de classes, Dumbledore apareceu de repente.
— Vais para o comedor?... sinto importunar-te, há algo que temos que falar.
— Albus, terei que pedir que espere até a noite, se não é moléstia… Em realidade minha intenção era ir por Harry ao Ministério, quero o convidar a comer. —disse-lhe sem ocultar sua felicidade ante o perdão de seu esposo.
— Pode pospô-lo uns minutos? Não me levará demasiado tempo… é sobre Ayrton.
— Que tem feito agora? —perguntou preocupado.
— Estava castigado e não se apresentou, já não é novidade, mas preciso que nesta ocasião esteja presente durante a reprimenda, Trelawney está realmente enfadada e os alunos de sua Casa poderiam ficar sem pontos, e duvido muito que isso o recebam com agrado, é melhor que defende por ele.
Severus assentiu esquecendo-se temporariamente de passar um almoço agradável com seu esposo, ainda que o mais provável era que não se demorasse demasiado, a professora de Adivinhação seguramente era alguém fácil de convencer para que se mantivesse à margem. Agora só lhe ficava esperar poder chegar a tempo para convidar a Harry a um bom restaurante, tinha descuidado seu casamento demasiado e tinha muitas vontade de desfrutar da companhia de Harry.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
Lucius entrou ao Ministério ignorando as miradas curiosas de quem se topou em seu andar, tão só trocou as palavras necessárias com uma empregada para averiguar o lugar onde podia localizar a Potter. Quando chegou ao escritório de Harry como Auror, este lhe recebeu de maus modos, franzindo o cenho enquanto se punha de pé atrás de sua mesa. Não podia dissimular seus ciúmes para o loiro, muito menos depois de ter passado a maravilhosa noite com Severus e saber que o arrogante tingido não desconhecia desses momentos.
— Precisamos falar. —murmurou Lucius apertando com força a empunhadura de sua bengala, era evidente que ele também não tolerava a Harry.
— Nós não temos nada de que falar, Malfoy… Fora!
— Sim há algo que deves saber, algo relacionado com Severus e que jamais te inteirará se não é por mim… Não ache que é muito grato vir aqui e ter que falar contigo, mas é importante que o saiba para que tenha ideia do que sucede realmente.
— Se pretende meter discórdia entre nós perde seu tempo… Não crerei nenhuma de suas palavras.
— Mais vale-te que sim, mas não pretendo perder meu tempo como diz… Vamos a minha casa agora mesmo e falemos, já depois dirá se o que te disse é importante ou não.
— Acha que sou estúpido para ir a sua casa?
— É minha condição.
— Não é ninguém para me pôr condições… Tem sido você quem quer falar, a mim não me interessa.
— Bem, será sua decisão, Potter, mas então será sua culpa as consequências.
— Ah, agora a culpa é minha! —exclamou mordaz.
— Toma-o como queira, mas se realmente te interessa recuperar a confiança para Severus, então virá comigo.
Harry franziu o cenho, mas a curiosidade pôde demasiado. Surpreendendo-se de si mesmo, se viu abandonando o Ministério atrás do loiro, esperando não ter caído em uma armadilha.
0=0=0=0=0=0=0=0=0
Nota tradutor:
Mas então? O que será que esse loiro pretende?
Vejo vocês no próximo capitulo
Ate breve
Fui…
