Capitulo trinta

Caçando

Ao entrar a sua habitação, Severus ia completamente empapado, mas nem o frio das masmorras foi o causante do estremecimento que sentiu ao ver a cena que lhe esperou atrás da porta.

Harry estava sentado sobre sua cama, abraçado de suas pernas nuas, já se tinha tirado a túnica de gala e tinha posta uma das camisas de Severus, só isso, lhe cobrindo demasiado ante o grande que lhe ficava ainda. Seus pés cobertos com calcetas brancas. Via-se tão pequeno, recordou-lhe tanto a seu menino Gryffindor, aquele de quem se foi apaixonando por sua forma de pensar, pelo jeito que lhe sorria e sua timidez. Uma timidez que venceu contra todo prognóstico para lhe confessar que o amava em um arranque de valentia e ciúmes.

E agora chorava, por sua culpa.

Severus odiou-se por ser o responsável pela cada lágrima e da dor que viu nos olhos verdes sem óculos quando Harry levantou a cara para lhe olhar.

— Sev, está empapado!

Harry levantou-se de um salto limpando-se descuidadamente a cara com a manga da camisa, foi por uma toalha ao banheiro e Severus sentiu-se ainda pior, não entendia como podia se preocupar por ele depois da forma em que o tinha tratado, mas mal o teve perto e lhe apertou com força contra seu peito e até lhe levantou do chão pelo impulso usado, sem sequer lhe dar tempo de secar.

— Sucedeu algo? —perguntou Harry preocupado ao sentir-se abraçado daquela maneira.

— Não… Só que te amo e que não me podia ir sem te dizer.

— Severus, eu o sei. —assegurou mais tranquilo, recostando sua cabeça no ombro de seu esposo, sem importar-lhe umedecer-se também. — Sinto a ceninha de faz momento, mas…

Harry já não terminou de falar, Severus lhe tinha colocado uma mão sobre a cabeça a fazendo para trás e ferozmente unir seus lábios a ele. Harry se aferrou então com braços e pernas ao redor do corpo de seu esposo, correspondendo com a mesma impetuosidade, esquecendo-se de tudo, Severus lhe levou até a cama, decidido a lhe fazer o amor desquitando-se de tanto tempo perdido.

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O amanhecer resultou muito doce para Harry, não podia deixar de sorrir apesar de que não dormiram nada em toda a noite e agora seguiam com mimos e brincalhões baixo as cobertas que mantinham ao casal sem nenhum desejo de abandonar essa cama.

— De modo que isso te disse seu filho. —riu Severus quando Harry lhe contou entre beijo e beijo que Anthony ainda insistia com a ideia de uma irmãzinha.

— Sim, e parece-me boa ideia, a ti não?

— Por suposto… em algum dia.

— Ah, mas eu quero que seja cedo. —afirmou Harry pondo-se de pé e recuperando a camisa de Severus que se voltou a pôr permanecendo de pé sobre a cama. — E agora que sei que te excita ver com sua roupa, te asseguro que me porei mais seguido… desperdicei muito tempo com o pijama branco.

— São diferentes, mas nem se ocorra deixar o pijama… com essa te vê muito sensual.

— E assim? —perguntou separando os braços para mostrar-se.

— Assim te vê… realmente desejável, veem aqui.

Harry riu e sujeitando-se do poste do dossel da cama, girou sobre este brincando, desfrutando de ver a Severus ansioso de que fora a seus braços.

— Harry… veem. —insistiu o professor apesar de que desfrutava de ver feliz, queria beija-lo e o abraçar forte.

— Agora vou… é só para que me deseje mais.

— Já não posso te desejar mais vens, faz favor? —mas Harry negou e agilmente foi para o outro poste ao que também rodeou sujeitando com uma mão. — Rabisco, vai cair!

— Claro que não… sabe? Sou feliz, nada mais de estar contigo sou feliz.

— Já não mais jogos… ou não queria uma filha?

Com essas palavras, Harry deixou de girar sobre os postes e saltou para a cama ficando de joelhos e sobre o corpo de Severus. Este tão só se encontrava coberto da cintura para abaixo com uma manta e recargado sobre uns almofadões, pelo que sustentou a Harry lhe rodeando pela cintura, sorrindo quando pacatamente, Harry apartou a coberta para ficar diretamente sentado sobre as pernas de seu esposo.

— Rabisco… Sabe o que está fazendo? —perguntou Snape quando o garoto começou a lhe acariciar os braços.

— Tenho alguma ideia.

— E sentado justo aí?

Harry sorriu, podia sentir perfeitamente o membro de Severus acariciando sua entreperna nua baixo a camisa, e isso lhe fascinava. Inclinando-se um pouco, soprou calidamente a pele do pescoço de seu esposo, às vezes dando-lhe beijinhos, às vezes pequenas lambidas que conseguiam arrancar gemidos extasiados da garganta de seu esposo.

— Gosto, Severus, gosto muito de teu corpo, seu cheiro… gosto de seu fôlego, encanta-me tudo de ti. —lhe sussurrou ao ouvido, desfrutando de sentir a resposta na pele do professor.

Severus arqueou o pescoço dando-lhe mais espaço, sentia as mãos de Harry ir de seus braços a seu peito nu e ele começou ao acariciar também, ir por suas pernas e se introduzir se posando no quadril do mais jovem, apertando com ansiedade a teia de sua camisa ainda cobrindo o corpo de Harry. Harry então desceu suas mãos, e buscando o membro de Snape cercou-o entre seus dedos, sem deixar de beija-lo, de suspirar em seu pescoço, começou a massageá-lo com macieza, lentamente.

— Harry… —suspirou Snape prazenteiramente.

Em resposta, Harry uniu seu próprio membro já erguendo-se ao de Severus, o esfregando o um com o outro, conseguindo em ambas peles a sensação de chispantes descargas elétricas. Severus correspondeu rondando-lhe pela cintura, arqueando ainda mais seu pescoço para que Harry não suspendesse com suas caricias, gostava de sentir-se prodigado de mimos e atenções por parte de seu companheiro.

— Está pronto. —sussurrou Harry ao sentir o membro de seu esposo tão endurecido que parecia estalaria de uma hora para outra. — E se antoja delicioso.

Severus apartou-se um pouco para olhar-lhe, Harry então colou sua testa à do Professor, sorriu-lhe ligeiramente antes de subir seu quadril.

— Tremo tão só de desejar-te, Severus. —disse-lhe enquanto acomodava o membro de seu esposo posicionando entre suas pernas, o professor sentiu o coração invadindo-se de prazerosa ansiedade. — Emociona-me tocar-te e saber que a cada parte de seu corpo é minha… já só minha verdade?

— Sempre, Harry, sempre tenho sido só para ti… em minha mente e em meu coração sempre foi você.

Harry assentiu fechando os olhos, não queria pensar mais em aquilo que pusesse a prova seu amor, queria se convencer de que somente agora seriam eles, e que já nada jamais poderia os separar. Alçando um pouco mais o quadril, Harry colocou-se no lugar indicado, e depois, suavemente, foi descendo, apertando os músculos de sua cara pela fonte de sensações que lhe acordava o sentir como seu interior era invadido pouco a pouco.

— Severus… gosto tanto saber-te tão dentro… tão de profundo.

— Move-te… faz favor. —suplicou arquejante ante a apreensão de seu membro.

— Não… desta vez desfrutará de outro modo… Me abraça forte.

Severus obedeceu, apertou tão forte o corpo de Harry contra o seu que sentiu a ereção do mais jovem se fincando entre ambos ventres, algo que arrancou um pequeno grito de Harry que demonstrava o bem que sentia aquilo. Então o Gryffindor começou a mover-se, mas não da forma que Severus esperava, não tinha acelerações nem empurres, tão só suaves círculos que massageavam sua próstata e que ao mesmo tempo, contraíam suas paredes apertando com mais firmeza o membro de seu esposo, lhe acariciando em seu interior.

Sem dizer palavra, ambos seguiram igual, com estreitamentos a suas peles, se unindo tanto o um ao outro que parecia que em qualquer momento se formaria uma só pessoa. Harry buscou então a boca de Severus, devorando-a apaixonado, conseguindo com sua língua que seu esposo se excitasse ainda mais.

— Não posso… o crer. —gemeu Snape dentro dos lábios de Harry. — Sinto-me… a ponto, Harry.

— Pois dá-me todo o que tenha, Sev, absolutamente tudo!

Severus sentiu a cada músculo de seu corpo contraindo-se violentamente ante a chegada de um espasmódico orgasmo que lhe duplicou as batidas de seu coração. Harry encolheu-se sobre si mesmo ao ter a mesma sensação e suavemente mordeu o ombro nu de seu esposo enquanto sentia como seu interior era inundado em sua totalidade e uma morna umidade irrigava entre os dois corpos… uma sensação de paz e de satisfação lhe chegou inesperadamente a sua alma, como se finalmente tivesse cumprido algo pendente.

— Será porque amo-te que me faz sentir tanto? —questionou-se Severus depois de recuperar um pouco o fôlego. — Contigo sempre tudo é tão intenso.

— Pode ser, porque juro-te que às vezes até me angustia te amar como te amo, sinto que jamais me atingirá a vida para te dar todo o que quero te dar.

Severus olhou direto aos olhos verdes, comovido por essas palavras, pela enorme necessidade de Harry para amá-lo e ver-lhe feliz, podia entendê-lo porque sentia-se igual. Harry sorriu-lhe dantes de levantar-se e seu esposo enfocou sua mirada para a entreperna do mais jovem, vendo como gotas de sêmen escorregavam entre suas pernas. Harry surpreendeu-lhe e sorriu ainda mais, com sobrada sensualidade permaneceu de pé sobre a cama, permitindo que o rosto de Severus ficasse a nível de seu espetáculo.

— Gostarias banhar-me? —perguntou Harry maliciosamente.

O Professor levantou a mirada, mas justo quando ia responder, o rosto do Gryffindor apagou seu sorriso, e cuidadosamente voltou a ajoelhar sobre o corpo de seu esposo, mas agora não com atitude luxuriosa, senão com uma extrema palidez e levando suas mãos a sua cara.

— Que te passa, Harry? —perguntou Severus penteando o cabelo.

— Não sei… tive um mareio, isso me passa por me pôr de pé sobre a cama. —respondeu esforçando-se por sorrir.

— Não será que já vem a pequena princesinha? —questionou abraçando-lhe com ternura.

— Não, amor, não é isso.

Harry abraçou-se de Severus, não queria lhe dizer nada mais, mas de repente tinha tido uma muito desagradável opressão na alma.

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Anthony caminhava rapidamente subindo as escadas, como pôde se vestiu e amarrou as rendas de seus sapatos, e feliz chegou até o vestíbulo. Sorriu ao olhar a alguns alunos descendo pelas escadas para ir para os pátios em onde lhes esperavam já as carroças que lhes levariam à estação de comboios. Ia segui-los quando uma voz a suas costas lhe fez se parar em seco.

— Ah… Olá, Draco. —saudou sorrindo ao descobrir a quem chamava-lhe.

— Pode-se saber a onde ias você, jovenzinho?

— Quero ir despedir aos garotos.

— E seus pais?

— Em cama, creio. Papai Harry disse-me que falaria toda a noite com papai Severus para que me dessem uma irmãzinha e que não os interrompesse.

— Esse Potter é um todo um caso! —exclamou tentando não corar ante a imagem que veio a sua mente. — Escuta, Anthony, eu só fui à enfermaria por um remédio para Thelma, pois tem algumas cólicas, mas Remus se irá em seguida a uma junta com Dumbledore, não posso me ficar aqui contigo porque não vens e jogamos um pouco com os bebês?

— Sim!... mas depois, primeiro quero despedir de meus amigos.

— Mas…

— Não me demoro eu prometo!

— Promete que não sairá do vestíbulo sequer? Pode despedir-te desde a escalinata e já.

— De acordo, isso farei.

Draco sorriu assentindo e o menino correu a fazê-lo agachar-se para dar-lhe um beijo de agradecimento na bochecha, depois correu para os pátios, mas recordando sua promessa que ficou no último degrau antes de tocar sequer um pedaço de grama. Os alunos que se encontravam perto, lhe viram e foram para ele. Draco então soube que podia confiar e regressou a suas habitações com sua família.

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— Não gosto nada sua palidez, Harry. —afirmou Severus depois de que Harry se tinha recostado tentando se acalmar mas sem sucesso.

— Podes ir ver a Anthony?... Traz-me comigo?

— Primeiro deveria vestir-te, carinho. —caçoou acariciando as pernas nuas e ainda úmidas de seu esposo.

Harry sorriu compreendendo o ponto, como pôde se pôs de pé, ainda que não tinha desejos, foi para o banheiro para assear-se um pouco e que seu filho não notasse as impressões do que acabava de fazer.

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A última carroça tinha empreendido a marcha, Anthony ficou na ombreira do colégio agitando sua mão a modo de despedida. E quando finalmente já não pôde ver nada, se girou para obedecer a ordem de Draco, foi então que lhe pareceu ver algo e esquecendo de qualquer precaução, baixou o último degrau se esforçando por identificar a figura que se aproximava desde a entrada a Hogwarts.

Uma luz alumiou seu rosto quando por fim pôde lhe reconhecer. No esquecimento ficaram todos seus confrontos, saiu correndo para ele, mais feliz que nunca de ver novamente a seu irmão.

— Ayrton! —exclamou chegando contente a abraçar-lhe pela cintura. O Slytherin recebeu-lhe com macieza, sorrindo enigmaticamente e ocultando sua mirada escarlate baixo seus óculos escuros.

— Olá, pequeno… como tem estado?

— Estranhando-te, ninguém me queria dizer onde estava.

— Ah, mas isso já não importa, tenho regressado ao colégio.

— Papai se porá feliz quando te veja.

— Não o duvido. —disse enfatizando seu estranho sorriso. — Veem, acompanha-me, deixei algo para ti no bosque, é um pequeno presente para te demonstrar quanto te quero, irmãozinho.

Anthony saltou de gosto ao sentir o bom humor de seu irmão, estava feliz de não ver ao Ayrton que sempre se enojava e puxando a mão do maior se dirigiram para o bosque proibido, para o moreno não tinha nada mais importante que saber que seu irmão lhe queria, pois apesar de tudo, ele também lhe amava sobremaneira.

Ayrton deixou de sorrir ao saber-se fora da mirada do mais pequeno, olhou para o castelo com maldade, comprazido de imaginar-se o infeliz que poderia ser Severus Snape quando soubesse que tinha a seu pequeno filho.

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Severus regressou à habitação matrimonial depois de encontrar-se com o quarto vazio de seu filho, olhou ao banheiro onde Harry ainda não saía, não sabia que lhe ia dizer, de modo que enquanto ele se mudou para se dispor a buscar a Anthony por todo o castelo.

Harry apareceu nesse momento usando só uma toalha envolvendo seu corpo úmido, e ao o ver apressado se pondo sua roupa, voltou a sentir como a apreensão não se ia de sua garganta.

— A onde vai?

— Escuta, não quero que se preocupe, já sabe como são os meninos, Harry… mas Anthony não está em seu quarto.

— Como que não está?!

— Harry, não é a primeira vez que lhe dá por se ir a passear pelos corredores, algo que me recorda a ti, por verdadeiro. De modo que se acalme e espera aqui a que volte com ele.

— Não, eu te acompanho.

— Mas, Harry, se não é nada.

— Algo me diz que sim, Sev, eu sinto aqui! —exclamou assinalando seu coração.

— Pois deve equivocar-te, porque sou muito consciente da magia de Anthony e não tem passado nada.

— Você poderá sentir toda sua magia, mas eu o sinto a ele… e não ficarei aqui encerrado.

Severus viu como Harry já se começava a vestir apressado, não lhe ficou mais remédio que o esperar para ir juntos a buscar a seu filho.

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Ayrton e Anthony chegaram até um claro no bosque, e antes de que o moreno pudesse dizer nada, se viu amarrado fortemente ao tronco de uma árvore por grossas sensatas que feriam sua pele.

— Ayrton, que passa? —perguntou olhando assustado suas ataduras.

— Que já é tempo que deixe de ser um menino estúpido, está aqui para aprender uma lição… ainda que duvido muito que te sirva de algo, não terá demasiado tempo para pôr em prática suas aprendizagens, os minutos de sua vida estão contados.

— Ayrton… não te entendo. —gemeu começando a soluçar, por mais que se revolvia em si mesmo não conseguia se soltar.

— Supunha, enfim. Primeiro que nada deve saber que seus pais são uns assassinos, sobretudo Potter… ele matou a Lucius Malfoy o sabia?

— Não é verdadeiro!

— Sim é. —assegurou caminhando em frente ao menino, sem imutar-se por seu grito. — Eu mesmo o senti ao ter nascido de seu corpo, e me crê, Anthony, foi muito doloroso… e espero que seja igual de doloroso para Potter e Severus, realmente espero que lhes doa quando morra!

— Não quero morrer. —suplicou, recordando quando tinha quatro anos e uma pequena tortaruga presente de sua tia Hermione ficou dormida para sempre, isso significava que não voltaria a ver a quem mais amava e nesse momento ansiou intensamente poder regressar ao lado de seus pais.

— Pois terá que o fazer… é minha vingança. Ademais, seu sangue me servirá muito, tem bastante magia, menino, e totalmente desperdiçada em ti.

Uma lágrima escorregou dos olhos de Anthony, olhou a seu irmão e nesse momento este se tirou os óculos deixando ver a tenebrosa mirada nos olhos vermelhos, soube então que quem estava em frente a ele não podia ter misericórdia e que lhe esperava o pior… tão só esperou que Ayrton se equivocasse e que sua morte realmente não doesse a seus pais.

— Está pronto? —perguntou Ayrton apontando-lhe com sua varinha, em sua expressão notava-se a ansiedade por levar a cabo seu cometido.

— Faz o que tenha que fazer… não me importo se dói, não te vou odiar.

— Isso já o veremos, engendro.

— Papai ama-te sabe? —disse olhando para o caminho que conduzia ao castelo. — Às vezes põe-me zeloso que pense tanto em ti… é um tonto se não quer ver o carinho que sente.

— Vejo, e desfruto, sobretudo porque sei que esse amor tão profundo lhe fará sofrer ainda mais. —respondeu rindo com maldade.

— Ayrton…

— Já não sou Ayrton, e já não fale, me incomoda!... —Ayrton voltou a fazer um corte no braço do menino sem importar-lhe que este chorasse, sacou a suficiente magia antes de que lhe terminasse de incomodar o contínuo gemido, então retrocedeu, e aponto direto ao pequeno…

Anthony fechou os olhos com força, nunca em sua vida tinha escutado a palavra que seu irmão pronunciasse, mas adivinhou o que viria e pensou então que se tinha equivocado, a morte sim doía.

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Severus deteve-se a metade do corredor nesse momento, estava a ponto de propor-lhe a Harry que se separassem para ter melhores resultados, mas uma forte dor no estômago lhe fez se dobrar sobre si mesmo.

— Severus… se sente mau? —perguntou Harry apressando-se a ajudá-lo.

— Meu Deus… por favor, não. —suplicou com uma sombra de terror em seu rosto.

— Sev, me diga que passa!

Outra dor que foi como um golpe certeiro no coração deu de cheio em Severus… nesta ocasião não conteve um grito de horror, e Harry, a seu lado tremeu, também tinha podido o sentir, quiçá não tanto como o professor, mas sabia que algo muito mau estava passando a seu filho.

— Sev… —gemeu enquanto umas lágrimas escapavam para suas bochechas, olhava a seu redor sem saber que fazer.

Severus não disse nada, sobrepondo-se à dor saiu correndo. Harry também não esperou-se e foi atrás dele, por um segundo pensou que se tinha voltado louco quando lhe viu sair do castelo e dirigir ao bosque proibido, no entanto, recordando a comunhão de magias entre pai e filho decidiu não duvidar e foi atrás dele tão rápido como lhe permitiam suas pernas.

Harry via a seu esposo fazendo a um lado os ramos que se atravessavam em seu caminho, saltando entre pedras e desniveles, jamais se detendo nem a tomar ar, parecia que sabia a onde ia com exatidão. Ele já se sentia cansado, mas também não se deteve e tão só anseio poder chegar o quanto antes a seu destino para poder encontrar a seu menino.

Se cedo, ao dar volta a um recordo entre as ladeiras de uma elevação rochosa, viu algo que lhe tirou todo o ar de seus pulmões. A sua direita tinha a Anthony atado a uma árvore, desmaiado nesse momento e com claras impressões do que tinha passado, Severus correu para ele enquanto Harry sentia suas pernas fincadas no solo. A sua esquerda estava a figura de outro menino que não se deixava intimidar pela presença dos dois adultos, mais bem parecia fascinado com isso. Voltou a erguer sua varinha e pronunciou duas palavras com tal força que Harry sentiu que se desmaiaria.

— Avada Kedavra! —gritou com ódio.

Harry soube que não poderia salvar a seu filho, isso já estava em mãos de Severus quem já tinha feito desaparecer as sensatas e conseguiu arrojar ao andar cobrindo a Anthony com seu próprio corpo antes de que o raio verde colasse sobre o tronco.

— Se acha que com isso me vai deter, Severus, se equivoca.

Ayrton voltou a apontar, mas nesta ocasião Harry não ficou sem fazer nada. Tarde se deu conta que com as pressas não levava sua varinha consigo, de modo que não lhe ficou mais remédio que lançar sobre o garoto loiro e o derrubar. Assim pôde evitar que um avada mais certeiro colasse em seus seres amados.

— Ah, Potter… que gosto te ver de novo. —sibilou o garoto olhando de perto o rosto de Harry quem mantinha-o apresado sobre o solo.

Harry olhou então pela primeira vez os olhos vermelhos que centelhavam de loucura. Instintivamente retrocedeu apartando-se dele, aterrorizado de voltar a ver a quem cria morto, toda a angústia do mundo pareceu cair nesse momento sobre seus ombros.

Ayrton aproveitou o momento para sair correndo, ria macabramente, como se não se importasse o pequeno contratempo, lhe comprazia saber que tinha conseguido lastimar a quem mais importava, Severus Snape.

Harry então se sobrepôs a sua surpresa, e rapidamente foi a reunir-se junto a seu filho, a quem tomou em seus braços quase arrebatando de seu esposo.

— Como está? —perguntou assustado.

— Tens que levar à enfermaria, Harry. —respondeu Severus pondo-se em pé, olhando para o espaço entre as árvores pelos que desaparecesse Ayrton.

— Mas… que farás você?

— Tenho que o encontrar.

— Mas Severus! —exclamou indignado de que seu esposo não mostrasse intenção de ir com eles.

— Faz o que te digo, leva a Anthony à enfermaria!

Severus saiu correndo atrás de Ayrton enquanto Harry olhava-o tudo com incredulidade. Finalmente reagiu, não podia perder mais tempo, e se secando com fúria as lágrimas que ameaçavam com sair, sustentou a seu filho e correu velozmente de regresso ao castelo.

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Tinham passado várias horas, Harry não se separou em nenhum momento ao lado da cama na enfermaria onde seu filho dormia ajudado por alguns calmantes que conseguiram lhe tirar a dor. Dumbledore, Remus e Draco tinham estado com ele, lhe apoiando completamente, ainda que o moreno lhes pediu que se marchassem quando a noite chegou, e eles lhe comprazerão sabendo que precisava ficar a sós com seu filho.

Para todos era algo ainda muito difícil de crer o poder imaginar a Ayrton como um assassino em potencial, de modo que preferiam nem sequer o nomear depois de que o moreno lhes relatasse o sucedido.

Era mais de meia-noite já, os dedos de Harry se misturavam entre a macieza do cabelo de seu filho, e suavemente se limpava suas lágrimas que brotavam sozinhas com só imaginar que um menino tão pequeno pudesse ter experimentado já a dor de uma maldição tão poderosa… nem sequer ele teve que passar por algo assim a essa idade.

Sentia tanta coragem… tanta impotência de não o ter impedido!... tanto ódio!

Um ruído a suas costas fez-lhe limpar-se o rosto sem importar-lhe que na escuridão na que se encontrava ninguém poderia ver suas bochechas umedecidas. Os passos tão conhecidos para ele foram se acercando até que sentiu como uma presença ficava a um lado, mas não se girou ao olhar, continuou penteando a cabeça do pequenino.

— Como está? —perguntou Severus acariciando os pés de Anthony cobertos baixo as cobertas, sua voz notava-se avariada, mas isso a Harry não se importou.

— Como o vê você? —respondeu rancoroso. — Dorme agora, mas te asseguro que não é porque seja um menino bom que se foi cedo à cama.

— Harry… lamento, eu não queria que passasse isto.

— Onde está seu filho?

— Não o sei, não tenho podido o encontrar. —assegurou tristemente. — Seguirei buscando.

— De modo que voltas a marchar-te? Não se importa Anthony nem sequer vendo nesta cama depois de ter sido amaldiçoado?

— Claro que me importo. —respondeu suavemente. — Por isso tenho vindo, mas sei que estará bem e que te tem a ti, rabisco… —Harry apertou as pálpebras ao lhe escutar chamar desse modo, nesse momento não se podia sentir feliz de nada. —… Em troca, Ayrton está só, não tem a ninguém mais que a mim. Por favor, trata de entender-me.

— Ele feriu a meu filho… não me peça que entenda isso.

— Harry eu… tenho que me ir já, devo encontrar a Ayrton antes de que se lastime ou lastime a alguém mais.

Harry bufou, Severus quis acercar-se para dar-lhe um abraço, mas Harry pôs-se tenso fazendo-lhe ver que sua mostra de afeto não era bem-vinda. Ao entendê-lo, o Professor aceitou-o com tristeza e retrocedeu.

— Te verei depois… se cuida. Amo-te.

Harry não respondeu, e Severus sentiu um sabor amargo na garganta, era a primeira vez que não o fazia, nem sequer quando descobriu a traição Harry deixou de aceitar seu amor por seu esposo… isso indicava o mau que devia se sentir, mas não podia o julgar por isso, também se sentia morrer de que seu filho estivesse nessa cama vítima de seu outro filho, mas eram dois carinhos pelos que não podia eleger.

— Não devia o deixar sozinho. —sussurrou dantes de ir-se. — É minha culpa que passasse isso… faz favor, não odeie a Ayrton que não sabe o que está fazendo.

— Não me diga o que devo sentir, tão só se dedica a fazer o que deve… Vá, e busca a seu filho, Severus.

Severus assentiu e finalmente saiu da enfermaria. Harry então suspirou fundo, secou uma última lágrima e sem deixar de olhar o rosto dormido de seu Anthony, sussurrou…

"Encontra-o, Severus Snape… porque quando o faça, o terei encontrado eu também"

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Nota tradutor

Puxa vida que capitulo hein

Vejo vocês no próximo capitulo

Ate breve

Fui…