Capitulo trinta e três

Melhores Esperanças

Nos seguintes dias foram demasiado longos para Harry, nem enfrascando-se em seu trabalho podia concentrar-se, tudo lhe cansava, de modo que terminou por solicitar uma licença indefinida e assim não correr o risco de cometer erros por sua distração. Tinha alugado uma habitação em um hotel muggle, e tentava matar o tempo caminhando pelas ruas, esperando que o relógio marcasse as sete da noite e então correr a Hogwarts, assim podia ver a seu filho durante um par de horas, jantar com ele e depois levar à cama.

Às vezes Ayrton animava-se a acompanhá-los, sobretudo quando Severus tinha que se reunir com Dumbledore, esses eram os únicos momentos em que se separava de seu pai. Harry era feliz com ambos garotos, e pôde rapidamente retomar sua amizade com Ayrton, era tão fácil o querer quando via esses olhos tão negros e seu sorriso transparentando a pureza de sua alma.

Em todo esse tempo não tinha visto a Severus, este tentava se manter apartado para lhe dar toda a liberdade de desfrutar do menino a plenitude. E quando só estavam eles dois, Harry escutava feliz a cada relato de Anthony, este lhe contava tudo o que fazia com seu pai e seu irmão durante o dia, seus passeios, seus jogos e seus conversas.

Essa noite, depois de que Anthony finalmente se dormisse depois de estar lutando contra o sono, Harry se libertou de seu apertado abraço, lhe deu um beijo na testa se assegurando que estivesse bem. Foi para o quarto matrimonial, sabia que a encontraria vazia de modo que não se surpreendeu por isso, se foi sentar na mesa que tinha em um extremo e sacando um pergaminho escreveu algo com cuidado, posteriormente foi ao deixar sobre a almofada da cama lhe deixando acompanhado por uma rosa.

Isso fazia sempre, não tinha ideia do que faria Severus com aquilo, não sabia que fazia com os pergaminhos nem se se comoveria com a flor, mas invariavelmente, não saía de Hogwarts sem o fazer.

Mais tarde foi a reunir-se com Dumbledore, tinha uma ideia que ainda não conseguia pôr em marcha, mas já não ia perder mais tempo.

— Alegra-me ver-te, Harry… todo bem?

— Nada poderá estar bem até que Severus seja feliz… ele é?

— Não o sei, mas duvido muito que tenha uma resposta afirmativa, ainda que parece que vive tranquilo com seus filhos.

— É verdadeiro, mas ainda há algo que não se solucionou de tudo.

— Tua relação com ele?

— Já não acho que tenha remédio, ou pelo menos não tenho demasiadas esperanças. No entanto, não me referia a isso, senão a Ayrton.

— Passa algo com ele?

— Quase termina o verão, perguntei-lhe à Professora Mcgonagall e sei que não lhe foi enviada a lista de úteis para seu segundo ano escolar.

— Harry, não acho que seja boa ideia que interfira. —interrompeu suavemente—. A faltas de Ayrton foram graves, não estou seguro que seja conveniente o que está pensando.

— Posso assegurar-lhe que Ayrton é um bom menino, eu quisesse lhe pedir uma oportunidade para ele… pense que para Severus não será nada fácil se tem que se separar dele em caso que tenha que ir a Drumstrang.

— Pensei-o, mas não estou muito seguro.

— É o menos que podemos fazer por eles. Sei que os professores entenderão, e Severus tem demonstrado que sabe cuidar a seu filho até a morte, igual lhe cuidará aqui. Ademais, tenho tratado a Ayrton mais tempo, sei que poderá conseguir com toda facilidade que seus colegas lhe aceitem de novo… Por favor, ainda que seja faça a tentativa.

Dumbledore permaneceu em silêncio sentindo a mirada de Harry posta nele, e depois de uns segundos sorriu mais relaxado confirmando sua aceitação à petição de seu ex aluno. Harry sorriu emocionado de ter podido ajudar, quis pôr-se de pé para marchar-se quando um forte mareio lhe escureceu a seu redor e já não soube mais.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Severus entrou a seu quarto e foi direto para a cama. Tomou o pergaminho enrolado sem fazer nenhuma expressão, olhou à porta que lhe conduzia ao quarto de seus filhos, agora Ayrton dormia com Anthony, esse tinha sido o acordo para passar o verão, assim os três estariam perto, pensou que ninguém lhe interromperia então e abriu o pergaminho percebendo como seu coração batia apressado enquanto o fazia.

"Boas noites, amor"

Isso era tudo, mas Severus não precisava mais para saber que nessas três palavras se podiam ler milhares de sentimentos. Silenciosamente guardou o pergaminho em uma gaveta que mantinha fechado com magia, aí estavam todos os demais. Deixou a rosa sobre o criado-mudo para em seguida recostar-se e apagar a luz.

Em completa escuridão sussurrou… "Boas noites, rabisco"

A porta abriu-se nesse momento, Severus sorriu quando se acendeu a lareira… Ayrton jamais dormia sem a lareira acesa, mas agora o professor suspeitava que não era devido ao frio que podia ser, senão a algo que cria entender e lhe doía. O garoto foi para a cama de seu pai e sem sequer pedir permissão introduziu-se baixo os cobertores abraçando-se a Severus.

— Sabe que sentia enquanto esse monstro estava comigo? —perguntou em um calafrio pela lembrança, a Severus preocupou lhe que novamente algum pesadelo lhe teria acordado.

— Ayrton, ficamos em que tentaria esquecer.

— Ódio, papai… —disse-lhe ignorando a petição de seu pai. —… Essa coisa era puro ódio, não tinha mais que rancor… isso me lastimava mais que nada.

— Ayrton…

— Eu não quero que você sinta ódio, não quero sentir ódio nunca jamais em minha vida!... —exclamou apaixonado para depois aconchegar-se mais, ocultando sua cara no pescoço de Severus, sentindo como este não deixava de brincar com seu loiro cabelo. —… Não odeie a ninguém, papai, muito menos a Harry… Quando Voldemort estava dentro de mim, sentia o ódio, um ódio como o que você tem, e uma dor, a dor que tem Harry agora.

— Acho que entendo-te, mas não é fácil.

— Sim é-o… Deixar de odiar é bem mais fácil do que pensamos, mas nos deixamos levar pela frustração de não poder fazer que as coisas sejam como queiramos. Se odeia a Harry é como se odiasse me ter contigo, papai, porque não tinha outra solução, eu devia morrer para que esse monstro morresse.

— Se algo agradeço é que o pesadelo tenha terminado e que esteja comigo… Não preciso nada mais.

— Eu sim… eu preciso que seja feliz.

Ayrton inclinou-se sobre seu pai para tomar a rosa que continuava sobre a cabeceira e a voltou a entregar em mãos do moreno.

— Respeito o que decida fazer, mas que prova de sua convicção de ser feliz… Não pense em mim nem se justifique com esse sentimento de que feriram a seu filho, não me traspasse a culpa, papai.

— Ayrton, você não é culpado de nada!

— Nem eu me sinto culpado, e não quero que você também não se sinta assim… e ainda que não o creia, muito menos quero que Harry sinta culpa.

— Como é que é tão inteligente? —sorriu abraçando-lhe, orgulhoso de seu filho, mas também ansiando terminar com o tema.

— Porque sempre quis me parecer a ti… Posso ficar em sua cama esta noite?

— Por suposto.

— Dorme bem… e que a luz venha a ti esta noite, papai, que a escuridão assusta demasiado.

Severus abraçou-se a seu filho, compreendia sua mensagem, mas resistia-se a pensar em Harry, isso doía demasiado… e pelo momento tão só queria desfrutar de poder ter a seu filho em seus braços, de sentir respirar compassadamente enquanto iam se dormindo em completa paz como sempre que dormiam juntos.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Tinha amanhecido, mas para Harry mal decorreram uns segundos desde que falasse com Dumbledore, e agora tinha acordado em uma cama da enfermaria, com o Diretor e Draco a seu lado, deles recebeu a notícia que não esperava escutar.

"Está grávido"… sim, isso disse Draco depois de revisar a petição do idoso. E Harry ainda não podia assimilar a notícia, tão só pediu silêncio para Severus.

— Não pode lhe ocultar isso, Harry. —protestou Albus tentando ser amável.

— Não lhe ocultarei, essa não é minha intenção, é só que quero encontrar um bom momento… e agora me parece muito difícil.

— Não encontrará esse momento se o busca. —secundou Draco. — Digo por experiência própria, tão só vê e diz, isso é o que faz o momento, Potter.

Harry baixou a mirada aceitando a proposta do loiro, mesmo assim tinha medo, esse era o principal motivo, um medo atroz a que Severus lhe recebesse de novo a seu lado tão só pelo bebê que esperavam… Entendeu então os sentimentos do professor quando regressou ao país e viveram uma situação similar por Anthony.

"Deus… —lamentou-se fechando os olhos enquanto acariciava seu ventre— … Porque agora?"

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Era passado meio dia, e alheio ao perto que ainda estava Harry, Severus desfrutava do formoso dia de verão com seus filhos, deram um passeio pelos jardins e Ayrton e Anthony voaram um pouco em uma das vassouras do colégio. Essa ideia não foi demasiado do agrado do Professor e teve o coração em um fio ao ver como seu filho maior realizava algumas piruetas levando a Anthony na parte dianteira da vassoura, lhe protegia bem e pareciam ambos estar desfrutando da velocidade.

— Já baixem daí! —gritou Severus quando sentiu que seu coração não podia suportar mais. Ayrton obedeceu e aterrissou junto a seu pai, todos sentando no prado contiguo ao lago.

— Foi genial! —exclamou Anthony, essa tinha sido sua primeira experiência com uma vassoura real. — Não sabia que voava tão bem, Ayrton.

— Não tanto como Harry, dizem que foi o melhor buscador de sua geração verdade, papai?

— Assim é. —respondeu esquivando a mirada, adivinhando a intenção de Ayrton.

— Talvez possa lhe pedir que me dê umas classes.

— Duvido que tenha tempo. —respondeu enquanto tirava-lhe a vassoura. — Mas pode perguntar-lhe você, se quer.

Ayrton riu ante a loucura de seu pai, não tinha nenhuma dúvida de que ao final terminariam juntos, por muito que Severus parecesse aferrado a essa atitude azeda. De repente, os olhos negros do loiro brilharam notoriamente olhando para o castelo.

— Oh Merlin… e esse quem é?

Severus franziu o cenho ao perceber a taxa de juro que tinha implícito no tom de seu filho, se girou e viu a um jovem descendo pela colina até chegar a eles. Odiou o fato de que Ayrton não fechasse a boca sem deixar de olhar a essa pessoa. Anthony tão só olhava tudo sem captar o que passava.

— Nunca achei que meus olhos chegassem a ver a Snape sustentando uma vassoura nas mãos. —disse o recém chegado percorrendo ao professor de uma forma muito especial.

— Wood… que faz aqui? —perguntou voltando a fixar sua vista no lago.

— O Professor Dumbledore chamou-me, e a partir deste novo ciclo escolar serei o Professor de Voo.

— Entendo. —respondeu Snape com desinteresse, ainda que o jovem não fez demasiado caso e se sentou a seu lado, Ayrton entrecerrou os olhos, lhe foram demasiado óbvias as intenções de Oliver Wood.

— Olá. —saudou Oliver a Ayrton e a Anthony. — Espero sejamos amigos.

— Por mim não há problema. —assegurou Ayrton enquanto seu irmãozinho só sorria e se foi refugiar em braços de seu pai para descansar neles. — Parece-me ter ouvido de ti, é jogador profissional de quidditch não?

— Eu fui, mas tive uma lesão no ano passado, agora me dedicarei ao ensino.

— Conhece a Harry?

— Claro, foi um grande colega de jogo. —respondeu com uma pequena inflexão em sua voz. — Inteirei-me que… as coisas não funcionaram.

Severus, quem até o momento tinha estado ignorando ao jovem, olhou-lhe sem dissimular sua moléstia, não lhe agradava que ninguém se metesse em seus assuntos. Oliver notou-o e sorriu nervosamente a modo de desculpa, preferiu concentrar-se então em Ayrton, ainda que em realidade, seu principal interesse fossem outros olhos negros.

Harry saiu nesse momento do castelo e pôde ver à distância, algo de imediato se ativou assim que notou a presença de outro homem, e tão cerca de seu Severus!

Não perdeu mais tempo e acelerou o passo para eles. O primeiro em vê-lo foi Ayrton, ao ser o único com vista ao castelo, mas não disse nada, estava ansioso de presenciar a cena que cortaria as asas de Oliver.

— Wood… que surpresa te encontrar. —disse Harry sem muito entusiasmo, de imediato todos se giraram a lhe olhar, Anthony abandonou a Severus para correr para ele.

— Papi, que bom que tens vindo!

— Sim, é que tenho que falar com seu papai nos dão um momento, faz favor?

— Claro. —respondeu Oliver sorrindo nervoso, parecia que as coisas não estavam tão rompidas entre seu ex parceiro de colégio e o professor de poções, e realmente era uma lástima.

Oliver pôs-se de pé ao igual que Ayrton quem se encarregou de se levar a Anthony com ele, pois o menino não se mostrava muito feliz de ter que afastar de seus pais.

— Não faça mau terço, Anthony… —lhe aconselhou o loiro ao notar os lábios apertados em um desgosto do mais garoto. —… deixemos que eles falem, e enquanto, Oliver poderia nos ensinar uns truques de voo verdade?

O Gryffindor assentiu, e suspirando resignado a que Severus Snape não mostrava nenhum interesse nele, partiu com os dois jovenzinhos para o campo de quidditch.

— Ficamos em que só viria a ver a Anthony. —murmurou Severus quando Harry se sentou a seu lado. — Porque tens vindo de dia?

— Em realidade não me fui, passei a noite em Hogwarts.

— Ah. —disse fingindo desinteresse, e mordeu-se a língua para não perguntar o porque.

Harry olhou para onde podiam se ver as três figuras, Oliver se montava nesse momento em sua vassoura e mostrava a seus espectadores a forma correta de fazer antes de levantar o voo. Harry sacou todo o ar de seus pulmões tentando dessa forma sacar também o medo.

— Provavelmente pense que não me incumbe, mas… há algo entre vocês?

— De que demônios fala?

— Oliver te paquerava… —disse-lhe com algo de timidez. —… Sev, não posso te negar que me doeu o ver, mas sei que tem direito de refazer sua vida se isso é o que quer, e por isso quiçá deva me dizer se precisa o divórcio.

Severus olhou a Harry fixamente, sentindo como o sangue girava rapidamente em suas veias ante os evidentes ciúmes de seu ainda esposo, quem ainda que tentava os ocultar, se viam aí, no fundo de sua mirada doída.

— Não tenho nenhum interesse romântico em ninguém, Harry. —lhe aclarou friamente. — Não lhe vejo o caso a esta cena.

— Bem, só queria saber, eu…

— Você sim?

— Eu sim que? —perguntou confundido.

— Quer o divórcio por algum motivo em particular?

Harry não entendeu à primeira, mas quando compreendeu que Severus estava tentando saber se nessas semanas tinha estado se vendo com alguém foi como um golpe que lhe baixou o sangue aos pés.

— Não, eu não, Severus!

— Bem, então será melhor que me vá… assim poderá passar um tempo mais com Anthony, isso deve ser o único que te interesse.

Severus ia pôr-se de pé, mas Harry deteve-lhe com macieza.

— Não quer saber a razão pela que fiquei em Hogwarts?

— Preferiria que não.

— Mesmo assim te direi, tem o direito de saber… Estou grávido.

O professor sentiu que tudo dava voltas a seu ao redor com essa notícia.

— Não quero que te perca esta gravidez. —continuou Harry ao não ver resposta no Professor. — Não te estou pedindo que me aceite de novo como seu esposo, Severus, mas sim quero ter a oportunidade de compartilhar contigo esta alegria.

— Se pensas que com isso…

— Não quero pensar em nada… Tão só em fazer o correto, mas se estou equivocado então me diz, e então tão só te manterei informado da gravidez e por suposto, quando nasça, poderá a ver quando queira.

— Vê-la?

— Algo me diz que é a menina que queríamos. —confessou acariciando meloso seu ventre.

— Que longínquos me parecem nesses dias agora. —respondeu tristemente.

— Sim, mas cumpriu-se este desejo… por favor, é agora quando preciso sua resposta, Severus… Não pretendo te forçar a que tolere minha presença à cada momento, mas sim gostaria de voltar a Hogwarts, em outra habitação, por suposto… Que diz? Aceita?

Severus olhou ao lago, e negou com a cabeça. Harry sorriu com a maior das desilusões, sem dizer já nada mais se pôs de pé e se encaminhou muito próximo do colégio. Já não podia conter mais o pranto, essa gravidez ia ser muito difícil, mas ainda que fosse sozinho, o desfrutaria ao máximo.

Deteve-se um momento no lugar onde fizesse o amor com Severus sendo seu esposo. Era em extremo angustiante pensar que nesses dias provavelmente não regressariam, não queria se dar por vencido, se supunha que estariam juntos até o final, que seu amor ia durar até o último de seus dias e sobreviveria a qualquer prova… Esse pensamento lhe estremeceu ante uma ideia que até esse momento tinha permanecido negada em seu coração.

Girou-se sobre si mesmo, não teve oportunidade nem de se surpreender quando viu a Severus chegando até ele, ia acalmado, como se tão só passeasse em um dia qualquer.

— Tem deixado de amar-me? —perguntou Harry tremendo pela confirmação de seu maior temor.

— Estou muito confundido.

Uma lágrima escorregou pela bochecha de Harry, essa resposta era justo o que não queria escutar, sabia que Severus seria incapaz de lhe dar uma negativa que lhe destroçaria, era tão só uma forma de ser subtil… ainda que mesmo assim se sentia morrer.

— Lamento tanto, Severus. —disse no meio de seu quebranto. — Dói-me não ter sabido cuidar deste amor, o ter danado ao grau que já não pode perdoar. Até o momento achava que, ainda que não estivéssemos juntos, você seguia me amando e que em um dia, as coisas se solucionariam… mas se não me ama, já não há nada mais que dizer.

— Também cometi erros, e me perdoaste, mas… isto é superior a mim, pelo menos por agora.

Harry acercou-se lentamente, abraçou a Severus passando seus braços pelo pescoço do Professor, este não se moveu nem disse nada, nem sequer quando um carinhoso beijo se posou em sua bochecha.

— Quero-te muito, Severus… tão só não me odeie, já tem tido uma vida com demasiados sensabores para continuar no mesmo, rezarei para que seja feliz, eu juro.

Harry ia soltar-se quando sentiu como sua cintura era retida e apegada mais ao corpo de seu esposo. Foi-lhe impossível não emitir um gemido prazeroso ante o contato tão íntimo, e mais quando Severus afundou seu rosto em seu pescoço, aspirando profundamente enquanto se retocava nele.

— Não posso te deixar ir, Rabisco. —lhe sussurrou calidamente. — Quero que fique comigo e me dê um pouco de tempo… tão só um pouco de tempo.

— Ama-me?

— Já te disse, me sento muito confundido, ainda há demasiado ressentimento em mim, mas isso não impede que meu estômago siga sentindo borboletas a cada vez que te vejo, e meu coração se enche de alegria quando me olhas… Ainda segue sendo meu rabisco, o garoto que em um dia me sussurrou que cria se estar apaixonando e provocou em mim a mais absoluta das alegrias.

— Então, se precisas tempo, eu te dou o meu... Tudo o que queira!

Harry sentiu que a alma lhe voltava ao corpo quando Severus intensificou o abraço com ansiedade conseguindo alçar do chão. Com suas pernas se aferrou ao quadril do professor, olharam-se aos olhos, com as testas unidas. Harry acariciou o rosto amado, enquanto prometia-se que aproveitaria essa oportunidade, e notando que a frialdade nos olhos escuros tinha desaparecido vapulada pelo amor mais forte que nenhum outro sentimento, ainda que Severus não podia se concentrar no sentir… soube que as coisas iriam bem… finalmente tudo iria bem.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Harry correu ao espelho da sala para olhar-se por última vez antes de partir, esse era um dia muito especial, iriam todos juntos a comprar a primeira varinha de Anthony. Tinham passado cinco anos e não cria poder ser mais feliz em sua vida. Uns braços cercaram-se por sua cintura apoiando o queixo no ombro de Harry, sorriu ao ver na imagem do espelho a uns olhos negros que lhe observavam divertidos.

— Se não fosse porque é o esposo de papai, te juro que não te me ia vivo. —lhe sussurrou Ayrton sedutoramente.

— E se não fosse porque é o filho do homem que amo, poderia até me pensar. —respondeu piscando um olho.

— Deixem de jogar de modo que põem-me nervoso! —grunhiu Severus interpondo-se para separá-los, o que provocou que os outros dois rissem.

Ayrton retirou-se e foi sentar-se junto ao fogo, onde Anthony, a seus onze anos não deixava de olhar catálogos de modelos de varinhas e vassouras voadoras. Volteou para sua direita onde seu pai continuava cochichando coisas ao ouvido de Harry que provocavam um suave coro e um pleno sorriso de felicidade em seu rosto. Depois olhou em cima da lareira e sorriu quando o homem loiro do retrato lhe piscou um olho. Ayrton suspirou nostálgico, mas depois seus lábios voltaram-se a sorrir de maneira travessa… ele sabia algo que os demais não sabiam.

Em isso olhou novamente para Anthony, enternecido ao o ver completamente embobado com seu entretenimento, adorava a seu irmão menor e nesses anos tinham conseguido formar uma amizade muito unida, ainda que Anthony lhe resultou ser um zeloso incontrolável que se converteu em juiz de todos seus pretendentes, e tinha que reconhecer que tinha vários. A seus dezessete anos, Ayrton era realmente formoso, seguia adotando seu aspecto loiro com as mechas escuros marcando seu branco rosto, e seus olhos negros eram tão cálidos que hipnotizavam a qualquer um.

— Empresta? —perguntou uma vozinha infantil dirigindo-se a Anthony.

O garoto levantou a mirada vendo a sua pequena irmã, uma menina de longo cabelo escuro e olhos verdes que lhe sorria estendendo sua mão em espera da revista. Anthony buscou ajuda em Ayrton, não queria se desfazer tão cedo de seu passatempo. O loiro sorriu e sustentando a sua irmã sobre seus joelhos, conseguiu que Anthony pudesse continuar buscando o modelo que mais gostasse para de sua próxima vassoura.

— Deixa isso, Julieth, aí não vêm bonecas… mas te proponho que quando estejamos em Diagonal nos vamos você e eu sozinhos a tomar um gelado.

Ayrton sorriu ao notar como Severus encarcerava a Harry entre seus braços e o beijou para impedir que fizesse o que seguramente faria… auto invitar-se para passar no dia com Ayrton.

— Papai… podemos convidar a Thelma e Allen? —interveio Anthony de repente.

— E voltar a fazer de babás? —protestou Severus interrompendo o beijo que dava a seu esposo, conseguindo o deixar tão aturdido como para intervir. — Não, obrigado, se quer os ver espera a manhã, que todos se irão a casa dos padrinhos de Julieth por umas horinhas.

— Já me imaginava algo assim. —disse Ayrton mexendo a cabeça, mas em seguida voltou a sorrir com entusiasmo. — Então suponho que tenho via livre para sair com uns amigos.

— Que amigos? —questionou Severus abandonando a Harry para ir colocar-se em frente a seu filho, apoiando seus braços aos lados do cadeirão no que estava sentado depois de pedir a sua menina se ir reunir com Harry.

— Uns amigos que me querem muito. —respondeu sorrindo. — Mas descuida, que a ninguém quererei mais que a ti.

Ayrton aproveitou a cercania para beijar o nariz de seu pai e com isso conseguir a permissão para ter a noite a sua disposição.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Harry encontrava-se recostado de bruços sobre a cama, mal fazia caso dos mimos de seu esposo sobre dele e concentrado em lamber o lóbulo de sua orelha… Harry seguia revisando o catálogo de vassouras, não era o mesmo que o de Anthony, este tratava de equipes profissionais e enquanto lia as vantagens dos novos modelos ia apontando tudo em um pergaminho aparte.

— Poderia deixar isso para depois? —propôs Severus esfregando seu corpo contra o de Harry. — Estou tentando seduzir-te e nem caso faz.

— Espera-me tantinho, Sev… tão só deixa-me aproveitar que Ayrton não está em casa e assim poder planejar bem sua surpresa, seu filho é um intrometido que sempre se dá conta de tudo e joga a perder qualquer plano.

— E cries adivinhar qual é a vassoura que quer? —perguntou sem deixar de mordiscar a pele do pescoço de Harry, este só deu voltada à página.

— Estou quase seguro que é esta. —disse apontando uma vassoura fabricada de ébano e marfim, perfeiçoada para aliviá-la e fazê-la muito veloz. — Chama-se raio de Júpiter, e até o momento é a melhor que tenho encontrado… seguramente lhe agradará, como capitão de quidditch tem que ter uma insuperável. Ademais, olha estas proteções, Sev, são…

Dantes de que Harry começasse a dar uma cátedra de equipe esportivo, Severus tomou o catálogo e o escondeu atrás de suas costas depois de pôr distância de por meio.

— Severus Snape, devolve-me isso, que não tenho tempo de jogar!... —exclamou tentando recuperar sua revista.

— Estamos sozinhos, e se há um jogo que me interessa não é precisamente o quidditch, Harry Potter. —afirmou afastando-se, contendo o riso pelo desespero de seu esposo.

— Deixa de ser tão luxurioso, Snape, há outras coisas na vida! —assegurou também tentando não rir para não jogar a perder seu argumento.

— Em onde ficaria meu febril Rabisco?... deverei buscar-me outro.

— Nem se ocorra! —ameaçou fazendo um movimento que enganou a Severus e conseguindo por fim recuperar o catálogo, com ele foi a sentar em um cadeirão em frente à lareira para retomar sua tarefa.

Severus deixou de sorrir, foi para ele mais acalmado e ao ver que não tinha ameaça, Harry lhe permitiu se acercar e se recostou no peito de seu esposo, suspirando ao o sentir lhe cercando pela cintura delicadamente.

— É um bom presente pelas notas que teve não?... acho que nem Hermione conseguiu melhores médias. —assegurou Harry.

— Carinho… não é necessário tantos presentes, Ayrton te perdoou desde faz muito tempo.

Harry não respondeu, mas apertou forte os lábios e algo trémulo seguiu tomando nota das vantagens da vassoura.

— Eu também já o esqueci… Porque é o único que segue empenhado em recordar?

— Não me disse por anos? Sou um menino com tendências a mártir. —respondeu tentando caçoar.

— Bom, já não é tão menino.

— Severus! —exclamou golpeando lhe suavemente no peito. — Essa não é forma de falar a seu esposo.

— Já, chiquito, em sério… Ayrton te ama como a mim… bom, não tanto, mas sim te quer muito. —afirmou sorrindo-lhe. — Não gostaria de saber que segue sentindo remordimentos, pensará que a cada presente é como um pagamento, já sabe que é algo susceptível.

— Ah, mas não é assim! —exclamou alarmado de que isso pudesse passar pela cabeça do filho de seu esposo. — Juro, Sev, eu o quero muitíssimo, e me encanta passar tempo com ele!

— Já o sei, tão só caçoava, e Ayrton o sabe também, gosta de muito. De modo que então faz-lhe um último presente… esquece o que passou.

Harry assentiu em silêncio, tinha um nodo na garganta, muitas noites tinha tido pesadelos por aquele horrendo dia em que se sentiu o mais miserável dos assassinos… queria chorar como nunca, mas se conteve. É provável que jamais saísse de sua memória os olhos de seu esposo fixos no cadáver de seu filho, mas não ia voltar aos preocupar por ele.

Harry girou-se para Severus conseguindo sorrir-lhe, deixou a um lado o catálogo, já a primeira hora encheria a solicitação de compra, e acariciou as facções de seu esposo.

— Não queria jogar? —recordou-lhe travesso.

Severus agradeceu seu empenho por recompor seu estado de ânimo, e brincando alçou-o em seus braços para levar à cama, Harry riu divertido, não tinha melhor forma de agradecer por essa oportunidade que sendo feliz.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Mais tarde…

— Acha que possamos convencer a Remus e Draco de que fiquem com os meninos o que resta do verão? —propôs Harry rindo quando Severus, recuperando forças depois de um apaixonado orgasmo, lhe beijava no pescoço.

— Não perdemos nada com o tentar, mas não contemos demasiado com as noites de lua, já vê que Draco quer as passar com Lupin, ainda que isso nos ajudaria aos convencer de que se ocupem dos meninos o resto do tempo… e se isso não funciona e apesar de que faz muito que não pratico um Imperius, neste caso é completamente justificável.

— E se não… também podemos recorrer a outra chantagem, em algum dia os gêmeos terão que chegar a Hogwarts e se ver em problemas contigo.

— Segue fomentando-me essa fama de ogro?

— Essa a conseguiu você sem esforço… eu só me asseguro que ninguém a esqueça, dessa forma espero que ninguém mais se atreva a pôr seus olhos em ti porque sou capaz de lhe os sacar.

— Você é o formoso, jovem e famoso, quem deveria se preocupar de que não te encontre a ninguém melhor que eu.

— Só sou um rabisco apaixonado. Quem além de ti se excitaria com isso? —riu divertido.

— Espero que ninguém.

Harry abriu surpreendido os olhos quando sentiu como o membro de Severus tinha voltado a endurecer em seu interior… parecia que nesse ano em especial iam passar um verão muito quente.

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Enquanto, Ayrton aproveitava que já seus irmãos se tinham dormido e depois de despedir do casal de Draco e Remus, saiu atravessando as barreiras. Apesar de ser tão jovem, ia muito adiantado em sua magia e conseguiu desaparecer com facilidade para materializar-se em uma paisagem campino alumiado pela suave luz de lua.

Caminhou para uma formosa cabana, pequena mas muito elegante. Não teve que tocar à porta, a abriu e entrou como se estivesse em sua casa. Rapidamente deixou sua capa sobre o cabideiro que tinha a um lado e correu à sala, saltou sobre o respaldo do sofá para cair sentado ao lado de um homem loiro que sustentava em seus braços um bebê de uns seis meses, o qual dormia tranquilamente.

— Acordará a Dyanna. —advertiu-lhe carinhosamente. — Então terá que te encarregar de cuidar.

— Eu encantado! —riu acariciando com macieza as bochechas do bebê. — Já morro por ter um bebê própria. —concluiu, mas antes de que começasse uma conversa sobre o jovem que era, decidiu mudar de tema. — E você, como está?

— Feliz, e mais agora que te vejo.

— Alegra-me sabê-lo… Para valer não quer que lhe diga a papai sobre ti?

— Não, é melhor que não, teria que dar muitas explicações, segue sendo preferível que não saibam o que fez com o sangue que extraístes de Anthony no bosque.

— Não fui eu… mas pelo menos tenho que agradecer algo que fez Voldemort. —disse com serenidade, aqueles tempos eram uma lembrança a cada dia mais borroso. — E Gregory?

— Vestindo-se, sairemos a jantar vens conosco?

— Me encantaria! Não acho que tenham saudades minha presença até a madrugada.

— É um rebelde ainda. —riu Lucius despenteando o cabelo de seu filho. — Não me disse que quer de presente por suas qualificações, ainda que como me parece que segue de capitão de quidditch te viria bem uma nova vassoura, tenho visto que há algumas muito boas ultimamente.

— Esquece-o, seguro Harry me presenteará. —exclamou divertido. — Terias de vê-lo apoiando à equipe de Slytherin, é do mais genial.

— Me porei zeloso. —caçoou franzindo o cenho.

— Já, então melhor nem te digo que a cada dia está mais formoso e que…

— Ayrton!

Ayrton riu, gostava às vezes fazer enfadar de um pouco a seu pai, mas sabia que o loiro tão só caçoava.

— Melhor presenteia-me mais dias contigo, posso fingir um acampamento com meus amigos, será divertido enganar a um Auror e a um antigo Duplo espião… Tenho que aproveitar sua estância em Londres antes de que terminem suas férias, Gregory é demasiado intenso com seu trabalho, e seguramente já não demora em querer regressar, o qual não entendo, ele pode se empregar em St. Mungo como Draco, ou inclusive ter sua consulta privada, porque gosta de fazer-se passar por muggle e empregar nesse Hospital de Nova Camisola?

— Gosta, e aí vivemos bem. Mas antes de que baixe, diga… Já tem pensado em tomar as rédeas dos negócios Malfoy? Não podem continuar em mãos de advogados, ainda que Severus tem sido bom tutor, não é seu forte.

— eu farei quando você diga que estou preparado.

— Já está… Apesar de sua idade, acho que me superaste, tem toda a capacidade para manejar sua herança.

— Bem, me dá um pouco de nervos, mas farei o que diga.

— Confio em ti, Ayrton… sempre confio em ti.

Ayrton sorriu feliz enquanto tirava o bebê de braços de seu pai, e sustentando-a ele, se recostou sobre o peito do homem… ainda que já não tinha cinco anos, Ayrton continuava se sentindo feliz a cada vez que fazia isso, e mais quando um braço lhe cercava carinhosamente lhe fazendo sentir tão protegido.

Lucius olhou para a escada, já baixava por ele o único homem que tinha conseguido sacar a Severus de seu coração… nunca esteve mais convencido de que uma muito boa estrela estava guiando sua vida.

FIM

0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0

Nota aparte: tão só por se alguém tem curiosidade de como sobreviveu Lucius.

A noite que saiu Severus e que Ayrton aproveitou também para sair, quando disse que lhe ia dar uma nova oportunidade a alguém, se referia a Lucius, essa noite o sacou de sua tumba e o deixou em uma espécie de hibernação escondido em seu quartel. E a noite que teve toda para ele, quando Sev decidiu regressar a passar a noite com Harry, fez o rito completo para regressar à vida, tão só lhe faltava um componente mágico, não ia usar a sua, pois poderia perder o balanço, e por isso foi pela de Anthony, aproveitando que ademais conseguiria lastimar a Severus… Nesse dia em que ninguém o encontrou estava fazendo isso. Ayrton não recordava nada daquilo, via imagens, mas nada coerente e por isso não disse nada.

E já, porque se lhe sigo com quando como e onde se reencontrou com Ayrton, armo outra fic que não vem ao caso, jajaja.

Nota tradutor:

Bem agora chegou ao fim

Espero que vocês tenham gostado da historia tanto quanto eu!

Vejo vocês nos reviews

Ate mais!