N/A: Oláááá pessoas lindas! Como prometido, aqui está o capítulo da semana. Amei escrevê-lo, e espero que vocês gostem também. Quaisquer ideias e comentários, fiquem a vontade, por favor. Adoraria saber o que vocês estão achando! Boa semana e uma ótima leitura! Beijo grande!

-SQ-

-O que diabos você está fazendo?

-Te ensinando a nadar.

-Você enlouqueceu? - O desespero tomou conta de Emma quando ela percebeu o perigo da situação. Se segurou o quanto pode nas cordas laterais, mas nada impedia que a ponte se movimentasse com o vento. Regina se manteve calma.

-Toda vez que você mostrou seu poder, ele foi ativado por seus instintos. - Regina sorriu. - Então hoje, nós vamos forçar seus instintos... - Os olhos castanhos da prefeita não deixaram os verdes da xerife por nenhum momento. Regina sorriu predatória, claramente se divertindo com a situação. - ...até que você os domine.

-Um pouco de leitura não parece tão ruim agora. - Emma falou olhando para baixo, suas mãos suavam frio e medo a corroía por dentro.

-Você pode me impedir. - Regina, definitivamente, estava gostando. Seu sorriso de deboche deixou claro para Emma, que foi incapaz de fazer algum comentário. Seu medo era maior.

-Impedir você de que? - Era a única coisa que Emma foi capaz de dizer antes de Regina abrir mais o sorriso, mostrando seus dentes perfeitamente brancos e inclinar a cabeça para o lado, com a sobrancelha erguida.

-Disso. - Com um movimento das mãos da rainha, as tábuas finas da ponte começaram a se soltar e cair. Emma se desequilibrou, mas por algum milagre, conseguiu ficar sobre as duas cordas mais grossas que seguravam as tábuas segundos atrás.

-O que diabos você está fazendo? - Emma gritou vendo Regina parada tranquilamente com um sorriso calmo no rosto.

-Fazendo a ponte quebrar. - A morena disse simplesmente, como se fosse óbvio. - Você pode impedir isso... - O sorriso em seu rosto morreu, e seu semblante ficou sombrio quando ela baixou seu tom de voz. - ...ou morrer. - Emma não conseguiu formular uma única frase, as cordas que a seguravam se romperam e ela gritou, segura unicamente por duas cordas a que conseguiu se agarrar para não cair. Ela olhou para baixo e viu o rio violento correr por entre as rochas pontiagudas.

-Regina, basta! Pare com isso! - Emma gritou para que a mulher a ouvisse. Regina sentiu seu sangue ferver com a fraqueza de Emma.

-Não! Você pare! Chega de passar a mão na cabeça, você tem que fazer. Use sua intuição, você sabe que pode fazer isso. - Emma viu as duas cordas começarem a arrebentar. Então a voz de Regina abrandou levemente. - Está dentro de você, Emma. Salve a ponte, salve a si mesma. - Emma não conseguiu dizer nada. No segundo seguinte, as cordas se arrebentaram e a loira caiu. Regina não soube explicar tamanho desespero ao ver a mãe de seu filho despencar junto com a ponte sem ter feito nada. Ela sentiu seu estômago afundar e o chão se abrir a sua frente. Emma não podia morrer! Como que ouvindo seus pensamentos, Emma surgiu sobre as tábuas amontoadas flutuando a sua frente, com o olhar assustado. Regina soltou a respiração que não percebeu ter prendido.

-Fui eu que... Fui eu que fiz isso? - Emma perguntou num sussurro.

-Sim. - Regina disse suavemente, mas então sua raiva controlada veio à tona. - quando tudo o que eu pretendia era que você reintegrasse a ponte. - Emma saiu da ponte flutuante com o olhar perdido na imensidão a sua frente e foi na direção de Regina.

-É como você disse... Instinto. - Regina tinha algo em seu olhar que Emma não soube decifrar, uma mistura de mágoa, alívio, raiva talvez. - Porque está com raiva? Eu consegui, não importa como.

-Você acha que eu estou com raiva porque você não me ouviu? - A morena se virou completamente para a loira, e Emma pôde ver uma pontada de frustração. - Estou com raiva porque... Olhe para todo esse potencial em você, e você o tem desperdiçado. - Regina manteve seu olhar altivo.

-O que eu preciso fazer? - Emma perguntou erguendo seu olhar encontrando castanhos de Regina. A morena pareceu não entender a pergunta. Emma deu mais um passo na direção da mulher, seus rostos a centímetros um do outro, exatamente como aconteceu no dia do incidente com a mina há quase dois anos atrás. A diferença era que, dessa vez, quem invadiu o espaço pessoal foi Emma e ela não iria fugir.

"Regina tinha seu coração esmagado com a simples ideia de perder Henry naquela mina estúpida. Estavam todos lá. Xerife Graham isolou a área para que ninguém de fora entrasse. A recente assistente de Graham, a mãe biológica de seu filho também estava lá.

Emma Swan, a mulher maldita que vinha tirando seu sono todas as noites com pensamentos de ódio. Regina se pegava pensando em como se livrar da mulher a todo momento, mas ao mesmo tempo via Henry sorrir como há tempos não sorria. Isso a machucava, porque sabia que, enquanto Emma Swan estivesse em seu caminho, Henry nunca iria amá-la como antes. A prefeita insistia em se convencer de que Henry era o único motivo que a impedia de mandar aquela mulher insolente de volta para o inferno.

Tentaram explodir a entrada da mina, mas o deslisamento que houve mais cedo foi grande e não adiantou de nada. Henry e Dr. Hoper estavam presos em algum lugar lá embaixo. O dálmata do terapeuta de Henry farejou algo até a entrada de uma antiga tubulação, onde parecia haver passagem para o lado de dentro da mina em destroços.

-E agora? - Regina perguntou a Graham e Swan. Qualquer minuto a mais poderia ser um minuto a menos para seu filho. Marco trouxe o que parecia ser um caminhão guincho, com um cabo de aço.

-Precisamos descer alguém ou o cabo fará desabar as paredes do túnel. - Marco disse com seu sotaque forte.

-Eu tenho um arnês. - Graham disse.

-Eu desço. - Regina falou firme.

-De jeito nenhum, eu vou. - Emma Swan falou se aproximando do equipamento.

-Ele é meu filho. - Regina tinha lágrimas nos olhos e uma fúria contida.

-Ele é meu filho também. - Emma disse sentindo a dor da mulher, e sua voz suavizou. - Você está sentada atrás de uma mesa há dez anos. Eu posso fazer isso. - Regina pareceu pensar por um minuto. Seus olhos castanhos brilhando de lágrimas, presos nos olhos verdes da assistente. Regina se perdeu naquele minuto, se permitindo admirar a bravura da jovem. Seus olhos desceram para os lábios entreabertos de Emma, e novamente se focaram na imensidão cor de esmeralda. Regina deu um passo a frente, seu rosto quase tocando o da outra mulher. Emma podia sentir o medo e a tensão no movimento da prefeita.

-Apenas traga-o de volta para mim. - Por um momento, Emma se perdeu nos olhos de Regina, naquele pedido sincero de uma mãe desesperada para ter seu filho a salvo, e a forma frágil e quebrada que a mulher, sempre altiva e forte, demonstrou sem querer. Seu coração bateu mais forte, e ela se esqueceu das brigas e do ódio que devia sentir pela mãe adotiva de seu filho. Apenas acenou com a cabeça e se virou, pronta para trazer seu menino de volta."

Regina não se moveu um centímetro sequer. Seus olhos vaguearam rapidamente dos olhos verdes da salvadora até seus lábios finos e voltaram para os olhos.

- O que eu preciso fazer para não desperdiçar mais? - Regina podia sentir a respiração pesada da loira se misturando com a sua própria. O vento continuava soprando forte, movimentando os cabelos das duas mulheres. Regina ergueu a mão, tirando uma mecha dourada do rosto de Emma, que inalou o perfume suavemente adocicado, vindo da mão da rainha, fechando os olhos.

-Você só tem que me ouvir. - Regina disse suavemente, com a voz ligeiramente rouca. - Você só precisa me ouvir e deixar que eu te guie... - Regina falava lentamente, ouvindo a respiração profunda da xerife, que ainda tinha os olhos fechados. Emma podia sentir o toque gentil da mão da prefeita e se deixou levar. Com a outra mão, Regina tocou o pulso de Emma gentilmente até entrelaçar os dedos dela nos seus. - O que você está sentindo? - Regina perguntou num sussurro, mas antes que Emma pudesse responder, ela a calou com o polegar em seus lábios. - Shhh... Não responda... Me mostre... Deixe que eu veja e sinta o que você está sentindo... - Emma abriu os olhos e mergulhou na imensidão dos olhos cor de café a sua frente. Mesmo que pudesse, não seria capaz de dizer o que estava sentindo naquele momento. Regina não baixou os olhos. Uma mão entrelaçada a de Emma, e a outra tocando seu rosto. A mão livre da loira subiu para repousar na curva da cintura da morena. Regina se sentiu fora do chão, mas não lutou contra isso, se deixou levar, sentindo o vento cessar e uma calma preencher sua alma. As mulheres não mais tocavam o chão, mas flutuavam por entre as copas das árvores. Não havia vento, não havia som, era tudo tranquilo. Regina se permitiu um sorriso casto, fazendo Emma sorrir abertamente. Sua mão, que ainda estava no rosto de Emma, descansou no ombro da loira. - Agora nos leve para o apartamento de seus pais. - Regina disse ainda baixo, com os olhos presos nos verdes da xerife.

-Regina, eu não acho que eu vá conseg... - Emma disse num sussurro assustada.

-Shhhhh... - Regina moveu novamente seu polegar para os lábios da mulher. - Confie em mim. Eu te guio, lembra? - Emma assentiu e fechou os olhos quando a mão da prefeita se postou em seu ombro de novo. Elas ainda flutuavam, e Emma se sentia estranhamente segura ali. - Concentre-se no lugar para onde você vai nos levar. - Ela fez como Regina mandou e visualizou cada detalhe do lugar. - Agora pense num cômodo específico. - Emma focou na cozinha, logo a frente da mesa. - Perfeito. Agora nos leve até lá.

-Como? - A voz de Emma era um sussurro.

-Instinto. - Regina disse simplesmente. Emma voltou sua concentração para o apartamento, visualizou a cozinha e pensou que deveria chegar lá. Numa fração de segundos, as duas mulheres desapareceram numa nuvem de fumaça azul quase branco e apareceram na cozinha do apartamento dos Charmings. Emma soltou uma risada descrente ao perceber que tinha conseguido, arrancando de Regina um sorriso genuíno. - Percebe o que eu quis dizer? - Regina se afastou um passou da xerife, sem deixar de tocá-la, olhando-a intensamente. - Está tudo dentro de você. - Emma sorriu e Regina se afastou completamente, dando as costas a mulher e se dirigindo para a porta. Emma se adiantou.

-Regina, espere. - Emma esperou a mulher se virar novamente. - Foi um dia cansativo. Eu, pelo menos, estou exausta. - O olhar de Regina fez Emma entender que não estava sendo clara. - Bem, eu estou com fome. Mary Margaret fez biscoitos hoje de manhã e eu vou fazer café, você aceita? Nós poderíamos esperar pelo Henry...- Emma, de repente se sentiu nervosa. Regina ponderou por um segundo e assentiu, depositando as luvas de couro vermelho sobre a mesa e acompanhando Emma até a cozinha.

-Me conte mais sobre a vida de vocês em Nova York. - Regina pediu com a voz suave enquanto seguia Emma pelo balcão. - Sobre os amigos do Henry, a escola, sobre seu noivo... como era mesmo o nome dele? - Emma engasgou. Iria enforcar Henry quando chegasse. - Hmm... Walsh? - Regina falou com desgosto.

-Nós não éramos noivos. - Emma falou baixo e se virou para encarar Regina. - Ele era... - Emma se recusava a falar em voz alta, ainda mais para Regina. Seria suicídio. No entanto, a xerife se sentiu culpada com a sobrancelha arqueada de Regina. - Ele era um dos amigos da sua irmã. - Ela falou simplesmente e virou as costas, pegando uma panela de alumínio e enchendo-a de água. Regina permaneceu em silêncio, juntando as peças.

-Como assim ele era amigo da minha irmã? Que eu saiba ela não tem muitos. - Regina foi seca, observando Emma acender o fogo sob a panela e se virar para o armário ao lado dela própria. Regina se adiantou e entregou a ela o pó de café. - Emma, eu ainda não entendo, Zelena não tem... - Então uma ideia cruzou sua cabeça e vestiu seu melhor sorriso diabólico. Quando falou, sua voz era baixa e carregada de sarcasmo. - A não ser, é claro, que eu esteja enganada. Ela tem amigos sim. Aposto que aqueles macacos voadores estão lá fora esperando você sair. - Emma se virou para ela com um olhar assassino. - Emma! - Regina exclamou numa gargalhada. O olhar no rosto de Emma mudou para resignado e ela se virou a procura do açúcar. - Oh não! Por favor não me diga que você estava apaixonada por ele. - Regina deixou o deboche de lado ao perceber a tristeza no rosto da xerife. - Você estava... Emma... - Regina se aproximou da mulher, olhando-a nos olhos. - Você o amava?

-Não. - Emma sussurrou. - Mas eu estava apaixonada. - Se o coração de Regina estivesse em seu peito, ele teria afundado.

-Me desculpe. - Regina murmurou honestamente.

-Tudo bem, é só que... Como eu podia saber? Ele sempre foi tão bom comigo, sempre me tratou bem, e Henry parecia gostar dele... Eu estava pronta para aceitar o pedido de casamento quando Hook apareceu e... - Emma não percebeu que estava desabafando com Regina.

-E fez você se lembrar de tudo... - Regina concluiu por ela.

-Na verdade eu ia dizer que ele se transformou num macaco voador e tentou me matar no terraço do meu prédio, mas isso também. - Emma soltou uma risada seca. - Mas fora isso, nossa vida era muito boa. Você pode pegar as canecas ali, por favor? - Regina assentiu e pegou duas canecas no armário atrás das duas enquanto Emma terminava de preparar o café. - Henry é bom na escola, mas isso eu já te disse. Ele gostava muito de ir ao Central Park e ler debaixo de uma macieira. - Regina abriu um largo sorriso ao ouvir a última parte, sentindo seus olhos lacrimejando de novo. - Nós fomos a dois jogos dos Yankees, ele adora. - Emma colocou o líquido fumegante nas canecas que Regina segurava e pegou um pote de vidro cheio de cookies. As duas mulheres seguiram para a mesa e se sentaram perpendicularmente. Regina cruzou as pernas enquanto Emma apoiava os dois cotovelos na superfície da mesa branca.

-Ele nunca gostou de esportes. - Regina falou sorrindo enquanto bebericava seu café. - Desde que aprendeu a ler, nunca gostou, estava sempre com um livro nas mãos. A não ser correr de bicicleta, isso ele adorava. - Emma sorriu. Seu coração doía com a dor que Regina estava tentando esconder. A prefeita procurou seus olhos. - Henry é minha vida, você sabe. Olhar o quarto dele vazio, sabendo que ele não vai voltar é pior que qualquer maldição. -Emma estendeu o braço, tocando a mão de Regina. Ela sentia a necessidade de consolar a mulher, principalmente por saber que parte daquela dor era culpa sua.

-Regina, eu... - Emma não conseguiu concluir sua frase. Uma batida na porta a interrompeu. Ela sorriu para Regina. - Deve ser Henry. - Emma se levantou, andando em direção a porta. Quando abriu, um Capitão Gancho confuso estava a sua frente. Regina continuou sentada.

-Swan, eu não esperava vê-la aqui. -Ele disse brincando com o o gancho prateado.

-O que você quer dizer? Onde está o Henry? Está tudo bem? - Emma perguntou preocupada, acompanhada do olhar de Regina, que respirou fundo ao ouvir a voz do pirata.

-Ele está bem, está com os avós. Pensei que já estariam de volta. - Ele parecia estranho, como que escondendo algo, mas Emma ignorou. Regina não gostou disso, mas também fingiu não notar nada.

-Nós não os vimos. - Hook então percebeu que Emma não estava sozinha. - Se não estava com Henry, o que esteve fazendo o dia todo? - Emma perguntou.

-Eu fui designado para ajudar Ariel a encontrar seu príncipe perdido. - Ele entrou no apartamento, seguido pelos olhares de Emma e Regina.

-Mesmo? - Regina arqueou a sobrancelhas em descrença. - Aquele peixe está em Storybrooke? - Ela não conseguiu conter o sarcasmo.

-Ela estava, sim. - Hook falou pausadamente como se fosse muito difícil responder aquela pergunta. Regina estreitou os olhos, imaginando que o pirata estava mentindo para conseguir a atenção de Emma. - E encontramos uma pista na loja do Gold, que nos levou a descobrir que Eric naufragara na Ilha do Homem Enforcado, na encosta da Floresta Encantada.

-A maldição de Zelena não foi tão longe. - Emma disse olhando para o pirata.

-Ariel foi para lá. - Hook disse, levemente envergonhado. - Ela pediu que eu me despedisse de Mary Margaret por ela.

-Bem, pela velocidade que as sereias nadam, ela, provavelmente, já deve estar lá. - Regina disse pensativa, e uma ideia lhe ocorreu. Uma que mostraria mais uma vez o potencial de Emma, e desmascararia o pirata. - Na verdade, vamos descobrir. - Ela se levantou, indo na direção de um grande espelho.

-Eu pensei que você não podia usar magia com espelhos para ver entre os mundos. - Emma disse seguindo a mulher.

-Eu não posso. - Regina sorriu, parada em frente ao espelho. - Mas depois de ver o grande poder que você possui, eu acho que talvez você possa. - Emma parou ao lado de Regina.

-Não há necessidade, sei que ela está bem. - Hook falou nervosamente. Regina sorriu ao perceber que, provavelmente, ela estava certa e ele estava mentindo. - De qualquer forma, não é certo espiar um assunto particular.

-Como eu faço? - Emma perguntou, e Regina sorriu.

-Você deve se focar, deixe que suas emoções despertem seu poder. - Emma fez o que Regina disse, e o espelho ondulou levemente. - Agora você precisa olhar no interior. - Emma se concentrou em olhar para dentro, procurando uma imagem de Ariel. O espelho brilhou forte e Regina sorriu vitoriosa, apreciando cada segundo antes de desmascarar o Capitão. Emma abriu os olhos e suspirou ao ver a pequena sereia feliz com seu príncipe perto do mar. Regina, discretamente, lançou ao pirata um olhar de desgosto. Ele ganhara.

-Você fez isso? - Emma se virou para Hook, que parecia levemente tão surpreso quanto ela. - Você os reuniu? - Regina percebeu que havia algo de estranho acontecendo.

-Não. - Killian disse envergonhado, parecendo decepcionado consigo mesmo. Regina não deixou passar seu tom de voz. - Foi Ariel, ela não parou de acreditar.

-Modéstia? - Emma sorriu para ele. - Você está cheio de surpresas hoje... - Regina sentiu que poderia vomitar ao ouvir a voz de Emma se tornar mais baixa. Sua salvação foi a porta sendo aberta por David, seguido de Mary Margaret e Henry. Ao ver o menino, Regina se sentiu estranhamente renovada. - Por onde vocês andaram?

-Somente tendo o melhor dia de todos. - Henry disse animado. Regina sorriu ao ver a alegria de seu filho, mesmo que ele não se lembrasse dela. - David me deixou dirigir a caminhonete dele.

-Você o deixou fazer o que? - Regina não se conteve. David encolheu os ombros e Henry a olhou assustado, Ela se lembrou que não era a mãe dele naquele momento. - Oh, é que como prefeita eu não posso deixar alguém sem carteira dirigir... pelas ruas de Storybrooke... - Regina disse a última parte num sussurro, quase se amaldiçoando enquanto Emma sorria com a situação.

-Como prefeita, você pode querer desembolsar algum dinheiro para reparar as ruas. - David disse baixinho.

-O que? - Regina pensou não ter ouvido direito.

-Nada. - Ele passou por ela com um sorriso travesso, seguido de Henry, que não escondia o riso. Regina não podia acreditar naquilo, mas Henry parecia tão feliz.

-Isso foi um terrível erro... - A prefeita seguiu David e Henry até a cozinha.

-Ela está certa. Alguém poderia ter se ferido. - Emma disse tentando parecer séria.

-Só se você fosse a caixa de correio. - Mary Margaret se pronunciou pela primeira vez, igualmente travessa. Emma a olhou com as sobrancelhas levantadas, em descrença.

-Foi tão divertido! - Henry disse tirando um achocolatado da geladeira enquanto David pegava dois copos. Regina apenas observava com a sombra de um sorriso e uma ruga de preocupação.

-O que eu posso dizer? - Ele disse olhando para Emma. - Eu tenho um lado descuidado, imprudente e divertido. - Emma sorriu para ele, sabendo que aquilo tudo era a forma que seus pais encontraram para se aproximar do neto.

-Killian? - Mary Margaret chamou. - Onde está nossa amiga? - Ele a olhou de longe.

-No final das contas, o marido desaparecido retornou. - A mulher sentiu um sorriso em seu rosto.

-É verdade. Nós os checamos por... - Emma pensou que, certamente, não poderia mencionar um espelho mágico na frente de seu filho... - skype. - Regina a olhou séria.

-Ela mandou abraços. Disse que estava ansiosa demais para esperar. - Ele disse.

-Um final feliz! - Mary Margaret sorriu animada. - Talvez nossa sorte esteja prestes a mudar... Jantar no Granny's?

-Posso dirigir? - Henry perguntou animado.

-Não. - A resposta foi em uníssono.

-Bom, acho que deixarei essa para vocês. - O pirata disse indo na direção da porta. David e Henry brindaram com seus achocolatados enquanto Emma seguia Hook até a porta.

-Você não vem? - Emma perguntou, e Regina sentiu novamente seu estômago revirar.

-Outra hora, quem sabe. - Ele disse quando Emma abriu a porta e segurou para que ele pudesse sair.

-Bem, se mudar de ideia, sabe onde estamos. - Regina ouviu Emma falar, e se esforçou para ouvir o resto da conversa, mas sentiu algo ao seu lado e se virou para encontrar os olhos mel de Henry olhando para ela com um sorriso triste nos lábios. Ela franziu a testa e percebeu que estavam só os dois na cozinha... Mary Margaret e David deviam ter ido ao quarto buscar alguma coisa.

-O que foi, querido? - Regina perguntou tocando o queixo do menino.

-Você não gosta dele não é? - Menino esperto, Regina pensou. Mas resolveu que se fingir de desentendida seriamelhor.

-Dele quem?

-Killian. - Henry disse simplesmente. - Eu vejo como você olha pra ele. E eu vejo como ele olha pra minha mãe. - Regina estreitou os olhos, e o menino sorriu. - E eu vejo como você olha pra ela... - Ele disse e enlaçou a cintura da mulher com os dois braços. Regina se sentiu no céu e no purgatório ao mesmo tempo. Ele a olhou de baixo e disse. - Você também gosta dela, não gosta? - Regina não soube o que dizer. Abriu a boca e nada saía, mas também não negou. O menino sorriu, ainda abraçado a ela. - Não precisa ficar sem jeito, eu sei que gosta. Você devia dizer a ela... - Henry disse observando o rosto de Regina, que se soltou do abraço e se ajoelhou a frente o menino, com as mãos em seu rosto.

-Henry... - Regina começou num sussurro, olhando para ver se ainda estavam sozinhos. Seus olhos cor de café encontraram os olhos cor de mel do menino. - Minha história com sua mãe é... complicada...

-Vocês, adultos, é que fazem tudo ser complicado... - O garoto disse com um sorriso inteligente, lembrando a Regina de quando ele ainda estava aprendendo a ler e achava tudo fácil. Ela sorriu, e resolveu admitir para, talvez, a única pessoa que podia amá-la nessa vida.

-Eu gosto dela, eu admito. Admiro a coragem e o destemor de sua mãe, mas Henry... Ela não sente o mesmo. Eu sei que ela confia em mim, e que nós podemos até ser amigas hoje, mas é impossível que passe disso. - Regina disse com um tremor em sua voz.

-Nenhuma de vocês nunca me contou como se conheceram... - Henry disse, mas foi interrompido pelo barulho da porta se fechando. Regina se levantou e piscou para o menino.

-Uma outra hora eu te conto... - O garoto acenou e abraçou Regina de novo vendo Emma se aproximar com um sorriso nos lábios. David e Mary Margaret também chegaram.

-Podemos ir? - O homem perguntou. Emma sorriu olhando Henry com Regina, que disseram estar prontos.

-Tem certeza que não posso dirigir? - O menino perguntou risonho.

-Não! - Emma disse ao mesmo tempo que Regina disse "De jeito nenhum".

-Entao vamos, que esse bebê está me matando de fome... - Mary Margaret falou da porta, ao lado do marido. Emma passou por eles com as mãos nos bolsos, seguida por Henry e Regina. David fechou a porta e eles caminharam duas quadras até o restaurante. Regina se lembrou de quando salvou Emma e Mary Margaret da armadilha de Gold no portal. Todos foram comemorar felizes por Branca de Neve e sua filha estarem de volta, e ninguém se lembrou de quem as salvou, nem mesmo Henry. A frase irônica que Gold disse a ela martelava em sua cabeça desde aquele dia.

"-Parabéns, Regina. Você acabou de reunir mãe e filho. Quem sabe um dia eles até te convidem para jantar."

Pois bem, ele estava certo. Cá estava ela, a Rainha Malvada sentada a mesa, jantando com Branca de Neve, o Príncipe Encantado, a Salvadora e seu filho. Com um sorriso, vendo Henry comer suas batatas fritas enquanto David falava sobre um pássaro que ele e Mary Margaret salvaram na tempestade, Regina pensou que o mundo realmente dá voltas.