N/A: Volteeeeei! Então, prometi que ia atualizar uma vez por semana e falhei, mas aqui estou eu. Eu adorei escrever esse capítulo, porque não está na ordem cronológica que eu propus. Ele se passa depois do 3x22, e vai ter alguns flashbacks... Ontem, 11/09 foi meu aniversário. YAY! Sim, fiquei velha e fiz resoluções. Uma delas foi atualizar a fic! =) E mais uma vez, comentários, críticas e sugestões são altamente bem vindos e esperados! Beijinhos e espero que gostem.

CAPÍTULO 4 – Nunca desista das pessoas que você ama

Regina ouviu batidas na porta da frente e sabia exatamente quem era. A mesma pessoa que, toda noite, há uma semana vinha a sua porta. E como todas as noites anteriores, ela não iria abrir. Sentada no sofá de veludo cinza com as pernas dobradas sobre uma almofada negra, a prefeita suspirou olhando o fogo na lareira. A taça de vinho foi quase esquecida em sua mão enquanto seus pensamentos vagavam para longe. Longe entre Robin e o caminho de volta de Neverland. As batidas continuaram cada vez mais fortes. Regina suspirou e, deixando sua taça de vinho na mesa de madeira a sua frente, caminhou para o hall de entrada. Rolando os olhos e colocando sua melhor máscara, abriu a porta para encontrar a xerife parada em sua varanda. Emma vestia uma calça de malha preta, um blusão de lã grossa vermelho. Quando seus olhos encontraram os olhos de Regina, tudo o que ela conseguia era murmurar.

-Regina... Hoje você vai me deixar entrar? - Emma encontrou os olhos cor de café da prefeita. A mulher mais velha não respondeu, simplesmente fechou a porta e voltou a caminhar de volta para a sala. - Regina, por favor. Me deixe entrar. - Regina parou, sentindo sua respiração irregular, seu choro querendo sair. - Regina, por favor. - A mulher inspirou fundo, mandando as lágrimas de volta e caminhando novamente. - Henry sente sua falta. - Regina parou a menção de seu filho. Ela sentia falta dele também. Então, ouviu um sussurro de Emma. - Eu sinto sua falta também. - Regina fechou os olhos deixando uma lágrima solitária escorrer e caminhou de volta até a porta, abrindo-a devagar. Emma estava de costas, descendo os degraus quando se virou com esperança nos olhos. A prefeita abriu passagem para que a xerife entrasse. Emma subiu os degraus vagarosamente, sem tirar os olhos do rosto molhado de Regina. Sem dizer uma palavra, a loira entrou no hall enquanto Regina fechava a porta. Mesmo solitária, a casa da prefeita tinha algo de acolhedor. Emma esperou a mulher passar por ela e a seguiu até a sala onde ela parou perto do armário de cristais, pegando uma taça, enchendo-a de vinho tinto e entregando a xerife. Emma observou Regina se sentar com as pernas encolhidas e se cobrir com o cobertor xadrez escuro. A prefeita não a olhava, então a xerife fez seu caminho até o sofá, se sentou na outra extremidade e puxou um pouco do cobertor para si própria. Ela olhou para a morena. Regina tinha os olhos fixos na taça de vinho em sua mão. - Regina... - Emma tentou. A mulher piscou vagarosamente, pousando os olhos escuros nos olhos de esmeralda da loira ao seu lado. Ela respirou longamente e tomou um pequeno gole do vinho, fechando os olhos enquanto sentia o sabor.

-Como está Henry? - Regina perguntou com a voz baixa. Emma sentiu seu coração voltar a bater, e sorriu com alívio.

-Bem. Mas ele não para de falar o quanto sente a sua falta. - Regina tentou não parecer afetada pela frase da outra mulher, mas não conseguiu segurar um sorriso triste e voltou seus olhos para a taça em sua mão. – Regina... – Emma chamou com a voz suave percebendo como a prefeita estava mais pálida. – Eu sei que você está passando por um momento difícil agora, sei também que nada pode ser considerado fácil em sua vida, mas não vim aqui pedir perdão...

-Eu sei. – Regina cortou com a voz baixa e sem emoção.

-Sabe?

-Francamente, você é uma Charming e salvou a vida de uma inocente. Você não sente remorso por isso. – Regina não olhava para Emma, mas sentia os olhos verdes queimando em sua nuca.

-É verdade. Eu não peço perdão por isso. Mas também não sou alheia ao sofrimento que te causei. – Emma se aproximou um pouco da mulher, mas ainda deixou uma distância segura caso Regina quisesse lançar uma bola de fogo. – Droga, Regina! Depois de tudo o que passamos você não pode me ignorar assim. Despois de Neverland...

-Não toque nesse assunto. – Finalmente os olhos se encontraram. Emma viu nos olhos castanhos lágrimas querendo cair e uma força absurda tentando as deixar presas. Ela viu mágoa, e se aproximou mais da prefeita deixando apenas um palmo de distância.

-Em algum momento, vamos ter que falar sobre isso. – Emma insistiu sem tirar os olhos verdes dos olhos cor de café.

-Não! – Regina piscou e duas lágrimas caíram. Parecia prestes a desmoronar quando se inclinou para frente, depositando sua taça na mesa de centro, e se virou para encarar Emma, que fez o mesmo. – Porque você veio aqui? O que você quer de mim?

-Eu vim porque me preocupo com você, e me preocupo com nosso filho. – Emma pegou as mãos de Regina nas suas próprias e segurou forte. A morena não pareceu se opor. - Regina, ele sente sua falta, por isso eu vim te fazer um pedido. – A prefeita inspirou fortemente e assentiu para que a xerife continuasse. – Eu quero que ele volte para casa, que venha morar com você. – Regina não podia acreditar naquelas palavras.

-Você está falando sério? – Regina testou, ainda com suas mãos na de Emma. Ela se sentia estranhamente segura.

-Sim. – Emma tentou ser o mais seca possível, mas não conseguiu ao ver o brilho diferente nos olhos da mulher e a sombra de um sorriso que se formou. – O que me diz? Ele pode vir?

-Sim... – Regina sussurrou. – Sim, ele pode vir. – Ela apertou as mãos de Emma num sinal de agradecimento, e mais uma vez um silêncio caiu sobre elas.

-Regina... – Emma sussurrou.

-Não... – Regina fechou os olhos. As mãos de Emma ainda segurando as suas.

-Regina... – A morena abriu os olhos para ver o rosto de Emma pairando a centímetros do seu, e sentiu seu coração disparar.

-Emma... – Seu tom era de aviso. Os olhos fixos. Verdes em castanhos.

-Eu sei o que eu fiz, Regina. Sei o que eu disse, sei que te feri tantas vezes quanto você me feriu. Mas sei também que você não é qualquer pessoa, você faz parte da minha família e eu não desisto da minha família. – Emma falou tão baixo que Regina quase não pôde ouvir. – E se tem algo que eu aprendi por sua causa, é que nós não devemos desistir de quem amamos. – Dizendo isso, a loira se levantou deixando Regina atônita no sofá, e saiu da sala. A morena tentou não pensar em Daniel, mas o sorriso doce do rapaz dos estábulos veio, e foi substituído pelo sorriso irônico do rei dos ladrões. A imagem de Robin sumiu e deu lugar a imagem da Salvadora no navio voltando de Neverland. Regina se forçou à esquecer a lembrança de Emma e lembrou de Henry ainda bebê rindo das brincadeiras de uma menina, que Regina lutou para esquecer...

-Freya... – Duas lágrimas grossas escorreram e Regina se pegou chorando copiosamente enrolada no cobertor xadrez, sem perceber que Emma não tinha ido embora e a observava curiosa, do canto da porta. A xerife quis ir até a mulher e perguntar quem era Freya, mas preferiu dar-lhe tempo. Lutando contra si, caminhou vagarosamente até a porta e saiu, sentindo o frio percorrer sua espinha. Entrou no fusca amarelo e dirigiu até o apartamento dos pais. Durante todo o percurso, o nome ecoava em sua cabeça. Freya. O modo como Regina sussurrou, a dor que ela sentia simplesmente por dizer aquele nome. Devia ser alguém importante. Ela conheceu uma Freya, sua vizinha em Nova York. Tinha longos cabelos negros e um sorriso de tirar o fôlego de qualquer homem que a visse. Tinha uma filha de um ano quando Emma e Henry vieram para Storybrooke. Freya ficava com Henry sempre que Emma precisasse sair e os dois se davam bem, além do menino adorar a filha pequena da moça. A loira sorriu com as lembranças, mas seu sorriso se esvaiu quando se lembrou da última noite em Neverland.

Entrou em casa com cuidado para não acordar ninguém, já passava da meia noite e a rua principal estava silenciosa. Ao fechar a porta, a luz se acendeu e Emma se virou no susto para encontrar a mãe parada ao lado da bancada da cozinha.

-Caramba, mãe! Você me assustou. – Ela colocou a mão no peito e viu Mary Margaret sorrir. – Neal está bem?

-Sim, seu pai o pôs para dormir. Henry já foi para a cama também. – A mulher falou enquanto se movia para o fogão, onde Emma percebeu que tinha algo fervendo. – Chá? – A filha negou. – Como está Regina? – Seus olhos negros perfuraram os olhos da filha.

-Como você sabe que ela me deixou entrar? – Emma franziu a testa.

-Você veio cedo. Se ela não tivesse aberto, você ainda estaria lá. – Mary Margaret disse simplesmente. – Emma deu de ombros.

-Eu disse a ela que quero que Henry vá morar com ela e ela aceitou. Parece a mesma Regina de sempre.

-Duvido muito. – A mãe disse enquanto despejava a água fervendo em uma caneca com um saquinho de chá.

-Porque você diz isso? – Emma se aproximou, apoiando-se no bancada.

-Porque você está preocupada.

-Eu estou sempre preocupada.

-Diferentemente preocupada. – Mary Margaret olhou novamente para a filha, que parecia divagar. – No que você está pensando?

-Em Neverland, na última noite... – Emma sussurrou. Depois de um momento silencioso entre as duas, Emma pareceu acordar de um transe. – Bom, vou dormir, que amanhã vou precisar levar Henry para Regina. Boa noite, mãe.

-Boa noite, querida. – Mary Margaret disse vendo a filha subir as escadas. – Emma! – Ela chamou antes que a loira desaparecesse no andar de cima. – Eu também lembro de Neverland. – Emma assentiu, sem entender o que a mãe quis dizer, e a deixou sozinha na cozinha. – Eu também lembro... – Snow White sussurrou para o nada.

"Henry estava finalmente dormindo quando Regina deixou sua cabine. Em poucas horas, estariam em Storybrooke novamente e as coisas iriam se acertar. A sombra de Pan já estava presa no navio e eles voavam lentamente por entre as nuvens. Regina passou por Rumple, que acenou para ela e continuou seu caminho para a cabine que estava dividindo com Neal. Todos deviam estar dormindo naquele momento, foram dias exaustivos. Regina chegou ao convés praticamente vazio a não ser por uma figura de cabelos loiros, recostada a borda do navio. Ela reconheceria a salvadora de longe. Com um suspiro cansado, ela caminhou até estar lado a lado com a mulher. Emma não pareceu se importar com a companhia e as duas ficaram em um silêncio confortável por alguns minutos, apenas observando as nuvens abaixo do navio e as estrelas acima delas.

-Sem sono? - Regina perguntou com a voz baixa, sem olhar para a mulher.

-Não consigo dormir. - Emma disse num suspiro. - Existem tantas coisas na minha cabeça nesse momento.

-Como o que? - Regina se virou, olhando para a mulher. Emma fechou os olhos e se virou para encarar a morena.

-Como o fato de que eu não fui capaz de fazer nada. Não fui capaz de impedir que Henry fosse levado de Storybrooke, não fui capaz de salvá-lo de Pan. Se não fosse por você, Henry estaria morto agora... - Emma foi calada pela mão de Regina na sua e o olhar intenso cor de chocolate.

-Você nunca deve dizer isso de novo. - A voz de Regina foi, surpreendentemente, suave. - Você não impediu que ele fosse levado, mas eu também não consegui impedir. No entanto, nós viemos buscá-lo. Você fez o mapa funcionar e... - Regina parou um instante vendo os olhos verdes de Emma brilharem cheios de lágrimas e um sorriso tímido nos lábios finos. - E, bem... nós fizemos um eclipse juntas, nós duas o resgatamos. Isso não é algo que eu vá repedir, mas acredite, eu só tive sangue frio para arrancar o coração do nosso filho do peito daquele bastardo, e isso nem sempre é uma qualidade. - Regina parou novamente ao perceber onde o olhar de Emma estava. A xerife olhava fixamente para seus lábios, e a prefeita não pôde evitar de deixar seus olhos caírem nos lábios rosados da mulher a sua frente. Elas estavam perigosamente perto e Regina sentiu um formigamento em suas mãos. Os olhos esmeralda de Emma encontraram os castanhos de Regina e as duas podiam sentir suas respirações se misturando. Foi Emma que quebrou o silêncio com a voz baixa.

-Regina, o que você faria se eu te beijasse agora? - Regina sentiu suas defesas caírem e sua voz não passou se um sussurro quando ela respondeu.

-Bem, querida, só há uma maneira de você descobrir. - Emma não precisou ouvir mais nenhuma palavra antes de fechar a distancia e cobrir a boca de Regina com a sua, com uma urgência delicada. Havia uma certa ternura, um certo cuidado na forma que Regina levou suas mãos ao rosto de Emma e acariciou a pele de sua bochecha, agora molhada pelas lágrimas. Emma deixou sua língua se aventurar, pedindo passagem, e foi recebida por um gemido baixo de Regina, que mudou uma das mãos para os cabelos loiros da salvadora, trazendo-a para mais perto. Emma enlaçou a cintura da morena enquanto o beijo se tornava quase desesperado e a imprensou na borda do navio. Quando o ar se fez necessário, as duas se afastaram sem deixar se tocar, abraçadas uma a outra, com as testas coladas e as respirações ofegantes. Nenhuma das duas mulheres percebeu os olhos negros que as observava da porta que dava para as cabines.

Sentindo uma lagrima cair Snow sorriu para si mesma. Então a cena a sua frente mudou. Emma se afastou do abraço de Regina murmurando algo que ela quase não pôde entender.

-Regina, eu... - Emma parecia atordoada, coo se só agora tivesse percebido o que tinha acabado de acontecer. Ela tinha beijado Regina. E Regina a tinha beijado de volta. E foi um beijo como nenhum outro. Nem Neal, nem Graham, nem Hook a beijaram da forma como Regina beijou. Emma sentiu o medo a corroer por dentro e deixou o impulso falar por si. - Eu sinto muito, isso não deveria ter acontecido. - Regina olhou para o chão sentindo seu coração ser rasgado dentro do peito. Inspirou profundamente, voltando seus olhos para a mulher, colocando a melhor máscara de rainha que conseguiu naquele momento e falou com a voz impassível.

-Você tem razão, senhorita Swan. Isso jamais deveria ter acontecido, mas não se preocupe, ninguém vai saber. - E sem dizer outra palavra, Regina passou por Emma, caminhando até a porta do corredor e se dirigiu para a cabine onde o filho dormia. Snow a seguiu com o olhar atento, molhado por lágrimas. De um lado, Emma recostada ao mastro principal respirando fundo com os olhos fechados. De outro, Regina parada do lado de fora da porta da cabine de Henry, a testa contra a porta de madeira e as lágrimas escorrendo livremente. Por um minuto, Snow viu em sua madrasta, a verdadeira Regina. Somente por um minuto. Snow sentiu seu coração inflar. Ela amava Regina, apesar de tudo o que já haviam passado, de toda dor que sentiu e que a fez sentir, e desejava com toda alma que a mulher encontrasse a felicidade novamente. E Emma merecia essa felicidade. Estava mais do que claro, há tempos que as duas se importavam, mas nenhuma delas parecia perceber porque o ódio eu medo eram maiores. As duas estavam erradas. Snow aprendeu cedo que há uma linha tênue entre o amor e o ódio. Só faltava agora que elas descobrissem e entendessem o que isso significava."