N/A: Pessoaaaas lindas! Enfim tô de volta. Demorei um pouquinho, por que alé do trabalho e da faculdade, resolvi exercer meus dotes culinários e montar uma lojinha de cupcakes... Espero que gostem do capítulo, de verdade. E, novamente, eu venho encarecidamente pedir comentários... hahahahaha... Tenho ficado muito feliz com os comentários que venho recebendo via Whatssap, facebook e email. Sério gente, comentários, críticas, sugestões... Todos são muito bem vindos e me incentivam. Mas deixemos de enrolação, e boa leitura!

-SQ-

Regina abriu os olhos e viu sua cama vazia. Não havia nada de diferente, sua vida era a mesma de antes. O quarto estava parcialmente iluminado pela luz fraca do sol que nascia depois das montanhas verdes de Storybrooke. Era cedo ainda, mais cedo do que ela esperava acordar. Suspirou fechando os olhos, tentando se forçar voltar a dormir. Um sorriso nasceu no rosto da prefeita quando ela lembrou o motivo do sono. Passara horas arrumando o quarto do filho, sem magia, tirando as coisas de criança e deixando do jeito que um adolescente de 12 anos gostaria. Ela estava feliz que o filho voltaria a viver com ela, mesmo com Emma a sua volta, ele estaria em sua casa, dormindo na sua cama e comendo sua lasanha que ele tanto adorava. Regina abriu os olhos ao imaginar jantares com Emma. Emma Swan. A mulher que destruiu sua felicidade, assim como sua mãe fizera anos atrás. As duas eram iguais, mãe e filha. Obviamente Henry iria querer suas duas mães jantando com ele em certas ocasiões, e embora isso não agradasse Regina, ela teria que fazer um esforço por seu filho.
Olhando para a janela com as cortinas abertas, Regina respirou fundo e decidiu que não adiantava tentar dormir. Iria encontrar Sidney depois do café da manhã para discutir com ele os detalhes de como iriam encontrar o autor do livro de Henry e precisava estar bem. Ela tinha encontrar a pessoa que escreveu o livro, e com isso escrever seu final feliz. A mulher levantou da cama lentamente e fez seu caminho para o banheiro.

Emma estava ajudando Henry a terminar de empacotar suas coisas. Fazia apenas alguns minutos desde que ela subiu para o quarto onde dividia com o filho no apartamento dos pais, e estava tudo praticamente pronto. Ela tinha a certeza que o menino passou a noite toda arrumando sua bagagem para voltar para a mansão da rua principal. Não que o filho quisesse o luxo que sua outra mãe poderia oferecer, mas ela sabia que ele sentia falta do quarto e, principalmente, de Regina. Emma visualizou os olhos cor de chocolate com tamanha realidade, que parecia que Regina tinha se materializado em sua frente. A loira se ajoelhou para fechar uma das três malas quase em transe.

-Ma? –Henry chamou e não obteve resposta da mãe. – Mãe! – A mulher balançou a cabeça espantando o fantasma da prefeita e olhou para o filho, se forçando a sorrir. – Você está bem? – Emma sorriu verdadeiramente com a preocupação do menino e se levantou.

-Sim. Só estou um pouco deprimida porque você preferiu a Regina a mim. – Ela falava enquanto caminhava para a cama onde o filho estava sentado, colocando seu livro de histórias na mochila.

-Ma! – A xerife fez beicinho para o filho enquanto o abraçava sob protestos. – Sério, ma! Você sabe que ela precisa de mim agora, e a ideia foi sua, não me culpe. – Henry dizia enquanto se livrava do abraço apertado da mãe.

-Eu sei, garoto. Mas você vai fazer falta. – Henry sorriu e se levantou, indo ao banheiro.

-Também vou sentir sua falta, mãe. Mas não é como se eu estivesse indo para Nova York, vou estar no fim da rua, você pode ir andando. – Ele sumiu dentro do banheiro enquanto procurava sua escova de dentes.

-Eu sei, eu sei. – Emma se surpreendia com a maturidade do filho. Regina o criou bem, ela devia admitir. Ao se lembrar de Regina, Emma lembrou do choro da noite passada, e do nome que a mulher disse. – Hey, garoto! – Henry surgiu na porta do banheiro. – Quem é Freya? – O garoto ficou um pouco sem reação, e estreitou os olhos tentando lembrar. Seu semblante ficou triste. – O que foi Henry? Quem é essa pessoa?

-Porque você está perguntando? Minha mãe te falou sobre ela? – Henry perguntando incrédulo.

-Mais ou menos isso. – Emma deu de ombros.

-Impossível. – Henry balançou a cabeça. – Minha mãe nunca mais falou sobre ela. – Ele parecia triste ao falar disso.

-Quem é ela, Henry? – Emma perguntou.

-Quem te falou sobre ela? – O menino deu um passo a frente, e Emma entendeu que era alguém importante. Mas porque nem seu filho, nem Regina nunca falaram sobre ela?

-Ontem quando fui ver sua mãe, ela achou que eu tinha ido embora, mas eu fiquei atrás da porta...

-Você estava espionando? – Emma o cortou.

-Eu fiquei porque ouvi sua mãe chorando. Pensei em voltar e conversar com ela de novo, mas aí ela disse esse nome e começou a chorar mais. Eu fiquei sem saber o que fazer, então fui embora. – Emma falava rápido, como se, de repente, se sentisse culpada de ter espionado Regina. O garoto pareceu pensar e caminhou de novo até a cama se sentando um pouco longe da mãe. Ele tinha a cabeça baixa e as mãos juntas.

-Quando eu estava pra fazer um ano, minha mãe me levou até a floresta para ver os pássaros. Ela sempre falava que eu ria quando eu via os pássaros voando. – O menino sorriu triste com a lembrança.

"Os pássaros estavam voando por cima das árvores da floresta, perto da ponte Toll. Regina apontava para o alto e o pequeno Henry gargalhava com os bichinhos. A mulher segurava o menino nos braços e dava beijinhos da bochecha cor de rosa do bebê, e ele se entregava aos carinhos da mãe, rindo ainda mais.

-Você gosta dos passarinhos, Henry? – Ela perguntava para o menino, que segurava seu rosto com as duas mãos pequeninas. – Você gosta, meu príncipe? – Um clarão apareceu pouco atrás deles e mulher ouviu um grito. Henry se assustou e ameaçou chorar. Regina apertou o filho no colo e caminhou pela floresta em direção ao grito até chegar numa clareira. Atrás de uma rocha grande por entre as árvores, Regina viu uma pequena mão pequena. Era uma criança.– Olá? Venha até aqui, eu não vou te machucar. – Ela pediu com a voz suave, e seu coração parou de bater por um instante. De trás da rocha, lentamente uma menina que aparentava ter não mais que 9 anos saiu envergonhada. Sua roupa estava rasgada e suja de terra. Sua pele morena clara e seus cabelos negros, emaranhados até o meio das costas, estavam sujos também. Quando viu a mulher, os olhos cor de chocolate da menina se arregalaram e ela caiu de joelhos. Regina estava parada, sem reação, com Henry em seus braços, assustado, e a jovem garota ajoelhada a sua frente. A prefeita se aproximou da menina a passos lentos. Ela sabia que um dia isso iria acontecer, mas nunca sequer imaginou quando seria. Regina se ajoelhou em frente à menina sob os olhinhos curiosos de Henry, e tocou o queixo da jovem, levantando seu rosto. Os olhos castanhos das duas se encontraram e Regina sentiu as lágrimas chegarem ao ver que a menina já chorava.

-Freya... – Ela sussurrou, com um sorriso casto.

-Eu consegui, minha senhora. Eu te encontrei. – A menina falava chorando, quando se jogou nos braços da mulher, que a acolheu de bom grado, e Henry se aconchegou no abraço das duas.

-Sim, querida. – Regina murmurou com a voz embargada. – Você conseguiu. "

-E foi assim que ela chegou. É assim que a mamãe me contava, pelo menos. – Henry disse ainda de cabeça baixa.

-E o que aconteceu? Porque ela não está em Storybrooke? – Emma fez um carinho nos cabelos do filho, tentando animá-lo.

-Minha mãe a criou como filha... – O garoto continuou, mas logo foi cortado por Emma.

-Hey, espera. Isso quer dizer que você tinha uma irmã? – Ele fez que sim com a cabeça. – E como ninguém nunca mencionou isso? Quer dizer, você tem uma irmã! E eu sou sua mãe, eu devia saber disso. Porque Regina...

-Minha mãe não fala dela. Ninguém fala dela. – Henry disse sombrio. –Éramos eu, minha mãe e Freya, e nós éramos felizes. Todos na cidade gostavam dela, e ela e mamãe eram como se fossem uma. Às vezes eu tinha ciúme, porque elas conversavam sobre tudo, mas logo passava porque elas sempre faziam de tudo pra me agradar. – Henry deixou uma lágrima solitária cair. – Quando eu fiz 9 anos, ela tinha 18. Aí que tudo começou. A vovó me deu o livro e eu comecei a ver os personagens. Comecei a ver minha mãe como a Rainha Má, e a Freya começou a ficar diferente. Ela dizia pra mamãe que queria ir pra faculdade, ver o mundo fora de Storybrooke e minha mãe sempre dizia não. Acho que essas foram as primeiras brigas delas. – Emma ouvia tudo atentamente. – Então um dia quando eu acordei e desci as escadas, minha mãe estava no chão, chorando.

"Henry acordou com um barulho estranho vindo do andar de baixo, sua mãe parecia estar gritando. Devia ser mais uma briga entre ela e sua irmã. Ele caminhou lentamente até estar no topo da escada e o que viu, deixou seus olhos arregalados.

-Não... Não! Não Graham, por favor, me diz que não é verdade... – Regina estava no chão, ajoelhada em frente ao xerife Graham, que se agachou para tentar ficar no mesmo nível da mulher. Ela segurou seu colarinho, enquanto chorava copiosamente e dava socos em seu peito.

-Regina... – Ele tentou falar, mas a mulher continuava chorando.

-Não... Freya, não... Minha filha não... – Graham a abraçou e Regina se deixou ser embalada pelo xerife enquanto chorava.

-Henry! – Marco disse pela primeira vez desde que o garoto chegou. Todos os rostos se viraram para o menino, assustado no topo da escada, com lágrimas nos olhos. Regina o olhou e ele viu dor ali. Mary Margaret tentou não chorar, mas não conseguiu. O garoto desceu as escadas lentamente os degraus e caminhou até estar frente a frente com a mãe. A prefeita se desvencilhou do abraço de Graham e se virou completamente para o filho, ainda ajoelhada, ficando quase da altura do menino.

-Henry... – Ela começou com a voz trêmula.

-Onde está a Freya? – Ele olhou nos olhos de Regina, e ela não respondeu. Ele olhou para Graham, e para Marco. Viu sua professora ali segurando o casaco de Freya. – Senhorita Blanchard, esse é o casaco dela... Porque está com você? – Regina tocou os ombros do filho, mas ele se afastou. – Onde está a minha irmã? – Ele gritou, e sua mãe não respondeu. Ela parecia fraca, e cambaleou para trás, mas Graham a segurou antes que caísse. Foi então que Mary Margaret deu um passo a frente, tocando o ombro do aluno.

-Henry, venha aqui. – Ela levou o menino para um pouco mais longe de onde Regina estava e ficou de frente para ele. Sua voz era um sussurro quando falou. – Houve um acidente. – O coração do garoto disparou. – Freya estava tentando sair de Storybrooke.

-C-como? – Ele tentava entender.

-Ela pegou o carro de sua mãe emprestado, sem ela saber... – Ela pausou para ver a reação do menino.

-Ela conseguiu? – Ele perguntou segurando as lágrimas, mas de alguma maneira já sabia a resposta.

-Não, querido, ela não conseguiu. – A professora disse, deixando suas próprias lágrimas caírem.

-Onde ela está? – Henry tentava reunir esperanças, apesar de ver sua mãe, sempre tão imponente, amparada pelo xerife e pelo carpinteiro da cidade.

-Ela está morta, Henry. – Mary Margaret disse baixando os olhos, sem coragem de dizer aquilo olhando para seu aluno.

-Não, ela não está! – O menino falou mais alto do que pretendia. – Regina tomou fôlego e se levantou, caminhando cautelosamente até o filho. Mary Margaret se afastou um pouco e a prefeita se ajoelhou na frente do filho.

-Querido... – Ela levantou sua mão para acariciar o rosto molhado de Henry, mas foi empurrada bruscamente pelo menino.

-A culpa é sua! – Ele gritou para sua mãe e correu para o quarto de sua irmã no andar de cima. Henry não viu que a dor de Regina não era por ter perdido uma, mas por ter perdido os dois filhos."

-Eu disse que a culpa era dela. – Henry estava chorando nos braços de Emma. A mulher se amaldiçoou por ter perguntado, em primeiro lugar. – Eu disse, ma! Eu disse que era culpa dela a morte da Freya...

-Hey, garoto. – Emma se afastou para poder olhar melhor o filho. – Sua mãe sabe que você não quis dizer o que disse. As pessoas falam coisas, e magoam outras pessoas, mas nem sempre é por querer.

-A vovó vinha todos os dias conversar comigo. Ela dizia pra eu, pelo menos, respeitar a dor da minha mãe, que era tão grande ou maior que a minha. – Emma sorriu. Sua mãe sempre a mesma. – Eu ficava trancado no meu quarto e ela ficava na sala de estar, olhando pro piano...

-Sua mãe toca piano? – Emma perguntou surpresa.

-Toca. – Henry deu de ombros. – Ela e Freya ficavam horas no piano tocando e eu só olhava. Era bom ver as duas tocando juntas, às vezes elas cantavam pra eu dormir. – Emma tentou imaginar Regina cantando. – Mas então ela só olhava. Nunca mais ela tocou, e do mesmo jeito que eu me fechei, ela também se fechou. Eu não falava da Freya, e nem ela. E quando ela voltou a andar pela cidade, ninguém nem sequer comentava.

-Entendo... – Emma deu um beijo no cabelo do filho. – Mas sua mãe se lembra dela, e ela precisa de você agora, garoto.

-Eu sei. – Emma se levantou estendendo a mão para menino.

-Então vamos? Tenho certeza que ela fez algo surpreendente para o almoço. – Emma falou enquanto Henry se levantava.

-Algo surpreendente como... lasanha! – Os dois riram. Emma pegou uma das malas, seguida pelo olhar de Henry. Ela o olhou de volta e deixou a mala cair no chão, envolvendo seu filho num abraço.