N/A: Oi pessoas mais lindas desse mundo. Antes de tudo, quero dizer que esse capítulo foi muito emocionante pra eu escrever. E sim, estou devastada pelo episódio de ontem à noite, mas Swan Queen permanece firme e forte em nossos corações! Pra ler esse capítulo, eu sugiro que vocês procurem uma música chamada Second Hand White Baby Grand, cantada pela Megan Hilty. Bom, é isso e espero que vocês gostem desse capítulo como eu gostei. =) Beijos no coração!


O almoço transcorreu relativamente bem. Algumas pessoas olhavam para Emma e desviavam. Regina percebeu a mágoa nos olhos da xerife, mas não disse nada. Henry se despediu das mães dizendo que iria ajudar Freya antes que Regina chegasse em casa. Ela estreitou os olhos, mas acenou, vendo o filho sair da lanchonete. A ex prefeita viu o olhar perdido da mulher a sua frente.

-Sobremesa, senhoras? - Ruby perguntou com um grande sorriso, mostrando os dentes incrivelmente brancos. Emma saiu de seu devaneio, sorrindo para a amiga.

-Não Ruby, obrigada. - A loira disse baixo, vendo o olhar preocupado no rosto da garçonete.

-Na verdade, sim, senhorita Lucas. - Regina se virou para olhar mulher, que sorriu prontamente. - Duas fatias de torta de chocolate, por favor. - Ela disse sem olhar para Emma.

-Regina, eu não quero sobremesa. - Emma comentou com a voz baixa, mas foi solenemente ignorada pela morena, que só acenou para a jovem sorridente. Ruby se virou, indo na direção do balcão. Regina se virou para Emma.

-Você vai comer a torta comigo. - A voz de Regina era baixa e mortal, lembrando à loira da época em que a conhecera.

-Eu não estou com humor pra doces. - A loira deu de ombros, apertando seus dedos com as duas mãos. Regina a olhou preocupada.

-Eu percebi... - A morena tocou as mãos da mulher, separando-as antes que ela se machucasse e procurou os olhos verdes. - O que está acontecendo? - Ela viu um brilho diferente nos olhos da salvadora. - Emma.. Isso tem a ver com a fuga da Rainha de Gelo? - A loira a olhou.

-Regina.. - A mulher começou.

-Emma, foi você quem bateu em minha porta, foi você quem disse que queria ser minha amiga e agora nós estamos... - A morena soltou as mãos da xerife, se recostando em sua cadeira. - Bem, o fato é que nós estamos tendo algo além de uma amizade. Acho que você pode confiar em mim. - A voz da rainha era baixa. Emma a olhou e baixou a cabeça.

-Tudo que aquela mulher disse é verdade. - A loira começou e Regina apenas prestava atenção ao jeito que ela falava. - Eles tem medo de mim. - Regina franziu a testa. - Quando eu explodi a parede da delegacia porque não conseguia controlar minha magia, eu machuquei David e o olhar que vi nos olhos de Mary Margaret foi... - Regina entendeu onde ela estava chegando.

-Emma... - Sua voz era baixa quando ela começou. - Sua mãe te idolatra..

-Como a salvadora, não como filha. - Emma cortou rápido, deixando Regina sem palavras. A morena a olhou.

-Olha, eu te entendo melhor do que gostaria. - Emma a olhou, vendo verdade em cada palavra que Regina falava. - Mas existe uma diferença entre minha mãe e a sua. A minha queria poder, e me usou para consegui-lo. A sua queria uma família, e eu tirei isso dela. É minha culpa que sua mãe te mandou para esse mundo...

-Eles tinham uma escolha, Regina... Eles podiam ter ficado comigo e correr o risco, mas eles escolheram um reino inteiro invés de escolher a filha. - A loira tinha os olhos marejados e Regina tocou suas mãos, deixando seu polegar acariciar a pele pálida.

-Eu sei o que eles fizeram e sei que não há o que eu possa dizer pra te fazer se sentir melhor, mas eu preciso que você não se deixe levar pelo que aquela mulher disse. Você não tem nada a ver com ela, e não importa como essa cidade ou seus pais te olharem a partir de agora, você não é só a salvadora... - Emma sorriu enquanto Regina falava.

-E o que eu sou? - A loira apertou as mãos de Regina.

-Você é a mãe do meu filho, xerife dessa cidade e... - Ela parou.

-E? - Emma perguntou com a sobrancelha erguida e um sorriso se formando. Regina estreitou os olhos e se afastou, vendo Ruby voltando com as tortas.

-Isso é algo que conversaremos mais tarde. - Regina terminou com Ruby sorridente perto delas, colocando os pratos na mesa.

-Algo mais? - Ela perguntou.

-Não, senhorita Lucas, isso é tudo. - Regina disse tirando duas notas da carteira e entregando à garçonete. - Fique com a gorjeta. - Ruby sorriu largamente e saiu, dando uma discreta piscadela para Emma. Regina se virou para a loira e empurrou um dos pratos para ela. - Agora coma, Freya já deve estar me esperando. - Emma fez uma careta para a torta. - Coma, só por hoje. - A loira sorriu levemente e comeu um pedaço, observada por Regina, sorrindo abertamente.

Elas caminharam de volta para a mansão da rua principal num silêncio confortável. Quando estavam chegando, avistaram Henry vindo em sua direção com a pequena Ginny nos braços. O garoto andou até elas com um sorriso nos lábios e parou em frente a Regina com os olhos brilhando.

-Você vai adorar. - Ele disse, entregando Ginny à Emma, pegando-a pela mão e fazendo o caminho de volta à cidade. Emma olhou para a morena enquanto era puxada pelo filho e deu de ombros. Regina balançou a cabeça, sorrindo e caminhou pelo jardim bem cuidado. Ao entrar em casa, um som diferente. Seu coração deu um salto ao reconhecer o som do piano. Ela andou devagar enquanto as notas flutuavam numa música suave. Então ela ouviu a voz doce de Freya, e parou na porta do estúdio, observando a cena.

"My mother bought it second hand from a silent movie star
Minha mãe comprou de segunda mão de uma estrela do cinema mudo

It was out of tune, but still I learned to play
Estava fora do tom, mas ainda assim eu aprendi a tocar

And with each note we both would smile, forgetting who we are
E a cada nota nós sorríamos, esquecendo quem nós éramos

And all the pain would simply fly away
E toda dor poderia simplesmente voar para longe

Something second hand and broken
Algo de segunda mão e quebrado

Still can make a pretty sound
Ainda pode fazer um belo som

Even if it doesn't have a place to live

Mesmo que não tenha um lugar para viver

Oh, the words were left unspoken

Oh, as palavras não foram ditas

When my momma came around
Quando minha mamãe veio ao redor

But that Secondhand White Baby Grand

Mas aquele pequeno piano branco

Still had something beautiful to give
Ainda tinha algo bonito para dar"

Regina ouvia cada nota e cada palavra vinda da voz da filha, e sentia que se encaixava perfeitamente. Ela deixou que uma lágrima quente escorresse, enquanto via a própria filha cantar com a voz embargada.

"Through missing keys and broken strings
Através chaves desaparecidas e cordas quebradas

The music was our own
A música era nossa

Until the day we said our last goodbyes
Até o dia que dissemos nossos últimos adeus

The baby grand was sent away
O pequeno piano foi mandado para longe

A child all alone
Uma criança sozinha

To pray somebody else would realize
Rezando para alguém perceber"

Freya sentiu suas lágrimas caindo e não pôde evitar olhar para trás e ver a mãe, parada à porta com a mão no peito e um sorriso entre as lágrimas. Ela continuava cantando quando acenou com a cabeça para Regina se juntar a ela no pequeno banquinho. Regina sorriu para a filha quando caminhou até o piano e se sentou a seu lado, apenas olhando a jovem.

"That something secondhand and broken
Que algo de segunda mão e quebrado

Still can make a pretty sound
Ainda pode fazer um belo som

Even if it doesn't have a place to live
Mesmo que não tenha um lugar para viver

Oh. the words are still unspoken
oh, as palavras ainda não foram ditas

Now that momma's not around
Agora que mamãe não estava ao redor

But that Secondhand White Baby Grand
Mas aquele pequeno piano branco

Still has something beautiful to give
Ainda tinha algo bonito para dar"

A mulher sorria por entre as lágrimas e viu que a filha também chorava. Ela ergueu uma mão até o rosto da jovem e secou a bochecha rosada. Seus olhos se encontraram e Regina sentiu aquela doçura que sempre sentia ao olhar em seus olhos. Ela, então, se virou para o piano, e posicionando suas mãos sobre o marfim, se juntou a filha, tocando.

"For many years the music had to roam
Por muitos anos, a música tinha de andar

Until we found a way to find a home
Até encontrar uma maneira de encontrar um lar

So now I wake up every day

Então agora eu acordar todos os dias

And see her standing there

E a vejo parada lá

Just waiting for a partner to compose

Só esperando um parceiro para compor

And I wish my mother still could hear
E eu gostaria que minha mãe ainda possa ouvir

That sound beyond compare
Esse som incomparável

I'll play her song till everybody knows

Eu tocarei a música dela até que todo mundo saiba

That something secondhand and broken

Que algo de segunda mão e quebrado

Still can make a pretty sound

Ainda pode fazer um belo som

Don't we all deserve a family room to live?

Todos nós não merecemos uma sala com família para viver?

Oh. the words can't stay unspoken

Oh, as palavras não podem ficar sem ser ditas

Until everyone has found

Até que todos descubram

That Secondhand White Baby Grand

Que aquele pequeno piano branco

That still has something beautiful to give

Ainda tinha algo bonito para dar"

Os olhos cor de chocolate de mãe e filha se encontraram, e quando Freya já não conseguia mais cantar sem soluçar, Regina cantou o verso final.

"We still have something beautiful to give.
Nós ainda temos algo bonito para dar."

Freya se deixou desabar nos braços da mãe, chorando, enquanto Regina afagava seus cabelos e murmurava palavras sem sentido, como quando ela era uma criança.

-Me perdoe, era pra ser uma surpresa feliz... - Freya começou, mas foi cortada pelas mãos da mãe em seu rosto.

-É uma surpresa feliz, querida. - Regina disse, simplesmente. Freya procurou o olhar da mãe. - Eu nunca pensei que fosse te ver tocar de novo.

-E tudo que eu queria era te ouvir cantar de novo e te ver tocando comigo. - A jovem disse com um sorriso, enquanto se levantava, limpando as lágrimas que teimavam em cair. - Fique aqui. - Antes que Regina pudesse dizer algo, ela desapareceu pela porta, voltando em menos de um minuto. Ela parou antes de entrar. - Feche os olhos. - Regina sorriu e fez o que a filha pediu. Ela sentiu Freya de aproximar e se sentar ao seu lado, tirando uma mecha de seu cabelo do rosto. - Eu preciso que você me escute com muita atenção. - Ainda de olhos fechados, Regina franziu a testa em sinal de atenção. - Eu tenho algo importante que quero que você saiba, mas você precisa ter paciência.

-Freya... - Regina começou, mas foi calada pela mão gentil da jovem.

-Não, mãe. Me deixe falar. - Regina acenou. - Eu não tenho palavras pra dizer como eu me orgulho de você, como você evoluiu e está mostrando a todos quem você é de verdade. Quando eu olho em seus olhos, eu tenho a certeza de que o vovô estaria tão orgulhoso quanto eu. - Ela viu uma lágrima caindo dos olhos fechados da mãe, e secou imediatamente. Regina fungou. - Abra seus olhos. - A rainha fez o que a jovem falou e a viu com os olhos brilhando, segurando um pequeno bolo em suas mãos com uma vela lilás acesa. - Feliz aniversário, mamãe! - Regina sorriu para a filha e sentiu que poderia explodir de felicidade, ela nunca fora tão feliz. - Faça um pedido. - A jovem disse.

-Eu não quero pedir mais nada. - Regina disse com a voz embargada. Freya segurou suas mãos com a mão livre e olhou em seus olhos, vendo a si mesma.

-Você sempre pode pedir que tudo continue igual. - Freya deu de ombros, sorrindo. - Ou pedir algo que você queira muito. - Ela piscou para a mãe, que acenou.

-Juntas então? - Regina perguntou, recebendo um sorriso largo da filha. Elas fecharam seus olhos e fizeram seus pedidos. Mãe e filha abriram os olhos e por um momento, se viram naquela noite de tempestade nos estábulos do castelo, onde seus caminhos se cruzaram depois de terem sido brutalmente separadas. Elas sopraram a vela, e Freya colocou o bolinho sobre as teclas do piano, tendo absoluta certeza do olhar de Regina sobre ela. Regina tocou o rosto da filha, trazendo seus olhos para encontrar os dela mais uma vez naquela tarde.

-Quando eu olho pra você, eu vejo toda a coragem que eu vi nele, todo amor e todo cuidado que ele me deu. - Regina disse antes de deixar uma lágrima escorrer, ainda sorrindo.

-Mamãe.. - Freya começou, sabendo que a lembrança era dolorosa para as duas.

-Não... Eu nunca te falei sobre como ele era, mas eu preciso te dizer que quando eu olho nos seus olhos, não são só meus olhos que eu vejo.. - Freya observava a mãe, ainda sentindo seu rosto ser acariciado pelas mãos da rainha. - Eu vejo os olhos daquele menino que eu conheci ainda criança nos estábulos, e se tornou a alma mais justa e corajosa que eu conheci. Eu vejo os olhos de Daniel, os olhos do seu pai.


N/A²: Chorei!