N/A: Oi, oi genteeee! Não, eu não morri! Vivaaa! Então, primeiramente, me perdoem pela demora. Eu escrevi e reescrevi esse capítulo duas vezes porque não estava gostando do resultado, mas acho que agora foi. Esse capítulo é, novamente, para a Letícia Moreira e para a Marcela Moreira. Meninas, obrigada pela paciência e incentivo! Espero que vocês gostem e comentem, e até o próximo capítulo! Beijos e boa leitura!


Regina acordou estranhamente leve naquela manhã. Não havia barulho no andar de baixo, o que significava que todos estavam dormindo ainda. Ela olhou o relógio e viu que ainda faltavam trinta minutos para oito horas, mas não tinha sono algum. Ela se levantou vagarosamente, se enrolando no robe de seda azul escuro e desceu as escadas, em direção à cozinha. Durante meia hora, ela trabalhou em silêncio, preparando o café da manhã. Às oito em ponto, ela ouviu passos no andar de cima, e depois na escada. Regina sorriu ao encontrar Henry parado a porta, sonolento.

-Bom dia, querido. - Regina sorriu abertamente para a careta que o filho fez.

-Bom dia, mãe. - Ele caminhou até ela, abraçando-a pela cintura e recostando a cabeça no colo dela. O gesto fez o sorriso da ex prefeita crescer, e ela beijou a testa do menino, enquanto virava uma panqueca.

-Como você dormiu? - Ela perguntou olhando carinhosamente o rosto amassado do garoto.

-Bem, bem... - Ele sussurrou fechando os olhos.

-Porque você não dorme mais um pouco? - Ela perguntou erguendo uma sobrancelha. - Hoje é sábado. - Ele ficou tenso nos braços da mulher. Regina olhou o filho com curiosidade. Algo estava estranho. Quando ela abriu a boca para perguntar o que estava errado, ele foi salvo pelas duas mulheres entrando na cozinha.

-Bom dia, mãe. - Freya disse sorrindo.

-Bom dia, querida. Bom dia, Xerife Swan. - Ela disse observou como Emma se aproximava dela.

-Bom dia, Regina. - Emma falou sonolenta, com um sorriso no rosto. Ela caminhou até o armário ao lado de Regina e, sem pensar, segurou a cintura da mulher, se apoiando para abrir a porta do alto e pegar uma caneca. A loira fechou a portinha de madeira e cristal, e depositou um beijo leve na curva do pescoço da rainha. Regina endureceu no lugar, com os olhos arregalados, fixos na panqueca a sua frente. Emma se virou e viu Henry e Freya com as bocas abertas em quase sorrisos. Regina não ousou se virar e tirou a panqueca da frigideira, depositando-a no topo de uma pilha de outras panquecas. A morena respirou fundo e se virou, ignorando Emma parada no meio do caminho, olhando apavorada para o filho e Freya, que ainda sorriam. Ela colocou o prato com as panquecas sobre a bancada e se virou, contando de um a dez mentalmente. Uma parte de si queria enforcar Emma, mas outra queria simplesmente mandar os filhos para o quarto de se jogar nos braços da loira. Ela pegou o vidro de mel e o pote de Nutella e colocou-os na frente dos filhos. Aquele silêncio era desconfortável. Regina olhou novamente para Emma, que tentava dizer algo, mas as palavras não saíam. Ela fechou os olhos, se entregando à situação, e caminhou até a loira, pegando-a pela mão.

-Venha, querida. Se sente enquanto eu pego o chocolate. - Ela disse carinhosamente, fazendo Henry e Freya fechar as bocas com um único olhar. Freya se serviu de uma panqueca enquanto Henry colocava outra no prato da mãe. Regina caminhou de volta à bancada com o bule de chocolate quente e chantilly. Ainda em silêncio, ela serviu o chocolate aos três e depois a si mesma, e sentou-se ao lado de Emma. - Muito bem. - Ela falou, quebrando o silêncio e recebendo a atenção dos três. - Há uma coisa que Emma e eu precisamos discutir com vocês. - Emma a olhou sem saber o que fazer.

-Regina, nós combinamos... - Ela começou num sussurro, mas foi cortada pela mulher.

-Guardar segredo eu sei. - Regina completou revirando os olhos. - Mas não acho que meus filhos sejam tão inocentes que não tenham percebido o que está acontecendo aqui, Emma. - Ela falou, arrancando um suspiro de derrota da loira.

-Tudo bem. - Emma começou, se virando para encarar Freya e o filho. Freya tinha a sobrancelha levantada, parecendo uma perfeita cópia de Regina nos tempos que ela chegou a Storybrooke. A loira engoliu em seco com o pensamento de enfrentar a jovem quando ela descobrisse que Emma estava dormindo com sua mãe. E ela olhou para Henry, de repente muito sério e de braços cruzados. "Droga, Emma!" - Regina e eu... Nós... -Ela gaguejou. Regina percebeu as mãos de Emma tremendo em seu colo e as apertou protetora.

-Nós estamos juntas. - Regina completou solenemente, esperando a reação dos filhos, que continuaram impassíveis. - Juntas como um casal. - Ela encontrou os olhos de Emma e se virou para os filhos. Henry descruzou os braços e bebericou seu chocolate. Freya pegou o pote de Nutella, lambuzando sua panqueca e mordendo em seguida. Regina ainda olhava para os dois. - Vocês não vão dizer nada? - Ela perguntou impaciente. Freya a observou, reprimindo um sorriso, tentando desesperadamente não deixar a mãe perceber sua diversão.

-O que você quer que a gente diga? - Freya perguntou, mastigando. - A gente já sabia há um tempão. - Foi a vez de Regina e Emma abrirem a boca, surpresas.

-C-como assim? Nós estamos juntas não faz nem três dias. - Emma falou como se isso fosse óbvio. Regina tinha os olhos fechados, absorvendo a informação.

-Vocês sabiam.. - Ela murmurou.

-Sim, mãe. Freya acabou de dizer.. - Henry engoliu uma risada.

-Não... Vocês... - Regina tentava formular. - Vocês nunca ficaram de babá para Mery Margaret não é? - Freya não conseguiu suprimir um sorriso. - Você nos deixaram ver o filme sozinhas porque... Oh, o filme... - Regina entendeu. Emma estreitou os olhos.

-O filme foi proposital não foi? - A loira perguntou, recebendo um sorriso irônico do filho. - Eu acho que te ensinei bem demais, garoto...

-Vocês sabiam desde o início... Regina sussurrou. - Porque vocês simplesmente não falaram nada?

-Ah mãe, sério, você falaria? - Freya perguntou, se permitindo sorrir. - Estava nítido para quem quisesse e quem não quisesse ver que vocês se gostam.

-Nós só demos um empurrãozinho. - Henry riu da expressão das mães. Regina quase sorria.

-Como estava nítido? Nem nós sabíamos... - Emma falou mais para si do que para os outros.

-Talvez não conscientemente, Em, mas, no fundo, você sabia que gostava da minha mãe, não negue. E, convenhamos, você não é a pessoa mais discreta do mundo. - Freya gesticulou, fazendo Regina rir.

-Eu tenho que admitir, Swan, minha filha está certa. - Regina disse sorrindo, e Emma levou a mão ao peito, ofendida.

-Eu sou discreta, e sei guardar segredos. - Emma disse com a voz fina.

-Emma, existe uma linha tênue entre guardar segredos e ser discreta. - Regina tocou o rosto da loira, sorrindo quando os ombros dela caíram em derrota.

-Vocês estão bem com isso? - Emma se virou para Henry, que acenou animadamente, e Freya a olhou nos olhos. - Freya, você não quer me matar, quer?

-Emma, você é minha amiga... - Freya começou séria. - Mas se você ousar quebrar o coração da minha mãe, eu faço picadinho de você e dou para o cachorro do Archie comer. - Emma engoliu em seco, sob o olhar divertido de Regina e Henry. - Me passa o mel, por favor? - Freya pediu, sorrindo, e Emma respirou fundo, se permitindo o primeiro sorriso, mas nada tirava da cabeça que Freya falava sério. Regina tocou seu joelho por baixo da bancada e seu peito inflou com a sensação. Era bom ter uma família, ela pensou.

O resto do café da manhã correu tranquilamente, sem tocar no assunto. Emma foi chamada à delegacia quando a Rainha do Gelo foi presa novamente. Regina se ofereceu para ir com ela quando viu a apreensão nos olhos verdes da xerife.

-Eu vou co você se você quiser. - Regina sugeriu suavemente enquanto acariciava a bochecha de Emma, que a olhou esperançosa. - Você não vai ficar sozinha com aquela mulher.

-Obrigada. - Emma sorriu, segurando a mão da morena e beijou suavemente a palma delicada. - Vamos então? - Regina assentiu. Henry e Freya apareceram na porta do escritório.

-Vocês vão ficar bem? - Emma perguntou observando Freya assentir. Ela sorriu enquanto Regina beijava a testa de Henry e colocava uma mecha do cabelo negro da filha atrás da orelha.

-Voltaremos antes que percebam. - Regina disse sorrindo calorosa. Emma se sentiu derreter. A morena caminhou de volta até ela. - Até daqui a pouco. - Ela disse, e enquanto Emma sorria para o filho, elas desapareceram numa fumaça vermelha e dourada, e reapareceram na porta da delegacia. Regina viu Emma endurecer ao seu lado e segurou sua mão. - Emma... Você vai ficar bem. - Regina se aproximou, agora do tamanho da loira, devido aos saltos altos, e depositou um beijo suave e lento nos lábios da mulher. - Eu vou estar com você o tempo todo. - Emma assentiu, fazendo um leve carinho na nuca de Regina, e elas entraram.

No interior da sala da xerife estavam Mary Margaret, David, Hook e mais um homem que nenhuma das mulheres conhecia. Lá no fundo, dentro de uma das celas abertas, estava Ingrid sentada na cama entre Elsa e outra jovem, que Emma julgou ser Anna. As três conversavam pacificamente e Emma viu que estavam todos em silêncio apenas esperando por ela.

-Tudo bem... - Era quase uma pergunta quando a loira falou. - O que está acontecendo aqui? - Ingrid a olhou com os olhos marejados e se levantou. - Emma, instintivamente, deu um passo para trás, mas foi lembrada da presença de Regina às suas costas com uma mão protetora no seu ombro.

-Emma. - Ingrid murmurou. - Eu não vou te machucar, eu só preciso que você me ouça, por favor. - Os olhos azuis da Rainha do Gelo foram sinceros e Emma acenou. Regina sentiu a mudança na postura de Emma mas não retirou sua mão.

-Fale logo. - Emma falou, um pouco mais ríspida do que pretendia e viu Ingrid acenar. Mary Margaret e David estavam recostados num dos arquivos, Hook a olhava com olhos de quem quer dizer algo mas não pode. O homem desconhecido esperou até Ingrid e Elsa saírem da cela e deu as mãos à garota de cabelos castanhos.

-Quando eu era jovem, tive minhas duas irmãs arrancadas de mim por eu ser quem eu era, por eu não saber controlar quem eu era. - A voz suave de Ingrid estava embargada quando Elsa segurou uma de suas mãos. Emma não estava entendendo nada. - Tudo que eu queria era minhas irmãs de volta, mas Helga estava morta e Greta me odiava. Eu pensei então em encontrar duas irmãs que fossem como eu... - Emma entendeu o que ela queria dizer, alguém que tivesse mágica. - Quando eu conheci Elsa, percebi que era ela, mas faltava outra. Um poderoso mago me disse que quem eu procurava, nasceria em outro mundo, mas eu perdi Elsa antes de libertá-la da urna quando Rumplestiltskin a levou embora. Eu vim para seu mundo procurando por você e eu te encontrei. - Emma balançou a cabeça em negação. - Você não se lembra porque eu tirei suas memórias quando chegou em Storybrooke, mas nós fomos uma família. - Lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto de Ingrid quando Anna segurou a outra mão. Emma sentiu a mão de Regina apertar levemente seu ombro, a lembrando de que ainda estava ali. - Quando Elsa chegou a Storybrooke, tudo o que eu queria era destruir a cidade inteira para que só sobrássemos nós três, mas.. - A mulher parou, olhando Anna. - Anna apareceu e trouxe consigo uma carta escrita pela minha irmã, pouco antes dela morrer. - Ingrid baixou a cabeça, sentindo toda a vergonha que não sentiu em anos. - Greta se arrependeu de ter me aprisionado, ela me amava ainda, eu tive o amor das minhas duas irmãs e isso era tudo o que eu queria. - Emma sabia que a mulher estava sendo honesta, mas seu coração, embora quisesse demonstrar compaixão, não conseguia. - Eu estava pronta para lançar uma maldição. Uma pior que todas as outras, mas pouco antes de completar o feitiço, Anna e Elsa me impediram e leram para mim a carta. - A mulher se soltou de Anna e Elsa e caminhou até Emma, que ficou onde estava. Os olhos verdes enfrentando os olhos azuis marejados. - Eu sinto muito, Emma. Nós tivemos tempos felizes juntas e eu tirei isso de você quando tirei suas memórias. Mas eu estou pronta para devolvê-las agora. - A Rainha do Gelo mostrou a Emma uma pequena rosa lilás e a soprou no rosto da xerife. Emma fechou os olhos, e se viu com 15 anos brincando no parque com Ingrid, depois quando a mulher contou que tinha entrado com os papéis para adoção, e quando ela ajudou Emma a se vingar de Kevin, enchendo a cama do garoto com aranhas. A loira sentiu umaa enxurrada de memórias vindo à sua cabeça. Ela cambaleou, mas foi amparada por Regina. Quando ela abriu os olhos e viu os olhos azuis de Ingrid, ela já não via a Rainha de Gelo. Emma saiu dos braços de Regina e caminhou até estar frente a frente com a mulher. - Eu sinto muito. - Ingrid se desculpou, sentindo as lágrimas caindo. Para a surpresa de todos, Emma abraçou a mulher com força.

-Não sinta. - Emma deixou suas próprias lágrimas caírem. - Durante toda minha vida, até pouco tempo atrás, você foi o mais próximo que eu tive de família. - Emma sentiu os braços de Ingrid a acolherem como ela já havia feito antes e se deixou ficar ali. Regina tinha os olhos marejados, mas viu com clareza o olhar de arrependimento e ciúme no rosto de Mary Margaret. Emma saiu do abraço da mulher e olho nos olhos dela. - E agora? O que vai acontecer?

-Nós vamos voltar para Arendelle. - Elsa falou, se aproximando. - Nós quatro voltaremos. - Ela olhou para a irmã e Kristoff, e depois para Ingrid. Emma entendeu que aquilo era um adeus, e acenou, deixando mais lágrimas caírem.

-Elsa.. - Emma caminhou até a loira e a abraçou. Elsa sorriu, abraçando a amiga de volta.

-Eu sabia que você e Regina iriam se acertar. - Elsa sussurrou no ouvido de Emma, fazendo-a sorrir. - Seja feliz, Emma.

-Você também. - Emma murmurou e se virou para Anna e Kristoff. - Nós procuramos muito por você... - Ela disse sem jeito.

-É, eu sei, minha irmã me contou tudo o que você fez para ajudar a me encontrar. - Muito obrigada. - Anna deu abraço rápido em Emma, que depois apertou as mãos de Kristoff.

-Vocês vão como? - Regina se pronunciou. Ingrid olhou para ela e mostrou uma rosa branca, que Regina conheceu como sendo um portal, e acenou. Todos se despediram enquanto Ingrid caminhou até Regina sem ninguém perceber, e entregou a ela um embrulho de veludo branco, que cabia em sua mão. Regina franziu o cenho, enquanto Ingrid a olhava. - O que é isso?

-Meu presente para vocês. Dê a Emma quando for a hora. - Apertando uma última vez a mão de Regina, Ingrid se virou, caminhando até Emma. Com um último abraço, a mulher lançou a rosa branca no ar e uma porta dourada apareceu. Emma viu Anna e Kristoff atravessarem primeiro, seguidos de Elsa e Ingrid, e o portal se fechou. Emma segurou suas lágrimas o mais que pôde quando sua mãe a abraçou, e depois seu pai. Hook estava encostado nas grades da cela. Regina colocou o embrulho no bolso do sobretudo e o tocava por baixo do pano, tentando adivinhar o que era aquilo.

-Porque não vamos ao Granny's comer alguma coisa? - Mary Margaret sugeriu sorrindo, Emma não queria sorrir, ela só queria deitar e chorar. Regina tirou a mão do bolso e caminhou até os três.

-Acho melhor uma outra hora, Mary Margaret. - Regina falou suavemente, tocando as costas de Emma. Ela olhou nos olhos negros da mulher e viu David acenar. - Talvez amanhã no almoço? - Ela sugeriu, olhando para Emma, que acenou indiferente. - Ótimo então. Nos vemos amanhã. - Regina se despediu dos dois e acenou ríspida para Hook, enquanto levava Emma para fora da delegacia. Quando elas chegaram no gramado, Regina segurou Emma pelos cotovelos e buscou o olhar da loira. - Você está bem? - Emma acenou, evitando olhar nos olhos cor de café da ex prefeita. - Muito bem então, vamos para casa. - Sem mais, elas desapareceram na fumaça usual e reapareceram no quarto de Regina. Antes que a morena pudesse ver, Emma estava em seus braços, chorando como criança, e tudo que Regina podia fazer era embalar seu choro até que ela dormisse.


N/A²:

No próximo capítulo:

-Não, Regina, eu não vejo como isso faz sentido. - Emma falava alto. Regina levantou as mãos em sinal de rendição.

-Eu gosto da ideia tanto quanto você, Emma, mas sua mãe é a prefeita agora, ela pode fazer isso. - Regina falava suavemente.

-Eu posso simplesmente não aparecer. -Emma falou caindo na cama. Regina arregalou os olhos e caminhou até a mulher apontando o dedo na direção do nariz da loira.

-Emma, esse baile está marcado há um mês e quando sua mãe propôs a ideia, você aceitou. Não ouse me deixar nisso sozinha.