N/A: Volteeeeeei pessoas lindas! Nem demorei, viram? Pois é, me empolguei escrevendo esse capítulo porque queria muito chegar nesse ponto. Espero que todos gostem e comentem. Já aviso que o meu tempo agora vai ficar um pouco corrido devido ao retorno da faculdade, mas vou tentar postar regularmente. É isso, Sweens... Boa leitura e espero que gostem! Beijo grande!


Fazia meia hora que elas estavam esperando naquela sala. Emma estava sentada numa cadeira ao lado da cama onde Regina estava deitada. A morena olhava com interesse para o teto, respirando lentamente.

-Fique calma, Regina. - Emma falou, apoiando as mãos nos joelhos e esticando os dedos.

-Você parece mais nervosa que eu, querida. - Regina disse em tom de brincadeira, mas não sorriu. Emma sorriu envergonhada para ela e segurou sua mão sobre o colchão da cama. Whale entrou no consultório, assustando as duas mulheres, que desconectaram as mãos.

-Desculpem o atraso, tive que tirar uma flecha da mão de um dos anões. - O médico falou enquanto colocava luvas e se aproximava da cama. Regina respirou fundo e Emma se levantou, recolocando sua mão na de Regina. O homem ligou o aparelho de ultrassonografia ao lado da cama e com uma incrível gentileza, levantou a blusa marfim de Regina, mostrando a pele do abdome liso. - Muito bem, senhoras, vamos ao trabalho. - Ele pegou um tubo com um tipo de gel transparente. - Isso vai ser um pouco gelado, Regina. - Whale apertou o tubo, colocando uma pequena quantidade na barriga da morena. Regina suspirou. - Tudo bem? - Ele perguntou, sendo respondido por um aceno. Emma apertou a mão de Regina, e o médico espalhou o gel com o pequeno scanner em sua mão. A morena tinha os olhos fechados e respirava lentamente. Um som baixo despertou sua atenção. Era como uma batida baixinha numa madeira oca. Regina abriu os olhos e virou a cabeça para a tela ao lado da cama. Ela prendeu a respiração com a imagem borrada. - Está ouvindo, Regina? - Ela acenou, sem prestar muita atenção. Emma afagou a mão da rainha, sentindo sua garganta arder. Aquilo era um coração batendo. Ela se lembrou da primeira vez que ouviu o coraçãozinho de Henry e o tamanho de sua dor ao realizar que não poderia nem ao menos segurá-lo. Mas aquilo era diferente. Emma não esteve presente para Henry, assim como Regina teve Freya arrancada de seus braços. Ela queria fazer diferente dessa vez. Sem perceber, uma lágrima escorreu. Regina viu Emma sorrir um sorriso emocionado e sentiu suas próprias lágrimas caírem. - Pela formação, você está de quatro semanas, isso está correto? - Whale perguntou se virando para Regina.

-Pelas minhas contas, eu acho que sim. - Regina falou com a voz trêmula, enquanto um sorriso teimoso enfeitava seu rosto.

-E o que fazemos à partir de agora? - Emma perguntou, secando o rosto, ainda ouvindo o pequeno coração bater.

-Bom, nós sabemos o tempo de gravidez, agora começaremos o pré-natal. - Whale informou, limpando a barriga de Regina com um papel macio, e baixou a blusa da mulher. - Eu preciso que vocês me acompanhem até meu consultório, para algumas perguntas de praxe sobre sua saúde e a do pai do bebê. - Whale viu o olhar trocado entre as mulheres enquanto Emma ajudava Regina a descer da maca e deduziu. - Ou, julgando pela magia nessa cidade, a saúde da outra mãe. - As duas acenaram brevemente e seguiram o homem para a sala ao lado.


-Regina! - Emma tentou repreender, mas um sorriso divertido a traiu. Regina atacou seu hambúrguer e comia como se fosse o último alimento do mundo. - Coma mais devagar.

-O que? - A mulher perguntou ofendida, depois de engolir um pedaço. - Eu estou com fome, Emma. - Regina disse como se não fosse óbvio.

-Eu percebi, Madame prefeita. - Emma disse sorrindo, enfatizando o título. Regina engasgou com um gole do milkshake de baunilha que tomava e fuzilou a loira com o olhar.

-Não faça isso, você sabe que isso me excita! - Emma fechou os olhos, deixando seu sorriso crescer ainda mais. - Mas no momento, meu bem, eu só quero focar minhas energias em devorar isto aqui. - Emma bufou divertida. - Você ouviu Whale, ele disse que preciso me alimentar bem.

-Regina, é seu segundo hambúrguer... - Emma riu do modo como Regina fechou os olhos.

-Eu não tomei café da manhã, Emma. - Ela falou se defendendo. - E além do mais, eu odeio esperar, já não era para a Fada Azul ter chegado? - Regina perguntou antes de morder outro pedaço do que restava de seu sanduíche. Emma olhou novamente no relógio, Madre Superiora estava vinte minutos atrasada. Mas antes que a xerife pudesse responder, a mulher calmamente entrou pela porta do restaurante e, com um sorriso, se aproximou da mesa onde as duas estavam.

-Blue! - Emma disse aliviada. Ela achava que teria que pedir outro hambúrguer para Regina caso a fada não chegasse.

-Emma. - Blue cumprimentou com um sorriso casto. - Regina, como está? - Ela se virou para a morena, que baixou o sanduíche e a olhou com um sorriso forçado. Não era nenhum segredo que Regina ainda guardava mágoa da fada. Ela se sentou ao lado de Emma e juntou as mãos sobre a mesa. - Muito bem, Emma, você me ligou dizendo que tinha algumas perguntas para me fazer.

-Isso. - Emma disse, vendo Regina deixar o sanduíche de lado, e se voltou para a freira, falando num tom mais baixo. - Blue, nós queremos saber se...

-Se é possível que duas pessoas, através de magia, possam gerar um bebê. - A fada disse com a voz suave de sempre e uma calma absurda. Emma abriu a boca em surpresa enquanto Regina olhou a mulher desconfiada. Blue deu de ombros. - Você está brilhando, Regina. - O sorriso sincero da fada incomodou a rainha, mas ela sorriu de volta.

-Obrigada. - Regina agradeceu e Emma apertou sua mão por cima da mesa. Blue olhava para as duas com os olhos marejados.

-Sim, é possível. - A freira falou, recebendo a atenção das duas mulheres. - Mas somente uma magia de luz muito forte é capaz de realizar esse feito, a magia mais poderosa de todas... - A voz da Fada Azul flutuava nos ouvidos das duas, Regina se lembrou de Daniel, do que ele dissera aquele dia no bosque, antes de Branca de Neve aparecer.

-Amor verdadeiro... - Emma murmurou, tirando Regina de seu devaneio. - Amor verdadeiro é a magia mais poderosa que existe. - Ao ouvir aquelas palavras, Regina se virou totalmente para Emma, com os olhos arregalados.

-Onde você ouviu isso? - A morena perguntou com a voz trêmula. Emma a olhou nos olhos e, por um segundo Regina viu ali o mesmo olhar que viu em Daniel.

-Eu deduzi. - Emma respondeu simplesmente. - Porque o espanto?

-Porque ela ouviu essas mesmas palavras de Daniel, pouco antes de conhecer sua mãe. - A Fada Azul falou, olhando intensamente para a rainha. Emma entendeu e apertou a mão da namorada carinhosamente.

-Então você está dizendo que nós duas somos almas gêmeas? - Emma perguntou e Blue negou com a cabeça.

-Existe uma grande diferença entre amor verdadeiro e alma gêmea. Almas gêmeas são almas que passaram por sofrimentos e alegrias de mesma natureza ou parecidas. Uma pessoa pode ter muitas almas gêmeas, mas o amor verdadeiro atravessa vidas. - Blue olhou intensamente nos olhos de Regina. - Você, Regina, ouviu de Tinker Bell que sua alma gêmea era Robin Hood, e ela estava certa... Mesmo depois de muito tempo, vocês dois ainda compartilham histórias parecidas, mas você e Emma... - Blue viu a confusão nos olhos das mulheres. - Vocês estão ligadas desde muito antes de se conhecerem, desde muito antes da maldição. - Regina franziu o cenho. - A história de vocês foi escrita e traçada, mas cada uma de vocês resolveu caminhar de uma forma... E mesmo assim, acabaram se encontrando, como deveria ser. Vocês são almas gêmeas e o amor verdadeiro uma da outra. - Blue falou com a voz doce e viu as feições das duas. Regina baixou os olhos para as mãos unidas e respirou fundo.

-Toda magia vem com um preço, qual o preço que pagaremos por esta? - Regina tentou manter a voz fria, mas ela sabia que tinha medo. A fada sorriu.

-Toda magia escura vem com um preço, Regina.

-Você está dizendo que nós fizemos magia de luz, sem saber, Regina está grávida de um filho meu, e não vai acontecer nada? - Emma perguntou desconfiada.

-Não digo que não vai acontecer nada, Emma. Nós vivemos num mundo imprevisível, mas em relação à magia de luz, não há com o que se preocupar... - A freira disse, se levantando e deu um último olhar às mulheres antes de se virar. - Parabéns pelo bebê. - E foi embora, deixando as duas sentadas, cheias de perguntas.


-Nossa! - Henry exclamou quando chegou à cozinha. Freya vinha logo atrás com Ginny nos braços. Ela parou abruptamente com a mesma visão que Henry teve poucos segundos antes.

-Mas o que..? - Freya perguntou confusa. A mesa estava posta para os quatro e a cadeirinha de Ginny estava pronta. Uma grande pizza de quatro sabores estava no meio da mesa, rodeada por brigadeiros, tortinhas de amoras e morangos, cupcakes coloridos e doces de maçã.

-Freya, eu esqueci do seu aniversário? - Henry perguntou se aproximando da mesa, erguendo a mão para um cupcake de chocolate. A irmã negou, ainda boquiaberta.

-Hã-hã! - Regina apareceu pela porta tirando o avental e tirou o cupcake da mão do filho. - Primeiro a pizza. - Ela disse sorrindo, enquanto Emma chegou com duas jarras de suco, uma de laranja e outra de melancia. Henry deixou o queixo cair.

-Mas mãe... Hoje é segunda, achei que não poderíamos comer pizza até sábado. - O menino perguntou confuso, mas se sentou em seu lugar na mesa, seguido pela irmã. Regina se aproximou de Freya, pegando Ginny e colocando-a na cadeirinha. Ela se sentou, observando Emma se aproximar.

-Hoje nós abrimos uma exceção, garoto! - Emma sorriu, se sentando entre Regina e Henry. Freya manteve seus olhos nos olhos da mãe, sentindo a garganta arder.

-Tudo bem, qual a ocasião? - Freya perguntou, com os olhos já marejados, presos nos de Regina. Emma percebeu a interação. Tudo entre Regina e Freya era intenso, mesmo as coisas mais peculiares. Às vezes, a jovem tinha aquela intensidade com ela também, mas com Regina, a coisa era palpável, era magia visível. Era como se Freya conhecesse cada segredo e cada passo que Regina já havia dado, e conhecesse o futuro que todos desconheciam. Regina respirou fundo e segurou a mão de Emma sobre a mesa.

-Okay, o que está acontecendo, e porque vocês estão querendo nos comprar com nossos doces favoritos? - Henry apoiou os cotovelos sobre a mesa e recostou o rosto sobre as mãos. Emma sorriu para o garoto.

-Primeiramente, eu gostaria de dizer que não estamos comprando vocês. - Regina começou, com a sobrancelha levantada. - Nós estamos apenas permitindo um pequeno exagero num dia especial. - Freya sorriu para a colocação da mãe.

-Segundo, a pizza foi ideia minha. Sua mãe queria fazer salada para o jantar e os doces para a sobremesa, mas eu não acho que combinam, você sabe. - Emma falou tentando parecer séria, mas falhou, sorrindo de leve e piscando um olho para o filho.

-Muito bem, vamos ao que interessa. - Regina falou, ficando séria de repente. Emma apertou sua mão. - Eu não tenho certeza de como dizer isso a vocês... Mas... - Ela olhou para Emma, pedindo apoio. A loira pareceu não perceber. - Emma... - A xerife piscou.

-Oh, ok... Bom, Freya, Henry... - Ela começou gaguejando. - Vocês sabem que eu e a mãe de vocês estamos... É... - Emma fechou os olhos buscando concentração.

-Vocês estão namorando, nós sabemos, Ma! - Henry falou sorrindo. Emma soltou a respiração que não sabia que ter prendido. Regina puxou todo ar que conseguiu.

-Estou grávida. - Ela falou de uma vez só, sem anestesia. Henry arregalou os olhos e abriu a boca, numa expressão idêntica à que Emma fazia. Freya somente olhava para a mãe e Emma.

-Como assim? - Henry perguntou, balançando a cabeça em surpresa. Regina soltou a mão de Emma. E segurou a do filho.

-Henry, nem nós sabemos ao certo como aconteceu, mas... - Regina buscou o olhar de Emma e sorriu ao encontrar as esmeraldas. - Talvez nós tenhamos feito magia juntas, mas não sabíamos que estávamos fazendo, você consegue entender? - Ela perguntou, vendo o filho confuso. Antes que o menino respondesse, Freya se virou para o irmão.

-O clarão, Henry... - A voz de Freya era suave. Henry olhou para ela assustado.

-É claro! A chuva de estrelas! - Ele falou se virando para as mães. Emma franziu o cenho e olhou para Regina, percebendo que ela não era a única confusa ali.

-Wow, que clarão? Que chuva de estrelas? - Ela perguntou, levemente nervosa.

-No dia que nós fomos para o apartamento da vovó e deixamos vocês sozinhas... Nós vimos um clarão no céu, perto daqui... - Henry explicou. Regina levantou as sobrancelhas.

-Nós fomos até a janela e vimos o que parecia ser uma chuva de estrelas. - Freya disse, mexendo nas mãozinhas de Ginny. Regina e Emma se olharam espantadas.

-E nenhum de vocês disse nada... Porque? - Regina estava confusa, ela veria um clarão perto de sua casa. Mas, pensando bem, ela estava ocupada demais naquela noite.

-Bom, nós achamos que podia ser aquela coisa de amor verdadeiro, então deixamos pra vocês descobrirem. - Henry deu de ombros. Regina tentava assimilar enquanto Emma só a olhava espantada.

-Tudo bem... - Regina começou. - Essa chuva de estrelas pode ter alguma coisa a ver com isso, mas o fato que eu quero que vocês entendam é... - Henry e Freya a olhavam com sorrisos leves e ela sentiu o peso todo ir embora.

-A família está aumentando. - Freya disse pela mãe. Henry se levantou, seguido pela irmã e caminhou até as mães, ficando entre as duas. Freya se ajoelhou do lado de Regina, que sorria. Emma se ajoelhou do outro lado de Regina, junto com Henry e tocou a barriga da morena. Regina sentiu duas lágrimas quentes escorrendo por seu rosto enquanto Henry e Freya repetiam o toque de Emma.

-Sim, a família está aumentando. - Emma sussurrou, sentindo seus olhos marejados. Regina sorriu por entre as lágrimas e se inclinou para a frente, beijando a testa do filho. Ela se virou para Freya e encostou a testa na testa da filha, tocando os narizes com carinho, e finalmente se virou para Emma, depositando um beijo casto, leve e livre de luxúria, mas com um significado que ia muito além do que elas sequer haviam imaginado algum dia. Ginny se mexeu na cadeirinha, enquanto cada um levantava e retomava seu lugar na mesa. Durante toda sua vida, Regina achou que conhecia o significado de família, mas sua mãe estava longe de ser um exemplo. Os olhos cor de café de Regina seguiram cuidadosamente cada lugar da mesa. Seus dois filhos, sua neta, sua namorada... Que ironia! Emma Swan, a Salvadora era sua namorada, e ela não se arrependia nem por um segundo, mesmo que o medo a fizesse pensar em desistir. E agora um outro filho... Mais uma pessoa para dar sentido a sua vida. Regina encontrou novamente os olhos de Emma e sorriu. Então era aquilo o que verdadeiramente significava família.