Disclaimer: Nem KHR, nem a OC me pertencem.
Aviso I: Se não gosta de OCs, ou tente dar uma chance à fic, ou não leia mesmo.
Aviso II :Fic única e exclusivamente para Srta. Abracadabra.
Aviso III:Segunda parte.

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Spanner x OC II

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The Scientist

I had to find you, tell you I need you

A porta abriu lentamente e os olhos grandes e verdes que já lhe deviam ser tão conhecidos, encararam-no, estranhos. Mas não parecia surpresa, apenas estranha. E Spanner queria tanto, tanto conseguir entendê-la agora, como em tantas outras horas – talvez, entendê-la teria feito com que nada daquilo acontecesse.

- Hm... sabia que eu vinha? – E ela só assentiu. E Mare assentir e não falar nunca era um bom sinal. – E sabe, hm, por que eu vim? – Novamente assentiu e logo depois deu um longo suspiro.

- Só ainda não sei como isso vai terminar.

- Talvez... essa parte dependa de mim. – Spanner encolheu-se um pouco no casaco, notando que ainda não fora convidado para entrar. Suspirou. – Olha, eu... tenho que te pedir desculpas. Por ter duvidado de você. Por achar que chegava tão tarde por estar... bem, você sabe. Quando na verdade só não agüentava mais ficar no mesmo lugar que eu. E que...

Mare continuou encarando-o, os dedos apertando com força a porta. E Spanner quase podia ouvi-la dizer "Ainda não chegou lá, cientista." Meneou a cabeça, apertando os olhos.

- Mare, eu tinha que vir aqui. Eu precisava vir aqui. Eu tive que encontrar você, te dizer que eu preciso de você.

A garota afastou um pouco para o lado, dando espaço para o cientista entrar.

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It's such a shame for us to part

- Spanner… dá para olhar para mim? – Mare chamou, perdendo a paciência. – Dá para fingir que se importa ao menos enquanto estamos brigando?

- Estou trabalhando, Mare. – Ele retrucou, o rosto fechado e o "trabalho" nem começado à sua frente. – Tem pessoas que fazem isso.

- Poupe-me, Spanner. Você está apenas fugindo, para variar. – Correu até ele, derrubando tudo o que tinha em sua mesa no chão. – Eu pedi para olhar para mim.

O cientista a encarou por longos segundos, antes de calmamente andar até a porta.

- É melhor você ir embora.

- Agora nem demonstrar que está com raiva você demonstra mais? O que aconteceu com você?

- Eu sempre fui assim, Mare, você que demorou a perceber.

- Você que se escondeu.

- Eu já disse que é melhor você ir.

- E eu acho que é melhor eu não voltar.

Spanner hesitou.

- É, é melhor.

Mare fechou os olhos e suspirou. Pegou sua bolsa que estava em cima da mesa de centro e andou até onde o loiro estava.

- É mesmo uma pena nós nos separarmos.

E saiu sem olhar para trás.

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Coming back as we are

Spanner espreguiçou-se. Tinha acabado mais uma de suas invenções. A terceira só naquela semana. Olhou para o relógio e notou o quanto estava tarde e quanto estava indo pouco para casa naqueles dias. Levantou-se, pensando em correr para seu apartamento.

Mas... por quê?

Jogou-se na cadeira, pegando uma garrafa de água e bebendo. Não ia ter ninguém lá. Não estaria mais acompanhado do que em seu laboratório. Não iria ter mais barulho do ali. Na verdade, barulho era algo que há um tempo não tinha.

Por um breve momento, pensou no que ela estaria fazendo.

- Estamos voltando para o que nós somos.

Suspirou. Talvez deixasse de ser cabeça-dura e resolvesse seguir logo o conselho de chefe: contratar um assistente.

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I was just guessing at numbers and figures

- Ai, ai, ai. O que vou fazer com você? – Mare meneou a cabeça para uma de suas mais assíduas clientes. – Lia, querida, eu já lhe dei tantas dicas e você só segue o contrário do que eu disse.

- Mas, Mare, eu faço o que você diz!

- Se fizesse não estaria aqui.

- Lia, vamos? Isso aqui está torrando, to morrendo de calor. – O garoto de cabelos verdes, que sempre acompanhava a loura, chamou, com uma cara de poucos amigos.

- Muito bem, Lia, vê se presta atenção no que irei falar agora: procure perto de você e achará o que quer. – E acenou, quando a garota saiu animada da tenda.

Mare bocejou e, de repente, levantou-se e franziu o cenho. Como assim tinha se esquecido de pegar o dinheiro da carteira da garota? Justo quando estava precisando tanto... Bufou e voltou a sentar-se. Talvez dessa vez tenha se envolvido demais.

- Melhor eu voltar a adivinhar números e dígitos. – Murmurou, para ninguém.

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Pulling the puzzles apart

E quando tentou pela décima vez consertar a peça, decidiu parar. Bufou, deixando sua testa bater na mesa, arrependendo-se profundamente por deixar o novo assistente, Shoichi, sair mais cedo. Especialmente naquele dia, sua mente parecia estar embaralhada. Cheia de lembranças que não acreditava que ainda pudesse lembrar. Fazia o quê? Dois meses? Três? Nunca fora bom com tempo, mas sabia que ele deixava as coisas mais claras.

Sua estupidez agora estava bem clara.

O que só feria mais o seu orgulho e o deixava com a mente ainda mais embaçada. Deixou-se escorregar para o chão do lugar e fechou os olhos. Deveria estar solucionando os quebra-cabeças, mas enquanto seus próprios pensamentos fossem um, não ia chegar a lugar algum.

E dormiu.

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When I rush to the start

Curiosidade. Sua mente de cientista nunca fora tão atiçada. Destino? Sorte? Futuro? Coisas incertas que não poderiam ser acreditadas antes que tivessem sua prova de existência. Como alguém poderia insistir em algo tão bobo? Ela era boba. Como poderia estar tão curioso por algo bobo? Mas a risada parecia ecoar em seus ouvidos. E aquela boba história de destino parecia completar perfeitamente sua forte razão. As risadas e palavras ainda ecoavam. Os olhos verdes piscavam, grandes e questionadores. Pareciam os seus. Pareciam os seus...

Spanner piscou os olhos azuis, acordando com um longo suspiro. O coração batendo rápido.

- E eu corro para o começo.

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And tell me you love me, come back and haunt me

O copo escorregou dos dedos de Mare e, por sorte, caiu no sofá. Sua mão agora tremia e sua expressão se fechava cada vez mais. Suspirou, tentando se acalmar. A visão foi clara. Ele estava vindo. Mas ela não conseguia ver o que viria depois. Nem ele, nem ela pareciam ter decidido ainda. Perguntou-se se não deveria deixá-lo do lado de fora e esquecer de uma vez toda aquela história.

Mas, e se...

Não ia querer ficar com aquela dúvida martelando-a para sempre. Que ele viesse então. Iria escutá-lo. E, se ele dissesse... Balançou a cabeça. Ia esperar para ver o que ele diria. Ia esperar para ver se ainda restava alguma coisa naquele cientista idiota.

- Então venha. Diga-me que me ama, volte e me assombre.

O baixo som de alguém batendo em sua porta preencheu sua sala.

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And tell you I set you apart

Spanner passou uma mão desajeitadamente pelo cabelo, enquanto a outra segurava o pirulito. Mare estava na cozinha, fazendo um chá para si mesma, o que só o deixava mais nervoso pela demora. Tentou pensar positivamente, afinal ela o deixara entrar. Mas desde então não falara nada sobre o assunto, apenas que iria fazer o tal chá.

O cientista franziu o cenho. O que pensava que estava fazendo? Não era momento de pensamentos que apenas atrapalhavam, muito menos momento de se desesperar. Tinha que manter a calma e, principalmente, a razão.

- Você não quer mesmo, não é? – Ela perguntou, voltando com uma xícara nas mãos.

- Ah, não, não.

O silêncio se instalou. A vidente calmamente bebericou um pouco do chá antes de suspirar.

- Você dizia...? – Ela perguntou, tentando encarar apenas a xícara. Spanner franziu o cenho mais uma vez.

- Mare, você me escutou? Digo, você me entendeu?

- Eu acho que você não me entendeu ainda. Nem sequer se entendeu.

- Eu sei. E isso só me deixa louco. Eu tenho que entender. Faz parte do meu trabalho entender. Mas quando chega em você, tudo parece... confuso. Fora do meu conhecimento. – Não acreditava que estava falando aquilo tudo, nem acreditava no falaria em seguida. – Não sei percebeu, mas é exatamente por isso que quis ficar com você, conhecer você. Eu tenho que te entender.

- Como uma máquina?

- Não! O que... não. Olha, eu não sou muito bom com palavras, ou demonstrações. Se eu sei o que estou sentindo, então para mim tudo está bem. Mas, bem, não estava. Não está. Eu preciso te dizer que eu sei disso. E te dizer que eu te deixei de lado. Mas eu não notei. E eu deveria ter notado. Porque... bem, você é importante. Digo, para mim. E... Tsc... – Deixou as mãos passarem pelo rosto, buscando a droga de uma forma de dizer o que sentia sem parecer um bobo. Mare o encarava profundamente.

- O que você quer dizer, Spanner? No que tudo isso se resume? É só o que preciso saber.

Ele a encarou por longos segundos, tentando entender o que ela dizia. Parecia o tipo de coisa que só Mare sabia. O tipo de coisa que ele nunca poderia tocar ou ver ou provar cientificamente. O tipo de coisa que... apenas...

Sorriu.

- Eu amo você.

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I'm going back to the start

A mão com unha pintadas de azul apertou fortemente a de dedos calejados. Spanner pressionou seus lábios contra os de Mare, sentindo o que sentia há mais de três anos. Os cabelos negros, um pouco maiores, precisando cortar na visão dela, espalhavam-se no chão. O cientista sorriu. E tentava entender como, em algum momento de sua vida, pode deixar algo tão cheio de significado para trás. Aproximou novamente sua boca da dela.

Mare o apertou contra si. Feliz por ter ensinado um pouco de vida para aquele tão adorável cientista. Feliz por ter se deixado levar. Feliz por ter dito sim quando ele a chamou para morar com ela. Feliz por ter a certeza de que aquilo aconteceria. Abraçou-o mais forte.

E o sentimento estava lá, como no começo, como agora, como no futuro.

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N/A: Surpresa \o/. Aproveitei a volta da inspiração para ser linda e atualizar a fic. Gostei e não gostei, sei lá. Nem lembro se era isso o que eu tinha planejado no começo, mas está assim agora. Espero que gostem, btw. Não foi betado, desculpem por isso.

Abra, linda, mais cinco páginas de SpannerMare para você. Nem sei quais os casais que faltam, mas whatever. Eu descubro. Espero realmente que esteja gostando.

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