Disclaimer: Nem KHR, nem a OC me pertencem.
Aviso I: Se não gosta de OCs, ou tente dar uma chance à fic, ou não leia mesmo.
Aviso II: Fic única e exclusivamente para Srta. Abracadabra.

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Gokudera x OC I

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Soul Meets Body

And I do believe it's true that there are roads left in both of our shoes
But if the silence takes you then I hope it takes me too
So Brown Eyes I'll hold you near cause you're the only song I want to hear
A melody softly soaring through my atmosphere
(Death Cab for Cutie)

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And let the sun wrap its arms around me

Os pés descalços balançavam levemente na água. A respiração estava se acalmando aos poucos. Molhou as pontas dos dedos da mão na água e passou em seu pescoço. Armas, anéis, tudo estava jogado ali do seu lado e agradecia por finalmente não precisar usá-los. Já tinha treinado demais por aqueles dias. Olhou preguiçosamente ao redor e percebeu que não era a única que tinha resolvido descansar no lago ao lado da mansão Vongola. Ficou um pouco desapontada por não estar sozinha como gostaria, mas resolveu ignorar e apenas deixar o sol envolver seus braços em volta dela.

Esticou-se na grama, ainda com os pés na água, e espiou novamente quem estava há alguns metros longe dela. Arqueou um pouco as sobrancelhas ao reconhecer um dos guerreiros de alta patente da família. Era o Guardião da Tempestade, não era? Em poucos dias, o oficial que os treinava os designaria para um dos sete esquadrões da Vongola e, segundo ele, ela provavelmente se encaixaria no da Tempestade.

Raven deu de ombros. Seja qual fosse o esquadrão que fosse designada, daria o seu melhor. Espreguiçou-se, voltando a aproveitar seu momento de descanso.

O rapaz do outro lado só continuava a olhar fixamente para a água, parecendo tão cansado quanto ela.

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And I cannot guess what we'll discover

Raven bufou, zangada. Treinara o dia todo com o esquadrão da Tempestade para onde, afinal, fora designada. O ritmo do Guardião responsável, Gokudera, era completamente diferente do que estava acostumada, pois o mesmo tinha uma enorme fama na Vongola de ser extremamente estressado e de não gostar de treinar ninguém. Seus treinos eram exaustivos, puxando-os ao máximo, mas ele mantinha distância do esquadrão, dando alguns conselhos aqui e acolá, ao invés de participar ativamente. Além disso, os olhava com extrema arrogância, como se não quisesse estar ali e como se nada do que eles fizessem o impressionaria. Ele já fora pior, foi o que disseram, mas a pedido do Décimo ele mudara um pouco sua postura.

Mudando ou não, o comportamento do guardião irritava profundamente a loira.

— Bem, vamos lá. – Ele murmurou, olhando para ela. Após treinarem entre si, Gokudera começou a avaliá-los individualmente e chegara a vez de Raven. A loira vira nessa uma oportunidade de ensiná-lo a não subestimá-la. – Estou apenas querendo ver o que sabem fazer, então uma demonstração do seu anel é o bastante. – Raven bufou novamente. – O quê?

Mas ela não o respondeu, apenas ativou seu anel e o atacou, no que ele desviou no último segundo, surpreso.

— O que pensa que está fazendo, sua louca? – Ele perguntou, ficando vermelho. Raven franziu o cenho e cruzou os braços.

— Mostrando o que sei fazer e não apenas aturando sua cara arrogante.

— Ora, mas você... – Então Gokudera apertou o punho com força, lembrando-se das palavras de Tsuna. Não tratar os membros do esquadrão como um fardo, mas sim cuidar deles como se fossem de sua própria família. Todos eles são importantes e Tsuna não poderia proteger a todos, então precisava que seu braço direito o fizesse. Não poderia nunca decepcionar o Décimo Vongola. Suspirou, resignado. – Então acho que vamos ter que nos aguentar até que os outros voltem.

Não consigo adivinhar o que vamos descobrir. – Ela murmurou, um pouco frustrada por ele ter encerrado a briga.

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So they may have a chance of finding a place where they're far more suited than here

— Você simplesmente não está me ouvindo, Nightray. – Ele gritou para Raven, ao vê-la cair mais uma vez no chão. – Você acha que já sabe tudo, mas, com uma atitude dessas em uma briga de famílias de verdade, você não vai durar a droga de um minuto.

— Acho que o problema é o péssimo treinador. – Ela rosnou de volta, levantando-se do chão, não acreditando que estava perdendo para ele.

— Pode falar o que quiser, garota, mas eu ainda sou o mais experiente aqui. – Gokudera retrucou e a loira bufou, ajeitando as luvas que usava.

Aquela cena parecia se repetir a duas semanas e entre eles não parecia haver nenhum progresso. Enquanto, lentamente, os outros membros começavam a acostumar-se ao Guardião, e vice-versa, um espécie de vínculo sendo criado, Gokudera e Raven apenas continuavam a trocar farpas, mal suportando a presença um do outro.

No anoitecer do mesmo dia, a Nightray decidiu espalhar-se na grama do seu lugar preferido na Vongola, sabendo quando necessitava de ar fresco. Suspirou, enquanto brincava com a água do lago. Depois de parar para pensar, sabia que estava sendo uma enorme criança. Mas só de lembrar-se da cara de arrogância de Gokudera, sua maior vontade era de acusar tudo o que ele fazia, até ele desistir. Bufou. Giulietta provavelmente lhe daria uma bronca se soubesse que estava agindo assim. Ela era a única que constantemente lhe lembrava de controlar seu mau humor.

Um barulho, então, chamou sua atenção. Olhou para o lado e assustou-se a ver Gokudera ali parado, o cenho franzido e a blusa grudada no corpo pelo suor, provavelmente porque estivera treinando até àquela hora, – o que a fez desviar o olhar levemente. Hayato pareceu hesitar por um instante antes de sentar ao lado dela. Ela olhou-o, as sobrancelhas erguidas, mas não disse nada.

— Parece que... não sou o único a achar esse lugar reconfortante. – Gokudera murmurou, parecendo contrariado.

— É, parece. – Ela respondeu, no mesmo tom.

E ficaram em silêncio. Um silêncio – finalmente – calmo, dando a sensação de talvez terem finalmente encontrado um lugar mais adequado para ambos¹.

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Cause in my head there's a greyhound station

O Guardião da Tempestade aproximou-se, mais uma vez, do lago da mansão. Sempre tivera o hábito de ir ali, quando necessitava pensar ou de um tempo sozinho, mas agora lhe parecia quase um ritual. Quando acabava de treinar ao anoitecer ou antes de todos acordarem, de manhã, ia para ali e Raven Nightray quase sempre estava lá. Não trocavam mais que poucas palavras, todas sobre as tarefas designadas ao esquadrão da Tempestade, mas era só. Às vezes um parecia abrir a boca para falar algo, mas logo desistia. Depois de algum tempo, um deles se levantaria e iria embora.

Hayato achava que, de alguma forma, encontraram um ponto em que poderiam conviver, mesmo que não totalmente em paz. Ambos eram donos de personalidades extremamente difíceis e rebeldes, então talvez aquele fosse o máximo que conseguiriam e ele estava satisfeito. E, para ser sincero, brigar com Raven era de certa forma divertido.

Os treinos melhoravam a cada dia, os novatos finalmente pareceram evoluir, conseguiam atacar e defender com mais rapidez e eficácia. Já conseguia enxergar entre eles quais poderiam ir para o trabalho de campo mais simples e quais poderiam passar por um treinamento mais árduo para se juntar aos da guarda mais próxima de Décimo. Conseguia, aos poucos, entender o que Tsuna havia falado, sobre cuidar e proteger os membros de seu esquadrão e sentiu algo estranho borbulhar dentro dele ao pensar nisso. Mas ele era Gokudera e nunca fora bom em decifrar coisas borbulhantes dentro de si, então apenas ignorou.

O rapaz percebeu que estava perdido em pensamentos quando notou Raven o encarando, sentada. Ela desviou o olhar quando ele finalmente a olhou, mas disse:

— Não vai sentar? – Ela perguntou e algo próximo de um sorriso brincou nos lábios de Gokudera antes de ele esparramar-se na grama.

O guardião observou-a por alguns instantes e aproveitou o bom humor e todas as coisas borbulhantes dentro dele para perguntar:

— No que você pensa, quando vem aqui?

Raven virou o rosto para ele, surpresa com a pergunta. Nas últimas semanas, aquela estranha situação parecia ter se estabelecido e, apesar se ele ainda ser irritantemente arrogante, ela tinha que admitir – infelizmente! – que ele era realmente um lutador experiente e que poderia aprender muito com ele. Mas até aquele momento nunca conversaram além da sua cúpula de trabalho, então ouvi-lo perguntar algo tão pessoal pegou-a de surpresa. Não de uma forma ruim, constatou. Talvez até mesmo estivesse esperando um momento para perguntar o mesmo.

Ela meneou a cabeça, encarando o lago a sua frente.

— Tento não pensar em nada, porque na minha cabeça existe uma estação rodoviária, cheia de barulho, preocupações e... bem, raiva. – Revirou os olhos consigo mesma. – Então quando venho aqui, normalmente é para...

— Se livrar disso tudo. – Gokudera completou e Raven voltou a encará-lo, desviando o olhar no segundo seguinte, o rosto num leve tom rosado, ao perceber que os olhos dele estavam sobre si.

— É. – Murmurou, franzindo o cenho para si mesma, sem entender porque de repente sentia-se tão desconcertada.

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And feel, feel what it's like to be new

— Seus pés estão muito juntos, Nightray, desse jeito vai ficar sem equilíbrio. Separe-os. – Gokudera disse, um pouco mais alto, no que a loira revirou os olhos, mas obedeceu. Estava tarde, mas nenhum dos dois parecia inclinado a parar com o treino. Em algum momento do começo da noite, engajaram-se em uma feroz luta, que chegara a juntar vários membros do esquadrão, que assistiram, curiosos. Mas o tempo foi passando e ninguém cedia e após vários revirar de olhos, olhadas em relógios e pés batucando no chão, eles acabaram sendo os únicos ali.

— Desista, Gokudera. Dessa vez, a vitória é minha. – Raven disse em um momento que se afastaram um do outro. Arfava, mas estava imensamente feliz por final conseguir fazê-lo suar e se esforçar tanto quanto ela. Seu treinamento finalmente surtia efeito e eles lutavam acalarodamente.

— Há! Não perdi das outras vezes, essa não vai ser a primeira! – Hayato retrucou, desviando quando a loira partiu para atacá-lo novamente. Ele virou-se, no intuito de surpreendê-la, mas ela abaixou-se, os olhos brilhando de excitação. Raven tentou lhe dar uma rasteira, mas ele pulou para trás e imediatamente tentou atacá-la, tentando um movimento rápido e inesperado que já funcionara com ela outras vezes. Ela, porém, estava mais do que atenta para o que ele tentaria e desviou, revertendo a situação e pegando-o de surpresa com um chute bem colocado e um pouco de uso do próprio peso do guardião.

No chão, Gokudera olhou para cima, num misto de surpresa e frustração pela derrota, mas o que Raven fez em seguida bloqueou todo e qualquer outro pensamento. Ela sorriu. E sorriu abertamente, claramente feliz, satisfeita e orgulhosa de si mesma por ter chegado àquele ponto. Olhou para ele e o sorriso simplesmente não se apagava. Estendeu a mão, as sobrancelhas arqueadas.

— Acho que eu estava certa afinal. – Alfinetou, mas com um incrível bom humor. Hayato sentiu o rosto corar e segurou sua mão, contrariado, e levantou-se, tentando decifrar o turbilhão em que seus pensamentos se encontravam.

Raven começou a falar algo, mas ele não conseguia ouvir, pois acabara de ter a terceira surpresa do dia, após a derrota e sorriso. Pensara, por um instante, em como a Nightray estava suada e linda. E ao pensar nisso, coisas borbulhantes borbulharam dentro dele. Ele sentira... sentira como é estar novo. Novo e leve. Por um momento, quis sorrir, mas apenas fechou a cara, sentindo o rosto corar ainda mais e fingiu escutar o que loira (suada e linda!) dizia.

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¹: Eu sei, não é a tradução correta, mas da para entender o feeling q.

N/A: EU SOU MUITO PROLIXA, MINHA NOSSA SINHORA. To dividindo isso aqui em dois, para poder te dar algo sem demorar tanto! Ta indigna, totalmente diferente do ritmo da Musicalmente Falando, MIL PERDÕES, mas acho que perdi o jeito D: Espero que você goste de alguma coisa, mesmo eu achando que Gokudera e Raven estão OOC. O QUE ME DEIXOU BOLADISSIMA PORQUE EU ACHAVA QUE SABIA ESCREVER COM ELES, AFF.

A continuação será melhor, eu juro. Esse é só um aquecimento.

Enfim, a n/a toda pra ti, Abra hahahaha. Te amo, essa coisa toda s2.