Disclaimer: Nem KHR, nem a OC me pertencem.
Aviso I: Se não gosta de OCs, ou tente dar uma chance à fic, ou não leia mesmo.
Aviso II: Fic única e exclusivamente para Srta. Abracadabra.
Aviso III: Parte dois.
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Gokudera x OC II
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Soul Meets Body
But I know our filthy hands can wash one another's
Um clima de agitação pairava por entre os dez membros escolhidos do esquadrão da Tempestade. Uma missão, enfim. A chance de ir e se provar útil, de defender o nome Vongola, de lutar lado a lado com seus companheiros, com seu guardião. Uma família invadira um dos lugares criados para reuniões da Vongola e agora iriam aprender a se arrepender por isso.
Raven ajeitou suas luvas após derrubar mais um. Eles eram muitos, mais do que foram informados, e não paravam de vir, mas o esquadrão estava treinado o bastante para cuidar bem do assunto. Não muito ao longe, Gokudera lutava ferozmente, explodindo bombas ou partindo para o corpo-a-corpo quando explosões seriam perigosas demais. Mas ela parecia preocupado, Raven notou. Olhava ao redor, como se procurasse algo ou alguém, como se sua mente trabalhasse rápido, pensando no que poderia ser usado como armadilha contra eles.
Idiota!, ela pensou, ao ver uma garoto aproveitar-se da distração de Hayato e apontar uma arma em sua direção. Sem pensar duas vezes, correu e jogou-se sobre ele, um barulho de tiro sendo ouvido, mas a bala seguindo se atingir ninguém. Entortou o braço dele, fazendo-o soltar a arma e chutou-lhe o estômago algumas vezes, observando-o gemer de dor antes de desmaiar.
Gokudera a olhava surpresa e Raven quase, quase, quis sorrir, mas apenas olhou-o emburrada.
— Você deveria prestar mais a-
Uma explosão às suas costas fez seu cabelo voar e ela dar um passo a frente. Olhou para trás e uma garota gemia, sem conseguir se levantar após a mini-bomba de Gokudera ter feito seu trabalho. Voltou o olhara para o guardião, de repente sem palavras.
— Você também deveria. – Ele disse, e uma espécie de sorriso formou-se no canto de sua boca. – Mas eu sei que nossas mãos podem lavar uma a outra.
A loira desviou o olhar, esperando que seus cabelos escondessem o rubor em suas bochechas e apenas assentiu, partindo para cima de mais um inimigo, sentindo-se com se sua energia tivesse acabado de ser renovada.
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But if the silence takes you then I hope it takes me too
A Nightray tentava repassar o que acontecera em sua mente, enquanto tentava estancar o sangue que não parecia querer parar de fluir do ferimento lateral de Gokudera ao mesmo tempo em que tentava ignorar o seu próprio sangue que escorria em sua perna.
Em algum momento, Gokudera parecia ter percebido o plano do inimigo e seguira até o estoque gigantesco de armas que encontrava-se no subsolo do local e dissera para Raven segurar as coisas com os outros membros. Em algum momento em seguida, ela ignorara suas ordens e o seguira. Alguns segundos depois, ele gritara com ela, mas ela vira seu sorriso. Num instante seguinte, explosões, inimigos verdadeiramente fortes e Hayato sangrando, mas não parando de lutar ao lado dela. Em mais um segundo, vitória... vitória? Como poderia ser vitória se só haviam escombros em cima deles, o Guardião da Tempestade inconsciente e Raven sem ter ideia do que fazer?
Ela apertou seus olhos castanhos com força, sentindo a dor começar a vencê-la e a falta de ar apertar seu peito e em algum momento entre a consciência e o mundo dos sonhos, ela desejou com força que ele pudesse sobreviver. Que eles pudessem sobreviver. Mas se o silêncio o levasse... então esperava que a levasse também.
E Raven não fazia ideia do momento em que começara a pensar assim.
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And I do believe it's true that there are roads left in both of our shoes
Gokudera encarava suas mãos sem realmente vê-las. Estava deitado em sua cama, no seu quarto da mansão Vongola, e perdia-se em pensamentos. Todos os outros guardiões vieram visitá-lo e ver como estava, Décimo extremamente preocupado, o que fizera Hayato pedir milhões de desculpas por estar naquele estado. Mas durante todo o tempo, sua mente se distraía, vagava para algo que o incomodava há um tempo.
Pensava em Raven. Pensava nela e tentava descobrir por que. Pensara nela durante a missão e em como ela parecia feita para isso e em como não tinha motivos para se preocupar com ela, mas ele se preocupara e ao mesmo tempo gostara quando ela o seguira. Pensara nela antes da missão e como gostava de sua companhia no lago, nos treinos ou em qualquer outra situação que pudesse pensava, mesmo que brigassem ou menos que nem se falassem. Pensava nela agora e pensava nela demais e só depois da missão – depois de pensar nela antes de perder a consciência e desejar que sobrevivessem e desejar que tivesse alguma força para tirá-los dali – foi que percebeu isso.
O que era aquilo, afinal? Era mais uma das coisas borbulhantes e que ele deveria ignorar? Hayato era péssimo com aquilo, como poderia entender?
Um leve bater na porta o despertou e logo todo seu esquadrão estava ali, dez deles com esparadrapos aqui e ali, pedindo desculpas, perguntando como ele estava e dizendo como ele havia sido corajoso. No canto, encostada na parede, de braços cruzados e tentando fingir que não se importava, estava Raven. Tinha um curativo em sua perna e parecia olhar para qualquer lugar, menos para ele. Gokudera respondia as perguntas, um pouco desconcertado com a atenção, e não conseguia evitar lançar olhares para a loira.
Percebeu, com surpresa, que seus olhos eram castanhos e grandes e não sabia por que sempre assumira que seus olhos eram azuis, perguntando-se se alguma vez realmente olhara diretamente para eles. Percebeu um corte em sua bochecha e uma cicatriz em seu queixo. Percebeu como os cabelos dela eram leves e voavam com qualquer leve brisa. Percebeu como não estava suada, dessa vez, mas continuava e lhe parecer linda. Gokudera percebeu, mais do que tudo, como de repente todos os detalhes da garota pareciam destacar-se diante dos seus olhos e como ele parecia cada vez mais consciente de sua presença e seus gestos.
Era isso que acontecia, quando alguém começava a pensar demais em uma só pessoa?
Passos foram ouvidos e ele nem percebera que havia se despedido de seu esquadrão, que saía do quarto, ou como sua expressão estava carregada e concentrada, nem como seu rosto estava ruborizado.
Raven não saiu do quarto, isso ele notou. Em vez disso, ela se aproximou – mancando, ele pôde perceber, sentindo-se culpado – e puxou uma cadeira para sentar-se ao lado de sua cama, talvez pela dor na perna, e cruzou os braços, a expressão fechada.
Gokudera tentou sentar-se na cama, fazendo uma careta quando seu ferimento ainda no processo de cicatrização doeu.
— Pelo jeito os seus 'eu estou bem' para todo mundo são uma grande mentira. – Ela murmurou, descruzando os braços e batendo seus dedos em sua perna.
Hayato olhou-a, já ligeiramente zangado: — Eu estou bem, isso não é nada. Logo poderia partir para outra.
— Não é nada para você, idiota, que não viu o quanto de sangue você perdeu. – Ela devolveu, exasperada.
Houve uma pausa por um momento e Gokudera percebeu que Raven se preocupara com ele e que ainda estava preocupada. De alguma forma, aquilo fizera as bolhas borbulhantes borbulharem dentro dele, o que o fez querer se dar um murro. Pensou no que dizer e, por fim, engoliu todo seu orgulho ao falar:
— Obrigado. E... desculpe. – Não explicou sobre o que falava, mas a situação já era embaraçosa o bastante, ainda mais quando notou que Raven ficara vermelha.
Ela meneou a cabeça.
— N-não precisa, tudo bem. – A Nightray disse, sentindo uma súbita vontade de fugir dali. Mas ficou.
— E... eu acredito que é verdade, que há ainda estrada para nossos sapatos. – Gokudera acrescentou, encarando-a. – Foi apenas uma missão e fui tolo por não perceber a armadilha antes. Mas terão outras.
Os lábios de Raven se esticaram levemente, quase imperceptivelmente, em um sorriso e de repente ela notou que pusera sua mão sobre a cama de Hayato e que a mão do mesmo agora apertava a dela.
Corou, mordeu o lábio, pensou, mas não a retirou.
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So, Brown Eyes, I'll hold you near cause you're the only sound I want to hear¹
Raven respirava profunda e longamente, tentando ao máximo acalmar-se. Aquilo era simplesmente ridículo. Por que estava tão nervosa, envergonhada e ansiosa? Era completamente desnecessário. Não deveria estar assim. Reviraria os olhos para qualquer outra pessoa assim. Mas sentia-se dessa forma e queria esganar Gokudera por isso.
Visitara-o tantas outras vezes após a primeira e em todas, todas, em algum momento eles davam as mãos. Primeiro apenas encostando, em outra entrelaçando os dedos. Não diziam absolutamente nada, pareciam dois idiotas morrendo de vergonha e sem coragem de se encararem. Mas da última vez, Raven, de tão cansada por uma noite mal dormida, cochilara com a cabeça na cama do guardião e acordara com o mesmo lhe afagando os cabelos. E ela, ainda sonolenta, lhe sorrira. Sorrira! Ficara tão envergonhada do ocorrido que saíra correndo do quarto.
Parecia que tinha cinco anos outra vez. Giulietta, na verdade, rira gostosamente quando conseguiu fazer Raven lhe contar tudo e até lhe apertara as bochechas.
Hoje o guardião iria retirar o curativo e pontos que recebeu e Raven só conseguia pensar que talvez, talvez ele aparecesse ali. Ela deveria se levantar e sair, então, mas não se moveu um músculo do lugar. Nunca admitiria, mas na verdade queria que ele aparecesse.
E apareceu.
Raven congelou ao ver Hayato sentando-se ao seu lado, olhando diretamente para ela, ainda que parecendo um tanto contrariado, como se não acreditasse no que fazia. Bem, ela também não. Encararam-se, sérios.
— Você não, hum, deveria estar lá dentro? Sabe, voltando à ativa de treinador arrogante e mandão. – Ela tentou, recebendo um revirar de olhos (e uma risada?).
— Decidir ver uma das integrantes do meu esquadrão. A mais estressada, rebelde e irritante. – Gokudera retrucou e Raven tentou com todas as forças esconder um sorriso.
Ele exalou longamente e a encarou mais firmemente. Sem aviso, pôs suas duas mãos sobre os ombros dela e inclinou-se para roçar seus lábios levemente nos dela, inexperiência escrita em todo o movimento.
– E lá dentro tem barulho demais, e-então... olhos cas-castanhos, eu vou te ter por perto, porque... você é o único som que quero ouvir. – Acrescentou, tropeçando em todas as palavras, o rosto prestes a explodir, seus olhos fixos na bochecha, nos lábios ou no nariz de Raven, mas não nos olhos dela.
Antes que percebesse, a loira o beijava e ele retribuía, satisfeito e sentindo seu interior prestes a explodir em bolhas. Beijavam-se sem jeito e com dentes batendo aqui e ali, mas a sensação era tamanha, que não ligaram. Separaram-se e a expressão de Raven azedou um pouco.
— O-olha, eu também... gosto de você e essa coisa toda, – Falou rapidamente, tentando passar o mais rapidamente por essa parte. – mas não tenta falar mais nenhuma frase melosa assim. Sério.
E Gokudera não viu outro jeito se não concordar. Era definitivamente péssimo naquilo.
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Where soul meets body
As mãos estavam trêmulas. A pele estava suada. Suada e linda. Os corações batiam em um ritmo acelerado e em conjunto, como se nunca fossem parar. Gokudera beijava Raven pela milésima vez, pois desde a primeira descobrira que viciara-se em sentir suas línguas se entrelaçando. Os dentes, agora, agiam apenas quando de propósito. Raven arranhava suas costas, parando o beijo para que tímidos gemidos satisfeitos deixassem seus lábios. Puxava-o sempre mais perto, mais colado de seu corpo e nesse momento se desligava de todas as suas limitações sociais, de todos os gritos, caretas e palavras ferrenhas que deveria dar ou dizer, para apenas entregar-se a esse momento.
Nunca imaginaram estar tão próximos de outra pessoa. Nunca imaginaram dividir sentimento tão forte entre um e outro. Nunca imaginaram que aquele tipo de sensação, de estarem tão tão juntos, como se fossem um só, seria tão incrivelmente fantástica. Nunca imaginaram que existiria um lugar onde a alma encontra o corpo.
Mas adoraram descobrir.
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A melody softly soaring through my atmosphere
Raven Nightray abraçou as pernas, sentada na grama. Encostou o queixo nos joelhos e observou a calmaria do lago. O lugar que desde quando chegara ali se tornara seu refúgio e que sempre acho que seria sempre somente seu.
O tempo estava frio, mas seus dedos estavam sendo prontamente aquecidos pelos dedos de um idiota estressado e arrogante, que entrara em sua vida tempestuosamente, sentara-se ao seu lado, invadira seu espaço e a fizera desejar que ele nunca saísse.
Um silêncio calmo pairava entre os dois, apenas suas respirações e o barulho do vento eram presentes. Como uma suave melodia elevando-se atrás de suas atmosferas.
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¹: É song, não sound, mas ia ficar meio assim de por song na cena, então releve.
N/A: UAI DEATH CAB FOR CUTIE TEM MÚSICAS COM LETRAS TÃO DIFÍCEIS. Sério, quebrei meu cérebro.
Okaaaay, eu acho que relativamente gostei? Tipo, mais ou menos. Tiveram umas coisas que estavam infinitamente melhores na minha cabeça, desculpa D:.
As cenas de ação ficaram meio assim porque eu não lembro de jeito nenhum dos poderes da galera, foi mal hahah.
Continuo achando a Raven OOC. Btw, quase escrevi Natsuki umas 30 vezes.
Mas enfim, espero que tu goste, Abra, é inteiramente sua, desculpa se não foi o que tu esperava, mas foi com carinho e amor. Te amo s2
