"A campainha. Ai, que preguiça de me levantar para atender..." pensou Jeannie, que estava acomodada no sofá lendo uma revista. Precisou resistir contra a vontade de piscar para que a porta se abrisse sozinha. Ela se levantou devagar e piscou para que o aspirador de pó parasse com o serviço doméstico "automático" e abriu a porta.

— Olá, Jeannie! Como a futura mamãe está se sentindo?

— Oh, olá Sra. Bellows! Estou ansiosa, mas bem. — respondeu ela enquanto via a abelhuda mulher entrar em sua casa sem nem mesmo um convite.

Ela foi até a cozinha e abrindo uma sacola, tirou diversas caixas e frutas, dispondo-as nos lugares corretos. Enquanto guardava tudo, veio com uma conversa que soou estranha a Jeannie:

— Cuidarei muito bem de você nesses próximos dias, até o bebê nascer.

— Não estou entendendo, Sra. Bellows...

— Como assim, não está? Não te disseram? O Major Nelson foi para Dallas trabalhar em um projeto pelas próximas três semanas!

— O... O quê?

As pernas da gênia amoleceram ao ouvir aquela notícia e ela procurou um lugar para se sentar. Como assim seu Amo tinha viajado? E sem nem mesmo falar com ela?

Jeannie ficou muito magoada e tentou abafar essa sensação mudando de assunto. Mas não conseguia pensar em outra coisa a não ser aquilo. Em breve o bebê nasceria e só de pensar que Anthony não estaria por perto no momento mais importante da vida deles enchia o seu coração de tristeza. Logo, ela não se conteve e começou a chorar.

Alarmada por ter causado aquela reação na moça, Amanda se aproximou, abraçando-a em uma tentativa vã de consolá-la: — Oh Jeannie, ninguém lhe contou nada! Não me admira, pelo que Alfred disse, foi tudo muito repentino... Mas eles vão ver só, darei uma bronca naqueles oficiais quando eu for lá! Não fique assim, querida!

Em meio aos soluços, as duas ouviram um *pop!* bem baixinho. Ao olhar para baixo, junto às lágrimas, Jeannie se viu toda molhada.

—S... Sra. Bellows!

— Jeannie, a sua bolsa rompeu! O bebê vai nascer!

Correndo feito uma louca, a mulher pegou o telefone e ligou para o marido: — Alfred!... ALFRED! Vá logo para o hospital, a bolsa da Jeannie rompeu. Preciso ir até em casa pegar o carro, pois vim aqui a pé. Logo estaremos aí!

Ela desligou e pediu para que Jeannie se sentasse enquanto ia buscar o veículo.

— Respire fundo Jeannie e tente pensar em coisas boas enquanto me espera. Onde você guarda suas toalhas?

— No armário ali no quarto...

A Sra. Bellows trouxe algumas toalhas, forrou o chão para que ela não se escorregasse, deixou uma com ela e saiu. Jeannie piscou um vestido limpo e fresco em si mesma e ficou esperando. Algum tempo depois, sentiu uma pontada aguda. Como a Sra. Bellows havia recomendado, tentou não pensar na dor e sim em coisas boas... Como a vez em que seu Amo havia encontrado sua garrafa na ilha. Enquanto ela se lembrava daquele que era um dos momentos mais doces de sua vida, uma nova contração veio e ela piscou. No mesmo instante, todo o chão da sala ficou coberto de areia, com dois coqueiros próximos às janelas e um ao lado da escada.

— Oh não, eu pensei e pisquei! Preciso fazer isso sumir antes que a Sra. Bellows volte!

Mas não houve tempo. Ao ouvir o barulho do motor do lado de fora da casa, Jeannie ficou nervosa e não conseguiu pensar em mais nada. A mulher entrou feito um furacão na sala e já foi logo falando: — Pronto Jeannie, o carro está lá fora! Vamos?

Ao ver os coqueiros e sentir a areia em seus pés, a expressão dela mudou imediatamente. Olhando para baixo, notou que não eram apenas os seus pés que estavam cheios de areia, mas também todo o chão da sala!

— Mas... Mas o que é isso? Jeannie, de onde veio toda essa areia? E esses coqueiros?

— Ah... D-do que está falando, Sra. Bellows? Não estou vendo nada!

Ao dizer a palavra nada, Jeannie piscou novamente e tudo desapareceu. Incrédula, Amanda esfregou os olhos e sacudiu os pés, mas aquela sensação de praia havia sumido, como num passe de mágica.

— Mas... Mas eu vi! Estava bem aqui!

— Acho melhor irmos logo, Sra. Bellows!

— Oh, me desculpe Jeannie! Venha, segure a minha mão. — pediu, enquanto a conduzia para fora da casa. Lançando um último olhar rápido para a sala, fez o sinal da cruz e fechou a porta.

Continua...