— Fique calma Jeannie, eu conheço um ótimo atalho para o hospital!

— Sim, Sra. Bellows!... Eu... Ooohhh!... — uma nova contração. Ok Jeannie, pense em coisas boas, muito boas... Ela riu e se lembrou da vez em que disse ao seu Amo que se sentia desperdiçada como gênia. Ela lhe daria qualquer coisa, o que quisesse, bastava ele pensar. Logo, um elefante enorme apareceu no quarto, bem na hora em que o Dr. Bellows apareceu! Oh, aquela era mesmo uma ótima lembrança e não conteve o riso. Quando uma nova contração veio, Jeannie piscou e a Sra. Bellows freou o carro bruscamente. Oh, não! Era um... Elefante!

— Jeannie... Você está vendo o mesmo que eu?

— Não, Sra. Bellows! O que você está vendo?

Fechando os olhos e apertando as mãos no volante, a mulher disse, temendo as próprias palavras: — Há um... Elefante no meio da rua!

O pobre animal estava confuso em meio a todos aqueles olhares atônitos dos motoristas e às buzinas que começaram a soar. Levantando uma das patas dianteiras, o elefante bramiu e Jeannie imediatamente tentou pensar em outra coisa... Hmm... Seu Amo e ela haviam conversado sobre o sexo do bebê quando começaram a comprar parte do enxoval. Não sabia o que seria, mas de certa forma sentia que teriam um menino. Haviam comprado tudo de forma bem neutra, de menos os brinquedos. E se lembrou de alguns carrinhos de brinquedos lindos que tinha visto em uma loja. Ela pensou e com a vinda de uma nova contração, Jeannie piscou. O elefante sumiu e o carro onde estavam se transformou em um brinquedo!

— Mas, cadê o elefan... AAAAHHHH! O que aconteceu com o carro?... Isso é plástico! — exclamou, com os olhos arregalados. Ela girou a chave e nada de o carro pegar, ao invés disso, uma musiquinha infantil soou — Jeannie, o que está acontecendo aqui?

— Acalme-se, Sra. Bellows. Você está nervosa também... Vamos para o hospital.

— Me desculpe, querida. Acho que você pode ter razão...

Mais uma vez ela tentou dar a partida no veículo, mas a música ficou tocando. Ela tentou mais uma vez, mais uma e nada, não pegava, só tocava. Elas estavam mesmo em um carrinho de brinquedo! Parece que as coisas estavam contra elas naquele dia.

— E agora, o que faremos?

— Oh Jeannie, não faço a mínima ideia! E o hospital fica a algumas quadras daqui!

— Então vamos andando!

— Andando?...

— Eu conheço um atalho! Mas a senhora tem que confiar em mim.

As duas saíram do carro, onde Jeannie precisou puxá-la pelo braço para que deixasse de olhar o carrinho todo colorido e de plástico. O que havia acontecido? Aquele não era o carro dela...

Depois, segurando-a pela mão, Amanda Bellows a seguiu até uma esquina próxima e as duas andaram um pouco. As dores estavam vindo e cada vez mais fortes. Era melhor ela agir e rápido, do contrário, não sabia o que poderia hã... Piscar.

— Agora Sra. Bellows, feche os olhos.

— Jeannie, eu...

— Por favor, você não negaria um pedido meu em um momento como esse, negaria?

Relutante, ela obedeceu. Jeannie se concentrou e pensou em uma rua com esquina bem próxima ao hospital. No momento em que iria piscar, um carro passou a toda a velocidade levantando uma enorme poeira preta. Ela não piscou, mas ao abrir os olhos, Jeannie se viu onde pensara. Havia entrado um cisco em seu olho e estava incomodando... Agora ela não conseguia mais piscar!

— Você está bem, querida?

— Sim... Só entrou um cisco em meu olho.

— Foi aquele carro que passou. Deixe-me ver.

— Eu não consigo piscar!

— Não vejo nada... Venha, quando chegarmos ao hospital, pedirei ao Alfred para piscar um colírio e vai passar.

Elas andaram mais um pouco e ao dobrarem a esquina, viram a fachada do hospital.

— Jeannie, que ótimo! Chegamos! Você precisa me ensinar este atalho! — ela comentou com um tom de ironia, não acreditando muito naquilo. Ainda não havia se esquecido das coisas estranhas que tinham acontecido. Precisava contar tudo ao Alfred.

Assim que entraram, uma enfermeira se aproximou com a cadeira de rodas, onde Jeannie se acomodou. Dr. Bellows chegou logo em seguida.

— E então Jeannie, está preparada?

— Sim, Dr, Bellows! Estou com um pouco de medo também.

— Oh isso é comum, mas não precisa ter medo! Cuidaremos bem de você e do bebê.

— Jeannie, vai dar tudo certo querida! Eu ficarei bem aqui!

A moça assentiu enquanto a enfermeira a levava. O velho médico se voltou para segui-las mas foi impedido pelas esposa desconfiada.

— Alfred! Alfred, eu preciso falar com você!

— Amanda! Não vê que Jeannie já foi levada para a sala de parto? Aquela criança vai nascer, não posso falar com você agora!

— Mas eu posso e preciso falar com você! Aconteceram coisas estranhas enquanto Jeannie e eu vínhamos para cá!

— Está bem, aconteceram coisas estranhas. Quando chegarmos em casa, você me fala sobre isso. — e deu as costas para ela, quando a ouviu dizer com raiva:

— Um elefante apareceu no meio do trânsito!

Com os olhos arregalados, Dr. Bellows se voltou e repetiu, atônito: — Um elefante?

— Sim! E um monte de areia e coqueiros na sala dos Nelson! E o nosso carro se transformou em um veículo de plástico, de brinquedo! O motor tocava uma musiquinha infantil!

— Amanda, você está nervosa! Passou por muitas emoções fortes com a Jeannie hoje.

— Alfred, EU SEI O QUE EU VI! Estávamos há cinco quarteirões daqui e, graças à Jeannie, chegamos a pé em menos de dez minutos!

Engolindo em seco, o médico viu na própria esposa o reflexo de si mesmo há algum tempo atrás. Se aquele não fosse um momento de fortes emoções para ele, sua esposa e a de um de seus melhores oficiais (cuja presença já haviam lhe proporcionado outros momentos mais estranhos ainda), até pararia para considerar esse pensamento. Mas de que iria adiantar? Sabia que por trás, na verdade, poderia não haver nada, como sempre. No fim, qualquer Nelson, fosse o Major ou a Jeannie, faria 'aquilo de novo'.

Sacudindo o braço, ele lhe deu as costas, dizendo "Agora não Amanda, agora não", largando a mulher falando sozinha e espumando de raiva.

Continua...