Na sala de parto, Jeannie ouviu o Dr. Bellows dizer que sua dilatação ainda não era o suficiente para a passagem do bebê. Por isso, ela deveria aguardar um pouco no quarto ele viria regularmente para checar como tudo estava. A dor aumentaria, mas por mais difícil que fosse, o médico recomendou que ela pensasse em coisas boas coisas. Ela riu. Era só o que vinha fazendo nas últimas horas, desde que soubera que seu marido não estaria ali pelas próximas semanas. Como ela não estava conseguindo piscar, poderia pensar nele sem medo. Aquele seria o momento mais importante da vida deles. Como queria que ele estivesse ali...
Enquanto pensava, a Sra. Bellows entrou e foi logo dizendo: — Jeannie, Alfred me disse que estaria aqui. Precisamos conversar sobre...
Porém ela não teve tempo para completar frase, pois enquanto falava, o Major Nelson apareceu do nada no quarto!
— Major Nelson! Como apareceu aqui?
— Jeannie! Sra. Bellows!...
— AAAAHHHH! — e caiu desmaiada no chão.
Ao correr para ampará-la, ele lhe deu alguns tapinhas leves no rosto mas a mulher não acordava por nada. O grito alto chamou a atenção de muita gente, inclusive o médico da NASA:
— Mas o que está acontecendo aqui?
— Eu não sei senhor, acho que ela ficou surpresa em me ver! — ele respondeu, rindo nervosamente.
— Major Nelson!... O que... Como...
— Cheguei ainda há pouco Dr. Bellows. Hã... Roger me ligou!
— Mas o Major Healey está na base! Ele não sabe que Jeannie está aqui.
— Eu telefonei para ele Dr. Bellows e pedi que avisasse ao Anthony que o bebê iria nascer!
— Mas... Mas pela hora em que Amanda me telefonou, não daria tempo de você vir de Dallas até aqui...
— Eu posso explicar, senhor...
— Não! Não precisa me explicar nada, Major. — ele disse, levantando as mãos em uma forma de rendição. E depois, com um sorriso, continuou — Como hoje é um dia especial para você e Jeannie, não irei exigir nada.
Os dois retiraram a Sra. Bellows para receber atendimento em outro quarto. Depois, o General Schaeffer telefonou, ao saber pelo Dr. Bellows que ele estava ali. Após inúmeras explicações, o Major Nelson reforçou o fato da importância que o nascimento de seu primeiro filho tinha para ele e no quanto isso havia pesado na decisão dele em voltar para Cocoa Beach ao saber o que havia acontecido. Apesar de ter se arriscado ao desobedecer a uma ordem direta do General, algo em suas palavras pareceu ter tocado o coração dele e não houve nada de mais sério. Aliás, apesar da prioridade e urgência que o projeto Fênix tinha, o general lhe concedeu três dias de folga para que pudesse ficar com o bebê e Jeannie. Depois disso, ele deveria voltar imediatamente para Dallas.
Ao tentar voltar para o quarto onde Jeannie estava, o Dr. Bellows não permitiu, pois ela já havia alcançado a dilatação necessária. Enquanto ela estava sendo levada para a sala de parto, o Major Nelson a viu, teve tempo de dizer que a amava e ouvi-la dizer que sentia o mesmo por ele. Então ele se dirigiu para o lugar que era um verdadeiro martírio para os futuros papais: a sala de espera.
Lá chegando, uma grande nuvem de fumaça de nicotina o recebeu. E logo ele viu um rosto conhecido: o pai das quatro rosas, que conhecera da outra vez.
— Ora, se não é o pai de primeira viagem! O seu grande dia finalmente chegou, Major?
— Sim, finalmente!
— O meu também! É hoje que irei conhecer o meu garoto, a futura estrela do futebol americano!
— Não acha que é melhor não criar muitas expectativas?
Mordendo o cigarro, o homem deixou claro que não gostou nem um pouco da pergunta: — O que quer dizer com isso?
— Bem... Pode ser que venha outra menina.
— Não!... Tenho certeza de que desta vez será um menino, tem que ser! Fiz até uma promessa, sabe? Mas não posso contar o que é...
Enquanto conversavam, o Major Healey chegou. Assim como da outra vez, o amigo se aproximou com um buquê de flores e uma caixa de bombons. Após conversar com o General Schaeffer, Major Nelson havia ligado para ele a fim de preveni-lo sobre uma das desculpas que havia inventado para justificar o seu retorno.
— E então Tony, ela já foi para a sala de parto?
— Sim... Roger, eu estou muito apreensivo. Não só com o nascimento do bebê, mas... Ela me trouxe aqui! Você nem imagina o que eu precisei inventar para o General Schaeffer, não te contei tudo no telefone.
— Não acha que pode ter sido no calor do momento? Você viajou de repente e com o bebê chegando, ela quis tê-lo por perto.
— Pode ser. Mas a Sra. Bellows estava no quarto no instante em que apareci. Jeannie não iria me trazer de volta com ela lá, certo?
Coçando o queixo, ele respondeu: — Rapaz, agora você me pegou. Então pode ter sido obra da irmã dela.
— Pela forma como tudo aconteceu, não duvido.
Muito tempo e cigarros depois (vários deles fumados pela dupla Nelson-Healey), a enfermeira apareceu para anunciar um nascimento.
— É o meu, é o meu garoto!
— Parabéns, Sr. Jones! Sua esposa acabou de ter uma menina linda e saudável!
O sorriso nos lábios do homem desapareceu no mesmo instante: — Menina? Mas... Mas eu estava esperando por um menino! Eu comprei tudo de menino, roupas, brinquedos... Tudo! Até vendi o meu carro para comprar essa tranqueira toda!
A enfermeira (que havia atendido a Sra. Jones nas outras vezes em que ela estivera ali) conhecia a peça e por isso mesmo sabia o que fazer. Pegou o sujeito pelo braço e o conduziu até o berçário. Curiosos, o Major Nelson e o Major Healey o acompanharam.
Chegando lá, ela apontou para a garotinha enrolada em uma mantinha rosa que estava sendo colocada sob a plaquinha: "Menina Jones".
Ao ver aquele rostinho lindo e dengoso, imediatamente o homem se desmanchou em lágrimas, num choro compulsivo.
— Conseguiu a sua quinta rosa hoje, Sr. Jones! Parabéns! — Major Nelson o congratulou, animado.
— É, cinco casamentos para pagar!
— Roger!
E olhando de volta para ele, Major Nelson sabia que na verdade aquelas lágrimas revelavam nada além da mais pura alegria.
Continua...
